blogue-fora-nada. homo socius ergo blogus [sum]. homem social logo blogador. em sociobloguês nos entendemos. o port(ug)al dos (por)tugas. a prova dos blogue-fora-nada. a guerra colonial. a guiné. do chacheu ao boe. de bissau a bambadinca. os cacimbados. o geba. o corubal. os rios. o macaréu da nossa revolta. o humor nosso de cada dia nos dai hoje.lá vamos blogando e rindo. e venham mais cinco (camaradas). e vieram tantos que isto se transformou numa caserna. a maior caserna virtual da Net!
09 outubro 2003
Car@s ciberamig@s (I): O poeta é "muito mentiroso"
A Net também é "muito mentirosa", não é só o Pinóquio nem são só os políticos-portugueses-que-juram-pela-sua-honra nem muito menos o misterioso blog que deu tanto que falar no verão passado, pelo menos na blogosfera: enquanto o país ardia, o "muito mentiroso" foi dizendo "muitas mentiras"... A propósito: onde é que o misterioso GOVD (o auto-intitulado Grupo Operacional de Vigilância Democrática) terá aprendido estas técnicas de contra-informação ? Restos em saldo da revolução cultural chinesa ou herança da nossa ex-polícia internacional e de defesa do estado ?
Ainda a propósito da nossa cómico-burlesca vida política (o grande opinion-maker, José Manuel Fernandes, chamou-lhe patética, editorial de ontem do Público!) , não sei como está cotada a honra na Bolsa de Valores de Lisboa... A crer no JPP, o mais famoso blogger português, a honra de um homem não tem preço...Viu-se!
Mas voltando à Net, de vez em quando também passam pelo nosso ecrã montes de disparates. Como por exemplo o testamento de Gabriel Garcia Marquez ou este poemeto (para ler de cima para baixo e de baixo para cima), atribuído a Clarice Lispector (1920-1977)... Ora a grande escritora brasileira, ao que se saiba, nunca escreveu poesia... Mesmo assim, o poemeto (que raio de termo!) tem em gracinha o que lhe falta em qualidade literária. Gracinha, é um favor, que ele é tanto mauzinho, mas serve para mostrar que todo o poeta é um fingidor...
Já agora não o deitemos fora: Pode fazer jeito, pode ser recitado, de baixo para cima (!), à nossa cara metade nas bodas de prata; ou hélas, para os mais felizardos, nas bodas de ouro... E já agora, por que não, nas bodas de diamante ?! Neste caso, para os recordistas do Guiness Book, claro está... Que espero sejam vocês tod@s, que estão no grupo eleito d@s que, como Camões, pensam que "para um tão grande amor é sempre tão curta a vida" (cito de cor).
“Poemeto para ser lido de cima pra baixo e de baixo pra cima”, indevidamente atribuído à grande escritora brasileira Clarice Lispector (1920-1977)
Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
E já agora, o poemeto de baixo pra cima:
É tarde demais...
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
EU TE AMO!
E jamais usarei a frase
Já te esqueci!
Sinto cada vez mais que
Alimento um grande amor.
Não poderia dizer jamais que
Você não significa nada.
Sinto dentro de mim que
Nada foi em vão.
Tenho certeza que
Ainda te quero como sempre quis.
Estarei mentindo dizendo que
Não te amo mais.
Car@s ciberamig@s (I): O poeta é "muito mentiroso"
A Net também é "muito mentirosa", não é só o Pinóquio nem são só os políticos-portugueses-que-juram-pela-sua-honra nem muito menos o misterioso blog que deu tanto que falar no verão passado, pelo menos na blogosfera: enquanto o país ardia, o "muito mentiroso" foi dizendo "muitas mentiras"... A propósito: onde é que o misterioso GOVD (o auto-intitulado Grupo Operacional de Vigilância Democrática) terá aprendido estas técnicas de contra-informação ? Restos em saldo da revolução cultural chinesa ou herança da nossa ex-polícia internacional e de defesa do estado ?
Ainda a propósito da nossa cómico-burlesca vida política (o grande opinion-maker, José Manuel Fernandes, chamou-lhe patética, editorial de ontem do Público!) , não sei como está cotada a honra na Bolsa de Valores de Lisboa... A crer no JPP, o mais famoso blogger português, a honra de um homem não tem preço...Viu-se!
Mas voltando à Net, de vez em quando também passam pelo nosso ecrã montes de disparates. Como por exemplo o testamento de Gabriel Garcia Marquez ou este poemeto (para ler de cima para baixo e de baixo para cima), atribuído a Clarice Lispector (1920-1977)... Ora a grande escritora brasileira, ao que se saiba, nunca escreveu poesia... Mesmo assim, o poemeto (que raio de termo!) tem em gracinha o que lhe falta em qualidade literária. Gracinha, é um favor, que ele é tanto mauzinho, mas serve para mostrar que todo o poeta é um fingidor...
Já agora não o deitemos fora: Pode fazer jeito, pode ser recitado, de baixo para cima (!), à nossa cara metade nas bodas de prata; ou hélas, para os mais felizardos, nas bodas de ouro... E já agora, por que não, nas bodas de diamante ?! Neste caso, para os recordistas do Guiness Book, claro está... Que espero sejam vocês tod@s, que estão no grupo eleito d@s que, como Camões, pensam que "para um tão grande amor é sempre tão curta a vida" (cito de cor).
“Poemeto para ser lido de cima pra baixo e de baixo pra cima”, indevidamente atribuído à grande escritora brasileira Clarice Lispector (1920-1977)
Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
E já agora, o poemeto de baixo pra cima:
É tarde demais...
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
EU TE AMO!
E jamais usarei a frase
Já te esqueci!
Sinto cada vez mais que
Alimento um grande amor.
Não poderia dizer jamais que
Você não significa nada.
Sinto dentro de mim que
Nada foi em vão.
Tenho certeza que
Ainda te quero como sempre quis.
Estarei mentindo dizendo que
Não te amo mais.
08 outubro 2003
Estórias com mural ao fundo - VII: O género da coisa
A(s) ciência(s) ainda não chegou(aram) a um resultado conclusivo e definitivo sobre esta questão (que, aliás, está longe de ser bizantina, como alguns pensam). Há um lote de gente onde eu me incluo, que diz que (i) o género, neste caso, depende mais da percepção do utilizador; ou que (ii) o género, contrariamente ao sexo, é sempre algo socialmente construído.
Há muitos gajos a pensar que @ gaj@ é fêmea... E muitas gajas a pensar que @ gaj@, afinal, é macho... Ou até que dá para os dois lados. Limitemo-nos às duas teses principais. Outros contributos serão (sempre) bem vindos dentro do princípio elementar do ciber-humor com ciber-humor se paga...
Argumentos a favor da tese de que o computador é fêmea:
(i) O do teu amigo ou do teu vizinho é sempre melhor do que o teu.
(ii) Assim que se arranja um, logo aparece outro, melhor e mais barato, na loja da esquina.
(iii) Assim que optas por um, qualquer que seja a marca e o modelo, logo estás a gastar tudo o que ganhas com acessórios e outros adereços para ele.
(iv) Ninguém, além do seu criador, é capaz de entender a sua lógica interna.
(v) Tem uma memória de elefante e é rancoroso: Mesmo os mais pequenos erros que comete são guardados na memória para futuras referências e para te cobrar juros.
(vi) A linguagem nativa usada na comunicação entre os computadores é
incompreensível para qualquer outra espécie à flor da terra.
(vii) A mensagem bad command or file name é tão informativa como quando a tua mulher dize se não sabes porque estou com raiva não sou eu quem te vai explicar !!!
(viii) Last but not the least, o computador do ponto de vista anatómico e fisiológico não pode enganar ninguém: afinal até possui hímen e útero (em inglês, mother board) !!!
Argumentos a favor da tese de que o computador é macho:
(ix) Armazena uma porrada de informação mas não sabe o que fazer com ela sozinho.
(x) Processa informações com muita rapidez, mas não pensa.
(xi) Se lá meteres merda, sai merda (tradução literal do calão informático garbage in, garbage out.
(xii) É incapaz de se lembrar do teu dia de anos, a menos que tu o avises por escrito com antecedência.
(xiii) Tens de o ligar à corrente, se queres que ele te dê algum atenção.
(xiv) Bloqueia ou vai-se abaixo quando tu estás em ponto de rebuçado ou viajas na auto-estrada da informação com o ponteiro no vermelho.
(xv) É sexualmente promíscuo e com ele tens de adoptar comportamentos (v.g., usar preservativo, em calão informático firewall).
(xvi) Tem uma mente pornográfica e é voyeurista.
(xvii) Last but not the least, é suposto resolver-te problemas mas metade do tempo ele é que constitui o problema...
Moral: Não tem nehuma (eu pelo menos não enxergo)
Há muitos gajos a pensar que @ gaj@ é fêmea... E muitas gajas a pensar que @ gaj@, afinal, é macho... Ou até que dá para os dois lados. Limitemo-nos às duas teses principais. Outros contributos serão (sempre) bem vindos dentro do princípio elementar do ciber-humor com ciber-humor se paga...
Argumentos a favor da tese de que o computador é fêmea:
(i) O do teu amigo ou do teu vizinho é sempre melhor do que o teu.
(ii) Assim que se arranja um, logo aparece outro, melhor e mais barato, na loja da esquina.
(iii) Assim que optas por um, qualquer que seja a marca e o modelo, logo estás a gastar tudo o que ganhas com acessórios e outros adereços para ele.
(iv) Ninguém, além do seu criador, é capaz de entender a sua lógica interna.
(v) Tem uma memória de elefante e é rancoroso: Mesmo os mais pequenos erros que comete são guardados na memória para futuras referências e para te cobrar juros.
(vi) A linguagem nativa usada na comunicação entre os computadores é
incompreensível para qualquer outra espécie à flor da terra.
(vii) A mensagem bad command or file name é tão informativa como quando a tua mulher dize se não sabes porque estou com raiva não sou eu quem te vai explicar !!!
(viii) Last but not the least, o computador do ponto de vista anatómico e fisiológico não pode enganar ninguém: afinal até possui hímen e útero (em inglês, mother board) !!!
Argumentos a favor da tese de que o computador é macho:
(ix) Armazena uma porrada de informação mas não sabe o que fazer com ela sozinho.
(x) Processa informações com muita rapidez, mas não pensa.
(xi) Se lá meteres merda, sai merda (tradução literal do calão informático garbage in, garbage out.
(xii) É incapaz de se lembrar do teu dia de anos, a menos que tu o avises por escrito com antecedência.
(xiii) Tens de o ligar à corrente, se queres que ele te dê algum atenção.
(xiv) Bloqueia ou vai-se abaixo quando tu estás em ponto de rebuçado ou viajas na auto-estrada da informação com o ponteiro no vermelho.
(xv) É sexualmente promíscuo e com ele tens de adoptar comportamentos (v.g., usar preservativo, em calão informático firewall).
(xvi) Tem uma mente pornográfica e é voyeurista.
(xvii) Last but not the least, é suposto resolver-te problemas mas metade do tempo ele é que constitui o problema...
Moral: Não tem nehuma (eu pelo menos não enxergo)
Estórias com mural ao fundo - VII: O género da coisa
A(s) ciência(s) ainda não chegou(aram) a um resultado conclusivo e definitivo sobre esta questão (que, aliás, está longe de ser bizantina, como alguns pensam). Há um lote de gente onde eu me incluo, que diz que (i) o género, neste caso, depende mais da percepção do utilizador; ou que (ii) o género, contrariamente ao sexo, é sempre algo socialmente construído.
Há muitos gajos a pensar que @ gaj@ é fêmea... E muitas gajas a pensar que @ gaj@, afinal, é macho... Ou até que dá para os dois lados. Limitemo-nos às duas teses principais. Outros contributos serão (sempre) bem vindos dentro do princípio elementar do ciber-humor com ciber-humor se paga...
Argumentos a favor da tese de que o computador é fêmea:
(i) O do teu amigo ou do teu vizinho é sempre melhor do que o teu.
(ii) Assim que se arranja um, logo aparece outro, melhor e mais barato, na loja da esquina.
(iii) Assim que optas por um, qualquer que seja a marca e o modelo, logo estás a gastar tudo o que ganhas com acessórios e outros adereços para ele.
(iv) Ninguém, além do seu criador, é capaz de entender a sua lógica interna.
(v) Tem uma memória de elefante e é rancoroso: Mesmo os mais pequenos erros que comete são guardados na memória para futuras referências e para te cobrar juros.
(vi) A linguagem nativa usada na comunicação entre os computadores é
incompreensível para qualquer outra espécie à flor da terra.
(vii) A mensagem bad command or file name é tão informativa como quando a tua mulher dize se não sabes porque estou com raiva não sou eu quem te vai explicar !!!
(viii) Last but not the least, o computador do ponto de vista anatómico e fisiológico não pode enganar ninguém: afinal até possui hímen e útero (em inglês, mother board) !!!
Argumentos a favor da tese de que o computador é macho:
(ix) Armazena uma porrada de informação mas não sabe o que fazer com ela sozinho.
(x) Processa informações com muita rapidez, mas não pensa.
(xi) Se lá meteres merda, sai merda (tradução literal do calão informático garbage in, garbage out.
(xii) É incapaz de se lembrar do teu dia de anos, a menos que tu o avises por escrito com antecedência.
(xiii) Tens de o ligar à corrente, se queres que ele te dê algum atenção.
(xiv) Bloqueia ou vai-se abaixo quando tu estás em ponto de rebuçado ou viajas na auto-estrada da informação com o ponteiro no vermelho.
(xv) É sexualmente promíscuo e com ele tens de adoptar comportamentos (v.g., usar preservativo, em calão informático firewall).
(xvi) Tem uma mente pornográfica e é voyeurista.
(xvii) Last but not the least, é suposto resolver-te problemas mas metade do tempo ele é que constitui o problema...
Moral: Não tem nehuma (eu pelo menos não enxergo)
Há muitos gajos a pensar que @ gaj@ é fêmea... E muitas gajas a pensar que @ gaj@, afinal, é macho... Ou até que dá para os dois lados. Limitemo-nos às duas teses principais. Outros contributos serão (sempre) bem vindos dentro do princípio elementar do ciber-humor com ciber-humor se paga...
Argumentos a favor da tese de que o computador é fêmea:
(i) O do teu amigo ou do teu vizinho é sempre melhor do que o teu.
(ii) Assim que se arranja um, logo aparece outro, melhor e mais barato, na loja da esquina.
(iii) Assim que optas por um, qualquer que seja a marca e o modelo, logo estás a gastar tudo o que ganhas com acessórios e outros adereços para ele.
(iv) Ninguém, além do seu criador, é capaz de entender a sua lógica interna.
(v) Tem uma memória de elefante e é rancoroso: Mesmo os mais pequenos erros que comete são guardados na memória para futuras referências e para te cobrar juros.
(vi) A linguagem nativa usada na comunicação entre os computadores é
incompreensível para qualquer outra espécie à flor da terra.
(vii) A mensagem bad command or file name é tão informativa como quando a tua mulher dize se não sabes porque estou com raiva não sou eu quem te vai explicar !!!
(viii) Last but not the least, o computador do ponto de vista anatómico e fisiológico não pode enganar ninguém: afinal até possui hímen e útero (em inglês, mother board) !!!
Argumentos a favor da tese de que o computador é macho:
(ix) Armazena uma porrada de informação mas não sabe o que fazer com ela sozinho.
(x) Processa informações com muita rapidez, mas não pensa.
(xi) Se lá meteres merda, sai merda (tradução literal do calão informático garbage in, garbage out.
(xii) É incapaz de se lembrar do teu dia de anos, a menos que tu o avises por escrito com antecedência.
(xiii) Tens de o ligar à corrente, se queres que ele te dê algum atenção.
(xiv) Bloqueia ou vai-se abaixo quando tu estás em ponto de rebuçado ou viajas na auto-estrada da informação com o ponteiro no vermelho.
(xv) É sexualmente promíscuo e com ele tens de adoptar comportamentos (v.g., usar preservativo, em calão informático firewall).
(xvi) Tem uma mente pornográfica e é voyeurista.
(xvii) Last but not the least, é suposto resolver-te problemas mas metade do tempo ele é que constitui o problema...
Moral: Não tem nehuma (eu pelo menos não enxergo)
Estórias com mural ao fundo - VI: O cão, o homem do talho, o dono do cão e o pico do Evereste
Estava o homem do talho à espera dos fregueses quando foi surpreendido pela entrada dum cão dentro do seu estabelecimento. Enxotou-o mas o cão voltou logo de imediato. Quando tentava de novo espantá-lo, reparou que o animal trazia um bilhete na boca. Pegou no bilhete e leu:
- Quero uma dúzia de salsichas e uma perna de borrego.
O talhante só então reparou que o cão trazia, conjuntamente com o bilhete, uma nota de 50 euros, além de um saco com pão. O talhante pegou no dinheiro, preparou a carne, pegou nas salsichas, devolveu o troco e pôs tudo num outro saco que colocou na boca do cão. O homem estavas deveras impressionado a tal ponto que decidiu fechar o talho e seguir o trajecto do animal. Este começou a descer a rua e quando chegou ao cruzamento depositou os dois saco no chão, pôs-se de pé em duas patas, carregou no botão do semáforo na passadeira para peões, esperou pacientemente pelo sinal verde, atravessou a rua e, por fim, encaminhou-se para a paragem do autocarro, sempre com o homem do talho no seu encalço.
Na paragem, o cão olhou para a tabela dos horários e sentou- se no banco à espera do próximo autocarro. Quando este chegou, o cão conferiu o número e o destino do autocarro e subiu, ordeiramente para a viatura, em fila, na sua vez. Mostrou o passe ao condutor, sentou-se, fechou os olhos e repousou por uns instantes como faria qualquer dona de casa depois do stresse das compras matinais. O talhante estava cada vez mais espantado com a inteligência e o treino do animal...
Para abreviar a estória: o cão chega, finalmente, com as compras, à casa que se presume seja a casa do seu dono. Como a porta estava fechada, ele tentou atrair a atenção de quem estava lá dentro. Virou-se um pouco de lado, deu uma corrida e atirou-se contra a porta, como faria qualquer criança. Repetiu o gesto mais duas vezes, mas ninguém respondeu. Então contornou a casa, pulou um muro e começou a bater com a cabeça no vidro de uma janela. Dirigiu-se de novo para a porta de entrada, sempre com um ar compenetrado dos seus deveres. De repente, um homenzarrão salta lá de dentro e começou a desancar no pobre do bicho. O talhante correu em socorro do cão, gritando:
- Ó homem, o que é que você está a fazer? ... Ó meu Deus, mas este cão é um génio!
O homem retorquiu com maus modos:
- Um génio ???... Esta é já a segunda vez, numa só semana, que o estúpido do cão se esquece de levar a chave de casa quando vai à praça fazer compras!
Moral da estória:
Podes até subir ao pico do Evereste, que aos olhos do teu chefe (*) o teu desempenho ficará sempre aquém do esperado!
Conselho: Nunca deixes que sejam os outros a pôr, por ti, em teu nome, a tua fasquia no pico do Evereste...
________
(*) ou dos outros, em geral: dos teus pais, do teu marido ou da tua mulher, dos teus filhos, do teu namorado ou da tua namorada, do teu/tua amante, dos teus professores, dos teus amigos, dos teus concidadãos, dos teus governantes ou até dos estrangeiros que vão à tua tenda comprar sonhos!
- Quero uma dúzia de salsichas e uma perna de borrego.
O talhante só então reparou que o cão trazia, conjuntamente com o bilhete, uma nota de 50 euros, além de um saco com pão. O talhante pegou no dinheiro, preparou a carne, pegou nas salsichas, devolveu o troco e pôs tudo num outro saco que colocou na boca do cão. O homem estavas deveras impressionado a tal ponto que decidiu fechar o talho e seguir o trajecto do animal. Este começou a descer a rua e quando chegou ao cruzamento depositou os dois saco no chão, pôs-se de pé em duas patas, carregou no botão do semáforo na passadeira para peões, esperou pacientemente pelo sinal verde, atravessou a rua e, por fim, encaminhou-se para a paragem do autocarro, sempre com o homem do talho no seu encalço.
Na paragem, o cão olhou para a tabela dos horários e sentou- se no banco à espera do próximo autocarro. Quando este chegou, o cão conferiu o número e o destino do autocarro e subiu, ordeiramente para a viatura, em fila, na sua vez. Mostrou o passe ao condutor, sentou-se, fechou os olhos e repousou por uns instantes como faria qualquer dona de casa depois do stresse das compras matinais. O talhante estava cada vez mais espantado com a inteligência e o treino do animal...
Para abreviar a estória: o cão chega, finalmente, com as compras, à casa que se presume seja a casa do seu dono. Como a porta estava fechada, ele tentou atrair a atenção de quem estava lá dentro. Virou-se um pouco de lado, deu uma corrida e atirou-se contra a porta, como faria qualquer criança. Repetiu o gesto mais duas vezes, mas ninguém respondeu. Então contornou a casa, pulou um muro e começou a bater com a cabeça no vidro de uma janela. Dirigiu-se de novo para a porta de entrada, sempre com um ar compenetrado dos seus deveres. De repente, um homenzarrão salta lá de dentro e começou a desancar no pobre do bicho. O talhante correu em socorro do cão, gritando:
- Ó homem, o que é que você está a fazer? ... Ó meu Deus, mas este cão é um génio!
O homem retorquiu com maus modos:
- Um génio ???... Esta é já a segunda vez, numa só semana, que o estúpido do cão se esquece de levar a chave de casa quando vai à praça fazer compras!
Moral da estória:
Podes até subir ao pico do Evereste, que aos olhos do teu chefe (*) o teu desempenho ficará sempre aquém do esperado!
Conselho: Nunca deixes que sejam os outros a pôr, por ti, em teu nome, a tua fasquia no pico do Evereste...
________
(*) ou dos outros, em geral: dos teus pais, do teu marido ou da tua mulher, dos teus filhos, do teu namorado ou da tua namorada, do teu/tua amante, dos teus professores, dos teus amigos, dos teus concidadãos, dos teus governantes ou até dos estrangeiros que vão à tua tenda comprar sonhos!
Estórias com mural ao fundo - VI: O cão, o homem do talho, o dono do cão e o pico do Evereste
Estava o homem do talho à espera dos fregueses quando foi surpreendido pela entrada dum cão dentro do seu estabelecimento. Enxotou-o mas o cão voltou logo de imediato. Quando tentava de novo espantá-lo, reparou que o animal trazia um bilhete na boca. Pegou no bilhete e leu:
- Quero uma dúzia de salsichas e uma perna de borrego.
O talhante só então reparou que o cão trazia, conjuntamente com o bilhete, uma nota de 50 euros, além de um saco com pão. O talhante pegou no dinheiro, preparou a carne, pegou nas salsichas, devolveu o troco e pôs tudo num outro saco que colocou na boca do cão. O homem estavas deveras impressionado a tal ponto que decidiu fechar o talho e seguir o trajecto do animal. Este começou a descer a rua e quando chegou ao cruzamento depositou os dois saco no chão, pôs-se de pé em duas patas, carregou no botão do semáforo na passadeira para peões, esperou pacientemente pelo sinal verde, atravessou a rua e, por fim, encaminhou-se para a paragem do autocarro, sempre com o homem do talho no seu encalço.
Na paragem, o cão olhou para a tabela dos horários e sentou- se no banco à espera do próximo autocarro. Quando este chegou, o cão conferiu o número e o destino do autocarro e subiu, ordeiramente para a viatura, em fila, na sua vez. Mostrou o passe ao condutor, sentou-se, fechou os olhos e repousou por uns instantes como faria qualquer dona de casa depois do stresse das compras matinais. O talhante estava cada vez mais espantado com a inteligência e o treino do animal...
Para abreviar a estória: o cão chega, finalmente, com as compras, à casa que se presume seja a casa do seu dono. Como a porta estava fechada, ele tentou atrair a atenção de quem estava lá dentro. Virou-se um pouco de lado, deu uma corrida e atirou-se contra a porta, como faria qualquer criança. Repetiu o gesto mais duas vezes, mas ninguém respondeu. Então contornou a casa, pulou um muro e começou a bater com a cabeça no vidro de uma janela. Dirigiu-se de novo para a porta de entrada, sempre com um ar compenetrado dos seus deveres. De repente, um homenzarrão salta lá de dentro e começou a desancar no pobre do bicho. O talhante correu em socorro do cão, gritando:
- Ó homem, o que é que você está a fazer? ... Ó meu Deus, mas este cão é um génio!
O homem retorquiu com maus modos:
- Um génio ???... Esta é já a segunda vez, numa só semana, que o estúpido do cão se esquece de levar a chave de casa quando vai à praça fazer compras!
Moral da estória:
Podes até subir ao pico do Evereste, que aos olhos do teu chefe (*) o teu desempenho ficará sempre aquém do esperado!
Conselho: Nunca deixes que sejam os outros a pôr, por ti, em teu nome, a tua fasquia no pico do Evereste...
________
(*) ou dos outros, em geral: dos teus pais, do teu marido ou da tua mulher, dos teus filhos, do teu namorado ou da tua namorada, do teu/tua amante, dos teus professores, dos teus amigos, dos teus concidadãos, dos teus governantes ou até dos estrangeiros que vão à tua tenda comprar sonhos!
- Quero uma dúzia de salsichas e uma perna de borrego.
O talhante só então reparou que o cão trazia, conjuntamente com o bilhete, uma nota de 50 euros, além de um saco com pão. O talhante pegou no dinheiro, preparou a carne, pegou nas salsichas, devolveu o troco e pôs tudo num outro saco que colocou na boca do cão. O homem estavas deveras impressionado a tal ponto que decidiu fechar o talho e seguir o trajecto do animal. Este começou a descer a rua e quando chegou ao cruzamento depositou os dois saco no chão, pôs-se de pé em duas patas, carregou no botão do semáforo na passadeira para peões, esperou pacientemente pelo sinal verde, atravessou a rua e, por fim, encaminhou-se para a paragem do autocarro, sempre com o homem do talho no seu encalço.
Na paragem, o cão olhou para a tabela dos horários e sentou- se no banco à espera do próximo autocarro. Quando este chegou, o cão conferiu o número e o destino do autocarro e subiu, ordeiramente para a viatura, em fila, na sua vez. Mostrou o passe ao condutor, sentou-se, fechou os olhos e repousou por uns instantes como faria qualquer dona de casa depois do stresse das compras matinais. O talhante estava cada vez mais espantado com a inteligência e o treino do animal...
Para abreviar a estória: o cão chega, finalmente, com as compras, à casa que se presume seja a casa do seu dono. Como a porta estava fechada, ele tentou atrair a atenção de quem estava lá dentro. Virou-se um pouco de lado, deu uma corrida e atirou-se contra a porta, como faria qualquer criança. Repetiu o gesto mais duas vezes, mas ninguém respondeu. Então contornou a casa, pulou um muro e começou a bater com a cabeça no vidro de uma janela. Dirigiu-se de novo para a porta de entrada, sempre com um ar compenetrado dos seus deveres. De repente, um homenzarrão salta lá de dentro e começou a desancar no pobre do bicho. O talhante correu em socorro do cão, gritando:
- Ó homem, o que é que você está a fazer? ... Ó meu Deus, mas este cão é um génio!
O homem retorquiu com maus modos:
- Um génio ???... Esta é já a segunda vez, numa só semana, que o estúpido do cão se esquece de levar a chave de casa quando vai à praça fazer compras!
Moral da estória:
Podes até subir ao pico do Evereste, que aos olhos do teu chefe (*) o teu desempenho ficará sempre aquém do esperado!
Conselho: Nunca deixes que sejam os outros a pôr, por ti, em teu nome, a tua fasquia no pico do Evereste...
________
(*) ou dos outros, em geral: dos teus pais, do teu marido ou da tua mulher, dos teus filhos, do teu namorado ou da tua namorada, do teu/tua amante, dos teus professores, dos teus amigos, dos teus concidadãos, dos teus governantes ou até dos estrangeiros que vão à tua tenda comprar sonhos!
Estórias com mural ao fundo - V: Não sejas trabalhólico
Com as devidas "gracias" a um amigo argentino desconhecido:
Te contamos la fábula del banquero y el pescador, una moraleja para los "workaholics", esos seres que nunca pero nunca paran de laborar. Siempre están pensando en su próximo negocio...
Mariano Gorodisch
Un banquero americano estaba en el muelle de un pueblito caribeño, cuando llegó un botecito con un solo pescador. Dentro del bote había varios atunes amarillos de buen tamaño. El americano elogió al pescador por la calidad del pescado y le preguntó cuánto tiempo le había tomado pescarlos. El pescador respondió que sólo un rato.
El americano le preguntó que por qué no permanecía más tiempo y sacaba más pescado. El pescador dijo que él tenía lo suficiente para satisfacer las necesidades inmediatas de su familia. El americano le preguntó qué hacía con el resto de su tiempo. El pescador dijo:
- Duermo hasta tarde, pesco un poco, juego con mis hijos, hago siesta con mi señora, caigo todas las noches al pueblo donde tomo vino y toco guitarra con mis amigos. Tengo una vida agradable y ocupada.
El americano replicó:
- Soy de Harvard y podría ayudarte. Deberías gastar más tiempo en la pesca y, con los ingresos, comprar un bote más grande y, con los ingresos del bote más grande, podrías comprar varios botes. Eventualmente tendrías una flota de botes pequeros. En vez de vender el pescado a un intermediario lo podrías hacer directamente a un procesador y, eventualmente, abrir tu propia procesadora. Deberías controlar la producción, el procesamiento y la distribución. Deberías salir de este pueblo e irte a la Capital, donde manejarías tu empresa en expansión.
El pescador le preguntó:
- ¿Pero cuánto tiempo tardaría todo eso?
A lo cual respondió el americano:
- Entre 15 y 20 años.
- ¿Y luego qué? -preguntó el pescador.
El americano se rió y dijo que esa era la mejor parte.
- Cuando llegue la hora deberías vender las acciones de tu empresa al público. Te volverás rico. Tendrás millones!
- Millones ... ¿y luego qué?
- Luego te puedes retirar. Te mudas a un pueblito en la costa donde puedes dormir hasta tarde, pescar un poco, jugar con tus hijos, hacer siesta con tu mujer, caer todas las noches al pueblo donde tomar vino y tocar guitarra con tus amigos.
Moral da história: Qual é a cotação da felicidade na Bolsa de Valores de Lisboa, em Nova Iorque ou em Londres ? Como sair do círculo vicioso da pobreza se os pobres são os primeiros a sentirem-se lá bem ? Esta história (triste) tem de ser emparelhada com a nº I, que essa, sim é uma história de sucesso. L.G.
Te contamos la fábula del banquero y el pescador, una moraleja para los "workaholics", esos seres que nunca pero nunca paran de laborar. Siempre están pensando en su próximo negocio...
Mariano Gorodisch
Un banquero americano estaba en el muelle de un pueblito caribeño, cuando llegó un botecito con un solo pescador. Dentro del bote había varios atunes amarillos de buen tamaño. El americano elogió al pescador por la calidad del pescado y le preguntó cuánto tiempo le había tomado pescarlos. El pescador respondió que sólo un rato.
El americano le preguntó que por qué no permanecía más tiempo y sacaba más pescado. El pescador dijo que él tenía lo suficiente para satisfacer las necesidades inmediatas de su familia. El americano le preguntó qué hacía con el resto de su tiempo. El pescador dijo:
- Duermo hasta tarde, pesco un poco, juego con mis hijos, hago siesta con mi señora, caigo todas las noches al pueblo donde tomo vino y toco guitarra con mis amigos. Tengo una vida agradable y ocupada.
El americano replicó:
- Soy de Harvard y podría ayudarte. Deberías gastar más tiempo en la pesca y, con los ingresos, comprar un bote más grande y, con los ingresos del bote más grande, podrías comprar varios botes. Eventualmente tendrías una flota de botes pequeros. En vez de vender el pescado a un intermediario lo podrías hacer directamente a un procesador y, eventualmente, abrir tu propia procesadora. Deberías controlar la producción, el procesamiento y la distribución. Deberías salir de este pueblo e irte a la Capital, donde manejarías tu empresa en expansión.
El pescador le preguntó:
- ¿Pero cuánto tiempo tardaría todo eso?
A lo cual respondió el americano:
- Entre 15 y 20 años.
- ¿Y luego qué? -preguntó el pescador.
El americano se rió y dijo que esa era la mejor parte.
- Cuando llegue la hora deberías vender las acciones de tu empresa al público. Te volverás rico. Tendrás millones!
- Millones ... ¿y luego qué?
- Luego te puedes retirar. Te mudas a un pueblito en la costa donde puedes dormir hasta tarde, pescar un poco, jugar con tus hijos, hacer siesta con tu mujer, caer todas las noches al pueblo donde tomar vino y tocar guitarra con tus amigos.
Moral da história: Qual é a cotação da felicidade na Bolsa de Valores de Lisboa, em Nova Iorque ou em Londres ? Como sair do círculo vicioso da pobreza se os pobres são os primeiros a sentirem-se lá bem ? Esta história (triste) tem de ser emparelhada com a nº I, que essa, sim é uma história de sucesso. L.G.
Estórias com mural ao fundo - V: Não sejas trabalhólico
Com as devidas "gracias" a um amigo argentino desconhecido:
Te contamos la fábula del banquero y el pescador, una moraleja para los "workaholics", esos seres que nunca pero nunca paran de laborar. Siempre están pensando en su próximo negocio...
Mariano Gorodisch
Un banquero americano estaba en el muelle de un pueblito caribeño, cuando llegó un botecito con un solo pescador. Dentro del bote había varios atunes amarillos de buen tamaño. El americano elogió al pescador por la calidad del pescado y le preguntó cuánto tiempo le había tomado pescarlos. El pescador respondió que sólo un rato.
El americano le preguntó que por qué no permanecía más tiempo y sacaba más pescado. El pescador dijo que él tenía lo suficiente para satisfacer las necesidades inmediatas de su familia. El americano le preguntó qué hacía con el resto de su tiempo. El pescador dijo:
- Duermo hasta tarde, pesco un poco, juego con mis hijos, hago siesta con mi señora, caigo todas las noches al pueblo donde tomo vino y toco guitarra con mis amigos. Tengo una vida agradable y ocupada.
El americano replicó:
- Soy de Harvard y podría ayudarte. Deberías gastar más tiempo en la pesca y, con los ingresos, comprar un bote más grande y, con los ingresos del bote más grande, podrías comprar varios botes. Eventualmente tendrías una flota de botes pequeros. En vez de vender el pescado a un intermediario lo podrías hacer directamente a un procesador y, eventualmente, abrir tu propia procesadora. Deberías controlar la producción, el procesamiento y la distribución. Deberías salir de este pueblo e irte a la Capital, donde manejarías tu empresa en expansión.
El pescador le preguntó:
- ¿Pero cuánto tiempo tardaría todo eso?
A lo cual respondió el americano:
- Entre 15 y 20 años.
- ¿Y luego qué? -preguntó el pescador.
El americano se rió y dijo que esa era la mejor parte.
- Cuando llegue la hora deberías vender las acciones de tu empresa al público. Te volverás rico. Tendrás millones!
- Millones ... ¿y luego qué?
- Luego te puedes retirar. Te mudas a un pueblito en la costa donde puedes dormir hasta tarde, pescar un poco, jugar con tus hijos, hacer siesta con tu mujer, caer todas las noches al pueblo donde tomar vino y tocar guitarra con tus amigos.
Moral da história: Qual é a cotação da felicidade na Bolsa de Valores de Lisboa, em Nova Iorque ou em Londres ? Como sair do círculo vicioso da pobreza se os pobres são os primeiros a sentirem-se lá bem ? Esta história (triste) tem de ser emparelhada com a nº I, que essa, sim é uma história de sucesso. L.G.
Te contamos la fábula del banquero y el pescador, una moraleja para los "workaholics", esos seres que nunca pero nunca paran de laborar. Siempre están pensando en su próximo negocio...
Mariano Gorodisch
Un banquero americano estaba en el muelle de un pueblito caribeño, cuando llegó un botecito con un solo pescador. Dentro del bote había varios atunes amarillos de buen tamaño. El americano elogió al pescador por la calidad del pescado y le preguntó cuánto tiempo le había tomado pescarlos. El pescador respondió que sólo un rato.
El americano le preguntó que por qué no permanecía más tiempo y sacaba más pescado. El pescador dijo que él tenía lo suficiente para satisfacer las necesidades inmediatas de su familia. El americano le preguntó qué hacía con el resto de su tiempo. El pescador dijo:
- Duermo hasta tarde, pesco un poco, juego con mis hijos, hago siesta con mi señora, caigo todas las noches al pueblo donde tomo vino y toco guitarra con mis amigos. Tengo una vida agradable y ocupada.
El americano replicó:
- Soy de Harvard y podría ayudarte. Deberías gastar más tiempo en la pesca y, con los ingresos, comprar un bote más grande y, con los ingresos del bote más grande, podrías comprar varios botes. Eventualmente tendrías una flota de botes pequeros. En vez de vender el pescado a un intermediario lo podrías hacer directamente a un procesador y, eventualmente, abrir tu propia procesadora. Deberías controlar la producción, el procesamiento y la distribución. Deberías salir de este pueblo e irte a la Capital, donde manejarías tu empresa en expansión.
El pescador le preguntó:
- ¿Pero cuánto tiempo tardaría todo eso?
A lo cual respondió el americano:
- Entre 15 y 20 años.
- ¿Y luego qué? -preguntó el pescador.
El americano se rió y dijo que esa era la mejor parte.
- Cuando llegue la hora deberías vender las acciones de tu empresa al público. Te volverás rico. Tendrás millones!
- Millones ... ¿y luego qué?
- Luego te puedes retirar. Te mudas a un pueblito en la costa donde puedes dormir hasta tarde, pescar un poco, jugar con tus hijos, hacer siesta con tu mujer, caer todas las noches al pueblo donde tomar vino y tocar guitarra con tus amigos.
Moral da história: Qual é a cotação da felicidade na Bolsa de Valores de Lisboa, em Nova Iorque ou em Londres ? Como sair do círculo vicioso da pobreza se os pobres são os primeiros a sentirem-se lá bem ? Esta história (triste) tem de ser emparelhada com a nº I, que essa, sim é uma história de sucesso. L.G.
Estórias com mural ao fundo - IV: A(s) reengenharia(s)
Embora já velha, esta estória não deixa de continuar a ter piada e de ser certeira na crítica a um certo modo de ser e de estar nas organizações... Alguém me disse que já a ouviu contada, ainda antes da queda do muro de Berlim em 1989, como caricatura da burocracia soviética e dos princípios da chamada economia de planificação central... As práticas dos gestores das empresas, sob a ditadura do capitalismo financeiro, não deixam de ser menos grotescas.
Passados estes anos todos, a estória continua a ser edificante. Pessoalmente, considero-a imprescindível à formação de gente tão díspar como os médicos do trabalho e os engenheiros de minas... Podemos vê-la como uma parábola ou uma caricatura das modas em gestão.
De qualquer modo, a rir é que a gente se entende… Só espero que os engenheiros (portugueses) não me levem a mal. E que aqueles que são gestores nunca deitem fora a água do banho com a criancinha, como fizeram muitos apressados émulos do Mr. Michael Hammer (se fosse português, ter-se-ia chamado Miguel Martelo), o guru da reengenharia e do downsizing (duas buzzwords que estiveram na moda nos anos 90...).
E, já agora, que aprendam a gostar de Schubert e da sua música. Por que o ciberpluralismo e a webdemocracia a isso obriga, o Sr. Martelo & Companhia continua no negócio. Aqui fica o sítio, passe a publicidade: Hammer and Company.
PS - Os créditos autorais destas estórias pertencem ao fundo comum da humanidade, ou seja, a muita gente... Só posso estar grato a todos os contribuintes líquidos. Desnecessário se torna dizê-lo, embora seja conveniente: nem a moral nem o mural destas estórias reflectem com rigor e verdade as opções políticas, ideológicas, filosóficas, éticas e estéticas do Blogador.
O reengenheiro-chefe
Houve uma época em que muito se falou em reengenharia. O que vinha a ser isso, na realidade, nunca ficou muito bem esclarecido, mas teve pelo menos três consequências principais: (i) muita gente perdeu o emprego; (ii) muitos livros foram escritos sobre o assunto; (iii) muita gente se encheu de dinheiro, a começar pelo consultor xico-esperto com paleio suficiente para ludibriar pobres gestores e empresários...
E o que é pior: num claro indício de que a curiosidade humana não tem limites houve (i) quem comprasse esses tais livros e, até mesmo, (ii) quem lesse alguma coisa deles e sobretudo (iii) pusesse apressadamente os seus ensinamentos em prática. Algumas pessoas, executivos, directores de empresas e chefes mais pequenos, até puseram os seus colaboradores a ler esses livrinhos em voz alta, como se se tratasse da Bíblia dos tempos pós-modernos ou do livrinho vermelho da China pós-maoísta.
Mas vamos à história de hoje: uma dada empresa patrocinava a apresentação de uma famosa orquestra sinfónica, ao abrigo da lei do mecenato e fazendo jus à sua corporate culture e forte sentido de responsabilidade social. Do programa constava a Sinfonia Nº 8 em si menor, de Schubert, a famosa Sinfonia Inacabada. Foram distribuídos diversos convites pelo pessoal dirigente, quadros superiores da empresa, clientes e fornecedores, além de representantes dos colaboradores e do médico do trabalho...
Quando chegou o dia do concerto, um dos directores não pôde ir ao espectáculo e deu ao reengenheiro-chefe o convite que havia recebido. Pensou que lhe faria bem descontrair-se um pouco, depois de uma drástica cura de emagrecimento que ele acabava de aplicar à empresa e que a iria pôr amnésica por uns largos tempos (a tal ponto que nem o abnegado médico do trabalho lhe pôde valer).
Na manhã seguinte ao concerto, encontraram-se na fábrica o director de produção e o reengenheiro-chefe. O director fez a clássica pergunta:
- Então, como foi? Gostou ? ... Em vez de responder, como faria qualquer pessoa normal, o reengenheiro-chefe rapou da pasta e logo ali lhe entregou o relatório que a seguir se transcreve ... Por razões que o leitor logo vai perceber, ele tinha dedicado todo o relatório à Sinfonia nº 8, a Inacabada. Eis o teor do documento (excertos):
(...) 3. Por um considerável lapso de tempo, os trombones não tinham nada que fazer e ficavam só a olhar os outros músicos que tocavam. O seu número deve ser drasticamente reduzido e o pouco que lhes compete fazer deve ser redistribuído entre os demais integrantes da orquestra.
4. (...) Todos os doze violinos estavam perfeitamente sincronizados, fazendo os mesmos gestos e tocando as mesmas notas. A meu ver, é uma duplicação totalmente desnecessária. O responsável por esse sector deve ser sumariamente demitido por desperdício de recursos. Que se mantenha apenas um dos violinistas, de preferência o mais novo, já que os restantes estão todos na faixa dos quarenta e dos cinquenta e eu duvido que passem no exame periódico da medicina do trabalho. Se for necessário um maior volume de som, que se usem amplificadores. Sai muitíssimo mais barato.
5. (...) Não faz o menor sentido as trompas ficarem sempre a repetir as mesmas passagens das cordas: tum, tum, tum!!! Se essas passagens redundantes forem eliminadas, a duração do trabalho pode ser reduzida de 26 minutos para menos de 20, o que representa um fantástico ganho de produtividade de 23%, tornando esta orquestra muito mais competitiva e ágil.
6. (...) Também reparei que algumas passagens exigem grande virtuosismo dos executantes. Ora os virtuosos, nos tempos que correm, custam muito dinheiro. Tais passagens, mais rebuscadas, devem ser banidas da partitura ou simplificadas de modo que possam ser executadas por pessoas com menor qualificação profissional (digamos, estudantes do Conservatório de Música que podem ser pagos à hora, executantes semi-qualificados ou até aprendizes).
7. Essa Sinfonia - a tal nº 8 - tem dois movimentos. Se o Sr. Schubert se tivesse dedicado mais ao trabalho e concentrado todo seu esforço no primeiro movimento, certamente que o segundo seria totalmente desnecessário. Isso traria consideráveis ganhos de eficiência e tornaria o produto mais acessível e atractivo para o grande público (...). Devo acrescentar que tal atitude é totalmente reprovável à luz da ética protestante do trabalho, e muito me surpreende pela negativa, tratando-se de uma pessoa de cultura germânica!
8. (...) Seja como for, a falta de responsabilidade e de competência desse senhor, desse tal Schubert, fez com que a obra ficasse, até hoje, por concluir. Se tivesse seguido o conceito, os princípios e a metodologia da reengenharia, certamente que ele teria conseguido terminar o trabalho no tempo que lhe foi destinado ao invés de deixá-lo inacabado, o que não trouxe nem proveito nem glória quer para a empresa quer para os clientes. Infelizmente tenho a mesma opinião sobre o maestro. Ele bem que podia ter puxado pelos músicos e executado a obra em menos tempo que o previsto. Aliás, o seu mau desempenho não me surpreendeu: afinal o maestro era uma maestrina. Sem prejuízo de um estudo mais aprofundado do problema, acho que é um posto de trabalho que pode perfeitamente ser eliminado, uma que esta workstation já atingiu um elevado grau de automatismo. E nestas situações, eu sigo so conselhos do mestre: Don't automate, obliterate.
À consideração superior,
O Reengenheiro-Chefe.
Passados estes anos todos, a estória continua a ser edificante. Pessoalmente, considero-a imprescindível à formação de gente tão díspar como os médicos do trabalho e os engenheiros de minas... Podemos vê-la como uma parábola ou uma caricatura das modas em gestão.
De qualquer modo, a rir é que a gente se entende… Só espero que os engenheiros (portugueses) não me levem a mal. E que aqueles que são gestores nunca deitem fora a água do banho com a criancinha, como fizeram muitos apressados émulos do Mr. Michael Hammer (se fosse português, ter-se-ia chamado Miguel Martelo), o guru da reengenharia e do downsizing (duas buzzwords que estiveram na moda nos anos 90...).
E, já agora, que aprendam a gostar de Schubert e da sua música. Por que o ciberpluralismo e a webdemocracia a isso obriga, o Sr. Martelo & Companhia continua no negócio. Aqui fica o sítio, passe a publicidade: Hammer and Company.
PS - Os créditos autorais destas estórias pertencem ao fundo comum da humanidade, ou seja, a muita gente... Só posso estar grato a todos os contribuintes líquidos. Desnecessário se torna dizê-lo, embora seja conveniente: nem a moral nem o mural destas estórias reflectem com rigor e verdade as opções políticas, ideológicas, filosóficas, éticas e estéticas do Blogador.
O reengenheiro-chefe
Houve uma época em que muito se falou em reengenharia. O que vinha a ser isso, na realidade, nunca ficou muito bem esclarecido, mas teve pelo menos três consequências principais: (i) muita gente perdeu o emprego; (ii) muitos livros foram escritos sobre o assunto; (iii) muita gente se encheu de dinheiro, a começar pelo consultor xico-esperto com paleio suficiente para ludibriar pobres gestores e empresários...
E o que é pior: num claro indício de que a curiosidade humana não tem limites houve (i) quem comprasse esses tais livros e, até mesmo, (ii) quem lesse alguma coisa deles e sobretudo (iii) pusesse apressadamente os seus ensinamentos em prática. Algumas pessoas, executivos, directores de empresas e chefes mais pequenos, até puseram os seus colaboradores a ler esses livrinhos em voz alta, como se se tratasse da Bíblia dos tempos pós-modernos ou do livrinho vermelho da China pós-maoísta.
Mas vamos à história de hoje: uma dada empresa patrocinava a apresentação de uma famosa orquestra sinfónica, ao abrigo da lei do mecenato e fazendo jus à sua corporate culture e forte sentido de responsabilidade social. Do programa constava a Sinfonia Nº 8 em si menor, de Schubert, a famosa Sinfonia Inacabada. Foram distribuídos diversos convites pelo pessoal dirigente, quadros superiores da empresa, clientes e fornecedores, além de representantes dos colaboradores e do médico do trabalho...
Quando chegou o dia do concerto, um dos directores não pôde ir ao espectáculo e deu ao reengenheiro-chefe o convite que havia recebido. Pensou que lhe faria bem descontrair-se um pouco, depois de uma drástica cura de emagrecimento que ele acabava de aplicar à empresa e que a iria pôr amnésica por uns largos tempos (a tal ponto que nem o abnegado médico do trabalho lhe pôde valer).
Na manhã seguinte ao concerto, encontraram-se na fábrica o director de produção e o reengenheiro-chefe. O director fez a clássica pergunta:
- Então, como foi? Gostou ? ... Em vez de responder, como faria qualquer pessoa normal, o reengenheiro-chefe rapou da pasta e logo ali lhe entregou o relatório que a seguir se transcreve ... Por razões que o leitor logo vai perceber, ele tinha dedicado todo o relatório à Sinfonia nº 8, a Inacabada. Eis o teor do documento (excertos):
(...) 3. Por um considerável lapso de tempo, os trombones não tinham nada que fazer e ficavam só a olhar os outros músicos que tocavam. O seu número deve ser drasticamente reduzido e o pouco que lhes compete fazer deve ser redistribuído entre os demais integrantes da orquestra.
4. (...) Todos os doze violinos estavam perfeitamente sincronizados, fazendo os mesmos gestos e tocando as mesmas notas. A meu ver, é uma duplicação totalmente desnecessária. O responsável por esse sector deve ser sumariamente demitido por desperdício de recursos. Que se mantenha apenas um dos violinistas, de preferência o mais novo, já que os restantes estão todos na faixa dos quarenta e dos cinquenta e eu duvido que passem no exame periódico da medicina do trabalho. Se for necessário um maior volume de som, que se usem amplificadores. Sai muitíssimo mais barato.
5. (...) Não faz o menor sentido as trompas ficarem sempre a repetir as mesmas passagens das cordas: tum, tum, tum!!! Se essas passagens redundantes forem eliminadas, a duração do trabalho pode ser reduzida de 26 minutos para menos de 20, o que representa um fantástico ganho de produtividade de 23%, tornando esta orquestra muito mais competitiva e ágil.
6. (...) Também reparei que algumas passagens exigem grande virtuosismo dos executantes. Ora os virtuosos, nos tempos que correm, custam muito dinheiro. Tais passagens, mais rebuscadas, devem ser banidas da partitura ou simplificadas de modo que possam ser executadas por pessoas com menor qualificação profissional (digamos, estudantes do Conservatório de Música que podem ser pagos à hora, executantes semi-qualificados ou até aprendizes).
7. Essa Sinfonia - a tal nº 8 - tem dois movimentos. Se o Sr. Schubert se tivesse dedicado mais ao trabalho e concentrado todo seu esforço no primeiro movimento, certamente que o segundo seria totalmente desnecessário. Isso traria consideráveis ganhos de eficiência e tornaria o produto mais acessível e atractivo para o grande público (...). Devo acrescentar que tal atitude é totalmente reprovável à luz da ética protestante do trabalho, e muito me surpreende pela negativa, tratando-se de uma pessoa de cultura germânica!
8. (...) Seja como for, a falta de responsabilidade e de competência desse senhor, desse tal Schubert, fez com que a obra ficasse, até hoje, por concluir. Se tivesse seguido o conceito, os princípios e a metodologia da reengenharia, certamente que ele teria conseguido terminar o trabalho no tempo que lhe foi destinado ao invés de deixá-lo inacabado, o que não trouxe nem proveito nem glória quer para a empresa quer para os clientes. Infelizmente tenho a mesma opinião sobre o maestro. Ele bem que podia ter puxado pelos músicos e executado a obra em menos tempo que o previsto. Aliás, o seu mau desempenho não me surpreendeu: afinal o maestro era uma maestrina. Sem prejuízo de um estudo mais aprofundado do problema, acho que é um posto de trabalho que pode perfeitamente ser eliminado, uma que esta workstation já atingiu um elevado grau de automatismo. E nestas situações, eu sigo so conselhos do mestre: Don't automate, obliterate.
À consideração superior,
O Reengenheiro-Chefe.
Estórias com mural ao fundo - IV: A(s) reengenharia(s)
Embora já velha, esta estória não deixa de continuar a ter piada e de ser certeira na crítica a um certo modo de ser e de estar nas organizações... Alguém me disse que já a ouviu contada, ainda antes da queda do muro de Berlim em 1989, como caricatura da burocracia soviética e dos princípios da chamada economia de planificação central... As práticas dos gestores das empresas, sob a ditadura do capitalismo financeiro, não deixam de ser menos grotescas.
Passados estes anos todos, a estória continua a ser edificante. Pessoalmente, considero-a imprescindível à formação de gente tão díspar como os médicos do trabalho e os engenheiros de minas... Podemos vê-la como uma parábola ou uma caricatura das modas em gestão.
De qualquer modo, a rir é que a gente se entende… Só espero que os engenheiros (portugueses) não me levem a mal. E que aqueles que são gestores nunca deitem fora a água do banho com a criancinha, como fizeram muitos apressados émulos do Mr. Michael Hammer (se fosse português, ter-se-ia chamado Miguel Martelo), o guru da reengenharia e do downsizing (duas buzzwords que estiveram na moda nos anos 90...).
E, já agora, que aprendam a gostar de Schubert e da sua música. Por que o ciberpluralismo e a webdemocracia a isso obriga, o Sr. Martelo & Companhia continua no negócio. Aqui fica o sítio, passe a publicidade: Hammer and Company.
PS - Os créditos autorais destas estórias pertencem ao fundo comum da humanidade, ou seja, a muita gente... Só posso estar grato a todos os contribuintes líquidos. Desnecessário se torna dizê-lo, embora seja conveniente: nem a moral nem o mural destas estórias reflectem com rigor e verdade as opções políticas, ideológicas, filosóficas, éticas e estéticas do Blogador.
O reengenheiro-chefe
Houve uma época em que muito se falou em reengenharia. O que vinha a ser isso, na realidade, nunca ficou muito bem esclarecido, mas teve pelo menos três consequências principais: (i) muita gente perdeu o emprego; (ii) muitos livros foram escritos sobre o assunto; (iii) muita gente se encheu de dinheiro, a começar pelo consultor xico-esperto com paleio suficiente para ludibriar pobres gestores e empresários...
E o que é pior: num claro indício de que a curiosidade humana não tem limites houve (i) quem comprasse esses tais livros e, até mesmo, (ii) quem lesse alguma coisa deles e sobretudo (iii) pusesse apressadamente os seus ensinamentos em prática. Algumas pessoas, executivos, directores de empresas e chefes mais pequenos, até puseram os seus colaboradores a ler esses livrinhos em voz alta, como se se tratasse da Bíblia dos tempos pós-modernos ou do livrinho vermelho da China pós-maoísta.
Mas vamos à história de hoje: uma dada empresa patrocinava a apresentação de uma famosa orquestra sinfónica, ao abrigo da lei do mecenato e fazendo jus à sua corporate culture e forte sentido de responsabilidade social. Do programa constava a Sinfonia Nº 8 em si menor, de Schubert, a famosa Sinfonia Inacabada. Foram distribuídos diversos convites pelo pessoal dirigente, quadros superiores da empresa, clientes e fornecedores, além de representantes dos colaboradores e do médico do trabalho...
Quando chegou o dia do concerto, um dos directores não pôde ir ao espectáculo e deu ao reengenheiro-chefe o convite que havia recebido. Pensou que lhe faria bem descontrair-se um pouco, depois de uma drástica cura de emagrecimento que ele acabava de aplicar à empresa e que a iria pôr amnésica por uns largos tempos (a tal ponto que nem o abnegado médico do trabalho lhe pôde valer).
Na manhã seguinte ao concerto, encontraram-se na fábrica o director de produção e o reengenheiro-chefe. O director fez a clássica pergunta:
- Então, como foi? Gostou ? ... Em vez de responder, como faria qualquer pessoa normal, o reengenheiro-chefe rapou da pasta e logo ali lhe entregou o relatório que a seguir se transcreve ... Por razões que o leitor logo vai perceber, ele tinha dedicado todo o relatório à Sinfonia nº 8, a Inacabada. Eis o teor do documento (excertos):
(...) 3. Por um considerável lapso de tempo, os trombones não tinham nada que fazer e ficavam só a olhar os outros músicos que tocavam. O seu número deve ser drasticamente reduzido e o pouco que lhes compete fazer deve ser redistribuído entre os demais integrantes da orquestra.
4. (...) Todos os doze violinos estavam perfeitamente sincronizados, fazendo os mesmos gestos e tocando as mesmas notas. A meu ver, é uma duplicação totalmente desnecessária. O responsável por esse sector deve ser sumariamente demitido por desperdício de recursos. Que se mantenha apenas um dos violinistas, de preferência o mais novo, já que os restantes estão todos na faixa dos quarenta e dos cinquenta e eu duvido que passem no exame periódico da medicina do trabalho. Se for necessário um maior volume de som, que se usem amplificadores. Sai muitíssimo mais barato.
5. (...) Não faz o menor sentido as trompas ficarem sempre a repetir as mesmas passagens das cordas: tum, tum, tum!!! Se essas passagens redundantes forem eliminadas, a duração do trabalho pode ser reduzida de 26 minutos para menos de 20, o que representa um fantástico ganho de produtividade de 23%, tornando esta orquestra muito mais competitiva e ágil.
6. (...) Também reparei que algumas passagens exigem grande virtuosismo dos executantes. Ora os virtuosos, nos tempos que correm, custam muito dinheiro. Tais passagens, mais rebuscadas, devem ser banidas da partitura ou simplificadas de modo que possam ser executadas por pessoas com menor qualificação profissional (digamos, estudantes do Conservatório de Música que podem ser pagos à hora, executantes semi-qualificados ou até aprendizes).
7. Essa Sinfonia - a tal nº 8 - tem dois movimentos. Se o Sr. Schubert se tivesse dedicado mais ao trabalho e concentrado todo seu esforço no primeiro movimento, certamente que o segundo seria totalmente desnecessário. Isso traria consideráveis ganhos de eficiência e tornaria o produto mais acessível e atractivo para o grande público (...). Devo acrescentar que tal atitude é totalmente reprovável à luz da ética protestante do trabalho, e muito me surpreende pela negativa, tratando-se de uma pessoa de cultura germânica!
8. (...) Seja como for, a falta de responsabilidade e de competência desse senhor, desse tal Schubert, fez com que a obra ficasse, até hoje, por concluir. Se tivesse seguido o conceito, os princípios e a metodologia da reengenharia, certamente que ele teria conseguido terminar o trabalho no tempo que lhe foi destinado ao invés de deixá-lo inacabado, o que não trouxe nem proveito nem glória quer para a empresa quer para os clientes. Infelizmente tenho a mesma opinião sobre o maestro. Ele bem que podia ter puxado pelos músicos e executado a obra em menos tempo que o previsto. Aliás, o seu mau desempenho não me surpreendeu: afinal o maestro era uma maestrina. Sem prejuízo de um estudo mais aprofundado do problema, acho que é um posto de trabalho que pode perfeitamente ser eliminado, uma que esta workstation já atingiu um elevado grau de automatismo. E nestas situações, eu sigo so conselhos do mestre: Don't automate, obliterate.
À consideração superior,
O Reengenheiro-Chefe.
Passados estes anos todos, a estória continua a ser edificante. Pessoalmente, considero-a imprescindível à formação de gente tão díspar como os médicos do trabalho e os engenheiros de minas... Podemos vê-la como uma parábola ou uma caricatura das modas em gestão.
De qualquer modo, a rir é que a gente se entende… Só espero que os engenheiros (portugueses) não me levem a mal. E que aqueles que são gestores nunca deitem fora a água do banho com a criancinha, como fizeram muitos apressados émulos do Mr. Michael Hammer (se fosse português, ter-se-ia chamado Miguel Martelo), o guru da reengenharia e do downsizing (duas buzzwords que estiveram na moda nos anos 90...).
E, já agora, que aprendam a gostar de Schubert e da sua música. Por que o ciberpluralismo e a webdemocracia a isso obriga, o Sr. Martelo & Companhia continua no negócio. Aqui fica o sítio, passe a publicidade: Hammer and Company.
PS - Os créditos autorais destas estórias pertencem ao fundo comum da humanidade, ou seja, a muita gente... Só posso estar grato a todos os contribuintes líquidos. Desnecessário se torna dizê-lo, embora seja conveniente: nem a moral nem o mural destas estórias reflectem com rigor e verdade as opções políticas, ideológicas, filosóficas, éticas e estéticas do Blogador.
O reengenheiro-chefe
Houve uma época em que muito se falou em reengenharia. O que vinha a ser isso, na realidade, nunca ficou muito bem esclarecido, mas teve pelo menos três consequências principais: (i) muita gente perdeu o emprego; (ii) muitos livros foram escritos sobre o assunto; (iii) muita gente se encheu de dinheiro, a começar pelo consultor xico-esperto com paleio suficiente para ludibriar pobres gestores e empresários...
E o que é pior: num claro indício de que a curiosidade humana não tem limites houve (i) quem comprasse esses tais livros e, até mesmo, (ii) quem lesse alguma coisa deles e sobretudo (iii) pusesse apressadamente os seus ensinamentos em prática. Algumas pessoas, executivos, directores de empresas e chefes mais pequenos, até puseram os seus colaboradores a ler esses livrinhos em voz alta, como se se tratasse da Bíblia dos tempos pós-modernos ou do livrinho vermelho da China pós-maoísta.
Mas vamos à história de hoje: uma dada empresa patrocinava a apresentação de uma famosa orquestra sinfónica, ao abrigo da lei do mecenato e fazendo jus à sua corporate culture e forte sentido de responsabilidade social. Do programa constava a Sinfonia Nº 8 em si menor, de Schubert, a famosa Sinfonia Inacabada. Foram distribuídos diversos convites pelo pessoal dirigente, quadros superiores da empresa, clientes e fornecedores, além de representantes dos colaboradores e do médico do trabalho...
Quando chegou o dia do concerto, um dos directores não pôde ir ao espectáculo e deu ao reengenheiro-chefe o convite que havia recebido. Pensou que lhe faria bem descontrair-se um pouco, depois de uma drástica cura de emagrecimento que ele acabava de aplicar à empresa e que a iria pôr amnésica por uns largos tempos (a tal ponto que nem o abnegado médico do trabalho lhe pôde valer).
Na manhã seguinte ao concerto, encontraram-se na fábrica o director de produção e o reengenheiro-chefe. O director fez a clássica pergunta:
- Então, como foi? Gostou ? ... Em vez de responder, como faria qualquer pessoa normal, o reengenheiro-chefe rapou da pasta e logo ali lhe entregou o relatório que a seguir se transcreve ... Por razões que o leitor logo vai perceber, ele tinha dedicado todo o relatório à Sinfonia nº 8, a Inacabada. Eis o teor do documento (excertos):
(...) 3. Por um considerável lapso de tempo, os trombones não tinham nada que fazer e ficavam só a olhar os outros músicos que tocavam. O seu número deve ser drasticamente reduzido e o pouco que lhes compete fazer deve ser redistribuído entre os demais integrantes da orquestra.
4. (...) Todos os doze violinos estavam perfeitamente sincronizados, fazendo os mesmos gestos e tocando as mesmas notas. A meu ver, é uma duplicação totalmente desnecessária. O responsável por esse sector deve ser sumariamente demitido por desperdício de recursos. Que se mantenha apenas um dos violinistas, de preferência o mais novo, já que os restantes estão todos na faixa dos quarenta e dos cinquenta e eu duvido que passem no exame periódico da medicina do trabalho. Se for necessário um maior volume de som, que se usem amplificadores. Sai muitíssimo mais barato.
5. (...) Não faz o menor sentido as trompas ficarem sempre a repetir as mesmas passagens das cordas: tum, tum, tum!!! Se essas passagens redundantes forem eliminadas, a duração do trabalho pode ser reduzida de 26 minutos para menos de 20, o que representa um fantástico ganho de produtividade de 23%, tornando esta orquestra muito mais competitiva e ágil.
6. (...) Também reparei que algumas passagens exigem grande virtuosismo dos executantes. Ora os virtuosos, nos tempos que correm, custam muito dinheiro. Tais passagens, mais rebuscadas, devem ser banidas da partitura ou simplificadas de modo que possam ser executadas por pessoas com menor qualificação profissional (digamos, estudantes do Conservatório de Música que podem ser pagos à hora, executantes semi-qualificados ou até aprendizes).
7. Essa Sinfonia - a tal nº 8 - tem dois movimentos. Se o Sr. Schubert se tivesse dedicado mais ao trabalho e concentrado todo seu esforço no primeiro movimento, certamente que o segundo seria totalmente desnecessário. Isso traria consideráveis ganhos de eficiência e tornaria o produto mais acessível e atractivo para o grande público (...). Devo acrescentar que tal atitude é totalmente reprovável à luz da ética protestante do trabalho, e muito me surpreende pela negativa, tratando-se de uma pessoa de cultura germânica!
8. (...) Seja como for, a falta de responsabilidade e de competência desse senhor, desse tal Schubert, fez com que a obra ficasse, até hoje, por concluir. Se tivesse seguido o conceito, os princípios e a metodologia da reengenharia, certamente que ele teria conseguido terminar o trabalho no tempo que lhe foi destinado ao invés de deixá-lo inacabado, o que não trouxe nem proveito nem glória quer para a empresa quer para os clientes. Infelizmente tenho a mesma opinião sobre o maestro. Ele bem que podia ter puxado pelos músicos e executado a obra em menos tempo que o previsto. Aliás, o seu mau desempenho não me surpreendeu: afinal o maestro era uma maestrina. Sem prejuízo de um estudo mais aprofundado do problema, acho que é um posto de trabalho que pode perfeitamente ser eliminado, uma que esta workstation já atingiu um elevado grau de automatismo. E nestas situações, eu sigo so conselhos do mestre: Don't automate, obliterate.
À consideração superior,
O Reengenheiro-Chefe.
Estórias com mural ao fundo - III: O stresse do executivo
Esta é a fábula de um alto executivo de um grande banco (tirem o cavalinho da chuva, que não é o BCP!)... Stressado devido à enorme carga de trabalho a que tinha estado sujeito nos últimos meses em resultado da reestruturação dos serviços e do despedimento de algumas centenas de colaboradores, entrou em colapso nervoso e foi ao médico. Relatou ao psiquiatra o seu caso. Torturava-o a ideia de não ter escolhido as pessoas certas que, depois de uma vida dedicada ao Banco, foram mandadas para casa em situação de pré-reforma.
O médico, experiente, logo diagnosticou ansiedade, tensão, insegurança, culpa e outros sintomas de burnout. Disse ao paciente:
- O senhor engenheiro precisa se afastar, no mínimo por duas semanas, da sua actividade profissional. O ideal era sair de Lisboa, ir para o interior, desligar-se completamente dos negócios e procurar algumas actividades, de preferências físicas e ao ar livre, que o relaxem.
O nosso executivo procurou seguir à letra as orientações do médico. Deixou o telemóvel e o portátil em casa, pegou apenas em dois romances e nuns tantos CD de Mozart e partiu para a quinta da família no Alto Minho.
Passados os primeiros dias, o nosso executivo já havia lido os dois livros e ouvido quase todos os CD. Continuava deprimido. Pensou então que alguma actividade física seria um bom antídoto para a angústia que ainda o dominava, conforme expressa recomendação do psiquiatra.
Chamou o caseiro da quinta e pediu para fazer algo que o "fizesse suar e mortificar o corpo", uma expressão que lhe ocorreu e que lhe era familiar, ouvida muitas vezes da boca de um tio-avô que morrera no convento, um exemplo de santo e de asceta. O caseiro ficou pensativo até ver um monte de estrume que acabava de ser descarregado do tractor.
Disse ao nosso executivo:
- O Sr. Engenheiro se quer mesmo sujar as mãos, pode ir espalhando aquele – com a sua licença ! - estrume, em toda aquela área que estamos a preparar para o cultivo da batata. Ali junto ao laranjal...
Pensou para consigo: "Coitado do home, nem sabe onde se vai meter! É coisa para gastar dois ou três dias!". Puro engano. No dia seguinte o nosso turista já tinha espalhado o estrume por toda a área. Eufórico, pediu logo uma nova tarefa.
O caseiro então disse-lhe:
- Temos ainda muitas laranjas por apanhar... O Sr. Engenheiro, se não se importa, fará o favor de levar três cestos e ir distribuindo as laranjas por tamanho: pequenas, médias e grandes. Umas vão para o mercado e outras são para consumo cá da casa.
Ao fim do dia o senhor administrador ainda não tinha voltado do pomar.. Preocupado, o caseiro dirigiu-se ao local. A cena que viu foi a seguinte: estava o nosso homem com uma laranja na mão, os cabelos em pé, os cestos totalmente vazios, falando consigo mesmo:
- Esta é grande... Não, é média! Ou será pequena?
- Esta é pequena.... Não, é grande! Ou será média?
- Esta é média.... Não, é pequena! Ou será grande ?
Moral da história:
Foi o próprio caseiro da quinta quem tirou sabiamente as devidas ilações desta estória (com mural ao fundo):
- Fazer e espalhar merda, com a sua licença !, é fácil. O que é difícil na vida é tomar as decisões certas, pensando não no momento presente mas no futuro.
O médico, experiente, logo diagnosticou ansiedade, tensão, insegurança, culpa e outros sintomas de burnout. Disse ao paciente:
- O senhor engenheiro precisa se afastar, no mínimo por duas semanas, da sua actividade profissional. O ideal era sair de Lisboa, ir para o interior, desligar-se completamente dos negócios e procurar algumas actividades, de preferências físicas e ao ar livre, que o relaxem.
O nosso executivo procurou seguir à letra as orientações do médico. Deixou o telemóvel e o portátil em casa, pegou apenas em dois romances e nuns tantos CD de Mozart e partiu para a quinta da família no Alto Minho.
Passados os primeiros dias, o nosso executivo já havia lido os dois livros e ouvido quase todos os CD. Continuava deprimido. Pensou então que alguma actividade física seria um bom antídoto para a angústia que ainda o dominava, conforme expressa recomendação do psiquiatra.
Chamou o caseiro da quinta e pediu para fazer algo que o "fizesse suar e mortificar o corpo", uma expressão que lhe ocorreu e que lhe era familiar, ouvida muitas vezes da boca de um tio-avô que morrera no convento, um exemplo de santo e de asceta. O caseiro ficou pensativo até ver um monte de estrume que acabava de ser descarregado do tractor.
Disse ao nosso executivo:
- O Sr. Engenheiro se quer mesmo sujar as mãos, pode ir espalhando aquele – com a sua licença ! - estrume, em toda aquela área que estamos a preparar para o cultivo da batata. Ali junto ao laranjal...
Pensou para consigo: "Coitado do home, nem sabe onde se vai meter! É coisa para gastar dois ou três dias!". Puro engano. No dia seguinte o nosso turista já tinha espalhado o estrume por toda a área. Eufórico, pediu logo uma nova tarefa.
O caseiro então disse-lhe:
- Temos ainda muitas laranjas por apanhar... O Sr. Engenheiro, se não se importa, fará o favor de levar três cestos e ir distribuindo as laranjas por tamanho: pequenas, médias e grandes. Umas vão para o mercado e outras são para consumo cá da casa.
Ao fim do dia o senhor administrador ainda não tinha voltado do pomar.. Preocupado, o caseiro dirigiu-se ao local. A cena que viu foi a seguinte: estava o nosso homem com uma laranja na mão, os cabelos em pé, os cestos totalmente vazios, falando consigo mesmo:
- Esta é grande... Não, é média! Ou será pequena?
- Esta é pequena.... Não, é grande! Ou será média?
- Esta é média.... Não, é pequena! Ou será grande ?
Moral da história:
Foi o próprio caseiro da quinta quem tirou sabiamente as devidas ilações desta estória (com mural ao fundo):
- Fazer e espalhar merda, com a sua licença !, é fácil. O que é difícil na vida é tomar as decisões certas, pensando não no momento presente mas no futuro.
Estórias com mural ao fundo - III: O stresse do executivo
Esta é a fábula de um alto executivo de um grande banco (tirem o cavalinho da chuva, que não é o BCP!)... Stressado devido à enorme carga de trabalho a que tinha estado sujeito nos últimos meses em resultado da reestruturação dos serviços e do despedimento de algumas centenas de colaboradores, entrou em colapso nervoso e foi ao médico. Relatou ao psiquiatra o seu caso. Torturava-o a ideia de não ter escolhido as pessoas certas que, depois de uma vida dedicada ao Banco, foram mandadas para casa em situação de pré-reforma.
O médico, experiente, logo diagnosticou ansiedade, tensão, insegurança, culpa e outros sintomas de burnout. Disse ao paciente:
- O senhor engenheiro precisa se afastar, no mínimo por duas semanas, da sua actividade profissional. O ideal era sair de Lisboa, ir para o interior, desligar-se completamente dos negócios e procurar algumas actividades, de preferências físicas e ao ar livre, que o relaxem.
O nosso executivo procurou seguir à letra as orientações do médico. Deixou o telemóvel e o portátil em casa, pegou apenas em dois romances e nuns tantos CD de Mozart e partiu para a quinta da família no Alto Minho.
Passados os primeiros dias, o nosso executivo já havia lido os dois livros e ouvido quase todos os CD. Continuava deprimido. Pensou então que alguma actividade física seria um bom antídoto para a angústia que ainda o dominava, conforme expressa recomendação do psiquiatra.
Chamou o caseiro da quinta e pediu para fazer algo que o "fizesse suar e mortificar o corpo", uma expressão que lhe ocorreu e que lhe era familiar, ouvida muitas vezes da boca de um tio-avô que morrera no convento, um exemplo de santo e de asceta. O caseiro ficou pensativo até ver um monte de estrume que acabava de ser descarregado do tractor.
Disse ao nosso executivo:
- O Sr. Engenheiro se quer mesmo sujar as mãos, pode ir espalhando aquele – com a sua licença ! - estrume, em toda aquela área que estamos a preparar para o cultivo da batata. Ali junto ao laranjal...
Pensou para consigo: "Coitado do home, nem sabe onde se vai meter! É coisa para gastar dois ou três dias!". Puro engano. No dia seguinte o nosso turista já tinha espalhado o estrume por toda a área. Eufórico, pediu logo uma nova tarefa.
O caseiro então disse-lhe:
- Temos ainda muitas laranjas por apanhar... O Sr. Engenheiro, se não se importa, fará o favor de levar três cestos e ir distribuindo as laranjas por tamanho: pequenas, médias e grandes. Umas vão para o mercado e outras são para consumo cá da casa.
Ao fim do dia o senhor administrador ainda não tinha voltado do pomar.. Preocupado, o caseiro dirigiu-se ao local. A cena que viu foi a seguinte: estava o nosso homem com uma laranja na mão, os cabelos em pé, os cestos totalmente vazios, falando consigo mesmo:
- Esta é grande... Não, é média! Ou será pequena?
- Esta é pequena.... Não, é grande! Ou será média?
- Esta é média.... Não, é pequena! Ou será grande ?
Moral da história:
Foi o próprio caseiro da quinta quem tirou sabiamente as devidas ilações desta estória (com mural ao fundo):
- Fazer e espalhar merda, com a sua licença !, é fácil. O que é difícil na vida é tomar as decisões certas, pensando não no momento presente mas no futuro.
O médico, experiente, logo diagnosticou ansiedade, tensão, insegurança, culpa e outros sintomas de burnout. Disse ao paciente:
- O senhor engenheiro precisa se afastar, no mínimo por duas semanas, da sua actividade profissional. O ideal era sair de Lisboa, ir para o interior, desligar-se completamente dos negócios e procurar algumas actividades, de preferências físicas e ao ar livre, que o relaxem.
O nosso executivo procurou seguir à letra as orientações do médico. Deixou o telemóvel e o portátil em casa, pegou apenas em dois romances e nuns tantos CD de Mozart e partiu para a quinta da família no Alto Minho.
Passados os primeiros dias, o nosso executivo já havia lido os dois livros e ouvido quase todos os CD. Continuava deprimido. Pensou então que alguma actividade física seria um bom antídoto para a angústia que ainda o dominava, conforme expressa recomendação do psiquiatra.
Chamou o caseiro da quinta e pediu para fazer algo que o "fizesse suar e mortificar o corpo", uma expressão que lhe ocorreu e que lhe era familiar, ouvida muitas vezes da boca de um tio-avô que morrera no convento, um exemplo de santo e de asceta. O caseiro ficou pensativo até ver um monte de estrume que acabava de ser descarregado do tractor.
Disse ao nosso executivo:
- O Sr. Engenheiro se quer mesmo sujar as mãos, pode ir espalhando aquele – com a sua licença ! - estrume, em toda aquela área que estamos a preparar para o cultivo da batata. Ali junto ao laranjal...
Pensou para consigo: "Coitado do home, nem sabe onde se vai meter! É coisa para gastar dois ou três dias!". Puro engano. No dia seguinte o nosso turista já tinha espalhado o estrume por toda a área. Eufórico, pediu logo uma nova tarefa.
O caseiro então disse-lhe:
- Temos ainda muitas laranjas por apanhar... O Sr. Engenheiro, se não se importa, fará o favor de levar três cestos e ir distribuindo as laranjas por tamanho: pequenas, médias e grandes. Umas vão para o mercado e outras são para consumo cá da casa.
Ao fim do dia o senhor administrador ainda não tinha voltado do pomar.. Preocupado, o caseiro dirigiu-se ao local. A cena que viu foi a seguinte: estava o nosso homem com uma laranja na mão, os cabelos em pé, os cestos totalmente vazios, falando consigo mesmo:
- Esta é grande... Não, é média! Ou será pequena?
- Esta é pequena.... Não, é grande! Ou será média?
- Esta é média.... Não, é pequena! Ou será grande ?
Moral da história:
Foi o próprio caseiro da quinta quem tirou sabiamente as devidas ilações desta estória (com mural ao fundo):
- Fazer e espalhar merda, com a sua licença !, é fácil. O que é difícil na vida é tomar as decisões certas, pensando não no momento presente mas no futuro.
Estórias com mural ao fundo - II: O solteirão, o bicho de estimação e o stresse da vida
"Aprendam com as centopeias a lidar com o stresse da vida: vede como elas não morrem de ataque cardíaco" (São Francisco)
PS - Para o Anacleto M., globetrotter: aqui te devolvo, inteirinha, a centopeia que me emprestaste por uns dias.
O solteirão, o bicho de estimação e o stresse da vida
Um tipo vivia sozinho até ao dia em que decidiu adoptar um animal de estimação. Foi a uma loja da especialidade e pediu para lhe arranjarem um animal que não fosse, no mínimo, invulgar. Acabou por comprar um centopeia: um bichinho de estimação, tão pequenino, tão amoroso, com 100 patinhas, enfim, algo deveras original. E sobretudo uma boa companhia para quem, como ele, conhecia a(s) tristeza(s) da solidão...
A centopeia que vinha dentro de uma caixinha branca, foi logo morar com o novo dono... O nosso homem quis então celebrar o acontecimento. E o melhor, pensou ele, seria ir à cervejaria Trindade comer um bifinho e beber umas bejecas. Mal despiu o casaco, dirigiu-se à centopeia que estava dentro da caixinha em cima da mesa da cozinha:
- Ó coisa fofa, e se fôssemos à Trindade beber umas bejecas ?!
Do outro lado, não se ouviu nenhuma resposta... Mas o tipo voltou a insistir:
- Ouve lá, arranja-te que a gente vai beber umas bejecas para comemorar o princípio de uma grande amizade!
De novo, um pesado silêncio...
- O bicho, afinal, deve ser surdo e mudo - pensou, contrariado, o dono.
Aí o nosso homem foi aos arames, pegou na caixa, sacudiu-a várias vezes e gritou bem alto para os vizinhos do prédio ouvirem:
- Ó minha puta do c..., queres ir ou não comigo à Trindade beber uns canecos ?!
Um fio de voz soltou-se da caixa:
- Dasse!!! Não sou surda, ouvi bem à primeira!!! O meu senhor dono importa-se de esperar mais um bocadinho, que eu ainda estou a calçar as sapatilhas ?
PS - Para o Anacleto M., globetrotter: aqui te devolvo, inteirinha, a centopeia que me emprestaste por uns dias.
O solteirão, o bicho de estimação e o stresse da vida
Um tipo vivia sozinho até ao dia em que decidiu adoptar um animal de estimação. Foi a uma loja da especialidade e pediu para lhe arranjarem um animal que não fosse, no mínimo, invulgar. Acabou por comprar um centopeia: um bichinho de estimação, tão pequenino, tão amoroso, com 100 patinhas, enfim, algo deveras original. E sobretudo uma boa companhia para quem, como ele, conhecia a(s) tristeza(s) da solidão...
A centopeia que vinha dentro de uma caixinha branca, foi logo morar com o novo dono... O nosso homem quis então celebrar o acontecimento. E o melhor, pensou ele, seria ir à cervejaria Trindade comer um bifinho e beber umas bejecas. Mal despiu o casaco, dirigiu-se à centopeia que estava dentro da caixinha em cima da mesa da cozinha:
- Ó coisa fofa, e se fôssemos à Trindade beber umas bejecas ?!
Do outro lado, não se ouviu nenhuma resposta... Mas o tipo voltou a insistir:
- Ouve lá, arranja-te que a gente vai beber umas bejecas para comemorar o princípio de uma grande amizade!
De novo, um pesado silêncio...
- O bicho, afinal, deve ser surdo e mudo - pensou, contrariado, o dono.
Aí o nosso homem foi aos arames, pegou na caixa, sacudiu-a várias vezes e gritou bem alto para os vizinhos do prédio ouvirem:
- Ó minha puta do c..., queres ir ou não comigo à Trindade beber uns canecos ?!
Um fio de voz soltou-se da caixa:
- Dasse!!! Não sou surda, ouvi bem à primeira!!! O meu senhor dono importa-se de esperar mais um bocadinho, que eu ainda estou a calçar as sapatilhas ?
Estórias com mural ao fundo - II: O solteirão, o bicho de estimação e o stresse da vida
"Aprendam com as centopeias a lidar com o stresse da vida: vede como elas não morrem de ataque cardíaco" (São Francisco)
PS - Para o Anacleto M., globetrotter: aqui te devolvo, inteirinha, a centopeia que me emprestaste por uns dias.
O solteirão, o bicho de estimação e o stresse da vida
Um tipo vivia sozinho até ao dia em que decidiu adoptar um animal de estimação. Foi a uma loja da especialidade e pediu para lhe arranjarem um animal que não fosse, no mínimo, invulgar. Acabou por comprar um centopeia: um bichinho de estimação, tão pequenino, tão amoroso, com 100 patinhas, enfim, algo deveras original. E sobretudo uma boa companhia para quem, como ele, conhecia a(s) tristeza(s) da solidão...
A centopeia que vinha dentro de uma caixinha branca, foi logo morar com o novo dono... O nosso homem quis então celebrar o acontecimento. E o melhor, pensou ele, seria ir à cervejaria Trindade comer um bifinho e beber umas bejecas. Mal despiu o casaco, dirigiu-se à centopeia que estava dentro da caixinha em cima da mesa da cozinha:
- Ó coisa fofa, e se fôssemos à Trindade beber umas bejecas ?!
Do outro lado, não se ouviu nenhuma resposta... Mas o tipo voltou a insistir:
- Ouve lá, arranja-te que a gente vai beber umas bejecas para comemorar o princípio de uma grande amizade!
De novo, um pesado silêncio...
- O bicho, afinal, deve ser surdo e mudo - pensou, contrariado, o dono.
Aí o nosso homem foi aos arames, pegou na caixa, sacudiu-a várias vezes e gritou bem alto para os vizinhos do prédio ouvirem:
- Ó minha puta do c..., queres ir ou não comigo à Trindade beber uns canecos ?!
Um fio de voz soltou-se da caixa:
- Dasse!!! Não sou surda, ouvi bem à primeira!!! O meu senhor dono importa-se de esperar mais um bocadinho, que eu ainda estou a calçar as sapatilhas ?
PS - Para o Anacleto M., globetrotter: aqui te devolvo, inteirinha, a centopeia que me emprestaste por uns dias.
O solteirão, o bicho de estimação e o stresse da vida
Um tipo vivia sozinho até ao dia em que decidiu adoptar um animal de estimação. Foi a uma loja da especialidade e pediu para lhe arranjarem um animal que não fosse, no mínimo, invulgar. Acabou por comprar um centopeia: um bichinho de estimação, tão pequenino, tão amoroso, com 100 patinhas, enfim, algo deveras original. E sobretudo uma boa companhia para quem, como ele, conhecia a(s) tristeza(s) da solidão...
A centopeia que vinha dentro de uma caixinha branca, foi logo morar com o novo dono... O nosso homem quis então celebrar o acontecimento. E o melhor, pensou ele, seria ir à cervejaria Trindade comer um bifinho e beber umas bejecas. Mal despiu o casaco, dirigiu-se à centopeia que estava dentro da caixinha em cima da mesa da cozinha:
- Ó coisa fofa, e se fôssemos à Trindade beber umas bejecas ?!
Do outro lado, não se ouviu nenhuma resposta... Mas o tipo voltou a insistir:
- Ouve lá, arranja-te que a gente vai beber umas bejecas para comemorar o princípio de uma grande amizade!
De novo, um pesado silêncio...
- O bicho, afinal, deve ser surdo e mudo - pensou, contrariado, o dono.
Aí o nosso homem foi aos arames, pegou na caixa, sacudiu-a várias vezes e gritou bem alto para os vizinhos do prédio ouvirem:
- Ó minha puta do c..., queres ir ou não comigo à Trindade beber uns canecos ?!
Um fio de voz soltou-se da caixa:
- Dasse!!! Não sou surda, ouvi bem à primeira!!! O meu senhor dono importa-se de esperar mais um bocadinho, que eu ainda estou a calçar as sapatilhas ?
Estórias com mural ao fundo - I: Ter ou não ter (e-mail)
Tenho por (mau) hábito perguntar às pessoas que vou conhecendo "se têm e-mail"... Mas depois de ler a história a seguir, não vou ter mais lata para o fazer: (i) é indelicado; (ii) pode ser embaraçoso; e (iii) até pode dar azar... Um dia houve alguém que me respondeu, com agressividade mal contida: "Não tenho... mas será que já é obrigatório ?"...
Nós, os ex-clérigos (durante séculos o pessoal universitário, incluindo os estudantes, estavam sujeitos ao direito canónico e só com o triunfo do liberalismo é que o reitor de Coimbra passou a ser um leigo!), temos dificuldade em imaginar um mundo sem livros, sem cátedras e, agora, sem Internet, sem blogues e sem e-mail...
Não sei se é obrigatório ter e-mail (ou se vai sê-lo em breve), mas a verdade é que todos os dias nos ameaçam com a info-exclusão, uma espécie de upgrade das labaredas do inferno. Há muito boa gente que hoje em dia teme ser acusada de infoanalfabeta e pensa que, "pelo sim, pelo não, sempre é bom ter e-mail, não vá o diabo tecê-las"... E quem diz e-mail, diz outars buzzwords horríveis tais como url, password, username, nib...
Já assim pensavam, noutro contexto, os cristão novos de Trancoso que assinalavam, com uma cruz, as suas casas, não fossem os cristãos velhos desconfiar que eles eram judaizantes, logo ignorantes e inimigos da fé cristã (a única, a verdadeira, a dominante)... A cruz era a password e o e-mail daqueles tempos em que os portugas sucumbiram à tentação totalitária...
Por isso, "ter ou não ter e-mail: eis a questão" é uma história com moral... E com mural ao fundo. Ponderei seriamente se havia de a pôr a circular entre @s car@s ciberamig@s... Há sempre o risco de uma leitura demasiado literal, apologética, direi mesmo...primariamente neoliberal !!! Mas, pensando bem, o que conta são os factos, a narrativa (digna do melhor do Reader's Digest, diga-se de passagem). A moral, cada um que a tire. E quanto ao mural, cada um que o pinte... Moralistas e grafiteiros do meu país, divirtam-se! A minha (moral) é apenas a da filosofia baseada na evidência. E quanto ao mural, sempre preferi o branco-da-cal-da-parede. Com aviso: (i) pintado de fresco; (ii) por favor não encostar à parede; (iii) é expressamente proibido fuzilar (contra o muro).
Por azar o meu, recebi esta mensagem por e-mail, através de um amigo angolano (J.D.) que, coitado, também ele tem e-mail... Dei à história o meu toque pessoal. Vocês usem-na (e socializem-na)... para os devidos efeitos. Não posso evitar eventuais tentativas de branqueamento da história. A história é para se usar e branquear, dizem os historiadores oficiais. Mas esse não é o meu ofício. No fim, não se esqueçam do nosso trato: Ciber-humor com ciber-humor se paga...
Ter ou não ter e-mail: eis a questão!
Um homem respondeu a um anúncio da MicroDura com uma generosa oferta de emprego para desempregados de longa duração. O lugar era para empregado de limpeza. Um adjunto do Gestor dos Recursos Humanos (GRH) entrevistou-o, fez-lhe um teste (tão simples como varrer o chão, apanhar o lixo e enfiá-lo num saco) e disse-lhe:
- Parabéns, o lugar é seu. Dê-me o seu e-mail para eu lhe poder enviar a ficha. Depois de preenchida e devolvida, aguarde que a MicroDura lhe comunique a data e a hora em que se deverá apresentar ao serviço nos nossos headquarters.
O homem, embaraçado e nervoso, respondeu que não tinha sequer casa, e muito menos computador, e muito menos ainda Internet, endereço de correio electrónico e essas coisas todas. Aí o valente adjunto do GRH da MicroDura ficou branco como a cal da parede... Por essa é que ele não estava à espera!... Um cidadão norte-americano sem e-mail, o que era uma aberração sociológica, bloguissimamente falando !... O que iria pensar o Mr. Bill Gaitas ?!... Por fim, recompôs-se e disse:
- Lamento muito, mas se eu o senhor não tem e-mail, isso quer dizer que virtualmente não existe; e, não existindo, não pode ter o privilégio de pertencer ao admirável mundo novo dos colaboradores da MicroDura.
O homem saiu, envergonhado e, pior ainda, mais desesperado e desempregado que nunca. Tinha apenas 10 dólares no bolso. Em vez de ir ao McSandocha’s matar a fome, resolveu entrar num Bigmercado e comprar uma caixa de 10 quilos de tomate para revenda. Em menos de duas horas vendeu a mercadoria, porta à porta, num dos bairros mais próximos (habitado por negros e porto-riquenhos), tendo assim conseguido duplicar o seu capital. Repetiu a operação mais três vezes e obteve um lucro de 60 dólares.
No fim do dia, concluiu que podia sobreviver dessa maneira, pelo menos por uns tempos. Passou a trabalhar mais horas por dia. Rapidamente aumentou o seu pecúlio, e em breve comprou a sua primeira carrinha, em segunda mão. Uns meses depois trocou-a por uma camião.
O resto da história é fácil de adivinhar: ao fim de um ano e meio já era dono de uma pequena frota e ao fim de cinco estava milionário, ao tornar-se o principal accionista de uma das maiores cadeias de distribuição alimentar nos Estados Unidos... Como podes imaginar, caro leitor, esta história de sucesso só podia ter acontecido na Terra Prometida e já se tornou um casestudy nos mais famosos cursos de MBA.
Pensando no futuro da sua nova família, o nosso homem resolveu fazer um não menos milionário seguro de vida. Chamou um corretor ao seu escritório e acertou um plano. Quando a reunião estava praticamente concluída, o corretor de seguros pediu-lhe o e-mail para lhe poder enviar rapidamente a proposta de contrato. O homem-que-se-fez-a-si-próprio respondeu, com a maior naturalidade deste mundo, que simplesmente não tinha nem nunca tivera nem nunca provavelmente viria a ter um endereço de e-mail. O corretor não queria acreditar e comentou, em tom de brincadeira:
- Você não tem e-mail e construiu todo este império!... Imagine até onde poderia ter chegado, se tivesse e-mail!... Quem sabe se não poderia ter chegado inclusive até à Casa Branca!
O homem ponderou as palavras do corretor e respondeu-lhe, com a mais fina das ironias:
- Olhe, se eu tivesse e-mail, ainda hoje andaria, feito cão, a lamber o chão do escritório do Bill Gaitas!!!
Moral da história:
1. Ter ou não ter e-mail, eis a questão.
2. Se queres ser empregado de limpeza da MicroDura ou doutra grande empresa, procura antes de mais ter um e-mail.
3. Se não tens e-mail e gostas de trabalhar, ainda podes vir a ser milionário.
4. Se por acaso recebeste esta mensagem por e-mail é por que estás mais perto de ser empregado de limpeza do que ser milionário...
Nós, os ex-clérigos (durante séculos o pessoal universitário, incluindo os estudantes, estavam sujeitos ao direito canónico e só com o triunfo do liberalismo é que o reitor de Coimbra passou a ser um leigo!), temos dificuldade em imaginar um mundo sem livros, sem cátedras e, agora, sem Internet, sem blogues e sem e-mail...
Não sei se é obrigatório ter e-mail (ou se vai sê-lo em breve), mas a verdade é que todos os dias nos ameaçam com a info-exclusão, uma espécie de upgrade das labaredas do inferno. Há muito boa gente que hoje em dia teme ser acusada de infoanalfabeta e pensa que, "pelo sim, pelo não, sempre é bom ter e-mail, não vá o diabo tecê-las"... E quem diz e-mail, diz outars buzzwords horríveis tais como url, password, username, nib...
Já assim pensavam, noutro contexto, os cristão novos de Trancoso que assinalavam, com uma cruz, as suas casas, não fossem os cristãos velhos desconfiar que eles eram judaizantes, logo ignorantes e inimigos da fé cristã (a única, a verdadeira, a dominante)... A cruz era a password e o e-mail daqueles tempos em que os portugas sucumbiram à tentação totalitária...
Por isso, "ter ou não ter e-mail: eis a questão" é uma história com moral... E com mural ao fundo. Ponderei seriamente se havia de a pôr a circular entre @s car@s ciberamig@s... Há sempre o risco de uma leitura demasiado literal, apologética, direi mesmo...primariamente neoliberal !!! Mas, pensando bem, o que conta são os factos, a narrativa (digna do melhor do Reader's Digest, diga-se de passagem). A moral, cada um que a tire. E quanto ao mural, cada um que o pinte... Moralistas e grafiteiros do meu país, divirtam-se! A minha (moral) é apenas a da filosofia baseada na evidência. E quanto ao mural, sempre preferi o branco-da-cal-da-parede. Com aviso: (i) pintado de fresco; (ii) por favor não encostar à parede; (iii) é expressamente proibido fuzilar (contra o muro).
Por azar o meu, recebi esta mensagem por e-mail, através de um amigo angolano (J.D.) que, coitado, também ele tem e-mail... Dei à história o meu toque pessoal. Vocês usem-na (e socializem-na)... para os devidos efeitos. Não posso evitar eventuais tentativas de branqueamento da história. A história é para se usar e branquear, dizem os historiadores oficiais. Mas esse não é o meu ofício. No fim, não se esqueçam do nosso trato: Ciber-humor com ciber-humor se paga...
Ter ou não ter e-mail: eis a questão!
Um homem respondeu a um anúncio da MicroDura com uma generosa oferta de emprego para desempregados de longa duração. O lugar era para empregado de limpeza. Um adjunto do Gestor dos Recursos Humanos (GRH) entrevistou-o, fez-lhe um teste (tão simples como varrer o chão, apanhar o lixo e enfiá-lo num saco) e disse-lhe:
- Parabéns, o lugar é seu. Dê-me o seu e-mail para eu lhe poder enviar a ficha. Depois de preenchida e devolvida, aguarde que a MicroDura lhe comunique a data e a hora em que se deverá apresentar ao serviço nos nossos headquarters.
O homem, embaraçado e nervoso, respondeu que não tinha sequer casa, e muito menos computador, e muito menos ainda Internet, endereço de correio electrónico e essas coisas todas. Aí o valente adjunto do GRH da MicroDura ficou branco como a cal da parede... Por essa é que ele não estava à espera!... Um cidadão norte-americano sem e-mail, o que era uma aberração sociológica, bloguissimamente falando !... O que iria pensar o Mr. Bill Gaitas ?!... Por fim, recompôs-se e disse:
- Lamento muito, mas se eu o senhor não tem e-mail, isso quer dizer que virtualmente não existe; e, não existindo, não pode ter o privilégio de pertencer ao admirável mundo novo dos colaboradores da MicroDura.
O homem saiu, envergonhado e, pior ainda, mais desesperado e desempregado que nunca. Tinha apenas 10 dólares no bolso. Em vez de ir ao McSandocha’s matar a fome, resolveu entrar num Bigmercado e comprar uma caixa de 10 quilos de tomate para revenda. Em menos de duas horas vendeu a mercadoria, porta à porta, num dos bairros mais próximos (habitado por negros e porto-riquenhos), tendo assim conseguido duplicar o seu capital. Repetiu a operação mais três vezes e obteve um lucro de 60 dólares.
No fim do dia, concluiu que podia sobreviver dessa maneira, pelo menos por uns tempos. Passou a trabalhar mais horas por dia. Rapidamente aumentou o seu pecúlio, e em breve comprou a sua primeira carrinha, em segunda mão. Uns meses depois trocou-a por uma camião.
O resto da história é fácil de adivinhar: ao fim de um ano e meio já era dono de uma pequena frota e ao fim de cinco estava milionário, ao tornar-se o principal accionista de uma das maiores cadeias de distribuição alimentar nos Estados Unidos... Como podes imaginar, caro leitor, esta história de sucesso só podia ter acontecido na Terra Prometida e já se tornou um casestudy nos mais famosos cursos de MBA.
Pensando no futuro da sua nova família, o nosso homem resolveu fazer um não menos milionário seguro de vida. Chamou um corretor ao seu escritório e acertou um plano. Quando a reunião estava praticamente concluída, o corretor de seguros pediu-lhe o e-mail para lhe poder enviar rapidamente a proposta de contrato. O homem-que-se-fez-a-si-próprio respondeu, com a maior naturalidade deste mundo, que simplesmente não tinha nem nunca tivera nem nunca provavelmente viria a ter um endereço de e-mail. O corretor não queria acreditar e comentou, em tom de brincadeira:
- Você não tem e-mail e construiu todo este império!... Imagine até onde poderia ter chegado, se tivesse e-mail!... Quem sabe se não poderia ter chegado inclusive até à Casa Branca!
O homem ponderou as palavras do corretor e respondeu-lhe, com a mais fina das ironias:
- Olhe, se eu tivesse e-mail, ainda hoje andaria, feito cão, a lamber o chão do escritório do Bill Gaitas!!!
Moral da história:
1. Ter ou não ter e-mail, eis a questão.
2. Se queres ser empregado de limpeza da MicroDura ou doutra grande empresa, procura antes de mais ter um e-mail.
3. Se não tens e-mail e gostas de trabalhar, ainda podes vir a ser milionário.
4. Se por acaso recebeste esta mensagem por e-mail é por que estás mais perto de ser empregado de limpeza do que ser milionário...
Estórias com mural ao fundo - I: Ter ou não ter (e-mail)
Tenho por (mau) hábito perguntar às pessoas que vou conhecendo "se têm e-mail"... Mas depois de ler a história a seguir, não vou ter mais lata para o fazer: (i) é indelicado; (ii) pode ser embaraçoso; e (iii) até pode dar azar... Um dia houve alguém que me respondeu, com agressividade mal contida: "Não tenho... mas será que já é obrigatório ?"...
Nós, os ex-clérigos (durante séculos o pessoal universitário, incluindo os estudantes, estavam sujeitos ao direito canónico e só com o triunfo do liberalismo é que o reitor de Coimbra passou a ser um leigo!), temos dificuldade em imaginar um mundo sem livros, sem cátedras e, agora, sem Internet, sem blogues e sem e-mail...
Não sei se é obrigatório ter e-mail (ou se vai sê-lo em breve), mas a verdade é que todos os dias nos ameaçam com a info-exclusão, uma espécie de upgrade das labaredas do inferno. Há muito boa gente que hoje em dia teme ser acusada de infoanalfabeta e pensa que, "pelo sim, pelo não, sempre é bom ter e-mail, não vá o diabo tecê-las"... E quem diz e-mail, diz outars buzzwords horríveis tais como url, password, username, nib...
Já assim pensavam, noutro contexto, os cristão novos de Trancoso que assinalavam, com uma cruz, as suas casas, não fossem os cristãos velhos desconfiar que eles eram judaizantes, logo ignorantes e inimigos da fé cristã (a única, a verdadeira, a dominante)... A cruz era a password e o e-mail daqueles tempos em que os portugas sucumbiram à tentação totalitária...
Por isso, "ter ou não ter e-mail: eis a questão" é uma história com moral... E com mural ao fundo. Ponderei seriamente se havia de a pôr a circular entre @s car@s ciberamig@s... Há sempre o risco de uma leitura demasiado literal, apologética, direi mesmo...primariamente neoliberal !!! Mas, pensando bem, o que conta são os factos, a narrativa (digna do melhor do Reader's Digest, diga-se de passagem). A moral, cada um que a tire. E quanto ao mural, cada um que o pinte... Moralistas e grafiteiros do meu país, divirtam-se! A minha (moral) é apenas a da filosofia baseada na evidência. E quanto ao mural, sempre preferi o branco-da-cal-da-parede. Com aviso: (i) pintado de fresco; (ii) por favor não encostar à parede; (iii) é expressamente proibido fuzilar (contra o muro).
Por azar o meu, recebi esta mensagem por e-mail, através de um amigo angolano (J.D.) que, coitado, também ele tem e-mail... Dei à história o meu toque pessoal. Vocês usem-na (e socializem-na)... para os devidos efeitos. Não posso evitar eventuais tentativas de branqueamento da história. A história é para se usar e branquear, dizem os historiadores oficiais. Mas esse não é o meu ofício. No fim, não se esqueçam do nosso trato: Ciber-humor com ciber-humor se paga...
Ter ou não ter e-mail: eis a questão!
Um homem respondeu a um anúncio da MicroDura com uma generosa oferta de emprego para desempregados de longa duração. O lugar era para empregado de limpeza. Um adjunto do Gestor dos Recursos Humanos (GRH) entrevistou-o, fez-lhe um teste (tão simples como varrer o chão, apanhar o lixo e enfiá-lo num saco) e disse-lhe:
- Parabéns, o lugar é seu. Dê-me o seu e-mail para eu lhe poder enviar a ficha. Depois de preenchida e devolvida, aguarde que a MicroDura lhe comunique a data e a hora em que se deverá apresentar ao serviço nos nossos headquarters.
O homem, embaraçado e nervoso, respondeu que não tinha sequer casa, e muito menos computador, e muito menos ainda Internet, endereço de correio electrónico e essas coisas todas. Aí o valente adjunto do GRH da MicroDura ficou branco como a cal da parede... Por essa é que ele não estava à espera!... Um cidadão norte-americano sem e-mail, o que era uma aberração sociológica, bloguissimamente falando !... O que iria pensar o Mr. Bill Gaitas ?!... Por fim, recompôs-se e disse:
- Lamento muito, mas se eu o senhor não tem e-mail, isso quer dizer que virtualmente não existe; e, não existindo, não pode ter o privilégio de pertencer ao admirável mundo novo dos colaboradores da MicroDura.
O homem saiu, envergonhado e, pior ainda, mais desesperado e desempregado que nunca. Tinha apenas 10 dólares no bolso. Em vez de ir ao McSandocha’s matar a fome, resolveu entrar num Bigmercado e comprar uma caixa de 10 quilos de tomate para revenda. Em menos de duas horas vendeu a mercadoria, porta à porta, num dos bairros mais próximos (habitado por negros e porto-riquenhos), tendo assim conseguido duplicar o seu capital. Repetiu a operação mais três vezes e obteve um lucro de 60 dólares.
No fim do dia, concluiu que podia sobreviver dessa maneira, pelo menos por uns tempos. Passou a trabalhar mais horas por dia. Rapidamente aumentou o seu pecúlio, e em breve comprou a sua primeira carrinha, em segunda mão. Uns meses depois trocou-a por uma camião.
O resto da história é fácil de adivinhar: ao fim de um ano e meio já era dono de uma pequena frota e ao fim de cinco estava milionário, ao tornar-se o principal accionista de uma das maiores cadeias de distribuição alimentar nos Estados Unidos... Como podes imaginar, caro leitor, esta história de sucesso só podia ter acontecido na Terra Prometida e já se tornou um casestudy nos mais famosos cursos de MBA.
Pensando no futuro da sua nova família, o nosso homem resolveu fazer um não menos milionário seguro de vida. Chamou um corretor ao seu escritório e acertou um plano. Quando a reunião estava praticamente concluída, o corretor de seguros pediu-lhe o e-mail para lhe poder enviar rapidamente a proposta de contrato. O homem-que-se-fez-a-si-próprio respondeu, com a maior naturalidade deste mundo, que simplesmente não tinha nem nunca tivera nem nunca provavelmente viria a ter um endereço de e-mail. O corretor não queria acreditar e comentou, em tom de brincadeira:
- Você não tem e-mail e construiu todo este império!... Imagine até onde poderia ter chegado, se tivesse e-mail!... Quem sabe se não poderia ter chegado inclusive até à Casa Branca!
O homem ponderou as palavras do corretor e respondeu-lhe, com a mais fina das ironias:
- Olhe, se eu tivesse e-mail, ainda hoje andaria, feito cão, a lamber o chão do escritório do Bill Gaitas!!!
Moral da história:
1. Ter ou não ter e-mail, eis a questão.
2. Se queres ser empregado de limpeza da MicroDura ou doutra grande empresa, procura antes de mais ter um e-mail.
3. Se não tens e-mail e gostas de trabalhar, ainda podes vir a ser milionário.
4. Se por acaso recebeste esta mensagem por e-mail é por que estás mais perto de ser empregado de limpeza do que ser milionário...
Nós, os ex-clérigos (durante séculos o pessoal universitário, incluindo os estudantes, estavam sujeitos ao direito canónico e só com o triunfo do liberalismo é que o reitor de Coimbra passou a ser um leigo!), temos dificuldade em imaginar um mundo sem livros, sem cátedras e, agora, sem Internet, sem blogues e sem e-mail...
Não sei se é obrigatório ter e-mail (ou se vai sê-lo em breve), mas a verdade é que todos os dias nos ameaçam com a info-exclusão, uma espécie de upgrade das labaredas do inferno. Há muito boa gente que hoje em dia teme ser acusada de infoanalfabeta e pensa que, "pelo sim, pelo não, sempre é bom ter e-mail, não vá o diabo tecê-las"... E quem diz e-mail, diz outars buzzwords horríveis tais como url, password, username, nib...
Já assim pensavam, noutro contexto, os cristão novos de Trancoso que assinalavam, com uma cruz, as suas casas, não fossem os cristãos velhos desconfiar que eles eram judaizantes, logo ignorantes e inimigos da fé cristã (a única, a verdadeira, a dominante)... A cruz era a password e o e-mail daqueles tempos em que os portugas sucumbiram à tentação totalitária...
Por isso, "ter ou não ter e-mail: eis a questão" é uma história com moral... E com mural ao fundo. Ponderei seriamente se havia de a pôr a circular entre @s car@s ciberamig@s... Há sempre o risco de uma leitura demasiado literal, apologética, direi mesmo...primariamente neoliberal !!! Mas, pensando bem, o que conta são os factos, a narrativa (digna do melhor do Reader's Digest, diga-se de passagem). A moral, cada um que a tire. E quanto ao mural, cada um que o pinte... Moralistas e grafiteiros do meu país, divirtam-se! A minha (moral) é apenas a da filosofia baseada na evidência. E quanto ao mural, sempre preferi o branco-da-cal-da-parede. Com aviso: (i) pintado de fresco; (ii) por favor não encostar à parede; (iii) é expressamente proibido fuzilar (contra o muro).
Por azar o meu, recebi esta mensagem por e-mail, através de um amigo angolano (J.D.) que, coitado, também ele tem e-mail... Dei à história o meu toque pessoal. Vocês usem-na (e socializem-na)... para os devidos efeitos. Não posso evitar eventuais tentativas de branqueamento da história. A história é para se usar e branquear, dizem os historiadores oficiais. Mas esse não é o meu ofício. No fim, não se esqueçam do nosso trato: Ciber-humor com ciber-humor se paga...
Ter ou não ter e-mail: eis a questão!
Um homem respondeu a um anúncio da MicroDura com uma generosa oferta de emprego para desempregados de longa duração. O lugar era para empregado de limpeza. Um adjunto do Gestor dos Recursos Humanos (GRH) entrevistou-o, fez-lhe um teste (tão simples como varrer o chão, apanhar o lixo e enfiá-lo num saco) e disse-lhe:
- Parabéns, o lugar é seu. Dê-me o seu e-mail para eu lhe poder enviar a ficha. Depois de preenchida e devolvida, aguarde que a MicroDura lhe comunique a data e a hora em que se deverá apresentar ao serviço nos nossos headquarters.
O homem, embaraçado e nervoso, respondeu que não tinha sequer casa, e muito menos computador, e muito menos ainda Internet, endereço de correio electrónico e essas coisas todas. Aí o valente adjunto do GRH da MicroDura ficou branco como a cal da parede... Por essa é que ele não estava à espera!... Um cidadão norte-americano sem e-mail, o que era uma aberração sociológica, bloguissimamente falando !... O que iria pensar o Mr. Bill Gaitas ?!... Por fim, recompôs-se e disse:
- Lamento muito, mas se eu o senhor não tem e-mail, isso quer dizer que virtualmente não existe; e, não existindo, não pode ter o privilégio de pertencer ao admirável mundo novo dos colaboradores da MicroDura.
O homem saiu, envergonhado e, pior ainda, mais desesperado e desempregado que nunca. Tinha apenas 10 dólares no bolso. Em vez de ir ao McSandocha’s matar a fome, resolveu entrar num Bigmercado e comprar uma caixa de 10 quilos de tomate para revenda. Em menos de duas horas vendeu a mercadoria, porta à porta, num dos bairros mais próximos (habitado por negros e porto-riquenhos), tendo assim conseguido duplicar o seu capital. Repetiu a operação mais três vezes e obteve um lucro de 60 dólares.
No fim do dia, concluiu que podia sobreviver dessa maneira, pelo menos por uns tempos. Passou a trabalhar mais horas por dia. Rapidamente aumentou o seu pecúlio, e em breve comprou a sua primeira carrinha, em segunda mão. Uns meses depois trocou-a por uma camião.
O resto da história é fácil de adivinhar: ao fim de um ano e meio já era dono de uma pequena frota e ao fim de cinco estava milionário, ao tornar-se o principal accionista de uma das maiores cadeias de distribuição alimentar nos Estados Unidos... Como podes imaginar, caro leitor, esta história de sucesso só podia ter acontecido na Terra Prometida e já se tornou um casestudy nos mais famosos cursos de MBA.
Pensando no futuro da sua nova família, o nosso homem resolveu fazer um não menos milionário seguro de vida. Chamou um corretor ao seu escritório e acertou um plano. Quando a reunião estava praticamente concluída, o corretor de seguros pediu-lhe o e-mail para lhe poder enviar rapidamente a proposta de contrato. O homem-que-se-fez-a-si-próprio respondeu, com a maior naturalidade deste mundo, que simplesmente não tinha nem nunca tivera nem nunca provavelmente viria a ter um endereço de e-mail. O corretor não queria acreditar e comentou, em tom de brincadeira:
- Você não tem e-mail e construiu todo este império!... Imagine até onde poderia ter chegado, se tivesse e-mail!... Quem sabe se não poderia ter chegado inclusive até à Casa Branca!
O homem ponderou as palavras do corretor e respondeu-lhe, com a mais fina das ironias:
- Olhe, se eu tivesse e-mail, ainda hoje andaria, feito cão, a lamber o chão do escritório do Bill Gaitas!!!
Moral da história:
1. Ter ou não ter e-mail, eis a questão.
2. Se queres ser empregado de limpeza da MicroDura ou doutra grande empresa, procura antes de mais ter um e-mail.
3. Se não tens e-mail e gostas de trabalhar, ainda podes vir a ser milionário.
4. Se por acaso recebeste esta mensagem por e-mail é por que estás mais perto de ser empregado de limpeza do que ser milionário...
Subscrever:
Mensagens (Atom)