11 outubro 2003

Portugal Sacro-Profano- III: Raça, precisa-se

"Falta raça ao jogador português" (Expresso, 11 de Outubro de 2003)



"O português tem receio de mostrar o que é, é um pouco comedido . (...) O português parece com um pouco de receio de ser feliz" (Scolari, brasileiro, treinador da selecção portuguesa de futebol. Expresso, 11 de Outubro de 2003).



"O que eu gostaria de deixar como herança, (...) é aquilo que eu mais admiro nos meus antepassados, a capacidade de ultrapassarem as adversidades e de criar algo de novo, aceitando os desafios" (Manuel Alfredo de Mello, gestor, português, Expresso, 11 de Outubro de 2003).



"Gosto particularmente de biografias. Prefiro a realidade à ficção" (Luís Simões, empresário, português. Visão, 9 de Outubro de 2003).



"O fado, infelizmente, deixou de ser dançado e gostava de ainda ver no meu tempo o fado restituído à sua plenitude: tocado e cantado, mas também dançado "( Carlos do Carmo, fadista, português. Expresso, 11 de Outubro de 2003).







Portugal Sacro-Profano- III: Raça, precisa-se

"Falta raça ao jogador português" (Expresso, 11 de Outubro de 2003)

"O português tem receio de mostrar o que é, é um pouco comedido . (...) O português parece com um pouco de receio de ser feliz" (Scolari, brasileiro, treinador da selecção portuguesa de futebol. Expresso, 11 de Outubro de 2003).

"O que eu gostaria de deixar como herança, (...) é aquilo que eu mais admiro nos meus antepassados, a capacidade de ultrapassarem as adversidades e de criar algo de novo, aceitando os desafios" (Manuel Alfredo de Mello, gestor, português, Expresso, 11 de Outubro de 2003).

"Gosto particularmente de biografias. Prefiro a realidade à ficção" (Luís Simões, empresário, português. Visão, 9 de Outubro de 2003).

"O fado, infelizmente, deixou de ser dançado e gostava de ainda ver no meu tempo o fado restituído à sua plenitude: tocado e cantado, mas também dançado "( Carlos do Carmo, fadista, português. Expresso, 11 de Outubro de 2003).



Portugal sacro-profano - I: Do Colo do Pito à Catraia do Buraco

Terras de Espanha, areias de Portugal...



1. Estes são alguns nomes de santas terrinhas (e outros lugares menos santos ) que existem em placas toponímicas, por esse Portugal fora. Algumas foram muito provavelmente carbonizadas pelo fogo do inferno (de que Deus nos livre!), o qual, neste verão de má memória, varreu o nosso chão sagrado, de norte a sul e de leste a oeste (...Com tantas blasfémias e tanta gente ímpia, o que é que vocês esperavam ?).



Não faço a mínima ideia de quem foi o conquistador franco, o fundador, o povoador, o bandeirante, o geógrafo, o marinheiro, o corsário, o padre, o santo, o poeta ou o até o eleito (o autarca) que deu o nome à(s) coisa(s)... É certo que o país, a terra, os pais, os irmãos e o nome de baptismo a gente não é livre de escolher... (Mas devia ser, já que se fala tanto, hoje em dia, em direitos de personalidade!).



2. Convenhamos que há sítios mais (im)próprios do que outros para uma pessoa nascer, viver, respirar, amar, trabalhar e morrer....Vocês já imaginaram serem conterrâneos dos habitantes, por exemplo, de Cabrão, Cama Porca, Catraia do Buraco, Colo do Pito, Focinho de Cão, Paitorto, Picha, Punhete, Rego do Azar, Rio Seco dos Marmelos ou Venda da Gaita ? Por mim não vejo mal nenhum nisso, desde que os portugas lá nascidos não se sintam discriminados e sejam felizes... Afinal, são flores (brutas, espontâneas, singelas) destas Terras de Espanha, Areias de Portugal...



Mas um dia destes suspeito que os eurocratas de Bruxelas irão tomar conta de mais este dossiê e normalizar a(s) coisa(s)... Como têm feito com (quase) tudo o resto: a pêra e o pêro, por exemplo, que só podem ir à nossa mesa se forem calibradas pelos aferidores de Bruxelas!.. Por isso é que esses são chamados de... peritos (que são pêros mais pequenos, devidamene calibrados).



Para já, não pode haver nenhum sítio, no espaço único europeu, chamado Mata Porcas, por exemplo, pela simples razão de que matar o porco ou a porca em casa, no quintal, na praia, na rua ou no adro da igreja é um grave atentado à saúde pública e à unidade sócio-cultural do super-Estado de Schengen, para além de um espectáculo bárbaro que pode até agudizar a má-consciência dos carniceiros europeus... E depois vamos lá ver: há nomes que são perigosos, podendo ter (i) conotações pedófilas como Catraia do Buraco; ou (ii) erótico-satíricas, para não dizer mesmo pornográficas, como Senhora do Alívio, susceptíveis de ferir a sensibilidade dos crentes ou provocar a ira dos ateus...



Quanto ao Cu de Judas, garanto-vos que não foi um invenção do (do-nosso-próximo-Prémio-Nobel-da-Literatura-que-já-não-há-de-chegar-a-ser) António Lobo Antunes (e é pena, por que o gajo é um génio!).



Pois bem, o Cu de Judas existe mesmo e fica algures no meio do Atlântico... Provavelmente o sítio terá sido descoberto pelos homens da Nau Catrineta quando, sofrendo de miragens, já viam Terras-de-Espanha-Areias-de-Portugal por um canudo (Coitados naquele tempo não havia escolaridade obrigatória, nem se aprendia geografia pelos livros, nem muito menos havia internet!...).



3. Depois deste paleio todo, aqui vai a lista (necessariamente incompleta, logo aberta...) com os nomes das ditas santas terrinhas e dos outros lugares menos santos, seguidos do respectivo concelho (ou ilha). Este é o Portugal sacro-profano (como diria o saudoso poeta Ruy Belo), que também nos coube em herança.



A lista destina-se àquela camada mais adiposa dos portugas que viajam muito por países exóticos e não têm tempo para conhecer a santa terrinha que Deus lhes deu e o Dom Afonso Henriques e seus façanhudos descendentes conquistaram aos marafados dos berberes...



Se vocês se (a)lembrarem de mais alguns nomes, registem e acrescentem, que não pagam nada. Trata-se de um trabalho colectivo, de muitas e desvairadas (ciber)gentes. Provavelmente esta é a última oportunidade que ainda têm de conhecer o Portugal profundo em vias de extinção.



De futuro, e a acreditar nas projecções demográficas do INE (leia-se: Instituto Nacional de Estatística) ninguém mais nascerá no Chiqueiro, no Cemitério ou na Venda da Porca, mas sim na Maternidade Alfredo da Costa, na Júlio Dinis e sobretudo nos novos Hospitais SA do Portugal do Século XXI).



A

Agua Derramada - Grândola

Aliviada - Marco de Canaveses

Amor - Leiria

Angústias - Paredes de Coura

Às dez - Angra do Heroísmo



B

Bagaceira – Calheta

Bairro do Fim do Mundo - Cascais

Baixa da Banheira - Antigo Lugar da Banheira (Séc. XV), Moita

Bêbeda - Sines

Bexiga - Tomar

Bicha - Gondomar

Bicho - Santo Tirso



C

Cabeçudos - Marvão

Cabrão - Ponte de Lima

Cabrões - Santo Tirso

Cama Porca - Alhandra

Campa do Preto – Maia

Casal da Gaita - Lourinhã

Casal de Água de Todo o Ano - Abrantes

Catraia do Buraco - Belmonte

Cemitério - Paços de Ferreira

Chiqueiro – Lousã

Coina – Barreiro

Coito - (Vários concelhos)

Colo do Pito - Castro Daire

Cova da Moura - Amadaora

Coxo - Vila da Praia da Vitória, Oliveira de Azeméis e Felgueiras

Crucifixo – Tramagal

Cu de Judas – Ilha de São Miguel, Açores



D

Deixa-o-Resto – Santiago do Cacém

Deserto - Alcoutim, Coruche e Estremoz



E

Endiabrada - Aljezur e Odemira

Esgaravatadouro - Monchique



F/G/H



Focinho de Cão - Aljustrel

Garanhão - Ponte da Barca

Hospícios - Azeitão



I/J



Imaginário - Caldas da Rainha

Jerusalém do Romeu - Mirandela



M/N/O



Mal Lavado - Odemira

Máquina - Cabeceiras de Basto

Mata Cães – Torres Vedras

Mata Mouros - Vila do Bispo

Mata Porcas - Lagos e Monchique

Monte dos Tesos - Avis

Namorados - Castro Verde e Mértola

Orelhudo - Coimbra



P



Paimogo - Lourinhã

Paitorto - Mirandela

Paixão - Celorico de Basto e Vieira do Minho

Paraíso - (Vários)

Passado - Vila Verde

Pedaço Mau - Vila Nova de Ourém

Pés Escaldados - Arganil

Picha - Pedrógão Grande

Pirescoxe - Santa Iria da Azóia, Loures (a terra em que viu nascer gente operária e militantes comunistas como o Jerónimo de Sousa)

Pitões das Júnias - Montalegre

Pobreza – Caminha

Poço de Boliqueime – Loulé

Poço dos Mouros - Lisboa

Ponta - Lajes das Flores e Porto Santo

Porca - Ponte de Lima

Porqueiras - Sítio da freguesia de Seixo Amarelo, Guarda

Presa dos Mouros - Lagoa

Pulo do Lobo - Mértola (celebrizado pelo Prof. Cavaco Silva, e tornado o símbolo do Portugal profundo)

Punhete - Valongo

Purgatório - Albufeira



Q

Quartos - Vila Verde e Loulé

Quinta de Comichão - Guarda

Quinta do Himalaia - Barreiro



R

Rabo de Peixe - Ilha de São Miguel, Açores

Rabo de Porco - Penela

Rato - Barcelos e Vila Nova de Famalicão

Ratoeira - Vila Nova de Cerveira

Rata - (11 concelhos, pelo menos: Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Murça, Santarém, Santiago do Cacém e Tondela)

Rego do Azar - Ponte de Lima

Rio Seco dos Marmelos - Ferreira do Alentejo



S



Senhora do Alívio - Baião

Sítio das Solteiras - Tavira



T´



Terra da Gaja – Lousã

Tomates - Albufeira

Traseiros - Oliveira de Azeméis



V



Vacalouras - Castanheira de Pêra

Vaginha - Vagos

Vale da Rata – Almodôvar

Venda da Gaita - Tomar

Venda da Porca - Estremoz

Venda das Pulgas - Mafra

Venda das Raparigas - Alcobaça

Vale de Mortos - Beja

Venda dos Pretos - Leiria

Vergas - Vagos

Vila Nova do Coito - Santarém

Vilar de Vacas - Antigo nome de Ruivães, concelho de Vieira do Minho

Vinha da Desgraça - Coruche

Violência - Paredes de Coura

Portugal sacro-profano - I: Do Colo do Pito à Catraia do Buraco

Terras de Espanha, areias de Portugal...

1. Estes são alguns nomes de santas terrinhas (e outros lugares menos santos ) que existem em placas toponímicas, por esse Portugal fora. Algumas foram muito provavelmente carbonizadas pelo fogo do inferno (de que Deus nos livre!), o qual, neste verão de má memória, varreu o nosso chão sagrado, de norte a sul e de leste a oeste (...Com tantas blasfémias e tanta gente ímpia, o que é que vocês esperavam ?).

Não faço a mínima ideia de quem foi o conquistador franco, o fundador, o povoador, o bandeirante, o geógrafo, o marinheiro, o corsário, o padre, o santo, o poeta ou o até o eleito (o autarca) que deu o nome à(s) coisa(s)... É certo que o país, a terra, os pais, os irmãos e o nome de baptismo a gente não é livre de escolher... (Mas devia ser, já que se fala tanto, hoje em dia, em direitos de personalidade!).

2. Convenhamos que há sítios mais (im)próprios do que outros para uma pessoa nascer, viver, respirar, amar, trabalhar e morrer....Vocês já imaginaram serem conterrâneos dos habitantes, por exemplo, de Cabrão, Cama Porca, Catraia do Buraco, Colo do Pito, Focinho de Cão, Paitorto, Picha, Punhete, Rego do Azar, Rio Seco dos Marmelos ou Venda da Gaita ? Por mim não vejo mal nenhum nisso, desde que os portugas lá nascidos não se sintam discriminados e sejam felizes... Afinal, são flores (brutas, espontâneas, singelas) destas Terras de Espanha, Areias de Portugal...

Mas um dia destes suspeito que os eurocratas de Bruxelas irão tomar conta de mais este dossiê e normalizar a(s) coisa(s)... Como têm feito com (quase) tudo o resto: a pêra e o pêro, por exemplo, que só podem ir à nossa mesa se forem calibradas pelos aferidores de Bruxelas!.. Por isso é que esses são chamados de... peritos (que são pêros mais pequenos, devidamene calibrados).

Para já, não pode haver nenhum sítio, no espaço único europeu, chamado Mata Porcas, por exemplo, pela simples razão de que matar o porco ou a porca em casa, no quintal, na praia, na rua ou no adro da igreja é um grave atentado à saúde pública e à unidade sócio-cultural do super-Estado de Schengen, para além de um espectáculo bárbaro que pode até agudizar a má-consciência dos carniceiros europeus... E depois vamos lá ver: há nomes que são perigosos, podendo ter (i) conotações pedófilas como Catraia do Buraco; ou (ii) erótico-satíricas, para não dizer mesmo pornográficas, como Senhora do Alívio, susceptíveis de ferir a sensibilidade dos crentes ou provocar a ira dos ateus...

Quanto ao Cu de Judas, garanto-vos que não foi um invenção do (do-nosso-próximo-Prémio-Nobel-da-Literatura-que-já-não-há-de-chegar-a-ser) António Lobo Antunes (e é pena, por que o gajo é um génio!).

Pois bem, o Cu de Judas existe mesmo e fica algures no meio do Atlântico... Provavelmente o sítio terá sido descoberto pelos homens da Nau Catrineta quando, sofrendo de miragens, já viam Terras-de-Espanha-Areias-de-Portugal por um canudo (Coitados naquele tempo não havia escolaridade obrigatória, nem se aprendia geografia pelos livros, nem muito menos havia internet!...).

3. Depois deste paleio todo, aqui vai a lista (necessariamente incompleta, logo aberta...) com os nomes das ditas santas terrinhas e dos outros lugares menos santos, seguidos do respectivo concelho (ou ilha). Este é o Portugal sacro-profano (como diria o saudoso poeta Ruy Belo), que também nos coube em herança.

A lista destina-se àquela camada mais adiposa dos portugas que viajam muito por países exóticos e não têm tempo para conhecer a santa terrinha que Deus lhes deu e o Dom Afonso Henriques e seus façanhudos descendentes conquistaram aos marafados dos berberes...

Se vocês se (a)lembrarem de mais alguns nomes, registem e acrescentem, que não pagam nada. Trata-se de um trabalho colectivo, de muitas e desvairadas (ciber)gentes. Provavelmente esta é a última oportunidade que ainda têm de conhecer o Portugal profundo em vias de extinção.

De futuro, e a acreditar nas projecções demográficas do INE (leia-se: Instituto Nacional de Estatística) ninguém mais nascerá no Chiqueiro, no Cemitério ou na Venda da Porca, mas sim na Maternidade Alfredo da Costa, na Júlio Dinis e sobretudo nos novos Hospitais SA do Portugal do Século XXI).

A
Agua Derramada - Grândola
Aliviada - Marco de Canaveses
Amor - Leiria
Angústias - Paredes de Coura
Às dez - Angra do Heroísmo

B
Bagaceira – Calheta
Bairro do Fim do Mundo - Cascais
Baixa da Banheira - Antigo Lugar da Banheira (Séc. XV), Moita
Bêbeda - Sines
Bexiga - Tomar
Bicha - Gondomar
Bicho - Santo Tirso

C
Cabeçudos - Marvão
Cabrão - Ponte de Lima
Cabrões - Santo Tirso
Cama Porca - Alhandra
Campa do Preto – Maia
Casal da Gaita - Lourinhã
Casal de Água de Todo o Ano - Abrantes
Catraia do Buraco - Belmonte
Cemitério - Paços de Ferreira
Chiqueiro – Lousã
Coina – Barreiro
Coito - (Vários concelhos)
Colo do Pito - Castro Daire
Cova da Moura - Amadaora
Coxo - Vila da Praia da Vitória, Oliveira de Azeméis e Felgueiras
Crucifixo – Tramagal
Cu de Judas – Ilha de São Miguel, Açores

D
Deixa-o-Resto – Santiago do Cacém
Deserto - Alcoutim, Coruche e Estremoz

E
Endiabrada - Aljezur e Odemira
Esgaravatadouro - Monchique

F/G/H

Focinho de Cão - Aljustrel
Garanhão - Ponte da Barca
Hospícios - Azeitão

I/J

Imaginário - Caldas da Rainha
Jerusalém do Romeu - Mirandela

M/N/O

Mal Lavado - Odemira
Máquina - Cabeceiras de Basto
Mata Cães – Torres Vedras
Mata Mouros - Vila do Bispo
Mata Porcas - Lagos e Monchique
Monte dos Tesos - Avis
Namorados - Castro Verde e Mértola
Orelhudo - Coimbra

P

Paimogo - Lourinhã
Paitorto - Mirandela
Paixão - Celorico de Basto e Vieira do Minho
Paraíso - (Vários)
Passado - Vila Verde
Pedaço Mau - Vila Nova de Ourém
Pés Escaldados - Arganil
Picha - Pedrógão Grande
Pirescoxe - Santa Iria da Azóia, Loures (a terra em que viu nascer gente operária e militantes comunistas como o Jerónimo de Sousa)
Pitões das Júnias - Montalegre
Pobreza – Caminha
Poço de Boliqueime – Loulé
Poço dos Mouros - Lisboa
Ponta - Lajes das Flores e Porto Santo
Porca - Ponte de Lima
Porqueiras - Sítio da freguesia de Seixo Amarelo, Guarda
Presa dos Mouros - Lagoa
Pulo do Lobo - Mértola (celebrizado pelo Prof. Cavaco Silva, e tornado o símbolo do Portugal profundo)
Punhete - Valongo
Purgatório - Albufeira

Q
Quartos - Vila Verde e Loulé
Quinta de Comichão - Guarda
Quinta do Himalaia - Barreiro

R
Rabo de Peixe - Ilha de São Miguel, Açores
Rabo de Porco - Penela
Rato - Barcelos e Vila Nova de Famalicão
Ratoeira - Vila Nova de Cerveira
Rata - (11 concelhos, pelo menos: Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Murça, Santarém, Santiago do Cacém e Tondela)
Rego do Azar - Ponte de Lima
Rio Seco dos Marmelos - Ferreira do Alentejo

S

Senhora do Alívio - Baião
Sítio das Solteiras - Tavira

T´

Terra da Gaja – Lousã
Tomates - Albufeira
Traseiros - Oliveira de Azeméis

V

Vacalouras - Castanheira de Pêra
Vaginha - Vagos
Vale da Rata – Almodôvar
Venda da Gaita - Tomar
Venda da Porca - Estremoz
Venda das Pulgas - Mafra
Venda das Raparigas - Alcobaça
Vale de Mortos - Beja
Venda dos Pretos - Leiria
Vergas - Vagos
Vila Nova do Coito - Santarém
Vilar de Vacas - Antigo nome de Ruivães, concelho de Vieira do Minho
Vinha da Desgraça - Coruche
Violência - Paredes de Coura

Portugal Sacro-Profano - II : Portugal in su situ)

O Portugal no Seu Melhor podia ser um altamente pedagógico programa do ciberespaço, programa de educação cívica, estética, ambiental, linguística.... Tem os seus cultores, mas não faz o meu género: é masoquista, deprimente, alarve, inocente e inofensivo, fica-se muito pela caricatura do boçal Zé Povinho, o eterno bombo da festa!...



Em boa verdade falta-nos (infelizmente, direi eu) o Bordalo Pinheiro do Séc. XXI para zurzir o outro Portugal, não menos pimba e info-analfabeto, que julga que já apanhou a auto-estrada do futuro só porque tem o último telélé da Nokia, navega na Net em ADSL, fala inglês, anda em colégios finos e pisa as passarelles da moda... De qualquer modo a caricatura da nossa fina flor do entulho pode entrever-se nas revistas cor de rosa, na chamada imprensa social, em muitas das caras conhecidas do nosso meio artístico, televisivo, desportivo, empresarial, académico, político e por aí fora...



Aí a gente vê-se (revê-se) nos benditos filhos e filhas que o País (macho) e a Nação (fêmea) deram ao Mundo... Todos filhos e filhas (ou netos e netas) do coitado do Zé Povinho... Só que eles e elas já não o (re)conhecem: está velho, sofre de Alzheimer, tem escaras e foi abandonado no lar da Misericórdia (...em vias de se transformar em Hopitel, S.A).



Depois que se perderam pelas sete partidas do mundo, os tugas continuam à procura de Portugal in su situ... Os Portas e quejandos proclamam que nunca perderam a portugalidade. Nunca percebi o que quer dizer o palavrão: imagino que seja a maneira muito própria, vertical, de se ser português...in su situ!

Portugal Sacro-Profano - II : Portugal in su situ)

O Portugal no Seu Melhor podia ser um altamente pedagógico programa do ciberespaço, programa de educação cívica, estética, ambiental, linguística.... Tem os seus cultores, mas não faz o meu género: é masoquista, deprimente, alarve, inocente e inofensivo, fica-se muito pela caricatura do boçal Zé Povinho, o eterno bombo da festa!...

Em boa verdade falta-nos (infelizmente, direi eu) o Bordalo Pinheiro do Séc. XXI para zurzir o outro Portugal, não menos pimba e info-analfabeto, que julga que já apanhou a auto-estrada do futuro só porque tem o último telélé da Nokia, navega na Net em ADSL, fala inglês, anda em colégios finos e pisa as passarelles da moda... De qualquer modo a caricatura da nossa fina flor do entulho pode entrever-se nas revistas cor de rosa, na chamada imprensa social, em muitas das caras conhecidas do nosso meio artístico, televisivo, desportivo, empresarial, académico, político e por aí fora...

Aí a gente vê-se (revê-se) nos benditos filhos e filhas que o País (macho) e a Nação (fêmea) deram ao Mundo... Todos filhos e filhas (ou netos e netas) do coitado do Zé Povinho... Só que eles e elas já não o (re)conhecem: está velho, sofre de Alzheimer, tem escaras e foi abandonado no lar da Misericórdia (...em vias de se transformar em Hopitel, S.A).

Depois que se perderam pelas sete partidas do mundo, os tugas continuam à procura de Portugal in su situ... Os Portas e quejandos proclamam que nunca perderam a portugalidade. Nunca percebi o que quer dizer o palavrão: imagino que seja a maneira muito própria, vertical, de se ser português...in su situ!

10 outubro 2003

A qualidade... é mesmo para se levar a sério e à letra

Após um determinado número de voos da Qantas Airways, os pilotos preenchem um formulário, o qual indica aos mecânicos (que entre os portugas têm o nome, mais nobre, de TMA - Técnicos de Manutenção Aeronáutica...) os problemas sentidos no avião durante os voos e que requerem reparação ou correcção.



Este formulário consiste numa simples folha de papel no qual o piloto preenche a parte de cima, descrevendo o problema, e que é depois lido pelos mecânicos (ou TMA). Estes indicam, escrevendo na segunda metade da folha, qual o tipo de reparação efectuada, para que no próximo voo daquele avião o piloto possa rever o formulário antes de levantar voo.



Vocês imaginam as vantagens de um sistema destes, em Portugal, aplicado no âmbito da Sistema de Gestão da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, por exemplo ? Ou na área da Gestão da Qualidade, da Protecção do Ambiente, da Melhoria das Condições de Trabalho, da Satisfação do Cliente e do Serviço Pós-Venda ? Na Austrália (e a Qantas Airways pretende representar "the sipirit of Australia") a qualidade é mesmo para se levar a sério e à letra...



Pois bem, não se poderá dizer que os engenheiros e equipas de manutenção aeronáutica da Austrália tenham falta de sentido de humor. Aqui vão algumas das queixas efectuadas e as respectivas respostas.



Siglas (só há duas):



P= Problema indicado pelo piloto

S =Solução sugerida e/ou acção conduzida pelo mecânico.



Convém dizer que a Qantas é a única grande companhia de aviação (não sei se do mundo ou só da região...) que nunca sofreu um acidente grave (passe a publicidade).



P: O pneu principal interior está quase a precisar de substituição.

S: Efectuada a quase substituição do pneu principal anterior.



P: Teste de voo O.K., excepto a auto-aterragem que foi bastante dura.

S: A auto-aterragem não está instalada neste aparelho.



P: Está qualquer coisa solta no cockpit.

S: Foi apertada qualquer coisa no cockpit.



P: Insectos mortos no pára-brisas.

S : Insectos vivos encomendados.



P: O piloto-automático no modo de manutenção de altitude executa uma descida de 200 pés por minuto.

S: Não é possível reproduzir o problema em terra.



P: Sinais de fugas no trem de aterragem direito.

S: Sinais eliminados.



P: O nível de volume do DME (sabes o que é ? eu também não!) está incrivelmente elevado.

S: O volume do DME foi colocado num nível mais credível.



P: As trancas de fricção fazem com que as alavancas fiquem perras.

S: É para isso que elas estão lá.



P: O IFF não funciona (essa sigla não não vem no livro de bordo).

S: O IFF nunca funciona em modo OFF.



P: Suspeita de fenda no pára-brisas.

S: Suspeito que tem razão.



P: Motor número 3 desaparecido.

S: Motor encontrado na asa direita após breve busca.



P: O aparelho comporta-se de modo estranho.

S: Aparelho avisado para se por direito, voar correctamente e deixar-se de graças.



P: O sinal do radar faz zumbidos.

S: Sinal do radar reprogramado para fazer música.



P: Rato no cockpit.

S: Gato instalado.

A qualidade... é mesmo para se levar a sério e à letra

Após um determinado número de voos da Qantas Airways, os pilotos preenchem um formulário, o qual indica aos mecânicos (que entre os portugas têm o nome, mais nobre, de TMA - Técnicos de Manutenção Aeronáutica...) os problemas sentidos no avião durante os voos e que requerem reparação ou correcção.

Este formulário consiste numa simples folha de papel no qual o piloto preenche a parte de cima, descrevendo o problema, e que é depois lido pelos mecânicos (ou TMA). Estes indicam, escrevendo na segunda metade da folha, qual o tipo de reparação efectuada, para que no próximo voo daquele avião o piloto possa rever o formulário antes de levantar voo.

Vocês imaginam as vantagens de um sistema destes, em Portugal, aplicado no âmbito da Sistema de Gestão da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, por exemplo ? Ou na área da Gestão da Qualidade, da Protecção do Ambiente, da Melhoria das Condições de Trabalho, da Satisfação do Cliente e do Serviço Pós-Venda ? Na Austrália (e a Qantas Airways pretende representar "the sipirit of Australia") a qualidade é mesmo para se levar a sério e à letra...

Pois bem, não se poderá dizer que os engenheiros e equipas de manutenção aeronáutica da Austrália tenham falta de sentido de humor. Aqui vão algumas das queixas efectuadas e as respectivas respostas.

Siglas (só há duas):

P= Problema indicado pelo piloto
S =Solução sugerida e/ou acção conduzida pelo mecânico.

Convém dizer que a Qantas é a única grande companhia de aviação (não sei se do mundo ou só da região...) que nunca sofreu um acidente grave (passe a publicidade).

P: O pneu principal interior está quase a precisar de substituição.
S: Efectuada a quase substituição do pneu principal anterior.

P: Teste de voo O.K., excepto a auto-aterragem que foi bastante dura.
S: A auto-aterragem não está instalada neste aparelho.

P: Está qualquer coisa solta no cockpit.
S: Foi apertada qualquer coisa no cockpit.

P: Insectos mortos no pára-brisas.
S : Insectos vivos encomendados.

P: O piloto-automático no modo de manutenção de altitude executa uma descida de 200 pés por minuto.
S: Não é possível reproduzir o problema em terra.

P: Sinais de fugas no trem de aterragem direito.
S: Sinais eliminados.

P: O nível de volume do DME (sabes o que é ? eu também não!) está incrivelmente elevado.
S: O volume do DME foi colocado num nível mais credível.

P: As trancas de fricção fazem com que as alavancas fiquem perras.
S: É para isso que elas estão lá.

P: O IFF não funciona (essa sigla não não vem no livro de bordo).
S: O IFF nunca funciona em modo OFF.

P: Suspeita de fenda no pára-brisas.
S: Suspeito que tem razão.

P: Motor número 3 desaparecido.
S: Motor encontrado na asa direita após breve busca.

P: O aparelho comporta-se de modo estranho.
S: Aparelho avisado para se por direito, voar correctamente e deixar-se de graças.

P: O sinal do radar faz zumbidos.
S: Sinal do radar reprogramado para fazer música.

P: Rato no cockpit.
S: Gato instalado.

Blognecos - II: Espelho meu...

Espelho meu...



Car@s ciberamig@s:



Eis Narciso no seu labirinto... (Cliquem no linhk... Não aconselhável no caso de terem vertigens ou nunca terem andado na montanha russa).



1ª lição de musculação mental: os passos perdidos à volta do quarto...



Fixem bem a cara deste jota: é um sério candidato a presidente da junta de freguesia, vogal camarário, presidente da câmara, secretário local do partido, deputado, secretário de estado, ministro adjunto, ministro, primeiro-ministro, eurodeputado, comissário europeu, secretário-geral da NATO e por aí fora...



Claro, primeiro vai ter que ser entregue a um especialista de imagem... Até lá é bom que não faça figuras tristes ou que não borre a pintura toda.

Blognecos - II: Espelho meu...

Espelho meu...

Car@s ciberamig@s:

Eis Narciso no seu labirinto... (Cliquem no linhk... Não aconselhável no caso de terem vertigens ou nunca terem andado na montanha russa).

1ª lição de musculação mental: os passos perdidos à volta do quarto...

Fixem bem a cara deste jota: é um sério candidato a presidente da junta de freguesia, vogal camarário, presidente da câmara, secretário local do partido, deputado, secretário de estado, ministro adjunto, ministro, primeiro-ministro, eurodeputado, comissário europeu, secretário-geral da NATO e por aí fora...

Claro, primeiro vai ter que ser entregue a um especialista de imagem... Até lá é bom que não faça figuras tristes ou que não borre a pintura toda.

Saúde & Segurança do Trabalho - III: "Si le travail c'est la santé, a quoi sert alors la médecine du travail ?"

1. Já ouvi um senhor professor de direito do trabalho (um juslaborista, não é assim que se diz ?) dizer que com o novo Código do Trabalho a área da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST) saiu "reforçada".



2. Temos um Código do Trabalho, "on est à la page".



3. Os franceses perguntam: "Si le travail c'est la santé, a quoi sert alors la médecine du travail ?" (Se o trabalho dá saúde, para que serve a medicina do trabalho ?).



É a única pergunta a que o Código do Trabalho (700 artigos!) não responde.



4. Aquele que, ao longo de todo o dia:



(i) É activo como uma abelha,

(ii) Forte como um touro,

(iii) Trabalha que nem um cavalo,

(iv) E que ao fim da tarde se sente cansado que nem um cão...

(v) Deveria consultar um... veterinário.

... É bem provável que seja um grande burro! (O seu a seu dono: Obrigado, Padre J.M.!).



5. Eu acho que os trabalhadores portugueses (e os respectivos empregadores) também deveriam ter direito um novo Código do Humor no Trabalho, devidamente sistematizado, reformulado, actualizado, compilado e anotado.



6. Dir-me-ão que os tempos não são para se fazer humor e muito menos no trabalho. Mas será que alguma vez o foram ?



7. Em contrapartida, o riso (amarelo) ou a gargalhada (alarve) sustentam a recuperação económico-financeira das empresas de televisão. No país da anedota, a anedota está sempre na ordem do dia.

Saúde & Segurança do Trabalho - III: "Si le travail c'est la santé, a quoi sert alors la médecine du travail ?"

1. Já ouvi um senhor professor de direito do trabalho (um juslaborista, não é assim que se diz ?) dizer que com o novo Código do Trabalho a área da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST) saiu "reforçada".

2. Temos um Código do Trabalho, "on est à la page".

3. Os franceses perguntam: "Si le travail c'est la santé, a quoi sert alors la médecine du travail ?" (Se o trabalho dá saúde, para que serve a medicina do trabalho ?).

É a única pergunta a que o Código do Trabalho (700 artigos!) não responde.

4. Aquele que, ao longo de todo o dia:

(i) É activo como uma abelha,
(ii) Forte como um touro,
(iii) Trabalha que nem um cavalo,
(iv) E que ao fim da tarde se sente cansado que nem um cão...
(v) Deveria consultar um... veterinário.
... É bem provável que seja um grande burro! (O seu a seu dono: Obrigado, Padre J.M.!).

5. Eu acho que os trabalhadores portugueses (e os respectivos empregadores) também deveriam ter direito um novo Código do Humor no Trabalho, devidamente sistematizado, reformulado, actualizado, compilado e anotado.

6. Dir-me-ão que os tempos não são para se fazer humor e muito menos no trabalho. Mas será que alguma vez o foram ?

7. Em contrapartida, o riso (amarelo) ou a gargalhada (alarve) sustentam a recuperação económico-financeira das empresas de televisão. No país da anedota, a anedota está sempre na ordem do dia.

Saúde & Segurança do Trabalho - II: Os exames ocultos da medicina do trabalho

1. Para divulgação entre os profissionais de saúde pública, de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST) e de gestão de recursos humanos. Acrescente-se-lhes todos os demais cibercidadãos que naveguem na globosfera, a qualquer hora do dia ou da noite, homens e mulheres de boa vontade que se interessem por estas questões (bizantinas ?) da ética no local de trabalho (ou da falta dela)...

2. Podem lá ir, ao portal da IOL, até às 20h ou 8 PM. Depois disso só amanhã, nas horas de expediente. O portal faz segregação selectiva: não se esqueçam, (i) "não há almoços de borla" (dizem os economistas da novíssima escola) e (ii) os webjornalistas também precisam de ganhar para o almoço como o resto da malta da classe operária.

Os exames ocultos da medicina do trabalho

Saúde & Segurança do Trabalho - II: Os exames ocultos da medicina do trabalho

1. Para divulgação entre os profissionais de saúde pública, de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST) e de gestão de recursos humanos. Acrescente-se-lhes todos os demais cibercidadãos que naveguem na globosfera, a qualquer hora do dia ou da noite, homens e mulheres de boa vontade que se interessem por estas questões (bizantinas ?) da ética no local de trabalho (ou da falta dela)...

2. Podem lá ir, ao portal da IOL, até às 20h ou 8 PM. Depois disso só amanhã, nas horas de expediente. O portal faz segregação selectiva: não se esqueçam, (i) "não há almoços de borla" (dizem os economistas da novíssima escola) e (ii) os webjornalistas também precisam de ganhar para o almoço como o resto da malta da classe operária.

Os exames ocultos da medicina do trabalho

Saúde & Segurança do Trabalho - I: O Código do Trabalho do nosso (des)contentamento (des)contente

Agradeço aqui, pública ou semi-privadamente, neste cantinho do ciberespaço, ao Eugénio Rosa a gentileza de me ter enviado, por e-mail, a sua análise crítica do Código do Trabalho. Prometo ler e analisar o seu extenso documento de trabalho, com a atenção que ele merece e com o apreço que é devido ao seu infatigável autor pelo seu contributo pessoal, intelectualmente valioso, para um debate que interessa a todos (Estado, empregadores, gestores, trabalhadores e seus representantes, sociedade civil...).

E em breve far-lhe-ei chegar os meus comentários críticos (ao Código e às suas leituras), nomeadamente sobre questões mais ligadas à saúde e segurança do trabalho. É pena que as leis que nos regem sejam por vezes tão impenetráveis e tão pouco amigáveis. A leitura e a interpretação do Código do Trabalho, com os seus mastodônticos 700 artigos, desencorajam qualquer leigo na matéria e não estimulam o exercício da cidadania (fora e dentro do local de trabalho)... Provavelmente a situação anterior, com a dispersão da legislação do trabalho por centenas de diplomas e milhares de artigos, números e parágrafos, também estava longe da situação-ideal. Quer isto dizer que passámos de uma galáxia para outra ? Não, não direi que houve um terramoto, uma revolução, uma mudança de paradigma...

Quanto ao resultado final desta longa maratona, e em especial quanto à bondade (como eu gosto deste termo, na boca ou na pena d@s jurist@s!), quanto à bondade, dizia, da doutrina que ficou consagrada no Código do Trabalho, os portugueses felizmente têm a liberdade de se manifestarem, e nomeadamente manifestarem o seu (des)contentamento (des)contente, para usar um belíssimo trocadilho camoniano. Na modesta opinião de quem, como eu, não é empregador, colarinho azul , sindicalista, jurista, economista, gestor ou político, não é de esperar que o Código do Trabalho seja a varinha mágica que vá resolver todos os nossos problemas, a começar pela produtividade e competitividade das nossas empresas... Não direi que a montanha pariu um rato, mas também faço votos para que a situação sócio-organizacioanl e sócio-laboral nos nossos locais de trabalho tenda a melhorar rapidamente. Por mor de todos nós, homens e mulheres, pessoas, portugas, cidadãos, consumidores, trabalhadores, activos e não-activos (a ordem do atributo sociológico é um pouco arbitrária).

O Eugénio Rosa, que é economista, divulgou publicamente o seu e-mail nos Fóruns do Público.pt > Cidadania - Estudo do Código do trabalho e ofereceu-se para mandar a quem lhe pedir a versão electrónica deste working paper. Aqui fica o endereço: edr@mail.telepac.pt .



Bom trabalho, boa saúde. L.G.

Saúde & Segurança do Trabalho - I: O Código do Trabalho do nosso (des)contentamento (des)contente

Agradeço aqui, pública ou semi-privadamente, neste cantinho do ciberespaço, ao Eugénio Rosa a gentileza de me ter enviado, por e-mail, a sua análise crítica do Código do Trabalho. Prometo ler e analisar o seu extenso documento de trabalho, com a atenção que ele merece e com o apreço que é devido ao seu infatigável autor pelo seu contributo pessoal, intelectualmente valioso, para um debate que interessa a todos (Estado, empregadores, gestores, trabalhadores e seus representantes, sociedade civil...).

E em breve far-lhe-ei chegar os meus comentários críticos (ao Código e às suas leituras), nomeadamente sobre questões mais ligadas à saúde e segurança do trabalho. É pena que as leis que nos regem sejam por vezes tão impenetráveis e tão pouco amigáveis. A leitura e a interpretação do Código do Trabalho, com os seus mastodônticos 700 artigos, desencorajam qualquer leigo na matéria e não estimulam o exercício da cidadania (fora e dentro do local de trabalho)... Provavelmente a situação anterior, com a dispersão da legislação do trabalho por centenas de diplomas e milhares de artigos, números e parágrafos, também estava longe da situação-ideal. Quer isto dizer que passámos de uma galáxia para outra ? Não, não direi que houve um terramoto, uma revolução, uma mudança de paradigma...

Quanto ao resultado final desta longa maratona, e em especial quanto à bondade (como eu gosto deste termo, na boca ou na pena d@s jurist@s!), quanto à bondade, dizia, da doutrina que ficou consagrada no Código do Trabalho, os portugueses felizmente têm a liberdade de se manifestarem, e nomeadamente manifestarem o seu (des)contentamento (des)contente, para usar um belíssimo trocadilho camoniano. Na modesta opinião de quem, como eu, não é empregador, colarinho azul , sindicalista, jurista, economista, gestor ou político, não é de esperar que o Código do Trabalho seja a varinha mágica que vá resolver todos os nossos problemas, a começar pela produtividade e competitividade das nossas empresas... Não direi que a montanha pariu um rato, mas também faço votos para que a situação sócio-organizacioanl e sócio-laboral nos nossos locais de trabalho tenda a melhorar rapidamente. Por mor de todos nós, homens e mulheres, pessoas, portugas, cidadãos, consumidores, trabalhadores, activos e não-activos (a ordem do atributo sociológico é um pouco arbitrária).

O Eugénio Rosa, que é economista, divulgou publicamente o seu e-mail nos Fóruns do Público.pt > Cidadania - Estudo do Código do trabalho e ofereceu-se para mandar a quem lhe pedir a versão electrónica deste working paper. Aqui fica o endereço: edr@mail.telepac.pt .



Bom trabalho, boa saúde. L.G.

09 outubro 2003

Estórias com mural ao fundo - IX: Os três crivos da comunicação

Há uma história que vem a (des)propósito dos blogs que agora atravessam a nossa blogosfera. A não ser verdadeira, é pelo menos muito verosímil (refiro-me à história, claro).



Afinal ainda há chefes com C grande na Judite... Será ? Perguntas, ciberamig@: "entre pedófilos e pirómanos, o que é que resta neste pais? Nós ? E os outros?".



Pois apetece-me citar O'Neil, também a (des)propósito:



" Se não fôssemos nós, quem eram vocês?



"Se não fôssem vocês, quem éramos nós?



"Quem nos lê a nós ? São vocês (e nós...)



"Quem vos lê a vocês ? Somos nós (e vocês...)



"Tudo fica, pois, entre nós, entre nós..."



(Poemas com Endereço, 1962)





Se ele fosse vivo, o Caixadóclos, dir-vos-ia: "Please, saibam ler com santa(s) (pa)ciência(s) as (ciber)tendências... Que na escola, eu ainda era do tempo de (i) contar pelos dedos da mão, (ii) fazer contas de sumir e; e (iii) tirar a prova dos nove-fora-nada... Hoje, não tenho dúvidas que seria o maior bloguista do país (super)relativo"...



Tenho deveras pena de o não ter conhecido, ao Alexandre, ao Caixadòclos, Avenida da Liberdade Acima, Avenida da Liberdade Abaixo, grafitando:



"O adjectivo

dá-me de comer.

Se não fora ele

o que houvera de ser ?



"Vivo de acrescentar às coisas

o que elas não são.

Mas é por cálculo,

não por ilusão"



(De Ombro na Ombreira, 1969)







Os três crivos da comunicação nas organizações





O Francisco, que trabalha na Pê Jota (vulgo, Judite), foi promovido. Logo na manhã seguinte, para agradar ao seu superior hierárquico, saiu-se com esta:

- Ó Chefe, nem imagina o que me contaram sobre a Adriana! Disseram-me que

ela...

O Chefe, que é fã do blog do JPP, interrompeu-o abruptamente, não o deixando sequer terminar a frase:

- Calma aí, ó Francisco!... Por acaso já confirmaste essas informações ? Usaste os três crivos da comunicação humana ?

- Os três crivos ? Nunca me falaram disso nos cursos de formação por onde tenho passado...

- O primeiro, meu menino, é a VERDADE. Tens a certeza de que o que me ias dizer sobre a Adriana é realmente verdade? Podes jurar pela tua honra ? Olha que a honra de um homem vale mais do que os três vinténs!

- Bem, em boa verdade, só sei o que me contaram ontem à noite num bar do Bairro Alto!

- Então a história está mal contada e não passou pelo primeiro crivo. Passemos agora ao segundo crivo, que é o da CAMARADAGEM... Por acaso gostarias que alguns dos teus colegas da Pê Jota também dissessem de ti, ou da tua mulher, o mesmo que tu me ias contar sobre a Adriana?

- Pensando bem, não, Chefe!...

- Então a tua história também não passou pelo segundo crivo!... Vamos agora ao terceiro, que é o da RELEVÂNCIA. Achas mesmo necessário contar-me esse facto? É relevante para alguma investigação em curso ? É importante para o serviço ? Tem um algum valor acrescentado para todos nós ? Ou é melhor esquecê-lo, sabendo tu e eu que ambos temos mais que fazer nesta casa ?!

- Não, Chefe, tem toda razão, o melhor é mesmo esquecer o assunto. E vamos ao trabalho!, replicou o Francisco, envergonhado com a lição de moral que o Chefe acabava de lhe pregar.

- Pois é, Francisco, as pessoas seriam muito mais felizes e as organizações muito mais eficientes e eficazes se usassem os três crivos nas suas relações e comunicações... Se queres ser um bom profissional nesta casa nunca percas o sentido da justiça e da equidade, e não queiras ser igual a tantos outros, ou seja, medíocre... Sabes porquê ? Há três tipos de pessoas neste mundo: (i) As Pessoas Inteligentes, que falam sobre Ideias; (ii) as Pessoas Banais, que falam sobre Coisas; e, por fim, (iii) as Pessoas Medíocres, que só sabem falar (mal)... dos Outros!



Moral da história: Pensando bem, há uma enorme diferença entre ser chefe e ser líder... O gajo da PJ parece-me mais pertencer a esta última espécie. Foi rapaz para andar nos escoteiros ou Mocidade Portuguesa... Mas será que esta história tem mesmo como mural-ao-fundo a Rua Gomes Freire (a tal que, ainda por cima, ostenta o nome de um grande patriota português)?







_____________

L.G.- Set. 2003

Estórias com mural ao fundo - IX: Os três crivos da comunicação

Há uma história que vem a (des)propósito dos blogs que agora atravessam a nossa blogosfera. A não ser verdadeira, é pelo menos muito verosímil (refiro-me à história, claro).

Afinal ainda há chefes com C grande na Judite... Será ? Perguntas, ciberamig@: "entre pedófilos e pirómanos, o que é que resta neste pais? Nós ? E os outros?".

Pois apetece-me citar O'Neil, também a (des)propósito:

" Se não fôssemos nós, quem eram vocês?

"Se não fôssem vocês, quem éramos nós?

"Quem nos lê a nós ? São vocês (e nós...)

"Quem vos lê a vocês ? Somos nós (e vocês...)

"Tudo fica, pois, entre nós, entre nós..."

(Poemas com Endereço, 1962)


Se ele fosse vivo, o Caixadóclos, dir-vos-ia: "Please, saibam ler com santa(s) (pa)ciência(s) as (ciber)tendências... Que na escola, eu ainda era do tempo de (i) contar pelos dedos da mão, (ii) fazer contas de sumir e; e (iii) tirar a prova dos nove-fora-nada... Hoje, não tenho dúvidas que seria o maior bloguista do país (super)relativo"...

Tenho deveras pena de o não ter conhecido, ao Alexandre, ao Caixadòclos, Avenida da Liberdade Acima, Avenida da Liberdade Abaixo, grafitando:

"O adjectivo
dá-me de comer.
Se não fora ele
o que houvera de ser ?

"Vivo de acrescentar às coisas
o que elas não são.
Mas é por cálculo,
não por ilusão"

(De Ombro na Ombreira, 1969)



Os três crivos da comunicação nas organizações


O Francisco, que trabalha na Pê Jota (vulgo, Judite), foi promovido. Logo na manhã seguinte, para agradar ao seu superior hierárquico, saiu-se com esta:
- Ó Chefe, nem imagina o que me contaram sobre a Adriana! Disseram-me que
ela...
O Chefe, que é fã do blog do JPP, interrompeu-o abruptamente, não o deixando sequer terminar a frase:
- Calma aí, ó Francisco!... Por acaso já confirmaste essas informações ? Usaste os três crivos da comunicação humana ?
- Os três crivos ? Nunca me falaram disso nos cursos de formação por onde tenho passado...
- O primeiro, meu menino, é a VERDADE. Tens a certeza de que o que me ias dizer sobre a Adriana é realmente verdade? Podes jurar pela tua honra ? Olha que a honra de um homem vale mais do que os três vinténs!
- Bem, em boa verdade, só sei o que me contaram ontem à noite num bar do Bairro Alto!
- Então a história está mal contada e não passou pelo primeiro crivo. Passemos agora ao segundo crivo, que é o da CAMARADAGEM... Por acaso gostarias que alguns dos teus colegas da Pê Jota também dissessem de ti, ou da tua mulher, o mesmo que tu me ias contar sobre a Adriana?
- Pensando bem, não, Chefe!...
- Então a tua história também não passou pelo segundo crivo!... Vamos agora ao terceiro, que é o da RELEVÂNCIA. Achas mesmo necessário contar-me esse facto? É relevante para alguma investigação em curso ? É importante para o serviço ? Tem um algum valor acrescentado para todos nós ? Ou é melhor esquecê-lo, sabendo tu e eu que ambos temos mais que fazer nesta casa ?!
- Não, Chefe, tem toda razão, o melhor é mesmo esquecer o assunto. E vamos ao trabalho!, replicou o Francisco, envergonhado com a lição de moral que o Chefe acabava de lhe pregar.
- Pois é, Francisco, as pessoas seriam muito mais felizes e as organizações muito mais eficientes e eficazes se usassem os três crivos nas suas relações e comunicações... Se queres ser um bom profissional nesta casa nunca percas o sentido da justiça e da equidade, e não queiras ser igual a tantos outros, ou seja, medíocre... Sabes porquê ? Há três tipos de pessoas neste mundo: (i) As Pessoas Inteligentes, que falam sobre Ideias; (ii) as Pessoas Banais, que falam sobre Coisas; e, por fim, (iii) as Pessoas Medíocres, que só sabem falar (mal)... dos Outros!

Moral da história: Pensando bem, há uma enorme diferença entre ser chefe e ser líder... O gajo da PJ parece-me mais pertencer a esta última espécie. Foi rapaz para andar nos escoteiros ou Mocidade Portuguesa... Mas será que esta história tem mesmo como mural-ao-fundo a Rua Gomes Freire (a tal que, ainda por cima, ostenta o nome de um grande patriota português)?



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L.G.- Set. 2003

Blognecos - I: A espuma que escorre deste(s) dia(s)

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Saúde e Desemprego

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