Do meu amigo Joaquim Mário, portista dos quatro costados e mais versado que todos nós em matéria teológica por razões de ofício:
Caro Amigo,
Como me desafia em “questões de Fé” (e quem sou eu para me pronunciar acerca disso!), venho contestar, dentro da minha humildade (que pretendo não ser falsa), as afirmações contidas no seu e-mail.
1. Quanto à mulher dar à luz é um facto indesmentível na comum linguagem de Camões, mas como se explicará que a criança chore tanto (quase poderíamos dizer, como o simples concidadão, desalmadamente!) quando é objecto de ter sido dada à luz?
2. Quanto à razão bíblica ela encontra-se completamente infundada visto que nem sequer um apócrifo aceitaria macular a sua pretensão de ser verdadeiro com tamanha e óbvia irrealidade, quanto mais um texto inspirado!
Para memória futura (como agora é hábito dizer) e para que não restem dúvidas, a imagem que no livro do Apocalipse nos é apresentada refere-se a uma besta cor de fogo (que alguns apelidam de dragão – mas também se fala na maçã de Adão e a Bíblia nunca fala de maçã!) com sete cabeças e dez chifres, que, tanto pela cor (mais próxima do encarnado!) como pela configuração, não tem a mínima equiparação com aquele querido e simpático dragão azul que encontra apenas paralelo mais próximo num ursinho de peluche tão benquisto e espontaneamente amado por qualquer criança.
3. O facto de Deus através de Jesus Cristo se ter tornado carne não significa que, grosseiramente, se tenha tornado vermelho!!!
Aliás, a tez característica do povo semita é bastante escura, o que levará a ser considerada uma desvirtuação abjecta querer confundir a incarnação com qualquer coloração mais ou menos clubística.
É com espírito despretensioso que lhe respondo, caro Amigo, apenas para glosar no seu agradável estilo e, claro, para repor a verdade que, sem falsas modéstias, é a que está do meu lado!!!
Para complementar envio, com toda a simpatia, um texto em anexo há tempos recebido e que nos fala sobre Einstein e as suas invulgares capacidades!
Um abraço e até sempre.
Joaquim Mário
(Enviado por e-mail: 30.10.2003)
Albert Einstein, foi a uma festa, e não conhecia ninguém... Logo tentou misturar-se aos convidados:
- Olá, como vai? - Perguntou ele.
- Vou muito bem, obrigado!
- Qual o seu Q.I.?
- 250.
Então logo começou a conversar sobre física quântica, teoria da relatividade, bombas de hidrogénio, etc.
Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:
- Olá, como vai? - Perguntou ele, novamente.
- Eu vou bem, muito obrigado.
- Qual o seu Q.I.?
- 150.
Então, novamente começou a conversar, só que desta vez sobre política, desigualdade social, reforma agrária, etc.
Andou mais um pouco e encontrou uma terceira pessoa:
- Olá, como vai? - Perguntou ele.
- Tô bem!
- Qual o seu Q.I.?
- 100.
Então começou a conversar sobre desemprego, aumento dos combustíveis, Bin Laden, terrorismo, etc.
Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:
- Como está, tudo bem?
- Tá-se!
- Qual o seu Q.I.?
- 50.!!!???
Então começou a falar sobre o Masterplan, Big-brother, Gisela, etc.
Deu mais uma volta e encontrou outra pessoa e perguntou:
- Com vai, tudo bem?
- Iá ...
- Qual o seu Q.I.?
- 10.
- E o seu Benfica, hein??
blogue-fora-nada. homo socius ergo blogus [sum]. homem social logo blogador. em sociobloguês nos entendemos. o port(ug)al dos (por)tugas. a prova dos blogue-fora-nada. a guerra colonial. a guiné. do chacheu ao boe. de bissau a bambadinca. os cacimbados. o geba. o corubal. os rios. o macaréu da nossa revolta. o humor nosso de cada dia nos dai hoje.lá vamos blogando e rindo. e venham mais cinco (camaradas). e vieram tantos que isto se transformou numa caserna. a maior caserna virtual da Net!
31 outubro 2003
Humor com humor se paga - V: A verdade (portista) vem sempre ao de cima
Do meu amigo Joaquim Mário, portista dos quatro costados e mais versado que todos nós em matéria teológica por razões de ofício:
Caro Amigo,
Como me desafia em “questões de Fé” (e quem sou eu para me pronunciar acerca disso!), venho contestar, dentro da minha humildade (que pretendo não ser falsa), as afirmações contidas no seu e-mail.
1. Quanto à mulher dar à luz é um facto indesmentível na comum linguagem de Camões, mas como se explicará que a criança chore tanto (quase poderíamos dizer, como o simples concidadão, desalmadamente!) quando é objecto de ter sido dada à luz?
2. Quanto à razão bíblica ela encontra-se completamente infundada visto que nem sequer um apócrifo aceitaria macular a sua pretensão de ser verdadeiro com tamanha e óbvia irrealidade, quanto mais um texto inspirado!
Para memória futura (como agora é hábito dizer) e para que não restem dúvidas, a imagem que no livro do Apocalipse nos é apresentada refere-se a uma besta cor de fogo (que alguns apelidam de dragão – mas também se fala na maçã de Adão e a Bíblia nunca fala de maçã!) com sete cabeças e dez chifres, que, tanto pela cor (mais próxima do encarnado!) como pela configuração, não tem a mínima equiparação com aquele querido e simpático dragão azul que encontra apenas paralelo mais próximo num ursinho de peluche tão benquisto e espontaneamente amado por qualquer criança.
3. O facto de Deus através de Jesus Cristo se ter tornado carne não significa que, grosseiramente, se tenha tornado vermelho!!!
Aliás, a tez característica do povo semita é bastante escura, o que levará a ser considerada uma desvirtuação abjecta querer confundir a incarnação com qualquer coloração mais ou menos clubística.
É com espírito despretensioso que lhe respondo, caro Amigo, apenas para glosar no seu agradável estilo e, claro, para repor a verdade que, sem falsas modéstias, é a que está do meu lado!!!
Para complementar envio, com toda a simpatia, um texto em anexo há tempos recebido e que nos fala sobre Einstein e as suas invulgares capacidades!
Um abraço e até sempre.
Joaquim Mário
(Enviado por e-mail: 30.10.2003)
Albert Einstein, foi a uma festa, e não conhecia ninguém... Logo tentou misturar-se aos convidados:
- Olá, como vai? - Perguntou ele.
- Vou muito bem, obrigado!
- Qual o seu Q.I.?
- 250.
Então logo começou a conversar sobre física quântica, teoria da relatividade, bombas de hidrogénio, etc.
Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:
- Olá, como vai? - Perguntou ele, novamente.
- Eu vou bem, muito obrigado.
- Qual o seu Q.I.?
- 150.
Então, novamente começou a conversar, só que desta vez sobre política, desigualdade social, reforma agrária, etc.
Andou mais um pouco e encontrou uma terceira pessoa:
- Olá, como vai? - Perguntou ele.
- Tô bem!
- Qual o seu Q.I.?
- 100.
Então começou a conversar sobre desemprego, aumento dos combustíveis, Bin Laden, terrorismo, etc.
Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:
- Como está, tudo bem?
- Tá-se!
- Qual o seu Q.I.?
- 50.!!!???
Então começou a falar sobre o Masterplan, Big-brother, Gisela, etc.
Deu mais uma volta e encontrou outra pessoa e perguntou:
- Com vai, tudo bem?
- Iá ...
- Qual o seu Q.I.?
- 10.
- E o seu Benfica, hein??
Caro Amigo,
Como me desafia em “questões de Fé” (e quem sou eu para me pronunciar acerca disso!), venho contestar, dentro da minha humildade (que pretendo não ser falsa), as afirmações contidas no seu e-mail.
1. Quanto à mulher dar à luz é um facto indesmentível na comum linguagem de Camões, mas como se explicará que a criança chore tanto (quase poderíamos dizer, como o simples concidadão, desalmadamente!) quando é objecto de ter sido dada à luz?
2. Quanto à razão bíblica ela encontra-se completamente infundada visto que nem sequer um apócrifo aceitaria macular a sua pretensão de ser verdadeiro com tamanha e óbvia irrealidade, quanto mais um texto inspirado!
Para memória futura (como agora é hábito dizer) e para que não restem dúvidas, a imagem que no livro do Apocalipse nos é apresentada refere-se a uma besta cor de fogo (que alguns apelidam de dragão – mas também se fala na maçã de Adão e a Bíblia nunca fala de maçã!) com sete cabeças e dez chifres, que, tanto pela cor (mais próxima do encarnado!) como pela configuração, não tem a mínima equiparação com aquele querido e simpático dragão azul que encontra apenas paralelo mais próximo num ursinho de peluche tão benquisto e espontaneamente amado por qualquer criança.
3. O facto de Deus através de Jesus Cristo se ter tornado carne não significa que, grosseiramente, se tenha tornado vermelho!!!
Aliás, a tez característica do povo semita é bastante escura, o que levará a ser considerada uma desvirtuação abjecta querer confundir a incarnação com qualquer coloração mais ou menos clubística.
É com espírito despretensioso que lhe respondo, caro Amigo, apenas para glosar no seu agradável estilo e, claro, para repor a verdade que, sem falsas modéstias, é a que está do meu lado!!!
Para complementar envio, com toda a simpatia, um texto em anexo há tempos recebido e que nos fala sobre Einstein e as suas invulgares capacidades!
Um abraço e até sempre.
Joaquim Mário
(Enviado por e-mail: 30.10.2003)
Albert Einstein, foi a uma festa, e não conhecia ninguém... Logo tentou misturar-se aos convidados:
- Olá, como vai? - Perguntou ele.
- Vou muito bem, obrigado!
- Qual o seu Q.I.?
- 250.
Então logo começou a conversar sobre física quântica, teoria da relatividade, bombas de hidrogénio, etc.
Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:
- Olá, como vai? - Perguntou ele, novamente.
- Eu vou bem, muito obrigado.
- Qual o seu Q.I.?
- 150.
Então, novamente começou a conversar, só que desta vez sobre política, desigualdade social, reforma agrária, etc.
Andou mais um pouco e encontrou uma terceira pessoa:
- Olá, como vai? - Perguntou ele.
- Tô bem!
- Qual o seu Q.I.?
- 100.
Então começou a conversar sobre desemprego, aumento dos combustíveis, Bin Laden, terrorismo, etc.
Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:
- Como está, tudo bem?
- Tá-se!
- Qual o seu Q.I.?
- 50.!!!???
Então começou a falar sobre o Masterplan, Big-brother, Gisela, etc.
Deu mais uma volta e encontrou outra pessoa e perguntou:
- Com vai, tudo bem?
- Iá ...
- Qual o seu Q.I.?
- 10.
- E o seu Benfica, hein??
Estórias com mural ao fundo - XV: A nova filosofia de gestão
Na última empresa em que trabalhei, uma multinacional do sector da indústria alimentar, alguém decidiu um dia que estava na altura de fazer um upgrade do software sócio-organizacional. Contratou-se um novo Chief Executive Officer (CEO) com provas dadas na concorrência. Um tipo duro e duro, ainda jovem, com muito sangue na guelra. A palavra de ordem passou a ser: “Novo estilo de gestão, novo incentivo à produção”.
Mal chegou, fez logo uma minuciosa visita à área fabril, acompanhado do engenheiro de produção e mais os restantes quadros superiores. No armazém encontrou toda a gente a trabalhar, excepto um rapaz, que estava encostado à parede, com as mãos nos bolsos e brinquinho na orelha. O nosso Chief Executive Officer viu logo ali uma boa oportunidade para demonstrar aos colaboradores a sua nova filosofia de gestão em acção, pelo que perguntou ao rapaz:
- Quanto é que você ganha por mês?
- Quatrocentos euros, tirando as gorjetas - respondeu o jovem sem saber do que se tratava. Porquê?
O CEO tirou quatrocentos euros do bolso e deu-os ao rapaz, dizendo:
- Aqui estão o seu salário deste mês. Agora desapareça e nunca mais cá ponha os pés!
O rapaz guardou o dinheiro e arrancou na sua motorizada, sem perceber a razão de ser da sua sorte grande. O nosso administrador, enchendo o peito, perguntou ao grupo de operários, com ar triunfador:
- Afinal o que é este tipo fazia aqui?
- É da pizaria aqui do bairro, senhor engenheiro. Ele veio cá trazer-nos uma piza para o almoço e ficou a ver-nos trabalhar - respondeu um dos operários.
Moral da história: Nada como ver um gestor em acção! Mas em gestão há que prevenir a ejaculação precoce, como diria o mais famoso dos pipis lusos.
Mal chegou, fez logo uma minuciosa visita à área fabril, acompanhado do engenheiro de produção e mais os restantes quadros superiores. No armazém encontrou toda a gente a trabalhar, excepto um rapaz, que estava encostado à parede, com as mãos nos bolsos e brinquinho na orelha. O nosso Chief Executive Officer viu logo ali uma boa oportunidade para demonstrar aos colaboradores a sua nova filosofia de gestão em acção, pelo que perguntou ao rapaz:
- Quanto é que você ganha por mês?
- Quatrocentos euros, tirando as gorjetas - respondeu o jovem sem saber do que se tratava. Porquê?
O CEO tirou quatrocentos euros do bolso e deu-os ao rapaz, dizendo:
- Aqui estão o seu salário deste mês. Agora desapareça e nunca mais cá ponha os pés!
O rapaz guardou o dinheiro e arrancou na sua motorizada, sem perceber a razão de ser da sua sorte grande. O nosso administrador, enchendo o peito, perguntou ao grupo de operários, com ar triunfador:
- Afinal o que é este tipo fazia aqui?
- É da pizaria aqui do bairro, senhor engenheiro. Ele veio cá trazer-nos uma piza para o almoço e ficou a ver-nos trabalhar - respondeu um dos operários.
Moral da história: Nada como ver um gestor em acção! Mas em gestão há que prevenir a ejaculação precoce, como diria o mais famoso dos pipis lusos.
Estórias com mural ao fundo - XV: A nova filosofia de gestão
Na última empresa em que trabalhei, uma multinacional do sector da indústria alimentar, alguém decidiu um dia que estava na altura de fazer um upgrade do software sócio-organizacional. Contratou-se um novo Chief Executive Officer (CEO) com provas dadas na concorrência. Um tipo duro e duro, ainda jovem, com muito sangue na guelra. A palavra de ordem passou a ser: “Novo estilo de gestão, novo incentivo à produção”.
Mal chegou, fez logo uma minuciosa visita à área fabril, acompanhado do engenheiro de produção e mais os restantes quadros superiores. No armazém encontrou toda a gente a trabalhar, excepto um rapaz, que estava encostado à parede, com as mãos nos bolsos e brinquinho na orelha. O nosso Chief Executive Officer viu logo ali uma boa oportunidade para demonstrar aos colaboradores a sua nova filosofia de gestão em acção, pelo que perguntou ao rapaz:
- Quanto é que você ganha por mês?
- Quatrocentos euros, tirando as gorjetas - respondeu o jovem sem saber do que se tratava. Porquê?
O CEO tirou quatrocentos euros do bolso e deu-os ao rapaz, dizendo:
- Aqui estão o seu salário deste mês. Agora desapareça e nunca mais cá ponha os pés!
O rapaz guardou o dinheiro e arrancou na sua motorizada, sem perceber a razão de ser da sua sorte grande. O nosso administrador, enchendo o peito, perguntou ao grupo de operários, com ar triunfador:
- Afinal o que é este tipo fazia aqui?
- É da pizaria aqui do bairro, senhor engenheiro. Ele veio cá trazer-nos uma piza para o almoço e ficou a ver-nos trabalhar - respondeu um dos operários.
Moral da história: Nada como ver um gestor em acção! Mas em gestão há que prevenir a ejaculação precoce, como diria o mais famoso dos pipis lusos.
Mal chegou, fez logo uma minuciosa visita à área fabril, acompanhado do engenheiro de produção e mais os restantes quadros superiores. No armazém encontrou toda a gente a trabalhar, excepto um rapaz, que estava encostado à parede, com as mãos nos bolsos e brinquinho na orelha. O nosso Chief Executive Officer viu logo ali uma boa oportunidade para demonstrar aos colaboradores a sua nova filosofia de gestão em acção, pelo que perguntou ao rapaz:
- Quanto é que você ganha por mês?
- Quatrocentos euros, tirando as gorjetas - respondeu o jovem sem saber do que se tratava. Porquê?
O CEO tirou quatrocentos euros do bolso e deu-os ao rapaz, dizendo:
- Aqui estão o seu salário deste mês. Agora desapareça e nunca mais cá ponha os pés!
O rapaz guardou o dinheiro e arrancou na sua motorizada, sem perceber a razão de ser da sua sorte grande. O nosso administrador, enchendo o peito, perguntou ao grupo de operários, com ar triunfador:
- Afinal o que é este tipo fazia aqui?
- É da pizaria aqui do bairro, senhor engenheiro. Ele veio cá trazer-nos uma piza para o almoço e ficou a ver-nos trabalhar - respondeu um dos operários.
Moral da história: Nada como ver um gestor em acção! Mas em gestão há que prevenir a ejaculação precoce, como diria o mais famoso dos pipis lusos.
28 outubro 2003
Estórias com mural ao fundo - XIV: País de merda que era aquele!
Esta é uma história absolutamente deliciosa que repesquei do Terravista > Fóruns > Saúde > Saúde & Segurança no Trabalho. Foi escrita pelo Jota Lourenço (também conhecido por JL), em 29/5/2000. Na altura salvei-a do ciberlixo ao guardá-la, provisoriamente, na minha página, numa pequena antologia de citações... O JL era outro cibercidadão que eu gostaria de voltar a (re)encontrar. Lembrei-me dele, desse alentejano do Barreiro, reformado das lides sindicais, animador sociocultural nas horas vagas, neto de ganhão e de anarcossindicalista, a propósito desta história de agora quererem empurrar o ambiente para a agricultura, o mesmo é dizer... para a fileira do eucalipto e para a companhia da celulose. Na altura o JL estava indignado com a triste história da incineração... O resto da intervenção ainda pode ser lida em (Ex)citações de cada dia (Letras O-R) > Portugal. Protugeses.
_____
(...) Um país que não consegue resolver como tratar a merda que todos os dias caga, é um país sem futuro, é um país de merda ! ... Eu estou como aquele gajo que ia pela Av da Liberdade acima, a ler o Diário de Notícias (a primeira página tinha um título de caixa com um destaque do último discurso de Salazar: Para Angola, rapidamente e em força!). O homem comentava em voz alta:
- Que país de merda!...
Estávamos nos anos 60, como imaginam! Um Pide (ainda se lembram o que era a Pide ?, já não se lembram!) que vinha atrás do fulano, ouviu o insulto e deu-lhe ordem de prisão:
- Preso, eu ? , retorquiu o ruidoso cidadão.
- Pois, está a insultar a Pátria e o Governo da Nação!, respondeu o Pide.
- Ó senhor agente, não tire conclusões apressadas. P'ra já, eu sou da situação, não sou do reviralho... E depois estou a ler esta notícia de três linhas sobre Cuba, aqui no canto inferior direito. Imagine quem lá manda agora... um tal barbudo de nome Fidel Castro. Ao que isto chegou!
- Ah!, tá bem, se é assim, tá bém... Siga o seu caminho!
Passados cinco minutos, o Pide que tinha reflexos lentos, voltou a abordar o fulano do jornal e, desta vez, intimou-o, com modos mais violentos:
- Venha comigo!, temos muito que conversar na António Maria Cardoso (lembram-se ?, era a sede da Pide, para os lado do Chiado). Eu 'tive cá a pensar, a pensar, e o tal país de merda só pode ser... o nosso!
Jota Lourenço
______
Moral da história: Felizmente que o Pide afinal não tinha razão! Os portugas acabaram por provar, anos mais tarde, que não eram nenhuns merdosos...
_____
(...) Um país que não consegue resolver como tratar a merda que todos os dias caga, é um país sem futuro, é um país de merda ! ... Eu estou como aquele gajo que ia pela Av da Liberdade acima, a ler o Diário de Notícias (a primeira página tinha um título de caixa com um destaque do último discurso de Salazar: Para Angola, rapidamente e em força!). O homem comentava em voz alta:
- Que país de merda!...
Estávamos nos anos 60, como imaginam! Um Pide (ainda se lembram o que era a Pide ?, já não se lembram!) que vinha atrás do fulano, ouviu o insulto e deu-lhe ordem de prisão:
- Preso, eu ? , retorquiu o ruidoso cidadão.
- Pois, está a insultar a Pátria e o Governo da Nação!, respondeu o Pide.
- Ó senhor agente, não tire conclusões apressadas. P'ra já, eu sou da situação, não sou do reviralho... E depois estou a ler esta notícia de três linhas sobre Cuba, aqui no canto inferior direito. Imagine quem lá manda agora... um tal barbudo de nome Fidel Castro. Ao que isto chegou!
- Ah!, tá bem, se é assim, tá bém... Siga o seu caminho!
Passados cinco minutos, o Pide que tinha reflexos lentos, voltou a abordar o fulano do jornal e, desta vez, intimou-o, com modos mais violentos:
- Venha comigo!, temos muito que conversar na António Maria Cardoso (lembram-se ?, era a sede da Pide, para os lado do Chiado). Eu 'tive cá a pensar, a pensar, e o tal país de merda só pode ser... o nosso!
Jota Lourenço
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Moral da história: Felizmente que o Pide afinal não tinha razão! Os portugas acabaram por provar, anos mais tarde, que não eram nenhuns merdosos...
Estórias com mural ao fundo - XIV: País de merda que era aquele!
Esta é uma história absolutamente deliciosa que repesquei do Terravista > Fóruns > Saúde > Saúde & Segurança no Trabalho. Foi escrita pelo Jota Lourenço (também conhecido por JL), em 29/5/2000. Na altura salvei-a do ciberlixo ao guardá-la, provisoriamente, na minha página, numa pequena antologia de citações... O JL era outro cibercidadão que eu gostaria de voltar a (re)encontrar. Lembrei-me dele, desse alentejano do Barreiro, reformado das lides sindicais, animador sociocultural nas horas vagas, neto de ganhão e de anarcossindicalista, a propósito desta história de agora quererem empurrar o ambiente para a agricultura, o mesmo é dizer... para a fileira do eucalipto e para a companhia da celulose. Na altura o JL estava indignado com a triste história da incineração... O resto da intervenção ainda pode ser lida em (Ex)citações de cada dia (Letras O-R) > Portugal. Protugeses.
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(...) Um país que não consegue resolver como tratar a merda que todos os dias caga, é um país sem futuro, é um país de merda ! ... Eu estou como aquele gajo que ia pela Av da Liberdade acima, a ler o Diário de Notícias (a primeira página tinha um título de caixa com um destaque do último discurso de Salazar: Para Angola, rapidamente e em força!). O homem comentava em voz alta:
- Que país de merda!...
Estávamos nos anos 60, como imaginam! Um Pide (ainda se lembram o que era a Pide ?, já não se lembram!) que vinha atrás do fulano, ouviu o insulto e deu-lhe ordem de prisão:
- Preso, eu ? , retorquiu o ruidoso cidadão.
- Pois, está a insultar a Pátria e o Governo da Nação!, respondeu o Pide.
- Ó senhor agente, não tire conclusões apressadas. P'ra já, eu sou da situação, não sou do reviralho... E depois estou a ler esta notícia de três linhas sobre Cuba, aqui no canto inferior direito. Imagine quem lá manda agora... um tal barbudo de nome Fidel Castro. Ao que isto chegou!
- Ah!, tá bem, se é assim, tá bém... Siga o seu caminho!
Passados cinco minutos, o Pide que tinha reflexos lentos, voltou a abordar o fulano do jornal e, desta vez, intimou-o, com modos mais violentos:
- Venha comigo!, temos muito que conversar na António Maria Cardoso (lembram-se ?, era a sede da Pide, para os lado do Chiado). Eu 'tive cá a pensar, a pensar, e o tal país de merda só pode ser... o nosso!
Jota Lourenço
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Moral da história: Felizmente que o Pide afinal não tinha razão! Os portugas acabaram por provar, anos mais tarde, que não eram nenhuns merdosos...
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(...) Um país que não consegue resolver como tratar a merda que todos os dias caga, é um país sem futuro, é um país de merda ! ... Eu estou como aquele gajo que ia pela Av da Liberdade acima, a ler o Diário de Notícias (a primeira página tinha um título de caixa com um destaque do último discurso de Salazar: Para Angola, rapidamente e em força!). O homem comentava em voz alta:
- Que país de merda!...
Estávamos nos anos 60, como imaginam! Um Pide (ainda se lembram o que era a Pide ?, já não se lembram!) que vinha atrás do fulano, ouviu o insulto e deu-lhe ordem de prisão:
- Preso, eu ? , retorquiu o ruidoso cidadão.
- Pois, está a insultar a Pátria e o Governo da Nação!, respondeu o Pide.
- Ó senhor agente, não tire conclusões apressadas. P'ra já, eu sou da situação, não sou do reviralho... E depois estou a ler esta notícia de três linhas sobre Cuba, aqui no canto inferior direito. Imagine quem lá manda agora... um tal barbudo de nome Fidel Castro. Ao que isto chegou!
- Ah!, tá bem, se é assim, tá bém... Siga o seu caminho!
Passados cinco minutos, o Pide que tinha reflexos lentos, voltou a abordar o fulano do jornal e, desta vez, intimou-o, com modos mais violentos:
- Venha comigo!, temos muito que conversar na António Maria Cardoso (lembram-se ?, era a sede da Pide, para os lado do Chiado). Eu 'tive cá a pensar, a pensar, e o tal país de merda só pode ser... o nosso!
Jota Lourenço
______
Moral da história: Felizmente que o Pide afinal não tinha razão! Os portugas acabaram por provar, anos mais tarde, que não eram nenhuns merdosos...
(Ex)citações de cada dia - VI: Os 'portugueses normais'
Presidente da República, Jorge Sampaio: "(...) há uma coisa que é preciso dar a este país: segurança. As pessoas têm medo do desemprego, a vida da maior parte dos portugueses é muito dura, começa às sete da manhã e às vezes acaba às dez, onze da noite. Os portugueses normais, os que são empregados por conta de outrem, os que fazem as fábricas, têm de ter algum carinho. Porque é que são sempre os culpados de tudo? Até porque em Portugal há pobreza, há exclusão. Não vamos dramatizar, mas temos de trazer as pessoas aos mínimos de desenvolvimento, quando o crescimento é negativo temos de lhes assegurar o mínimo..." (Público, 28.10.2003)
(Ex)citações de cada dia - VI: Os 'portugueses normais'
Presidente da República, Jorge Sampaio: "(...) há uma coisa que é preciso dar a este país: segurança. As pessoas têm medo do desemprego, a vida da maior parte dos portugueses é muito dura, começa às sete da manhã e às vezes acaba às dez, onze da noite. Os portugueses normais, os que são empregados por conta de outrem, os que fazem as fábricas, têm de ter algum carinho. Porque é que são sempre os culpados de tudo? Até porque em Portugal há pobreza, há exclusão. Não vamos dramatizar, mas temos de trazer as pessoas aos mínimos de desenvolvimento, quando o crescimento é negativo temos de lhes assegurar o mínimo..." (Público, 28.10.2003)
27 outubro 2003
Humor com humor se paga - IV : O benfiquismo é uma questão de fé ?
Há um humor (saudavelmente) benfiquista... Tal como há um humor (saudavelmente) sportinguista, portista ou boavisteiro. Que me perdõem todos os demais adeptos dos outros clubes, grandes, médios e pequenos. O meu pluralismo desportivo é grande, para não dizer total, mas não pode extravasar as dimensões regulamentares do blogue-fora-nada.
Estou grato ao meu amigo Anacleto M., por me ter revelado o (bom) humor benfiquista. Resta-me, um dia destes, ver para crer e descer ao já famoso inferno da luz... Para já fico a saber que o benfiquismo seria sobretudo (i) um estado de alma, (ii) uma questão de fé ou até (iii) uma verdadeira religião...
Haveria três razões lógicas para se ser benfiquista, diz-me o meu amigo Anacleto M., com a sua conhecida capacidade de fazer prosélitos:
(i) a razão natural, biológica: a mulher dá à luz, não dá às antas nem a alvalade nem ao bessa;
(ii) a razão bíblica, histórica: há uma passagem nas Sagradas Escrituras que diz: "Dominarei os leões e os dragões e voarei para o ceú sobre as asas de uma águia" (sic);
(iii) e, por fim, a razão teológica, definitiva: Jesus Cristo encarnou (sic), não escureceu, não branqueou, não azulou nem... esverdeou!
Em questões de fé, eu não me meto... Em relação à segunda razão invocada, gostaria apenas que o meu amigo tivesse sido mais preciso, e citasse o livro e o capítulo, para os sportinguistas e os portistas não ficarem a pensar que esta versão da Bíblia pode ser apócrifa. Ou, pior ainda, que foi reeditada, ampliada e actualizada por Deus, a pedido dos benfiquistas...
Estou grato ao meu amigo Anacleto M., por me ter revelado o (bom) humor benfiquista. Resta-me, um dia destes, ver para crer e descer ao já famoso inferno da luz... Para já fico a saber que o benfiquismo seria sobretudo (i) um estado de alma, (ii) uma questão de fé ou até (iii) uma verdadeira religião...
Haveria três razões lógicas para se ser benfiquista, diz-me o meu amigo Anacleto M., com a sua conhecida capacidade de fazer prosélitos:
(i) a razão natural, biológica: a mulher dá à luz, não dá às antas nem a alvalade nem ao bessa;
(ii) a razão bíblica, histórica: há uma passagem nas Sagradas Escrituras que diz: "Dominarei os leões e os dragões e voarei para o ceú sobre as asas de uma águia" (sic);
(iii) e, por fim, a razão teológica, definitiva: Jesus Cristo encarnou (sic), não escureceu, não branqueou, não azulou nem... esverdeou!
Em questões de fé, eu não me meto... Em relação à segunda razão invocada, gostaria apenas que o meu amigo tivesse sido mais preciso, e citasse o livro e o capítulo, para os sportinguistas e os portistas não ficarem a pensar que esta versão da Bíblia pode ser apócrifa. Ou, pior ainda, que foi reeditada, ampliada e actualizada por Deus, a pedido dos benfiquistas...
Humor com humor se paga - IV : O benfiquismo é uma questão de fé ?
Há um humor (saudavelmente) benfiquista... Tal como há um humor (saudavelmente) sportinguista, portista ou boavisteiro. Que me perdõem todos os demais adeptos dos outros clubes, grandes, médios e pequenos. O meu pluralismo desportivo é grande, para não dizer total, mas não pode extravasar as dimensões regulamentares do blogue-fora-nada.
Estou grato ao meu amigo Anacleto M., por me ter revelado o (bom) humor benfiquista. Resta-me, um dia destes, ver para crer e descer ao já famoso inferno da luz... Para já fico a saber que o benfiquismo seria sobretudo (i) um estado de alma, (ii) uma questão de fé ou até (iii) uma verdadeira religião...
Haveria três razões lógicas para se ser benfiquista, diz-me o meu amigo Anacleto M., com a sua conhecida capacidade de fazer prosélitos:
(i) a razão natural, biológica: a mulher dá à luz, não dá às antas nem a alvalade nem ao bessa;
(ii) a razão bíblica, histórica: há uma passagem nas Sagradas Escrituras que diz: "Dominarei os leões e os dragões e voarei para o ceú sobre as asas de uma águia" (sic);
(iii) e, por fim, a razão teológica, definitiva: Jesus Cristo encarnou (sic), não escureceu, não branqueou, não azulou nem... esverdeou!
Em questões de fé, eu não me meto... Em relação à segunda razão invocada, gostaria apenas que o meu amigo tivesse sido mais preciso, e citasse o livro e o capítulo, para os sportinguistas e os portistas não ficarem a pensar que esta versão da Bíblia pode ser apócrifa. Ou, pior ainda, que foi reeditada, ampliada e actualizada por Deus, a pedido dos benfiquistas...
Estou grato ao meu amigo Anacleto M., por me ter revelado o (bom) humor benfiquista. Resta-me, um dia destes, ver para crer e descer ao já famoso inferno da luz... Para já fico a saber que o benfiquismo seria sobretudo (i) um estado de alma, (ii) uma questão de fé ou até (iii) uma verdadeira religião...
Haveria três razões lógicas para se ser benfiquista, diz-me o meu amigo Anacleto M., com a sua conhecida capacidade de fazer prosélitos:
(i) a razão natural, biológica: a mulher dá à luz, não dá às antas nem a alvalade nem ao bessa;
(ii) a razão bíblica, histórica: há uma passagem nas Sagradas Escrituras que diz: "Dominarei os leões e os dragões e voarei para o ceú sobre as asas de uma águia" (sic);
(iii) e, por fim, a razão teológica, definitiva: Jesus Cristo encarnou (sic), não escureceu, não branqueou, não azulou nem... esverdeou!
Em questões de fé, eu não me meto... Em relação à segunda razão invocada, gostaria apenas que o meu amigo tivesse sido mais preciso, e citasse o livro e o capítulo, para os sportinguistas e os portistas não ficarem a pensar que esta versão da Bíblia pode ser apócrifa. Ou, pior ainda, que foi reeditada, ampliada e actualizada por Deus, a pedido dos benfiquistas...
26 outubro 2003
Portugal sacro-profano - IX: O que é feito da Barbarian Girl ? E das operárias de Castelo de Paiva ?
Clarks ou: as multinacionais têm alma ?
Uma das habituais perguntas da Bárbara, e esta por sinal muito pouca metafísica. Perdi-lhe o rasto, à Bárbara, aliás, Barbarian Girl. Só lhe conhecia o nickname ou o nome de guerra, além de uns escassos dados biográficos que ela deixava transparecer nos seus posts, habitualmente escritos em letra minúscula, em estilo telegráfico: lembro-me, por exemplo, que morava em Lisboa, tinha uma avô galega e morava nas Avenidas Novas; pelas minhas contas, hoje deve andar no 3º ano de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, se é que não chumbou nenhum ano. Nunca nos cruzámos por aquelas ou outras bandas. Trocámos apenas alguns e-mails. Simpatisante bloquista confessa (se bem me recordo) e feminista militante (tanto quanto me foi dado deduzir das ideias que expunha), participou em alguns temas de discussão que eu próprio suscitei ou em que intervi, nos saudosos Fóruns do Publico.pt > Cidadania. Um desses temas de discussão foi sobre a "Clarks: ou as multinacionais têm alma?".
Revisitei ontem aquele cantinho do ciberespaço, como eu lhe chamava. Com alguma saudade, diga-se de passagem... Dela e doutros cibercidadãos: a Isabel Coutinho, o Migoma, o Jota Lourenço, o Cibernocturno, o Dr. Hipócrates, o Fiatux, a Megane, a Raquel, o Eugénio Rosa, a Eva Luna, o J.B. Mendes, o Queirós, o Eljump, o Deus das Moscas, o Bafo de Nuca e outr@s...
Reproduzo aqui uma das intervenções da Bárbara (14.01.2003). Incisiva, contundente, agressiva como sempre. Mas também generosa, como sempre, uma generosidade que é(era) própria dos verdes anos mas sobretudo de um já maduro sentido de cidadania...
Confesso que gostaria de saber por onde pára ela, a Barbarian Girl. E já agora pergunto a quem me souber responder: o que é feito daquelas mulheres (e homens) que a Clarks mandou para a rua ? Na voragem mediática dos acontecimentos do dia-a-dia, Castelo de Paiva e a sua gente só ainda hoje são notícia nos media por causa da tragédia da Ponte de Entre-os-Rios e do julgamento dos seus presumíveis responsáveis... Sei que perder o emprego ou a vida não é a mesma coisa. Em todo o caso, pelo seu impacto social e económico, o despedimento colectivo do pessoal da Clarks, em Castelo de Paiva, foi notícia nacional por uns breves dias. L.G.
_____________
castelo de paiva ? sabes onde fica ? eu não...
uma desgraça nunca vem só, dizia há dias uma operária da multinacional do calçado que, depois de arouca, decidiu fechar a sua segunda unidade fabril em castelo de paiva, estando em vias de mandar para o desemprego cerca 600 trabalhadores. a acrescentar aos outros 300 e tal de há dois anos. primeiro, foram as minas do pejão que encerraram de vez; depois foi a tragédia de entre-os-rios; e agora é a clarks que se muda, de máquinas e bagagens forradas a euros, para outro paraíso capitalista. para outra terreola qualquer, talvez parecida com castelo de paiva. talvez do leste europeu, com tabuleta escrita em caracteres eslavos; não importa onde, desde que haja sempre gente disposta a vender a sua força de trabalho por um punhado de cêntimos. é o circo trágico-cómico das multinacionais que montam e desmontam fábricas, em qualquer parte do mundo. faz-me lembrar os recintos das touradas desmontáveis no verão.
não creio que as multinacionais tenham alma. não creio que os tecnocratas que as governam tenham alma. ou que saibam, no mínimo, compreender a raiva das pobres mulheres operárias que entraram tarde para o mundo do trabalho. e que agora se sentem usadas, abusadas, deitadas fora, velhas, traídas. deve ser esse o sentimento de se ser despedido colectivamente. e no entanto o mundo é assim, dizem-nos os brilhantes teóricos neoliberais. e não há volta a dar-lhe. os cães ladram e a circo das multinacionais passa. são elas que governam este mundo. são elas que dão e baralham as cartas. são elas que nos vestem e calçam e criam os mitos que nos alimentam. são elas que são donos do destino de milhões e milhões de pessoas. pobres diabos e diabas, contentes hoje por terem pão para a boca. desesperados amanhã porque já não sabem onde vão buscar com que pagar as prestações da casa e do carro.
fiquei impressionada ao ouvir o presidente da câmara de castelo paiva dizer que o total de despedidos são 25% da força de trabalho industrial do concelho, 3% da população do concelho. e onde estão os líderes do meu país, levando um pouco de conforto e de esperança àquela pobre gente, como há dois anos atrás? eu não sei onde fica castelo de paiva, mas o presidente da república, o primeiro ministro, o ministro do trabalho, o novo patrão do investimento estrangeiro, o senhor miguel cadilhe, deve saber onde fica. dizem que a esperança é a última coisa a morrer. mas a verdade é que também morre. e infelizmente vai morrer para os trabalhadores da clarks, uma multinacional sem alma.
fui espreitar o site” dos gajos. nem uma palavra em português. nem uma palavra em qualquer língua para os seus “colaboradores”. lá dentro (do sítio), dizem-me, “a world of comfort and style awaits you”… valores como a responsabilidade social, o respeito pelos direitos de quem trabalha ou o cumprimento da palavra dada a uma comunidade inteira, parece que são coisas que não constam dos “core values” desta multinacional. valores ? são para pisar pelas botas altas das manequins no estrado da alta moda... e depois quem sabe onde fica castelo de paiva, uma minúscula peça do puzzle da europa das multinacionais ?
barbara(mente) revoltada e deprimida.
Uma das habituais perguntas da Bárbara, e esta por sinal muito pouca metafísica. Perdi-lhe o rasto, à Bárbara, aliás, Barbarian Girl. Só lhe conhecia o nickname ou o nome de guerra, além de uns escassos dados biográficos que ela deixava transparecer nos seus posts, habitualmente escritos em letra minúscula, em estilo telegráfico: lembro-me, por exemplo, que morava em Lisboa, tinha uma avô galega e morava nas Avenidas Novas; pelas minhas contas, hoje deve andar no 3º ano de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, se é que não chumbou nenhum ano. Nunca nos cruzámos por aquelas ou outras bandas. Trocámos apenas alguns e-mails. Simpatisante bloquista confessa (se bem me recordo) e feminista militante (tanto quanto me foi dado deduzir das ideias que expunha), participou em alguns temas de discussão que eu próprio suscitei ou em que intervi, nos saudosos Fóruns do Publico.pt > Cidadania. Um desses temas de discussão foi sobre a "Clarks: ou as multinacionais têm alma?".
Revisitei ontem aquele cantinho do ciberespaço, como eu lhe chamava. Com alguma saudade, diga-se de passagem... Dela e doutros cibercidadãos: a Isabel Coutinho, o Migoma, o Jota Lourenço, o Cibernocturno, o Dr. Hipócrates, o Fiatux, a Megane, a Raquel, o Eugénio Rosa, a Eva Luna, o J.B. Mendes, o Queirós, o Eljump, o Deus das Moscas, o Bafo de Nuca e outr@s...
Reproduzo aqui uma das intervenções da Bárbara (14.01.2003). Incisiva, contundente, agressiva como sempre. Mas também generosa, como sempre, uma generosidade que é(era) própria dos verdes anos mas sobretudo de um já maduro sentido de cidadania...
Confesso que gostaria de saber por onde pára ela, a Barbarian Girl. E já agora pergunto a quem me souber responder: o que é feito daquelas mulheres (e homens) que a Clarks mandou para a rua ? Na voragem mediática dos acontecimentos do dia-a-dia, Castelo de Paiva e a sua gente só ainda hoje são notícia nos media por causa da tragédia da Ponte de Entre-os-Rios e do julgamento dos seus presumíveis responsáveis... Sei que perder o emprego ou a vida não é a mesma coisa. Em todo o caso, pelo seu impacto social e económico, o despedimento colectivo do pessoal da Clarks, em Castelo de Paiva, foi notícia nacional por uns breves dias. L.G.
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castelo de paiva ? sabes onde fica ? eu não...
uma desgraça nunca vem só, dizia há dias uma operária da multinacional do calçado que, depois de arouca, decidiu fechar a sua segunda unidade fabril em castelo de paiva, estando em vias de mandar para o desemprego cerca 600 trabalhadores. a acrescentar aos outros 300 e tal de há dois anos. primeiro, foram as minas do pejão que encerraram de vez; depois foi a tragédia de entre-os-rios; e agora é a clarks que se muda, de máquinas e bagagens forradas a euros, para outro paraíso capitalista. para outra terreola qualquer, talvez parecida com castelo de paiva. talvez do leste europeu, com tabuleta escrita em caracteres eslavos; não importa onde, desde que haja sempre gente disposta a vender a sua força de trabalho por um punhado de cêntimos. é o circo trágico-cómico das multinacionais que montam e desmontam fábricas, em qualquer parte do mundo. faz-me lembrar os recintos das touradas desmontáveis no verão.
não creio que as multinacionais tenham alma. não creio que os tecnocratas que as governam tenham alma. ou que saibam, no mínimo, compreender a raiva das pobres mulheres operárias que entraram tarde para o mundo do trabalho. e que agora se sentem usadas, abusadas, deitadas fora, velhas, traídas. deve ser esse o sentimento de se ser despedido colectivamente. e no entanto o mundo é assim, dizem-nos os brilhantes teóricos neoliberais. e não há volta a dar-lhe. os cães ladram e a circo das multinacionais passa. são elas que governam este mundo. são elas que dão e baralham as cartas. são elas que nos vestem e calçam e criam os mitos que nos alimentam. são elas que são donos do destino de milhões e milhões de pessoas. pobres diabos e diabas, contentes hoje por terem pão para a boca. desesperados amanhã porque já não sabem onde vão buscar com que pagar as prestações da casa e do carro.
fiquei impressionada ao ouvir o presidente da câmara de castelo paiva dizer que o total de despedidos são 25% da força de trabalho industrial do concelho, 3% da população do concelho. e onde estão os líderes do meu país, levando um pouco de conforto e de esperança àquela pobre gente, como há dois anos atrás? eu não sei onde fica castelo de paiva, mas o presidente da república, o primeiro ministro, o ministro do trabalho, o novo patrão do investimento estrangeiro, o senhor miguel cadilhe, deve saber onde fica. dizem que a esperança é a última coisa a morrer. mas a verdade é que também morre. e infelizmente vai morrer para os trabalhadores da clarks, uma multinacional sem alma.
fui espreitar o site” dos gajos. nem uma palavra em português. nem uma palavra em qualquer língua para os seus “colaboradores”. lá dentro (do sítio), dizem-me, “a world of comfort and style awaits you”… valores como a responsabilidade social, o respeito pelos direitos de quem trabalha ou o cumprimento da palavra dada a uma comunidade inteira, parece que são coisas que não constam dos “core values” desta multinacional. valores ? são para pisar pelas botas altas das manequins no estrado da alta moda... e depois quem sabe onde fica castelo de paiva, uma minúscula peça do puzzle da europa das multinacionais ?
barbara(mente) revoltada e deprimida.
Portugal sacro-profano - IX: O que é feito da Barbarian Girl ? E das operárias de Castelo de Paiva ?
Clarks ou: as multinacionais têm alma ?
Uma das habituais perguntas da Bárbara, e esta por sinal muito pouca metafísica. Perdi-lhe o rasto, à Bárbara, aliás, Barbarian Girl. Só lhe conhecia o nickname ou o nome de guerra, além de uns escassos dados biográficos que ela deixava transparecer nos seus posts, habitualmente escritos em letra minúscula, em estilo telegráfico: lembro-me, por exemplo, que morava em Lisboa, tinha uma avô galega e morava nas Avenidas Novas; pelas minhas contas, hoje deve andar no 3º ano de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, se é que não chumbou nenhum ano. Nunca nos cruzámos por aquelas ou outras bandas. Trocámos apenas alguns e-mails. Simpatisante bloquista confessa (se bem me recordo) e feminista militante (tanto quanto me foi dado deduzir das ideias que expunha), participou em alguns temas de discussão que eu próprio suscitei ou em que intervi, nos saudosos Fóruns do Publico.pt > Cidadania. Um desses temas de discussão foi sobre a "Clarks: ou as multinacionais têm alma?".
Revisitei ontem aquele cantinho do ciberespaço, como eu lhe chamava. Com alguma saudade, diga-se de passagem... Dela e doutros cibercidadãos: a Isabel Coutinho, o Migoma, o Jota Lourenço, o Cibernocturno, o Dr. Hipócrates, o Fiatux, a Megane, a Raquel, o Eugénio Rosa, a Eva Luna, o J.B. Mendes, o Queirós, o Eljump, o Deus das Moscas, o Bafo de Nuca e outr@s...
Reproduzo aqui uma das intervenções da Bárbara (14.01.2003). Incisiva, contundente, agressiva como sempre. Mas também generosa, como sempre, uma generosidade que é(era) própria dos verdes anos mas sobretudo de um já maduro sentido de cidadania...
Confesso que gostaria de saber por onde pára ela, a Barbarian Girl. E já agora pergunto a quem me souber responder: o que é feito daquelas mulheres (e homens) que a Clarks mandou para a rua ? Na voragem mediática dos acontecimentos do dia-a-dia, Castelo de Paiva e a sua gente só ainda hoje são notícia nos media por causa da tragédia da Ponte de Entre-os-Rios e do julgamento dos seus presumíveis responsáveis... Sei que perder o emprego ou a vida não é a mesma coisa. Em todo o caso, pelo seu impacto social e económico, o despedimento colectivo do pessoal da Clarks, em Castelo de Paiva, foi notícia nacional por uns breves dias. L.G.
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castelo de paiva ? sabes onde fica ? eu não...
uma desgraça nunca vem só, dizia há dias uma operária da multinacional do calçado que, depois de arouca, decidiu fechar a sua segunda unidade fabril em castelo de paiva, estando em vias de mandar para o desemprego cerca 600 trabalhadores. a acrescentar aos outros 300 e tal de há dois anos. primeiro, foram as minas do pejão que encerraram de vez; depois foi a tragédia de entre-os-rios; e agora é a clarks que se muda, de máquinas e bagagens forradas a euros, para outro paraíso capitalista. para outra terreola qualquer, talvez parecida com castelo de paiva. talvez do leste europeu, com tabuleta escrita em caracteres eslavos; não importa onde, desde que haja sempre gente disposta a vender a sua força de trabalho por um punhado de cêntimos. é o circo trágico-cómico das multinacionais que montam e desmontam fábricas, em qualquer parte do mundo. faz-me lembrar os recintos das touradas desmontáveis no verão.
não creio que as multinacionais tenham alma. não creio que os tecnocratas que as governam tenham alma. ou que saibam, no mínimo, compreender a raiva das pobres mulheres operárias que entraram tarde para o mundo do trabalho. e que agora se sentem usadas, abusadas, deitadas fora, velhas, traídas. deve ser esse o sentimento de se ser despedido colectivamente. e no entanto o mundo é assim, dizem-nos os brilhantes teóricos neoliberais. e não há volta a dar-lhe. os cães ladram e a circo das multinacionais passa. são elas que governam este mundo. são elas que dão e baralham as cartas. são elas que nos vestem e calçam e criam os mitos que nos alimentam. são elas que são donos do destino de milhões e milhões de pessoas. pobres diabos e diabas, contentes hoje por terem pão para a boca. desesperados amanhã porque já não sabem onde vão buscar com que pagar as prestações da casa e do carro.
fiquei impressionada ao ouvir o presidente da câmara de castelo paiva dizer que o total de despedidos são 25% da força de trabalho industrial do concelho, 3% da população do concelho. e onde estão os líderes do meu país, levando um pouco de conforto e de esperança àquela pobre gente, como há dois anos atrás? eu não sei onde fica castelo de paiva, mas o presidente da república, o primeiro ministro, o ministro do trabalho, o novo patrão do investimento estrangeiro, o senhor miguel cadilhe, deve saber onde fica. dizem que a esperança é a última coisa a morrer. mas a verdade é que também morre. e infelizmente vai morrer para os trabalhadores da clarks, uma multinacional sem alma.
fui espreitar o site” dos gajos. nem uma palavra em português. nem uma palavra em qualquer língua para os seus “colaboradores”. lá dentro (do sítio), dizem-me, “a world of comfort and style awaits you”… valores como a responsabilidade social, o respeito pelos direitos de quem trabalha ou o cumprimento da palavra dada a uma comunidade inteira, parece que são coisas que não constam dos “core values” desta multinacional. valores ? são para pisar pelas botas altas das manequins no estrado da alta moda... e depois quem sabe onde fica castelo de paiva, uma minúscula peça do puzzle da europa das multinacionais ?
barbara(mente) revoltada e deprimida.
Uma das habituais perguntas da Bárbara, e esta por sinal muito pouca metafísica. Perdi-lhe o rasto, à Bárbara, aliás, Barbarian Girl. Só lhe conhecia o nickname ou o nome de guerra, além de uns escassos dados biográficos que ela deixava transparecer nos seus posts, habitualmente escritos em letra minúscula, em estilo telegráfico: lembro-me, por exemplo, que morava em Lisboa, tinha uma avô galega e morava nas Avenidas Novas; pelas minhas contas, hoje deve andar no 3º ano de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, se é que não chumbou nenhum ano. Nunca nos cruzámos por aquelas ou outras bandas. Trocámos apenas alguns e-mails. Simpatisante bloquista confessa (se bem me recordo) e feminista militante (tanto quanto me foi dado deduzir das ideias que expunha), participou em alguns temas de discussão que eu próprio suscitei ou em que intervi, nos saudosos Fóruns do Publico.pt > Cidadania. Um desses temas de discussão foi sobre a "Clarks: ou as multinacionais têm alma?".
Revisitei ontem aquele cantinho do ciberespaço, como eu lhe chamava. Com alguma saudade, diga-se de passagem... Dela e doutros cibercidadãos: a Isabel Coutinho, o Migoma, o Jota Lourenço, o Cibernocturno, o Dr. Hipócrates, o Fiatux, a Megane, a Raquel, o Eugénio Rosa, a Eva Luna, o J.B. Mendes, o Queirós, o Eljump, o Deus das Moscas, o Bafo de Nuca e outr@s...
Reproduzo aqui uma das intervenções da Bárbara (14.01.2003). Incisiva, contundente, agressiva como sempre. Mas também generosa, como sempre, uma generosidade que é(era) própria dos verdes anos mas sobretudo de um já maduro sentido de cidadania...
Confesso que gostaria de saber por onde pára ela, a Barbarian Girl. E já agora pergunto a quem me souber responder: o que é feito daquelas mulheres (e homens) que a Clarks mandou para a rua ? Na voragem mediática dos acontecimentos do dia-a-dia, Castelo de Paiva e a sua gente só ainda hoje são notícia nos media por causa da tragédia da Ponte de Entre-os-Rios e do julgamento dos seus presumíveis responsáveis... Sei que perder o emprego ou a vida não é a mesma coisa. Em todo o caso, pelo seu impacto social e económico, o despedimento colectivo do pessoal da Clarks, em Castelo de Paiva, foi notícia nacional por uns breves dias. L.G.
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castelo de paiva ? sabes onde fica ? eu não...
uma desgraça nunca vem só, dizia há dias uma operária da multinacional do calçado que, depois de arouca, decidiu fechar a sua segunda unidade fabril em castelo de paiva, estando em vias de mandar para o desemprego cerca 600 trabalhadores. a acrescentar aos outros 300 e tal de há dois anos. primeiro, foram as minas do pejão que encerraram de vez; depois foi a tragédia de entre-os-rios; e agora é a clarks que se muda, de máquinas e bagagens forradas a euros, para outro paraíso capitalista. para outra terreola qualquer, talvez parecida com castelo de paiva. talvez do leste europeu, com tabuleta escrita em caracteres eslavos; não importa onde, desde que haja sempre gente disposta a vender a sua força de trabalho por um punhado de cêntimos. é o circo trágico-cómico das multinacionais que montam e desmontam fábricas, em qualquer parte do mundo. faz-me lembrar os recintos das touradas desmontáveis no verão.
não creio que as multinacionais tenham alma. não creio que os tecnocratas que as governam tenham alma. ou que saibam, no mínimo, compreender a raiva das pobres mulheres operárias que entraram tarde para o mundo do trabalho. e que agora se sentem usadas, abusadas, deitadas fora, velhas, traídas. deve ser esse o sentimento de se ser despedido colectivamente. e no entanto o mundo é assim, dizem-nos os brilhantes teóricos neoliberais. e não há volta a dar-lhe. os cães ladram e a circo das multinacionais passa. são elas que governam este mundo. são elas que dão e baralham as cartas. são elas que nos vestem e calçam e criam os mitos que nos alimentam. são elas que são donos do destino de milhões e milhões de pessoas. pobres diabos e diabas, contentes hoje por terem pão para a boca. desesperados amanhã porque já não sabem onde vão buscar com que pagar as prestações da casa e do carro.
fiquei impressionada ao ouvir o presidente da câmara de castelo paiva dizer que o total de despedidos são 25% da força de trabalho industrial do concelho, 3% da população do concelho. e onde estão os líderes do meu país, levando um pouco de conforto e de esperança àquela pobre gente, como há dois anos atrás? eu não sei onde fica castelo de paiva, mas o presidente da república, o primeiro ministro, o ministro do trabalho, o novo patrão do investimento estrangeiro, o senhor miguel cadilhe, deve saber onde fica. dizem que a esperança é a última coisa a morrer. mas a verdade é que também morre. e infelizmente vai morrer para os trabalhadores da clarks, uma multinacional sem alma.
fui espreitar o site” dos gajos. nem uma palavra em português. nem uma palavra em qualquer língua para os seus “colaboradores”. lá dentro (do sítio), dizem-me, “a world of comfort and style awaits you”… valores como a responsabilidade social, o respeito pelos direitos de quem trabalha ou o cumprimento da palavra dada a uma comunidade inteira, parece que são coisas que não constam dos “core values” desta multinacional. valores ? são para pisar pelas botas altas das manequins no estrado da alta moda... e depois quem sabe onde fica castelo de paiva, uma minúscula peça do puzzle da europa das multinacionais ?
barbara(mente) revoltada e deprimida.
Portugal sacro-profano - VIII: Os pedopapagaios
Portuga, trapalhão mas sabichão
O alijar a carga ao mar, o invectivar os deuses que mandam a borrasca ou o praguejar contra o patrão do barco que se livrou desta porque ficou em terra... isso, é muito nosso. vem do nosso lado de marinheiros-das-setes-partidas que acreditam no destino. Má sorte, má fortuna!... E os erros meus ? Essa parte omite-se....
Não somos anglo-saxónicos, não somos germânicos, não somos nórdicos, somos latinos, somos mediterrânicos, somos portugas. Podemos invejá-los, aos outros. Há povos invejosos. Os portugueses estão a ficá-lo: invejam os vizinhos e os vizinhos dos vizinhos, o seu sucesso, os seus índices de desenvolvimento... Por boas e más razões. Um dia foram grandes por um dia.... Como (triste) consolo direi que não seremos únicos no pecado da inveja.
A Alemanha e em geral os países de cultura protestante, luterana ou calvinista, exercem, sempre exerceram, um certo fascínio nalgumas das nossas elites que lutam, desde o Séc. das Luzes, contra o lastro escolástico, sebenteiro, fidalgote, retórico, gongórico, da nossa cultura aborígena: os tipos seriam, por oposição a nós, metódicos, organizados, racionais, frios, competentes, empenhados, disciplinados, trabalhólicos, compulsivos em relação à eficiência, à eficácia e à qualidade... Velhos estereótipos, claro!
Quando vamos a Alemanha, tudo parece girar sobre rodas, por isso os gajos são (ou têm sido) a locomotiva da economia da Europa. Será assim ? Outros perguntam: Por que razão o Zé Portuga não há-de ter também essas qualidades que são próprias dos vencedores sem perder os traços únicos que fazem dele isso mesmo, o Zé Portuga ?
Não sei qual é a poção mágica (à parte a "pool" genética e as mil e uma combinações como a economia, a cultura, a história, a ecologia, a psicologia dos líderes, a sociologia das elites, etc.) a misturar no caldeirão, mas devo acrescentar que a educação, só por si, não chega...
Precisamos de uma nova alquimia. E quando falo em educação refiro-me às actividades de ensino e formação p.d. (propriamente ditas): a escola (no sentido lato) continua a ser, em larga media, uma redoma de vidro (ao menos que fosse um torre de marfim, sempre seria algo de mais robusto), uma actividade-meio, e não uma actividade-fim que serve para alimentar o sistema...
Talvez o nosso erro esteja justamente aí: ensinamos para as pessoas, não ensinamos com e através das pessoas e sobretudo não aprendemos com elas. E isso só será possível que conseguirmos pôr, definitivamente, em cima da mesa a questão da participação organizacional (na escola, na empresa, na administração, nos sindicatos, nas associações)...
Nós, espécie híbrida de pedagogos-papagaios, pedopapagaios, adoramos ensinar, formar, blá-blá... Todo o português tem um pouco essa costela e essas penas de pavão ou de pedopapagaio, de lobo do mar contador de histórias, viajado, sabendo de tudo um pouco. Trapalhão mas sabichão, eis o portuga.
E no entanto somos maus a aprender a aprender... com os simples, os mais desastrados, os irresponsáveis, os loucos, os marginais, os desviantes, as vítimas, os doentes, os fracos, os perdedores... Já nos pusemos do outro lado da barricada ? Já nos sentámos no lugar do morto ? Já tentámos compreender por que é que os operários e as operárias deste país têm, às vezes, atitudes e comportamentos que são claramente de risco, do género está-se-mesmo-a-ver-que-vai-dar-merda...
Uma pouco mais de humildade, de imaginação, de saber ver e ouvir os outros, de saber pôr a falar os outros, não nos ficará mal, a nós, pedopapagaios. Ás vezes receio que a educação e a formação neste país sirvam apenas para justificar a nossa existência de pedopapagaios, sem que com isto eu esteja a querer minimizar a classe dos pedagogos (de que faço parte) nem, muito menos, a denegrir a corporação dos inocentes, pobres e alegres papagaios em vias de extinção.
Talvez o nosso erro esteja justamente aí: ensinamos para as pessoas, não ensinamos com e através das pessoas e sobretudo não aprendemos com elas. E isso só será possível se conseguirmos pôr, definitivamente, em cima da mesa a questão das vantagens da participação organizacional (na escola, na empresa, na administração, nos sindicatos, nas associações)...
Essas vantagens são de longe superiores aos seus custos. Sem participação não há educação que nos valhe. A razão é simples: a educação é uma co-actividade.
O alijar a carga ao mar, o invectivar os deuses que mandam a borrasca ou o praguejar contra o patrão do barco que se livrou desta porque ficou em terra... isso, é muito nosso. vem do nosso lado de marinheiros-das-setes-partidas que acreditam no destino. Má sorte, má fortuna!... E os erros meus ? Essa parte omite-se....
Não somos anglo-saxónicos, não somos germânicos, não somos nórdicos, somos latinos, somos mediterrânicos, somos portugas. Podemos invejá-los, aos outros. Há povos invejosos. Os portugueses estão a ficá-lo: invejam os vizinhos e os vizinhos dos vizinhos, o seu sucesso, os seus índices de desenvolvimento... Por boas e más razões. Um dia foram grandes por um dia.... Como (triste) consolo direi que não seremos únicos no pecado da inveja.
A Alemanha e em geral os países de cultura protestante, luterana ou calvinista, exercem, sempre exerceram, um certo fascínio nalgumas das nossas elites que lutam, desde o Séc. das Luzes, contra o lastro escolástico, sebenteiro, fidalgote, retórico, gongórico, da nossa cultura aborígena: os tipos seriam, por oposição a nós, metódicos, organizados, racionais, frios, competentes, empenhados, disciplinados, trabalhólicos, compulsivos em relação à eficiência, à eficácia e à qualidade... Velhos estereótipos, claro!
Quando vamos a Alemanha, tudo parece girar sobre rodas, por isso os gajos são (ou têm sido) a locomotiva da economia da Europa. Será assim ? Outros perguntam: Por que razão o Zé Portuga não há-de ter também essas qualidades que são próprias dos vencedores sem perder os traços únicos que fazem dele isso mesmo, o Zé Portuga ?
Não sei qual é a poção mágica (à parte a "pool" genética e as mil e uma combinações como a economia, a cultura, a história, a ecologia, a psicologia dos líderes, a sociologia das elites, etc.) a misturar no caldeirão, mas devo acrescentar que a educação, só por si, não chega...
Precisamos de uma nova alquimia. E quando falo em educação refiro-me às actividades de ensino e formação p.d. (propriamente ditas): a escola (no sentido lato) continua a ser, em larga media, uma redoma de vidro (ao menos que fosse um torre de marfim, sempre seria algo de mais robusto), uma actividade-meio, e não uma actividade-fim que serve para alimentar o sistema...
Talvez o nosso erro esteja justamente aí: ensinamos para as pessoas, não ensinamos com e através das pessoas e sobretudo não aprendemos com elas. E isso só será possível que conseguirmos pôr, definitivamente, em cima da mesa a questão da participação organizacional (na escola, na empresa, na administração, nos sindicatos, nas associações)...
Nós, espécie híbrida de pedagogos-papagaios, pedopapagaios, adoramos ensinar, formar, blá-blá... Todo o português tem um pouco essa costela e essas penas de pavão ou de pedopapagaio, de lobo do mar contador de histórias, viajado, sabendo de tudo um pouco. Trapalhão mas sabichão, eis o portuga.
E no entanto somos maus a aprender a aprender... com os simples, os mais desastrados, os irresponsáveis, os loucos, os marginais, os desviantes, as vítimas, os doentes, os fracos, os perdedores... Já nos pusemos do outro lado da barricada ? Já nos sentámos no lugar do morto ? Já tentámos compreender por que é que os operários e as operárias deste país têm, às vezes, atitudes e comportamentos que são claramente de risco, do género está-se-mesmo-a-ver-que-vai-dar-merda...
Uma pouco mais de humildade, de imaginação, de saber ver e ouvir os outros, de saber pôr a falar os outros, não nos ficará mal, a nós, pedopapagaios. Ás vezes receio que a educação e a formação neste país sirvam apenas para justificar a nossa existência de pedopapagaios, sem que com isto eu esteja a querer minimizar a classe dos pedagogos (de que faço parte) nem, muito menos, a denegrir a corporação dos inocentes, pobres e alegres papagaios em vias de extinção.
Talvez o nosso erro esteja justamente aí: ensinamos para as pessoas, não ensinamos com e através das pessoas e sobretudo não aprendemos com elas. E isso só será possível se conseguirmos pôr, definitivamente, em cima da mesa a questão das vantagens da participação organizacional (na escola, na empresa, na administração, nos sindicatos, nas associações)...
Essas vantagens são de longe superiores aos seus custos. Sem participação não há educação que nos valhe. A razão é simples: a educação é uma co-actividade.
Portugal sacro-profano - VIII: Os pedopapagaios
Portuga, trapalhão mas sabichão
O alijar a carga ao mar, o invectivar os deuses que mandam a borrasca ou o praguejar contra o patrão do barco que se livrou desta porque ficou em terra... isso, é muito nosso. vem do nosso lado de marinheiros-das-setes-partidas que acreditam no destino. Má sorte, má fortuna!... E os erros meus ? Essa parte omite-se....
Não somos anglo-saxónicos, não somos germânicos, não somos nórdicos, somos latinos, somos mediterrânicos, somos portugas. Podemos invejá-los, aos outros. Há povos invejosos. Os portugueses estão a ficá-lo: invejam os vizinhos e os vizinhos dos vizinhos, o seu sucesso, os seus índices de desenvolvimento... Por boas e más razões. Um dia foram grandes por um dia.... Como (triste) consolo direi que não seremos únicos no pecado da inveja.
A Alemanha e em geral os países de cultura protestante, luterana ou calvinista, exercem, sempre exerceram, um certo fascínio nalgumas das nossas elites que lutam, desde o Séc. das Luzes, contra o lastro escolástico, sebenteiro, fidalgote, retórico, gongórico, da nossa cultura aborígena: os tipos seriam, por oposição a nós, metódicos, organizados, racionais, frios, competentes, empenhados, disciplinados, trabalhólicos, compulsivos em relação à eficiência, à eficácia e à qualidade... Velhos estereótipos, claro!
Quando vamos a Alemanha, tudo parece girar sobre rodas, por isso os gajos são (ou têm sido) a locomotiva da economia da Europa. Será assim ? Outros perguntam: Por que razão o Zé Portuga não há-de ter também essas qualidades que são próprias dos vencedores sem perder os traços únicos que fazem dele isso mesmo, o Zé Portuga ?
Não sei qual é a poção mágica (à parte a "pool" genética e as mil e uma combinações como a economia, a cultura, a história, a ecologia, a psicologia dos líderes, a sociologia das elites, etc.) a misturar no caldeirão, mas devo acrescentar que a educação, só por si, não chega...
Precisamos de uma nova alquimia. E quando falo em educação refiro-me às actividades de ensino e formação p.d. (propriamente ditas): a escola (no sentido lato) continua a ser, em larga media, uma redoma de vidro (ao menos que fosse um torre de marfim, sempre seria algo de mais robusto), uma actividade-meio, e não uma actividade-fim que serve para alimentar o sistema...
Talvez o nosso erro esteja justamente aí: ensinamos para as pessoas, não ensinamos com e através das pessoas e sobretudo não aprendemos com elas. E isso só será possível que conseguirmos pôr, definitivamente, em cima da mesa a questão da participação organizacional (na escola, na empresa, na administração, nos sindicatos, nas associações)...
Nós, espécie híbrida de pedagogos-papagaios, pedopapagaios, adoramos ensinar, formar, blá-blá... Todo o português tem um pouco essa costela e essas penas de pavão ou de pedopapagaio, de lobo do mar contador de histórias, viajado, sabendo de tudo um pouco. Trapalhão mas sabichão, eis o portuga.
E no entanto somos maus a aprender a aprender... com os simples, os mais desastrados, os irresponsáveis, os loucos, os marginais, os desviantes, as vítimas, os doentes, os fracos, os perdedores... Já nos pusemos do outro lado da barricada ? Já nos sentámos no lugar do morto ? Já tentámos compreender por que é que os operários e as operárias deste país têm, às vezes, atitudes e comportamentos que são claramente de risco, do género está-se-mesmo-a-ver-que-vai-dar-merda...
Uma pouco mais de humildade, de imaginação, de saber ver e ouvir os outros, de saber pôr a falar os outros, não nos ficará mal, a nós, pedopapagaios. Ás vezes receio que a educação e a formação neste país sirvam apenas para justificar a nossa existência de pedopapagaios, sem que com isto eu esteja a querer minimizar a classe dos pedagogos (de que faço parte) nem, muito menos, a denegrir a corporação dos inocentes, pobres e alegres papagaios em vias de extinção.
Talvez o nosso erro esteja justamente aí: ensinamos para as pessoas, não ensinamos com e através das pessoas e sobretudo não aprendemos com elas. E isso só será possível se conseguirmos pôr, definitivamente, em cima da mesa a questão das vantagens da participação organizacional (na escola, na empresa, na administração, nos sindicatos, nas associações)...
Essas vantagens são de longe superiores aos seus custos. Sem participação não há educação que nos valhe. A razão é simples: a educação é uma co-actividade.
O alijar a carga ao mar, o invectivar os deuses que mandam a borrasca ou o praguejar contra o patrão do barco que se livrou desta porque ficou em terra... isso, é muito nosso. vem do nosso lado de marinheiros-das-setes-partidas que acreditam no destino. Má sorte, má fortuna!... E os erros meus ? Essa parte omite-se....
Não somos anglo-saxónicos, não somos germânicos, não somos nórdicos, somos latinos, somos mediterrânicos, somos portugas. Podemos invejá-los, aos outros. Há povos invejosos. Os portugueses estão a ficá-lo: invejam os vizinhos e os vizinhos dos vizinhos, o seu sucesso, os seus índices de desenvolvimento... Por boas e más razões. Um dia foram grandes por um dia.... Como (triste) consolo direi que não seremos únicos no pecado da inveja.
A Alemanha e em geral os países de cultura protestante, luterana ou calvinista, exercem, sempre exerceram, um certo fascínio nalgumas das nossas elites que lutam, desde o Séc. das Luzes, contra o lastro escolástico, sebenteiro, fidalgote, retórico, gongórico, da nossa cultura aborígena: os tipos seriam, por oposição a nós, metódicos, organizados, racionais, frios, competentes, empenhados, disciplinados, trabalhólicos, compulsivos em relação à eficiência, à eficácia e à qualidade... Velhos estereótipos, claro!
Quando vamos a Alemanha, tudo parece girar sobre rodas, por isso os gajos são (ou têm sido) a locomotiva da economia da Europa. Será assim ? Outros perguntam: Por que razão o Zé Portuga não há-de ter também essas qualidades que são próprias dos vencedores sem perder os traços únicos que fazem dele isso mesmo, o Zé Portuga ?
Não sei qual é a poção mágica (à parte a "pool" genética e as mil e uma combinações como a economia, a cultura, a história, a ecologia, a psicologia dos líderes, a sociologia das elites, etc.) a misturar no caldeirão, mas devo acrescentar que a educação, só por si, não chega...
Precisamos de uma nova alquimia. E quando falo em educação refiro-me às actividades de ensino e formação p.d. (propriamente ditas): a escola (no sentido lato) continua a ser, em larga media, uma redoma de vidro (ao menos que fosse um torre de marfim, sempre seria algo de mais robusto), uma actividade-meio, e não uma actividade-fim que serve para alimentar o sistema...
Talvez o nosso erro esteja justamente aí: ensinamos para as pessoas, não ensinamos com e através das pessoas e sobretudo não aprendemos com elas. E isso só será possível que conseguirmos pôr, definitivamente, em cima da mesa a questão da participação organizacional (na escola, na empresa, na administração, nos sindicatos, nas associações)...
Nós, espécie híbrida de pedagogos-papagaios, pedopapagaios, adoramos ensinar, formar, blá-blá... Todo o português tem um pouco essa costela e essas penas de pavão ou de pedopapagaio, de lobo do mar contador de histórias, viajado, sabendo de tudo um pouco. Trapalhão mas sabichão, eis o portuga.
E no entanto somos maus a aprender a aprender... com os simples, os mais desastrados, os irresponsáveis, os loucos, os marginais, os desviantes, as vítimas, os doentes, os fracos, os perdedores... Já nos pusemos do outro lado da barricada ? Já nos sentámos no lugar do morto ? Já tentámos compreender por que é que os operários e as operárias deste país têm, às vezes, atitudes e comportamentos que são claramente de risco, do género está-se-mesmo-a-ver-que-vai-dar-merda...
Uma pouco mais de humildade, de imaginação, de saber ver e ouvir os outros, de saber pôr a falar os outros, não nos ficará mal, a nós, pedopapagaios. Ás vezes receio que a educação e a formação neste país sirvam apenas para justificar a nossa existência de pedopapagaios, sem que com isto eu esteja a querer minimizar a classe dos pedagogos (de que faço parte) nem, muito menos, a denegrir a corporação dos inocentes, pobres e alegres papagaios em vias de extinção.
Talvez o nosso erro esteja justamente aí: ensinamos para as pessoas, não ensinamos com e através das pessoas e sobretudo não aprendemos com elas. E isso só será possível se conseguirmos pôr, definitivamente, em cima da mesa a questão das vantagens da participação organizacional (na escola, na empresa, na administração, nos sindicatos, nas associações)...
Essas vantagens são de longe superiores aos seus custos. Sem participação não há educação que nos valhe. A razão é simples: a educação é uma co-actividade.
24 outubro 2003
Humor com humor se paga - III: A roleta africana
Desconfiem sempre da estrelinha da sorte!
O embaixador americano conversa com um diplomata africano, o qual lhe faz o elogio da cooperação russa no período a seguir à independência do seu país:
- Eles construíram-nos barragens hidroeléctricas, escolas, bases militares e aeroportos; formaram os nossos médicos; ensinaram-nos a beber vodka e até a jogar a roleta russa!
- Mas isso é um jogo muito perigoso, a roleta russa!
- Isso pensa o senhor embaixador, porque não conhece a roleta africana... Quer experimentar?
- Nunca ouvi falar em tal ... mas deve ser excitante!
O diplomata africano bate as palmas e logo ali aparecem oito mulheres, da cor do ébano, oito corpos nus, sensualíssimos, esculturais, provocantes... Diz então o africano para o americano:
- Excelência, faça o favor de escolher uma delas para lhe fazer sexo oral.
- Oh, lá, lá!!!.. mas isso é muito melhor que a roleta russa !
- É... mas, atenção!, há uma que tem dentes de serrilha e é canibal!
O embaixador americano conversa com um diplomata africano, o qual lhe faz o elogio da cooperação russa no período a seguir à independência do seu país:
- Eles construíram-nos barragens hidroeléctricas, escolas, bases militares e aeroportos; formaram os nossos médicos; ensinaram-nos a beber vodka e até a jogar a roleta russa!
- Mas isso é um jogo muito perigoso, a roleta russa!
- Isso pensa o senhor embaixador, porque não conhece a roleta africana... Quer experimentar?
- Nunca ouvi falar em tal ... mas deve ser excitante!
O diplomata africano bate as palmas e logo ali aparecem oito mulheres, da cor do ébano, oito corpos nus, sensualíssimos, esculturais, provocantes... Diz então o africano para o americano:
- Excelência, faça o favor de escolher uma delas para lhe fazer sexo oral.
- Oh, lá, lá!!!.. mas isso é muito melhor que a roleta russa !
- É... mas, atenção!, há uma que tem dentes de serrilha e é canibal!
Humor com humor se paga - III: A roleta africana
Desconfiem sempre da estrelinha da sorte!
O embaixador americano conversa com um diplomata africano, o qual lhe faz o elogio da cooperação russa no período a seguir à independência do seu país:
- Eles construíram-nos barragens hidroeléctricas, escolas, bases militares e aeroportos; formaram os nossos médicos; ensinaram-nos a beber vodka e até a jogar a roleta russa!
- Mas isso é um jogo muito perigoso, a roleta russa!
- Isso pensa o senhor embaixador, porque não conhece a roleta africana... Quer experimentar?
- Nunca ouvi falar em tal ... mas deve ser excitante!
O diplomata africano bate as palmas e logo ali aparecem oito mulheres, da cor do ébano, oito corpos nus, sensualíssimos, esculturais, provocantes... Diz então o africano para o americano:
- Excelência, faça o favor de escolher uma delas para lhe fazer sexo oral.
- Oh, lá, lá!!!.. mas isso é muito melhor que a roleta russa !
- É... mas, atenção!, há uma que tem dentes de serrilha e é canibal!
O embaixador americano conversa com um diplomata africano, o qual lhe faz o elogio da cooperação russa no período a seguir à independência do seu país:
- Eles construíram-nos barragens hidroeléctricas, escolas, bases militares e aeroportos; formaram os nossos médicos; ensinaram-nos a beber vodka e até a jogar a roleta russa!
- Mas isso é um jogo muito perigoso, a roleta russa!
- Isso pensa o senhor embaixador, porque não conhece a roleta africana... Quer experimentar?
- Nunca ouvi falar em tal ... mas deve ser excitante!
O diplomata africano bate as palmas e logo ali aparecem oito mulheres, da cor do ébano, oito corpos nus, sensualíssimos, esculturais, provocantes... Diz então o africano para o americano:
- Excelência, faça o favor de escolher uma delas para lhe fazer sexo oral.
- Oh, lá, lá!!!.. mas isso é muito melhor que a roleta russa !
- É... mas, atenção!, há uma que tem dentes de serrilha e é canibal!
23 outubro 2003
(Ex)citações de cada dia - V: O tabaco, a saúde, a vida e a poesia
Mãos ao ar: o tabaco ou a vida
Com a minha singela homenagem aos poetas populares, e com a devida vénia ao Zé Correia, de Vila Verde de Ficalho, a "aldeia sem tabaco"... Para muitos homens e mulheres que fumam (ou que já fumaram), o tabaco está associado à sociabilidade, à doçura mediterrânica, ao dolce far niente, ao prazer da vida, ao amor, à amizade, ao companheirismo, à cumplicidade, à guerra e à paz (O primeiro cigarro que fumei terá sido no navio da marinha mercante, fretado pelas Forças Armadas Portuguesas, o velho Niassa, a caminho das matas da Guiné)... Mas como muitas outras coisas boas da vida, o tabaco também faz mal à saúde e mata (a) gente... Estamos a descobri-lo, dolorosamente, relutantemente...
Tabaco, vida, poesia e saúde: esta quádrupla já não combina mais, minha gente... Em breve o nosso Irmão Grande vai decretar a morte da cultura do tabaco e decidir plantar abrolhos nas Berlengas & Farilhões. Fernando Pessoa e Álvaro de Campos já não encontrarão, no regresso a Lisboa, a sua velha e familiar tabacaria nem muito menos o dono da tabacaria a sorrir da estupidez da metafísica que dá stresse, angústia, taquicardia e suores frios e mata (a) gente. Um dia destes a tabacaria, no Centro Cultural de Belém, onde o tabagista pós-moderno compra o jornal, o cigarro e o charuto, vai substituir discretamente a sua tabuleta, que diz "Cultura do tabaco"... O tabaco (e que mais ?) vai passar a ser politicamente incorrecto, socialmente indesejável, culturalmente execrável, sanitariamente proscrito...
Li hoje num grafito, no muro sujo de um hospital, que um dia destes o prazer vai vender-se, liofilizado, em embalagens assépticas, com certificação dos laboratórios de referência...
Morreu a cultura do tabaco ? A vida continua dentro de momentos... Ah! grande O'Neil, tu que te recusaste sempre a ser um "exemplar cretino", apesar da cedilha pendurada ao canto da boca!... Só Campos, esse, continuará a fumar, para contrariar a merda do destino e da metafísica:
"Acendo um cigarro (...)
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto".
PS - Não fumo. Já fumei. O blogger.
1. Não fumo, quero viver
Cigarro é prazer efémero
Que te mata lentamente;
Lembra-te do coração,
Da garganta, do pulmão,
Não queiras ser dependente.
Será que ao fumar não pensas
Que a vida te vai escapando ?
Tens a mania que és forte,
Que só tens medo é da morte
Mas continuas fumando.
Um dia ouvi-te dizer
Que o cigarro é um companheiro,
Então procura outro amigo
Que esse acaba contigo
E acaba com o teu dinheiro.
E até se beijas alguém
Não ficas envergonhado ?
Mesmo num beijo de amor
Será diferente o sabor
Se tu não tiveres fumado.
Se estás a tempo, recua,
Deus só nos deu uma vida.
Mesmo que te dê prazer
Pára p’ra poderes viver
Essa vida bem vivida.
E tu que nunca fumaste
Nunca penses em fazê-lo
Bem alto podes dizer
Sou feliz, quero viver,
Tabaco, nem quero vê-lo.
Zé Correia
Vila Verde de Ficalho, Natal 2002
2. Para uma roda de amigos:
O tabaco da vida
De amor cantando,
sem nele demasiado acreditar,
Dei a volta ao coração (demorei anos):
está só - mas sem nemhuma vontade de parar...
Desiludios ? Paciência, amigos...
Bebamos mais, fumemos, refumenos,
entre as mulheres, o tabaco da vida.
Cmo cedilhas penduradas que felizes seremos,
exemplares cretinos nesta noite comprida...
Alexandre O'Neil (1924-1986)
Poemas com Endereço (1992)
(In: Alexandre O'Neil - Poesias Completas. Lisboa: Assírio & Alvim, 2000. 181)
3. A tabacaria (exercertos)
(...) Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos (1928)
Com a minha singela homenagem aos poetas populares, e com a devida vénia ao Zé Correia, de Vila Verde de Ficalho, a "aldeia sem tabaco"... Para muitos homens e mulheres que fumam (ou que já fumaram), o tabaco está associado à sociabilidade, à doçura mediterrânica, ao dolce far niente, ao prazer da vida, ao amor, à amizade, ao companheirismo, à cumplicidade, à guerra e à paz (O primeiro cigarro que fumei terá sido no navio da marinha mercante, fretado pelas Forças Armadas Portuguesas, o velho Niassa, a caminho das matas da Guiné)... Mas como muitas outras coisas boas da vida, o tabaco também faz mal à saúde e mata (a) gente... Estamos a descobri-lo, dolorosamente, relutantemente...
Tabaco, vida, poesia e saúde: esta quádrupla já não combina mais, minha gente... Em breve o nosso Irmão Grande vai decretar a morte da cultura do tabaco e decidir plantar abrolhos nas Berlengas & Farilhões. Fernando Pessoa e Álvaro de Campos já não encontrarão, no regresso a Lisboa, a sua velha e familiar tabacaria nem muito menos o dono da tabacaria a sorrir da estupidez da metafísica que dá stresse, angústia, taquicardia e suores frios e mata (a) gente. Um dia destes a tabacaria, no Centro Cultural de Belém, onde o tabagista pós-moderno compra o jornal, o cigarro e o charuto, vai substituir discretamente a sua tabuleta, que diz "Cultura do tabaco"... O tabaco (e que mais ?) vai passar a ser politicamente incorrecto, socialmente indesejável, culturalmente execrável, sanitariamente proscrito...
Li hoje num grafito, no muro sujo de um hospital, que um dia destes o prazer vai vender-se, liofilizado, em embalagens assépticas, com certificação dos laboratórios de referência...
Morreu a cultura do tabaco ? A vida continua dentro de momentos... Ah! grande O'Neil, tu que te recusaste sempre a ser um "exemplar cretino", apesar da cedilha pendurada ao canto da boca!... Só Campos, esse, continuará a fumar, para contrariar a merda do destino e da metafísica:
"Acendo um cigarro (...)
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto".
PS - Não fumo. Já fumei. O blogger.
1. Não fumo, quero viver
Cigarro é prazer efémero
Que te mata lentamente;
Lembra-te do coração,
Da garganta, do pulmão,
Não queiras ser dependente.
Será que ao fumar não pensas
Que a vida te vai escapando ?
Tens a mania que és forte,
Que só tens medo é da morte
Mas continuas fumando.
Um dia ouvi-te dizer
Que o cigarro é um companheiro,
Então procura outro amigo
Que esse acaba contigo
E acaba com o teu dinheiro.
E até se beijas alguém
Não ficas envergonhado ?
Mesmo num beijo de amor
Será diferente o sabor
Se tu não tiveres fumado.
Se estás a tempo, recua,
Deus só nos deu uma vida.
Mesmo que te dê prazer
Pára p’ra poderes viver
Essa vida bem vivida.
E tu que nunca fumaste
Nunca penses em fazê-lo
Bem alto podes dizer
Sou feliz, quero viver,
Tabaco, nem quero vê-lo.
Zé Correia
Vila Verde de Ficalho, Natal 2002
2. Para uma roda de amigos:
O tabaco da vida
De amor cantando,
sem nele demasiado acreditar,
Dei a volta ao coração (demorei anos):
está só - mas sem nemhuma vontade de parar...
Desiludios ? Paciência, amigos...
Bebamos mais, fumemos, refumenos,
entre as mulheres, o tabaco da vida.
Cmo cedilhas penduradas que felizes seremos,
exemplares cretinos nesta noite comprida...
Alexandre O'Neil (1924-1986)
Poemas com Endereço (1992)
(In: Alexandre O'Neil - Poesias Completas. Lisboa: Assírio & Alvim, 2000. 181)
3. A tabacaria (exercertos)
(...) Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos (1928)
(Ex)citações de cada dia - V: O tabaco, a saúde, a vida e a poesia
Mãos ao ar: o tabaco ou a vida
Com a minha singela homenagem aos poetas populares, e com a devida vénia ao Zé Correia, de Vila Verde de Ficalho, a "aldeia sem tabaco"... Para muitos homens e mulheres que fumam (ou que já fumaram), o tabaco está associado à sociabilidade, à doçura mediterrânica, ao dolce far niente, ao prazer da vida, ao amor, à amizade, ao companheirismo, à cumplicidade, à guerra e à paz (O primeiro cigarro que fumei terá sido no navio da marinha mercante, fretado pelas Forças Armadas Portuguesas, o velho Niassa, a caminho das matas da Guiné)... Mas como muitas outras coisas boas da vida, o tabaco também faz mal à saúde e mata (a) gente... Estamos a descobri-lo, dolorosamente, relutantemente...
Tabaco, vida, poesia e saúde: esta quádrupla já não combina mais, minha gente... Em breve o nosso Irmão Grande vai decretar a morte da cultura do tabaco e decidir plantar abrolhos nas Berlengas & Farilhões. Fernando Pessoa e Álvaro de Campos já não encontrarão, no regresso a Lisboa, a sua velha e familiar tabacaria nem muito menos o dono da tabacaria a sorrir da estupidez da metafísica que dá stresse, angústia, taquicardia e suores frios e mata (a) gente. Um dia destes a tabacaria, no Centro Cultural de Belém, onde o tabagista pós-moderno compra o jornal, o cigarro e o charuto, vai substituir discretamente a sua tabuleta, que diz "Cultura do tabaco"... O tabaco (e que mais ?) vai passar a ser politicamente incorrecto, socialmente indesejável, culturalmente execrável, sanitariamente proscrito...
Li hoje num grafito, no muro sujo de um hospital, que um dia destes o prazer vai vender-se, liofilizado, em embalagens assépticas, com certificação dos laboratórios de referência...
Morreu a cultura do tabaco ? A vida continua dentro de momentos... Ah! grande O'Neil, tu que te recusaste sempre a ser um "exemplar cretino", apesar da cedilha pendurada ao canto da boca!... Só Campos, esse, continuará a fumar, para contrariar a merda do destino e da metafísica:
"Acendo um cigarro (...)
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto".
PS - Não fumo. Já fumei. O blogger.
1. Não fumo, quero viver
Cigarro é prazer efémero
Que te mata lentamente;
Lembra-te do coração,
Da garganta, do pulmão,
Não queiras ser dependente.
Será que ao fumar não pensas
Que a vida te vai escapando ?
Tens a mania que és forte,
Que só tens medo é da morte
Mas continuas fumando.
Um dia ouvi-te dizer
Que o cigarro é um companheiro,
Então procura outro amigo
Que esse acaba contigo
E acaba com o teu dinheiro.
E até se beijas alguém
Não ficas envergonhado ?
Mesmo num beijo de amor
Será diferente o sabor
Se tu não tiveres fumado.
Se estás a tempo, recua,
Deus só nos deu uma vida.
Mesmo que te dê prazer
Pára p’ra poderes viver
Essa vida bem vivida.
E tu que nunca fumaste
Nunca penses em fazê-lo
Bem alto podes dizer
Sou feliz, quero viver,
Tabaco, nem quero vê-lo.
Zé Correia
Vila Verde de Ficalho, Natal 2002
2. Para uma roda de amigos:
O tabaco da vida
De amor cantando,
sem nele demasiado acreditar,
Dei a volta ao coração (demorei anos):
está só - mas sem nemhuma vontade de parar...
Desiludios ? Paciência, amigos...
Bebamos mais, fumemos, refumenos,
entre as mulheres, o tabaco da vida.
Cmo cedilhas penduradas que felizes seremos,
exemplares cretinos nesta noite comprida...
Alexandre O'Neil (1924-1986)
Poemas com Endereço (1992)
(In: Alexandre O'Neil - Poesias Completas. Lisboa: Assírio & Alvim, 2000. 181)
3. A tabacaria (exercertos)
(...) Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos (1928)
Com a minha singela homenagem aos poetas populares, e com a devida vénia ao Zé Correia, de Vila Verde de Ficalho, a "aldeia sem tabaco"... Para muitos homens e mulheres que fumam (ou que já fumaram), o tabaco está associado à sociabilidade, à doçura mediterrânica, ao dolce far niente, ao prazer da vida, ao amor, à amizade, ao companheirismo, à cumplicidade, à guerra e à paz (O primeiro cigarro que fumei terá sido no navio da marinha mercante, fretado pelas Forças Armadas Portuguesas, o velho Niassa, a caminho das matas da Guiné)... Mas como muitas outras coisas boas da vida, o tabaco também faz mal à saúde e mata (a) gente... Estamos a descobri-lo, dolorosamente, relutantemente...
Tabaco, vida, poesia e saúde: esta quádrupla já não combina mais, minha gente... Em breve o nosso Irmão Grande vai decretar a morte da cultura do tabaco e decidir plantar abrolhos nas Berlengas & Farilhões. Fernando Pessoa e Álvaro de Campos já não encontrarão, no regresso a Lisboa, a sua velha e familiar tabacaria nem muito menos o dono da tabacaria a sorrir da estupidez da metafísica que dá stresse, angústia, taquicardia e suores frios e mata (a) gente. Um dia destes a tabacaria, no Centro Cultural de Belém, onde o tabagista pós-moderno compra o jornal, o cigarro e o charuto, vai substituir discretamente a sua tabuleta, que diz "Cultura do tabaco"... O tabaco (e que mais ?) vai passar a ser politicamente incorrecto, socialmente indesejável, culturalmente execrável, sanitariamente proscrito...
Li hoje num grafito, no muro sujo de um hospital, que um dia destes o prazer vai vender-se, liofilizado, em embalagens assépticas, com certificação dos laboratórios de referência...
Morreu a cultura do tabaco ? A vida continua dentro de momentos... Ah! grande O'Neil, tu que te recusaste sempre a ser um "exemplar cretino", apesar da cedilha pendurada ao canto da boca!... Só Campos, esse, continuará a fumar, para contrariar a merda do destino e da metafísica:
"Acendo um cigarro (...)
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto".
PS - Não fumo. Já fumei. O blogger.
1. Não fumo, quero viver
Cigarro é prazer efémero
Que te mata lentamente;
Lembra-te do coração,
Da garganta, do pulmão,
Não queiras ser dependente.
Será que ao fumar não pensas
Que a vida te vai escapando ?
Tens a mania que és forte,
Que só tens medo é da morte
Mas continuas fumando.
Um dia ouvi-te dizer
Que o cigarro é um companheiro,
Então procura outro amigo
Que esse acaba contigo
E acaba com o teu dinheiro.
E até se beijas alguém
Não ficas envergonhado ?
Mesmo num beijo de amor
Será diferente o sabor
Se tu não tiveres fumado.
Se estás a tempo, recua,
Deus só nos deu uma vida.
Mesmo que te dê prazer
Pára p’ra poderes viver
Essa vida bem vivida.
E tu que nunca fumaste
Nunca penses em fazê-lo
Bem alto podes dizer
Sou feliz, quero viver,
Tabaco, nem quero vê-lo.
Zé Correia
Vila Verde de Ficalho, Natal 2002
2. Para uma roda de amigos:
O tabaco da vida
De amor cantando,
sem nele demasiado acreditar,
Dei a volta ao coração (demorei anos):
está só - mas sem nemhuma vontade de parar...
Desiludios ? Paciência, amigos...
Bebamos mais, fumemos, refumenos,
entre as mulheres, o tabaco da vida.
Cmo cedilhas penduradas que felizes seremos,
exemplares cretinos nesta noite comprida...
Alexandre O'Neil (1924-1986)
Poemas com Endereço (1992)
(In: Alexandre O'Neil - Poesias Completas. Lisboa: Assírio & Alvim, 2000. 181)
3. A tabacaria (exercertos)
(...) Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos (1928)
22 outubro 2003
Humor com humor se paga - II: O triunfo dos genéricos!
1. Como o mundo está a mudar, meu Deus!... E a que velocidade (estonteante)!... E a que preço (exorbitante)!... Não foi sem grande espanto e com maior falta de pudor, que eu vi os nomes dos medicamentos genéricos que o senhor Ministro da Saúde mandou publicar no agora Diário da Região Lusitana (ex-Diário da República Portuguesa). Esqueci-me de que já estávamos, pobres mas felizes, na Eurolândia. Desde 1986, dizem-me uns. Desde sempre, dizem-me outros.
Rendi-me à evidência: a famigerada lista até me parece útil. Sobretudo quando a gente tiver uma dor... na tola. Antigamente um portuga ia ao médico e depois à farmácia. Agora o felizardo do eurolandês vai direitinhinho à botica e, em vez de uma embalagem de Aspirina, pede uma caixa "Prá...Tola". Se o problema é ligeiramente mais abaixo e a gente anda a fungar do nariz, não precisamos de mais nada: "Um Prá...Penca, xáxa favor"... Se o problema é ainda mais grave (ali do foro do departamento das partes baixas...), nada como desinibidamente pedir à afável, prestável e poliglota boticária um "Prá...Tusa". Funciona em toda a parte, da Suécia dos vikings à Grécia dos armadores.
2. Pode não dar milhões, mas é fácil e barato. E, como se diz agora, mais conveniente: pensando bem, eu já não preciso de estar na bicha do centro de saúde (ficam com mais tempo patra serem atendidos os pobrezinhos, os velhinhos e os imigras). Também já não precisar de cravar um médico amoigo nem muito menos pagar a um doutor com consultório nas avenidas novas. Com os genéricos, é o triunfo do conceito do sirva-se a si mesmo! É o empowerment do Zé Portuga, dizem os sociólogos de serviço!
3. Além disso, esta lista é uma excelente mneumómica: depressa uma pessoa a decora. É como os provérbios: durante milhares de anos, eles funcionaram às mil e uma maravilhas como formas escolásticas, sincréticas e totalitárias de pensamento. Faz-me lembrar os tempos da escola do Conde de Ferreira onde eu andei. A gente tinha que saber de cor os nomes dos reis de todas dinastias, com os respectivos cognomes (Eu engava-me sempre no Sancho Pança!)... Percebo agora, meio século depois, qual é o verdadeiro sentido pedagógico do aprender-de-cor(ação).
4. Ela, a lista, vem antecedida dos nomes comerciais que a tua médica de família (ainda te lembras dela ?) te costumava receitar. Ele(s), o(s) médico(s), agora até pode(m) ser castelhano(s) e falar portunhol. Não faz mal. Cada vez é/são mais dispensável/éis. O médico, os médicos. Ora isso não é bom ? É o empowerment do Zé Portuga, agora senhor eurolandês, dizem os euro-sociólogos de serviço em Bruxelas.
5. Com a nova lista dos medicamentos genéricos, tu estás preparado para enfrentar os desafios da saúde (i) na economia global e (ii) na sociedade da informação e do conhecimento. É bom recordar que não há conhecimento sem informação; nem informação sem dados (primários).
Podes viajar para os limites da Eurolândia. Podes até mudar de galáxia, que o genérico é mesmo universal. E chegou para ficar. É a maior revolução depois da de Copérnico, Gutenberg, Pasteur, Einstein, Watson & Crick... Aqui eu paro porque de repente perdi a lista dos revolucionários ou a minha capacidade para os seguir. atrás do estandarte.
O que vos posso garantir é que (i) eu confio nos genéricos, (ii) o Dr. Copérnico também confia nos genéricos, (iii) tu confias nos genéricos, (iv) a minha médica de família confia nos genéricos, (v) nós confiamos nos genéricos... O ministro Luís Filipe Perereira e os seus assessores mais íntimos também. A indústria farmacêutica não sei.
6. Repara: com o genérico, aumentou a tua literacia em saúde. O genérico é o princípio da medicina ao alcance de todos. Tu tornas-te um generalista. Um verdadeiro generalista. O genérico é a realização do princípio constitucional do direito à saúde, estás a ver ? Com o genérico, tu ficas mais empoderado. Não sabes o que é ? Vem de empoderamento, do inglês empowerment. Antigamente eras um incapacitado. Agora com o empoderamento, tu ficas com capacitação. É isso. It's magic, guy!...
Não percebeste ? Então, merda, andei práqui a gastar o meu latim. É um bocado difícil de explicar melhor explicadinho. O que importa é que o empoderamento é bom para ti, para o sistema de saúde e para o Governo, que se preocupa contigo. É bom para a Eurolândia. É bom para o ex-Zé Portuga, agora eurolandês.
7. Um utente da saúde empoderado vale por dois e dispensa muito bom médico, enfermeiro, psicólogo, psiquiatra, técnico psicossocial, piscoterapeuta, nutricionista, gestor de saúde, gestor de seguros de saúde, maqueiro, abutre, coveiro. Não te esqueças que, antes de seres doente, já eras contribuinte. Agora passas a ser um contribuinte mais empoderado. Se virmos as coisas da perspectiva do marketing (social), tu passas a ter o estatuto de cliente. E o cliente manda: em cima o cliente, em baixo o presidente!
8. Em boa verdade a lista tem tudo o que precisas. Tu e o resto da tua família. Em qualquer parte da Eurolândia. E também te pode ser útil quando fores de viagem-de-férias-cá-dentro para ... a Costa da Caparica:
Activarol - "Prá...Memória"
Agiolax - "Pra...Cagar"
Aspirina - "Prá...Tola"
Benurom - "Prá...Tosse"
Buscopam - "Prás...Dores"
Cêgripe - "Pró...Vírus"
Colgate - "Prós...Dentes"
Cozaar - "Prá...Tensão"
Gerproct - "Pró...Cú"
Kompensam - "Prá...Azia"
Lauroderme talco - "Prós...Túbaros"
Nazex - "Pró...Penca"
Pancreoflat - "Prós...Gases"
Pers. Control - "Prá...Piça"
Reumon Gel - "Pró...Caruncho"
Soro - "Prá...Veia”
Tampax - "Prá...Rata"
Tantum Verde - "Prá...Boca"
Valium - "Pró..Óo"
Viagra - "Prá...Tusa"
Xanax - "´Pró...Stresse"
PS - Guarda a lista na tua mesinha de cabeceira e cuidado com as escutas! Que a Judite quando se põe à escuta, não olha para a tua conta da Portugal Telecom (se for fixo).
Rendi-me à evidência: a famigerada lista até me parece útil. Sobretudo quando a gente tiver uma dor... na tola. Antigamente um portuga ia ao médico e depois à farmácia. Agora o felizardo do eurolandês vai direitinhinho à botica e, em vez de uma embalagem de Aspirina, pede uma caixa "Prá...Tola". Se o problema é ligeiramente mais abaixo e a gente anda a fungar do nariz, não precisamos de mais nada: "Um Prá...Penca, xáxa favor"... Se o problema é ainda mais grave (ali do foro do departamento das partes baixas...), nada como desinibidamente pedir à afável, prestável e poliglota boticária um "Prá...Tusa". Funciona em toda a parte, da Suécia dos vikings à Grécia dos armadores.
2. Pode não dar milhões, mas é fácil e barato. E, como se diz agora, mais conveniente: pensando bem, eu já não preciso de estar na bicha do centro de saúde (ficam com mais tempo patra serem atendidos os pobrezinhos, os velhinhos e os imigras). Também já não precisar de cravar um médico amoigo nem muito menos pagar a um doutor com consultório nas avenidas novas. Com os genéricos, é o triunfo do conceito do sirva-se a si mesmo! É o empowerment do Zé Portuga, dizem os sociólogos de serviço!
3. Além disso, esta lista é uma excelente mneumómica: depressa uma pessoa a decora. É como os provérbios: durante milhares de anos, eles funcionaram às mil e uma maravilhas como formas escolásticas, sincréticas e totalitárias de pensamento. Faz-me lembrar os tempos da escola do Conde de Ferreira onde eu andei. A gente tinha que saber de cor os nomes dos reis de todas dinastias, com os respectivos cognomes (Eu engava-me sempre no Sancho Pança!)... Percebo agora, meio século depois, qual é o verdadeiro sentido pedagógico do aprender-de-cor(ação).
4. Ela, a lista, vem antecedida dos nomes comerciais que a tua médica de família (ainda te lembras dela ?) te costumava receitar. Ele(s), o(s) médico(s), agora até pode(m) ser castelhano(s) e falar portunhol. Não faz mal. Cada vez é/são mais dispensável/éis. O médico, os médicos. Ora isso não é bom ? É o empowerment do Zé Portuga, agora senhor eurolandês, dizem os euro-sociólogos de serviço em Bruxelas.
5. Com a nova lista dos medicamentos genéricos, tu estás preparado para enfrentar os desafios da saúde (i) na economia global e (ii) na sociedade da informação e do conhecimento. É bom recordar que não há conhecimento sem informação; nem informação sem dados (primários).
Podes viajar para os limites da Eurolândia. Podes até mudar de galáxia, que o genérico é mesmo universal. E chegou para ficar. É a maior revolução depois da de Copérnico, Gutenberg, Pasteur, Einstein, Watson & Crick... Aqui eu paro porque de repente perdi a lista dos revolucionários ou a minha capacidade para os seguir. atrás do estandarte.
O que vos posso garantir é que (i) eu confio nos genéricos, (ii) o Dr. Copérnico também confia nos genéricos, (iii) tu confias nos genéricos, (iv) a minha médica de família confia nos genéricos, (v) nós confiamos nos genéricos... O ministro Luís Filipe Perereira e os seus assessores mais íntimos também. A indústria farmacêutica não sei.
6. Repara: com o genérico, aumentou a tua literacia em saúde. O genérico é o princípio da medicina ao alcance de todos. Tu tornas-te um generalista. Um verdadeiro generalista. O genérico é a realização do princípio constitucional do direito à saúde, estás a ver ? Com o genérico, tu ficas mais empoderado. Não sabes o que é ? Vem de empoderamento, do inglês empowerment. Antigamente eras um incapacitado. Agora com o empoderamento, tu ficas com capacitação. É isso. It's magic, guy!...
Não percebeste ? Então, merda, andei práqui a gastar o meu latim. É um bocado difícil de explicar melhor explicadinho. O que importa é que o empoderamento é bom para ti, para o sistema de saúde e para o Governo, que se preocupa contigo. É bom para a Eurolândia. É bom para o ex-Zé Portuga, agora eurolandês.
7. Um utente da saúde empoderado vale por dois e dispensa muito bom médico, enfermeiro, psicólogo, psiquiatra, técnico psicossocial, piscoterapeuta, nutricionista, gestor de saúde, gestor de seguros de saúde, maqueiro, abutre, coveiro. Não te esqueças que, antes de seres doente, já eras contribuinte. Agora passas a ser um contribuinte mais empoderado. Se virmos as coisas da perspectiva do marketing (social), tu passas a ter o estatuto de cliente. E o cliente manda: em cima o cliente, em baixo o presidente!
8. Em boa verdade a lista tem tudo o que precisas. Tu e o resto da tua família. Em qualquer parte da Eurolândia. E também te pode ser útil quando fores de viagem-de-férias-cá-dentro para ... a Costa da Caparica:
Activarol - "Prá...Memória"
Agiolax - "Pra...Cagar"
Aspirina - "Prá...Tola"
Benurom - "Prá...Tosse"
Buscopam - "Prás...Dores"
Cêgripe - "Pró...Vírus"
Colgate - "Prós...Dentes"
Cozaar - "Prá...Tensão"
Gerproct - "Pró...Cú"
Kompensam - "Prá...Azia"
Lauroderme talco - "Prós...Túbaros"
Nazex - "Pró...Penca"
Pancreoflat - "Prós...Gases"
Pers. Control - "Prá...Piça"
Reumon Gel - "Pró...Caruncho"
Soro - "Prá...Veia”
Tampax - "Prá...Rata"
Tantum Verde - "Prá...Boca"
Valium - "Pró..Óo"
Viagra - "Prá...Tusa"
Xanax - "´Pró...Stresse"
PS - Guarda a lista na tua mesinha de cabeceira e cuidado com as escutas! Que a Judite quando se põe à escuta, não olha para a tua conta da Portugal Telecom (se for fixo).
Humor com humor se paga - II: O triunfo dos genéricos!
1. Como o mundo está a mudar, meu Deus!... E a que velocidade (estonteante)!... E a que preço (exorbitante)!... Não foi sem grande espanto e com maior falta de pudor, que eu vi os nomes dos medicamentos genéricos que o senhor Ministro da Saúde mandou publicar no agora Diário da Região Lusitana (ex-Diário da República Portuguesa). Esqueci-me de que já estávamos, pobres mas felizes, na Eurolândia. Desde 1986, dizem-me uns. Desde sempre, dizem-me outros.
Rendi-me à evidência: a famigerada lista até me parece útil. Sobretudo quando a gente tiver uma dor... na tola. Antigamente um portuga ia ao médico e depois à farmácia. Agora o felizardo do eurolandês vai direitinhinho à botica e, em vez de uma embalagem de Aspirina, pede uma caixa "Prá...Tola". Se o problema é ligeiramente mais abaixo e a gente anda a fungar do nariz, não precisamos de mais nada: "Um Prá...Penca, xáxa favor"... Se o problema é ainda mais grave (ali do foro do departamento das partes baixas...), nada como desinibidamente pedir à afável, prestável e poliglota boticária um "Prá...Tusa". Funciona em toda a parte, da Suécia dos vikings à Grécia dos armadores.
2. Pode não dar milhões, mas é fácil e barato. E, como se diz agora, mais conveniente: pensando bem, eu já não preciso de estar na bicha do centro de saúde (ficam com mais tempo patra serem atendidos os pobrezinhos, os velhinhos e os imigras). Também já não precisar de cravar um médico amoigo nem muito menos pagar a um doutor com consultório nas avenidas novas. Com os genéricos, é o triunfo do conceito do sirva-se a si mesmo! É o empowerment do Zé Portuga, dizem os sociólogos de serviço!
3. Além disso, esta lista é uma excelente mneumómica: depressa uma pessoa a decora. É como os provérbios: durante milhares de anos, eles funcionaram às mil e uma maravilhas como formas escolásticas, sincréticas e totalitárias de pensamento. Faz-me lembrar os tempos da escola do Conde de Ferreira onde eu andei. A gente tinha que saber de cor os nomes dos reis de todas dinastias, com os respectivos cognomes (Eu engava-me sempre no Sancho Pança!)... Percebo agora, meio século depois, qual é o verdadeiro sentido pedagógico do aprender-de-cor(ação).
4. Ela, a lista, vem antecedida dos nomes comerciais que a tua médica de família (ainda te lembras dela ?) te costumava receitar. Ele(s), o(s) médico(s), agora até pode(m) ser castelhano(s) e falar portunhol. Não faz mal. Cada vez é/são mais dispensável/éis. O médico, os médicos. Ora isso não é bom ? É o empowerment do Zé Portuga, agora senhor eurolandês, dizem os euro-sociólogos de serviço em Bruxelas.
5. Com a nova lista dos medicamentos genéricos, tu estás preparado para enfrentar os desafios da saúde (i) na economia global e (ii) na sociedade da informação e do conhecimento. É bom recordar que não há conhecimento sem informação; nem informação sem dados (primários).
Podes viajar para os limites da Eurolândia. Podes até mudar de galáxia, que o genérico é mesmo universal. E chegou para ficar. É a maior revolução depois da de Copérnico, Gutenberg, Pasteur, Einstein, Watson & Crick... Aqui eu paro porque de repente perdi a lista dos revolucionários ou a minha capacidade para os seguir. atrás do estandarte.
O que vos posso garantir é que (i) eu confio nos genéricos, (ii) o Dr. Copérnico também confia nos genéricos, (iii) tu confias nos genéricos, (iv) a minha médica de família confia nos genéricos, (v) nós confiamos nos genéricos... O ministro Luís Filipe Perereira e os seus assessores mais íntimos também. A indústria farmacêutica não sei.
6. Repara: com o genérico, aumentou a tua literacia em saúde. O genérico é o princípio da medicina ao alcance de todos. Tu tornas-te um generalista. Um verdadeiro generalista. O genérico é a realização do princípio constitucional do direito à saúde, estás a ver ? Com o genérico, tu ficas mais empoderado. Não sabes o que é ? Vem de empoderamento, do inglês empowerment. Antigamente eras um incapacitado. Agora com o empoderamento, tu ficas com capacitação. É isso. It's magic, guy!...
Não percebeste ? Então, merda, andei práqui a gastar o meu latim. É um bocado difícil de explicar melhor explicadinho. O que importa é que o empoderamento é bom para ti, para o sistema de saúde e para o Governo, que se preocupa contigo. É bom para a Eurolândia. É bom para o ex-Zé Portuga, agora eurolandês.
7. Um utente da saúde empoderado vale por dois e dispensa muito bom médico, enfermeiro, psicólogo, psiquiatra, técnico psicossocial, piscoterapeuta, nutricionista, gestor de saúde, gestor de seguros de saúde, maqueiro, abutre, coveiro. Não te esqueças que, antes de seres doente, já eras contribuinte. Agora passas a ser um contribuinte mais empoderado. Se virmos as coisas da perspectiva do marketing (social), tu passas a ter o estatuto de cliente. E o cliente manda: em cima o cliente, em baixo o presidente!
8. Em boa verdade a lista tem tudo o que precisas. Tu e o resto da tua família. Em qualquer parte da Eurolândia. E também te pode ser útil quando fores de viagem-de-férias-cá-dentro para ... a Costa da Caparica:
Activarol - "Prá...Memória"
Agiolax - "Pra...Cagar"
Aspirina - "Prá...Tola"
Benurom - "Prá...Tosse"
Buscopam - "Prás...Dores"
Cêgripe - "Pró...Vírus"
Colgate - "Prós...Dentes"
Cozaar - "Prá...Tensão"
Gerproct - "Pró...Cú"
Kompensam - "Prá...Azia"
Lauroderme talco - "Prós...Túbaros"
Nazex - "Pró...Penca"
Pancreoflat - "Prós...Gases"
Pers. Control - "Prá...Piça"
Reumon Gel - "Pró...Caruncho"
Soro - "Prá...Veia”
Tampax - "Prá...Rata"
Tantum Verde - "Prá...Boca"
Valium - "Pró..Óo"
Viagra - "Prá...Tusa"
Xanax - "´Pró...Stresse"
PS - Guarda a lista na tua mesinha de cabeceira e cuidado com as escutas! Que a Judite quando se põe à escuta, não olha para a tua conta da Portugal Telecom (se for fixo).
Rendi-me à evidência: a famigerada lista até me parece útil. Sobretudo quando a gente tiver uma dor... na tola. Antigamente um portuga ia ao médico e depois à farmácia. Agora o felizardo do eurolandês vai direitinhinho à botica e, em vez de uma embalagem de Aspirina, pede uma caixa "Prá...Tola". Se o problema é ligeiramente mais abaixo e a gente anda a fungar do nariz, não precisamos de mais nada: "Um Prá...Penca, xáxa favor"... Se o problema é ainda mais grave (ali do foro do departamento das partes baixas...), nada como desinibidamente pedir à afável, prestável e poliglota boticária um "Prá...Tusa". Funciona em toda a parte, da Suécia dos vikings à Grécia dos armadores.
2. Pode não dar milhões, mas é fácil e barato. E, como se diz agora, mais conveniente: pensando bem, eu já não preciso de estar na bicha do centro de saúde (ficam com mais tempo patra serem atendidos os pobrezinhos, os velhinhos e os imigras). Também já não precisar de cravar um médico amoigo nem muito menos pagar a um doutor com consultório nas avenidas novas. Com os genéricos, é o triunfo do conceito do sirva-se a si mesmo! É o empowerment do Zé Portuga, dizem os sociólogos de serviço!
3. Além disso, esta lista é uma excelente mneumómica: depressa uma pessoa a decora. É como os provérbios: durante milhares de anos, eles funcionaram às mil e uma maravilhas como formas escolásticas, sincréticas e totalitárias de pensamento. Faz-me lembrar os tempos da escola do Conde de Ferreira onde eu andei. A gente tinha que saber de cor os nomes dos reis de todas dinastias, com os respectivos cognomes (Eu engava-me sempre no Sancho Pança!)... Percebo agora, meio século depois, qual é o verdadeiro sentido pedagógico do aprender-de-cor(ação).
4. Ela, a lista, vem antecedida dos nomes comerciais que a tua médica de família (ainda te lembras dela ?) te costumava receitar. Ele(s), o(s) médico(s), agora até pode(m) ser castelhano(s) e falar portunhol. Não faz mal. Cada vez é/são mais dispensável/éis. O médico, os médicos. Ora isso não é bom ? É o empowerment do Zé Portuga, agora senhor eurolandês, dizem os euro-sociólogos de serviço em Bruxelas.
5. Com a nova lista dos medicamentos genéricos, tu estás preparado para enfrentar os desafios da saúde (i) na economia global e (ii) na sociedade da informação e do conhecimento. É bom recordar que não há conhecimento sem informação; nem informação sem dados (primários).
Podes viajar para os limites da Eurolândia. Podes até mudar de galáxia, que o genérico é mesmo universal. E chegou para ficar. É a maior revolução depois da de Copérnico, Gutenberg, Pasteur, Einstein, Watson & Crick... Aqui eu paro porque de repente perdi a lista dos revolucionários ou a minha capacidade para os seguir. atrás do estandarte.
O que vos posso garantir é que (i) eu confio nos genéricos, (ii) o Dr. Copérnico também confia nos genéricos, (iii) tu confias nos genéricos, (iv) a minha médica de família confia nos genéricos, (v) nós confiamos nos genéricos... O ministro Luís Filipe Perereira e os seus assessores mais íntimos também. A indústria farmacêutica não sei.
6. Repara: com o genérico, aumentou a tua literacia em saúde. O genérico é o princípio da medicina ao alcance de todos. Tu tornas-te um generalista. Um verdadeiro generalista. O genérico é a realização do princípio constitucional do direito à saúde, estás a ver ? Com o genérico, tu ficas mais empoderado. Não sabes o que é ? Vem de empoderamento, do inglês empowerment. Antigamente eras um incapacitado. Agora com o empoderamento, tu ficas com capacitação. É isso. It's magic, guy!...
Não percebeste ? Então, merda, andei práqui a gastar o meu latim. É um bocado difícil de explicar melhor explicadinho. O que importa é que o empoderamento é bom para ti, para o sistema de saúde e para o Governo, que se preocupa contigo. É bom para a Eurolândia. É bom para o ex-Zé Portuga, agora eurolandês.
7. Um utente da saúde empoderado vale por dois e dispensa muito bom médico, enfermeiro, psicólogo, psiquiatra, técnico psicossocial, piscoterapeuta, nutricionista, gestor de saúde, gestor de seguros de saúde, maqueiro, abutre, coveiro. Não te esqueças que, antes de seres doente, já eras contribuinte. Agora passas a ser um contribuinte mais empoderado. Se virmos as coisas da perspectiva do marketing (social), tu passas a ter o estatuto de cliente. E o cliente manda: em cima o cliente, em baixo o presidente!
8. Em boa verdade a lista tem tudo o que precisas. Tu e o resto da tua família. Em qualquer parte da Eurolândia. E também te pode ser útil quando fores de viagem-de-férias-cá-dentro para ... a Costa da Caparica:
Activarol - "Prá...Memória"
Agiolax - "Pra...Cagar"
Aspirina - "Prá...Tola"
Benurom - "Prá...Tosse"
Buscopam - "Prás...Dores"
Cêgripe - "Pró...Vírus"
Colgate - "Prós...Dentes"
Cozaar - "Prá...Tensão"
Gerproct - "Pró...Cú"
Kompensam - "Prá...Azia"
Lauroderme talco - "Prós...Túbaros"
Nazex - "Pró...Penca"
Pancreoflat - "Prós...Gases"
Pers. Control - "Prá...Piça"
Reumon Gel - "Pró...Caruncho"
Soro - "Prá...Veia”
Tampax - "Prá...Rata"
Tantum Verde - "Prá...Boca"
Valium - "Pró..Óo"
Viagra - "Prá...Tusa"
Xanax - "´Pró...Stresse"
PS - Guarda a lista na tua mesinha de cabeceira e cuidado com as escutas! Que a Judite quando se põe à escuta, não olha para a tua conta da Portugal Telecom (se for fixo).
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