05 novembro 2003

Saúde & Segurança no Trabalho - VII: O relatório anual dos serviços (4)

O país do viva-o-pipi, morra-o-bibi!



É porventura um sinal dos tempos a atitude de descrença, de desânimo, de frustação ou tão só de cinismo com que muitas pessoas (e algumas até com responsabilidade na administração da saúde e do trabalho) olham para o famigerado relatório anual da actividade dos serviços de SH&ST.



Tenho ouvido as mais variadas expressões, em geral carregadas de negatividade crítica. Não estou nada preocupada. Penso, enquanto blogo, que é bom, é higiénico, é saudável e sobretudo é mais seguro que fiquem aqui registadas. Aqui, no blog(ue)-fora-nada... Um dia destes vão parar ao grande caixote do lixo do ciberespaço que no planeta azul já não cabe tanta merda.



Para a petit histoire das lusitanas gentes e das suas lusitaníssimas mentalidades. E ao cuidado, pois claro, dos sociológos de serviço, a quem compete observar, medir, analisar, comparar e, se possível (velha utopia desta corporação de ofício!), mudar a espuma que escorre deste(s) dia(s):



- "É um aborto, o relatório!"

- "O melhor é esquecê-lo!"

- "Uma nova fonte de negócio para os especialistas de vão de escada que vivem das sobras da burocracia, preenchendo a papelada às pessoas"

- "Ninguém sabe para que serve"

- "O que é que o delegado de saúde da minha zona vai fazer com centenas ou milhares de relatórios em cima da secretária ?"

- "Fizeram sair a portaria, mas esqueceram-se do sistema de informação"

- "As estatísticas são uma máquina de fazer chouriços"

- "Já tínhamos três fontes de informação administrativa sobre os acidentes de trabalho: a do Ministério do Trabalho, a dos tribunais e a dos seguros; agora passamos a ter uma quarta"

- "Quem controla a veracidade das declarações ? Os trabalhadores não são ouvidos nem chamados"

- "O defunto IDICT não foi capaz de fazer o processo de acreditação das empresas prestadoras de serviços externos de segurança, higiene e saúde no trabalho, como é que vai agora tratar as centenas de milhares de relatórios que aí vêm?"

- "É um absurdo exigir às 300 e tal autarquias (das quais só 10% cumprem as prescrições mínimas em matéria de higiene e segurança no trabalho) que entrregam tantos relatórios quantos os estabelecimentos ou locais de trabalho existentes"

- "O Serviço Nacional de Saúde vai fazer o relatório dos pescadores em regime de companha, dos agricultores, dos artesãos, dos trabalhadores independentes, das micro-empresas ?"

- "As empresas vão fazer show off"

- "Deixem o mercado funcionar"

- "A Inspecção do Trabalho não vai chatear ninguém"

- "Desde quando a saúde pública se interessou pela saúde ocupacional?", etc.



Não sei se isto é uma reacção (imunopatológica) dos portugas quando são confrontadas com pequenas ou grandes mudanças que vão mexer nas suas pequenas ou grandes certezas... O problema, se calhar, nem é tanto esse: eu vejo sobretudo nestas atitudes o reflexo das consequências perversas das frustação das expectativas alimentadas desde 1991 em relação à área da SH&ST... E tu, ciberleitor deste blogue ? Não pensas nem blogas ? Se não blogas, não existes, neste país do viva-o-pipi, morra-o-bibi!

Saúde & Segurança no Trabalho - VII: O relatório anual dos serviços (4)

O país do viva-o-pipi, morra-o-bibi!

É porventura um sinal dos tempos a atitude de descrença, de desânimo, de frustação ou tão só de cinismo com que muitas pessoas (e algumas até com responsabilidade na administração da saúde e do trabalho) olham para o famigerado relatório anual da actividade dos serviços de SH&ST.

Tenho ouvido as mais variadas expressões, em geral carregadas de negatividade crítica. Não estou nada preocupada. Penso, enquanto blogo, que é bom, é higiénico, é saudável e sobretudo é mais seguro que fiquem aqui registadas. Aqui, no blog(ue)-fora-nada... Um dia destes vão parar ao grande caixote do lixo do ciberespaço que no planeta azul já não cabe tanta merda.

Para a petit histoire das lusitanas gentes e das suas lusitaníssimas mentalidades. E ao cuidado, pois claro, dos sociológos de serviço, a quem compete observar, medir, analisar, comparar e, se possível (velha utopia desta corporação de ofício!), mudar a espuma que escorre deste(s) dia(s):

- "É um aborto, o relatório!"
- "O melhor é esquecê-lo!"
- "Uma nova fonte de negócio para os especialistas de vão de escada que vivem das sobras da burocracia, preenchendo a papelada às pessoas"
- "Ninguém sabe para que serve"
- "O que é que o delegado de saúde da minha zona vai fazer com centenas ou milhares de relatórios em cima da secretária ?"
- "Fizeram sair a portaria, mas esqueceram-se do sistema de informação"
- "As estatísticas são uma máquina de fazer chouriços"
- "Já tínhamos três fontes de informação administrativa sobre os acidentes de trabalho: a do Ministério do Trabalho, a dos tribunais e a dos seguros; agora passamos a ter uma quarta"
- "Quem controla a veracidade das declarações ? Os trabalhadores não são ouvidos nem chamados"
- "O defunto IDICT não foi capaz de fazer o processo de acreditação das empresas prestadoras de serviços externos de segurança, higiene e saúde no trabalho, como é que vai agora tratar as centenas de milhares de relatórios que aí vêm?"
- "É um absurdo exigir às 300 e tal autarquias (das quais só 10% cumprem as prescrições mínimas em matéria de higiene e segurança no trabalho) que entrregam tantos relatórios quantos os estabelecimentos ou locais de trabalho existentes"
- "O Serviço Nacional de Saúde vai fazer o relatório dos pescadores em regime de companha, dos agricultores, dos artesãos, dos trabalhadores independentes, das micro-empresas ?"
- "As empresas vão fazer show off"
- "Deixem o mercado funcionar"
- "A Inspecção do Trabalho não vai chatear ninguém"
- "Desde quando a saúde pública se interessou pela saúde ocupacional?", etc.

Não sei se isto é uma reacção (imunopatológica) dos portugas quando são confrontadas com pequenas ou grandes mudanças que vão mexer nas suas pequenas ou grandes certezas... O problema, se calhar, nem é tanto esse: eu vejo sobretudo nestas atitudes o reflexo das consequências perversas das frustação das expectativas alimentadas desde 1991 em relação à área da SH&ST... E tu, ciberleitor deste blogue ? Não pensas nem blogas ? Se não blogas, não existes, neste país do viva-o-pipi, morra-o-bibi!

04 novembro 2003

Saúde & Segurança do Trabalho - VI: O relatório anual dos serviços (3)

Não à balcanização!

Desta vez a Direcção Geral da Saúde, através da sua Divisão de Saúde Ocupacional, bateu o IDICT. Um a zero. Refiro-me à disponibilização, em Junho de 2003, de informação on line sobre o preenchimento do Relatório Anual da Actividade do(s) Serviço(s) de SH&ST.

Trata-se de informação prestada às empresas, embora dizendo apenas respeito à área da saúde e incluindo itens como: (i) Pessoal dos serviços de SH&ST – Médicos do trabalho e enfermeiros; (ii) Actividades dos serviços de SH&ST – Formação do pessoal; (iii) Actividades desenvolvidas no âmbito da saúde no trabalho – exames de admissão, periódicos e ocasionais; (iv) Actividades desenvolvidas no âmbito da saúde no trabalho – exames complementares; (v) Promoção da saúde e educação para a saúde no trabalho; (vi) Doenças profissionais de declaração obrigatória.

Sobre a promoção e a educação para saúde o escriva de serviço exarou a seguinte doutrina: “A educação para a saúde refere-se à transmissão de conhecimentos e ao processo de aprendizagem em saúde que permita a cada pessoa melhorar o seu estado de saúde e o dos outros”. Quanto à promoção da saúde, ela é entendida como “um processo que permite aos trabalhadores, e às pessoas em geral, melhorar o controlo sobre sua saúde”.

Até aqui nada de novo. O que pode constituir novidade, para os empregadores e outros leigos, é o aparente enriquecimento do conceito: a promoção da saúde não se resume só a “acções de formação” (sic), abrange também “actividades desenvolvidas na empresa, que permitem aos trabalhadores modificar comportamentos nocivos à saúde, tais como o uso do tabaco, do álcool, da falta de actividade física (sedentarismo) e hábitos alimentares errados, entre outros”.

Segundo o sítio da Direcção Geral de Saúde, no campo 4.1 do relatório deve listar-se “o tipo de actividades desenvolvidas, como por exemplo, formação em sala, grupos de trabalho, criação de grupos de não fumadores, sessões ao ar livre, actividades desportivas, etc.”. Por seu turno, no campo 4.4 deverão ser listados os temas abordados “tais como educação alimentar, formas de abandono do uso do tabaco, prática regular de actividade física, etc.”.

Registe-se, em todo o caso, que na abordagem da saúde pública a promoção da saúde no trabalho centra-se fundamentalmente na (i) prevenção de comportamentos de risco para a saúde” (por ex., tabagismo, sedentarismo) e (ii) promoção de estilos de vida saudável (por ex., não fumar, fazer exercíco físico). Pessoalmente, acho que esta abordagem peca por ser redutora, mas isso é outra história que fica para outra vez.

Sem deixar de dar os parabéns aos responsáveis por estes conteúdos informativos, tenho que lamentar, aqui e agora, o facto de a administração do trabalho e da saúde não terem conseguido concertar esforços de modo a produzir e a apresentar em conjunto instruções específicas para o preenchimento do modelo nº 1714 da Imprensa Nacional Casa da Moeda. Na página do IDICT encontrei apenas a seguinte lacónica informação: “Aguarda-se a publicação de um Despacho do MSST e Ministério da Saúde que prorroga o prazo de entrega do modelo do Relatório Anual até 30 de Outubro”.

O visitante (não avisado, incauto, menos informado...) dos respectivos sítios na Net (agora renovados), poderia ficar, lamentavelmente, com a ideia de que a saúde e a segurança no trabalho (i) não são a face da mesma moeda e que (ii) têm tutelas distintas, respectivamente a Direcção-Geral de Saúde e IDICT. A ser verdade, estaríamos então perante uma verdadeira balcanização da saúde e da segurança da população trabalhadora. E tal como noutras situações (históricas e mais trágicas) de balcanização, ninguém ganha com isso. As empresas, os trabalhadores e o país não têm nada a ganhar com estas demarcações de território na gestão da coisa pública...

Para ridículo e desprestígio destas duas administrações, já basta este modelo de relatório ter levado meia dúzia de anos (!) a ser pensado, desenhado, elaborado e finalmente aprovado por um simples portaria conjunta dos ministérios da tutela. O país não pode esperar meia dúzia de anos por decisões administrativas deste tipo nem muito menos dar-se ao luxo de balcanizar a saúde e a segurança da sua população activa...

Saúde & Segurança do Trabalho - VI: O relatório anual dos serviços (3)

Não à balcanização!

Desta vez a Direcção Geral da Saúde, através da sua Divisão de Saúde Ocupacional, bateu o IDICT. Um a zero. Refiro-me à disponibilização, em Junho de 2003, de informação on line sobre o preenchimento do Relatório Anual da Actividade do(s) Serviço(s) de SH&ST.

Trata-se de informação prestada às empresas, embora dizendo apenas respeito à área da saúde e incluindo itens como: (i) Pessoal dos serviços de SH&ST – Médicos do trabalho e enfermeiros; (ii) Actividades dos serviços de SH&ST – Formação do pessoal; (iii) Actividades desenvolvidas no âmbito da saúde no trabalho – exames de admissão, periódicos e ocasionais; (iv) Actividades desenvolvidas no âmbito da saúde no trabalho – exames complementares; (v) Promoção da saúde e educação para a saúde no trabalho; (vi) Doenças profissionais de declaração obrigatória.

Sobre a promoção e a educação para saúde o escriva de serviço exarou a seguinte doutrina: “A educação para a saúde refere-se à transmissão de conhecimentos e ao processo de aprendizagem em saúde que permita a cada pessoa melhorar o seu estado de saúde e o dos outros”. Quanto à promoção da saúde, ela é entendida como “um processo que permite aos trabalhadores, e às pessoas em geral, melhorar o controlo sobre sua saúde”.

Até aqui nada de novo. O que pode constituir novidade, para os empregadores e outros leigos, é o aparente enriquecimento do conceito: a promoção da saúde não se resume só a “acções de formação” (sic), abrange também “actividades desenvolvidas na empresa, que permitem aos trabalhadores modificar comportamentos nocivos à saúde, tais como o uso do tabaco, do álcool, da falta de actividade física (sedentarismo) e hábitos alimentares errados, entre outros”.

Segundo o sítio da Direcção Geral de Saúde, no campo 4.1 do relatório deve listar-se “o tipo de actividades desenvolvidas, como por exemplo, formação em sala, grupos de trabalho, criação de grupos de não fumadores, sessões ao ar livre, actividades desportivas, etc.”. Por seu turno, no campo 4.4 deverão ser listados os temas abordados “tais como educação alimentar, formas de abandono do uso do tabaco, prática regular de actividade física, etc.”.

Registe-se, em todo o caso, que na abordagem da saúde pública a promoção da saúde no trabalho centra-se fundamentalmente na (i) prevenção de comportamentos de risco para a saúde” (por ex., tabagismo, sedentarismo) e (ii) promoção de estilos de vida saudável (por ex., não fumar, fazer exercíco físico). Pessoalmente, acho que esta abordagem peca por ser redutora, mas isso é outra história que fica para outra vez.

Sem deixar de dar os parabéns aos responsáveis por estes conteúdos informativos, tenho que lamentar, aqui e agora, o facto de a administração do trabalho e da saúde não terem conseguido concertar esforços de modo a produzir e a apresentar em conjunto instruções específicas para o preenchimento do modelo nº 1714 da Imprensa Nacional Casa da Moeda. Na página do IDICT encontrei apenas a seguinte lacónica informação: “Aguarda-se a publicação de um Despacho do MSST e Ministério da Saúde que prorroga o prazo de entrega do modelo do Relatório Anual até 30 de Outubro”.

O visitante (não avisado, incauto, menos informado...) dos respectivos sítios na Net (agora renovados), poderia ficar, lamentavelmente, com a ideia de que a saúde e a segurança no trabalho (i) não são a face da mesma moeda e que (ii) têm tutelas distintas, respectivamente a Direcção-Geral de Saúde e IDICT. A ser verdade, estaríamos então perante uma verdadeira balcanização da saúde e da segurança da população trabalhadora. E tal como noutras situações (históricas e mais trágicas) de balcanização, ninguém ganha com isso. As empresas, os trabalhadores e o país não têm nada a ganhar com estas demarcações de território na gestão da coisa pública...

Para ridículo e desprestígio destas duas administrações, já basta este modelo de relatório ter levado meia dúzia de anos (!) a ser pensado, desenhado, elaborado e finalmente aprovado por um simples portaria conjunta dos ministérios da tutela. O país não pode esperar meia dúzia de anos por decisões administrativas deste tipo nem muito menos dar-se ao luxo de balcanizar a saúde e a segurança da sua população activa...

03 novembro 2003

Saúde & Segurança do Trabalho - V: O relatório anual dos serviços (2)

De J.M.R., recebi este comentário:

1. Globalmente considero que é positivo obrigar as empresas a prestar contas. O interesse é ou deveria ser de todos, a começar pelos empregadores e gestores que têm subestimado esta função. Na minha empresa, quando eles querem tramar alguém mandam-no para a segurança. Já discuti isto com colegas, se não será mesmo uma forma de assédio ou discriminação... Quanto ao relatório, só tenho uma crítica a fazer: vê-se mesmo que não consultaram as pessoas que estão no terreno.

2. Quanto ao resto, ninguém sabe o que vão fazer dos relatórios... Do relatório em suporte de papel, não vão fazer absolutamente nada, segundo ouvi dizer há dias... Do relatório em suporte informático, talvez façam uma pequena exploração estatística. Para quem perdeu muitas horas de sono, como você diz, a preencher relatórios nestas últimas semanas, é capaz de ser uma notícia um bocado frustrante... No meu caso dei uma cópia à comissão de higiene, segurança e ambiente. Pode ser que eles achem alguma piada à coisa.
J.M.R.

Saúde & Segurança do Trabalho - V: O relatório anual dos serviços (2)

De J.M.R., recebi este comentário:

1. Globalmente considero que é positivo obrigar as empresas a prestar contas. O interesse é ou deveria ser de todos, a começar pelos empregadores e gestores que têm subestimado esta função. Na minha empresa, quando eles querem tramar alguém mandam-no para a segurança. Já discuti isto com colegas, se não será mesmo uma forma de assédio ou discriminação... Quanto ao relatório, só tenho uma crítica a fazer: vê-se mesmo que não consultaram as pessoas que estão no terreno.

2. Quanto ao resto, ninguém sabe o que vão fazer dos relatórios... Do relatório em suporte de papel, não vão fazer absolutamente nada, segundo ouvi dizer há dias... Do relatório em suporte informático, talvez façam uma pequena exploração estatística. Para quem perdeu muitas horas de sono, como você diz, a preencher relatórios nestas últimas semanas, é capaz de ser uma notícia um bocado frustrante... No meu caso dei uma cópia à comissão de higiene, segurança e ambiente. Pode ser que eles achem alguma piada à coisa.
J.M.R.

Saúde & Segurança do Trabalho - IV: O relatório anual dos serviços (1)

Acabou em 31 de Outubro de 2003 o prazo para entrega do relatório anual da actividade do(s) serviço(s) de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST).

Durante as últimas semanas, muitos dos médicos do trabalho e demais profissionais que trabalham nesta área não terão feito outra coisa senão coligir, muito provavelmente à pressa, os dados que são exigidos aos empregadores de modo a poderem prestar contas do seu desempenho, durante o ano de 2002, em matéria de prevenção dos riscos profissionais e de promoção da saúde dos seus trabalhadores.

Pessoalmente, considero que se deu um passo em frente no desenvolvimento sistema de gestão da SH&ST. Não sei se é grande, se é pequeno. Sei apenas que é um passo, e que é sempre por um passo que começam todos os projectos.

Os mais críticos e pessimistas dir-me-ão que o modelo de relatório, aprovado pela Portaria nº 1184/2002, de 29 de Agosto de 2002, surge com um atraso de meia dúzia de anos... Deixá-lo, sempre vale mais tarde do que nunca... O que importa agora é saber o que vamos fazer com ele. Ora isso é uma decisão que nos escapa, estando nas mãos da administração do trabalho (e, em muito menor grau, da saúde).

Recorde-se que o relatório podia ser entregue em suporte informático; aliás, devia sê-lo, no caso das empresas com 50 ou mais trabalhadores; e em suporte de papel nos restantes casos. Até aqui tudo bem. O problema é que terão que ser elaborados tantos relatórios quanto o número de estabelecimentos.

Um médico disse-me que o seu serviço de saúde/medicina do trabalho tinha mandado, por e-mail, tantos relatórios quantas as agências do respectivo banco: qualquer coisa como quatro centenas... Esta exigência é que me parece excessiva, desmesurada, burocrática... A recolha e o tratamento da informação custam muito dinheiro às empresas e demais entidades patronais. Há um risco, que não foi calculado por parte da administração do trabalho e da saúde, de se fazer relatórios em série, através da técnica do “copy & paste”...

Por outro lado, o preenchimento do relatório é complexo e moroso. Dada a estrutura do tecido empresarial português (constituído em mais de 99.5% dos casos por MPE, ou sejam, empresas de pequeníssima e pequena dimensão), justificar-se-ia a existência de dois modelos de relatório da actividade anual dos serviços de SH&ST, sendo um deles simplificado. Vamos até mais longe, sugerindo que o relatório simplificado possa ser entregue por todas as empresas com menos de 100 trabalhadores, ou sejam, todas as empresas não sujeitas à obrigação da enrtrega do Balanço Social.

Todos os leitores do meu blogue estão convidados a participar na discussão sobre este tema, que já foi de resto objecto de uma mesa-redonda, no VII Fórum Nacional da Medicina do Trabalho, no passado dia 31 de Outubro de 2003, em Lisboa, na Culturgest. A discussão tanto pode ser centrada no conteúdo do relatório como nos possíveis outputs, resultantes do seu tratamento... Escrevam para a minha caixa de correio.

Para já sabe-se que, em relação ao exercício de 2002, só irão ser tratados, pelo Departamento de Estatísticas, Estudos e Planeamento do Ministério da Segurança Social e do Trabalho (DEEP/MSST), os relatórios enviados em suporte digital. Mas mesmo que seja uma amostra de 10% do total (cerca de 30 mil num universo superior a 300 mil), já é um bom começo...

Resta saber qual é a qualidade da informação dos primeiros relatórios...

Saúde & Segurança do Trabalho - IV: O relatório anual dos serviços (1)

Acabou em 31 de Outubro de 2003 o prazo para entrega do relatório anual da actividade do(s) serviço(s) de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST).

Durante as últimas semanas, muitos dos médicos do trabalho e demais profissionais que trabalham nesta área não terão feito outra coisa senão coligir, muito provavelmente à pressa, os dados que são exigidos aos empregadores de modo a poderem prestar contas do seu desempenho, durante o ano de 2002, em matéria de prevenção dos riscos profissionais e de promoção da saúde dos seus trabalhadores.

Pessoalmente, considero que se deu um passo em frente no desenvolvimento sistema de gestão da SH&ST. Não sei se é grande, se é pequeno. Sei apenas que é um passo, e que é sempre por um passo que começam todos os projectos.

Os mais críticos e pessimistas dir-me-ão que o modelo de relatório, aprovado pela Portaria nº 1184/2002, de 29 de Agosto de 2002, surge com um atraso de meia dúzia de anos... Deixá-lo, sempre vale mais tarde do que nunca... O que importa agora é saber o que vamos fazer com ele. Ora isso é uma decisão que nos escapa, estando nas mãos da administração do trabalho (e, em muito menor grau, da saúde).

Recorde-se que o relatório podia ser entregue em suporte informático; aliás, devia sê-lo, no caso das empresas com 50 ou mais trabalhadores; e em suporte de papel nos restantes casos. Até aqui tudo bem. O problema é que terão que ser elaborados tantos relatórios quanto o número de estabelecimentos.

Um médico disse-me que o seu serviço de saúde/medicina do trabalho tinha mandado, por e-mail, tantos relatórios quantas as agências do respectivo banco: qualquer coisa como quatro centenas... Esta exigência é que me parece excessiva, desmesurada, burocrática... A recolha e o tratamento da informação custam muito dinheiro às empresas e demais entidades patronais. Há um risco, que não foi calculado por parte da administração do trabalho e da saúde, de se fazer relatórios em série, através da técnica do “copy & paste”...

Por outro lado, o preenchimento do relatório é complexo e moroso. Dada a estrutura do tecido empresarial português (constituído em mais de 99.5% dos casos por MPE, ou sejam, empresas de pequeníssima e pequena dimensão), justificar-se-ia a existência de dois modelos de relatório da actividade anual dos serviços de SH&ST, sendo um deles simplificado. Vamos até mais longe, sugerindo que o relatório simplificado possa ser entregue por todas as empresas com menos de 100 trabalhadores, ou sejam, todas as empresas não sujeitas à obrigação da enrtrega do Balanço Social.

Todos os leitores do meu blogue estão convidados a participar na discussão sobre este tema, que já foi de resto objecto de uma mesa-redonda, no VII Fórum Nacional da Medicina do Trabalho, no passado dia 31 de Outubro de 2003, em Lisboa, na Culturgest. A discussão tanto pode ser centrada no conteúdo do relatório como nos possíveis outputs, resultantes do seu tratamento... Escrevam para a minha caixa de correio.

Para já sabe-se que, em relação ao exercício de 2002, só irão ser tratados, pelo Departamento de Estatísticas, Estudos e Planeamento do Ministério da Segurança Social e do Trabalho (DEEP/MSST), os relatórios enviados em suporte digital. Mas mesmo que seja uma amostra de 10% do total (cerca de 30 mil num universo superior a 300 mil), já é um bom começo...

Resta saber qual é a qualidade da informação dos primeiros relatórios...

31 outubro 2003

Humor com humor se paga - V: A verdade (portista) vem sempre ao de cima

Do meu amigo Joaquim Mário, portista dos quatro costados e mais versado que todos nós em matéria teológica por razões de ofício:



Caro Amigo,



Como me desafia em “questões de Fé” (e quem sou eu para me pronunciar acerca disso!), venho contestar, dentro da minha humildade (que pretendo não ser falsa), as afirmações contidas no seu e-mail.



1. Quanto à mulher dar à luz é um facto indesmentível na comum linguagem de Camões, mas como se explicará que a criança chore tanto (quase poderíamos dizer, como o simples concidadão, desalmadamente!) quando é objecto de ter sido dada à luz?



2. Quanto à razão bíblica ela encontra-se completamente infundada visto que nem sequer um apócrifo aceitaria macular a sua pretensão de ser verdadeiro com tamanha e óbvia irrealidade, quanto mais um texto inspirado!



Para memória futura (como agora é hábito dizer) e para que não restem dúvidas, a imagem que no livro do Apocalipse nos é apresentada refere-se a uma besta cor de fogo (que alguns apelidam de dragão – mas também se fala na maçã de Adão e a Bíblia nunca fala de maçã!) com sete cabeças e dez chifres, que, tanto pela cor (mais próxima do encarnado!) como pela configuração, não tem a mínima equiparação com aquele querido e simpático dragão azul que encontra apenas paralelo mais próximo num ursinho de peluche tão benquisto e espontaneamente amado por qualquer criança.



3. O facto de Deus através de Jesus Cristo se ter tornado carne não significa que, grosseiramente, se tenha tornado vermelho!!!



Aliás, a tez característica do povo semita é bastante escura, o que levará a ser considerada uma desvirtuação abjecta querer confundir a incarnação com qualquer coloração mais ou menos clubística.



É com espírito despretensioso que lhe respondo, caro Amigo, apenas para glosar no seu agradável estilo e, claro, para repor a verdade que, sem falsas modéstias, é a que está do meu lado!!!



Para complementar envio, com toda a simpatia, um texto em anexo há tempos recebido e que nos fala sobre Einstein e as suas invulgares capacidades!



Um abraço e até sempre.



Joaquim Mário

(Enviado por e-mail: 30.10.2003)





Albert Einstein, foi a uma festa, e não conhecia ninguém... Logo tentou misturar-se aos convidados:

- Olá, como vai? - Perguntou ele.

- Vou muito bem, obrigado!

- Qual o seu Q.I.?

- 250.

Então logo começou a conversar sobre física quântica, teoria da relatividade, bombas de hidrogénio, etc.



Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:

- Olá, como vai? - Perguntou ele, novamente.

- Eu vou bem, muito obrigado.

- Qual o seu Q.I.?

- 150.

Então, novamente começou a conversar, só que desta vez sobre política, desigualdade social, reforma agrária, etc.



Andou mais um pouco e encontrou uma terceira pessoa:

- Olá, como vai? - Perguntou ele.

- Tô bem!

- Qual o seu Q.I.?

- 100.

Então começou a conversar sobre desemprego, aumento dos combustíveis, Bin Laden, terrorismo, etc.



Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:

- Como está, tudo bem?

- Tá-se!

- Qual o seu Q.I.?

- 50.!!!???

Então começou a falar sobre o Masterplan, Big-brother, Gisela, etc.



Deu mais uma volta e encontrou outra pessoa e perguntou:

- Com vai, tudo bem?

- Iá ...

- Qual o seu Q.I.?

- 10.

- E o seu Benfica, hein??





Humor com humor se paga - V: A verdade (portista) vem sempre ao de cima

Do meu amigo Joaquim Mário, portista dos quatro costados e mais versado que todos nós em matéria teológica por razões de ofício:

Caro Amigo,

Como me desafia em “questões de Fé” (e quem sou eu para me pronunciar acerca disso!), venho contestar, dentro da minha humildade (que pretendo não ser falsa), as afirmações contidas no seu e-mail.

1. Quanto à mulher dar à luz é um facto indesmentível na comum linguagem de Camões, mas como se explicará que a criança chore tanto (quase poderíamos dizer, como o simples concidadão, desalmadamente!) quando é objecto de ter sido dada à luz?

2. Quanto à razão bíblica ela encontra-se completamente infundada visto que nem sequer um apócrifo aceitaria macular a sua pretensão de ser verdadeiro com tamanha e óbvia irrealidade, quanto mais um texto inspirado!

Para memória futura (como agora é hábito dizer) e para que não restem dúvidas, a imagem que no livro do Apocalipse nos é apresentada refere-se a uma besta cor de fogo (que alguns apelidam de dragão – mas também se fala na maçã de Adão e a Bíblia nunca fala de maçã!) com sete cabeças e dez chifres, que, tanto pela cor (mais próxima do encarnado!) como pela configuração, não tem a mínima equiparação com aquele querido e simpático dragão azul que encontra apenas paralelo mais próximo num ursinho de peluche tão benquisto e espontaneamente amado por qualquer criança.

3. O facto de Deus através de Jesus Cristo se ter tornado carne não significa que, grosseiramente, se tenha tornado vermelho!!!

Aliás, a tez característica do povo semita é bastante escura, o que levará a ser considerada uma desvirtuação abjecta querer confundir a incarnação com qualquer coloração mais ou menos clubística.

É com espírito despretensioso que lhe respondo, caro Amigo, apenas para glosar no seu agradável estilo e, claro, para repor a verdade que, sem falsas modéstias, é a que está do meu lado!!!

Para complementar envio, com toda a simpatia, um texto em anexo há tempos recebido e que nos fala sobre Einstein e as suas invulgares capacidades!

Um abraço e até sempre.

Joaquim Mário
(Enviado por e-mail: 30.10.2003)


Albert Einstein, foi a uma festa, e não conhecia ninguém... Logo tentou misturar-se aos convidados:
- Olá, como vai? - Perguntou ele.
- Vou muito bem, obrigado!
- Qual o seu Q.I.?
- 250.
Então logo começou a conversar sobre física quântica, teoria da relatividade, bombas de hidrogénio, etc.

Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:
- Olá, como vai? - Perguntou ele, novamente.
- Eu vou bem, muito obrigado.
- Qual o seu Q.I.?
- 150.
Então, novamente começou a conversar, só que desta vez sobre política, desigualdade social, reforma agrária, etc.

Andou mais um pouco e encontrou uma terceira pessoa:
- Olá, como vai? - Perguntou ele.
- Tô bem!
- Qual o seu Q.I.?
- 100.
Então começou a conversar sobre desemprego, aumento dos combustíveis, Bin Laden, terrorismo, etc.

Andou mais um pouco e encontrou outra pessoa:
- Como está, tudo bem?
- Tá-se!
- Qual o seu Q.I.?
- 50.!!!???
Então começou a falar sobre o Masterplan, Big-brother, Gisela, etc.

Deu mais uma volta e encontrou outra pessoa e perguntou:
- Com vai, tudo bem?
- Iá ...
- Qual o seu Q.I.?
- 10.
- E o seu Benfica, hein??


Estórias com mural ao fundo - XV: A nova filosofia de gestão

Na última empresa em que trabalhei, uma multinacional do sector da indústria alimentar, alguém decidiu um dia que estava na altura de fazer um upgrade do software sócio-organizacional. Contratou-se um novo Chief Executive Officer (CEO) com provas dadas na concorrência. Um tipo duro e duro, ainda jovem, com muito sangue na guelra. A palavra de ordem passou a ser: “Novo estilo de gestão, novo incentivo à produção”.



Mal chegou, fez logo uma minuciosa visita à área fabril, acompanhado do engenheiro de produção e mais os restantes quadros superiores. No armazém encontrou toda a gente a trabalhar, excepto um rapaz, que estava encostado à parede, com as mãos nos bolsos e brinquinho na orelha. O nosso Chief Executive Officer viu logo ali uma boa oportunidade para demonstrar aos colaboradores a sua nova filosofia de gestão em acção, pelo que perguntou ao rapaz:

- Quanto é que você ganha por mês?

- Quatrocentos euros, tirando as gorjetas - respondeu o jovem sem saber do que se tratava. Porquê?



O CEO tirou quatrocentos euros do bolso e deu-os ao rapaz, dizendo:

- Aqui estão o seu salário deste mês. Agora desapareça e nunca mais cá ponha os pés!



O rapaz guardou o dinheiro e arrancou na sua motorizada, sem perceber a razão de ser da sua sorte grande. O nosso administrador, enchendo o peito, perguntou ao grupo de operários, com ar triunfador:

- Afinal o que é este tipo fazia aqui?

- É da pizaria aqui do bairro, senhor engenheiro. Ele veio cá trazer-nos uma piza para o almoço e ficou a ver-nos trabalhar - respondeu um dos operários.



Moral da história: Nada como ver um gestor em acção! Mas em gestão há que prevenir a ejaculação precoce, como diria o mais famoso dos pipis lusos.

Estórias com mural ao fundo - XV: A nova filosofia de gestão

Na última empresa em que trabalhei, uma multinacional do sector da indústria alimentar, alguém decidiu um dia que estava na altura de fazer um upgrade do software sócio-organizacional. Contratou-se um novo Chief Executive Officer (CEO) com provas dadas na concorrência. Um tipo duro e duro, ainda jovem, com muito sangue na guelra. A palavra de ordem passou a ser: “Novo estilo de gestão, novo incentivo à produção”.

Mal chegou, fez logo uma minuciosa visita à área fabril, acompanhado do engenheiro de produção e mais os restantes quadros superiores. No armazém encontrou toda a gente a trabalhar, excepto um rapaz, que estava encostado à parede, com as mãos nos bolsos e brinquinho na orelha. O nosso Chief Executive Officer viu logo ali uma boa oportunidade para demonstrar aos colaboradores a sua nova filosofia de gestão em acção, pelo que perguntou ao rapaz:
- Quanto é que você ganha por mês?
- Quatrocentos euros, tirando as gorjetas - respondeu o jovem sem saber do que se tratava. Porquê?

O CEO tirou quatrocentos euros do bolso e deu-os ao rapaz, dizendo:
- Aqui estão o seu salário deste mês. Agora desapareça e nunca mais cá ponha os pés!

O rapaz guardou o dinheiro e arrancou na sua motorizada, sem perceber a razão de ser da sua sorte grande. O nosso administrador, enchendo o peito, perguntou ao grupo de operários, com ar triunfador:
- Afinal o que é este tipo fazia aqui?
- É da pizaria aqui do bairro, senhor engenheiro. Ele veio cá trazer-nos uma piza para o almoço e ficou a ver-nos trabalhar - respondeu um dos operários.

Moral da história: Nada como ver um gestor em acção! Mas em gestão há que prevenir a ejaculação precoce, como diria o mais famoso dos pipis lusos.

28 outubro 2003

Estórias com mural ao fundo - XIV: País de merda que era aquele!

Esta é uma história absolutamente deliciosa que repesquei do Terravista > Fóruns > Saúde > Saúde & Segurança no Trabalho. Foi escrita pelo Jota Lourenço (também conhecido por JL), em 29/5/2000. Na altura salvei-a do ciberlixo ao guardá-la, provisoriamente, na minha página, numa pequena antologia de citações... O JL era outro cibercidadão que eu gostaria de voltar a (re)encontrar. Lembrei-me dele, desse alentejano do Barreiro, reformado das lides sindicais, animador sociocultural nas horas vagas, neto de ganhão e de anarcossindicalista, a propósito desta história de agora quererem empurrar o ambiente para a agricultura, o mesmo é dizer... para a fileira do eucalipto e para a companhia da celulose. Na altura o JL estava indignado com a triste história da incineração... O resto da intervenção ainda pode ser lida em (Ex)citações de cada dia (Letras O-R) > Portugal. Protugeses.



_____



(...) Um país que não consegue resolver como tratar a merda que todos os dias caga, é um país sem futuro, é um país de merda ! ... Eu estou como aquele gajo que ia pela Av da Liberdade acima, a ler o Diário de Notícias (a primeira página tinha um título de caixa com um destaque do último discurso de Salazar: Para Angola, rapidamente e em força!). O homem comentava em voz alta:



- Que país de merda!...



Estávamos nos anos 60, como imaginam! Um Pide (ainda se lembram o que era a Pide ?, já não se lembram!) que vinha atrás do fulano, ouviu o insulto e deu-lhe ordem de prisão:



- Preso, eu ? , retorquiu o ruidoso cidadão.



- Pois, está a insultar a Pátria e o Governo da Nação!, respondeu o Pide.



- Ó senhor agente, não tire conclusões apressadas. P'ra já, eu sou da situação, não sou do reviralho... E depois estou a ler esta notícia de três linhas sobre Cuba, aqui no canto inferior direito. Imagine quem lá manda agora... um tal barbudo de nome Fidel Castro. Ao que isto chegou!



- Ah!, tá bem, se é assim, tá bém... Siga o seu caminho!



Passados cinco minutos, o Pide que tinha reflexos lentos, voltou a abordar o fulano do jornal e, desta vez, intimou-o, com modos mais violentos:



- Venha comigo!, temos muito que conversar na António Maria Cardoso (lembram-se ?, era a sede da Pide, para os lado do Chiado). Eu 'tive cá a pensar, a pensar, e o tal país de merda só pode ser... o nosso!



Jota Lourenço

______



Moral da história: Felizmente que o Pide afinal não tinha razão! Os portugas acabaram por provar, anos mais tarde, que não eram nenhuns merdosos...

Estórias com mural ao fundo - XIV: País de merda que era aquele!

Esta é uma história absolutamente deliciosa que repesquei do Terravista > Fóruns > Saúde > Saúde & Segurança no Trabalho. Foi escrita pelo Jota Lourenço (também conhecido por JL), em 29/5/2000. Na altura salvei-a do ciberlixo ao guardá-la, provisoriamente, na minha página, numa pequena antologia de citações... O JL era outro cibercidadão que eu gostaria de voltar a (re)encontrar. Lembrei-me dele, desse alentejano do Barreiro, reformado das lides sindicais, animador sociocultural nas horas vagas, neto de ganhão e de anarcossindicalista, a propósito desta história de agora quererem empurrar o ambiente para a agricultura, o mesmo é dizer... para a fileira do eucalipto e para a companhia da celulose. Na altura o JL estava indignado com a triste história da incineração... O resto da intervenção ainda pode ser lida em (Ex)citações de cada dia (Letras O-R) > Portugal. Protugeses.

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(...) Um país que não consegue resolver como tratar a merda que todos os dias caga, é um país sem futuro, é um país de merda ! ... Eu estou como aquele gajo que ia pela Av da Liberdade acima, a ler o Diário de Notícias (a primeira página tinha um título de caixa com um destaque do último discurso de Salazar: Para Angola, rapidamente e em força!). O homem comentava em voz alta:

- Que país de merda!...

Estávamos nos anos 60, como imaginam! Um Pide (ainda se lembram o que era a Pide ?, já não se lembram!) que vinha atrás do fulano, ouviu o insulto e deu-lhe ordem de prisão:

- Preso, eu ? , retorquiu o ruidoso cidadão.

- Pois, está a insultar a Pátria e o Governo da Nação!, respondeu o Pide.

- Ó senhor agente, não tire conclusões apressadas. P'ra já, eu sou da situação, não sou do reviralho... E depois estou a ler esta notícia de três linhas sobre Cuba, aqui no canto inferior direito. Imagine quem lá manda agora... um tal barbudo de nome Fidel Castro. Ao que isto chegou!

- Ah!, tá bem, se é assim, tá bém... Siga o seu caminho!

Passados cinco minutos, o Pide que tinha reflexos lentos, voltou a abordar o fulano do jornal e, desta vez, intimou-o, com modos mais violentos:

- Venha comigo!, temos muito que conversar na António Maria Cardoso (lembram-se ?, era a sede da Pide, para os lado do Chiado). Eu 'tive cá a pensar, a pensar, e o tal país de merda só pode ser... o nosso!

Jota Lourenço
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Moral da história: Felizmente que o Pide afinal não tinha razão! Os portugas acabaram por provar, anos mais tarde, que não eram nenhuns merdosos...

(Ex)citações de cada dia - VI: Os 'portugueses normais'

Presidente da República, Jorge Sampaio: "(...) há uma coisa que é preciso dar a este país: segurança. As pessoas têm medo do desemprego, a vida da maior parte dos portugueses é muito dura, começa às sete da manhã e às vezes acaba às dez, onze da noite. Os portugueses normais, os que são empregados por conta de outrem, os que fazem as fábricas, têm de ter algum carinho. Porque é que são sempre os culpados de tudo? Até porque em Portugal há pobreza, há exclusão. Não vamos dramatizar, mas temos de trazer as pessoas aos mínimos de desenvolvimento, quando o crescimento é negativo temos de lhes assegurar o mínimo..." (Público, 28.10.2003)

(Ex)citações de cada dia - VI: Os 'portugueses normais'

Presidente da República, Jorge Sampaio: "(...) há uma coisa que é preciso dar a este país: segurança. As pessoas têm medo do desemprego, a vida da maior parte dos portugueses é muito dura, começa às sete da manhã e às vezes acaba às dez, onze da noite. Os portugueses normais, os que são empregados por conta de outrem, os que fazem as fábricas, têm de ter algum carinho. Porque é que são sempre os culpados de tudo? Até porque em Portugal há pobreza, há exclusão. Não vamos dramatizar, mas temos de trazer as pessoas aos mínimos de desenvolvimento, quando o crescimento é negativo temos de lhes assegurar o mínimo..." (Público, 28.10.2003)

27 outubro 2003

Humor com humor se paga - IV : O benfiquismo é uma questão de fé ?

Há um humor (saudavelmente) benfiquista... Tal como há um humor (saudavelmente) sportinguista, portista ou boavisteiro. Que me perdõem todos os demais adeptos dos outros clubes, grandes, médios e pequenos. O meu pluralismo desportivo é grande, para não dizer total, mas não pode extravasar as dimensões regulamentares do blogue-fora-nada.

Estou grato ao meu amigo Anacleto M., por me ter revelado o (bom) humor benfiquista. Resta-me, um dia destes, ver para crer e descer ao já famoso inferno da luz... Para já fico a saber que o benfiquismo seria sobretudo (i) um estado de alma, (ii) uma questão de fé ou até (iii) uma verdadeira religião...

Haveria três razões lógicas para se ser benfiquista, diz-me o meu amigo Anacleto M., com a sua conhecida capacidade de fazer prosélitos:

(i) a razão natural, biológica: a mulher dá à luz, não dá às antas nem a alvalade nem ao bessa;

(ii) a razão bíblica, histórica: há uma passagem nas Sagradas Escrituras que diz: "Dominarei os leões e os dragões e voarei para o ceú sobre as asas de uma águia" (sic);

(iii) e, por fim, a razão teológica, definitiva: Jesus Cristo encarnou (sic), não escureceu, não branqueou, não azulou nem... esverdeou!

Em questões de fé, eu não me meto... Em relação à segunda razão invocada, gostaria apenas que o meu amigo tivesse sido mais preciso, e citasse o livro e o capítulo, para os sportinguistas e os portistas não ficarem a pensar que esta versão da Bíblia pode ser apócrifa. Ou, pior ainda, que foi reeditada, ampliada e actualizada por Deus, a pedido dos benfiquistas...

Humor com humor se paga - IV : O benfiquismo é uma questão de fé ?

Há um humor (saudavelmente) benfiquista... Tal como há um humor (saudavelmente) sportinguista, portista ou boavisteiro. Que me perdõem todos os demais adeptos dos outros clubes, grandes, médios e pequenos. O meu pluralismo desportivo é grande, para não dizer total, mas não pode extravasar as dimensões regulamentares do blogue-fora-nada.

Estou grato ao meu amigo Anacleto M., por me ter revelado o (bom) humor benfiquista. Resta-me, um dia destes, ver para crer e descer ao já famoso inferno da luz... Para já fico a saber que o benfiquismo seria sobretudo (i) um estado de alma, (ii) uma questão de fé ou até (iii) uma verdadeira religião...

Haveria três razões lógicas para se ser benfiquista, diz-me o meu amigo Anacleto M., com a sua conhecida capacidade de fazer prosélitos:

(i) a razão natural, biológica: a mulher dá à luz, não dá às antas nem a alvalade nem ao bessa;

(ii) a razão bíblica, histórica: há uma passagem nas Sagradas Escrituras que diz: "Dominarei os leões e os dragões e voarei para o ceú sobre as asas de uma águia" (sic);

(iii) e, por fim, a razão teológica, definitiva: Jesus Cristo encarnou (sic), não escureceu, não branqueou, não azulou nem... esverdeou!

Em questões de fé, eu não me meto... Em relação à segunda razão invocada, gostaria apenas que o meu amigo tivesse sido mais preciso, e citasse o livro e o capítulo, para os sportinguistas e os portistas não ficarem a pensar que esta versão da Bíblia pode ser apócrifa. Ou, pior ainda, que foi reeditada, ampliada e actualizada por Deus, a pedido dos benfiquistas...

26 outubro 2003

Portugal sacro-profano - IX: O que é feito da Barbarian Girl ? E das operárias de Castelo de Paiva ?

Clarks ou: as multinacionais têm alma ?



Uma das habituais perguntas da Bárbara, e esta por sinal muito pouca metafísica. Perdi-lhe o rasto, à Bárbara, aliás, Barbarian Girl. Só lhe conhecia o nickname ou o nome de guerra, além de uns escassos dados biográficos que ela deixava transparecer nos seus posts, habitualmente escritos em letra minúscula, em estilo telegráfico: lembro-me, por exemplo, que morava em Lisboa, tinha uma avô galega e morava nas Avenidas Novas; pelas minhas contas, hoje deve andar no 3º ano de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, se é que não chumbou nenhum ano. Nunca nos cruzámos por aquelas ou outras bandas. Trocámos apenas alguns e-mails. Simpatisante bloquista confessa (se bem me recordo) e feminista militante (tanto quanto me foi dado deduzir das ideias que expunha), participou em alguns temas de discussão que eu próprio suscitei ou em que intervi, nos saudosos Fóruns do Publico.pt > Cidadania. Um desses temas de discussão foi sobre a "Clarks: ou as multinacionais têm alma?".



Revisitei ontem aquele cantinho do ciberespaço, como eu lhe chamava. Com alguma saudade, diga-se de passagem... Dela e doutros cibercidadãos: a Isabel Coutinho, o Migoma, o Jota Lourenço, o Cibernocturno, o Dr. Hipócrates, o Fiatux, a Megane, a Raquel, o Eugénio Rosa, a Eva Luna, o J.B. Mendes, o Queirós, o Eljump, o Deus das Moscas, o Bafo de Nuca e outr@s...



Reproduzo aqui uma das intervenções da Bárbara (14.01.2003). Incisiva, contundente, agressiva como sempre. Mas também generosa, como sempre, uma generosidade que é(era) própria dos verdes anos mas sobretudo de um já maduro sentido de cidadania...



Confesso que gostaria de saber por onde pára ela, a Barbarian Girl. E já agora pergunto a quem me souber responder: o que é feito daquelas mulheres (e homens) que a Clarks mandou para a rua ? Na voragem mediática dos acontecimentos do dia-a-dia, Castelo de Paiva e a sua gente só ainda hoje são notícia nos media por causa da tragédia da Ponte de Entre-os-Rios e do julgamento dos seus presumíveis responsáveis... Sei que perder o emprego ou a vida não é a mesma coisa. Em todo o caso, pelo seu impacto social e económico, o despedimento colectivo do pessoal da Clarks, em Castelo de Paiva, foi notícia nacional por uns breves dias. L.G.

_____________



castelo de paiva ? sabes onde fica ? eu não...



uma desgraça nunca vem só, dizia há dias uma operária da multinacional do calçado que, depois de arouca, decidiu fechar a sua segunda unidade fabril em castelo de paiva, estando em vias de mandar para o desemprego cerca 600 trabalhadores. a acrescentar aos outros 300 e tal de há dois anos. primeiro, foram as minas do pejão que encerraram de vez; depois foi a tragédia de entre-os-rios; e agora é a clarks que se muda, de máquinas e bagagens forradas a euros, para outro paraíso capitalista. para outra terreola qualquer, talvez parecida com castelo de paiva. talvez do leste europeu, com tabuleta escrita em caracteres eslavos; não importa onde, desde que haja sempre gente disposta a vender a sua força de trabalho por um punhado de cêntimos. é o circo trágico-cómico das multinacionais que montam e desmontam fábricas, em qualquer parte do mundo. faz-me lembrar os recintos das touradas desmontáveis no verão.



não creio que as multinacionais tenham alma. não creio que os tecnocratas que as governam tenham alma. ou que saibam, no mínimo, compreender a raiva das pobres mulheres operárias que entraram tarde para o mundo do trabalho. e que agora se sentem usadas, abusadas, deitadas fora, velhas, traídas. deve ser esse o sentimento de se ser despedido colectivamente. e no entanto o mundo é assim, dizem-nos os brilhantes teóricos neoliberais. e não há volta a dar-lhe. os cães ladram e a circo das multinacionais passa. são elas que governam este mundo. são elas que dão e baralham as cartas. são elas que nos vestem e calçam e criam os mitos que nos alimentam. são elas que são donos do destino de milhões e milhões de pessoas. pobres diabos e diabas, contentes hoje por terem pão para a boca. desesperados amanhã porque já não sabem onde vão buscar com que pagar as prestações da casa e do carro.



fiquei impressionada ao ouvir o presidente da câmara de castelo paiva dizer que o total de despedidos são 25% da força de trabalho industrial do concelho, 3% da população do concelho. e onde estão os líderes do meu país, levando um pouco de conforto e de esperança àquela pobre gente, como há dois anos atrás? eu não sei onde fica castelo de paiva, mas o presidente da república, o primeiro ministro, o ministro do trabalho, o novo patrão do investimento estrangeiro, o senhor miguel cadilhe, deve saber onde fica. dizem que a esperança é a última coisa a morrer. mas a verdade é que também morre. e infelizmente vai morrer para os trabalhadores da clarks, uma multinacional sem alma.



fui espreitar o site” dos gajos. nem uma palavra em português. nem uma palavra em qualquer língua para os seus “colaboradores”. lá dentro (do sítio), dizem-me, “a world of comfort and style awaits you”… valores como a responsabilidade social, o respeito pelos direitos de quem trabalha ou o cumprimento da palavra dada a uma comunidade inteira, parece que são coisas que não constam dos “core values” desta multinacional. valores ? são para pisar pelas botas altas das manequins no estrado da alta moda... e depois quem sabe onde fica castelo de paiva, uma minúscula peça do puzzle da europa das multinacionais ?



barbara(mente) revoltada e deprimida.





Portugal sacro-profano - IX: O que é feito da Barbarian Girl ? E das operárias de Castelo de Paiva ?

Clarks ou: as multinacionais têm alma ?

Uma das habituais perguntas da Bárbara, e esta por sinal muito pouca metafísica. Perdi-lhe o rasto, à Bárbara, aliás, Barbarian Girl. Só lhe conhecia o nickname ou o nome de guerra, além de uns escassos dados biográficos que ela deixava transparecer nos seus posts, habitualmente escritos em letra minúscula, em estilo telegráfico: lembro-me, por exemplo, que morava em Lisboa, tinha uma avô galega e morava nas Avenidas Novas; pelas minhas contas, hoje deve andar no 3º ano de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, se é que não chumbou nenhum ano. Nunca nos cruzámos por aquelas ou outras bandas. Trocámos apenas alguns e-mails. Simpatisante bloquista confessa (se bem me recordo) e feminista militante (tanto quanto me foi dado deduzir das ideias que expunha), participou em alguns temas de discussão que eu próprio suscitei ou em que intervi, nos saudosos Fóruns do Publico.pt > Cidadania. Um desses temas de discussão foi sobre a "Clarks: ou as multinacionais têm alma?".

Revisitei ontem aquele cantinho do ciberespaço, como eu lhe chamava. Com alguma saudade, diga-se de passagem... Dela e doutros cibercidadãos: a Isabel Coutinho, o Migoma, o Jota Lourenço, o Cibernocturno, o Dr. Hipócrates, o Fiatux, a Megane, a Raquel, o Eugénio Rosa, a Eva Luna, o J.B. Mendes, o Queirós, o Eljump, o Deus das Moscas, o Bafo de Nuca e outr@s...

Reproduzo aqui uma das intervenções da Bárbara (14.01.2003). Incisiva, contundente, agressiva como sempre. Mas também generosa, como sempre, uma generosidade que é(era) própria dos verdes anos mas sobretudo de um já maduro sentido de cidadania...

Confesso que gostaria de saber por onde pára ela, a Barbarian Girl. E já agora pergunto a quem me souber responder: o que é feito daquelas mulheres (e homens) que a Clarks mandou para a rua ? Na voragem mediática dos acontecimentos do dia-a-dia, Castelo de Paiva e a sua gente só ainda hoje são notícia nos media por causa da tragédia da Ponte de Entre-os-Rios e do julgamento dos seus presumíveis responsáveis... Sei que perder o emprego ou a vida não é a mesma coisa. Em todo o caso, pelo seu impacto social e económico, o despedimento colectivo do pessoal da Clarks, em Castelo de Paiva, foi notícia nacional por uns breves dias. L.G.
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castelo de paiva ? sabes onde fica ? eu não...

uma desgraça nunca vem só, dizia há dias uma operária da multinacional do calçado que, depois de arouca, decidiu fechar a sua segunda unidade fabril em castelo de paiva, estando em vias de mandar para o desemprego cerca 600 trabalhadores. a acrescentar aos outros 300 e tal de há dois anos. primeiro, foram as minas do pejão que encerraram de vez; depois foi a tragédia de entre-os-rios; e agora é a clarks que se muda, de máquinas e bagagens forradas a euros, para outro paraíso capitalista. para outra terreola qualquer, talvez parecida com castelo de paiva. talvez do leste europeu, com tabuleta escrita em caracteres eslavos; não importa onde, desde que haja sempre gente disposta a vender a sua força de trabalho por um punhado de cêntimos. é o circo trágico-cómico das multinacionais que montam e desmontam fábricas, em qualquer parte do mundo. faz-me lembrar os recintos das touradas desmontáveis no verão.

não creio que as multinacionais tenham alma. não creio que os tecnocratas que as governam tenham alma. ou que saibam, no mínimo, compreender a raiva das pobres mulheres operárias que entraram tarde para o mundo do trabalho. e que agora se sentem usadas, abusadas, deitadas fora, velhas, traídas. deve ser esse o sentimento de se ser despedido colectivamente. e no entanto o mundo é assim, dizem-nos os brilhantes teóricos neoliberais. e não há volta a dar-lhe. os cães ladram e a circo das multinacionais passa. são elas que governam este mundo. são elas que dão e baralham as cartas. são elas que nos vestem e calçam e criam os mitos que nos alimentam. são elas que são donos do destino de milhões e milhões de pessoas. pobres diabos e diabas, contentes hoje por terem pão para a boca. desesperados amanhã porque já não sabem onde vão buscar com que pagar as prestações da casa e do carro.

fiquei impressionada ao ouvir o presidente da câmara de castelo paiva dizer que o total de despedidos são 25% da força de trabalho industrial do concelho, 3% da população do concelho. e onde estão os líderes do meu país, levando um pouco de conforto e de esperança àquela pobre gente, como há dois anos atrás? eu não sei onde fica castelo de paiva, mas o presidente da república, o primeiro ministro, o ministro do trabalho, o novo patrão do investimento estrangeiro, o senhor miguel cadilhe, deve saber onde fica. dizem que a esperança é a última coisa a morrer. mas a verdade é que também morre. e infelizmente vai morrer para os trabalhadores da clarks, uma multinacional sem alma.

fui espreitar o site” dos gajos. nem uma palavra em português. nem uma palavra em qualquer língua para os seus “colaboradores”. lá dentro (do sítio), dizem-me, “a world of comfort and style awaits you”… valores como a responsabilidade social, o respeito pelos direitos de quem trabalha ou o cumprimento da palavra dada a uma comunidade inteira, parece que são coisas que não constam dos “core values” desta multinacional. valores ? são para pisar pelas botas altas das manequins no estrado da alta moda... e depois quem sabe onde fica castelo de paiva, uma minúscula peça do puzzle da europa das multinacionais ?

barbara(mente) revoltada e deprimida.