Não é fácil explicar o funcionamento da economia (ou, mais prosaica e familiarmente, do capitalismo) às criancinhas das nossas escolas... Felizmente, muitos dos nossos jovens e precários professores tem dado importantes contributos para esse grande desafio pedagógico, cívico e até patriótico, sabendo nós que elas, as criancinhas, são os futuros homens e mulheres do trabalho e do capital deste país... A seguir têm, @s car@s ciberamig@as, um exemplo de inovação pedagógica que consta de um dos manuais escolares, aprovados este ano para o 1º ciclo do ensino básico. Parabéns aos autores, editores, tutela, associações de pais e educadores e restante comunidade educativa.
O CAPITALISMO IDEAL:
Tens duas vacas. Vendes uma e compras um touro. Eles têm muitos bebés e a economia cresce. Vendes a quinta mais a manada, ganhas bué de papel e já te podes reformar!
O CAPITALISMO AMERICANO:
Tens duas cows. És um cowboy. Vendes uma e obrigas a outra a produzir o leite de quatro vacas. É claro que ela morre, no final do filme. Mas tu ficas desconfiado e chamas o FBI, não vá haver por aí a mãozinha dos inimigos da América, com o Bin Laden à cabeça (O tal do 11 de Setembro negro, lembram-se ?).
O CAPITALISMO FRANCÊS:
Tens duas vaches. Entras em greve porque querias ter três vaches, o que vai contra as orientações da PAC (Sabes o que é a PAC ? É a Política Agrícola Comum, que ninguém sabe o que é)... O capitalismo francês é vachement bête!
O CAPITALISMO CANADIANO:
Tens duas vacas (nuns sítios diz-se cows, noutros diz-se vaches). Usas o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Então acusas o proteccionismo dos países do Terceiro Mundo. Depois adoptas medidas proteccionistas para ter as três vacas reivindicadas pelo capitalismo francês (Sabes o que é o Terceiro Mundo ? Se não sabes, pergunta à sotoura ou mete explicador ou vai à Internet)...
O CAPITALISMO JAPONÊS:
Tens duas vacas, importadas da América, e falta de espaço para pastagens. Desmontas as vacas. Voltas a montá-las. Fazes um checklist de todos os defeitos de fabrico. Redesenhas as duas vacas americanas para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite e de melhor qualidade. Depois fabricas bonecos electrónicos das vaquinhas, chamadas Vaquimons. Vais vendê-los para o mercado global. (‘Tás a haver as vantagens da globalização ? ! Sabes o que é a globalização ? ... Esquece, demora muito tempo a explicar).
O CAPITALISMO BRITÂNICO:
Tens duas vacas (também se diz cows). Logo por azar, as duas são loucas.
O CAPITALISMO HOLANDÊS:
Tens duas vacas (em holandês, vacalhonas). Elas não gostam de touros. Além disso, são contra as touradas de morte. Por isso decidiram viver juntas e estão curtindo numa boa (no sul de Espanha...).
O CAPITALISMO ALEMÃO:
Tens duas vacas. Elas produzem leite regularmente, dentro dos padrões de quantidade e qualidade definidos, em quintas certificadas. Religiosamente, a horas certas. A exploração é altamente lucrativa. Mas o que tu querias mesmo era criar porcos... para fazer salsichas.
O CAPITALISMO RUSSO:
Tens duas vacas. Conta-as e vês que tens 22. Contas de novo e vês que tens 112. Contas de novo e vês que agora só tens 12. Desistes de contar e abres outra garrafa de vodka.
O CAPITALISMO SUÍÇO:
Tens 500 vacas, mas nenhuma é tua. Cobras uma taxa para guardares as vacas dos outros.
O CAPITALISMO ESPANHOL:
És a pessoa mais orgulhosa do mundo porque tens duas vacas.
O CAPITALISMO ITALIANO:
Tens duas vacas... Uma delas é a tua mãe, a outra é tua sogra, maledetto!
O CAPITALISMO PORTUGUÊS:
Tens duas vacas, com o selo DOP (Denominação de Origem Protegida). Certificadíssimas. Mas reclamas contra o Governo porque: (i) a manada não cresce; (ii) as vacas têm uma produtividade inferior às das outras europeias; (iii) a Comissão Europeia diz que só podes ter uma ou então tens que pôr a outra num bordel espanhol.
O CAPITALISMO CHINÊS:
Tens duas vacas e as 300 pessoas da aldeia a mungi-las. Gabas-te de ter pleno emprego e alta produtividade. Prendes e aplicas a pena de morte ao contra-revolucionário que divulgou estes números (Além disso o chinoca andava a espalhar o vírus da pneumonia atípica)...
O CAPITALISMO HINDU:
Tens duas vacas. Sagradas. Ai de quem tocar nelas!
O CAPITALISMO ARGENTINO (1):
Tens duas vacas. Matas-te a ensiná-las a mugirem em inglês dos gringos. As vacas morrem. Entregas as carcaças ao FMI e passas o resto da vida a cantar "el tango de la desgracia" (Sabes o que é o FMI ? É o Robin dos Bosques ao contrário: tira aos pobres para dar aos ricos)...
O CAPITALISMO ARGENTINO (2):
Tens duas vacas e cada uma deve pagar os seguintes impostos e taxas: 21% de IVA, 3% de Imposto sobre Receitas Brutas, 1% para o Fundo de Desemprego, 5% para a Saúde, 8% de Imposto sobre a Antecipação dos Lucros, 5% para o Fundo dos Produtores de Leite, 1% para o Fundo da Promoção da Manteiga, 1% para o Fundo de Promoção dos Queijos Desnatados e o resto para o FMI... Ao fim de dois anos, matas as vacas e suicidas-te.
O CAPITALISMO BRASILEIRO:
Tens duas vacas e és um sem terra. Uma delas é roubada e a outra foi encontrada no mato. O governo criou a CCPV - Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca. Um fiscal vem e levanta-te um auto de notícia, por causa de falsas declarações relativas à CCPV. A Receita Federal (a Direcção-Geral dos Impostos lá do nosso país irmão) foi ao computador e, com base nos dados sobre o teu património e os teus sinais exteriores de riqueza (número de filhos, ocupações de terras, etc.), chega à conclusão que tu tens 200 vacas!... Ora toma, cabloco! Para te livrares desta encrenca, dás a vaca que te resta ao fiscal...
O CAPITALISMO OFF SHORE DA MADEIRA :
A Madeira é um jardim!... Tens duas vacas mas estão em nome do teu sobrinho que trabalha no casino e joga na bolsa. Vendes três para a empresa dele, que é de capital aberto e tem sede no off shore da Madeira. Usaste garantias de crédito emitidas pelo cunhado do teu primo que está na Venezuela. Depois fazes uma troca de dívidas por acções por meio de uma oferta geral associada, de forma que consegues todas as cinco vacas de volta, e para mais com isenção fiscal. Os direitos do leite das tuas seis vacas são transferidos para uma companhia das Ilhas Caimão, da qual o sócio maioritário és tu mas só o teu sobrinho é que sabe dessa cláusula secreta. Vendes os direitos das sete vacas novamente para a tua empresa. O relatório e contas do exercício de 2002, com o devido parecer dos revisores oficiais de contas e demais auditores, diz que a tua empresa possui oito vacas, com opção para mais uma. Vendes uma vaca para comprar o novo presidente da SAD do teu clube de futebol. És um homem de sucesso, com honras de telejornal. E agora ainda mais rico: acabas de vender ao Governo regional a m... que as vacas foram c... ao longo destes anos todos.
blogue-fora-nada. homo socius ergo blogus [sum]. homem social logo blogador. em sociobloguês nos entendemos. o port(ug)al dos (por)tugas. a prova dos blogue-fora-nada. a guerra colonial. a guiné. do chacheu ao boe. de bissau a bambadinca. os cacimbados. o geba. o corubal. os rios. o macaréu da nossa revolta. o humor nosso de cada dia nos dai hoje.lá vamos blogando e rindo. e venham mais cinco (camaradas). e vieram tantos que isto se transformou numa caserna. a maior caserna virtual da Net!
17 outubro 2003
Portugal sacro-profano - V: A economia explicada às criancinhas
Não é fácil explicar o funcionamento da economia (ou, mais prosaica e familiarmente, do capitalismo) às criancinhas das nossas escolas... Felizmente, muitos dos nossos jovens e precários professores tem dado importantes contributos para esse grande desafio pedagógico, cívico e até patriótico, sabendo nós que elas, as criancinhas, são os futuros homens e mulheres do trabalho e do capital deste país... A seguir têm, @s car@s ciberamig@as, um exemplo de inovação pedagógica que consta de um dos manuais escolares, aprovados este ano para o 1º ciclo do ensino básico. Parabéns aos autores, editores, tutela, associações de pais e educadores e restante comunidade educativa.
O CAPITALISMO IDEAL:
Tens duas vacas. Vendes uma e compras um touro. Eles têm muitos bebés e a economia cresce. Vendes a quinta mais a manada, ganhas bué de papel e já te podes reformar!
O CAPITALISMO AMERICANO:
Tens duas cows. És um cowboy. Vendes uma e obrigas a outra a produzir o leite de quatro vacas. É claro que ela morre, no final do filme. Mas tu ficas desconfiado e chamas o FBI, não vá haver por aí a mãozinha dos inimigos da América, com o Bin Laden à cabeça (O tal do 11 de Setembro negro, lembram-se ?).
O CAPITALISMO FRANCÊS:
Tens duas vaches. Entras em greve porque querias ter três vaches, o que vai contra as orientações da PAC (Sabes o que é a PAC ? É a Política Agrícola Comum, que ninguém sabe o que é)... O capitalismo francês é vachement bête!
O CAPITALISMO CANADIANO:
Tens duas vacas (nuns sítios diz-se cows, noutros diz-se vaches). Usas o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Então acusas o proteccionismo dos países do Terceiro Mundo. Depois adoptas medidas proteccionistas para ter as três vacas reivindicadas pelo capitalismo francês (Sabes o que é o Terceiro Mundo ? Se não sabes, pergunta à sotoura ou mete explicador ou vai à Internet)...
O CAPITALISMO JAPONÊS:
Tens duas vacas, importadas da América, e falta de espaço para pastagens. Desmontas as vacas. Voltas a montá-las. Fazes um checklist de todos os defeitos de fabrico. Redesenhas as duas vacas americanas para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite e de melhor qualidade. Depois fabricas bonecos electrónicos das vaquinhas, chamadas Vaquimons. Vais vendê-los para o mercado global. (‘Tás a haver as vantagens da globalização ? ! Sabes o que é a globalização ? ... Esquece, demora muito tempo a explicar).
O CAPITALISMO BRITÂNICO:
Tens duas vacas (também se diz cows). Logo por azar, as duas são loucas.
O CAPITALISMO HOLANDÊS:
Tens duas vacas (em holandês, vacalhonas). Elas não gostam de touros. Além disso, são contra as touradas de morte. Por isso decidiram viver juntas e estão curtindo numa boa (no sul de Espanha...).
O CAPITALISMO ALEMÃO:
Tens duas vacas. Elas produzem leite regularmente, dentro dos padrões de quantidade e qualidade definidos, em quintas certificadas. Religiosamente, a horas certas. A exploração é altamente lucrativa. Mas o que tu querias mesmo era criar porcos... para fazer salsichas.
O CAPITALISMO RUSSO:
Tens duas vacas. Conta-as e vês que tens 22. Contas de novo e vês que tens 112. Contas de novo e vês que agora só tens 12. Desistes de contar e abres outra garrafa de vodka.
O CAPITALISMO SUÍÇO:
Tens 500 vacas, mas nenhuma é tua. Cobras uma taxa para guardares as vacas dos outros.
O CAPITALISMO ESPANHOL:
És a pessoa mais orgulhosa do mundo porque tens duas vacas.
O CAPITALISMO ITALIANO:
Tens duas vacas... Uma delas é a tua mãe, a outra é tua sogra, maledetto!
O CAPITALISMO PORTUGUÊS:
Tens duas vacas, com o selo DOP (Denominação de Origem Protegida). Certificadíssimas. Mas reclamas contra o Governo porque: (i) a manada não cresce; (ii) as vacas têm uma produtividade inferior às das outras europeias; (iii) a Comissão Europeia diz que só podes ter uma ou então tens que pôr a outra num bordel espanhol.
O CAPITALISMO CHINÊS:
Tens duas vacas e as 300 pessoas da aldeia a mungi-las. Gabas-te de ter pleno emprego e alta produtividade. Prendes e aplicas a pena de morte ao contra-revolucionário que divulgou estes números (Além disso o chinoca andava a espalhar o vírus da pneumonia atípica)...
O CAPITALISMO HINDU:
Tens duas vacas. Sagradas. Ai de quem tocar nelas!
O CAPITALISMO ARGENTINO (1):
Tens duas vacas. Matas-te a ensiná-las a mugirem em inglês dos gringos. As vacas morrem. Entregas as carcaças ao FMI e passas o resto da vida a cantar "el tango de la desgracia" (Sabes o que é o FMI ? É o Robin dos Bosques ao contrário: tira aos pobres para dar aos ricos)...
O CAPITALISMO ARGENTINO (2):
Tens duas vacas e cada uma deve pagar os seguintes impostos e taxas: 21% de IVA, 3% de Imposto sobre Receitas Brutas, 1% para o Fundo de Desemprego, 5% para a Saúde, 8% de Imposto sobre a Antecipação dos Lucros, 5% para o Fundo dos Produtores de Leite, 1% para o Fundo da Promoção da Manteiga, 1% para o Fundo de Promoção dos Queijos Desnatados e o resto para o FMI... Ao fim de dois anos, matas as vacas e suicidas-te.
O CAPITALISMO BRASILEIRO:
Tens duas vacas e és um sem terra. Uma delas é roubada e a outra foi encontrada no mato. O governo criou a CCPV - Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca. Um fiscal vem e levanta-te um auto de notícia, por causa de falsas declarações relativas à CCPV. A Receita Federal (a Direcção-Geral dos Impostos lá do nosso país irmão) foi ao computador e, com base nos dados sobre o teu património e os teus sinais exteriores de riqueza (número de filhos, ocupações de terras, etc.), chega à conclusão que tu tens 200 vacas!... Ora toma, cabloco! Para te livrares desta encrenca, dás a vaca que te resta ao fiscal...
O CAPITALISMO OFF SHORE DA MADEIRA :
A Madeira é um jardim!... Tens duas vacas mas estão em nome do teu sobrinho que trabalha no casino e joga na bolsa. Vendes três para a empresa dele, que é de capital aberto e tem sede no off shore da Madeira. Usaste garantias de crédito emitidas pelo cunhado do teu primo que está na Venezuela. Depois fazes uma troca de dívidas por acções por meio de uma oferta geral associada, de forma que consegues todas as cinco vacas de volta, e para mais com isenção fiscal. Os direitos do leite das tuas seis vacas são transferidos para uma companhia das Ilhas Caimão, da qual o sócio maioritário és tu mas só o teu sobrinho é que sabe dessa cláusula secreta. Vendes os direitos das sete vacas novamente para a tua empresa. O relatório e contas do exercício de 2002, com o devido parecer dos revisores oficiais de contas e demais auditores, diz que a tua empresa possui oito vacas, com opção para mais uma. Vendes uma vaca para comprar o novo presidente da SAD do teu clube de futebol. És um homem de sucesso, com honras de telejornal. E agora ainda mais rico: acabas de vender ao Governo regional a m... que as vacas foram c... ao longo destes anos todos.
O CAPITALISMO IDEAL:
Tens duas vacas. Vendes uma e compras um touro. Eles têm muitos bebés e a economia cresce. Vendes a quinta mais a manada, ganhas bué de papel e já te podes reformar!
O CAPITALISMO AMERICANO:
Tens duas cows. És um cowboy. Vendes uma e obrigas a outra a produzir o leite de quatro vacas. É claro que ela morre, no final do filme. Mas tu ficas desconfiado e chamas o FBI, não vá haver por aí a mãozinha dos inimigos da América, com o Bin Laden à cabeça (O tal do 11 de Setembro negro, lembram-se ?).
O CAPITALISMO FRANCÊS:
Tens duas vaches. Entras em greve porque querias ter três vaches, o que vai contra as orientações da PAC (Sabes o que é a PAC ? É a Política Agrícola Comum, que ninguém sabe o que é)... O capitalismo francês é vachement bête!
O CAPITALISMO CANADIANO:
Tens duas vacas (nuns sítios diz-se cows, noutros diz-se vaches). Usas o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Então acusas o proteccionismo dos países do Terceiro Mundo. Depois adoptas medidas proteccionistas para ter as três vacas reivindicadas pelo capitalismo francês (Sabes o que é o Terceiro Mundo ? Se não sabes, pergunta à sotoura ou mete explicador ou vai à Internet)...
O CAPITALISMO JAPONÊS:
Tens duas vacas, importadas da América, e falta de espaço para pastagens. Desmontas as vacas. Voltas a montá-las. Fazes um checklist de todos os defeitos de fabrico. Redesenhas as duas vacas americanas para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite e de melhor qualidade. Depois fabricas bonecos electrónicos das vaquinhas, chamadas Vaquimons. Vais vendê-los para o mercado global. (‘Tás a haver as vantagens da globalização ? ! Sabes o que é a globalização ? ... Esquece, demora muito tempo a explicar).
O CAPITALISMO BRITÂNICO:
Tens duas vacas (também se diz cows). Logo por azar, as duas são loucas.
O CAPITALISMO HOLANDÊS:
Tens duas vacas (em holandês, vacalhonas). Elas não gostam de touros. Além disso, são contra as touradas de morte. Por isso decidiram viver juntas e estão curtindo numa boa (no sul de Espanha...).
O CAPITALISMO ALEMÃO:
Tens duas vacas. Elas produzem leite regularmente, dentro dos padrões de quantidade e qualidade definidos, em quintas certificadas. Religiosamente, a horas certas. A exploração é altamente lucrativa. Mas o que tu querias mesmo era criar porcos... para fazer salsichas.
O CAPITALISMO RUSSO:
Tens duas vacas. Conta-as e vês que tens 22. Contas de novo e vês que tens 112. Contas de novo e vês que agora só tens 12. Desistes de contar e abres outra garrafa de vodka.
O CAPITALISMO SUÍÇO:
Tens 500 vacas, mas nenhuma é tua. Cobras uma taxa para guardares as vacas dos outros.
O CAPITALISMO ESPANHOL:
És a pessoa mais orgulhosa do mundo porque tens duas vacas.
O CAPITALISMO ITALIANO:
Tens duas vacas... Uma delas é a tua mãe, a outra é tua sogra, maledetto!
O CAPITALISMO PORTUGUÊS:
Tens duas vacas, com o selo DOP (Denominação de Origem Protegida). Certificadíssimas. Mas reclamas contra o Governo porque: (i) a manada não cresce; (ii) as vacas têm uma produtividade inferior às das outras europeias; (iii) a Comissão Europeia diz que só podes ter uma ou então tens que pôr a outra num bordel espanhol.
O CAPITALISMO CHINÊS:
Tens duas vacas e as 300 pessoas da aldeia a mungi-las. Gabas-te de ter pleno emprego e alta produtividade. Prendes e aplicas a pena de morte ao contra-revolucionário que divulgou estes números (Além disso o chinoca andava a espalhar o vírus da pneumonia atípica)...
O CAPITALISMO HINDU:
Tens duas vacas. Sagradas. Ai de quem tocar nelas!
O CAPITALISMO ARGENTINO (1):
Tens duas vacas. Matas-te a ensiná-las a mugirem em inglês dos gringos. As vacas morrem. Entregas as carcaças ao FMI e passas o resto da vida a cantar "el tango de la desgracia" (Sabes o que é o FMI ? É o Robin dos Bosques ao contrário: tira aos pobres para dar aos ricos)...
O CAPITALISMO ARGENTINO (2):
Tens duas vacas e cada uma deve pagar os seguintes impostos e taxas: 21% de IVA, 3% de Imposto sobre Receitas Brutas, 1% para o Fundo de Desemprego, 5% para a Saúde, 8% de Imposto sobre a Antecipação dos Lucros, 5% para o Fundo dos Produtores de Leite, 1% para o Fundo da Promoção da Manteiga, 1% para o Fundo de Promoção dos Queijos Desnatados e o resto para o FMI... Ao fim de dois anos, matas as vacas e suicidas-te.
O CAPITALISMO BRASILEIRO:
Tens duas vacas e és um sem terra. Uma delas é roubada e a outra foi encontrada no mato. O governo criou a CCPV - Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca. Um fiscal vem e levanta-te um auto de notícia, por causa de falsas declarações relativas à CCPV. A Receita Federal (a Direcção-Geral dos Impostos lá do nosso país irmão) foi ao computador e, com base nos dados sobre o teu património e os teus sinais exteriores de riqueza (número de filhos, ocupações de terras, etc.), chega à conclusão que tu tens 200 vacas!... Ora toma, cabloco! Para te livrares desta encrenca, dás a vaca que te resta ao fiscal...
O CAPITALISMO OFF SHORE DA MADEIRA :
A Madeira é um jardim!... Tens duas vacas mas estão em nome do teu sobrinho que trabalha no casino e joga na bolsa. Vendes três para a empresa dele, que é de capital aberto e tem sede no off shore da Madeira. Usaste garantias de crédito emitidas pelo cunhado do teu primo que está na Venezuela. Depois fazes uma troca de dívidas por acções por meio de uma oferta geral associada, de forma que consegues todas as cinco vacas de volta, e para mais com isenção fiscal. Os direitos do leite das tuas seis vacas são transferidos para uma companhia das Ilhas Caimão, da qual o sócio maioritário és tu mas só o teu sobrinho é que sabe dessa cláusula secreta. Vendes os direitos das sete vacas novamente para a tua empresa. O relatório e contas do exercício de 2002, com o devido parecer dos revisores oficiais de contas e demais auditores, diz que a tua empresa possui oito vacas, com opção para mais uma. Vendes uma vaca para comprar o novo presidente da SAD do teu clube de futebol. És um homem de sucesso, com honras de telejornal. E agora ainda mais rico: acabas de vender ao Governo regional a m... que as vacas foram c... ao longo destes anos todos.
Estórias com mural ao fundo - XIII: A nova Cinderela contada às criancinhas do Séc. XXI
Há bué da taime havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil e que vivia com a chunga da madrasta e as melgas das filhas dela. A Cinderela, Cindy p'ras amigas, parecia que vivia na prisa, sem tempo sequer p’ra enviar uns meiles. Com este desatino só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta fazia-lhe bué de cenas. Foi então que a Cindy fica a saber da alta desbunda que ia acontecer:
- Uma party!
A gaja curtiu logo a ideia, mas as outras chavalas cortaram-lhe as bases. Ela ficou completamente passadunte, mas depois de andar à toa num coche, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda baita bacana e ela ficou a parecer uma ganda febra. Só que ela só se podia afiambrar da cena até ao bater da 12 badaladas da midnaite. A tipa mordeu o esquema e foi pra a borga sempre a abrir, tás a ver. Ao entrar na party topou um mano cheio de papel, que era bom comó milho e que logo ali a galou. Aí a Cindy passou-se dos carretos e desbundaram.
Ía a naite muita louca até que ao ouvir as doze badaladas do sino ela teve de se axandrar e bazou. O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de frosques e foi atrás dela, mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama. No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi à procura de um chispe que entrasse no dito chanato. Como era um alta cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para ganda desatino das outras fatelas que tiveram um ganda vaipe quando souberam que eles iam juntar os trapinhos.
No final da cena, vemos a garina e o chavalo a curtirem largo. Diz a história que foram bué de felizes e tiveram bué de chavalitos e chavalitas.
Moral da história:
Fogo!, agora é que a gente vê como eram sensaboronas (leia-se: sem sal nem pimenta) as histórias da carochinha que as nossas avozinhas nos contavam quando éramos chavalitos!... Também nesse tempo não havia reality shows... nem electricidade... nem televisão... nem playstations... nem internet! Fogo, não havia mesmo nada!
- Uma party!
A gaja curtiu logo a ideia, mas as outras chavalas cortaram-lhe as bases. Ela ficou completamente passadunte, mas depois de andar à toa num coche, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda baita bacana e ela ficou a parecer uma ganda febra. Só que ela só se podia afiambrar da cena até ao bater da 12 badaladas da midnaite. A tipa mordeu o esquema e foi pra a borga sempre a abrir, tás a ver. Ao entrar na party topou um mano cheio de papel, que era bom comó milho e que logo ali a galou. Aí a Cindy passou-se dos carretos e desbundaram.
Ía a naite muita louca até que ao ouvir as doze badaladas do sino ela teve de se axandrar e bazou. O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de frosques e foi atrás dela, mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama. No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi à procura de um chispe que entrasse no dito chanato. Como era um alta cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para ganda desatino das outras fatelas que tiveram um ganda vaipe quando souberam que eles iam juntar os trapinhos.
No final da cena, vemos a garina e o chavalo a curtirem largo. Diz a história que foram bué de felizes e tiveram bué de chavalitos e chavalitas.
Moral da história:
Fogo!, agora é que a gente vê como eram sensaboronas (leia-se: sem sal nem pimenta) as histórias da carochinha que as nossas avozinhas nos contavam quando éramos chavalitos!... Também nesse tempo não havia reality shows... nem electricidade... nem televisão... nem playstations... nem internet! Fogo, não havia mesmo nada!
Estórias com mural ao fundo - XIII: A nova Cinderela contada às criancinhas do Séc. XXI
Há bué da taime havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil e que vivia com a chunga da madrasta e as melgas das filhas dela. A Cinderela, Cindy p'ras amigas, parecia que vivia na prisa, sem tempo sequer p’ra enviar uns meiles. Com este desatino só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta fazia-lhe bué de cenas. Foi então que a Cindy fica a saber da alta desbunda que ia acontecer:
- Uma party!
A gaja curtiu logo a ideia, mas as outras chavalas cortaram-lhe as bases. Ela ficou completamente passadunte, mas depois de andar à toa num coche, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda baita bacana e ela ficou a parecer uma ganda febra. Só que ela só se podia afiambrar da cena até ao bater da 12 badaladas da midnaite. A tipa mordeu o esquema e foi pra a borga sempre a abrir, tás a ver. Ao entrar na party topou um mano cheio de papel, que era bom comó milho e que logo ali a galou. Aí a Cindy passou-se dos carretos e desbundaram.
Ía a naite muita louca até que ao ouvir as doze badaladas do sino ela teve de se axandrar e bazou. O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de frosques e foi atrás dela, mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama. No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi à procura de um chispe que entrasse no dito chanato. Como era um alta cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para ganda desatino das outras fatelas que tiveram um ganda vaipe quando souberam que eles iam juntar os trapinhos.
No final da cena, vemos a garina e o chavalo a curtirem largo. Diz a história que foram bué de felizes e tiveram bué de chavalitos e chavalitas.
Moral da história:
Fogo!, agora é que a gente vê como eram sensaboronas (leia-se: sem sal nem pimenta) as histórias da carochinha que as nossas avozinhas nos contavam quando éramos chavalitos!... Também nesse tempo não havia reality shows... nem electricidade... nem televisão... nem playstations... nem internet! Fogo, não havia mesmo nada!
- Uma party!
A gaja curtiu logo a ideia, mas as outras chavalas cortaram-lhe as bases. Ela ficou completamente passadunte, mas depois de andar à toa num coche, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda baita bacana e ela ficou a parecer uma ganda febra. Só que ela só se podia afiambrar da cena até ao bater da 12 badaladas da midnaite. A tipa mordeu o esquema e foi pra a borga sempre a abrir, tás a ver. Ao entrar na party topou um mano cheio de papel, que era bom comó milho e que logo ali a galou. Aí a Cindy passou-se dos carretos e desbundaram.
Ía a naite muita louca até que ao ouvir as doze badaladas do sino ela teve de se axandrar e bazou. O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de frosques e foi atrás dela, mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama. No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi à procura de um chispe que entrasse no dito chanato. Como era um alta cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para ganda desatino das outras fatelas que tiveram um ganda vaipe quando souberam que eles iam juntar os trapinhos.
No final da cena, vemos a garina e o chavalo a curtirem largo. Diz a história que foram bué de felizes e tiveram bué de chavalitos e chavalitas.
Moral da história:
Fogo!, agora é que a gente vê como eram sensaboronas (leia-se: sem sal nem pimenta) as histórias da carochinha que as nossas avozinhas nos contavam quando éramos chavalitos!... Também nesse tempo não havia reality shows... nem electricidade... nem televisão... nem playstations... nem internet! Fogo, não havia mesmo nada!
Estórias com mural ao fundo - XII: Engenheiros e gestores
Um turista caminha, sozinho, por uma rua numa típica vila do Baixo Alentejo, de casas térreas, obsessivamente caiadas de branco. Ao desembocar na praça central, deserta, dá conta da inesperada presença de um balão de ar quente, alguns metros acima da sua cabeça. No cesto desse balão há alguém que lhe acena, alvoraçadamente.
Perante o insólito da cena, e movido pela curiosidade e pelo pedido de ajuda, ele aproxima-se do balão, procurando ouvir o piloto que lhe grita:
- Desculpe, senhor, acha que poderia ajudar-me? Prometi a um amigo que me encontraria com ele às duas da tarde, porém já são duas e meia e o problema é que nem sei onde me encontro!
O homem, com ar de turista, respondeu ao do balão, com cortesia:
- Claro que posso ajudá-lo! Você encontra-se num balão de ar quente, flutuando a uns vinte metros acima duma praça, com jardim e calçada portuguesa. Está a trinta e oito graus de latitude norte e a oito graus de longitude oeste...
O homem do balão responde-lhe com um sorriso:
- Amigo, você por acaso não é Engenheiro ?!
- Sou, sim senhor, ao seu dispor! Mas já agora... como conseguiu adivinhar logo à primeira?
- Porque tudo o que você me disse está matemática e tecnicamente correcto; e, no entanto, essa informação é-me totalmente inútil, pois continuo perdido e atrasado para o meu encontro!...
O engenheiro ficou calado, por alguns breves segundos, para logo a seguir retorquir:
- E você, por acaso, não é Gestor ?
- Como descobriu ? E eu a pensar que passava incólume e anónimo...
- Ah!, foi muito fácil! Em primeiro lugar, o sr. Gestor não sabe onde está nem para onde vai; em segundo lugar, fez uma promessa da qual não tem a mínima ideia de como a irá cumprir; em terceiro lugar, está à espera que outra pessoa resolva o seu problema. E, last but not the least, fez do Engenheiro o bode expiatório. De facto, continua exactamente tão perdido quanto estava antes de me encontrar; porém agora, por um estranho capricho, a culpa passou a ser toda minha!...
Moral da história:
A falta de produtividade e competividade das empresas portuguesas não é, seguramente, um problema nem de engenharia nem de gestão, o mesmo é dizer, de hardware e software... Por exclusão de partes, só pode ser um problema de humanware.
Perante o insólito da cena, e movido pela curiosidade e pelo pedido de ajuda, ele aproxima-se do balão, procurando ouvir o piloto que lhe grita:
- Desculpe, senhor, acha que poderia ajudar-me? Prometi a um amigo que me encontraria com ele às duas da tarde, porém já são duas e meia e o problema é que nem sei onde me encontro!
O homem, com ar de turista, respondeu ao do balão, com cortesia:
- Claro que posso ajudá-lo! Você encontra-se num balão de ar quente, flutuando a uns vinte metros acima duma praça, com jardim e calçada portuguesa. Está a trinta e oito graus de latitude norte e a oito graus de longitude oeste...
O homem do balão responde-lhe com um sorriso:
- Amigo, você por acaso não é Engenheiro ?!
- Sou, sim senhor, ao seu dispor! Mas já agora... como conseguiu adivinhar logo à primeira?
- Porque tudo o que você me disse está matemática e tecnicamente correcto; e, no entanto, essa informação é-me totalmente inútil, pois continuo perdido e atrasado para o meu encontro!...
O engenheiro ficou calado, por alguns breves segundos, para logo a seguir retorquir:
- E você, por acaso, não é Gestor ?
- Como descobriu ? E eu a pensar que passava incólume e anónimo...
- Ah!, foi muito fácil! Em primeiro lugar, o sr. Gestor não sabe onde está nem para onde vai; em segundo lugar, fez uma promessa da qual não tem a mínima ideia de como a irá cumprir; em terceiro lugar, está à espera que outra pessoa resolva o seu problema. E, last but not the least, fez do Engenheiro o bode expiatório. De facto, continua exactamente tão perdido quanto estava antes de me encontrar; porém agora, por um estranho capricho, a culpa passou a ser toda minha!...
Moral da história:
A falta de produtividade e competividade das empresas portuguesas não é, seguramente, um problema nem de engenharia nem de gestão, o mesmo é dizer, de hardware e software... Por exclusão de partes, só pode ser um problema de humanware.
Estórias com mural ao fundo - XII: Engenheiros e gestores
Um turista caminha, sozinho, por uma rua numa típica vila do Baixo Alentejo, de casas térreas, obsessivamente caiadas de branco. Ao desembocar na praça central, deserta, dá conta da inesperada presença de um balão de ar quente, alguns metros acima da sua cabeça. No cesto desse balão há alguém que lhe acena, alvoraçadamente.
Perante o insólito da cena, e movido pela curiosidade e pelo pedido de ajuda, ele aproxima-se do balão, procurando ouvir o piloto que lhe grita:
- Desculpe, senhor, acha que poderia ajudar-me? Prometi a um amigo que me encontraria com ele às duas da tarde, porém já são duas e meia e o problema é que nem sei onde me encontro!
O homem, com ar de turista, respondeu ao do balão, com cortesia:
- Claro que posso ajudá-lo! Você encontra-se num balão de ar quente, flutuando a uns vinte metros acima duma praça, com jardim e calçada portuguesa. Está a trinta e oito graus de latitude norte e a oito graus de longitude oeste...
O homem do balão responde-lhe com um sorriso:
- Amigo, você por acaso não é Engenheiro ?!
- Sou, sim senhor, ao seu dispor! Mas já agora... como conseguiu adivinhar logo à primeira?
- Porque tudo o que você me disse está matemática e tecnicamente correcto; e, no entanto, essa informação é-me totalmente inútil, pois continuo perdido e atrasado para o meu encontro!...
O engenheiro ficou calado, por alguns breves segundos, para logo a seguir retorquir:
- E você, por acaso, não é Gestor ?
- Como descobriu ? E eu a pensar que passava incólume e anónimo...
- Ah!, foi muito fácil! Em primeiro lugar, o sr. Gestor não sabe onde está nem para onde vai; em segundo lugar, fez uma promessa da qual não tem a mínima ideia de como a irá cumprir; em terceiro lugar, está à espera que outra pessoa resolva o seu problema. E, last but not the least, fez do Engenheiro o bode expiatório. De facto, continua exactamente tão perdido quanto estava antes de me encontrar; porém agora, por um estranho capricho, a culpa passou a ser toda minha!...
Moral da história:
A falta de produtividade e competividade das empresas portuguesas não é, seguramente, um problema nem de engenharia nem de gestão, o mesmo é dizer, de hardware e software... Por exclusão de partes, só pode ser um problema de humanware.
Perante o insólito da cena, e movido pela curiosidade e pelo pedido de ajuda, ele aproxima-se do balão, procurando ouvir o piloto que lhe grita:
- Desculpe, senhor, acha que poderia ajudar-me? Prometi a um amigo que me encontraria com ele às duas da tarde, porém já são duas e meia e o problema é que nem sei onde me encontro!
O homem, com ar de turista, respondeu ao do balão, com cortesia:
- Claro que posso ajudá-lo! Você encontra-se num balão de ar quente, flutuando a uns vinte metros acima duma praça, com jardim e calçada portuguesa. Está a trinta e oito graus de latitude norte e a oito graus de longitude oeste...
O homem do balão responde-lhe com um sorriso:
- Amigo, você por acaso não é Engenheiro ?!
- Sou, sim senhor, ao seu dispor! Mas já agora... como conseguiu adivinhar logo à primeira?
- Porque tudo o que você me disse está matemática e tecnicamente correcto; e, no entanto, essa informação é-me totalmente inútil, pois continuo perdido e atrasado para o meu encontro!...
O engenheiro ficou calado, por alguns breves segundos, para logo a seguir retorquir:
- E você, por acaso, não é Gestor ?
- Como descobriu ? E eu a pensar que passava incólume e anónimo...
- Ah!, foi muito fácil! Em primeiro lugar, o sr. Gestor não sabe onde está nem para onde vai; em segundo lugar, fez uma promessa da qual não tem a mínima ideia de como a irá cumprir; em terceiro lugar, está à espera que outra pessoa resolva o seu problema. E, last but not the least, fez do Engenheiro o bode expiatório. De facto, continua exactamente tão perdido quanto estava antes de me encontrar; porém agora, por um estranho capricho, a culpa passou a ser toda minha!...
Moral da história:
A falta de produtividade e competividade das empresas portuguesas não é, seguramente, um problema nem de engenharia nem de gestão, o mesmo é dizer, de hardware e software... Por exclusão de partes, só pode ser um problema de humanware.
15 outubro 2003
Portugal sacro-profano - IV: Quando eu for grande quero ser médico
1. A anedota do regime:
Conversa entre o filho de um ministro e a filha de outro ministro:
- Tens um minuto?
- Sim, claro.
- Decidi ir para Medicina.
- Decidiste ir para Medicina... Assim?!
- ... Sim!
- Mas, ouve lá, falaste com o teu Pai ?
- Não! Falei com o teu.
2. A nova doutrina do "a-uma-situação-excepcional-um-tratamento-excepcional"
Ser ou não filh@ de algo, eis a questão (?)... Circulam pela Net, descaradamente, em formato.pdf, os documentos relativos à famosa decisão do governante que, do alto do seu cadeirão, decidiu legiferar, criando uma nova doutrina: "A uma situação excepcional, um tratamento excepcional".
Como foram parar à Net, não sei. São quatro: o requerimento de D. ao Sr. Ministro; o certificado de habilitações literárias de D.; o despacho do Sr. Ministro; a resposta do Sr. Director-Geral à requerente... De segredos de Estado passaram a segredos de Polichinelo. De qualquer modo, reconheço que a sua divulgação viola a privacidade de pelo menos uma cidadã. Outros nomes são públicos & notórios, o ministro (aliás, ex) e o seu director-geral. A própria cidadã é hoje, malgré elle, uma figura pública.
O que lhe dizer, em jeito de consolo ? Ora, minha querida D., não são apenas os media clássicos (a televisão, a rádio, os jornais...) que são predadores, a ciberdemocracia também é cruel, não respeitando nomeadamente os teus direitos de personalidade. Mas quem se expõe, cara cidadã, fica a descoberto... E quem mais perdeu nesta história foste tu, que querias estudar no teu país e ser médica!
Este caso não deixa de ser edificante para a reflexão da relação do cidadão com o Estado e para a própria prática da cidadania. Não sei se para os juristas isto é um belíssimo caso, não sei se vai tornar-se um case-study, não sei se se vão escrever grandes tratados sobre o famigerado despacho...
Felizmente somos um país feliz, e "um país feliz não tem história" (lá diz o provérbio popular). De facto, há quem pense que tudo isto não passou de um faits divers e, como tal, faz apenas parte da petite histoire ou do anedotário nacional. No fim tudo acabou em bem, como nos contos de fadas: desta vez os xico-espertos ficaram mal no filme... O Zé Povinho, que não é menos cruel que os ciberabutres, assobiou e pateou...
3. Uma profissão sem prestígio até à alvorada do Séc. XX
Cinco anos depois da grande reforma pombalina da Universidade de Coimbra, em 1772, justamente quando a estrela política de Pombal se apagava, escrevia o reitor (citado por Pina, 1938) que a faculdade de medicina era "pouco frequentada por quem tem meios de preparar-se para outros destinos mais bem reputados no conceito dos Povos" (sic) e "pela maior parte abandonada a estudantes mizeraveis e pobres" (sic). Na época, o estatuto socioeconómico do estudante universitário media-se pelo número de criados e de cavalos (ou mulas) ao seu serviço (Daí talvez o sentido irónico do provérrbio "Doutor da mula ruça").
Desde a sua criação, nos finais do Séc. XIII até à reforma pombalina de 1772, o curso de medicina sempre fôra pouco procurado:
(i) Três anos depois da instalação definitiva da universidade na cidade de Coimbra (1537), os estudantes de medicina eram apenas 10 num total de 642, ou seja, menos de 2% (Mira, 1947: 83);
(ii) Cento e setenta anos mais tarde, a proporção de alunos inscritos em medicina continuava a ser a mais baixa de todos os cursos: ao tempo em que o grande Ribeiro Sanches andou por Coimbra (1716/19), o total de matrículas em medicina, no correspondente quinquénio (1714/19), era de 466 (93, em média, por ano), o que representava apenas 5.7% do total dos alunos matriculados nas quatro faculdades (8136), nesse período;
(iii) As restantes matrículas distribuíam-se do seguinte modo: 77.6% em cânones (6315); 9.7% em leis (790); e 6.9% em teologia (565).
... Na alvorada do Séc., na Assembleia Constuinte de 1911, os médicos eram, curiosamente, o grupo profissional que estava mais representado, à frente dos militares e dos juristas... Sinais dos tempos!
Fonte: Graça, L. (1999) - A reforma pombalina dos estudos de 1772
4. Sacrificar os "verdes anos" para se ser médico
O que me preocupa na actual geração de estudantes de medicina não é tanto a quantidade como a qualidade dos médicos que vamos no futuro... Temos hoje um sistema reconhecidamente iníquo de selecção, baseado na "meritocracia" (o acesso atrvés das notas mais altas!), que pode ter consequências desvastadoras para todos: o estudante, o futuro médico, o sistema de saúde, os utentes/doentes, o país... Embora correndo o risco das generalizações abusivas, receio bem que os jovens médicos que estão a sair das nossas faculdades de medicina sejam pessoas que não tiveram adolescência ou não chegaram a completar a adolescência: sobretudo não tiveram tempo de ir à discoteca, de ler um livro de poesia ou um romance, de ir a um concerto de música ou a uma exposição de pintura, de visitar um museu, de viajar pela Europa for a (à boleia ou no interrail, como os seus pais), de namorar, de fazer asneiras (“desbundar”), de fugir de casa, em suma, de viver os "verdes anos".
Desde os 15 anos (ou desde o 10º ano do ensino secundário), pelo menos, os pobres rapazes e raparigas candidatos a especialidstas médicos passam pelo menos uma década e meia (até aos 28, 29, 30) a "marrar" (leia-se: a empinar milhares de fotocópias de compêndios!). Claro que há as honrosas excepções que salvam sempre a honra do convento...
O que é que tradicionalmente se valoriza no nosso sistema de ensino ? O gosto pela investigação científica ou o desenvolvimento tecnológico? A cidadania ? A cultura ? O saber ? O desenvolvimento pessoal ? A aventura intelectual ? A ética do trabalho, a deontologia profissional ? Nada disso: Receio que se premeie, antes de mais, a memória de elefante e a cultura de papagaio, além da capacidade de resistência dos grandes corredores de fundo!
É claro que o problema não é exclusivo da formação médica... Mas já dizia Abel Salazar, um grande médico e humanista português do Séc. XX: "Quem só sabe de medicina, não sabe de medicina nem sabe de nada"... Pode dizer-se o mesmo do direito, da engenharia, de sociologia ou de gestão. Honra se faça às nossas faculdades de medicina (e, nomeadamente, as mais recentes) que, apesar de tudo, se têm aberto ao ensino das ciências não-médicas, incluindo as ciências sociais e humanas...
Há uma revolução cultural, científica e pedagógica que está por fazer na nossa universidade. Seiscentos anos depois da sua criação (em finais do Séc. XIII), ainda não é fácil às nossas faculdades de medicina libertarem-se da “ganga” do ensino escolástico e sebenteiro.
Entretanto, a reforma da educação médica de que tanto se fala há anos é mais um parto doloroso e difícil. E não basta, meus senhores, acrescentar aos cadeirões biomédicos, uns pozinhos de sociologia, de psicologia, de economia e de saúde pública!
O que me preocupa é o perfil (humano...) do médico que estamos a preparar para o futuro. Não sei quantos jovens estudantes ficam pelo caminho, têm esgotamentos, passam por crises de depressão ou pensam em suicidar-se. Dir-me-ão que o problema não é especificamente português.
De qualquer modo, o que me preocupa é o risco de termos um jovem velho médico, aos trinta anos (e "aos trinta anos quem não é louco, é médico", diz o provérbio). Um jovem velho médico que não sabe ser nem sabe estar... não apenas como pessoa, como cidadão, como homem ou como mulher mas também como trabalhador da saúde.
Porque o nosso ensino é ainda, em parte, baseado no modelo do "mero acumulador de conhecimentos". Daí também a grande frustação de muitos médicos da geração do pós-25 de Abril que descobrem, algo tardiamente, que há coisas muitíssimo mais interessantes e fascinantes na vida do que estudar e praticar medicina. Quanto à actual geração, uma elite muito restrista, ligada à medicina mais tecnicista e economicamente rentável, terá porventura alguma chance de conhecer a fama e a glória (e ter o respectivo porveito). Para os outros, a grande maioria dos médicos, as expectativas de plena realização pessoal e profissional serão bem mais difíceis de satisfazer. Mas eu, que se calhar estava em dia não quando escrevi esta prosa, espero bem enganar-me a respeito deste cenário pessimista...
Conversa entre o filho de um ministro e a filha de outro ministro:
- Tens um minuto?
- Sim, claro.
- Decidi ir para Medicina.
- Decidiste ir para Medicina... Assim?!
- ... Sim!
- Mas, ouve lá, falaste com o teu Pai ?
- Não! Falei com o teu.
2. A nova doutrina do "a-uma-situação-excepcional-um-tratamento-excepcional"
Ser ou não filh@ de algo, eis a questão (?)... Circulam pela Net, descaradamente, em formato.pdf, os documentos relativos à famosa decisão do governante que, do alto do seu cadeirão, decidiu legiferar, criando uma nova doutrina: "A uma situação excepcional, um tratamento excepcional".
Como foram parar à Net, não sei. São quatro: o requerimento de D. ao Sr. Ministro; o certificado de habilitações literárias de D.; o despacho do Sr. Ministro; a resposta do Sr. Director-Geral à requerente... De segredos de Estado passaram a segredos de Polichinelo. De qualquer modo, reconheço que a sua divulgação viola a privacidade de pelo menos uma cidadã. Outros nomes são públicos & notórios, o ministro (aliás, ex) e o seu director-geral. A própria cidadã é hoje, malgré elle, uma figura pública.
O que lhe dizer, em jeito de consolo ? Ora, minha querida D., não são apenas os media clássicos (a televisão, a rádio, os jornais...) que são predadores, a ciberdemocracia também é cruel, não respeitando nomeadamente os teus direitos de personalidade. Mas quem se expõe, cara cidadã, fica a descoberto... E quem mais perdeu nesta história foste tu, que querias estudar no teu país e ser médica!
Este caso não deixa de ser edificante para a reflexão da relação do cidadão com o Estado e para a própria prática da cidadania. Não sei se para os juristas isto é um belíssimo caso, não sei se vai tornar-se um case-study, não sei se se vão escrever grandes tratados sobre o famigerado despacho...
Felizmente somos um país feliz, e "um país feliz não tem história" (lá diz o provérbio popular). De facto, há quem pense que tudo isto não passou de um faits divers e, como tal, faz apenas parte da petite histoire ou do anedotário nacional. No fim tudo acabou em bem, como nos contos de fadas: desta vez os xico-espertos ficaram mal no filme... O Zé Povinho, que não é menos cruel que os ciberabutres, assobiou e pateou...
3. Uma profissão sem prestígio até à alvorada do Séc. XX
Cinco anos depois da grande reforma pombalina da Universidade de Coimbra, em 1772, justamente quando a estrela política de Pombal se apagava, escrevia o reitor (citado por Pina, 1938) que a faculdade de medicina era "pouco frequentada por quem tem meios de preparar-se para outros destinos mais bem reputados no conceito dos Povos" (sic) e "pela maior parte abandonada a estudantes mizeraveis e pobres" (sic). Na época, o estatuto socioeconómico do estudante universitário media-se pelo número de criados e de cavalos (ou mulas) ao seu serviço (Daí talvez o sentido irónico do provérrbio "Doutor da mula ruça").
Desde a sua criação, nos finais do Séc. XIII até à reforma pombalina de 1772, o curso de medicina sempre fôra pouco procurado:
(i) Três anos depois da instalação definitiva da universidade na cidade de Coimbra (1537), os estudantes de medicina eram apenas 10 num total de 642, ou seja, menos de 2% (Mira, 1947: 83);
(ii) Cento e setenta anos mais tarde, a proporção de alunos inscritos em medicina continuava a ser a mais baixa de todos os cursos: ao tempo em que o grande Ribeiro Sanches andou por Coimbra (1716/19), o total de matrículas em medicina, no correspondente quinquénio (1714/19), era de 466 (93, em média, por ano), o que representava apenas 5.7% do total dos alunos matriculados nas quatro faculdades (8136), nesse período;
(iii) As restantes matrículas distribuíam-se do seguinte modo: 77.6% em cânones (6315); 9.7% em leis (790); e 6.9% em teologia (565).
... Na alvorada do Séc., na Assembleia Constuinte de 1911, os médicos eram, curiosamente, o grupo profissional que estava mais representado, à frente dos militares e dos juristas... Sinais dos tempos!
Fonte: Graça, L. (1999) - A reforma pombalina dos estudos de 1772
4. Sacrificar os "verdes anos" para se ser médico
O que me preocupa na actual geração de estudantes de medicina não é tanto a quantidade como a qualidade dos médicos que vamos no futuro... Temos hoje um sistema reconhecidamente iníquo de selecção, baseado na "meritocracia" (o acesso atrvés das notas mais altas!), que pode ter consequências desvastadoras para todos: o estudante, o futuro médico, o sistema de saúde, os utentes/doentes, o país... Embora correndo o risco das generalizações abusivas, receio bem que os jovens médicos que estão a sair das nossas faculdades de medicina sejam pessoas que não tiveram adolescência ou não chegaram a completar a adolescência: sobretudo não tiveram tempo de ir à discoteca, de ler um livro de poesia ou um romance, de ir a um concerto de música ou a uma exposição de pintura, de visitar um museu, de viajar pela Europa for a (à boleia ou no interrail, como os seus pais), de namorar, de fazer asneiras (“desbundar”), de fugir de casa, em suma, de viver os "verdes anos".
Desde os 15 anos (ou desde o 10º ano do ensino secundário), pelo menos, os pobres rapazes e raparigas candidatos a especialidstas médicos passam pelo menos uma década e meia (até aos 28, 29, 30) a "marrar" (leia-se: a empinar milhares de fotocópias de compêndios!). Claro que há as honrosas excepções que salvam sempre a honra do convento...
O que é que tradicionalmente se valoriza no nosso sistema de ensino ? O gosto pela investigação científica ou o desenvolvimento tecnológico? A cidadania ? A cultura ? O saber ? O desenvolvimento pessoal ? A aventura intelectual ? A ética do trabalho, a deontologia profissional ? Nada disso: Receio que se premeie, antes de mais, a memória de elefante e a cultura de papagaio, além da capacidade de resistência dos grandes corredores de fundo!
É claro que o problema não é exclusivo da formação médica... Mas já dizia Abel Salazar, um grande médico e humanista português do Séc. XX: "Quem só sabe de medicina, não sabe de medicina nem sabe de nada"... Pode dizer-se o mesmo do direito, da engenharia, de sociologia ou de gestão. Honra se faça às nossas faculdades de medicina (e, nomeadamente, as mais recentes) que, apesar de tudo, se têm aberto ao ensino das ciências não-médicas, incluindo as ciências sociais e humanas...
Há uma revolução cultural, científica e pedagógica que está por fazer na nossa universidade. Seiscentos anos depois da sua criação (em finais do Séc. XIII), ainda não é fácil às nossas faculdades de medicina libertarem-se da “ganga” do ensino escolástico e sebenteiro.
Entretanto, a reforma da educação médica de que tanto se fala há anos é mais um parto doloroso e difícil. E não basta, meus senhores, acrescentar aos cadeirões biomédicos, uns pozinhos de sociologia, de psicologia, de economia e de saúde pública!
O que me preocupa é o perfil (humano...) do médico que estamos a preparar para o futuro. Não sei quantos jovens estudantes ficam pelo caminho, têm esgotamentos, passam por crises de depressão ou pensam em suicidar-se. Dir-me-ão que o problema não é especificamente português.
De qualquer modo, o que me preocupa é o risco de termos um jovem velho médico, aos trinta anos (e "aos trinta anos quem não é louco, é médico", diz o provérbio). Um jovem velho médico que não sabe ser nem sabe estar... não apenas como pessoa, como cidadão, como homem ou como mulher mas também como trabalhador da saúde.
Porque o nosso ensino é ainda, em parte, baseado no modelo do "mero acumulador de conhecimentos". Daí também a grande frustação de muitos médicos da geração do pós-25 de Abril que descobrem, algo tardiamente, que há coisas muitíssimo mais interessantes e fascinantes na vida do que estudar e praticar medicina. Quanto à actual geração, uma elite muito restrista, ligada à medicina mais tecnicista e economicamente rentável, terá porventura alguma chance de conhecer a fama e a glória (e ter o respectivo porveito). Para os outros, a grande maioria dos médicos, as expectativas de plena realização pessoal e profissional serão bem mais difíceis de satisfazer. Mas eu, que se calhar estava em dia não quando escrevi esta prosa, espero bem enganar-me a respeito deste cenário pessimista...
Portugal sacro-profano - IV: Quando eu for grande quero ser médico
1. A anedota do regime:
Conversa entre o filho de um ministro e a filha de outro ministro:
- Tens um minuto?
- Sim, claro.
- Decidi ir para Medicina.
- Decidiste ir para Medicina... Assim?!
- ... Sim!
- Mas, ouve lá, falaste com o teu Pai ?
- Não! Falei com o teu.
2. A nova doutrina do "a-uma-situação-excepcional-um-tratamento-excepcional"
Ser ou não filh@ de algo, eis a questão (?)... Circulam pela Net, descaradamente, em formato.pdf, os documentos relativos à famosa decisão do governante que, do alto do seu cadeirão, decidiu legiferar, criando uma nova doutrina: "A uma situação excepcional, um tratamento excepcional".
Como foram parar à Net, não sei. São quatro: o requerimento de D. ao Sr. Ministro; o certificado de habilitações literárias de D.; o despacho do Sr. Ministro; a resposta do Sr. Director-Geral à requerente... De segredos de Estado passaram a segredos de Polichinelo. De qualquer modo, reconheço que a sua divulgação viola a privacidade de pelo menos uma cidadã. Outros nomes são públicos & notórios, o ministro (aliás, ex) e o seu director-geral. A própria cidadã é hoje, malgré elle, uma figura pública.
O que lhe dizer, em jeito de consolo ? Ora, minha querida D., não são apenas os media clássicos (a televisão, a rádio, os jornais...) que são predadores, a ciberdemocracia também é cruel, não respeitando nomeadamente os teus direitos de personalidade. Mas quem se expõe, cara cidadã, fica a descoberto... E quem mais perdeu nesta história foste tu, que querias estudar no teu país e ser médica!
Este caso não deixa de ser edificante para a reflexão da relação do cidadão com o Estado e para a própria prática da cidadania. Não sei se para os juristas isto é um belíssimo caso, não sei se vai tornar-se um case-study, não sei se se vão escrever grandes tratados sobre o famigerado despacho...
Felizmente somos um país feliz, e "um país feliz não tem história" (lá diz o provérbio popular). De facto, há quem pense que tudo isto não passou de um faits divers e, como tal, faz apenas parte da petite histoire ou do anedotário nacional. No fim tudo acabou em bem, como nos contos de fadas: desta vez os xico-espertos ficaram mal no filme... O Zé Povinho, que não é menos cruel que os ciberabutres, assobiou e pateou...
3. Uma profissão sem prestígio até à alvorada do Séc. XX
Cinco anos depois da grande reforma pombalina da Universidade de Coimbra, em 1772, justamente quando a estrela política de Pombal se apagava, escrevia o reitor (citado por Pina, 1938) que a faculdade de medicina era "pouco frequentada por quem tem meios de preparar-se para outros destinos mais bem reputados no conceito dos Povos" (sic) e "pela maior parte abandonada a estudantes mizeraveis e pobres" (sic). Na época, o estatuto socioeconómico do estudante universitário media-se pelo número de criados e de cavalos (ou mulas) ao seu serviço (Daí talvez o sentido irónico do provérrbio "Doutor da mula ruça").
Desde a sua criação, nos finais do Séc. XIII até à reforma pombalina de 1772, o curso de medicina sempre fôra pouco procurado:
(i) Três anos depois da instalação definitiva da universidade na cidade de Coimbra (1537), os estudantes de medicina eram apenas 10 num total de 642, ou seja, menos de 2% (Mira, 1947: 83);
(ii) Cento e setenta anos mais tarde, a proporção de alunos inscritos em medicina continuava a ser a mais baixa de todos os cursos: ao tempo em que o grande Ribeiro Sanches andou por Coimbra (1716/19), o total de matrículas em medicina, no correspondente quinquénio (1714/19), era de 466 (93, em média, por ano), o que representava apenas 5.7% do total dos alunos matriculados nas quatro faculdades (8136), nesse período;
(iii) As restantes matrículas distribuíam-se do seguinte modo: 77.6% em cânones (6315); 9.7% em leis (790); e 6.9% em teologia (565).
... Na alvorada do Séc., na Assembleia Constuinte de 1911, os médicos eram, curiosamente, o grupo profissional que estava mais representado, à frente dos militares e dos juristas... Sinais dos tempos!
Fonte: Graça, L. (1999) - A reforma pombalina dos estudos de 1772
4. Sacrificar os "verdes anos" para se ser médico
O que me preocupa na actual geração de estudantes de medicina não é tanto a quantidade como a qualidade dos médicos que vamos no futuro... Temos hoje um sistema reconhecidamente iníquo de selecção, baseado na "meritocracia" (o acesso atrvés das notas mais altas!), que pode ter consequências desvastadoras para todos: o estudante, o futuro médico, o sistema de saúde, os utentes/doentes, o país... Embora correndo o risco das generalizações abusivas, receio bem que os jovens médicos que estão a sair das nossas faculdades de medicina sejam pessoas que não tiveram adolescência ou não chegaram a completar a adolescência: sobretudo não tiveram tempo de ir à discoteca, de ler um livro de poesia ou um romance, de ir a um concerto de música ou a uma exposição de pintura, de visitar um museu, de viajar pela Europa for a (à boleia ou no interrail, como os seus pais), de namorar, de fazer asneiras (“desbundar”), de fugir de casa, em suma, de viver os "verdes anos".
Desde os 15 anos (ou desde o 10º ano do ensino secundário), pelo menos, os pobres rapazes e raparigas candidatos a especialidstas médicos passam pelo menos uma década e meia (até aos 28, 29, 30) a "marrar" (leia-se: a empinar milhares de fotocópias de compêndios!). Claro que há as honrosas excepções que salvam sempre a honra do convento...
O que é que tradicionalmente se valoriza no nosso sistema de ensino ? O gosto pela investigação científica ou o desenvolvimento tecnológico? A cidadania ? A cultura ? O saber ? O desenvolvimento pessoal ? A aventura intelectual ? A ética do trabalho, a deontologia profissional ? Nada disso: Receio que se premeie, antes de mais, a memória de elefante e a cultura de papagaio, além da capacidade de resistência dos grandes corredores de fundo!
É claro que o problema não é exclusivo da formação médica... Mas já dizia Abel Salazar, um grande médico e humanista português do Séc. XX: "Quem só sabe de medicina, não sabe de medicina nem sabe de nada"... Pode dizer-se o mesmo do direito, da engenharia, de sociologia ou de gestão. Honra se faça às nossas faculdades de medicina (e, nomeadamente, as mais recentes) que, apesar de tudo, se têm aberto ao ensino das ciências não-médicas, incluindo as ciências sociais e humanas...
Há uma revolução cultural, científica e pedagógica que está por fazer na nossa universidade. Seiscentos anos depois da sua criação (em finais do Séc. XIII), ainda não é fácil às nossas faculdades de medicina libertarem-se da “ganga” do ensino escolástico e sebenteiro.
Entretanto, a reforma da educação médica de que tanto se fala há anos é mais um parto doloroso e difícil. E não basta, meus senhores, acrescentar aos cadeirões biomédicos, uns pozinhos de sociologia, de psicologia, de economia e de saúde pública!
O que me preocupa é o perfil (humano...) do médico que estamos a preparar para o futuro. Não sei quantos jovens estudantes ficam pelo caminho, têm esgotamentos, passam por crises de depressão ou pensam em suicidar-se. Dir-me-ão que o problema não é especificamente português.
De qualquer modo, o que me preocupa é o risco de termos um jovem velho médico, aos trinta anos (e "aos trinta anos quem não é louco, é médico", diz o provérbio). Um jovem velho médico que não sabe ser nem sabe estar... não apenas como pessoa, como cidadão, como homem ou como mulher mas também como trabalhador da saúde.
Porque o nosso ensino é ainda, em parte, baseado no modelo do "mero acumulador de conhecimentos". Daí também a grande frustação de muitos médicos da geração do pós-25 de Abril que descobrem, algo tardiamente, que há coisas muitíssimo mais interessantes e fascinantes na vida do que estudar e praticar medicina. Quanto à actual geração, uma elite muito restrista, ligada à medicina mais tecnicista e economicamente rentável, terá porventura alguma chance de conhecer a fama e a glória (e ter o respectivo porveito). Para os outros, a grande maioria dos médicos, as expectativas de plena realização pessoal e profissional serão bem mais difíceis de satisfazer. Mas eu, que se calhar estava em dia não quando escrevi esta prosa, espero bem enganar-me a respeito deste cenário pessimista...
Conversa entre o filho de um ministro e a filha de outro ministro:
- Tens um minuto?
- Sim, claro.
- Decidi ir para Medicina.
- Decidiste ir para Medicina... Assim?!
- ... Sim!
- Mas, ouve lá, falaste com o teu Pai ?
- Não! Falei com o teu.
2. A nova doutrina do "a-uma-situação-excepcional-um-tratamento-excepcional"
Ser ou não filh@ de algo, eis a questão (?)... Circulam pela Net, descaradamente, em formato.pdf, os documentos relativos à famosa decisão do governante que, do alto do seu cadeirão, decidiu legiferar, criando uma nova doutrina: "A uma situação excepcional, um tratamento excepcional".
Como foram parar à Net, não sei. São quatro: o requerimento de D. ao Sr. Ministro; o certificado de habilitações literárias de D.; o despacho do Sr. Ministro; a resposta do Sr. Director-Geral à requerente... De segredos de Estado passaram a segredos de Polichinelo. De qualquer modo, reconheço que a sua divulgação viola a privacidade de pelo menos uma cidadã. Outros nomes são públicos & notórios, o ministro (aliás, ex) e o seu director-geral. A própria cidadã é hoje, malgré elle, uma figura pública.
O que lhe dizer, em jeito de consolo ? Ora, minha querida D., não são apenas os media clássicos (a televisão, a rádio, os jornais...) que são predadores, a ciberdemocracia também é cruel, não respeitando nomeadamente os teus direitos de personalidade. Mas quem se expõe, cara cidadã, fica a descoberto... E quem mais perdeu nesta história foste tu, que querias estudar no teu país e ser médica!
Este caso não deixa de ser edificante para a reflexão da relação do cidadão com o Estado e para a própria prática da cidadania. Não sei se para os juristas isto é um belíssimo caso, não sei se vai tornar-se um case-study, não sei se se vão escrever grandes tratados sobre o famigerado despacho...
Felizmente somos um país feliz, e "um país feliz não tem história" (lá diz o provérbio popular). De facto, há quem pense que tudo isto não passou de um faits divers e, como tal, faz apenas parte da petite histoire ou do anedotário nacional. No fim tudo acabou em bem, como nos contos de fadas: desta vez os xico-espertos ficaram mal no filme... O Zé Povinho, que não é menos cruel que os ciberabutres, assobiou e pateou...
3. Uma profissão sem prestígio até à alvorada do Séc. XX
Cinco anos depois da grande reforma pombalina da Universidade de Coimbra, em 1772, justamente quando a estrela política de Pombal se apagava, escrevia o reitor (citado por Pina, 1938) que a faculdade de medicina era "pouco frequentada por quem tem meios de preparar-se para outros destinos mais bem reputados no conceito dos Povos" (sic) e "pela maior parte abandonada a estudantes mizeraveis e pobres" (sic). Na época, o estatuto socioeconómico do estudante universitário media-se pelo número de criados e de cavalos (ou mulas) ao seu serviço (Daí talvez o sentido irónico do provérrbio "Doutor da mula ruça").
Desde a sua criação, nos finais do Séc. XIII até à reforma pombalina de 1772, o curso de medicina sempre fôra pouco procurado:
(i) Três anos depois da instalação definitiva da universidade na cidade de Coimbra (1537), os estudantes de medicina eram apenas 10 num total de 642, ou seja, menos de 2% (Mira, 1947: 83);
(ii) Cento e setenta anos mais tarde, a proporção de alunos inscritos em medicina continuava a ser a mais baixa de todos os cursos: ao tempo em que o grande Ribeiro Sanches andou por Coimbra (1716/19), o total de matrículas em medicina, no correspondente quinquénio (1714/19), era de 466 (93, em média, por ano), o que representava apenas 5.7% do total dos alunos matriculados nas quatro faculdades (8136), nesse período;
(iii) As restantes matrículas distribuíam-se do seguinte modo: 77.6% em cânones (6315); 9.7% em leis (790); e 6.9% em teologia (565).
... Na alvorada do Séc., na Assembleia Constuinte de 1911, os médicos eram, curiosamente, o grupo profissional que estava mais representado, à frente dos militares e dos juristas... Sinais dos tempos!
Fonte: Graça, L. (1999) - A reforma pombalina dos estudos de 1772
4. Sacrificar os "verdes anos" para se ser médico
O que me preocupa na actual geração de estudantes de medicina não é tanto a quantidade como a qualidade dos médicos que vamos no futuro... Temos hoje um sistema reconhecidamente iníquo de selecção, baseado na "meritocracia" (o acesso atrvés das notas mais altas!), que pode ter consequências desvastadoras para todos: o estudante, o futuro médico, o sistema de saúde, os utentes/doentes, o país... Embora correndo o risco das generalizações abusivas, receio bem que os jovens médicos que estão a sair das nossas faculdades de medicina sejam pessoas que não tiveram adolescência ou não chegaram a completar a adolescência: sobretudo não tiveram tempo de ir à discoteca, de ler um livro de poesia ou um romance, de ir a um concerto de música ou a uma exposição de pintura, de visitar um museu, de viajar pela Europa for a (à boleia ou no interrail, como os seus pais), de namorar, de fazer asneiras (“desbundar”), de fugir de casa, em suma, de viver os "verdes anos".
Desde os 15 anos (ou desde o 10º ano do ensino secundário), pelo menos, os pobres rapazes e raparigas candidatos a especialidstas médicos passam pelo menos uma década e meia (até aos 28, 29, 30) a "marrar" (leia-se: a empinar milhares de fotocópias de compêndios!). Claro que há as honrosas excepções que salvam sempre a honra do convento...
O que é que tradicionalmente se valoriza no nosso sistema de ensino ? O gosto pela investigação científica ou o desenvolvimento tecnológico? A cidadania ? A cultura ? O saber ? O desenvolvimento pessoal ? A aventura intelectual ? A ética do trabalho, a deontologia profissional ? Nada disso: Receio que se premeie, antes de mais, a memória de elefante e a cultura de papagaio, além da capacidade de resistência dos grandes corredores de fundo!
É claro que o problema não é exclusivo da formação médica... Mas já dizia Abel Salazar, um grande médico e humanista português do Séc. XX: "Quem só sabe de medicina, não sabe de medicina nem sabe de nada"... Pode dizer-se o mesmo do direito, da engenharia, de sociologia ou de gestão. Honra se faça às nossas faculdades de medicina (e, nomeadamente, as mais recentes) que, apesar de tudo, se têm aberto ao ensino das ciências não-médicas, incluindo as ciências sociais e humanas...
Há uma revolução cultural, científica e pedagógica que está por fazer na nossa universidade. Seiscentos anos depois da sua criação (em finais do Séc. XIII), ainda não é fácil às nossas faculdades de medicina libertarem-se da “ganga” do ensino escolástico e sebenteiro.
Entretanto, a reforma da educação médica de que tanto se fala há anos é mais um parto doloroso e difícil. E não basta, meus senhores, acrescentar aos cadeirões biomédicos, uns pozinhos de sociologia, de psicologia, de economia e de saúde pública!
O que me preocupa é o perfil (humano...) do médico que estamos a preparar para o futuro. Não sei quantos jovens estudantes ficam pelo caminho, têm esgotamentos, passam por crises de depressão ou pensam em suicidar-se. Dir-me-ão que o problema não é especificamente português.
De qualquer modo, o que me preocupa é o risco de termos um jovem velho médico, aos trinta anos (e "aos trinta anos quem não é louco, é médico", diz o provérbio). Um jovem velho médico que não sabe ser nem sabe estar... não apenas como pessoa, como cidadão, como homem ou como mulher mas também como trabalhador da saúde.
Porque o nosso ensino é ainda, em parte, baseado no modelo do "mero acumulador de conhecimentos". Daí também a grande frustação de muitos médicos da geração do pós-25 de Abril que descobrem, algo tardiamente, que há coisas muitíssimo mais interessantes e fascinantes na vida do que estudar e praticar medicina. Quanto à actual geração, uma elite muito restrista, ligada à medicina mais tecnicista e economicamente rentável, terá porventura alguma chance de conhecer a fama e a glória (e ter o respectivo porveito). Para os outros, a grande maioria dos médicos, as expectativas de plena realização pessoal e profissional serão bem mais difíceis de satisfazer. Mas eu, que se calhar estava em dia não quando escrevi esta prosa, espero bem enganar-me a respeito deste cenário pessimista...
Estórias com mural ao fundo - XI: Conversas com Deus ou o direito de tabaquear o caso
Churchil, Truman, De Gaulle e Estaline, os quatro grandes vencedores da II Guerra Mundial, encontram-se à porta do Céu, depois da sua histórica passagem pela Terra. Por sugestão do São Pedro e por deferência para com tão ilustres representantes do Planeta Azul, Deus dignou-s descer do seu trono e condescendeu em ir recebê-los pessoalmente.
Quis O Todo Poderoso logo ali fazer-lhes um teste de selecção, pedindo-lhes que formulassem um desejo. Estaline, em jogada de antecipação, e de punho erguido, gritou:
- Que os americanos se danem e vão parar ao inferno, Camarada!
Truman aceitou o repto e respondeu-lhe num ápice:
- Oh My God, fazei com que a Rússia soviética seja posta a ferro e fogo!
De Gaulle, em posição de sentido, formulou expressamente o desejo de entrar no céu e gritar “Vive la France!”:
- Mon bon Dieu de France, dai-me esse privilégio ! Só pelo prazer de ouvir o eco da minha própria voz a atravessar o Atlântico e fazer tremer os vidros da Casa Branca.
- E Vossa Excelência, Sir Winston Churchil, perguntou o Criador ?
- Oh My Lord, eu só quero um charuto… Mas pode servir primeiro esses senhores, que eu não tenho pressa.
Moral da história:
(1) A vingança serve-se fria, o último a rir é o que ri melhor.
(2) Deus protege os fumadores: Se Ele quisesse que a gente não fumasse,
não nos tinha dado pulmões, nariz e boca…
(3) Deus não desce do Olimpo para tabaquear o caso connosco (dizem os alentejanos).
(4) “Smoke, don’t make war”.
(5) Não peçam muito, peçam bem.
(6) Usem, mas não abusem… Muita saúde, pouca vida, que Deus não dá tudo!
(7) Cuida-te em terra, avia-te no céu.
(8) Deus faz-nos sempre a última vontade, a do condenado à morte.
(9) Fumar mata mas não é pecado: Pelo menos, não está escrito nos dez mandamentos.
(10) Letreiro à porta do cemitério: Campo da Igualdade, rico ou pobres, médico ou doente, tanto morres do mal como morres da cura.
Quis O Todo Poderoso logo ali fazer-lhes um teste de selecção, pedindo-lhes que formulassem um desejo. Estaline, em jogada de antecipação, e de punho erguido, gritou:
- Que os americanos se danem e vão parar ao inferno, Camarada!
Truman aceitou o repto e respondeu-lhe num ápice:
- Oh My God, fazei com que a Rússia soviética seja posta a ferro e fogo!
De Gaulle, em posição de sentido, formulou expressamente o desejo de entrar no céu e gritar “Vive la France!”:
- Mon bon Dieu de France, dai-me esse privilégio ! Só pelo prazer de ouvir o eco da minha própria voz a atravessar o Atlântico e fazer tremer os vidros da Casa Branca.
- E Vossa Excelência, Sir Winston Churchil, perguntou o Criador ?
- Oh My Lord, eu só quero um charuto… Mas pode servir primeiro esses senhores, que eu não tenho pressa.
Moral da história:
(1) A vingança serve-se fria, o último a rir é o que ri melhor.
(2) Deus protege os fumadores: Se Ele quisesse que a gente não fumasse,
não nos tinha dado pulmões, nariz e boca…
(3) Deus não desce do Olimpo para tabaquear o caso connosco (dizem os alentejanos).
(4) “Smoke, don’t make war”.
(5) Não peçam muito, peçam bem.
(6) Usem, mas não abusem… Muita saúde, pouca vida, que Deus não dá tudo!
(7) Cuida-te em terra, avia-te no céu.
(8) Deus faz-nos sempre a última vontade, a do condenado à morte.
(9) Fumar mata mas não é pecado: Pelo menos, não está escrito nos dez mandamentos.
(10) Letreiro à porta do cemitério: Campo da Igualdade, rico ou pobres, médico ou doente, tanto morres do mal como morres da cura.
Estórias com mural ao fundo - XI: Conversas com Deus ou o direito de tabaquear o caso
Churchil, Truman, De Gaulle e Estaline, os quatro grandes vencedores da II Guerra Mundial, encontram-se à porta do Céu, depois da sua histórica passagem pela Terra. Por sugestão do São Pedro e por deferência para com tão ilustres representantes do Planeta Azul, Deus dignou-s descer do seu trono e condescendeu em ir recebê-los pessoalmente.
Quis O Todo Poderoso logo ali fazer-lhes um teste de selecção, pedindo-lhes que formulassem um desejo. Estaline, em jogada de antecipação, e de punho erguido, gritou:
- Que os americanos se danem e vão parar ao inferno, Camarada!
Truman aceitou o repto e respondeu-lhe num ápice:
- Oh My God, fazei com que a Rússia soviética seja posta a ferro e fogo!
De Gaulle, em posição de sentido, formulou expressamente o desejo de entrar no céu e gritar “Vive la France!”:
- Mon bon Dieu de France, dai-me esse privilégio ! Só pelo prazer de ouvir o eco da minha própria voz a atravessar o Atlântico e fazer tremer os vidros da Casa Branca.
- E Vossa Excelência, Sir Winston Churchil, perguntou o Criador ?
- Oh My Lord, eu só quero um charuto… Mas pode servir primeiro esses senhores, que eu não tenho pressa.
Moral da história:
(1) A vingança serve-se fria, o último a rir é o que ri melhor.
(2) Deus protege os fumadores: Se Ele quisesse que a gente não fumasse,
não nos tinha dado pulmões, nariz e boca…
(3) Deus não desce do Olimpo para tabaquear o caso connosco (dizem os alentejanos).
(4) “Smoke, don’t make war”.
(5) Não peçam muito, peçam bem.
(6) Usem, mas não abusem… Muita saúde, pouca vida, que Deus não dá tudo!
(7) Cuida-te em terra, avia-te no céu.
(8) Deus faz-nos sempre a última vontade, a do condenado à morte.
(9) Fumar mata mas não é pecado: Pelo menos, não está escrito nos dez mandamentos.
(10) Letreiro à porta do cemitério: Campo da Igualdade, rico ou pobres, médico ou doente, tanto morres do mal como morres da cura.
Quis O Todo Poderoso logo ali fazer-lhes um teste de selecção, pedindo-lhes que formulassem um desejo. Estaline, em jogada de antecipação, e de punho erguido, gritou:
- Que os americanos se danem e vão parar ao inferno, Camarada!
Truman aceitou o repto e respondeu-lhe num ápice:
- Oh My God, fazei com que a Rússia soviética seja posta a ferro e fogo!
De Gaulle, em posição de sentido, formulou expressamente o desejo de entrar no céu e gritar “Vive la France!”:
- Mon bon Dieu de France, dai-me esse privilégio ! Só pelo prazer de ouvir o eco da minha própria voz a atravessar o Atlântico e fazer tremer os vidros da Casa Branca.
- E Vossa Excelência, Sir Winston Churchil, perguntou o Criador ?
- Oh My Lord, eu só quero um charuto… Mas pode servir primeiro esses senhores, que eu não tenho pressa.
Moral da história:
(1) A vingança serve-se fria, o último a rir é o que ri melhor.
(2) Deus protege os fumadores: Se Ele quisesse que a gente não fumasse,
não nos tinha dado pulmões, nariz e boca…
(3) Deus não desce do Olimpo para tabaquear o caso connosco (dizem os alentejanos).
(4) “Smoke, don’t make war”.
(5) Não peçam muito, peçam bem.
(6) Usem, mas não abusem… Muita saúde, pouca vida, que Deus não dá tudo!
(7) Cuida-te em terra, avia-te no céu.
(8) Deus faz-nos sempre a última vontade, a do condenado à morte.
(9) Fumar mata mas não é pecado: Pelo menos, não está escrito nos dez mandamentos.
(10) Letreiro à porta do cemitério: Campo da Igualdade, rico ou pobres, médico ou doente, tanto morres do mal como morres da cura.
13 outubro 2003
Estórias com mural ao fundo - X: Jesus Cristo e o malandro do portuga
Estavam um inglês, um francês e um portuga num bar irlandês, junto á zona ribeirinha do Tejo, quando o inglês diz aos outros:
- Ei, man, esse gajo que acabou de entrar é mesmo igualzinho ao Jesus Cristo!
- O quê, meu ? – perguntou o portuga, incrédulo.
- Impossible, ele morreu há dois mil anos ! - arrematou o francês.
- Estou-vos a dizer. A barba, a túnica....
O inglês levanta-se, dirige-se ao recém chegado e pergunta:
- Man, tu és o Jesus Cristo, não é verdade?
-Eu? Que ideia!
-Não tenho dúvidas. Tu és mesmo o Jesus Cristo.
-Já te disse que não... Mas fala mais baixinho, if you please!
- I'm sure, tu és o filho de Deus Pai, Todo Poderoso!
Depois de tanta insistência, o homem acabou por confessar a verdade:
-Sou efectivamente o Jesus Cristo, estou de férias, de passagem por Lisboa... mas não digas a ninguém, senão isto fica aqui um pandemónio.
-Fiz uma lesão no joelho em pequeno. Cura-me, My Lord!
-Milagres, não, meu filho. Tu vais contar aos teus amigos e eu passo a tarde a trabalhar.
O inglês tanto insiste que Jesus Cristo põe-lhe a mão sobre o joelho e cura-o.
-Obrigado, Senhor! Many thanks, many thanks!-, disse emocionado o inglês
-Sim, sim. Mas não grites e vai-te embora. Não contes nada a ninguém.
Claro que o ingês, mal chegou à mesa, desbundou, contou tudo aos amigos. O francês levantou-se logo e dirigiu-se a ele.
- Mon ami anglais m' a dit que tu es le fils du Seigneur... E que operaste um grande milagre. Sou um pobre marinheiro, tenho um olho de vidro... Un accident de travail, à la mer. Cura-me, por favor.
-Não sou nada Jesus Cristo. Fala baixinho.
O francês tanto lhe rogou que Jesus Cristo acabou também por passar-lhe a mão pelos olhos e curou-o.
-Vai-te agora embora, garçon, e não contes nada a ninguém.
Mas Jesus Cristo bem o viu a contar a grande maravilha aos amigos. Curioso, ficou à espera de ver o português levantar-se e ir ter com ele. O tempo foi passando e nada. Tomou então a iniciativa de dirigir-se à mesa dos três amigos e, pondo a mão sobre o ombro do portuga, começou a reinar com ele:
-Então, ó meu, tu não queres.....
O português levantou-se de um salto e afastou-se do alegado filho de Deus, com maus modos:
-Eh, pá, tira as manápulas de cima, que eu estou de baixa!
Moral da história:
Este era o milagre que o São Bagão Félix certamente gostaria que Jesus Cristo fizesse, na suas curtas férias de Lisboa, já que todos os anos há 800 mil portugueses com baixa, a cargo do Regime Geral da Segurança Social, custando cerca de 100 milhões de contos de subsídio por doença (incluindo a tuberculose)... Depois da promulgação do Código do trabalho, isto seria ouro sobre azul, o verdadeiro grande milagre: o regresso da malandragem toda ao trabalho!...
No caso desta história, bem poderia aplicar-se ao malandro do portuga o provérbio: "Faz bem ao vilão, morder-te-á a mão; castiga o vilão, beijar-te-á a mão".
Fonte: (Ex)citações de cada dia: Fóruns sobre Segurança e Saúde no Trabalho
- Ei, man, esse gajo que acabou de entrar é mesmo igualzinho ao Jesus Cristo!
- O quê, meu ? – perguntou o portuga, incrédulo.
- Impossible, ele morreu há dois mil anos ! - arrematou o francês.
- Estou-vos a dizer. A barba, a túnica....
O inglês levanta-se, dirige-se ao recém chegado e pergunta:
- Man, tu és o Jesus Cristo, não é verdade?
-Eu? Que ideia!
-Não tenho dúvidas. Tu és mesmo o Jesus Cristo.
-Já te disse que não... Mas fala mais baixinho, if you please!
- I'm sure, tu és o filho de Deus Pai, Todo Poderoso!
Depois de tanta insistência, o homem acabou por confessar a verdade:
-Sou efectivamente o Jesus Cristo, estou de férias, de passagem por Lisboa... mas não digas a ninguém, senão isto fica aqui um pandemónio.
-Fiz uma lesão no joelho em pequeno. Cura-me, My Lord!
-Milagres, não, meu filho. Tu vais contar aos teus amigos e eu passo a tarde a trabalhar.
O inglês tanto insiste que Jesus Cristo põe-lhe a mão sobre o joelho e cura-o.
-Obrigado, Senhor! Many thanks, many thanks!-, disse emocionado o inglês
-Sim, sim. Mas não grites e vai-te embora. Não contes nada a ninguém.
Claro que o ingês, mal chegou à mesa, desbundou, contou tudo aos amigos. O francês levantou-se logo e dirigiu-se a ele.
- Mon ami anglais m' a dit que tu es le fils du Seigneur... E que operaste um grande milagre. Sou um pobre marinheiro, tenho um olho de vidro... Un accident de travail, à la mer. Cura-me, por favor.
-Não sou nada Jesus Cristo. Fala baixinho.
O francês tanto lhe rogou que Jesus Cristo acabou também por passar-lhe a mão pelos olhos e curou-o.
-Vai-te agora embora, garçon, e não contes nada a ninguém.
Mas Jesus Cristo bem o viu a contar a grande maravilha aos amigos. Curioso, ficou à espera de ver o português levantar-se e ir ter com ele. O tempo foi passando e nada. Tomou então a iniciativa de dirigir-se à mesa dos três amigos e, pondo a mão sobre o ombro do portuga, começou a reinar com ele:
-Então, ó meu, tu não queres.....
O português levantou-se de um salto e afastou-se do alegado filho de Deus, com maus modos:
-Eh, pá, tira as manápulas de cima, que eu estou de baixa!
Moral da história:
Este era o milagre que o São Bagão Félix certamente gostaria que Jesus Cristo fizesse, na suas curtas férias de Lisboa, já que todos os anos há 800 mil portugueses com baixa, a cargo do Regime Geral da Segurança Social, custando cerca de 100 milhões de contos de subsídio por doença (incluindo a tuberculose)... Depois da promulgação do Código do trabalho, isto seria ouro sobre azul, o verdadeiro grande milagre: o regresso da malandragem toda ao trabalho!...
No caso desta história, bem poderia aplicar-se ao malandro do portuga o provérbio: "Faz bem ao vilão, morder-te-á a mão; castiga o vilão, beijar-te-á a mão".
Fonte: (Ex)citações de cada dia: Fóruns sobre Segurança e Saúde no Trabalho
Estórias com mural ao fundo - X: Jesus Cristo e o malandro do portuga
Estavam um inglês, um francês e um portuga num bar irlandês, junto á zona ribeirinha do Tejo, quando o inglês diz aos outros:
- Ei, man, esse gajo que acabou de entrar é mesmo igualzinho ao Jesus Cristo!
- O quê, meu ? – perguntou o portuga, incrédulo.
- Impossible, ele morreu há dois mil anos ! - arrematou o francês.
- Estou-vos a dizer. A barba, a túnica....
O inglês levanta-se, dirige-se ao recém chegado e pergunta:
- Man, tu és o Jesus Cristo, não é verdade?
-Eu? Que ideia!
-Não tenho dúvidas. Tu és mesmo o Jesus Cristo.
-Já te disse que não... Mas fala mais baixinho, if you please!
- I'm sure, tu és o filho de Deus Pai, Todo Poderoso!
Depois de tanta insistência, o homem acabou por confessar a verdade:
-Sou efectivamente o Jesus Cristo, estou de férias, de passagem por Lisboa... mas não digas a ninguém, senão isto fica aqui um pandemónio.
-Fiz uma lesão no joelho em pequeno. Cura-me, My Lord!
-Milagres, não, meu filho. Tu vais contar aos teus amigos e eu passo a tarde a trabalhar.
O inglês tanto insiste que Jesus Cristo põe-lhe a mão sobre o joelho e cura-o.
-Obrigado, Senhor! Many thanks, many thanks!-, disse emocionado o inglês
-Sim, sim. Mas não grites e vai-te embora. Não contes nada a ninguém.
Claro que o ingês, mal chegou à mesa, desbundou, contou tudo aos amigos. O francês levantou-se logo e dirigiu-se a ele.
- Mon ami anglais m' a dit que tu es le fils du Seigneur... E que operaste um grande milagre. Sou um pobre marinheiro, tenho um olho de vidro... Un accident de travail, à la mer. Cura-me, por favor.
-Não sou nada Jesus Cristo. Fala baixinho.
O francês tanto lhe rogou que Jesus Cristo acabou também por passar-lhe a mão pelos olhos e curou-o.
-Vai-te agora embora, garçon, e não contes nada a ninguém.
Mas Jesus Cristo bem o viu a contar a grande maravilha aos amigos. Curioso, ficou à espera de ver o português levantar-se e ir ter com ele. O tempo foi passando e nada. Tomou então a iniciativa de dirigir-se à mesa dos três amigos e, pondo a mão sobre o ombro do portuga, começou a reinar com ele:
-Então, ó meu, tu não queres.....
O português levantou-se de um salto e afastou-se do alegado filho de Deus, com maus modos:
-Eh, pá, tira as manápulas de cima, que eu estou de baixa!
Moral da história:
Este era o milagre que o São Bagão Félix certamente gostaria que Jesus Cristo fizesse, na suas curtas férias de Lisboa, já que todos os anos há 800 mil portugueses com baixa, a cargo do Regime Geral da Segurança Social, custando cerca de 100 milhões de contos de subsídio por doença (incluindo a tuberculose)... Depois da promulgação do Código do trabalho, isto seria ouro sobre azul, o verdadeiro grande milagre: o regresso da malandragem toda ao trabalho!...
No caso desta história, bem poderia aplicar-se ao malandro do portuga o provérbio: "Faz bem ao vilão, morder-te-á a mão; castiga o vilão, beijar-te-á a mão".
Fonte: (Ex)citações de cada dia: Fóruns sobre Segurança e Saúde no Trabalho
- Ei, man, esse gajo que acabou de entrar é mesmo igualzinho ao Jesus Cristo!
- O quê, meu ? – perguntou o portuga, incrédulo.
- Impossible, ele morreu há dois mil anos ! - arrematou o francês.
- Estou-vos a dizer. A barba, a túnica....
O inglês levanta-se, dirige-se ao recém chegado e pergunta:
- Man, tu és o Jesus Cristo, não é verdade?
-Eu? Que ideia!
-Não tenho dúvidas. Tu és mesmo o Jesus Cristo.
-Já te disse que não... Mas fala mais baixinho, if you please!
- I'm sure, tu és o filho de Deus Pai, Todo Poderoso!
Depois de tanta insistência, o homem acabou por confessar a verdade:
-Sou efectivamente o Jesus Cristo, estou de férias, de passagem por Lisboa... mas não digas a ninguém, senão isto fica aqui um pandemónio.
-Fiz uma lesão no joelho em pequeno. Cura-me, My Lord!
-Milagres, não, meu filho. Tu vais contar aos teus amigos e eu passo a tarde a trabalhar.
O inglês tanto insiste que Jesus Cristo põe-lhe a mão sobre o joelho e cura-o.
-Obrigado, Senhor! Many thanks, many thanks!-, disse emocionado o inglês
-Sim, sim. Mas não grites e vai-te embora. Não contes nada a ninguém.
Claro que o ingês, mal chegou à mesa, desbundou, contou tudo aos amigos. O francês levantou-se logo e dirigiu-se a ele.
- Mon ami anglais m' a dit que tu es le fils du Seigneur... E que operaste um grande milagre. Sou um pobre marinheiro, tenho um olho de vidro... Un accident de travail, à la mer. Cura-me, por favor.
-Não sou nada Jesus Cristo. Fala baixinho.
O francês tanto lhe rogou que Jesus Cristo acabou também por passar-lhe a mão pelos olhos e curou-o.
-Vai-te agora embora, garçon, e não contes nada a ninguém.
Mas Jesus Cristo bem o viu a contar a grande maravilha aos amigos. Curioso, ficou à espera de ver o português levantar-se e ir ter com ele. O tempo foi passando e nada. Tomou então a iniciativa de dirigir-se à mesa dos três amigos e, pondo a mão sobre o ombro do portuga, começou a reinar com ele:
-Então, ó meu, tu não queres.....
O português levantou-se de um salto e afastou-se do alegado filho de Deus, com maus modos:
-Eh, pá, tira as manápulas de cima, que eu estou de baixa!
Moral da história:
Este era o milagre que o São Bagão Félix certamente gostaria que Jesus Cristo fizesse, na suas curtas férias de Lisboa, já que todos os anos há 800 mil portugueses com baixa, a cargo do Regime Geral da Segurança Social, custando cerca de 100 milhões de contos de subsídio por doença (incluindo a tuberculose)... Depois da promulgação do Código do trabalho, isto seria ouro sobre azul, o verdadeiro grande milagre: o regresso da malandragem toda ao trabalho!...
No caso desta história, bem poderia aplicar-se ao malandro do portuga o provérbio: "Faz bem ao vilão, morder-te-á a mão; castiga o vilão, beijar-te-á a mão".
Fonte: (Ex)citações de cada dia: Fóruns sobre Segurança e Saúde no Trabalho
11 outubro 2003
Portugal Sacro-Profano- III: Raça, precisa-se
"Falta raça ao jogador português" (Expresso, 11 de Outubro de 2003)
"O português tem receio de mostrar o que é, é um pouco comedido . (...) O português parece com um pouco de receio de ser feliz" (Scolari, brasileiro, treinador da selecção portuguesa de futebol. Expresso, 11 de Outubro de 2003).
"O que eu gostaria de deixar como herança, (...) é aquilo que eu mais admiro nos meus antepassados, a capacidade de ultrapassarem as adversidades e de criar algo de novo, aceitando os desafios" (Manuel Alfredo de Mello, gestor, português, Expresso, 11 de Outubro de 2003).
"Gosto particularmente de biografias. Prefiro a realidade à ficção" (Luís Simões, empresário, português. Visão, 9 de Outubro de 2003).
"O fado, infelizmente, deixou de ser dançado e gostava de ainda ver no meu tempo o fado restituído à sua plenitude: tocado e cantado, mas também dançado "( Carlos do Carmo, fadista, português. Expresso, 11 de Outubro de 2003).
"O português tem receio de mostrar o que é, é um pouco comedido . (...) O português parece com um pouco de receio de ser feliz" (Scolari, brasileiro, treinador da selecção portuguesa de futebol. Expresso, 11 de Outubro de 2003).
"O que eu gostaria de deixar como herança, (...) é aquilo que eu mais admiro nos meus antepassados, a capacidade de ultrapassarem as adversidades e de criar algo de novo, aceitando os desafios" (Manuel Alfredo de Mello, gestor, português, Expresso, 11 de Outubro de 2003).
"Gosto particularmente de biografias. Prefiro a realidade à ficção" (Luís Simões, empresário, português. Visão, 9 de Outubro de 2003).
"O fado, infelizmente, deixou de ser dançado e gostava de ainda ver no meu tempo o fado restituído à sua plenitude: tocado e cantado, mas também dançado "( Carlos do Carmo, fadista, português. Expresso, 11 de Outubro de 2003).
Portugal Sacro-Profano- III: Raça, precisa-se
"Falta raça ao jogador português" (Expresso, 11 de Outubro de 2003)
"O português tem receio de mostrar o que é, é um pouco comedido . (...) O português parece com um pouco de receio de ser feliz" (Scolari, brasileiro, treinador da selecção portuguesa de futebol. Expresso, 11 de Outubro de 2003).
"O que eu gostaria de deixar como herança, (...) é aquilo que eu mais admiro nos meus antepassados, a capacidade de ultrapassarem as adversidades e de criar algo de novo, aceitando os desafios" (Manuel Alfredo de Mello, gestor, português, Expresso, 11 de Outubro de 2003).
"Gosto particularmente de biografias. Prefiro a realidade à ficção" (Luís Simões, empresário, português. Visão, 9 de Outubro de 2003).
"O fado, infelizmente, deixou de ser dançado e gostava de ainda ver no meu tempo o fado restituído à sua plenitude: tocado e cantado, mas também dançado "( Carlos do Carmo, fadista, português. Expresso, 11 de Outubro de 2003).
"O português tem receio de mostrar o que é, é um pouco comedido . (...) O português parece com um pouco de receio de ser feliz" (Scolari, brasileiro, treinador da selecção portuguesa de futebol. Expresso, 11 de Outubro de 2003).
"O que eu gostaria de deixar como herança, (...) é aquilo que eu mais admiro nos meus antepassados, a capacidade de ultrapassarem as adversidades e de criar algo de novo, aceitando os desafios" (Manuel Alfredo de Mello, gestor, português, Expresso, 11 de Outubro de 2003).
"Gosto particularmente de biografias. Prefiro a realidade à ficção" (Luís Simões, empresário, português. Visão, 9 de Outubro de 2003).
"O fado, infelizmente, deixou de ser dançado e gostava de ainda ver no meu tempo o fado restituído à sua plenitude: tocado e cantado, mas também dançado "( Carlos do Carmo, fadista, português. Expresso, 11 de Outubro de 2003).
Portugal sacro-profano - I: Do Colo do Pito à Catraia do Buraco
Terras de Espanha, areias de Portugal...
1. Estes são alguns nomes de santas terrinhas (e outros lugares menos santos ) que existem em placas toponímicas, por esse Portugal fora. Algumas foram muito provavelmente carbonizadas pelo fogo do inferno (de que Deus nos livre!), o qual, neste verão de má memória, varreu o nosso chão sagrado, de norte a sul e de leste a oeste (...Com tantas blasfémias e tanta gente ímpia, o que é que vocês esperavam ?).
Não faço a mínima ideia de quem foi o conquistador franco, o fundador, o povoador, o bandeirante, o geógrafo, o marinheiro, o corsário, o padre, o santo, o poeta ou o até o eleito (o autarca) que deu o nome à(s) coisa(s)... É certo que o país, a terra, os pais, os irmãos e o nome de baptismo a gente não é livre de escolher... (Mas devia ser, já que se fala tanto, hoje em dia, em direitos de personalidade!).
2. Convenhamos que há sítios mais (im)próprios do que outros para uma pessoa nascer, viver, respirar, amar, trabalhar e morrer....Vocês já imaginaram serem conterrâneos dos habitantes, por exemplo, de Cabrão, Cama Porca, Catraia do Buraco, Colo do Pito, Focinho de Cão, Paitorto, Picha, Punhete, Rego do Azar, Rio Seco dos Marmelos ou Venda da Gaita ? Por mim não vejo mal nenhum nisso, desde que os portugas lá nascidos não se sintam discriminados e sejam felizes... Afinal, são flores (brutas, espontâneas, singelas) destas Terras de Espanha, Areias de Portugal...
Mas um dia destes suspeito que os eurocratas de Bruxelas irão tomar conta de mais este dossiê e normalizar a(s) coisa(s)... Como têm feito com (quase) tudo o resto: a pêra e o pêro, por exemplo, que só podem ir à nossa mesa se forem calibradas pelos aferidores de Bruxelas!.. Por isso é que esses são chamados de... peritos (que são pêros mais pequenos, devidamene calibrados).
Para já, não pode haver nenhum sítio, no espaço único europeu, chamado Mata Porcas, por exemplo, pela simples razão de que matar o porco ou a porca em casa, no quintal, na praia, na rua ou no adro da igreja é um grave atentado à saúde pública e à unidade sócio-cultural do super-Estado de Schengen, para além de um espectáculo bárbaro que pode até agudizar a má-consciência dos carniceiros europeus... E depois vamos lá ver: há nomes que são perigosos, podendo ter (i) conotações pedófilas como Catraia do Buraco; ou (ii) erótico-satíricas, para não dizer mesmo pornográficas, como Senhora do Alívio, susceptíveis de ferir a sensibilidade dos crentes ou provocar a ira dos ateus...
Quanto ao Cu de Judas, garanto-vos que não foi um invenção do (do-nosso-próximo-Prémio-Nobel-da-Literatura-que-já-não-há-de-chegar-a-ser) António Lobo Antunes (e é pena, por que o gajo é um génio!).
Pois bem, o Cu de Judas existe mesmo e fica algures no meio do Atlântico... Provavelmente o sítio terá sido descoberto pelos homens da Nau Catrineta quando, sofrendo de miragens, já viam Terras-de-Espanha-Areias-de-Portugal por um canudo (Coitados naquele tempo não havia escolaridade obrigatória, nem se aprendia geografia pelos livros, nem muito menos havia internet!...).
3. Depois deste paleio todo, aqui vai a lista (necessariamente incompleta, logo aberta...) com os nomes das ditas santas terrinhas e dos outros lugares menos santos, seguidos do respectivo concelho (ou ilha). Este é o Portugal sacro-profano (como diria o saudoso poeta Ruy Belo), que também nos coube em herança.
A lista destina-se àquela camada mais adiposa dos portugas que viajam muito por países exóticos e não têm tempo para conhecer a santa terrinha que Deus lhes deu e o Dom Afonso Henriques e seus façanhudos descendentes conquistaram aos marafados dos berberes...
Se vocês se (a)lembrarem de mais alguns nomes, registem e acrescentem, que não pagam nada. Trata-se de um trabalho colectivo, de muitas e desvairadas (ciber)gentes. Provavelmente esta é a última oportunidade que ainda têm de conhecer o Portugal profundo em vias de extinção.
De futuro, e a acreditar nas projecções demográficas do INE (leia-se: Instituto Nacional de Estatística) ninguém mais nascerá no Chiqueiro, no Cemitério ou na Venda da Porca, mas sim na Maternidade Alfredo da Costa, na Júlio Dinis e sobretudo nos novos Hospitais SA do Portugal do Século XXI).
A
Agua Derramada - Grândola
Aliviada - Marco de Canaveses
Amor - Leiria
Angústias - Paredes de Coura
Às dez - Angra do Heroísmo
B
Bagaceira – Calheta
Bairro do Fim do Mundo - Cascais
Baixa da Banheira - Antigo Lugar da Banheira (Séc. XV), Moita
Bêbeda - Sines
Bexiga - Tomar
Bicha - Gondomar
Bicho - Santo Tirso
C
Cabeçudos - Marvão
Cabrão - Ponte de Lima
Cabrões - Santo Tirso
Cama Porca - Alhandra
Campa do Preto – Maia
Casal da Gaita - Lourinhã
Casal de Água de Todo o Ano - Abrantes
Catraia do Buraco - Belmonte
Cemitério - Paços de Ferreira
Chiqueiro – Lousã
Coina – Barreiro
Coito - (Vários concelhos)
Colo do Pito - Castro Daire
Cova da Moura - Amadaora
Coxo - Vila da Praia da Vitória, Oliveira de Azeméis e Felgueiras
Crucifixo – Tramagal
Cu de Judas – Ilha de São Miguel, Açores
D
Deixa-o-Resto – Santiago do Cacém
Deserto - Alcoutim, Coruche e Estremoz
E
Endiabrada - Aljezur e Odemira
Esgaravatadouro - Monchique
F/G/H
Focinho de Cão - Aljustrel
Garanhão - Ponte da Barca
Hospícios - Azeitão
I/J
Imaginário - Caldas da Rainha
Jerusalém do Romeu - Mirandela
M/N/O
Mal Lavado - Odemira
Máquina - Cabeceiras de Basto
Mata Cães – Torres Vedras
Mata Mouros - Vila do Bispo
Mata Porcas - Lagos e Monchique
Monte dos Tesos - Avis
Namorados - Castro Verde e Mértola
Orelhudo - Coimbra
P
Paimogo - Lourinhã
Paitorto - Mirandela
Paixão - Celorico de Basto e Vieira do Minho
Paraíso - (Vários)
Passado - Vila Verde
Pedaço Mau - Vila Nova de Ourém
Pés Escaldados - Arganil
Picha - Pedrógão Grande
Pirescoxe - Santa Iria da Azóia, Loures (a terra em que viu nascer gente operária e militantes comunistas como o Jerónimo de Sousa)
Pitões das Júnias - Montalegre
Pobreza – Caminha
Poço de Boliqueime – Loulé
Poço dos Mouros - Lisboa
Ponta - Lajes das Flores e Porto Santo
Porca - Ponte de Lima
Porqueiras - Sítio da freguesia de Seixo Amarelo, Guarda
Presa dos Mouros - Lagoa
Pulo do Lobo - Mértola (celebrizado pelo Prof. Cavaco Silva, e tornado o símbolo do Portugal profundo)
Punhete - Valongo
Purgatório - Albufeira
Q
Quartos - Vila Verde e Loulé
Quinta de Comichão - Guarda
Quinta do Himalaia - Barreiro
R
Rabo de Peixe - Ilha de São Miguel, Açores
Rabo de Porco - Penela
Rato - Barcelos e Vila Nova de Famalicão
Ratoeira - Vila Nova de Cerveira
Rata - (11 concelhos, pelo menos: Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Murça, Santarém, Santiago do Cacém e Tondela)
Rego do Azar - Ponte de Lima
Rio Seco dos Marmelos - Ferreira do Alentejo
S
Senhora do Alívio - Baião
Sítio das Solteiras - Tavira
T´
Terra da Gaja – Lousã
Tomates - Albufeira
Traseiros - Oliveira de Azeméis
V
Vacalouras - Castanheira de Pêra
Vaginha - Vagos
Vale da Rata – Almodôvar
Venda da Gaita - Tomar
Venda da Porca - Estremoz
Venda das Pulgas - Mafra
Venda das Raparigas - Alcobaça
Vale de Mortos - Beja
Venda dos Pretos - Leiria
Vergas - Vagos
Vila Nova do Coito - Santarém
Vilar de Vacas - Antigo nome de Ruivães, concelho de Vieira do Minho
Vinha da Desgraça - Coruche
Violência - Paredes de Coura
1. Estes são alguns nomes de santas terrinhas (e outros lugares menos santos ) que existem em placas toponímicas, por esse Portugal fora. Algumas foram muito provavelmente carbonizadas pelo fogo do inferno (de que Deus nos livre!), o qual, neste verão de má memória, varreu o nosso chão sagrado, de norte a sul e de leste a oeste (...Com tantas blasfémias e tanta gente ímpia, o que é que vocês esperavam ?).
Não faço a mínima ideia de quem foi o conquistador franco, o fundador, o povoador, o bandeirante, o geógrafo, o marinheiro, o corsário, o padre, o santo, o poeta ou o até o eleito (o autarca) que deu o nome à(s) coisa(s)... É certo que o país, a terra, os pais, os irmãos e o nome de baptismo a gente não é livre de escolher... (Mas devia ser, já que se fala tanto, hoje em dia, em direitos de personalidade!).
2. Convenhamos que há sítios mais (im)próprios do que outros para uma pessoa nascer, viver, respirar, amar, trabalhar e morrer....Vocês já imaginaram serem conterrâneos dos habitantes, por exemplo, de Cabrão, Cama Porca, Catraia do Buraco, Colo do Pito, Focinho de Cão, Paitorto, Picha, Punhete, Rego do Azar, Rio Seco dos Marmelos ou Venda da Gaita ? Por mim não vejo mal nenhum nisso, desde que os portugas lá nascidos não se sintam discriminados e sejam felizes... Afinal, são flores (brutas, espontâneas, singelas) destas Terras de Espanha, Areias de Portugal...
Mas um dia destes suspeito que os eurocratas de Bruxelas irão tomar conta de mais este dossiê e normalizar a(s) coisa(s)... Como têm feito com (quase) tudo o resto: a pêra e o pêro, por exemplo, que só podem ir à nossa mesa se forem calibradas pelos aferidores de Bruxelas!.. Por isso é que esses são chamados de... peritos (que são pêros mais pequenos, devidamene calibrados).
Para já, não pode haver nenhum sítio, no espaço único europeu, chamado Mata Porcas, por exemplo, pela simples razão de que matar o porco ou a porca em casa, no quintal, na praia, na rua ou no adro da igreja é um grave atentado à saúde pública e à unidade sócio-cultural do super-Estado de Schengen, para além de um espectáculo bárbaro que pode até agudizar a má-consciência dos carniceiros europeus... E depois vamos lá ver: há nomes que são perigosos, podendo ter (i) conotações pedófilas como Catraia do Buraco; ou (ii) erótico-satíricas, para não dizer mesmo pornográficas, como Senhora do Alívio, susceptíveis de ferir a sensibilidade dos crentes ou provocar a ira dos ateus...
Quanto ao Cu de Judas, garanto-vos que não foi um invenção do (do-nosso-próximo-Prémio-Nobel-da-Literatura-que-já-não-há-de-chegar-a-ser) António Lobo Antunes (e é pena, por que o gajo é um génio!).
Pois bem, o Cu de Judas existe mesmo e fica algures no meio do Atlântico... Provavelmente o sítio terá sido descoberto pelos homens da Nau Catrineta quando, sofrendo de miragens, já viam Terras-de-Espanha-Areias-de-Portugal por um canudo (Coitados naquele tempo não havia escolaridade obrigatória, nem se aprendia geografia pelos livros, nem muito menos havia internet!...).
3. Depois deste paleio todo, aqui vai a lista (necessariamente incompleta, logo aberta...) com os nomes das ditas santas terrinhas e dos outros lugares menos santos, seguidos do respectivo concelho (ou ilha). Este é o Portugal sacro-profano (como diria o saudoso poeta Ruy Belo), que também nos coube em herança.
A lista destina-se àquela camada mais adiposa dos portugas que viajam muito por países exóticos e não têm tempo para conhecer a santa terrinha que Deus lhes deu e o Dom Afonso Henriques e seus façanhudos descendentes conquistaram aos marafados dos berberes...
Se vocês se (a)lembrarem de mais alguns nomes, registem e acrescentem, que não pagam nada. Trata-se de um trabalho colectivo, de muitas e desvairadas (ciber)gentes. Provavelmente esta é a última oportunidade que ainda têm de conhecer o Portugal profundo em vias de extinção.
De futuro, e a acreditar nas projecções demográficas do INE (leia-se: Instituto Nacional de Estatística) ninguém mais nascerá no Chiqueiro, no Cemitério ou na Venda da Porca, mas sim na Maternidade Alfredo da Costa, na Júlio Dinis e sobretudo nos novos Hospitais SA do Portugal do Século XXI).
A
Agua Derramada - Grândola
Aliviada - Marco de Canaveses
Amor - Leiria
Angústias - Paredes de Coura
Às dez - Angra do Heroísmo
B
Bagaceira – Calheta
Bairro do Fim do Mundo - Cascais
Baixa da Banheira - Antigo Lugar da Banheira (Séc. XV), Moita
Bêbeda - Sines
Bexiga - Tomar
Bicha - Gondomar
Bicho - Santo Tirso
C
Cabeçudos - Marvão
Cabrão - Ponte de Lima
Cabrões - Santo Tirso
Cama Porca - Alhandra
Campa do Preto – Maia
Casal da Gaita - Lourinhã
Casal de Água de Todo o Ano - Abrantes
Catraia do Buraco - Belmonte
Cemitério - Paços de Ferreira
Chiqueiro – Lousã
Coina – Barreiro
Coito - (Vários concelhos)
Colo do Pito - Castro Daire
Cova da Moura - Amadaora
Coxo - Vila da Praia da Vitória, Oliveira de Azeméis e Felgueiras
Crucifixo – Tramagal
Cu de Judas – Ilha de São Miguel, Açores
D
Deixa-o-Resto – Santiago do Cacém
Deserto - Alcoutim, Coruche e Estremoz
E
Endiabrada - Aljezur e Odemira
Esgaravatadouro - Monchique
F/G/H
Focinho de Cão - Aljustrel
Garanhão - Ponte da Barca
Hospícios - Azeitão
I/J
Imaginário - Caldas da Rainha
Jerusalém do Romeu - Mirandela
M/N/O
Mal Lavado - Odemira
Máquina - Cabeceiras de Basto
Mata Cães – Torres Vedras
Mata Mouros - Vila do Bispo
Mata Porcas - Lagos e Monchique
Monte dos Tesos - Avis
Namorados - Castro Verde e Mértola
Orelhudo - Coimbra
P
Paimogo - Lourinhã
Paitorto - Mirandela
Paixão - Celorico de Basto e Vieira do Minho
Paraíso - (Vários)
Passado - Vila Verde
Pedaço Mau - Vila Nova de Ourém
Pés Escaldados - Arganil
Picha - Pedrógão Grande
Pirescoxe - Santa Iria da Azóia, Loures (a terra em que viu nascer gente operária e militantes comunistas como o Jerónimo de Sousa)
Pitões das Júnias - Montalegre
Pobreza – Caminha
Poço de Boliqueime – Loulé
Poço dos Mouros - Lisboa
Ponta - Lajes das Flores e Porto Santo
Porca - Ponte de Lima
Porqueiras - Sítio da freguesia de Seixo Amarelo, Guarda
Presa dos Mouros - Lagoa
Pulo do Lobo - Mértola (celebrizado pelo Prof. Cavaco Silva, e tornado o símbolo do Portugal profundo)
Punhete - Valongo
Purgatório - Albufeira
Q
Quartos - Vila Verde e Loulé
Quinta de Comichão - Guarda
Quinta do Himalaia - Barreiro
R
Rabo de Peixe - Ilha de São Miguel, Açores
Rabo de Porco - Penela
Rato - Barcelos e Vila Nova de Famalicão
Ratoeira - Vila Nova de Cerveira
Rata - (11 concelhos, pelo menos: Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Murça, Santarém, Santiago do Cacém e Tondela)
Rego do Azar - Ponte de Lima
Rio Seco dos Marmelos - Ferreira do Alentejo
S
Senhora do Alívio - Baião
Sítio das Solteiras - Tavira
T´
Terra da Gaja – Lousã
Tomates - Albufeira
Traseiros - Oliveira de Azeméis
V
Vacalouras - Castanheira de Pêra
Vaginha - Vagos
Vale da Rata – Almodôvar
Venda da Gaita - Tomar
Venda da Porca - Estremoz
Venda das Pulgas - Mafra
Venda das Raparigas - Alcobaça
Vale de Mortos - Beja
Venda dos Pretos - Leiria
Vergas - Vagos
Vila Nova do Coito - Santarém
Vilar de Vacas - Antigo nome de Ruivães, concelho de Vieira do Minho
Vinha da Desgraça - Coruche
Violência - Paredes de Coura
Portugal sacro-profano - I: Do Colo do Pito à Catraia do Buraco
Terras de Espanha, areias de Portugal...
1. Estes são alguns nomes de santas terrinhas (e outros lugares menos santos ) que existem em placas toponímicas, por esse Portugal fora. Algumas foram muito provavelmente carbonizadas pelo fogo do inferno (de que Deus nos livre!), o qual, neste verão de má memória, varreu o nosso chão sagrado, de norte a sul e de leste a oeste (...Com tantas blasfémias e tanta gente ímpia, o que é que vocês esperavam ?).
Não faço a mínima ideia de quem foi o conquistador franco, o fundador, o povoador, o bandeirante, o geógrafo, o marinheiro, o corsário, o padre, o santo, o poeta ou o até o eleito (o autarca) que deu o nome à(s) coisa(s)... É certo que o país, a terra, os pais, os irmãos e o nome de baptismo a gente não é livre de escolher... (Mas devia ser, já que se fala tanto, hoje em dia, em direitos de personalidade!).
2. Convenhamos que há sítios mais (im)próprios do que outros para uma pessoa nascer, viver, respirar, amar, trabalhar e morrer....Vocês já imaginaram serem conterrâneos dos habitantes, por exemplo, de Cabrão, Cama Porca, Catraia do Buraco, Colo do Pito, Focinho de Cão, Paitorto, Picha, Punhete, Rego do Azar, Rio Seco dos Marmelos ou Venda da Gaita ? Por mim não vejo mal nenhum nisso, desde que os portugas lá nascidos não se sintam discriminados e sejam felizes... Afinal, são flores (brutas, espontâneas, singelas) destas Terras de Espanha, Areias de Portugal...
Mas um dia destes suspeito que os eurocratas de Bruxelas irão tomar conta de mais este dossiê e normalizar a(s) coisa(s)... Como têm feito com (quase) tudo o resto: a pêra e o pêro, por exemplo, que só podem ir à nossa mesa se forem calibradas pelos aferidores de Bruxelas!.. Por isso é que esses são chamados de... peritos (que são pêros mais pequenos, devidamene calibrados).
Para já, não pode haver nenhum sítio, no espaço único europeu, chamado Mata Porcas, por exemplo, pela simples razão de que matar o porco ou a porca em casa, no quintal, na praia, na rua ou no adro da igreja é um grave atentado à saúde pública e à unidade sócio-cultural do super-Estado de Schengen, para além de um espectáculo bárbaro que pode até agudizar a má-consciência dos carniceiros europeus... E depois vamos lá ver: há nomes que são perigosos, podendo ter (i) conotações pedófilas como Catraia do Buraco; ou (ii) erótico-satíricas, para não dizer mesmo pornográficas, como Senhora do Alívio, susceptíveis de ferir a sensibilidade dos crentes ou provocar a ira dos ateus...
Quanto ao Cu de Judas, garanto-vos que não foi um invenção do (do-nosso-próximo-Prémio-Nobel-da-Literatura-que-já-não-há-de-chegar-a-ser) António Lobo Antunes (e é pena, por que o gajo é um génio!).
Pois bem, o Cu de Judas existe mesmo e fica algures no meio do Atlântico... Provavelmente o sítio terá sido descoberto pelos homens da Nau Catrineta quando, sofrendo de miragens, já viam Terras-de-Espanha-Areias-de-Portugal por um canudo (Coitados naquele tempo não havia escolaridade obrigatória, nem se aprendia geografia pelos livros, nem muito menos havia internet!...).
3. Depois deste paleio todo, aqui vai a lista (necessariamente incompleta, logo aberta...) com os nomes das ditas santas terrinhas e dos outros lugares menos santos, seguidos do respectivo concelho (ou ilha). Este é o Portugal sacro-profano (como diria o saudoso poeta Ruy Belo), que também nos coube em herança.
A lista destina-se àquela camada mais adiposa dos portugas que viajam muito por países exóticos e não têm tempo para conhecer a santa terrinha que Deus lhes deu e o Dom Afonso Henriques e seus façanhudos descendentes conquistaram aos marafados dos berberes...
Se vocês se (a)lembrarem de mais alguns nomes, registem e acrescentem, que não pagam nada. Trata-se de um trabalho colectivo, de muitas e desvairadas (ciber)gentes. Provavelmente esta é a última oportunidade que ainda têm de conhecer o Portugal profundo em vias de extinção.
De futuro, e a acreditar nas projecções demográficas do INE (leia-se: Instituto Nacional de Estatística) ninguém mais nascerá no Chiqueiro, no Cemitério ou na Venda da Porca, mas sim na Maternidade Alfredo da Costa, na Júlio Dinis e sobretudo nos novos Hospitais SA do Portugal do Século XXI).
A
Agua Derramada - Grândola
Aliviada - Marco de Canaveses
Amor - Leiria
Angústias - Paredes de Coura
Às dez - Angra do Heroísmo
B
Bagaceira – Calheta
Bairro do Fim do Mundo - Cascais
Baixa da Banheira - Antigo Lugar da Banheira (Séc. XV), Moita
Bêbeda - Sines
Bexiga - Tomar
Bicha - Gondomar
Bicho - Santo Tirso
C
Cabeçudos - Marvão
Cabrão - Ponte de Lima
Cabrões - Santo Tirso
Cama Porca - Alhandra
Campa do Preto – Maia
Casal da Gaita - Lourinhã
Casal de Água de Todo o Ano - Abrantes
Catraia do Buraco - Belmonte
Cemitério - Paços de Ferreira
Chiqueiro – Lousã
Coina – Barreiro
Coito - (Vários concelhos)
Colo do Pito - Castro Daire
Cova da Moura - Amadaora
Coxo - Vila da Praia da Vitória, Oliveira de Azeméis e Felgueiras
Crucifixo – Tramagal
Cu de Judas – Ilha de São Miguel, Açores
D
Deixa-o-Resto – Santiago do Cacém
Deserto - Alcoutim, Coruche e Estremoz
E
Endiabrada - Aljezur e Odemira
Esgaravatadouro - Monchique
F/G/H
Focinho de Cão - Aljustrel
Garanhão - Ponte da Barca
Hospícios - Azeitão
I/J
Imaginário - Caldas da Rainha
Jerusalém do Romeu - Mirandela
M/N/O
Mal Lavado - Odemira
Máquina - Cabeceiras de Basto
Mata Cães – Torres Vedras
Mata Mouros - Vila do Bispo
Mata Porcas - Lagos e Monchique
Monte dos Tesos - Avis
Namorados - Castro Verde e Mértola
Orelhudo - Coimbra
P
Paimogo - Lourinhã
Paitorto - Mirandela
Paixão - Celorico de Basto e Vieira do Minho
Paraíso - (Vários)
Passado - Vila Verde
Pedaço Mau - Vila Nova de Ourém
Pés Escaldados - Arganil
Picha - Pedrógão Grande
Pirescoxe - Santa Iria da Azóia, Loures (a terra em que viu nascer gente operária e militantes comunistas como o Jerónimo de Sousa)
Pitões das Júnias - Montalegre
Pobreza – Caminha
Poço de Boliqueime – Loulé
Poço dos Mouros - Lisboa
Ponta - Lajes das Flores e Porto Santo
Porca - Ponte de Lima
Porqueiras - Sítio da freguesia de Seixo Amarelo, Guarda
Presa dos Mouros - Lagoa
Pulo do Lobo - Mértola (celebrizado pelo Prof. Cavaco Silva, e tornado o símbolo do Portugal profundo)
Punhete - Valongo
Purgatório - Albufeira
Q
Quartos - Vila Verde e Loulé
Quinta de Comichão - Guarda
Quinta do Himalaia - Barreiro
R
Rabo de Peixe - Ilha de São Miguel, Açores
Rabo de Porco - Penela
Rato - Barcelos e Vila Nova de Famalicão
Ratoeira - Vila Nova de Cerveira
Rata - (11 concelhos, pelo menos: Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Murça, Santarém, Santiago do Cacém e Tondela)
Rego do Azar - Ponte de Lima
Rio Seco dos Marmelos - Ferreira do Alentejo
S
Senhora do Alívio - Baião
Sítio das Solteiras - Tavira
T´
Terra da Gaja – Lousã
Tomates - Albufeira
Traseiros - Oliveira de Azeméis
V
Vacalouras - Castanheira de Pêra
Vaginha - Vagos
Vale da Rata – Almodôvar
Venda da Gaita - Tomar
Venda da Porca - Estremoz
Venda das Pulgas - Mafra
Venda das Raparigas - Alcobaça
Vale de Mortos - Beja
Venda dos Pretos - Leiria
Vergas - Vagos
Vila Nova do Coito - Santarém
Vilar de Vacas - Antigo nome de Ruivães, concelho de Vieira do Minho
Vinha da Desgraça - Coruche
Violência - Paredes de Coura
1. Estes são alguns nomes de santas terrinhas (e outros lugares menos santos ) que existem em placas toponímicas, por esse Portugal fora. Algumas foram muito provavelmente carbonizadas pelo fogo do inferno (de que Deus nos livre!), o qual, neste verão de má memória, varreu o nosso chão sagrado, de norte a sul e de leste a oeste (...Com tantas blasfémias e tanta gente ímpia, o que é que vocês esperavam ?).
Não faço a mínima ideia de quem foi o conquistador franco, o fundador, o povoador, o bandeirante, o geógrafo, o marinheiro, o corsário, o padre, o santo, o poeta ou o até o eleito (o autarca) que deu o nome à(s) coisa(s)... É certo que o país, a terra, os pais, os irmãos e o nome de baptismo a gente não é livre de escolher... (Mas devia ser, já que se fala tanto, hoje em dia, em direitos de personalidade!).
2. Convenhamos que há sítios mais (im)próprios do que outros para uma pessoa nascer, viver, respirar, amar, trabalhar e morrer....Vocês já imaginaram serem conterrâneos dos habitantes, por exemplo, de Cabrão, Cama Porca, Catraia do Buraco, Colo do Pito, Focinho de Cão, Paitorto, Picha, Punhete, Rego do Azar, Rio Seco dos Marmelos ou Venda da Gaita ? Por mim não vejo mal nenhum nisso, desde que os portugas lá nascidos não se sintam discriminados e sejam felizes... Afinal, são flores (brutas, espontâneas, singelas) destas Terras de Espanha, Areias de Portugal...
Mas um dia destes suspeito que os eurocratas de Bruxelas irão tomar conta de mais este dossiê e normalizar a(s) coisa(s)... Como têm feito com (quase) tudo o resto: a pêra e o pêro, por exemplo, que só podem ir à nossa mesa se forem calibradas pelos aferidores de Bruxelas!.. Por isso é que esses são chamados de... peritos (que são pêros mais pequenos, devidamene calibrados).
Para já, não pode haver nenhum sítio, no espaço único europeu, chamado Mata Porcas, por exemplo, pela simples razão de que matar o porco ou a porca em casa, no quintal, na praia, na rua ou no adro da igreja é um grave atentado à saúde pública e à unidade sócio-cultural do super-Estado de Schengen, para além de um espectáculo bárbaro que pode até agudizar a má-consciência dos carniceiros europeus... E depois vamos lá ver: há nomes que são perigosos, podendo ter (i) conotações pedófilas como Catraia do Buraco; ou (ii) erótico-satíricas, para não dizer mesmo pornográficas, como Senhora do Alívio, susceptíveis de ferir a sensibilidade dos crentes ou provocar a ira dos ateus...
Quanto ao Cu de Judas, garanto-vos que não foi um invenção do (do-nosso-próximo-Prémio-Nobel-da-Literatura-que-já-não-há-de-chegar-a-ser) António Lobo Antunes (e é pena, por que o gajo é um génio!).
Pois bem, o Cu de Judas existe mesmo e fica algures no meio do Atlântico... Provavelmente o sítio terá sido descoberto pelos homens da Nau Catrineta quando, sofrendo de miragens, já viam Terras-de-Espanha-Areias-de-Portugal por um canudo (Coitados naquele tempo não havia escolaridade obrigatória, nem se aprendia geografia pelos livros, nem muito menos havia internet!...).
3. Depois deste paleio todo, aqui vai a lista (necessariamente incompleta, logo aberta...) com os nomes das ditas santas terrinhas e dos outros lugares menos santos, seguidos do respectivo concelho (ou ilha). Este é o Portugal sacro-profano (como diria o saudoso poeta Ruy Belo), que também nos coube em herança.
A lista destina-se àquela camada mais adiposa dos portugas que viajam muito por países exóticos e não têm tempo para conhecer a santa terrinha que Deus lhes deu e o Dom Afonso Henriques e seus façanhudos descendentes conquistaram aos marafados dos berberes...
Se vocês se (a)lembrarem de mais alguns nomes, registem e acrescentem, que não pagam nada. Trata-se de um trabalho colectivo, de muitas e desvairadas (ciber)gentes. Provavelmente esta é a última oportunidade que ainda têm de conhecer o Portugal profundo em vias de extinção.
De futuro, e a acreditar nas projecções demográficas do INE (leia-se: Instituto Nacional de Estatística) ninguém mais nascerá no Chiqueiro, no Cemitério ou na Venda da Porca, mas sim na Maternidade Alfredo da Costa, na Júlio Dinis e sobretudo nos novos Hospitais SA do Portugal do Século XXI).
A
Agua Derramada - Grândola
Aliviada - Marco de Canaveses
Amor - Leiria
Angústias - Paredes de Coura
Às dez - Angra do Heroísmo
B
Bagaceira – Calheta
Bairro do Fim do Mundo - Cascais
Baixa da Banheira - Antigo Lugar da Banheira (Séc. XV), Moita
Bêbeda - Sines
Bexiga - Tomar
Bicha - Gondomar
Bicho - Santo Tirso
C
Cabeçudos - Marvão
Cabrão - Ponte de Lima
Cabrões - Santo Tirso
Cama Porca - Alhandra
Campa do Preto – Maia
Casal da Gaita - Lourinhã
Casal de Água de Todo o Ano - Abrantes
Catraia do Buraco - Belmonte
Cemitério - Paços de Ferreira
Chiqueiro – Lousã
Coina – Barreiro
Coito - (Vários concelhos)
Colo do Pito - Castro Daire
Cova da Moura - Amadaora
Coxo - Vila da Praia da Vitória, Oliveira de Azeméis e Felgueiras
Crucifixo – Tramagal
Cu de Judas – Ilha de São Miguel, Açores
D
Deixa-o-Resto – Santiago do Cacém
Deserto - Alcoutim, Coruche e Estremoz
E
Endiabrada - Aljezur e Odemira
Esgaravatadouro - Monchique
F/G/H
Focinho de Cão - Aljustrel
Garanhão - Ponte da Barca
Hospícios - Azeitão
I/J
Imaginário - Caldas da Rainha
Jerusalém do Romeu - Mirandela
M/N/O
Mal Lavado - Odemira
Máquina - Cabeceiras de Basto
Mata Cães – Torres Vedras
Mata Mouros - Vila do Bispo
Mata Porcas - Lagos e Monchique
Monte dos Tesos - Avis
Namorados - Castro Verde e Mértola
Orelhudo - Coimbra
P
Paimogo - Lourinhã
Paitorto - Mirandela
Paixão - Celorico de Basto e Vieira do Minho
Paraíso - (Vários)
Passado - Vila Verde
Pedaço Mau - Vila Nova de Ourém
Pés Escaldados - Arganil
Picha - Pedrógão Grande
Pirescoxe - Santa Iria da Azóia, Loures (a terra em que viu nascer gente operária e militantes comunistas como o Jerónimo de Sousa)
Pitões das Júnias - Montalegre
Pobreza – Caminha
Poço de Boliqueime – Loulé
Poço dos Mouros - Lisboa
Ponta - Lajes das Flores e Porto Santo
Porca - Ponte de Lima
Porqueiras - Sítio da freguesia de Seixo Amarelo, Guarda
Presa dos Mouros - Lagoa
Pulo do Lobo - Mértola (celebrizado pelo Prof. Cavaco Silva, e tornado o símbolo do Portugal profundo)
Punhete - Valongo
Purgatório - Albufeira
Q
Quartos - Vila Verde e Loulé
Quinta de Comichão - Guarda
Quinta do Himalaia - Barreiro
R
Rabo de Peixe - Ilha de São Miguel, Açores
Rabo de Porco - Penela
Rato - Barcelos e Vila Nova de Famalicão
Ratoeira - Vila Nova de Cerveira
Rata - (11 concelhos, pelo menos: Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Murça, Santarém, Santiago do Cacém e Tondela)
Rego do Azar - Ponte de Lima
Rio Seco dos Marmelos - Ferreira do Alentejo
S
Senhora do Alívio - Baião
Sítio das Solteiras - Tavira
T´
Terra da Gaja – Lousã
Tomates - Albufeira
Traseiros - Oliveira de Azeméis
V
Vacalouras - Castanheira de Pêra
Vaginha - Vagos
Vale da Rata – Almodôvar
Venda da Gaita - Tomar
Venda da Porca - Estremoz
Venda das Pulgas - Mafra
Venda das Raparigas - Alcobaça
Vale de Mortos - Beja
Venda dos Pretos - Leiria
Vergas - Vagos
Vila Nova do Coito - Santarém
Vilar de Vacas - Antigo nome de Ruivães, concelho de Vieira do Minho
Vinha da Desgraça - Coruche
Violência - Paredes de Coura
Portugal Sacro-Profano - II : Portugal in su situ)
O Portugal no Seu Melhor podia ser um altamente pedagógico programa do ciberespaço, programa de educação cívica, estética, ambiental, linguística.... Tem os seus cultores, mas não faz o meu género: é masoquista, deprimente, alarve, inocente e inofensivo, fica-se muito pela caricatura do boçal Zé Povinho, o eterno bombo da festa!...
Em boa verdade falta-nos (infelizmente, direi eu) o Bordalo Pinheiro do Séc. XXI para zurzir o outro Portugal, não menos pimba e info-analfabeto, que julga que já apanhou a auto-estrada do futuro só porque tem o último telélé da Nokia, navega na Net em ADSL, fala inglês, anda em colégios finos e pisa as passarelles da moda... De qualquer modo a caricatura da nossa fina flor do entulho pode entrever-se nas revistas cor de rosa, na chamada imprensa social, em muitas das caras conhecidas do nosso meio artístico, televisivo, desportivo, empresarial, académico, político e por aí fora...
Aí a gente vê-se (revê-se) nos benditos filhos e filhas que o País (macho) e a Nação (fêmea) deram ao Mundo... Todos filhos e filhas (ou netos e netas) do coitado do Zé Povinho... Só que eles e elas já não o (re)conhecem: está velho, sofre de Alzheimer, tem escaras e foi abandonado no lar da Misericórdia (...em vias de se transformar em Hopitel, S.A).
Depois que se perderam pelas sete partidas do mundo, os tugas continuam à procura de Portugal in su situ... Os Portas e quejandos proclamam que nunca perderam a portugalidade. Nunca percebi o que quer dizer o palavrão: imagino que seja a maneira muito própria, vertical, de se ser português...in su situ!
Em boa verdade falta-nos (infelizmente, direi eu) o Bordalo Pinheiro do Séc. XXI para zurzir o outro Portugal, não menos pimba e info-analfabeto, que julga que já apanhou a auto-estrada do futuro só porque tem o último telélé da Nokia, navega na Net em ADSL, fala inglês, anda em colégios finos e pisa as passarelles da moda... De qualquer modo a caricatura da nossa fina flor do entulho pode entrever-se nas revistas cor de rosa, na chamada imprensa social, em muitas das caras conhecidas do nosso meio artístico, televisivo, desportivo, empresarial, académico, político e por aí fora...
Aí a gente vê-se (revê-se) nos benditos filhos e filhas que o País (macho) e a Nação (fêmea) deram ao Mundo... Todos filhos e filhas (ou netos e netas) do coitado do Zé Povinho... Só que eles e elas já não o (re)conhecem: está velho, sofre de Alzheimer, tem escaras e foi abandonado no lar da Misericórdia (...em vias de se transformar em Hopitel, S.A).
Depois que se perderam pelas sete partidas do mundo, os tugas continuam à procura de Portugal in su situ... Os Portas e quejandos proclamam que nunca perderam a portugalidade. Nunca percebi o que quer dizer o palavrão: imagino que seja a maneira muito própria, vertical, de se ser português...in su situ!
Portugal Sacro-Profano - II : Portugal in su situ)
O Portugal no Seu Melhor podia ser um altamente pedagógico programa do ciberespaço, programa de educação cívica, estética, ambiental, linguística.... Tem os seus cultores, mas não faz o meu género: é masoquista, deprimente, alarve, inocente e inofensivo, fica-se muito pela caricatura do boçal Zé Povinho, o eterno bombo da festa!...
Em boa verdade falta-nos (infelizmente, direi eu) o Bordalo Pinheiro do Séc. XXI para zurzir o outro Portugal, não menos pimba e info-analfabeto, que julga que já apanhou a auto-estrada do futuro só porque tem o último telélé da Nokia, navega na Net em ADSL, fala inglês, anda em colégios finos e pisa as passarelles da moda... De qualquer modo a caricatura da nossa fina flor do entulho pode entrever-se nas revistas cor de rosa, na chamada imprensa social, em muitas das caras conhecidas do nosso meio artístico, televisivo, desportivo, empresarial, académico, político e por aí fora...
Aí a gente vê-se (revê-se) nos benditos filhos e filhas que o País (macho) e a Nação (fêmea) deram ao Mundo... Todos filhos e filhas (ou netos e netas) do coitado do Zé Povinho... Só que eles e elas já não o (re)conhecem: está velho, sofre de Alzheimer, tem escaras e foi abandonado no lar da Misericórdia (...em vias de se transformar em Hopitel, S.A).
Depois que se perderam pelas sete partidas do mundo, os tugas continuam à procura de Portugal in su situ... Os Portas e quejandos proclamam que nunca perderam a portugalidade. Nunca percebi o que quer dizer o palavrão: imagino que seja a maneira muito própria, vertical, de se ser português...in su situ!
Em boa verdade falta-nos (infelizmente, direi eu) o Bordalo Pinheiro do Séc. XXI para zurzir o outro Portugal, não menos pimba e info-analfabeto, que julga que já apanhou a auto-estrada do futuro só porque tem o último telélé da Nokia, navega na Net em ADSL, fala inglês, anda em colégios finos e pisa as passarelles da moda... De qualquer modo a caricatura da nossa fina flor do entulho pode entrever-se nas revistas cor de rosa, na chamada imprensa social, em muitas das caras conhecidas do nosso meio artístico, televisivo, desportivo, empresarial, académico, político e por aí fora...
Aí a gente vê-se (revê-se) nos benditos filhos e filhas que o País (macho) e a Nação (fêmea) deram ao Mundo... Todos filhos e filhas (ou netos e netas) do coitado do Zé Povinho... Só que eles e elas já não o (re)conhecem: está velho, sofre de Alzheimer, tem escaras e foi abandonado no lar da Misericórdia (...em vias de se transformar em Hopitel, S.A).
Depois que se perderam pelas sete partidas do mundo, os tugas continuam à procura de Portugal in su situ... Os Portas e quejandos proclamam que nunca perderam a portugalidade. Nunca percebi o que quer dizer o palavrão: imagino que seja a maneira muito própria, vertical, de se ser português...in su situ!
10 outubro 2003
A qualidade... é mesmo para se levar a sério e à letra
Após um determinado número de voos da Qantas Airways, os pilotos preenchem um formulário, o qual indica aos mecânicos (que entre os portugas têm o nome, mais nobre, de TMA - Técnicos de Manutenção Aeronáutica...) os problemas sentidos no avião durante os voos e que requerem reparação ou correcção.
Este formulário consiste numa simples folha de papel no qual o piloto preenche a parte de cima, descrevendo o problema, e que é depois lido pelos mecânicos (ou TMA). Estes indicam, escrevendo na segunda metade da folha, qual o tipo de reparação efectuada, para que no próximo voo daquele avião o piloto possa rever o formulário antes de levantar voo.
Vocês imaginam as vantagens de um sistema destes, em Portugal, aplicado no âmbito da Sistema de Gestão da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, por exemplo ? Ou na área da Gestão da Qualidade, da Protecção do Ambiente, da Melhoria das Condições de Trabalho, da Satisfação do Cliente e do Serviço Pós-Venda ? Na Austrália (e a Qantas Airways pretende representar "the sipirit of Australia") a qualidade é mesmo para se levar a sério e à letra...
Pois bem, não se poderá dizer que os engenheiros e equipas de manutenção aeronáutica da Austrália tenham falta de sentido de humor. Aqui vão algumas das queixas efectuadas e as respectivas respostas.
Siglas (só há duas):
P= Problema indicado pelo piloto
S =Solução sugerida e/ou acção conduzida pelo mecânico.
Convém dizer que a Qantas é a única grande companhia de aviação (não sei se do mundo ou só da região...) que nunca sofreu um acidente grave (passe a publicidade).
P: O pneu principal interior está quase a precisar de substituição.
S: Efectuada a quase substituição do pneu principal anterior.
P: Teste de voo O.K., excepto a auto-aterragem que foi bastante dura.
S: A auto-aterragem não está instalada neste aparelho.
P: Está qualquer coisa solta no cockpit.
S: Foi apertada qualquer coisa no cockpit.
P: Insectos mortos no pára-brisas.
S : Insectos vivos encomendados.
P: O piloto-automático no modo de manutenção de altitude executa uma descida de 200 pés por minuto.
S: Não é possível reproduzir o problema em terra.
P: Sinais de fugas no trem de aterragem direito.
S: Sinais eliminados.
P: O nível de volume do DME (sabes o que é ? eu também não!) está incrivelmente elevado.
S: O volume do DME foi colocado num nível mais credível.
P: As trancas de fricção fazem com que as alavancas fiquem perras.
S: É para isso que elas estão lá.
P: O IFF não funciona (essa sigla não não vem no livro de bordo).
S: O IFF nunca funciona em modo OFF.
P: Suspeita de fenda no pára-brisas.
S: Suspeito que tem razão.
P: Motor número 3 desaparecido.
S: Motor encontrado na asa direita após breve busca.
P: O aparelho comporta-se de modo estranho.
S: Aparelho avisado para se por direito, voar correctamente e deixar-se de graças.
P: O sinal do radar faz zumbidos.
S: Sinal do radar reprogramado para fazer música.
P: Rato no cockpit.
S: Gato instalado.
Este formulário consiste numa simples folha de papel no qual o piloto preenche a parte de cima, descrevendo o problema, e que é depois lido pelos mecânicos (ou TMA). Estes indicam, escrevendo na segunda metade da folha, qual o tipo de reparação efectuada, para que no próximo voo daquele avião o piloto possa rever o formulário antes de levantar voo.
Vocês imaginam as vantagens de um sistema destes, em Portugal, aplicado no âmbito da Sistema de Gestão da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, por exemplo ? Ou na área da Gestão da Qualidade, da Protecção do Ambiente, da Melhoria das Condições de Trabalho, da Satisfação do Cliente e do Serviço Pós-Venda ? Na Austrália (e a Qantas Airways pretende representar "the sipirit of Australia") a qualidade é mesmo para se levar a sério e à letra...
Pois bem, não se poderá dizer que os engenheiros e equipas de manutenção aeronáutica da Austrália tenham falta de sentido de humor. Aqui vão algumas das queixas efectuadas e as respectivas respostas.
Siglas (só há duas):
P= Problema indicado pelo piloto
S =Solução sugerida e/ou acção conduzida pelo mecânico.
Convém dizer que a Qantas é a única grande companhia de aviação (não sei se do mundo ou só da região...) que nunca sofreu um acidente grave (passe a publicidade).
P: O pneu principal interior está quase a precisar de substituição.
S: Efectuada a quase substituição do pneu principal anterior.
P: Teste de voo O.K., excepto a auto-aterragem que foi bastante dura.
S: A auto-aterragem não está instalada neste aparelho.
P: Está qualquer coisa solta no cockpit.
S: Foi apertada qualquer coisa no cockpit.
P: Insectos mortos no pára-brisas.
S : Insectos vivos encomendados.
P: O piloto-automático no modo de manutenção de altitude executa uma descida de 200 pés por minuto.
S: Não é possível reproduzir o problema em terra.
P: Sinais de fugas no trem de aterragem direito.
S: Sinais eliminados.
P: O nível de volume do DME (sabes o que é ? eu também não!) está incrivelmente elevado.
S: O volume do DME foi colocado num nível mais credível.
P: As trancas de fricção fazem com que as alavancas fiquem perras.
S: É para isso que elas estão lá.
P: O IFF não funciona (essa sigla não não vem no livro de bordo).
S: O IFF nunca funciona em modo OFF.
P: Suspeita de fenda no pára-brisas.
S: Suspeito que tem razão.
P: Motor número 3 desaparecido.
S: Motor encontrado na asa direita após breve busca.
P: O aparelho comporta-se de modo estranho.
S: Aparelho avisado para se por direito, voar correctamente e deixar-se de graças.
P: O sinal do radar faz zumbidos.
S: Sinal do radar reprogramado para fazer música.
P: Rato no cockpit.
S: Gato instalado.
A qualidade... é mesmo para se levar a sério e à letra
Após um determinado número de voos da Qantas Airways, os pilotos preenchem um formulário, o qual indica aos mecânicos (que entre os portugas têm o nome, mais nobre, de TMA - Técnicos de Manutenção Aeronáutica...) os problemas sentidos no avião durante os voos e que requerem reparação ou correcção.
Este formulário consiste numa simples folha de papel no qual o piloto preenche a parte de cima, descrevendo o problema, e que é depois lido pelos mecânicos (ou TMA). Estes indicam, escrevendo na segunda metade da folha, qual o tipo de reparação efectuada, para que no próximo voo daquele avião o piloto possa rever o formulário antes de levantar voo.
Vocês imaginam as vantagens de um sistema destes, em Portugal, aplicado no âmbito da Sistema de Gestão da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, por exemplo ? Ou na área da Gestão da Qualidade, da Protecção do Ambiente, da Melhoria das Condições de Trabalho, da Satisfação do Cliente e do Serviço Pós-Venda ? Na Austrália (e a Qantas Airways pretende representar "the sipirit of Australia") a qualidade é mesmo para se levar a sério e à letra...
Pois bem, não se poderá dizer que os engenheiros e equipas de manutenção aeronáutica da Austrália tenham falta de sentido de humor. Aqui vão algumas das queixas efectuadas e as respectivas respostas.
Siglas (só há duas):
P= Problema indicado pelo piloto
S =Solução sugerida e/ou acção conduzida pelo mecânico.
Convém dizer que a Qantas é a única grande companhia de aviação (não sei se do mundo ou só da região...) que nunca sofreu um acidente grave (passe a publicidade).
P: O pneu principal interior está quase a precisar de substituição.
S: Efectuada a quase substituição do pneu principal anterior.
P: Teste de voo O.K., excepto a auto-aterragem que foi bastante dura.
S: A auto-aterragem não está instalada neste aparelho.
P: Está qualquer coisa solta no cockpit.
S: Foi apertada qualquer coisa no cockpit.
P: Insectos mortos no pára-brisas.
S : Insectos vivos encomendados.
P: O piloto-automático no modo de manutenção de altitude executa uma descida de 200 pés por minuto.
S: Não é possível reproduzir o problema em terra.
P: Sinais de fugas no trem de aterragem direito.
S: Sinais eliminados.
P: O nível de volume do DME (sabes o que é ? eu também não!) está incrivelmente elevado.
S: O volume do DME foi colocado num nível mais credível.
P: As trancas de fricção fazem com que as alavancas fiquem perras.
S: É para isso que elas estão lá.
P: O IFF não funciona (essa sigla não não vem no livro de bordo).
S: O IFF nunca funciona em modo OFF.
P: Suspeita de fenda no pára-brisas.
S: Suspeito que tem razão.
P: Motor número 3 desaparecido.
S: Motor encontrado na asa direita após breve busca.
P: O aparelho comporta-se de modo estranho.
S: Aparelho avisado para se por direito, voar correctamente e deixar-se de graças.
P: O sinal do radar faz zumbidos.
S: Sinal do radar reprogramado para fazer música.
P: Rato no cockpit.
S: Gato instalado.
Este formulário consiste numa simples folha de papel no qual o piloto preenche a parte de cima, descrevendo o problema, e que é depois lido pelos mecânicos (ou TMA). Estes indicam, escrevendo na segunda metade da folha, qual o tipo de reparação efectuada, para que no próximo voo daquele avião o piloto possa rever o formulário antes de levantar voo.
Vocês imaginam as vantagens de um sistema destes, em Portugal, aplicado no âmbito da Sistema de Gestão da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, por exemplo ? Ou na área da Gestão da Qualidade, da Protecção do Ambiente, da Melhoria das Condições de Trabalho, da Satisfação do Cliente e do Serviço Pós-Venda ? Na Austrália (e a Qantas Airways pretende representar "the sipirit of Australia") a qualidade é mesmo para se levar a sério e à letra...
Pois bem, não se poderá dizer que os engenheiros e equipas de manutenção aeronáutica da Austrália tenham falta de sentido de humor. Aqui vão algumas das queixas efectuadas e as respectivas respostas.
Siglas (só há duas):
P= Problema indicado pelo piloto
S =Solução sugerida e/ou acção conduzida pelo mecânico.
Convém dizer que a Qantas é a única grande companhia de aviação (não sei se do mundo ou só da região...) que nunca sofreu um acidente grave (passe a publicidade).
P: O pneu principal interior está quase a precisar de substituição.
S: Efectuada a quase substituição do pneu principal anterior.
P: Teste de voo O.K., excepto a auto-aterragem que foi bastante dura.
S: A auto-aterragem não está instalada neste aparelho.
P: Está qualquer coisa solta no cockpit.
S: Foi apertada qualquer coisa no cockpit.
P: Insectos mortos no pára-brisas.
S : Insectos vivos encomendados.
P: O piloto-automático no modo de manutenção de altitude executa uma descida de 200 pés por minuto.
S: Não é possível reproduzir o problema em terra.
P: Sinais de fugas no trem de aterragem direito.
S: Sinais eliminados.
P: O nível de volume do DME (sabes o que é ? eu também não!) está incrivelmente elevado.
S: O volume do DME foi colocado num nível mais credível.
P: As trancas de fricção fazem com que as alavancas fiquem perras.
S: É para isso que elas estão lá.
P: O IFF não funciona (essa sigla não não vem no livro de bordo).
S: O IFF nunca funciona em modo OFF.
P: Suspeita de fenda no pára-brisas.
S: Suspeito que tem razão.
P: Motor número 3 desaparecido.
S: Motor encontrado na asa direita após breve busca.
P: O aparelho comporta-se de modo estranho.
S: Aparelho avisado para se por direito, voar correctamente e deixar-se de graças.
P: O sinal do radar faz zumbidos.
S: Sinal do radar reprogramado para fazer música.
P: Rato no cockpit.
S: Gato instalado.
Blognecos - II: Espelho meu...
Espelho meu...
Car@s ciberamig@s:
Eis Narciso no seu labirinto... (Cliquem no linhk... Não aconselhável no caso de terem vertigens ou nunca terem andado na montanha russa).
1ª lição de musculação mental: os passos perdidos à volta do quarto...
Fixem bem a cara deste jota: é um sério candidato a presidente da junta de freguesia, vogal camarário, presidente da câmara, secretário local do partido, deputado, secretário de estado, ministro adjunto, ministro, primeiro-ministro, eurodeputado, comissário europeu, secretário-geral da NATO e por aí fora...
Claro, primeiro vai ter que ser entregue a um especialista de imagem... Até lá é bom que não faça figuras tristes ou que não borre a pintura toda.
Car@s ciberamig@s:
Eis Narciso no seu labirinto... (Cliquem no linhk... Não aconselhável no caso de terem vertigens ou nunca terem andado na montanha russa).
1ª lição de musculação mental: os passos perdidos à volta do quarto...
Fixem bem a cara deste jota: é um sério candidato a presidente da junta de freguesia, vogal camarário, presidente da câmara, secretário local do partido, deputado, secretário de estado, ministro adjunto, ministro, primeiro-ministro, eurodeputado, comissário europeu, secretário-geral da NATO e por aí fora...
Claro, primeiro vai ter que ser entregue a um especialista de imagem... Até lá é bom que não faça figuras tristes ou que não borre a pintura toda.
Blognecos - II: Espelho meu...
Espelho meu...
Car@s ciberamig@s:
Eis Narciso no seu labirinto... (Cliquem no linhk... Não aconselhável no caso de terem vertigens ou nunca terem andado na montanha russa).
1ª lição de musculação mental: os passos perdidos à volta do quarto...
Fixem bem a cara deste jota: é um sério candidato a presidente da junta de freguesia, vogal camarário, presidente da câmara, secretário local do partido, deputado, secretário de estado, ministro adjunto, ministro, primeiro-ministro, eurodeputado, comissário europeu, secretário-geral da NATO e por aí fora...
Claro, primeiro vai ter que ser entregue a um especialista de imagem... Até lá é bom que não faça figuras tristes ou que não borre a pintura toda.
Car@s ciberamig@s:
Eis Narciso no seu labirinto... (Cliquem no linhk... Não aconselhável no caso de terem vertigens ou nunca terem andado na montanha russa).
1ª lição de musculação mental: os passos perdidos à volta do quarto...
Fixem bem a cara deste jota: é um sério candidato a presidente da junta de freguesia, vogal camarário, presidente da câmara, secretário local do partido, deputado, secretário de estado, ministro adjunto, ministro, primeiro-ministro, eurodeputado, comissário europeu, secretário-geral da NATO e por aí fora...
Claro, primeiro vai ter que ser entregue a um especialista de imagem... Até lá é bom que não faça figuras tristes ou que não borre a pintura toda.
Saúde & Segurança do Trabalho - III: "Si le travail c'est la santé, a quoi sert alors la médecine du travail ?"
1. Já ouvi um senhor professor de direito do trabalho (um juslaborista, não é assim que se diz ?) dizer que com o novo Código do Trabalho a área da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST) saiu "reforçada".
2. Temos um Código do Trabalho, "on est à la page".
3. Os franceses perguntam: "Si le travail c'est la santé, a quoi sert alors la médecine du travail ?" (Se o trabalho dá saúde, para que serve a medicina do trabalho ?).
É a única pergunta a que o Código do Trabalho (700 artigos!) não responde.
4. Aquele que, ao longo de todo o dia:
(i) É activo como uma abelha,
(ii) Forte como um touro,
(iii) Trabalha que nem um cavalo,
(iv) E que ao fim da tarde se sente cansado que nem um cão...
(v) Deveria consultar um... veterinário.
... É bem provável que seja um grande burro! (O seu a seu dono: Obrigado, Padre J.M.!).
5. Eu acho que os trabalhadores portugueses (e os respectivos empregadores) também deveriam ter direito um novo Código do Humor no Trabalho, devidamente sistematizado, reformulado, actualizado, compilado e anotado.
6. Dir-me-ão que os tempos não são para se fazer humor e muito menos no trabalho. Mas será que alguma vez o foram ?
7. Em contrapartida, o riso (amarelo) ou a gargalhada (alarve) sustentam a recuperação económico-financeira das empresas de televisão. No país da anedota, a anedota está sempre na ordem do dia.
2. Temos um Código do Trabalho, "on est à la page".
3. Os franceses perguntam: "Si le travail c'est la santé, a quoi sert alors la médecine du travail ?" (Se o trabalho dá saúde, para que serve a medicina do trabalho ?).
É a única pergunta a que o Código do Trabalho (700 artigos!) não responde.
4. Aquele que, ao longo de todo o dia:
(i) É activo como uma abelha,
(ii) Forte como um touro,
(iii) Trabalha que nem um cavalo,
(iv) E que ao fim da tarde se sente cansado que nem um cão...
(v) Deveria consultar um... veterinário.
... É bem provável que seja um grande burro! (O seu a seu dono: Obrigado, Padre J.M.!).
5. Eu acho que os trabalhadores portugueses (e os respectivos empregadores) também deveriam ter direito um novo Código do Humor no Trabalho, devidamente sistematizado, reformulado, actualizado, compilado e anotado.
6. Dir-me-ão que os tempos não são para se fazer humor e muito menos no trabalho. Mas será que alguma vez o foram ?
7. Em contrapartida, o riso (amarelo) ou a gargalhada (alarve) sustentam a recuperação económico-financeira das empresas de televisão. No país da anedota, a anedota está sempre na ordem do dia.
Saúde & Segurança do Trabalho - III: "Si le travail c'est la santé, a quoi sert alors la médecine du travail ?"
1. Já ouvi um senhor professor de direito do trabalho (um juslaborista, não é assim que se diz ?) dizer que com o novo Código do Trabalho a área da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST) saiu "reforçada".
2. Temos um Código do Trabalho, "on est à la page".
3. Os franceses perguntam: "Si le travail c'est la santé, a quoi sert alors la médecine du travail ?" (Se o trabalho dá saúde, para que serve a medicina do trabalho ?).
É a única pergunta a que o Código do Trabalho (700 artigos!) não responde.
4. Aquele que, ao longo de todo o dia:
(i) É activo como uma abelha,
(ii) Forte como um touro,
(iii) Trabalha que nem um cavalo,
(iv) E que ao fim da tarde se sente cansado que nem um cão...
(v) Deveria consultar um... veterinário.
... É bem provável que seja um grande burro! (O seu a seu dono: Obrigado, Padre J.M.!).
5. Eu acho que os trabalhadores portugueses (e os respectivos empregadores) também deveriam ter direito um novo Código do Humor no Trabalho, devidamente sistematizado, reformulado, actualizado, compilado e anotado.
6. Dir-me-ão que os tempos não são para se fazer humor e muito menos no trabalho. Mas será que alguma vez o foram ?
7. Em contrapartida, o riso (amarelo) ou a gargalhada (alarve) sustentam a recuperação económico-financeira das empresas de televisão. No país da anedota, a anedota está sempre na ordem do dia.
2. Temos um Código do Trabalho, "on est à la page".
3. Os franceses perguntam: "Si le travail c'est la santé, a quoi sert alors la médecine du travail ?" (Se o trabalho dá saúde, para que serve a medicina do trabalho ?).
É a única pergunta a que o Código do Trabalho (700 artigos!) não responde.
4. Aquele que, ao longo de todo o dia:
(i) É activo como uma abelha,
(ii) Forte como um touro,
(iii) Trabalha que nem um cavalo,
(iv) E que ao fim da tarde se sente cansado que nem um cão...
(v) Deveria consultar um... veterinário.
... É bem provável que seja um grande burro! (O seu a seu dono: Obrigado, Padre J.M.!).
5. Eu acho que os trabalhadores portugueses (e os respectivos empregadores) também deveriam ter direito um novo Código do Humor no Trabalho, devidamente sistematizado, reformulado, actualizado, compilado e anotado.
6. Dir-me-ão que os tempos não são para se fazer humor e muito menos no trabalho. Mas será que alguma vez o foram ?
7. Em contrapartida, o riso (amarelo) ou a gargalhada (alarve) sustentam a recuperação económico-financeira das empresas de televisão. No país da anedota, a anedota está sempre na ordem do dia.
Saúde & Segurança do Trabalho - II: Os exames ocultos da medicina do trabalho
1. Para divulgação entre os profissionais de saúde pública, de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST) e de gestão de recursos humanos. Acrescente-se-lhes todos os demais cibercidadãos que naveguem na globosfera, a qualquer hora do dia ou da noite, homens e mulheres de boa vontade que se interessem por estas questões (bizantinas ?) da ética no local de trabalho (ou da falta dela)...
2. Podem lá ir, ao portal da IOL, até às 20h ou 8 PM. Depois disso só amanhã, nas horas de expediente. O portal faz segregação selectiva: não se esqueçam, (i) "não há almoços de borla" (dizem os economistas da novíssima escola) e (ii) os webjornalistas também precisam de ganhar para o almoço como o resto da malta da classe operária.
Os exames ocultos da medicina do trabalho
2. Podem lá ir, ao portal da IOL, até às 20h ou 8 PM. Depois disso só amanhã, nas horas de expediente. O portal faz segregação selectiva: não se esqueçam, (i) "não há almoços de borla" (dizem os economistas da novíssima escola) e (ii) os webjornalistas também precisam de ganhar para o almoço como o resto da malta da classe operária.
Os exames ocultos da medicina do trabalho
Saúde & Segurança do Trabalho - II: Os exames ocultos da medicina do trabalho
1. Para divulgação entre os profissionais de saúde pública, de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST) e de gestão de recursos humanos. Acrescente-se-lhes todos os demais cibercidadãos que naveguem na globosfera, a qualquer hora do dia ou da noite, homens e mulheres de boa vontade que se interessem por estas questões (bizantinas ?) da ética no local de trabalho (ou da falta dela)...
2. Podem lá ir, ao portal da IOL, até às 20h ou 8 PM. Depois disso só amanhã, nas horas de expediente. O portal faz segregação selectiva: não se esqueçam, (i) "não há almoços de borla" (dizem os economistas da novíssima escola) e (ii) os webjornalistas também precisam de ganhar para o almoço como o resto da malta da classe operária.
Os exames ocultos da medicina do trabalho
2. Podem lá ir, ao portal da IOL, até às 20h ou 8 PM. Depois disso só amanhã, nas horas de expediente. O portal faz segregação selectiva: não se esqueçam, (i) "não há almoços de borla" (dizem os economistas da novíssima escola) e (ii) os webjornalistas também precisam de ganhar para o almoço como o resto da malta da classe operária.
Os exames ocultos da medicina do trabalho
Saúde & Segurança do Trabalho - I: O Código do Trabalho do nosso (des)contentamento (des)contente
Agradeço aqui, pública ou semi-privadamente, neste cantinho do ciberespaço, ao Eugénio Rosa a gentileza de me ter enviado, por e-mail, a sua análise crítica do Código do Trabalho. Prometo ler e analisar o seu extenso documento de trabalho, com a atenção que ele merece e com o apreço que é devido ao seu infatigável autor pelo seu contributo pessoal, intelectualmente valioso, para um debate que interessa a todos (Estado, empregadores, gestores, trabalhadores e seus representantes, sociedade civil...).
E em breve far-lhe-ei chegar os meus comentários críticos (ao Código e às suas leituras), nomeadamente sobre questões mais ligadas à saúde e segurança do trabalho. É pena que as leis que nos regem sejam por vezes tão impenetráveis e tão pouco amigáveis. A leitura e a interpretação do Código do Trabalho, com os seus mastodônticos 700 artigos, desencorajam qualquer leigo na matéria e não estimulam o exercício da cidadania (fora e dentro do local de trabalho)... Provavelmente a situação anterior, com a dispersão da legislação do trabalho por centenas de diplomas e milhares de artigos, números e parágrafos, também estava longe da situação-ideal. Quer isto dizer que passámos de uma galáxia para outra ? Não, não direi que houve um terramoto, uma revolução, uma mudança de paradigma...
Quanto ao resultado final desta longa maratona, e em especial quanto à bondade (como eu gosto deste termo, na boca ou na pena d@s jurist@s!), quanto à bondade, dizia, da doutrina que ficou consagrada no Código do Trabalho, os portugueses felizmente têm a liberdade de se manifestarem, e nomeadamente manifestarem o seu (des)contentamento (des)contente, para usar um belíssimo trocadilho camoniano. Na modesta opinião de quem, como eu, não é empregador, colarinho azul , sindicalista, jurista, economista, gestor ou político, não é de esperar que o Código do Trabalho seja a varinha mágica que vá resolver todos os nossos problemas, a começar pela produtividade e competitividade das nossas empresas... Não direi que a montanha pariu um rato, mas também faço votos para que a situação sócio-organizacioanl e sócio-laboral nos nossos locais de trabalho tenda a melhorar rapidamente. Por mor de todos nós, homens e mulheres, pessoas, portugas, cidadãos, consumidores, trabalhadores, activos e não-activos (a ordem do atributo sociológico é um pouco arbitrária).
O Eugénio Rosa, que é economista, divulgou publicamente o seu e-mail nos Fóruns do Público.pt > Cidadania - Estudo do Código do trabalho e ofereceu-se para mandar a quem lhe pedir a versão electrónica deste working paper. Aqui fica o endereço: edr@mail.telepac.pt .
Bom trabalho, boa saúde. L.G.
E em breve far-lhe-ei chegar os meus comentários críticos (ao Código e às suas leituras), nomeadamente sobre questões mais ligadas à saúde e segurança do trabalho. É pena que as leis que nos regem sejam por vezes tão impenetráveis e tão pouco amigáveis. A leitura e a interpretação do Código do Trabalho, com os seus mastodônticos 700 artigos, desencorajam qualquer leigo na matéria e não estimulam o exercício da cidadania (fora e dentro do local de trabalho)... Provavelmente a situação anterior, com a dispersão da legislação do trabalho por centenas de diplomas e milhares de artigos, números e parágrafos, também estava longe da situação-ideal. Quer isto dizer que passámos de uma galáxia para outra ? Não, não direi que houve um terramoto, uma revolução, uma mudança de paradigma...
Quanto ao resultado final desta longa maratona, e em especial quanto à bondade (como eu gosto deste termo, na boca ou na pena d@s jurist@s!), quanto à bondade, dizia, da doutrina que ficou consagrada no Código do Trabalho, os portugueses felizmente têm a liberdade de se manifestarem, e nomeadamente manifestarem o seu (des)contentamento (des)contente, para usar um belíssimo trocadilho camoniano. Na modesta opinião de quem, como eu, não é empregador, colarinho azul , sindicalista, jurista, economista, gestor ou político, não é de esperar que o Código do Trabalho seja a varinha mágica que vá resolver todos os nossos problemas, a começar pela produtividade e competitividade das nossas empresas... Não direi que a montanha pariu um rato, mas também faço votos para que a situação sócio-organizacioanl e sócio-laboral nos nossos locais de trabalho tenda a melhorar rapidamente. Por mor de todos nós, homens e mulheres, pessoas, portugas, cidadãos, consumidores, trabalhadores, activos e não-activos (a ordem do atributo sociológico é um pouco arbitrária).
O Eugénio Rosa, que é economista, divulgou publicamente o seu e-mail nos Fóruns do Público.pt > Cidadania - Estudo do Código do trabalho e ofereceu-se para mandar a quem lhe pedir a versão electrónica deste working paper. Aqui fica o endereço: edr@mail.telepac.pt .
Bom trabalho, boa saúde. L.G.
Saúde & Segurança do Trabalho - I: O Código do Trabalho do nosso (des)contentamento (des)contente
Agradeço aqui, pública ou semi-privadamente, neste cantinho do ciberespaço, ao Eugénio Rosa a gentileza de me ter enviado, por e-mail, a sua análise crítica do Código do Trabalho. Prometo ler e analisar o seu extenso documento de trabalho, com a atenção que ele merece e com o apreço que é devido ao seu infatigável autor pelo seu contributo pessoal, intelectualmente valioso, para um debate que interessa a todos (Estado, empregadores, gestores, trabalhadores e seus representantes, sociedade civil...).
E em breve far-lhe-ei chegar os meus comentários críticos (ao Código e às suas leituras), nomeadamente sobre questões mais ligadas à saúde e segurança do trabalho. É pena que as leis que nos regem sejam por vezes tão impenetráveis e tão pouco amigáveis. A leitura e a interpretação do Código do Trabalho, com os seus mastodônticos 700 artigos, desencorajam qualquer leigo na matéria e não estimulam o exercício da cidadania (fora e dentro do local de trabalho)... Provavelmente a situação anterior, com a dispersão da legislação do trabalho por centenas de diplomas e milhares de artigos, números e parágrafos, também estava longe da situação-ideal. Quer isto dizer que passámos de uma galáxia para outra ? Não, não direi que houve um terramoto, uma revolução, uma mudança de paradigma...
Quanto ao resultado final desta longa maratona, e em especial quanto à bondade (como eu gosto deste termo, na boca ou na pena d@s jurist@s!), quanto à bondade, dizia, da doutrina que ficou consagrada no Código do Trabalho, os portugueses felizmente têm a liberdade de se manifestarem, e nomeadamente manifestarem o seu (des)contentamento (des)contente, para usar um belíssimo trocadilho camoniano. Na modesta opinião de quem, como eu, não é empregador, colarinho azul , sindicalista, jurista, economista, gestor ou político, não é de esperar que o Código do Trabalho seja a varinha mágica que vá resolver todos os nossos problemas, a começar pela produtividade e competitividade das nossas empresas... Não direi que a montanha pariu um rato, mas também faço votos para que a situação sócio-organizacioanl e sócio-laboral nos nossos locais de trabalho tenda a melhorar rapidamente. Por mor de todos nós, homens e mulheres, pessoas, portugas, cidadãos, consumidores, trabalhadores, activos e não-activos (a ordem do atributo sociológico é um pouco arbitrária).
O Eugénio Rosa, que é economista, divulgou publicamente o seu e-mail nos Fóruns do Público.pt > Cidadania - Estudo do Código do trabalho e ofereceu-se para mandar a quem lhe pedir a versão electrónica deste working paper. Aqui fica o endereço: edr@mail.telepac.pt .
Bom trabalho, boa saúde. L.G.
E em breve far-lhe-ei chegar os meus comentários críticos (ao Código e às suas leituras), nomeadamente sobre questões mais ligadas à saúde e segurança do trabalho. É pena que as leis que nos regem sejam por vezes tão impenetráveis e tão pouco amigáveis. A leitura e a interpretação do Código do Trabalho, com os seus mastodônticos 700 artigos, desencorajam qualquer leigo na matéria e não estimulam o exercício da cidadania (fora e dentro do local de trabalho)... Provavelmente a situação anterior, com a dispersão da legislação do trabalho por centenas de diplomas e milhares de artigos, números e parágrafos, também estava longe da situação-ideal. Quer isto dizer que passámos de uma galáxia para outra ? Não, não direi que houve um terramoto, uma revolução, uma mudança de paradigma...
Quanto ao resultado final desta longa maratona, e em especial quanto à bondade (como eu gosto deste termo, na boca ou na pena d@s jurist@s!), quanto à bondade, dizia, da doutrina que ficou consagrada no Código do Trabalho, os portugueses felizmente têm a liberdade de se manifestarem, e nomeadamente manifestarem o seu (des)contentamento (des)contente, para usar um belíssimo trocadilho camoniano. Na modesta opinião de quem, como eu, não é empregador, colarinho azul , sindicalista, jurista, economista, gestor ou político, não é de esperar que o Código do Trabalho seja a varinha mágica que vá resolver todos os nossos problemas, a começar pela produtividade e competitividade das nossas empresas... Não direi que a montanha pariu um rato, mas também faço votos para que a situação sócio-organizacioanl e sócio-laboral nos nossos locais de trabalho tenda a melhorar rapidamente. Por mor de todos nós, homens e mulheres, pessoas, portugas, cidadãos, consumidores, trabalhadores, activos e não-activos (a ordem do atributo sociológico é um pouco arbitrária).
O Eugénio Rosa, que é economista, divulgou publicamente o seu e-mail nos Fóruns do Público.pt > Cidadania - Estudo do Código do trabalho e ofereceu-se para mandar a quem lhe pedir a versão electrónica deste working paper. Aqui fica o endereço: edr@mail.telepac.pt .
Bom trabalho, boa saúde. L.G.
09 outubro 2003
Estórias com mural ao fundo - IX: Os três crivos da comunicação
Há uma história que vem a (des)propósito dos blogs que agora atravessam a nossa blogosfera. A não ser verdadeira, é pelo menos muito verosímil (refiro-me à história, claro).
Afinal ainda há chefes com C grande na Judite... Será ? Perguntas, ciberamig@: "entre pedófilos e pirómanos, o que é que resta neste pais? Nós ? E os outros?".
Pois apetece-me citar O'Neil, também a (des)propósito:
" Se não fôssemos nós, quem eram vocês?
"Se não fôssem vocês, quem éramos nós?
"Quem nos lê a nós ? São vocês (e nós...)
"Quem vos lê a vocês ? Somos nós (e vocês...)
"Tudo fica, pois, entre nós, entre nós..."
(Poemas com Endereço, 1962)
Se ele fosse vivo, o Caixadóclos, dir-vos-ia: "Please, saibam ler com santa(s) (pa)ciência(s) as (ciber)tendências... Que na escola, eu ainda era do tempo de (i) contar pelos dedos da mão, (ii) fazer contas de sumir e; e (iii) tirar a prova dos nove-fora-nada... Hoje, não tenho dúvidas que seria o maior bloguista do país (super)relativo"...
Tenho deveras pena de o não ter conhecido, ao Alexandre, ao Caixadòclos, Avenida da Liberdade Acima, Avenida da Liberdade Abaixo, grafitando:
"O adjectivo
dá-me de comer.
Se não fora ele
o que houvera de ser ?
"Vivo de acrescentar às coisas
o que elas não são.
Mas é por cálculo,
não por ilusão"
(De Ombro na Ombreira, 1969)
Os três crivos da comunicação nas organizações
O Francisco, que trabalha na Pê Jota (vulgo, Judite), foi promovido. Logo na manhã seguinte, para agradar ao seu superior hierárquico, saiu-se com esta:
- Ó Chefe, nem imagina o que me contaram sobre a Adriana! Disseram-me que
ela...
O Chefe, que é fã do blog do JPP, interrompeu-o abruptamente, não o deixando sequer terminar a frase:
- Calma aí, ó Francisco!... Por acaso já confirmaste essas informações ? Usaste os três crivos da comunicação humana ?
- Os três crivos ? Nunca me falaram disso nos cursos de formação por onde tenho passado...
- O primeiro, meu menino, é a VERDADE. Tens a certeza de que o que me ias dizer sobre a Adriana é realmente verdade? Podes jurar pela tua honra ? Olha que a honra de um homem vale mais do que os três vinténs!
- Bem, em boa verdade, só sei o que me contaram ontem à noite num bar do Bairro Alto!
- Então a história está mal contada e não passou pelo primeiro crivo. Passemos agora ao segundo crivo, que é o da CAMARADAGEM... Por acaso gostarias que alguns dos teus colegas da Pê Jota também dissessem de ti, ou da tua mulher, o mesmo que tu me ias contar sobre a Adriana?
- Pensando bem, não, Chefe!...
- Então a tua história também não passou pelo segundo crivo!... Vamos agora ao terceiro, que é o da RELEVÂNCIA. Achas mesmo necessário contar-me esse facto? É relevante para alguma investigação em curso ? É importante para o serviço ? Tem um algum valor acrescentado para todos nós ? Ou é melhor esquecê-lo, sabendo tu e eu que ambos temos mais que fazer nesta casa ?!
- Não, Chefe, tem toda razão, o melhor é mesmo esquecer o assunto. E vamos ao trabalho!, replicou o Francisco, envergonhado com a lição de moral que o Chefe acabava de lhe pregar.
- Pois é, Francisco, as pessoas seriam muito mais felizes e as organizações muito mais eficientes e eficazes se usassem os três crivos nas suas relações e comunicações... Se queres ser um bom profissional nesta casa nunca percas o sentido da justiça e da equidade, e não queiras ser igual a tantos outros, ou seja, medíocre... Sabes porquê ? Há três tipos de pessoas neste mundo: (i) As Pessoas Inteligentes, que falam sobre Ideias; (ii) as Pessoas Banais, que falam sobre Coisas; e, por fim, (iii) as Pessoas Medíocres, que só sabem falar (mal)... dos Outros!
Moral da história: Pensando bem, há uma enorme diferença entre ser chefe e ser líder... O gajo da PJ parece-me mais pertencer a esta última espécie. Foi rapaz para andar nos escoteiros ou Mocidade Portuguesa... Mas será que esta história tem mesmo como mural-ao-fundo a Rua Gomes Freire (a tal que, ainda por cima, ostenta o nome de um grande patriota português)?
_____________
L.G.- Set. 2003
Afinal ainda há chefes com C grande na Judite... Será ? Perguntas, ciberamig@: "entre pedófilos e pirómanos, o que é que resta neste pais? Nós ? E os outros?".
Pois apetece-me citar O'Neil, também a (des)propósito:
" Se não fôssemos nós, quem eram vocês?
"Se não fôssem vocês, quem éramos nós?
"Quem nos lê a nós ? São vocês (e nós...)
"Quem vos lê a vocês ? Somos nós (e vocês...)
"Tudo fica, pois, entre nós, entre nós..."
(Poemas com Endereço, 1962)
Se ele fosse vivo, o Caixadóclos, dir-vos-ia: "Please, saibam ler com santa(s) (pa)ciência(s) as (ciber)tendências... Que na escola, eu ainda era do tempo de (i) contar pelos dedos da mão, (ii) fazer contas de sumir e; e (iii) tirar a prova dos nove-fora-nada... Hoje, não tenho dúvidas que seria o maior bloguista do país (super)relativo"...
Tenho deveras pena de o não ter conhecido, ao Alexandre, ao Caixadòclos, Avenida da Liberdade Acima, Avenida da Liberdade Abaixo, grafitando:
"O adjectivo
dá-me de comer.
Se não fora ele
o que houvera de ser ?
"Vivo de acrescentar às coisas
o que elas não são.
Mas é por cálculo,
não por ilusão"
(De Ombro na Ombreira, 1969)
Os três crivos da comunicação nas organizações
O Francisco, que trabalha na Pê Jota (vulgo, Judite), foi promovido. Logo na manhã seguinte, para agradar ao seu superior hierárquico, saiu-se com esta:
- Ó Chefe, nem imagina o que me contaram sobre a Adriana! Disseram-me que
ela...
O Chefe, que é fã do blog do JPP, interrompeu-o abruptamente, não o deixando sequer terminar a frase:
- Calma aí, ó Francisco!... Por acaso já confirmaste essas informações ? Usaste os três crivos da comunicação humana ?
- Os três crivos ? Nunca me falaram disso nos cursos de formação por onde tenho passado...
- O primeiro, meu menino, é a VERDADE. Tens a certeza de que o que me ias dizer sobre a Adriana é realmente verdade? Podes jurar pela tua honra ? Olha que a honra de um homem vale mais do que os três vinténs!
- Bem, em boa verdade, só sei o que me contaram ontem à noite num bar do Bairro Alto!
- Então a história está mal contada e não passou pelo primeiro crivo. Passemos agora ao segundo crivo, que é o da CAMARADAGEM... Por acaso gostarias que alguns dos teus colegas da Pê Jota também dissessem de ti, ou da tua mulher, o mesmo que tu me ias contar sobre a Adriana?
- Pensando bem, não, Chefe!...
- Então a tua história também não passou pelo segundo crivo!... Vamos agora ao terceiro, que é o da RELEVÂNCIA. Achas mesmo necessário contar-me esse facto? É relevante para alguma investigação em curso ? É importante para o serviço ? Tem um algum valor acrescentado para todos nós ? Ou é melhor esquecê-lo, sabendo tu e eu que ambos temos mais que fazer nesta casa ?!
- Não, Chefe, tem toda razão, o melhor é mesmo esquecer o assunto. E vamos ao trabalho!, replicou o Francisco, envergonhado com a lição de moral que o Chefe acabava de lhe pregar.
- Pois é, Francisco, as pessoas seriam muito mais felizes e as organizações muito mais eficientes e eficazes se usassem os três crivos nas suas relações e comunicações... Se queres ser um bom profissional nesta casa nunca percas o sentido da justiça e da equidade, e não queiras ser igual a tantos outros, ou seja, medíocre... Sabes porquê ? Há três tipos de pessoas neste mundo: (i) As Pessoas Inteligentes, que falam sobre Ideias; (ii) as Pessoas Banais, que falam sobre Coisas; e, por fim, (iii) as Pessoas Medíocres, que só sabem falar (mal)... dos Outros!
Moral da história: Pensando bem, há uma enorme diferença entre ser chefe e ser líder... O gajo da PJ parece-me mais pertencer a esta última espécie. Foi rapaz para andar nos escoteiros ou Mocidade Portuguesa... Mas será que esta história tem mesmo como mural-ao-fundo a Rua Gomes Freire (a tal que, ainda por cima, ostenta o nome de um grande patriota português)?
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L.G.- Set. 2003
Estórias com mural ao fundo - IX: Os três crivos da comunicação
Há uma história que vem a (des)propósito dos blogs que agora atravessam a nossa blogosfera. A não ser verdadeira, é pelo menos muito verosímil (refiro-me à história, claro).
Afinal ainda há chefes com C grande na Judite... Será ? Perguntas, ciberamig@: "entre pedófilos e pirómanos, o que é que resta neste pais? Nós ? E os outros?".
Pois apetece-me citar O'Neil, também a (des)propósito:
" Se não fôssemos nós, quem eram vocês?
"Se não fôssem vocês, quem éramos nós?
"Quem nos lê a nós ? São vocês (e nós...)
"Quem vos lê a vocês ? Somos nós (e vocês...)
"Tudo fica, pois, entre nós, entre nós..."
(Poemas com Endereço, 1962)
Se ele fosse vivo, o Caixadóclos, dir-vos-ia: "Please, saibam ler com santa(s) (pa)ciência(s) as (ciber)tendências... Que na escola, eu ainda era do tempo de (i) contar pelos dedos da mão, (ii) fazer contas de sumir e; e (iii) tirar a prova dos nove-fora-nada... Hoje, não tenho dúvidas que seria o maior bloguista do país (super)relativo"...
Tenho deveras pena de o não ter conhecido, ao Alexandre, ao Caixadòclos, Avenida da Liberdade Acima, Avenida da Liberdade Abaixo, grafitando:
"O adjectivo
dá-me de comer.
Se não fora ele
o que houvera de ser ?
"Vivo de acrescentar às coisas
o que elas não são.
Mas é por cálculo,
não por ilusão"
(De Ombro na Ombreira, 1969)
Os três crivos da comunicação nas organizações
O Francisco, que trabalha na Pê Jota (vulgo, Judite), foi promovido. Logo na manhã seguinte, para agradar ao seu superior hierárquico, saiu-se com esta:
- Ó Chefe, nem imagina o que me contaram sobre a Adriana! Disseram-me que
ela...
O Chefe, que é fã do blog do JPP, interrompeu-o abruptamente, não o deixando sequer terminar a frase:
- Calma aí, ó Francisco!... Por acaso já confirmaste essas informações ? Usaste os três crivos da comunicação humana ?
- Os três crivos ? Nunca me falaram disso nos cursos de formação por onde tenho passado...
- O primeiro, meu menino, é a VERDADE. Tens a certeza de que o que me ias dizer sobre a Adriana é realmente verdade? Podes jurar pela tua honra ? Olha que a honra de um homem vale mais do que os três vinténs!
- Bem, em boa verdade, só sei o que me contaram ontem à noite num bar do Bairro Alto!
- Então a história está mal contada e não passou pelo primeiro crivo. Passemos agora ao segundo crivo, que é o da CAMARADAGEM... Por acaso gostarias que alguns dos teus colegas da Pê Jota também dissessem de ti, ou da tua mulher, o mesmo que tu me ias contar sobre a Adriana?
- Pensando bem, não, Chefe!...
- Então a tua história também não passou pelo segundo crivo!... Vamos agora ao terceiro, que é o da RELEVÂNCIA. Achas mesmo necessário contar-me esse facto? É relevante para alguma investigação em curso ? É importante para o serviço ? Tem um algum valor acrescentado para todos nós ? Ou é melhor esquecê-lo, sabendo tu e eu que ambos temos mais que fazer nesta casa ?!
- Não, Chefe, tem toda razão, o melhor é mesmo esquecer o assunto. E vamos ao trabalho!, replicou o Francisco, envergonhado com a lição de moral que o Chefe acabava de lhe pregar.
- Pois é, Francisco, as pessoas seriam muito mais felizes e as organizações muito mais eficientes e eficazes se usassem os três crivos nas suas relações e comunicações... Se queres ser um bom profissional nesta casa nunca percas o sentido da justiça e da equidade, e não queiras ser igual a tantos outros, ou seja, medíocre... Sabes porquê ? Há três tipos de pessoas neste mundo: (i) As Pessoas Inteligentes, que falam sobre Ideias; (ii) as Pessoas Banais, que falam sobre Coisas; e, por fim, (iii) as Pessoas Medíocres, que só sabem falar (mal)... dos Outros!
Moral da história: Pensando bem, há uma enorme diferença entre ser chefe e ser líder... O gajo da PJ parece-me mais pertencer a esta última espécie. Foi rapaz para andar nos escoteiros ou Mocidade Portuguesa... Mas será que esta história tem mesmo como mural-ao-fundo a Rua Gomes Freire (a tal que, ainda por cima, ostenta o nome de um grande patriota português)?
_____________
L.G.- Set. 2003
Afinal ainda há chefes com C grande na Judite... Será ? Perguntas, ciberamig@: "entre pedófilos e pirómanos, o que é que resta neste pais? Nós ? E os outros?".
Pois apetece-me citar O'Neil, também a (des)propósito:
" Se não fôssemos nós, quem eram vocês?
"Se não fôssem vocês, quem éramos nós?
"Quem nos lê a nós ? São vocês (e nós...)
"Quem vos lê a vocês ? Somos nós (e vocês...)
"Tudo fica, pois, entre nós, entre nós..."
(Poemas com Endereço, 1962)
Se ele fosse vivo, o Caixadóclos, dir-vos-ia: "Please, saibam ler com santa(s) (pa)ciência(s) as (ciber)tendências... Que na escola, eu ainda era do tempo de (i) contar pelos dedos da mão, (ii) fazer contas de sumir e; e (iii) tirar a prova dos nove-fora-nada... Hoje, não tenho dúvidas que seria o maior bloguista do país (super)relativo"...
Tenho deveras pena de o não ter conhecido, ao Alexandre, ao Caixadòclos, Avenida da Liberdade Acima, Avenida da Liberdade Abaixo, grafitando:
"O adjectivo
dá-me de comer.
Se não fora ele
o que houvera de ser ?
"Vivo de acrescentar às coisas
o que elas não são.
Mas é por cálculo,
não por ilusão"
(De Ombro na Ombreira, 1969)
Os três crivos da comunicação nas organizações
O Francisco, que trabalha na Pê Jota (vulgo, Judite), foi promovido. Logo na manhã seguinte, para agradar ao seu superior hierárquico, saiu-se com esta:
- Ó Chefe, nem imagina o que me contaram sobre a Adriana! Disseram-me que
ela...
O Chefe, que é fã do blog do JPP, interrompeu-o abruptamente, não o deixando sequer terminar a frase:
- Calma aí, ó Francisco!... Por acaso já confirmaste essas informações ? Usaste os três crivos da comunicação humana ?
- Os três crivos ? Nunca me falaram disso nos cursos de formação por onde tenho passado...
- O primeiro, meu menino, é a VERDADE. Tens a certeza de que o que me ias dizer sobre a Adriana é realmente verdade? Podes jurar pela tua honra ? Olha que a honra de um homem vale mais do que os três vinténs!
- Bem, em boa verdade, só sei o que me contaram ontem à noite num bar do Bairro Alto!
- Então a história está mal contada e não passou pelo primeiro crivo. Passemos agora ao segundo crivo, que é o da CAMARADAGEM... Por acaso gostarias que alguns dos teus colegas da Pê Jota também dissessem de ti, ou da tua mulher, o mesmo que tu me ias contar sobre a Adriana?
- Pensando bem, não, Chefe!...
- Então a tua história também não passou pelo segundo crivo!... Vamos agora ao terceiro, que é o da RELEVÂNCIA. Achas mesmo necessário contar-me esse facto? É relevante para alguma investigação em curso ? É importante para o serviço ? Tem um algum valor acrescentado para todos nós ? Ou é melhor esquecê-lo, sabendo tu e eu que ambos temos mais que fazer nesta casa ?!
- Não, Chefe, tem toda razão, o melhor é mesmo esquecer o assunto. E vamos ao trabalho!, replicou o Francisco, envergonhado com a lição de moral que o Chefe acabava de lhe pregar.
- Pois é, Francisco, as pessoas seriam muito mais felizes e as organizações muito mais eficientes e eficazes se usassem os três crivos nas suas relações e comunicações... Se queres ser um bom profissional nesta casa nunca percas o sentido da justiça e da equidade, e não queiras ser igual a tantos outros, ou seja, medíocre... Sabes porquê ? Há três tipos de pessoas neste mundo: (i) As Pessoas Inteligentes, que falam sobre Ideias; (ii) as Pessoas Banais, que falam sobre Coisas; e, por fim, (iii) as Pessoas Medíocres, que só sabem falar (mal)... dos Outros!
Moral da história: Pensando bem, há uma enorme diferença entre ser chefe e ser líder... O gajo da PJ parece-me mais pertencer a esta última espécie. Foi rapaz para andar nos escoteiros ou Mocidade Portuguesa... Mas será que esta história tem mesmo como mural-ao-fundo a Rua Gomes Freire (a tal que, ainda por cima, ostenta o nome de um grande patriota português)?
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L.G.- Set. 2003
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