17 novembro 2003

Blognecos - IV: (Não) fumo, logo existo

mais um dia, anual, global, mundial, nacional, regional, local, do não fumador. só não o foi na minha freguesia. nem no tasco que eu frequento. nem na fábrica onde trabalho. nem no meu bairro (social) onde não há trabalho decente para a gente. nem na minha casa em que o tabaco é o xanax dda muçlher e das filhas.



dizem-me que se aperta o cerco aos fumadores. que pelas estatísticas são os que ainda não trabalham mais os que já trabalham e que estão na casa dos trinta e mais os que já deixaram de trabalhar. (os que ficaram pelo caminho ou na ponta final da linha de montagem).



ouvi o telejornalista de serviço (fez-me lembrar o porta-voz do tribunal do santo ofício que condenou à fogueira o tetravô do meu tetravô, cristão-novo). o inquisidor-mor malha nas mulheres portugas que estão a estragar as estatísticas sanitárias. diz o papagaio: os portugas ainda podem orgulhar-se, ao menos, valha-nos deus!, de serem os menos fumadores da eurolândia. repete o papagaio: não fumar está na moda. é fixe. os portugas que não fumam ou deixaram de fumar estão na moda. são fixes. eu, fumador, de maço e meio, pecador me confesso: não quero estar na moda. não quero ser fixe.



cerco, é isso. os tempos são bons para apertar o cerco. aos fumantes. aos novos párias sociais. aos novos inimigos da ordem pública. o pretexto pode ser a nova peste branca. os direitos dos não fumadores. o fumo passivo. a nova ética do trabalho. a produtividade do trabalho e a competitividade das empresas. a identidade da nação. os superiores desígnios do estado. a poluição tabágica que, além dos pulmões dos colarinhos azuis e do resto do corpinho da gente, dá cabo da pintura dos tectos e das paredes, do sistema de ar condicionado, dos equipamentos, dos circuitos dos computadores, das mother boards, dos chips, das placas gráficas, dos neurónios dos colarinhos brancos e dourados, dos estofos do carro do patrão. o tabaco que mata meio milhão de eurolandeses por ano. morrem que nem tordos, diz o sanitário de serviço. doze mil, falando só de portugas. e o mulherio a dar cabo da estatística, diz o telepapagaio.



não vi, todavia, as empresas portuguesas seguirem o exemplo das suas congéneres multinacionais que operam cá no burgo como a ibm ou a siemens. não vi os senhores gestores engravatados lá da minha tasca virem à televisão dizer com orgulho: somos mais uma smoke free company. eles não têm lata para o fazer. porque antes disso teriam que dar o exemplo. e mostrar que também dão exemplos de boas práticas noutras matérias como a proteção ambiental, a proteção da saúde e segurança dos trabalhadores, a consulta e a participação do zé portuga, a garantia do trabalho decente, o sentido de responsabilidade social da empresa.



a propósito: alguém sabe explicar-me o que é isso de trabalho decente, vida decente, salário decente, condições de trabalho decentes, cuidados de saúde de decentes, ambiente decente, educação decente, habitação decente ?



hoje é dia mundial do não fumador. uma vez por ano todos os anos. só não o foi na minha freguesia. nem no tasco que eu frequento. nem na fábrica onde trabalho. nem no meu bairro (social) onde não há trabalho decente para a gente nem dinheiro para o tabaco que engana a fome, e a apagada e vil tristeza do nosso quotidiano, a falta de dinheiro para oferecer uma rosa à patroa que agora vai fazer 45 anos.



hoje foi um dia trivial. como os outros. hoje o estado arrecadou mais de 600 mil euros de imposto sobre o vício de fumar. 33 portugas morreram de doenças relacionadas com o tabagismo. não vi nem ouvi o ministro da saúde preocupar-se com os que trabucam e fumam. com os pobres que fumam e que vão morrer. tal como os outros que não fumam, nunca fumaram ou deixaram de fumar. "um dia todos vamos morrer". conheço essa teoria, a da dissonância cognitiva, diz-me o médico do trabalho lá da fábrica e que até é um gajo porreiro porque fuma e sabe que faz à saúde. a gente precisa sempre de um bom alibi para adiar a morte, meu caro zé portuga. a doença. a dor. a subida ao céu. a descida aos infernos. o trânsito no purgatório. amen. padre nosso. avé-maria.



minto: o senhor da ministro da saúde também o é da saúde pública. da saúde da gente. acaba de anunciar a sua (dele e do governo) intenção de aumentar o número de consultas hospitalares de desabituação tabágica (publico, 17.11.2003). eu aplaudo. mas quantas (consultas) não disse. nem onde nem com que meios. há montes de portugas a pedir ajuda. não há técnicos para as encomendas. e os que há são voluntários. psicólogos à procura de espaço de trabalho no mundo das batas brancas. há listas de espera de dois anos (!) para este tipo de consulta (por exemplo, no hospital egas moniz). a propósito: diz-se desabituação ou cessação tabágica ? cessação, dizem os puristas. que fumar é uma doença.



o que é que um gajo como eu, fumador compulsivo, de maço e meio que a guita não dá para mais, faz em dois anos ? dá em doido ? morre de cancro ? em dois anos um portuga fumante como eu acendeu pelo menos 21900 vezes o isqueiro. fumou pelo menos 21900 cigarros (fora o cravanço). ficou exposto a 4 mil produtos químicos x 22 mil cigarros. ou serão 5 mil ? mais mil menos mil , tanto faz. por conseguinte, um gajo está arrumado ao fim de dois anos na lista de espera e a continuar a fumar. eu queria deixar de fumar. talvez alguém me possa ajudar. lá em casa todos fumam. e as mulheres (a patroa e as duas filhas) mais do que os homens (só eu, que o puto ainda é pequenitates).



eu fico, por isso, sensibilizado com a sensibilidade do senhor ministro que se preocupa com a gente. os que fumam e trabalham como eu, classe operária, malandra, tunante e fumante como eu, embora em vias de extinção enquanto classe mal comportada. e se calhar também com os que não fumam mas apanham com o fumo dos que fumam.



no dia mundial do não fumador, eu escrevo neste blogue-fora-nada: fumo, logo existo. imaginem se não fumasse: estava tramado. ninguém se preocupava comigo. neste dia tenho a certeza que alguém se preocupou comigo. médicos, enfermeiros, psicólogos, padres, polícias, jornalistas, amigos, cangalheirpos, coveiros. hohe houve gente que se preocupou comigo. e isso tocou-me, deixou-me sensibilizado. talvez eu ainda vá a tempo de me inscrever numa consulta de desabituação (perdão, cessação) antitabágica em 2005. mesmo com meio pulmão a sorrir à vida.







Fonte: No Tobacco (Animated) © Steve Curry (17.11.2003)





Care2.com. The # 1 Environmental Network for a Healthy Living and a Healthy Planet



Blognecos - IV: (Não) fumo, logo existo

mais um dia, anual, global, mundial, nacional, regional, local, do não fumador. só não o foi na minha freguesia. nem no tasco que eu frequento. nem na fábrica onde trabalho. nem no meu bairro (social) onde não há trabalho decente para a gente. nem na minha casa em que o tabaco é o xanax dda muçlher e das filhas.

dizem-me que se aperta o cerco aos fumadores. que pelas estatísticas são os que ainda não trabalham mais os que já trabalham e que estão na casa dos trinta e mais os que já deixaram de trabalhar. (os que ficaram pelo caminho ou na ponta final da linha de montagem).

ouvi o telejornalista de serviço (fez-me lembrar o porta-voz do tribunal do santo ofício que condenou à fogueira o tetravô do meu tetravô, cristão-novo). o inquisidor-mor malha nas mulheres portugas que estão a estragar as estatísticas sanitárias. diz o papagaio: os portugas ainda podem orgulhar-se, ao menos, valha-nos deus!, de serem os menos fumadores da eurolândia. repete o papagaio: não fumar está na moda. é fixe. os portugas que não fumam ou deixaram de fumar estão na moda. são fixes. eu, fumador, de maço e meio, pecador me confesso: não quero estar na moda. não quero ser fixe.

cerco, é isso. os tempos são bons para apertar o cerco. aos fumantes. aos novos párias sociais. aos novos inimigos da ordem pública. o pretexto pode ser a nova peste branca. os direitos dos não fumadores. o fumo passivo. a nova ética do trabalho. a produtividade do trabalho e a competitividade das empresas. a identidade da nação. os superiores desígnios do estado. a poluição tabágica que, além dos pulmões dos colarinhos azuis e do resto do corpinho da gente, dá cabo da pintura dos tectos e das paredes, do sistema de ar condicionado, dos equipamentos, dos circuitos dos computadores, das mother boards, dos chips, das placas gráficas, dos neurónios dos colarinhos brancos e dourados, dos estofos do carro do patrão. o tabaco que mata meio milhão de eurolandeses por ano. morrem que nem tordos, diz o sanitário de serviço. doze mil, falando só de portugas. e o mulherio a dar cabo da estatística, diz o telepapagaio.

não vi, todavia, as empresas portuguesas seguirem o exemplo das suas congéneres multinacionais que operam cá no burgo como a ibm ou a siemens. não vi os senhores gestores engravatados lá da minha tasca virem à televisão dizer com orgulho: somos mais uma smoke free company. eles não têm lata para o fazer. porque antes disso teriam que dar o exemplo. e mostrar que também dão exemplos de boas práticas noutras matérias como a proteção ambiental, a proteção da saúde e segurança dos trabalhadores, a consulta e a participação do zé portuga, a garantia do trabalho decente, o sentido de responsabilidade social da empresa.

a propósito: alguém sabe explicar-me o que é isso de trabalho decente, vida decente, salário decente, condições de trabalho decentes, cuidados de saúde de decentes, ambiente decente, educação decente, habitação decente ?

hoje é dia mundial do não fumador. uma vez por ano todos os anos. só não o foi na minha freguesia. nem no tasco que eu frequento. nem na fábrica onde trabalho. nem no meu bairro (social) onde não há trabalho decente para a gente nem dinheiro para o tabaco que engana a fome, e a apagada e vil tristeza do nosso quotidiano, a falta de dinheiro para oferecer uma rosa à patroa que agora vai fazer 45 anos.

hoje foi um dia trivial. como os outros. hoje o estado arrecadou mais de 600 mil euros de imposto sobre o vício de fumar. 33 portugas morreram de doenças relacionadas com o tabagismo. não vi nem ouvi o ministro da saúde preocupar-se com os que trabucam e fumam. com os pobres que fumam e que vão morrer. tal como os outros que não fumam, nunca fumaram ou deixaram de fumar. "um dia todos vamos morrer". conheço essa teoria, a da dissonância cognitiva, diz-me o médico do trabalho lá da fábrica e que até é um gajo porreiro porque fuma e sabe que faz à saúde. a gente precisa sempre de um bom alibi para adiar a morte, meu caro zé portuga. a doença. a dor. a subida ao céu. a descida aos infernos. o trânsito no purgatório. amen. padre nosso. avé-maria.

minto: o senhor da ministro da saúde também o é da saúde pública. da saúde da gente. acaba de anunciar a sua (dele e do governo) intenção de aumentar o número de consultas hospitalares de desabituação tabágica (publico, 17.11.2003). eu aplaudo. mas quantas (consultas) não disse. nem onde nem com que meios. há montes de portugas a pedir ajuda. não há técnicos para as encomendas. e os que há são voluntários. psicólogos à procura de espaço de trabalho no mundo das batas brancas. há listas de espera de dois anos (!) para este tipo de consulta (por exemplo, no hospital egas moniz). a propósito: diz-se desabituação ou cessação tabágica ? cessação, dizem os puristas. que fumar é uma doença.

o que é que um gajo como eu, fumador compulsivo, de maço e meio que a guita não dá para mais, faz em dois anos ? dá em doido ? morre de cancro ? em dois anos um portuga fumante como eu acendeu pelo menos 21900 vezes o isqueiro. fumou pelo menos 21900 cigarros (fora o cravanço). ficou exposto a 4 mil produtos químicos x 22 mil cigarros. ou serão 5 mil ? mais mil menos mil , tanto faz. por conseguinte, um gajo está arrumado ao fim de dois anos na lista de espera e a continuar a fumar. eu queria deixar de fumar. talvez alguém me possa ajudar. lá em casa todos fumam. e as mulheres (a patroa e as duas filhas) mais do que os homens (só eu, que o puto ainda é pequenitates).

eu fico, por isso, sensibilizado com a sensibilidade do senhor ministro que se preocupa com a gente. os que fumam e trabalham como eu, classe operária, malandra, tunante e fumante como eu, embora em vias de extinção enquanto classe mal comportada. e se calhar também com os que não fumam mas apanham com o fumo dos que fumam.

no dia mundial do não fumador, eu escrevo neste blogue-fora-nada: fumo, logo existo. imaginem se não fumasse: estava tramado. ninguém se preocupava comigo. neste dia tenho a certeza que alguém se preocupou comigo. médicos, enfermeiros, psicólogos, padres, polícias, jornalistas, amigos, cangalheirpos, coveiros. hohe houve gente que se preocupou comigo. e isso tocou-me, deixou-me sensibilizado. talvez eu ainda vá a tempo de me inscrever numa consulta de desabituação (perdão, cessação) antitabágica em 2005. mesmo com meio pulmão a sorrir à vida.



Fonte: No Tobacco (Animated) © Steve Curry (17.11.2003)



Care2.com. The # 1 Environmental Network for a Healthy Living and a Healthy Planet


Blognecos - III: Mutilação Genital Feminina (MGF)



Fonte: GTZ Kenya (2003)





Fonte: GTZ Kenya (17.11.2003)



Um dos melhores sítios sobre este tópico (inclui lista dos principais links):

The Female Genital Cutting Education and Networking Project (USA)



A MGF e a saúde (Página da OMS):

WHO > Health topics > Female genital mutilation





A MGF no Directório do Google:

Health > Women's Health > Genital Mutilation





Um dossiê em português:

Publico.pt > Dossiers > Mutilação Genital

Blognecos - III: Mutilação Genital Feminina (MGF)


Fonte: GTZ Kenya (2003)



Fonte: GTZ Kenya (17.11.2003)

Um dos melhores sítios sobre este tópico (inclui lista dos principais links):
The Female Genital Cutting Education and Networking Project (USA)

A MGF e a saúde (Página da OMS):
WHO > Health topics > Female genital mutilation


A MGF no Directório do Google:
Health > Women's Health > Genital Mutilation


Um dossiê em português:
Publico.pt > Dossiers > Mutilação Genital

16 novembro 2003

Portugas que merecem as nossas palmas - III: A jornalista Sofia Branco e a sua luta contra a Mutilação Genital Feminina

A não perder: Sofia Branco assina hoje, na Pública (Jornal Público, 16.11.2003) mais uma notável reportagem sobre a Mutilação Genital Feminina (abreviadamente, MGF) e a procura, na Guiné-Bissau, de alternativas antropossociológicas aos aspectos mais desumanos (leia-se: violadores dos direitos humanos) da festa do fanado. Em particular, é dado destaque à inteligente luta de organizações não-governamentais como a Réné-Renté ou a Sinin Mira Nassiquê pelo “fanado alternativo”, conquistando o apoio das temíveis fanatecas. Título da reportagem: “Fanados em excisão: ritual corta a dor das meninas da Guiné” (pp. 32-42).



Sofia Branco, jornalista do Publico.pt, recebeu em 24 de Outubro último, o Prémio Natali da Federação Internacional de Jornalistas e da Comissão Europeia, pela reportagem "Mutilação Genital Feminina - o holocausto silencioso das mulheres a quem continuam a extrair o clítoris", publicado no Público, de 4 de Agosto de 2002, e disponível no dossiê do Publico.pt sobre a MGF



Este prémio foi instituído em 1992 pela Comissão Europeia para "promover o jornalismo de qualidade", nomedamente na área dos direitos humanos e do desenvolvimento.



Segundo o Público de 24.10.2003, Sofia Branco considerou a atribuição do prémio "uma grande honra" e afirmou que o galardão "reflecte como o jornalismo pode contribuir para a promoção dos direitos humanos". Sobre o trabalho premiado, a jornalista explicou como tentou "compreender o acto odioso" da MGF para, através da sua compreensão, "mudar o mundo para melhor".



Sobre a MGF e a suspeita de que ela continua a praticar-se na comunidade guineense residente em Portugal, entre as famílias de origem étnica fula, mandinga e outras, islamizadas, da Guiné-Bissau, a repórter estimou que o fenómeno "é uma questão de integração dos imigrantes na Europa" e que o continente deve agir contra "aspectos culturais que são contra os direitos humanos mais elementares".



Sofia Branco dedicou o prémio "a todas e cada uma dos dois milhões de mulheres que são mutiladas todos os anos, em quase 30 países do meu mundo, do nosso mundo" (!).



Este trabalho já fora distinguido com (i) o Prémio Mulher Reportagem Maria Lamas 2002; e com (ii) o Grande Prémio Imigração e Minorias Étnicas: Jornalismo Pela tTolerância do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME); além de ter obtido (iii) uma menção honrosa no Prémio AMI - Jornalismo Contra a Indiferença.



Por tudo isto a Sofia é uma portuga credora das nossas palmas.



Portugas que merecem as nossas palmas - III: A jornalista Sofia Branco e a sua luta contra a Mutilação Genital Feminina

A não perder: Sofia Branco assina hoje, na Pública (Jornal Público, 16.11.2003) mais uma notável reportagem sobre a Mutilação Genital Feminina (abreviadamente, MGF) e a procura, na Guiné-Bissau, de alternativas antropossociológicas aos aspectos mais desumanos (leia-se: violadores dos direitos humanos) da festa do fanado. Em particular, é dado destaque à inteligente luta de organizações não-governamentais como a Réné-Renté ou a Sinin Mira Nassiquê pelo “fanado alternativo”, conquistando o apoio das temíveis fanatecas. Título da reportagem: “Fanados em excisão: ritual corta a dor das meninas da Guiné” (pp. 32-42).

Sofia Branco, jornalista do Publico.pt, recebeu em 24 de Outubro último, o Prémio Natali da Federação Internacional de Jornalistas e da Comissão Europeia, pela reportagem "Mutilação Genital Feminina - o holocausto silencioso das mulheres a quem continuam a extrair o clítoris", publicado no Público, de 4 de Agosto de 2002, e disponível no dossiê do Publico.pt sobre a MGF

Este prémio foi instituído em 1992 pela Comissão Europeia para "promover o jornalismo de qualidade", nomedamente na área dos direitos humanos e do desenvolvimento.

Segundo o Público de 24.10.2003, Sofia Branco considerou a atribuição do prémio "uma grande honra" e afirmou que o galardão "reflecte como o jornalismo pode contribuir para a promoção dos direitos humanos". Sobre o trabalho premiado, a jornalista explicou como tentou "compreender o acto odioso" da MGF para, através da sua compreensão, "mudar o mundo para melhor".

Sobre a MGF e a suspeita de que ela continua a praticar-se na comunidade guineense residente em Portugal, entre as famílias de origem étnica fula, mandinga e outras, islamizadas, da Guiné-Bissau, a repórter estimou que o fenómeno "é uma questão de integração dos imigrantes na Europa" e que o continente deve agir contra "aspectos culturais que são contra os direitos humanos mais elementares".

Sofia Branco dedicou o prémio "a todas e cada uma dos dois milhões de mulheres que são mutiladas todos os anos, em quase 30 países do meu mundo, do nosso mundo" (!).

Este trabalho já fora distinguido com (i) o Prémio Mulher Reportagem Maria Lamas 2002; e com (ii) o Grande Prémio Imigração e Minorias Étnicas: Jornalismo Pela tTolerância do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME); além de ter obtido (iii) uma menção honrosa no Prémio AMI - Jornalismo Contra a Indiferença.

Por tudo isto a Sofia é uma portuga credora das nossas palmas.

15 novembro 2003

Estórias com mural ao fundo - XVII: Quando os Chefes são mais (imbecis) que os Í­ndios

Como era habitual todos os anos, com a aproximação da estação do inverno, os pobres índios da reserva foram consultar o Chefe Cara de Pau:

- Ó Chefe, como vai ser este inverno ? Quais são as ordens ?



O Chefe Cara de Pau que tinha estudado numa escola de brancos já não sabia nada da arte ancestral de adivinhação do tempo. Mas, claro, como chefe não podia mostrar parte de fraco. Fixou os olhos no céu, entoou uma estranha canção irlandesa que tinha aprendido na igreja e estendeu um braço para recolher a resposta. Esta veio rápida e brusca como um trovão, sob a forma de uma voz de ventríloquo:

- Meu povo, vamos ter um inverno muito duro, muito duro... É bom começar a colher lenha! Muita lenha!



Surpreendido pelo resultado mas ainda pouco convicto dos seus novos dotes de adivinho, o Cara de Pau consultou no dia seguinte, pelo telefone, o Serviço Nacional de Meteorologia (SNM). As previsões dos brancos confirmavam as suas:

- Sim, o inverno deste ano vai ser muito frio!



Sentindo-se mais confortável no seu novo papel de meteorologista da reserva, o Chefe reuniu de novo os índios e insistiu:

- Inverno, muito frio, muito frio! Guerreiros, velhos, mulheres, crianças, tudo o mundo, toca a recolher lenha! Muita lenha!



Dois dias depois, ligou novamente para o SNM e ouviu a segunda confirmação:

- Sim, sim, muito frio, muito frio! Como há muito anos não acontecia.



Nova reunião com o povo, e novo aviso:

- Inverno, muito frio, muito frio! O pior do século. Recolham toda a lenha que puderem.



Uma semana depois voltou a ligar ao SNM, para uma última confirmação:

- Vocês podem confirmar a previsão sobre o próximo inverno ?

- O SNM confirma que o próximo inverno vai ser de frio intenso...

- Como podem ter tanta certeza disso ?

- É que esta ano, na reserva dos índios, houve uma inusitada corrida à lenha. Como há muito não se via!... E como diz o provérbio índio, "não há fumo sem fogo"!...



Moral da história:

Quando os chefes são mais (imbecis) do que os índios, coitados dos índios!

Estórias com mural ao fundo - XVII: Quando os Chefes são mais (imbecis) que os Í­ndios

Como era habitual todos os anos, com a aproximação da estação do inverno, os pobres índios da reserva foram consultar o Chefe Cara de Pau:
- Ó Chefe, como vai ser este inverno ? Quais são as ordens ?

O Chefe Cara de Pau que tinha estudado numa escola de brancos já não sabia nada da arte ancestral de adivinhação do tempo. Mas, claro, como chefe não podia mostrar parte de fraco. Fixou os olhos no céu, entoou uma estranha canção irlandesa que tinha aprendido na igreja e estendeu um braço para recolher a resposta. Esta veio rápida e brusca como um trovão, sob a forma de uma voz de ventríloquo:
- Meu povo, vamos ter um inverno muito duro, muito duro... É bom começar a colher lenha! Muita lenha!

Surpreendido pelo resultado mas ainda pouco convicto dos seus novos dotes de adivinho, o Cara de Pau consultou no dia seguinte, pelo telefone, o Serviço Nacional de Meteorologia (SNM). As previsões dos brancos confirmavam as suas:
- Sim, o inverno deste ano vai ser muito frio!

Sentindo-se mais confortável no seu novo papel de meteorologista da reserva, o Chefe reuniu de novo os índios e insistiu:
- Inverno, muito frio, muito frio! Guerreiros, velhos, mulheres, crianças, tudo o mundo, toca a recolher lenha! Muita lenha!

Dois dias depois, ligou novamente para o SNM e ouviu a segunda confirmação:
- Sim, sim, muito frio, muito frio! Como há muito anos não acontecia.

Nova reunião com o povo, e novo aviso:
- Inverno, muito frio, muito frio! O pior do século. Recolham toda a lenha que puderem.

Uma semana depois voltou a ligar ao SNM, para uma última confirmação:
- Vocês podem confirmar a previsão sobre o próximo inverno ?
- O SNM confirma que o próximo inverno vai ser de frio intenso...
- Como podem ter tanta certeza disso ?
- É que esta ano, na reserva dos índios, houve uma inusitada corrida à lenha. Como há muito não se via!... E como diz o provérbio índio, "não há fumo sem fogo"!...

Moral da história:
Quando os chefes são mais (imbecis) do que os índios, coitados dos índios!

(Ex)citações de cada dia - VII: Os bons gestores que (não) temos

António Mexia, Presidente da Comissão Executiva da Galp Energia (In: À conversa com... António Mexia. Expresso, 15.11.2003):



"Não há muitos bons gestores em Portugal. A raiz do problema da produtividade tem a ver com a capacidade reduzida dos gestores, além da burocracia e rigidez do sistema. Quando o líder não tem nem ambição nem capacidade de entrega, o efeito é destrutivo, porque acaba com o esforço de toda a gente" ).



Jorge Nascimento Rodrigues (In: Retrato da (in)satisfação do empregado luso.Expresso, 15.11.2003):



"(...) O fosso entre as 'buzzwords' da moda - capital intelelectual, gestão de talentos, poder aos empregados ('empowerment'), trabalho em equipa, alinhamento organizacional - no discurso dos consultores e dos gestores e a realidade portuguesa é gritante" ).

(Ex)citações de cada dia - VII: Os bons gestores que (não) temos

António Mexia, Presidente da Comissão Executiva da Galp Energia (In: À conversa com... António Mexia. Expresso, 15.11.2003):

"Não há muitos bons gestores em Portugal. A raiz do problema da produtividade tem a ver com a capacidade reduzida dos gestores, além da burocracia e rigidez do sistema. Quando o líder não tem nem ambição nem capacidade de entrega, o efeito é destrutivo, porque acaba com o esforço de toda a gente" ).

Jorge Nascimento Rodrigues (In: Retrato da (in)satisfação do empregado luso.Expresso, 15.11.2003):

"(...) O fosso entre as 'buzzwords' da moda - capital intelelectual, gestão de talentos, poder aos empregados ('empowerment'), trabalho em equipa, alinhamento organizacional - no discurso dos consultores e dos gestores e a realidade portuguesa é gritante" ).

14 novembro 2003

Estórias com mural ao fundo - XVI: Uma gestão por resultados

Obrigado, Anacleto! É um delícia... Nada como profissionalizar a gestão do Céu, esperando com isso melhorar o desempenho dos nossos gestores cá na Terra!...

____________



Era uma vez, uma aldeia onde havia dois homens, já muito idosos, que se chamavam José Pestana. Um era padre e o outro, taxista. Quis o destino que os dois morressem no mesmo dia. À porta do Céu esperava-os São Pedro, com uma lista de admissões.

- O teu nome? - pergunta o São Pedro ao primeiro.

- José Pestana.

- O padre?

- Não, sou o outro, o taxista.



São Pedro confere o nome na lista e diz:

- Bem, meu filho, ganhaste o Paraíso. Veste esta túnica com fios de ouro e empunha esta vara de platina com incrustações de rubis. Sê bem vindo ao Reino dos Céus...

- Obrigado, obrigado!!! - diz o taxista, emocionado.



Passam mais duas ou três pessoas, até que chega a vez do outro.

- O teu nome?

- José Pestana.

- O padre?

- Esse mesmo, meu Santo.

- Muito bem, meu filho. Também tu ganhaste o Paraíso. Levas esta bata de linho e esta vara de ferro com incrustações a cobre.

- Desculpe, ó São Pedro, não é por nada, mas... deve haver aí algum engano. Eu sou o Padre José Pestana, o prior da freguesia!

- Eu sei, meu filho, estás aqui na lista, ganhaste o Paraíso. Levas esta bata de linho e...

- Não, não pode ser! Eu conheço o meu homónimo, o homem era taxista, vivia na minha aldeia! O que posso dizer dele é que era um desastre. E nem sequer ia à missa! Conduzia pessimamente, subia os passeios, levava tudo à frente, atropelava os animais, assustava as pessoas...

- Não te enerves, meu filho, tem calma...

- Não pode ser!.... Eu passei quase setenta anos da minha vida a pregar todos os domingos na igreja da paróquia, a fazer procissões, casamentos, baptizados, enterros... Como é que lhe dão, a ele, que era um incompetente e um herege, a túnica com fios de ouro e a vara de platina e a mim só isto ? Não é justo!... Vai-me desculpar, São Pedro, mas aí deve ter havido alguma erro na avaliação do mérito de cada um de nós. Houve, de certeza, confusão nos nomes!

- Não, não é nenhum engano - diz o São Pedro, já um bocado enervado com o desaforo do padre. Aqui, no Céu, nós estamos a aplicar as técnicas de gestão que vocês usam lá na Terra. Meu filho, eu tenho o MBA da Católica.

- Como assim ? Desculpe, mas não entendo.

- É que agora nós pássamos a orientarmo-nos por resultados, como vem nos manuais de gestão... É assim: durante os últimos vinte e cinco anos, de cada vez que tu pregavas, as pessoas adormeciam na igreja; mas de cada vez que ele pegava no carro, as pessoas começavam logo a benzer-se e a rezar. Estás a ver a diferença ? Isto é que são resultados, meu filho!... Percebeste agora?



AM/LG



Moral da estória: No Céu como na Terra, a avaliação do mérito e do desempenho dos colaboradores é que é o busílis da... gestão.



Estórias com mural ao fundo - XVI: Uma gestão por resultados

Obrigado, Anacleto! É um delícia... Nada como profissionalizar a gestão do Céu, esperando com isso melhorar o desempenho dos nossos gestores cá na Terra!...
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Era uma vez, uma aldeia onde havia dois homens, já muito idosos, que se chamavam José Pestana. Um era padre e o outro, taxista. Quis o destino que os dois morressem no mesmo dia. À porta do Céu esperava-os São Pedro, com uma lista de admissões.
- O teu nome? - pergunta o São Pedro ao primeiro.
- José Pestana.
- O padre?
- Não, sou o outro, o taxista.

São Pedro confere o nome na lista e diz:
- Bem, meu filho, ganhaste o Paraíso. Veste esta túnica com fios de ouro e empunha esta vara de platina com incrustações de rubis. Sê bem vindo ao Reino dos Céus...
- Obrigado, obrigado!!! - diz o taxista, emocionado.

Passam mais duas ou três pessoas, até que chega a vez do outro.
- O teu nome?
- José Pestana.
- O padre?
- Esse mesmo, meu Santo.
- Muito bem, meu filho. Também tu ganhaste o Paraíso. Levas esta bata de linho e esta vara de ferro com incrustações a cobre.
- Desculpe, ó São Pedro, não é por nada, mas... deve haver aí algum engano. Eu sou o Padre José Pestana, o prior da freguesia!
- Eu sei, meu filho, estás aqui na lista, ganhaste o Paraíso. Levas esta bata de linho e...
- Não, não pode ser! Eu conheço o meu homónimo, o homem era taxista, vivia na minha aldeia! O que posso dizer dele é que era um desastre. E nem sequer ia à missa! Conduzia pessimamente, subia os passeios, levava tudo à frente, atropelava os animais, assustava as pessoas...
- Não te enerves, meu filho, tem calma...
- Não pode ser!.... Eu passei quase setenta anos da minha vida a pregar todos os domingos na igreja da paróquia, a fazer procissões, casamentos, baptizados, enterros... Como é que lhe dão, a ele, que era um incompetente e um herege, a túnica com fios de ouro e a vara de platina e a mim só isto ? Não é justo!... Vai-me desculpar, São Pedro, mas aí deve ter havido alguma erro na avaliação do mérito de cada um de nós. Houve, de certeza, confusão nos nomes!
- Não, não é nenhum engano - diz o São Pedro, já um bocado enervado com o desaforo do padre. Aqui, no Céu, nós estamos a aplicar as técnicas de gestão que vocês usam lá na Terra. Meu filho, eu tenho o MBA da Católica.
- Como assim ? Desculpe, mas não entendo.
- É que agora nós pássamos a orientarmo-nos por resultados, como vem nos manuais de gestão... É assim: durante os últimos vinte e cinco anos, de cada vez que tu pregavas, as pessoas adormeciam na igreja; mas de cada vez que ele pegava no carro, as pessoas começavam logo a benzer-se e a rezar. Estás a ver a diferença ? Isto é que são resultados, meu filho!... Percebeste agora?

AM/LG

Moral da estória: No Céu como na Terra, a avaliação do mérito e do desempenho dos colaboradores é que é o busílis da... gestão.

13 novembro 2003

Saúde & Segurança no Trabalho - VIII: Saúde/doença

"Parler de la santé est toujours malaisé. Évoquer la souffrance et la maladie est, en revanche, plus facile: tout le monde le fait. Comme si, à l’instar de Dante, chacun portait en lui assez d’expérience pour d’écrire l’enfer et jamais le paradis » (Dejours, 1980.5).



Dejours, C. (1980) – Travail: usure mentale. Essai de psychopathologie du travail. Paris: Centurion.



É espantoso: eu nunca ouvi ninguém falar da saúde, em termos positivos. Não da saúde dos povos, em geral, mas da nossa saúde individual. Ninguém fala da sua saúde como fala da sua liberdade, felicidade ou paixão. Já em matéria de doença, dor e sofrimento, toda a gente é competente e tem uma história para contar. Uma ida ao médico ou à urgência do hospital. Um episódio de doença grave.

Saúde & Segurança no Trabalho - VIII: Saúde/doença

"Parler de la santé est toujours malaisé. Évoquer la souffrance et la maladie est, en revanche, plus facile: tout le monde le fait. Comme si, à l’instar de Dante, chacun portait en lui assez d’expérience pour d’écrire l’enfer et jamais le paradis » (Dejours, 1980.5).

Dejours, C. (1980) – Travail: usure mentale. Essai de psychopathologie du travail. Paris: Centurion.

É espantoso: eu nunca ouvi ninguém falar da saúde, em termos positivos. Não da saúde dos povos, em geral, mas da nossa saúde individual. Ninguém fala da sua saúde como fala da sua liberdade, felicidade ou paixão. Já em matéria de doença, dor e sofrimento, toda a gente é competente e tem uma história para contar. Uma ida ao médico ou à urgência do hospital. Um episódio de doença grave.

Blogantologia(s) - IV: Quando falta o quase

Chegou-me do Brasil, de amigos do Brasil. Essas coisas vêm sempre do Brasil (Efeito de halo ou de contaminação? É possível...). Achei piada à mensagem que o acompanhava: "Recebo dezenas de pensamentos diariamente, mas este é sensacional. Ligue o som, desligue as luzes, tire o fone do gancho, amordace as crianças! E pense na sua vida!". E numa pesquisa na Net, confirmei: o texto circula, em alta velocidade, na auto-estrada dos blogs brasileiros!... E é utilizado, indevidamente ou não, para o cara chegar, ver e vencer. Para ter sucesso no negócios (neste caso, o venda directa do elixir da vida). Ganhar muito dinheiro. Ter a casa de sonho e a conta milionária (no banco) que os sustenta (à casa e ao sonho).



Os brasileiros e, de um modo geral, os habitantes do Novo Mundo, adoram este tipo de kits, de tónicos para os neurónios, de suplementos para a vida, de massagens para muscular a alma: meia dúzia de frases feitas, de senso comum, pensamentos edificantes para consumo imediato, literatura light... Com musiquinha, de preferência, e uma jovem afro-americana, de braços abertos, em cruz, andrógina como o Jesus Cristo. Tudo isto faz parte da indústria do bem-estar que estás a destronar as velhas religiões dos nossos avoengos.



Pessoalmente, fico sempre de pé atrás contra esta filosofia barata... Muitas vezes há uma confrangedora pobreza intelectual por detrás dos ditos pensamentos... Mas às vezes também sabe bem ler e ouvir coisas... lamechas. É o encantmento do homem que que no tempo de menino e moço vendia a banha da cobra de feira e feira. A panaceia para todos os males. O segredo da vida e da morte...



Não é o caso, creio eu, deste texto atribuído ao grande cronista e escritor Luís Fernando Veríssimo (abreviadamente, LFV). Não posso garantir a autenticidade nem a integridade do texto. Não sei em que data foi escrito nem onde foi publicado. Voltei a reconhecê-lo em inúmeros blogs que atravessam a blogosfera verde e amarela. Já com algumas diferenças de pontuação, um ou outro atropelo à gramática aqui e acolá. A gente sabe, de resto, o uso e o abuso que se faz da Net de textos atribuídos a escritores sul-americanos famosos como o pobre do Gabriel Garcia Marquez, morto e ressuscitado não sei quantas vezes.



Não quero, porém, influenciar a vossa opinião. Sejam vocês os juizes, como sempre. Para @s ciberamig@s da minha mailing list mandei o ficheiro em power point e pedi para ligarem o som... Se as palavras do LFV (e a musiquinha light que as acompanhavam) os ajudou a reforçar a auto-estima ou a carregar as baterias nem que fosse por um instante, eu poderei dar por muito bem empregue os minutos que passei a escrevinhar o e-mail...



Ontem eu pensava que o ofício da amizade a isso me obrigava. Por isso desejei boa noite e bom jantar aos/às meus/minhas ciberamig@s. Hoje já não estou tão certo disso, das obrigações do ofício da amizade. Hoje é o outro dia, fui tirar sangue, dói-me o braço e quis compartilhar, ao almoço, esta prosa comestível com os blogadores que por aqui desaguam, em especial aqueles que vêm na corrente da espuma que escorre dest(s) dia(s).

______________



O Quase (crónica atribuída a Luís Fernando Veríssimo: alô, cara, posso passar a sua crónica, mesmo correndo o risco de desrespeitar o sacrossanto copyright?)



Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.



É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que

poderia ter sido e não foi.



Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.



Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.



Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.



A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.



Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.



A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.



Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.



Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.



O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.



Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance. Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência; porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.



Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.



Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.



Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

_________

Blogantologia(s) - IV: Quando falta o quase

Chegou-me do Brasil, de amigos do Brasil. Essas coisas vêm sempre do Brasil (Efeito de halo ou de contaminação? É possível...). Achei piada à mensagem que o acompanhava: "Recebo dezenas de pensamentos diariamente, mas este é sensacional. Ligue o som, desligue as luzes, tire o fone do gancho, amordace as crianças! E pense na sua vida!". E numa pesquisa na Net, confirmei: o texto circula, em alta velocidade, na auto-estrada dos blogs brasileiros!... E é utilizado, indevidamente ou não, para o cara chegar, ver e vencer. Para ter sucesso no negócios (neste caso, o venda directa do elixir da vida). Ganhar muito dinheiro. Ter a casa de sonho e a conta milionária (no banco) que os sustenta (à casa e ao sonho).

Os brasileiros e, de um modo geral, os habitantes do Novo Mundo, adoram este tipo de kits, de tónicos para os neurónios, de suplementos para a vida, de massagens para muscular a alma: meia dúzia de frases feitas, de senso comum, pensamentos edificantes para consumo imediato, literatura light... Com musiquinha, de preferência, e uma jovem afro-americana, de braços abertos, em cruz, andrógina como o Jesus Cristo. Tudo isto faz parte da indústria do bem-estar que estás a destronar as velhas religiões dos nossos avoengos.

Pessoalmente, fico sempre de pé atrás contra esta filosofia barata... Muitas vezes há uma confrangedora pobreza intelectual por detrás dos ditos pensamentos... Mas às vezes também sabe bem ler e ouvir coisas... lamechas. É o encantmento do homem que que no tempo de menino e moço vendia a banha da cobra de feira e feira. A panaceia para todos os males. O segredo da vida e da morte...

Não é o caso, creio eu, deste texto atribuído ao grande cronista e escritor Luís Fernando Veríssimo (abreviadamente, LFV). Não posso garantir a autenticidade nem a integridade do texto. Não sei em que data foi escrito nem onde foi publicado. Voltei a reconhecê-lo em inúmeros blogs que atravessam a blogosfera verde e amarela. Já com algumas diferenças de pontuação, um ou outro atropelo à gramática aqui e acolá. A gente sabe, de resto, o uso e o abuso que se faz da Net de textos atribuídos a escritores sul-americanos famosos como o pobre do Gabriel Garcia Marquez, morto e ressuscitado não sei quantas vezes.

Não quero, porém, influenciar a vossa opinião. Sejam vocês os juizes, como sempre. Para @s ciberamig@s da minha mailing list mandei o ficheiro em power point e pedi para ligarem o som... Se as palavras do LFV (e a musiquinha light que as acompanhavam) os ajudou a reforçar a auto-estima ou a carregar as baterias nem que fosse por um instante, eu poderei dar por muito bem empregue os minutos que passei a escrevinhar o e-mail...

Ontem eu pensava que o ofício da amizade a isso me obrigava. Por isso desejei boa noite e bom jantar aos/às meus/minhas ciberamig@s. Hoje já não estou tão certo disso, das obrigações do ofício da amizade. Hoje é o outro dia, fui tirar sangue, dói-me o braço e quis compartilhar, ao almoço, esta prosa comestível com os blogadores que por aqui desaguam, em especial aqueles que vêm na corrente da espuma que escorre dest(s) dia(s).
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O Quase (crónica atribuída a Luís Fernando Veríssimo: alô, cara, posso passar a sua crónica, mesmo correndo o risco de desrespeitar o sacrossanto copyright?)

Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que
poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.

A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance. Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência; porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
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10 novembro 2003

Portugas que merecem as nossas palmas - II: O Paulo Dinis e a sua Ergolist

Ergolist: Uma lista de discussão com interesse, muito participada e animada, sobretudo a partir de 2002, pelos técnicos e especialistas de Segurança e Higiene do Trabalho, mas também por médicos do trabalho, ergonomistas e outros. Implica inscrição prévia para se aceder ao grupo e se poder receber e trocar mensagens.



Palmas para o jovem Paulo Dinis que está a fazer um excelente trabalho, na sua qualidade de criador e animador desta lista de discussão sobre os problemas da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST).



Acabei de mandar a seguinte mensagem aos membros deste fórum, que é sem sombra de dúvida o nº 1 neste domínio. O que é interessante, neste grupo, é o espírito de cooperação e de entreajuda, duas qualidades que comerçam a rarear entre nós e nas nossas profissões.



Car@s Ergoamig@s da Ergolist:



Em primeiro lugar, os meus parabéns pela animação que vai pela Ergolist... Vocês estão a trazer muita massa crítica à discussão das matérias relacionadas com a SH&ST. Muitos de vocês são engenheiros e estão mais orientados para as soluções concretas do que os problemas abstractos... Mas um pouco de problematização não faz mal a ninguém.



Na minha webpage encontram com uma análise crítica do relatório anual da actividade dos serviços de SH&ST. Como sabem, o prazo para a entrega deste relatório terminou, excepcionalmente este ano, em finais de Outubro de 2003. Mas há dúvidas, erros e lacunas que persistem... Sobretudo não se sabe o que vão fazer dos relatórios, das montanhas de relatórios que os competentes serviços receberam (ou deveriam ter recebido)...



Do relatório em suporte de papel, não vão fazer absolutamente nada... Do relatório em suporte informático, talvez façam uma pequena exploração estatística... Que outputs ? Que indicadores ? Que resultados vão ser apurados e distribuídos ? Como ? Quando ? Quanto custa tudo isto ? Para quê ? Para quem ?



Quem desenhou o sistema de informação foi o ex-DETEFP (aliás, ex-DEPP e agora DEEP) do MSST. Os verdadeiros gestores da informação e os verdadeiros protagonistas deveriam ser o IDICT e a Direcção Geral de Saúde, que representam a tutela da SH&ST.



Para quem perdeu muitas horas de sono, a preencher o relatório referente ao exercício de 2002 e fez questão de cumprir a lei, esta é capaz de ser uma notícia um bocado frustrante... No mínimo, espera-se que, mesmo tendo em conta o conteúdo do relatório, as dificuldades do seu preenchimento e o 1º ano de experiência, não se venha a aplicar, neste caso, o temível princípio segundo o qual em informática garbage in, garbage out (à letra: se entra lixo, sai lixo).



Um dos problemas que preocupa muita gente é o controlo da qualidade da informação (inseparável, de resto, do problema mais delicado da veracidade dos dados...).



PS - Esta discussão também pode fazer-se aqui, no blogue-fora-nada, mais ligeira e alegremente do que noutros fóruns...

Portugas que merecem as nossas palmas - II: O Paulo Dinis e a sua Ergolist

Ergolist: Uma lista de discussão com interesse, muito participada e animada, sobretudo a partir de 2002, pelos técnicos e especialistas de Segurança e Higiene do Trabalho, mas também por médicos do trabalho, ergonomistas e outros. Implica inscrição prévia para se aceder ao grupo e se poder receber e trocar mensagens.

Palmas para o jovem Paulo Dinis que está a fazer um excelente trabalho, na sua qualidade de criador e animador desta lista de discussão sobre os problemas da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST).

Acabei de mandar a seguinte mensagem aos membros deste fórum, que é sem sombra de dúvida o nº 1 neste domínio. O que é interessante, neste grupo, é o espírito de cooperação e de entreajuda, duas qualidades que comerçam a rarear entre nós e nas nossas profissões.

Car@s Ergoamig@s da Ergolist:

Em primeiro lugar, os meus parabéns pela animação que vai pela Ergolist... Vocês estão a trazer muita massa crítica à discussão das matérias relacionadas com a SH&ST. Muitos de vocês são engenheiros e estão mais orientados para as soluções concretas do que os problemas abstractos... Mas um pouco de problematização não faz mal a ninguém.

Na minha webpage encontram com uma análise crítica do relatório anual da actividade dos serviços de SH&ST. Como sabem, o prazo para a entrega deste relatório terminou, excepcionalmente este ano, em finais de Outubro de 2003. Mas há dúvidas, erros e lacunas que persistem... Sobretudo não se sabe o que vão fazer dos relatórios, das montanhas de relatórios que os competentes serviços receberam (ou deveriam ter recebido)...

Do relatório em suporte de papel, não vão fazer absolutamente nada... Do relatório em suporte informático, talvez façam uma pequena exploração estatística... Que outputs ? Que indicadores ? Que resultados vão ser apurados e distribuídos ? Como ? Quando ? Quanto custa tudo isto ? Para quê ? Para quem ?

Quem desenhou o sistema de informação foi o ex-DETEFP (aliás, ex-DEPP e agora DEEP) do MSST. Os verdadeiros gestores da informação e os verdadeiros protagonistas deveriam ser o IDICT e a Direcção Geral de Saúde, que representam a tutela da SH&ST.

Para quem perdeu muitas horas de sono, a preencher o relatório referente ao exercício de 2002 e fez questão de cumprir a lei, esta é capaz de ser uma notícia um bocado frustrante... No mínimo, espera-se que, mesmo tendo em conta o conteúdo do relatório, as dificuldades do seu preenchimento e o 1º ano de experiência, não se venha a aplicar, neste caso, o temível princípio segundo o qual em informática garbage in, garbage out (à letra: se entra lixo, sai lixo).

Um dos problemas que preocupa muita gente é o controlo da qualidade da informação (inseparável, de resto, do problema mais delicado da veracidade dos dados...).

PS - Esta discussão também pode fazer-se aqui, no blogue-fora-nada, mais ligeira e alegremente do que noutros fóruns...

Humor com humor se paga - X: Marketing (social) para profissionais de saúde (1)

Vocês, meninos e meninas que trabalham na educação e promoção da saúde, vocês, médicos, enfermeiros e outros prestadores de cuidados de saúde, vocês, administradores de serviços de saúde, eu acho que todos vós deviam aprender (mais) com os criativos do marketing e da publicidade... Eis aqui um exemplo (bem humorado) de como se pode jogar com as ideias... Bem humorado e com bom gosto, o que contrasta claramente com a maior parte das mensagens usadas nas campanhas anti-tabágicas ou até contra a sida. (Enfim, seria longa a discussão sobre as armas do terror e da inteligência ao serviço da saúde pública...). De qualquer modo, imaginem o tipo de slogan publicitário que as grandes marcas (sem as quais já não podemos viver...) utilizariam se produzissem e comercializassem preservativos... Quem disse que o marketing (social) não pode ser útil para as grandes causas da saúde ?





Preservativos American Express Card: Não saia de casa sem eles...

Preservativos Bacardi: Recomenda-se um consumo responsável...

Preservativos BIC: Bic laranja ponta fina, Bic cristal ponta normal...

Preservativos Carlsberg: Provavelmente, o melhor preservativo do mundo...

Preservativos Chiclete Ice: Um estalo de prazer...

Preservativos Chiva Regal: Yes, God is a (wo)man...

Preservativos Citröen: Você não imagina tudo o eu que posso fazer por si...

Preservativos Clix: Custa nix...

Preservativos Dove: Os únicos com creme hidratante...

Preservativos Duracell: E duram e duram e duram...

Preservativos Evax: Não se mexe, não se nota, não passa nada...

Preservativos Ferrero Rocher: Ambrósio, apetece-me algo...

Preservativos Halls: Ainda fresco...

Preservativos Ice Tea: Apague a sua sede..

Preservativos Kodak: Para mais tarde recordar...

Preservativos L’Oreal: Porque você merece...

Preservativos Luso: Tão natural como a sua sede...

Preservativos M&M's: Desfazem-se na tua boca, não na tua mão...

Preservativos McDonald's: Oferta 2 x 500...

Preservativos Michelin: Quilómetros de estrada...

Preservativos Microsofy: Where do you want to go today ?

Preservativos Nike: Just do it...

Preservativos Nokia: Connecting people...

Preservativos Optimus: Agora, toda a gente pode ter um topo de gama...

Preservativos Páginas Amarelas: Vá pelos seus dedos...

Preservativos Pepsi: Ask for more...

Preservativos Pescanova: O bom sai bem...

Preservativos Pingo Doce: No sítio do costume...

Preservativos Pizza Bellini: O segredo está na massa...

Preservativos Pringles: Quando fazes pop, já não há stop...

Preservativos Red Bull: Dão-te asaaaaassss...

Preservativos Sagres: A nossa selecção...

Preservativos Samsung: Desafiando os limites...

Preservativos Samsung: Everyone is invited...

Preservativos Sony: Se não podes vencê-los, junta-te a eles...

Preservativos Superbock: Sabor autêntico...

Preservativos TMN: Mais perto do que é importante...

Preservativos UEFA: The Chaaaaaammmmpioooooooonnnnnnssss...

Preservativos Vodafone: Onde você estiver, está bem...





Humor com humor se paga - X: Marketing (social) para profissionais de saúde (1)

Vocês, meninos e meninas que trabalham na educação e promoção da saúde, vocês, médicos, enfermeiros e outros prestadores de cuidados de saúde, vocês, administradores de serviços de saúde, eu acho que todos vós deviam aprender (mais) com os criativos do marketing e da publicidade... Eis aqui um exemplo (bem humorado) de como se pode jogar com as ideias... Bem humorado e com bom gosto, o que contrasta claramente com a maior parte das mensagens usadas nas campanhas anti-tabágicas ou até contra a sida. (Enfim, seria longa a discussão sobre as armas do terror e da inteligência ao serviço da saúde pública...). De qualquer modo, imaginem o tipo de slogan publicitário que as grandes marcas (sem as quais já não podemos viver...) utilizariam se produzissem e comercializassem preservativos... Quem disse que o marketing (social) não pode ser útil para as grandes causas da saúde ?


Preservativos American Express Card: Não saia de casa sem eles...
Preservativos Bacardi: Recomenda-se um consumo responsável...
Preservativos BIC: Bic laranja ponta fina, Bic cristal ponta normal...
Preservativos Carlsberg: Provavelmente, o melhor preservativo do mundo...
Preservativos Chiclete Ice: Um estalo de prazer...
Preservativos Chiva Regal: Yes, God is a (wo)man...
Preservativos Citröen: Você não imagina tudo o eu que posso fazer por si...
Preservativos Clix: Custa nix...
Preservativos Dove: Os únicos com creme hidratante...
Preservativos Duracell: E duram e duram e duram...
Preservativos Evax: Não se mexe, não se nota, não passa nada...
Preservativos Ferrero Rocher: Ambrósio, apetece-me algo...
Preservativos Halls: Ainda fresco...
Preservativos Ice Tea: Apague a sua sede..
Preservativos Kodak: Para mais tarde recordar...
Preservativos L’Oreal: Porque você merece...
Preservativos Luso: Tão natural como a sua sede...
Preservativos M&M's: Desfazem-se na tua boca, não na tua mão...
Preservativos McDonald's: Oferta 2 x 500...
Preservativos Michelin: Quilómetros de estrada...
Preservativos Microsofy: Where do you want to go today ?
Preservativos Nike: Just do it...
Preservativos Nokia: Connecting people...
Preservativos Optimus: Agora, toda a gente pode ter um topo de gama...
Preservativos Páginas Amarelas: Vá pelos seus dedos...
Preservativos Pepsi: Ask for more...
Preservativos Pescanova: O bom sai bem...
Preservativos Pingo Doce: No sítio do costume...
Preservativos Pizza Bellini: O segredo está na massa...
Preservativos Pringles: Quando fazes pop, já não há stop...
Preservativos Red Bull: Dão-te asaaaaassss...
Preservativos Sagres: A nossa selecção...
Preservativos Samsung: Desafiando os limites...
Preservativos Samsung: Everyone is invited...
Preservativos Sony: Se não podes vencê-los, junta-te a eles...
Preservativos Superbock: Sabor autêntico...
Preservativos TMN: Mais perto do que é importante...
Preservativos UEFA: The Chaaaaaammmmpioooooooonnnnnnssss...
Preservativos Vodafone: Onde você estiver, está bem...


09 novembro 2003

Blogantologia(s) - III: Frases feitas, desfeitas e refeitas

Frases do dia, da semana, do mês, do ano, do decénio, do século, do milénio, frases para todos, para todos os gostos e para todas as idades... Geniais ou idiotas, tanto faz! Frases feitas, refeitas e desfeitas como a punheta de bacalhau. Os meus ciber-agradecimentos aos génios e aos idiotas que as escreveram. Os comentários são da lavra da nossa quinta.



11. A pior das sextas-feiras ainda é melhor do que a melhor das segundas-feiras. (... Mesmo assim, és um sortudo porque: (i) tens um emprego; (ii) não trabalhas por turnos; (iii) e ainda és capaz de ter sonhos e ter febre, ou pelo menos sonhar com a febre de sexta-feira à noite...).



12. As hierarquias são como as prateleiras, quanto mais altas mais inúteis! (... Houve uma altura em que a moda era: O que é grande é que é bom; depois mudou-se o trocadilho: o pequeno é bonito; agora, não interessa tanto o tamanho, como sobretudo a fêvera, sem gordura).



13. Nasci careca, nu e sem dentes: tudo o que vier por acréscimo, é lucro! (... Mas não te esqueças, ó homem, que o teu processo de envelhecimento é medido por um estranho relógio, que é tanto biológico como social).



14. O amor é cego mas o casamento devolve-lhe a visão. (Alguém quer comentar ou contar a sua história de vida ?).



15. O amor é como a gripe, apanha-se na rua, resolve-se na cama. (Se todas as doenças se resolvessem na cama, os portugas eram um povo saudável).



16. O teu futuro depende dos teus sonhos; não percas tempo... vai dormir! (Quando os sonhos passarem a estar cotados na bolsa, talvez valha a pena taylorizar a arte de sonhar; não vejo o ministro da economia preocupar-se com a produtividade, a qualidade e a competitividade da nossa indústria do sonho).



17. Os amigos vêm e vão, os inimigos acumulam-se. (Que tipo de inimigos podes ter ? Os de morte, os de estimação e os da humanidade...).



18. Quando encontrares uma pedra no teu caminho, não chutes, faz dela um degrau e... sobe na vida! (Obrigado, é moralizador e moralizante; frase a ser ensinada aos sem-abrigo para que um dia consigam chegar ao topo do edifício do Hotel Sheraton e dormir na suite presidencial).



19. Quando te sentires com os pneus da auto-estima em baixo, lembra-te, companheiro, que um dia já foste o espermatozóide mais rápido do teu grupo! (... Obrigado, Carlos Drawin, pela crueldade de mo lembrares; na altura tal facto não ficou registado, e não havia ainda o livro de recordes do Guiness).



20. Vive de forma a que a tua presença não seja notada e que a tua falta seja sentida! (Totalmente falso: sem exposição mediática, tu não existes!.. Fico na dúvida sobre o sentido desta frase sibilina: será um convite para passares ao anonimato ?).

Blogantologia(s) - III: Frases feitas, desfeitas e refeitas

Frases do dia, da semana, do mês, do ano, do decénio, do século, do milénio, frases para todos, para todos os gostos e para todas as idades... Geniais ou idiotas, tanto faz! Frases feitas, refeitas e desfeitas como a punheta de bacalhau. Os meus ciber-agradecimentos aos génios e aos idiotas que as escreveram. Os comentários são da lavra da nossa quinta.

11. A pior das sextas-feiras ainda é melhor do que a melhor das segundas-feiras. (... Mesmo assim, és um sortudo porque: (i) tens um emprego; (ii) não trabalhas por turnos; (iii) e ainda és capaz de ter sonhos e ter febre, ou pelo menos sonhar com a febre de sexta-feira à noite...).

12. As hierarquias são como as prateleiras, quanto mais altas mais inúteis! (... Houve uma altura em que a moda era: O que é grande é que é bom; depois mudou-se o trocadilho: o pequeno é bonito; agora, não interessa tanto o tamanho, como sobretudo a fêvera, sem gordura).

13. Nasci careca, nu e sem dentes: tudo o que vier por acréscimo, é lucro! (... Mas não te esqueças, ó homem, que o teu processo de envelhecimento é medido por um estranho relógio, que é tanto biológico como social).

14. O amor é cego mas o casamento devolve-lhe a visão. (Alguém quer comentar ou contar a sua história de vida ?).

15. O amor é como a gripe, apanha-se na rua, resolve-se na cama. (Se todas as doenças se resolvessem na cama, os portugas eram um povo saudável).

16. O teu futuro depende dos teus sonhos; não percas tempo... vai dormir! (Quando os sonhos passarem a estar cotados na bolsa, talvez valha a pena taylorizar a arte de sonhar; não vejo o ministro da economia preocupar-se com a produtividade, a qualidade e a competitividade da nossa indústria do sonho).

17. Os amigos vêm e vão, os inimigos acumulam-se. (Que tipo de inimigos podes ter ? Os de morte, os de estimação e os da humanidade...).

18. Quando encontrares uma pedra no teu caminho, não chutes, faz dela um degrau e... sobe na vida! (Obrigado, é moralizador e moralizante; frase a ser ensinada aos sem-abrigo para que um dia consigam chegar ao topo do edifício do Hotel Sheraton e dormir na suite presidencial).

19. Quando te sentires com os pneus da auto-estima em baixo, lembra-te, companheiro, que um dia já foste o espermatozóide mais rápido do teu grupo! (... Obrigado, Carlos Drawin, pela crueldade de mo lembrares; na altura tal facto não ficou registado, e não havia ainda o livro de recordes do Guiness).

20. Vive de forma a que a tua presença não seja notada e que a tua falta seja sentida! (Totalmente falso: sem exposição mediática, tu não existes!.. Fico na dúvida sobre o sentido desta frase sibilina: será um convite para passares ao anonimato ?).

Blogantologia(s) - II: A insustentável leveza da sabedoria de senso comum

Obrigado, sábi@s ciberamig@s! Frases que vocês me mandaram ou que vieram por aí, pela blogosfera abaixo, com(o) a espuma que escorre deste(s) dia(s)... Não têm copyright, pertencem ao fundo cultural da humanidade o qual, com a globalização, está a saque... Há quem aprecie o género, que tem algumas vantagens: as máximas da sabedoria do senso comum podem ser usadas, por exemplo, como arma de defesa em caso de assédio (i)moral no local de trabalho. A propósito, não se esqueçam que o dito (assédio) passou a ser punido nos termos do art. 24º do Código do Trabalho (em vigor a partir de 1 de Dezembro de 2003.



Os passarões dos sociólogos foram treinados para desconfiar da sabedoria do senso comum... Mas este blogue também é como o livro de reclamações das pensões rascas da Praça da Alegria (há sempre uma praça da alegria em cada vila e cidade dos portugas). E quem disse que não podia haver pensamentos sublimes nas portas das casas de banho dos teatros da cidade que fecharam à morte do último espectador ? Podem ser sublimes mas são tristes como a morte...





1. @s vegetarian@s não gritam quando têm um orgasmo pelas simples razão de não quererem admitir que um pedaço de carne lhes dá tanto gozo (È pressuposto o Homo Sapiens Sapiens gritar quando tem um orgasmo, independentemente de ser omnívoro, carnívoro ou vegetariano ?)



2. A estatística é igual ao biquini: mostra tudo, mas esconde o essencial! (Será por isso que os honens da ciência e do poder a tratam tão mal ?)



3. As mulheres são como o vinho: com o passar dos anos, umas refinam o sabor; outras, as que azedam, é por falta de rolha. (Generalizações abusivas... E as santas ? Como é que chegam à santidade ?)



4. Em dias de temporal e de trovoada, o lugar mais seguro é perto da sogra... Não há raio que a parta! (A soga, essa instituição!)



5. Melancia grande e mulher muito boa ninguém come sozinho. (Não sei quem foi o antropófago que disse isto...)



6. Nunca discutas com um idiota: ele põe-te ao nível dele... e depois ganha-te em experiência. (O problemas é, na tua empresa, teres que cumprir ordens de idiotas...)



7. Os chefes são como as nuvens, quando desaparecem fica um dia lindo. (Decididamente os portugas não gostam dos Chefes, nem dos grandes nem dos pequenos).



8. Quem trabalha muito, erra muito; quem trabalha pouco, erra pouco; quem não trabalha não erra; e quem não erra é promovido. (Um verdadeiro tratado sobre a Gestão de Recursos Humanos na terra dos portugas).



9. Se as coisas são feitas para serem usadas e as pessoas para serem amadas, por que é que tu, meu irmão, amas as coisas e usas as pessoas ? (O ter e o ser tornaram-se disjuntivos ?)



10. Se os chefes, lá na minha empresa, fossem ficheiros electrónicos, a extensão só poderia ser .fdp (=filho da puta) (Está visto, não há índio que goste do chefe que tem, mas todos os índios adorariam chegar um dia a ser chefes...).



Blogantologia(s) - II: A insustentável leveza da sabedoria de senso comum

Obrigado, sábi@s ciberamig@s! Frases que vocês me mandaram ou que vieram por aí, pela blogosfera abaixo, com(o) a espuma que escorre deste(s) dia(s)... Não têm copyright, pertencem ao fundo cultural da humanidade o qual, com a globalização, está a saque... Há quem aprecie o género, que tem algumas vantagens: as máximas da sabedoria do senso comum podem ser usadas, por exemplo, como arma de defesa em caso de assédio (i)moral no local de trabalho. A propósito, não se esqueçam que o dito (assédio) passou a ser punido nos termos do art. 24º do Código do Trabalho (em vigor a partir de 1 de Dezembro de 2003.

Os passarões dos sociólogos foram treinados para desconfiar da sabedoria do senso comum... Mas este blogue também é como o livro de reclamações das pensões rascas da Praça da Alegria (há sempre uma praça da alegria em cada vila e cidade dos portugas). E quem disse que não podia haver pensamentos sublimes nas portas das casas de banho dos teatros da cidade que fecharam à morte do último espectador ? Podem ser sublimes mas são tristes como a morte...


1. @s vegetarian@s não gritam quando têm um orgasmo pelas simples razão de não quererem admitir que um pedaço de carne lhes dá tanto gozo (È pressuposto o Homo Sapiens Sapiens gritar quando tem um orgasmo, independentemente de ser omnívoro, carnívoro ou vegetariano ?)

2. A estatística é igual ao biquini: mostra tudo, mas esconde o essencial! (Será por isso que os honens da ciência e do poder a tratam tão mal ?)

3. As mulheres são como o vinho: com o passar dos anos, umas refinam o sabor; outras, as que azedam, é por falta de rolha. (Generalizações abusivas... E as santas ? Como é que chegam à santidade ?)

4. Em dias de temporal e de trovoada, o lugar mais seguro é perto da sogra... Não há raio que a parta! (A soga, essa instituição!)

5. Melancia grande e mulher muito boa ninguém come sozinho. (Não sei quem foi o antropófago que disse isto...)

6. Nunca discutas com um idiota: ele põe-te ao nível dele... e depois ganha-te em experiência. (O problemas é, na tua empresa, teres que cumprir ordens de idiotas...)

7. Os chefes são como as nuvens, quando desaparecem fica um dia lindo. (Decididamente os portugas não gostam dos Chefes, nem dos grandes nem dos pequenos).

8. Quem trabalha muito, erra muito; quem trabalha pouco, erra pouco; quem não trabalha não erra; e quem não erra é promovido. (Um verdadeiro tratado sobre a Gestão de Recursos Humanos na terra dos portugas).

9. Se as coisas são feitas para serem usadas e as pessoas para serem amadas, por que é que tu, meu irmão, amas as coisas e usas as pessoas ? (O ter e o ser tornaram-se disjuntivos ?)

10. Se os chefes, lá na minha empresa, fossem ficheiros electrónicos, a extensão só poderia ser .fdp (=filho da puta) (Está visto, não há índio que goste do chefe que tem, mas todos os índios adorariam chegar um dia a ser chefes...).

Humor com humor se paga - IX: A grande sabedoria dos velhos...

John asks his grandpa:

- Do you still have sex with Granny?



Grandpa says:

- Yes, but only oral.



John says:

- What is oral?



Grandpa:

- I say Fuck you, and she says: Fuck you too.



(Enviada por A.M. Cinco estrelinhas!).

Humor com humor se paga - IX: A grande sabedoria dos velhos...

John asks his grandpa:
- Do you still have sex with Granny?

Grandpa says:
- Yes, but only oral.

John says:
- What is oral?

Grandpa:
- I say Fuck you, and she says: Fuck you too.

(Enviada por A.M. Cinco estrelinhas!).

08 novembro 2003

Humor com humor se paga - VIII: O inferno ? O melhor ainda é o português!...

Tenho de agradecer à minha amiga AIG que me mandou esta peça de humor tão patriótica quanto a artística louça das Caldas, a qual por sua vez corre o sério risco de se tornar um dos raros produtos handmade in Portugal e de vir até a destronar o viril galo de Barcelos (A propósito, nunca soube se o galo era capão...). O Mestre Bordalo (MB) deu-lhe, à peça, o toque artístico que convinha a um blogue minimamente sério, respeitável e com pretensões a ser lidos colarinhos barncos pela classe média B, como este blogue (A classe média A, os colarinhos dourados, essa, não bloga, faz coisas mais interessantes: por ex., joga ténis para se manter em forma, coisa que os blogadores não fazem). Ao mestre e à aluna os meus agradecimenos. LG

__________



Um desgraçado e impenitente pecador, de apelido Pipi por parte do pai, portuga de nascimento, libertino de condição, morreu e foi parar ao inferno. Ao chegar perguntou-lhe um diabinho, de nome Bibi por parte da mãe:

- Bem vindo ao inferno, ó picha d'aço! Queres ir para o bloco P ou para o bloco E ? O P é o português; o E é o espanhol...



A pobre alma danada perguntou se, independentemente da nacionalidade, havia alguma diferença, se havia algum bloco com mais estrelas do que outro, chavalas, suite, piscina, Lux à noite...

-Bom, inferno só há um e mais nenhum (tirando o da Casa Pia, lá na desgraçada da tua terra)... Mesmo assim o Diabo nosso pai achou que sempre era melhor separar, através de um muro, os portugas e os espanholitos... Amigos, amigos, vizinhos à parte, sabes como é... Resumindo: No inferno dos teus patrícios terás que comer uma lata de 5 kg de merda a todas as refeições.... Estamos a reciclar a merda que vocês cagam em vida. À noite dormes em cima dum braseiro infernal, alimentado a sobro e a azinho dos montados de Portugal que arderam no último verão. Gajas, poucas, que a maior parte das portugas vão para o purgatório ou para o céu... Quanto ao inferno dos espanholitos, a única diferença é que só comes castanholas e pandeiretas... Quanto a estrelas, é uma classificação que não usamos; além disso, meu filho, tira o cavalinho da chuva que do inferno nunca poderás olhar as estrelas do céu nem muito menos espreitar as cricas que tu comeste lá na terra...



Mal por mal, e pensando bem, o Pipi acabou por optar pelo inferno espanhol. Para ele, a Espanha sempre fora a fiesta, as touradas, a movida, a sangria, as conaças andaluzas, muita fruta para um homem só numa só vida... De certo que lá ainda haveria umas ratas em bom estado de conservação, a avaliar pelo rácio pipi/cricas por mil almas penadas que tinha visto no folheto do turismo sexual antes de partir para a última morada.



Mas quando lá chegou, encontrou tod@s @s espanholit@s cabisbaix@s e tristes, de pipis e cricas murchas. Em contrapartida, do outro lado do muro chegavam sons de farra, gargalhadas, fogo de artifício, orgasmos futebolísticos, capas e batinas a esvoaçar, festivais de cantorias, com apenas um ou outro soluço afadistado pelo meio, uma ou outra ave-maria arrependida...



- Hei, pessoal! Como é que vocês, apesar de tudo, conseguem mostrar que são pobretes mas alegretes ? perguntou o Pipi, desolado. Vocês têm de comer uma lata de 5 kg. de merda à refeição e mesmo assim não andam fodidos!... Sinceramente não percebo!

- Bom, ó Vasconcelos de Ayamonte, ó Don Juan de Badajoz, aqui é, sempre foi e há-de ser Portugal.... Se não, repara: Um dia falta a lata, no outro falha o abastecimento da merda, no outro é o diabo que não vem porque tem uma reunião importante ou manda o Bibi que é amnésico... Ou então é feriado e depois fazemos ponte e no dia seguinte os bombeiros voluntários não entregam a lenha para o braseiro... E assim se vai andando, às vezes gemendo e chorando, e outras cantando e rindo... Em boa verdade, ainda está para nascer o caralho que nos foda a todos.



AIG/MB

Humor com humor se paga - VIII: O inferno ? O melhor ainda é o português!...

Tenho de agradecer à minha amiga AIG que me mandou esta peça de humor tão patriótica quanto a artística louça das Caldas, a qual por sua vez corre o sério risco de se tornar um dos raros produtos handmade in Portugal e de vir até a destronar o viril galo de Barcelos (A propósito, nunca soube se o galo era capão...). O Mestre Bordalo (MB) deu-lhe, à peça, o toque artístico que convinha a um blogue minimamente sério, respeitável e com pretensões a ser lidos colarinhos barncos pela classe média B, como este blogue (A classe média A, os colarinhos dourados, essa, não bloga, faz coisas mais interessantes: por ex., joga ténis para se manter em forma, coisa que os blogadores não fazem). Ao mestre e à aluna os meus agradecimenos. LG
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Um desgraçado e impenitente pecador, de apelido Pipi por parte do pai, portuga de nascimento, libertino de condição, morreu e foi parar ao inferno. Ao chegar perguntou-lhe um diabinho, de nome Bibi por parte da mãe:
- Bem vindo ao inferno, ó picha d'aço! Queres ir para o bloco P ou para o bloco E ? O P é o português; o E é o espanhol...

A pobre alma danada perguntou se, independentemente da nacionalidade, havia alguma diferença, se havia algum bloco com mais estrelas do que outro, chavalas, suite, piscina, Lux à noite...
-Bom, inferno só há um e mais nenhum (tirando o da Casa Pia, lá na desgraçada da tua terra)... Mesmo assim o Diabo nosso pai achou que sempre era melhor separar, através de um muro, os portugas e os espanholitos... Amigos, amigos, vizinhos à parte, sabes como é... Resumindo: No inferno dos teus patrícios terás que comer uma lata de 5 kg de merda a todas as refeições.... Estamos a reciclar a merda que vocês cagam em vida. À noite dormes em cima dum braseiro infernal, alimentado a sobro e a azinho dos montados de Portugal que arderam no último verão. Gajas, poucas, que a maior parte das portugas vão para o purgatório ou para o céu... Quanto ao inferno dos espanholitos, a única diferença é que só comes castanholas e pandeiretas... Quanto a estrelas, é uma classificação que não usamos; além disso, meu filho, tira o cavalinho da chuva que do inferno nunca poderás olhar as estrelas do céu nem muito menos espreitar as cricas que tu comeste lá na terra...

Mal por mal, e pensando bem, o Pipi acabou por optar pelo inferno espanhol. Para ele, a Espanha sempre fora a fiesta, as touradas, a movida, a sangria, as conaças andaluzas, muita fruta para um homem só numa só vida... De certo que lá ainda haveria umas ratas em bom estado de conservação, a avaliar pelo rácio pipi/cricas por mil almas penadas que tinha visto no folheto do turismo sexual antes de partir para a última morada.

Mas quando lá chegou, encontrou tod@s @s espanholit@s cabisbaix@s e tristes, de pipis e cricas murchas. Em contrapartida, do outro lado do muro chegavam sons de farra, gargalhadas, fogo de artifício, orgasmos futebolísticos, capas e batinas a esvoaçar, festivais de cantorias, com apenas um ou outro soluço afadistado pelo meio, uma ou outra ave-maria arrependida...

- Hei, pessoal! Como é que vocês, apesar de tudo, conseguem mostrar que são pobretes mas alegretes ? perguntou o Pipi, desolado. Vocês têm de comer uma lata de 5 kg. de merda à refeição e mesmo assim não andam fodidos!... Sinceramente não percebo!
- Bom, ó Vasconcelos de Ayamonte, ó Don Juan de Badajoz, aqui é, sempre foi e há-de ser Portugal.... Se não, repara: Um dia falta a lata, no outro falha o abastecimento da merda, no outro é o diabo que não vem porque tem uma reunião importante ou manda o Bibi que é amnésico... Ou então é feriado e depois fazemos ponte e no dia seguinte os bombeiros voluntários não entregam a lenha para o braseiro... E assim se vai andando, às vezes gemendo e chorando, e outras cantando e rindo... Em boa verdade, ainda está para nascer o caralho que nos foda a todos.

AIG/MB

Blogantologia(s) - I: Provérbios do mundo

O meu amigo J. Dupret tem a sabedoria daqueles que nasceram do ventre da Mãe África, cresceram com os embondeiros, acalentaram os mais belos sonhos do mundo e nunca desistiram de os contar e de os viver, mesmo quando o pesadelo da realidade às vezes parecia querer esmagar tudo e todos, homens, mulheres, crianças, bichos e árvores...



Esta pequena antologia de provérbios do mundo foi ele que me mandou, num gesto simples de amizade. Estamos longe, mas mesmo assim à distância de um clique. Acho que ela merece ser partilhada com @s demais car@s ciberamig@s deste blogador. Limitei-me a ordená-los de A a Z:



A boca de uma mulher nunca tira férias (Provérbio crioulo).

A mais alta das torres começa no solo (Provérbio chinês).

A terra atrai tanto que os velhos andam curvados (Provérbio arménio).

Amor de jovem é água no cesto (Provérbio espanhol).

Antes de começares o trabalho de mudar o mundo, dá três voltas dentro da tua casa(Provérbio chinês).

Caia a faca no melão ou o melão na faca, o melão sofre (Provérbio chinês).

Casa e serás feliz uma semana; mata um porco e serás feliz um mês; sê padre e serás feliz a vida toda (Provérbio polaco).

Casar-se uma vez é um dever, duas vezes é uma tolice e três vezes uma loucura (Provérbio holandês).

Começar já é metade de toda a acção (Provérbio grego).

Cuidado com as mulheres barbudas e com os homens imberbes (Provérbio basco).

Fevereiro tem 28 dias; é neste mês que as mulheres falam menos (Provérbio brasileiro/mineiro).

Há três tipos de homens que não entendem nada de mulheres: os jovens, os velhos e os que estão entre os dois (Provérbio irlandês).

Já que o amor é cego, o importante é apalpar (Provérbio brasileiro).

Melhor bem enforcado do que mal casado (Provérbio alemão).

Melhor uma vara curta do que dormir sozinha (Provérbio feminino africano).

Não cases por dinheiro, podes conseguir empréstimo mais barato (Provérbio escocês).

Não há remédio para o medo (Provérbio escocês).

Não podes fazer uma omelete sem partir os ovos (Provérbio francês).

O casamento é como uma armadilha para enguias: as que estão fora querem entrar e as que estão dentro querem sair (Provérbio norueguês).

Quando estás certo, ninguém se lembra; quando estás errado, ninguém esquece(Provérbio irlandês).

Quando uma mulher não sabe o que responder é porque não há mais água no mar (Provérbio grego).

Quem gasta tudo o que tem, muitas vezes diz o que não convém, faz o que não deve, julga o que não vê e gasta o que não pode (Provérbio árabe).

Quer os elefantes lutem, quer façam amor, quem se lixa é sempre o capim (Provérbio africano).

Saber demasiado é envelhecer precocemente (Provérbio russo).

Um solteiro pode ser tão idiota quanto um homem casado, mas ele ouve isso menos vezes (Provérbio francês).

Urubu, na guerra, é galinha (Provérbio brasileiro).

Blogantologia(s) - I: Provérbios do mundo

O meu amigo J. Dupret tem a sabedoria daqueles que nasceram do ventre da Mãe África, cresceram com os embondeiros, acalentaram os mais belos sonhos do mundo e nunca desistiram de os contar e de os viver, mesmo quando o pesadelo da realidade às vezes parecia querer esmagar tudo e todos, homens, mulheres, crianças, bichos e árvores...

Esta pequena antologia de provérbios do mundo foi ele que me mandou, num gesto simples de amizade. Estamos longe, mas mesmo assim à distância de um clique. Acho que ela merece ser partilhada com @s demais car@s ciberamig@s deste blogador. Limitei-me a ordená-los de A a Z:

A boca de uma mulher nunca tira férias (Provérbio crioulo).
A mais alta das torres começa no solo (Provérbio chinês).
A terra atrai tanto que os velhos andam curvados (Provérbio arménio).
Amor de jovem é água no cesto (Provérbio espanhol).
Antes de começares o trabalho de mudar o mundo, dá três voltas dentro da tua casa(Provérbio chinês).
Caia a faca no melão ou o melão na faca, o melão sofre (Provérbio chinês).
Casa e serás feliz uma semana; mata um porco e serás feliz um mês; sê padre e serás feliz a vida toda (Provérbio polaco).
Casar-se uma vez é um dever, duas vezes é uma tolice e três vezes uma loucura (Provérbio holandês).
Começar já é metade de toda a acção (Provérbio grego).
Cuidado com as mulheres barbudas e com os homens imberbes (Provérbio basco).
Fevereiro tem 28 dias; é neste mês que as mulheres falam menos (Provérbio brasileiro/mineiro).
Há três tipos de homens que não entendem nada de mulheres: os jovens, os velhos e os que estão entre os dois (Provérbio irlandês).
Já que o amor é cego, o importante é apalpar (Provérbio brasileiro).
Melhor bem enforcado do que mal casado (Provérbio alemão).
Melhor uma vara curta do que dormir sozinha (Provérbio feminino africano).
Não cases por dinheiro, podes conseguir empréstimo mais barato (Provérbio escocês).
Não há remédio para o medo (Provérbio escocês).
Não podes fazer uma omelete sem partir os ovos (Provérbio francês).
O casamento é como uma armadilha para enguias: as que estão fora querem entrar e as que estão dentro querem sair (Provérbio norueguês).
Quando estás certo, ninguém se lembra; quando estás errado, ninguém esquece(Provérbio irlandês).
Quando uma mulher não sabe o que responder é porque não há mais água no mar (Provérbio grego).
Quem gasta tudo o que tem, muitas vezes diz o que não convém, faz o que não deve, julga o que não vê e gasta o que não pode (Provérbio árabe).
Quer os elefantes lutem, quer façam amor, quem se lixa é sempre o capim (Provérbio africano).
Saber demasiado é envelhecer precocemente (Provérbio russo).
Um solteiro pode ser tão idiota quanto um homem casado, mas ele ouve isso menos vezes (Provérbio francês).
Urubu, na guerra, é galinha (Provérbio brasileiro).

07 novembro 2003

Portugas que merecem as nossas palmas – I: Centro Regional de Saúde Pública de Coimbra

O Centro Regional de Saúde Pública de Coimbra tem um serviço de saúde ocupacional para os cerca de 2800 trabalhadores da Sub-região de Saúde de Coimbra. 3 médicos, 2 enfermeiras, 1 técnico de cardiopneumografia, 1 técnico de optometria e 1 assistente administrativa. Os médicos (de saúde pública e do trabalho) são voluntários, disponibilizando 5 manhãs por semana.



O programa não se limita a fazer os exames de saúde, periódicos e não periódicos, dos trabalhadores da SRS de Coimbra, tem também preocupações com a promoção da saúde no local de trabalho, incluindo a sensibilização, informação e educação para a saúde dos trabalhadores (por ex., posturas de trabalho, pausas, exposição a ecrãs, riscos físicos, químicos, biológicos e psicossociais).



Este é um exemplo, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), de como se podem fazer boas omeletes com os poucos ovos das galinhas da nossa capoeira. O CRSP de Coimbra não ficou à espera da resposta à pergunta: Quem cuida de nós, prestadores de cuidados de saúde ?



Muitas vezes esquecemo-nos, nós, portugas que estamos do outro lado do balcão do centro de saúde ou na sala de espera da urgência do hospital, que os prestadores de cuidados de saúde e o pessoal de apoio dos serviços de saúde também têm problemas de saúde: patologia osteomuscular, síndroma ansioso-depressiva, alterações da visão, obesidade, patologia cardiovascular, patologia alergológica e por aí fora.



Quando o empregador (o SNS) não dá o exemplo (neste caso, não cumpre as suas obrigações legais, de acordo com a legislação em vigor, e que são: (i) prevenir os riscos profissionais e (ii) promover a saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde...), pequenas/grandes iniciativas como estas merecem o nosso aplauso. Assisti ontem, no âmbito do I Encontro Sistémica e Cuidados de Saúde (Coimbra, 6-8 de Novembro de 2003), à apresentação deste programa que já está em marcha há alguns anos.



Parabéns ao Dr. José Tereso, que coordena o CRSP de Coimbra, e à equipa que está envolvida nos programas de saúde ocupacional e de promoção da saúde no local de trabalho (incluindo os Drs. J.C. Borges, F. Lopes e A. Morais).



Estes portugas merecem as nossas palmas!

Portugas que merecem as nossas palmas – I: Centro Regional de Saúde Pública de Coimbra

O Centro Regional de Saúde Pública de Coimbra tem um serviço de saúde ocupacional para os cerca de 2800 trabalhadores da Sub-região de Saúde de Coimbra. 3 médicos, 2 enfermeiras, 1 técnico de cardiopneumografia, 1 técnico de optometria e 1 assistente administrativa. Os médicos (de saúde pública e do trabalho) são voluntários, disponibilizando 5 manhãs por semana.

O programa não se limita a fazer os exames de saúde, periódicos e não periódicos, dos trabalhadores da SRS de Coimbra, tem também preocupações com a promoção da saúde no local de trabalho, incluindo a sensibilização, informação e educação para a saúde dos trabalhadores (por ex., posturas de trabalho, pausas, exposição a ecrãs, riscos físicos, químicos, biológicos e psicossociais).

Este é um exemplo, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), de como se podem fazer boas omeletes com os poucos ovos das galinhas da nossa capoeira. O CRSP de Coimbra não ficou à espera da resposta à pergunta: Quem cuida de nós, prestadores de cuidados de saúde ?

Muitas vezes esquecemo-nos, nós, portugas que estamos do outro lado do balcão do centro de saúde ou na sala de espera da urgência do hospital, que os prestadores de cuidados de saúde e o pessoal de apoio dos serviços de saúde também têm problemas de saúde: patologia osteomuscular, síndroma ansioso-depressiva, alterações da visão, obesidade, patologia cardiovascular, patologia alergológica e por aí fora.

Quando o empregador (o SNS) não dá o exemplo (neste caso, não cumpre as suas obrigações legais, de acordo com a legislação em vigor, e que são: (i) prevenir os riscos profissionais e (ii) promover a saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde...), pequenas/grandes iniciativas como estas merecem o nosso aplauso. Assisti ontem, no âmbito do I Encontro Sistémica e Cuidados de Saúde (Coimbra, 6-8 de Novembro de 2003), à apresentação deste programa que já está em marcha há alguns anos.

Parabéns ao Dr. José Tereso, que coordena o CRSP de Coimbra, e à equipa que está envolvida nos programas de saúde ocupacional e de promoção da saúde no local de trabalho (incluindo os Drs. J.C. Borges, F. Lopes e A. Morais).

Estes portugas merecem as nossas palmas!

05 novembro 2003

Humor com humor se paga - VII: Por uma boa causa

Protesta a trabalhadora do sexo à porta de um conhecido bar de alterne em Bragança, cujo proprietário é suspeito de lenocínio:

- Não estou a transar, nada disso!

Insiste o polícia:

- Então se não andas a coisar, andas a fazer o quê ?

- Ó cara, estou só a promover a venda de preservativos, fazendo uma demonstração grátis!

- Mas isso cá na nossa terra chama-se marketing directo!

- E olha, senhor agente, que é por uma boa causa, a luta contra a AIDS...



AM/LG

Humor com humor se paga - VII: Por uma boa causa

Protesta a trabalhadora do sexo à porta de um conhecido bar de alterne em Bragança, cujo proprietário é suspeito de lenocínio:
- Não estou a transar, nada disso!
Insiste o polícia:
- Então se não andas a coisar, andas a fazer o quê ?
- Ó cara, estou só a promover a venda de preservativos, fazendo uma demonstração grátis!
- Mas isso cá na nossa terra chama-se marketing directo!
- E olha, senhor agente, que é por uma boa causa, a luta contra a AIDS...

AM/LG

Humor com humor se paga - VI: O relativo e o absoluto

Um amigo meu (judeu, não crente) mandou-me esta anedota, a mim que devo ter sido, noutras vidas, primeiro tranquilo moçárabe e depois perseguido cristão-novo (nunca o soube ao certo, daí também nunca ter posto este detalhe no meu currículo). Diz ele que houve cinco Judeus que Mudaram o Mundo ou, pelo menos, a Maneira de Ver o Mundo... E por isso são justamente famosos, entre judeus e gentios:



1. Moisés que proclamou: "A lei é TUDO."



2. Jesus Cristo que pregou: "O amor é TUDO."



3. Marx que escreveu: "O capital é TUDO."



4. Freud que psicanalisou: "O sexo é TUDO".



5. E, finalmente, Einstein que consagrou em fórmula matemática: "TUDO é relativo, meus senhores."



Eu que não sou judeu, mas devo ter costela de mouro ou berbere, acrescento da minha lavra: "TUDO é relativo, meus amigos, excepto a morte que é definitiva e absoluta!"...



O meu amigo (judeu, não-crente) discorda de mim: quando morrer, quer entregar o cadáver à ciência na esperança (o mais relativo dos nossos sentimentos) de ainda vir a conseguir uma boleia para a eternidade...

Humor com humor se paga - VI: O relativo e o absoluto

Um amigo meu (judeu, não crente) mandou-me esta anedota, a mim que devo ter sido, noutras vidas, primeiro tranquilo moçárabe e depois perseguido cristão-novo (nunca o soube ao certo, daí também nunca ter posto este detalhe no meu currículo). Diz ele que houve cinco Judeus que Mudaram o Mundo ou, pelo menos, a Maneira de Ver o Mundo... E por isso são justamente famosos, entre judeus e gentios:

1. Moisés que proclamou: "A lei é TUDO."

2. Jesus Cristo que pregou: "O amor é TUDO."

3. Marx que escreveu: "O capital é TUDO."

4. Freud que psicanalisou: "O sexo é TUDO".

5. E, finalmente, Einstein que consagrou em fórmula matemática: "TUDO é relativo, meus senhores."

Eu que não sou judeu, mas devo ter costela de mouro ou berbere, acrescento da minha lavra: "TUDO é relativo, meus amigos, excepto a morte que é definitiva e absoluta!"...

O meu amigo (judeu, não-crente) discorda de mim: quando morrer, quer entregar o cadáver à ciência na esperança (o mais relativo dos nossos sentimentos) de ainda vir a conseguir uma boleia para a eternidade...

Saúde & Segurança no Trabalho - VII: O relatório anual dos serviços (4)

O país do viva-o-pipi, morra-o-bibi!



É porventura um sinal dos tempos a atitude de descrença, de desânimo, de frustação ou tão só de cinismo com que muitas pessoas (e algumas até com responsabilidade na administração da saúde e do trabalho) olham para o famigerado relatório anual da actividade dos serviços de SH&ST.



Tenho ouvido as mais variadas expressões, em geral carregadas de negatividade crítica. Não estou nada preocupada. Penso, enquanto blogo, que é bom, é higiénico, é saudável e sobretudo é mais seguro que fiquem aqui registadas. Aqui, no blog(ue)-fora-nada... Um dia destes vão parar ao grande caixote do lixo do ciberespaço que no planeta azul já não cabe tanta merda.



Para a petit histoire das lusitanas gentes e das suas lusitaníssimas mentalidades. E ao cuidado, pois claro, dos sociológos de serviço, a quem compete observar, medir, analisar, comparar e, se possível (velha utopia desta corporação de ofício!), mudar a espuma que escorre deste(s) dia(s):



- "É um aborto, o relatório!"

- "O melhor é esquecê-lo!"

- "Uma nova fonte de negócio para os especialistas de vão de escada que vivem das sobras da burocracia, preenchendo a papelada às pessoas"

- "Ninguém sabe para que serve"

- "O que é que o delegado de saúde da minha zona vai fazer com centenas ou milhares de relatórios em cima da secretária ?"

- "Fizeram sair a portaria, mas esqueceram-se do sistema de informação"

- "As estatísticas são uma máquina de fazer chouriços"

- "Já tínhamos três fontes de informação administrativa sobre os acidentes de trabalho: a do Ministério do Trabalho, a dos tribunais e a dos seguros; agora passamos a ter uma quarta"

- "Quem controla a veracidade das declarações ? Os trabalhadores não são ouvidos nem chamados"

- "O defunto IDICT não foi capaz de fazer o processo de acreditação das empresas prestadoras de serviços externos de segurança, higiene e saúde no trabalho, como é que vai agora tratar as centenas de milhares de relatórios que aí vêm?"

- "É um absurdo exigir às 300 e tal autarquias (das quais só 10% cumprem as prescrições mínimas em matéria de higiene e segurança no trabalho) que entrregam tantos relatórios quantos os estabelecimentos ou locais de trabalho existentes"

- "O Serviço Nacional de Saúde vai fazer o relatório dos pescadores em regime de companha, dos agricultores, dos artesãos, dos trabalhadores independentes, das micro-empresas ?"

- "As empresas vão fazer show off"

- "Deixem o mercado funcionar"

- "A Inspecção do Trabalho não vai chatear ninguém"

- "Desde quando a saúde pública se interessou pela saúde ocupacional?", etc.



Não sei se isto é uma reacção (imunopatológica) dos portugas quando são confrontadas com pequenas ou grandes mudanças que vão mexer nas suas pequenas ou grandes certezas... O problema, se calhar, nem é tanto esse: eu vejo sobretudo nestas atitudes o reflexo das consequências perversas das frustação das expectativas alimentadas desde 1991 em relação à área da SH&ST... E tu, ciberleitor deste blogue ? Não pensas nem blogas ? Se não blogas, não existes, neste país do viva-o-pipi, morra-o-bibi!

Saúde & Segurança no Trabalho - VII: O relatório anual dos serviços (4)

O país do viva-o-pipi, morra-o-bibi!

É porventura um sinal dos tempos a atitude de descrença, de desânimo, de frustação ou tão só de cinismo com que muitas pessoas (e algumas até com responsabilidade na administração da saúde e do trabalho) olham para o famigerado relatório anual da actividade dos serviços de SH&ST.

Tenho ouvido as mais variadas expressões, em geral carregadas de negatividade crítica. Não estou nada preocupada. Penso, enquanto blogo, que é bom, é higiénico, é saudável e sobretudo é mais seguro que fiquem aqui registadas. Aqui, no blog(ue)-fora-nada... Um dia destes vão parar ao grande caixote do lixo do ciberespaço que no planeta azul já não cabe tanta merda.

Para a petit histoire das lusitanas gentes e das suas lusitaníssimas mentalidades. E ao cuidado, pois claro, dos sociológos de serviço, a quem compete observar, medir, analisar, comparar e, se possível (velha utopia desta corporação de ofício!), mudar a espuma que escorre deste(s) dia(s):

- "É um aborto, o relatório!"
- "O melhor é esquecê-lo!"
- "Uma nova fonte de negócio para os especialistas de vão de escada que vivem das sobras da burocracia, preenchendo a papelada às pessoas"
- "Ninguém sabe para que serve"
- "O que é que o delegado de saúde da minha zona vai fazer com centenas ou milhares de relatórios em cima da secretária ?"
- "Fizeram sair a portaria, mas esqueceram-se do sistema de informação"
- "As estatísticas são uma máquina de fazer chouriços"
- "Já tínhamos três fontes de informação administrativa sobre os acidentes de trabalho: a do Ministério do Trabalho, a dos tribunais e a dos seguros; agora passamos a ter uma quarta"
- "Quem controla a veracidade das declarações ? Os trabalhadores não são ouvidos nem chamados"
- "O defunto IDICT não foi capaz de fazer o processo de acreditação das empresas prestadoras de serviços externos de segurança, higiene e saúde no trabalho, como é que vai agora tratar as centenas de milhares de relatórios que aí vêm?"
- "É um absurdo exigir às 300 e tal autarquias (das quais só 10% cumprem as prescrições mínimas em matéria de higiene e segurança no trabalho) que entrregam tantos relatórios quantos os estabelecimentos ou locais de trabalho existentes"
- "O Serviço Nacional de Saúde vai fazer o relatório dos pescadores em regime de companha, dos agricultores, dos artesãos, dos trabalhadores independentes, das micro-empresas ?"
- "As empresas vão fazer show off"
- "Deixem o mercado funcionar"
- "A Inspecção do Trabalho não vai chatear ninguém"
- "Desde quando a saúde pública se interessou pela saúde ocupacional?", etc.

Não sei se isto é uma reacção (imunopatológica) dos portugas quando são confrontadas com pequenas ou grandes mudanças que vão mexer nas suas pequenas ou grandes certezas... O problema, se calhar, nem é tanto esse: eu vejo sobretudo nestas atitudes o reflexo das consequências perversas das frustação das expectativas alimentadas desde 1991 em relação à área da SH&ST... E tu, ciberleitor deste blogue ? Não pensas nem blogas ? Se não blogas, não existes, neste país do viva-o-pipi, morra-o-bibi!