21 fevereiro 2004

Portugal sacro-profano - XV: Economistas e gestores

A propósito do Compromisso (com) Portugal, o meu amigo JBN, que é economista e gestor, mandou-me por e-mail este comentário que merece ser divulgado na blogosfera:



"Já agora, com o grupo dos rapazes do Beato, Portugal não vai longe.



"Quando um gajo diz que o caminho é a liberdade de despedir e os portugueses falarem inglês e espanhol, dá para dizer que é burro, evidentemente. Deverá perceber bastante de transacções bancárias.



"Aliás um problema da economia é que os economistas não conhecem a economia real, o que os ingleses chamam o shopfloor da economia e os gestores que também sabem economia (em princípio menos do que os economistas) só raciocinam com base no shopfloor que conhecem.



"Uma coisa que me surpreende é como economistas reputados e creio mesmo que sérios, em 1975 defenderam as nacionalizações ao ritmo a que foram feitas e hoje são, aparentemente, ultra-liberais. Mudar não faz mal e até se justificaria porque está provado que o Estado, por maldade dos homens, não é bom gestor (embora também não seja sempre assim), mas mudar tanto dá mau aspecto".

Portugal sacro-profano - XV: Economistas e gestores

A propósito do Compromisso (com) Portugal, o meu amigo JBN, que é economista e gestor, mandou-me por e-mail este comentário que merece ser divulgado na blogosfera:

"Já agora, com o grupo dos rapazes do Beato, Portugal não vai longe.

"Quando um gajo diz que o caminho é a liberdade de despedir e os portugueses falarem inglês e espanhol, dá para dizer que é burro, evidentemente. Deverá perceber bastante de transacções bancárias.

"Aliás um problema da economia é que os economistas não conhecem a economia real, o que os ingleses chamam o shopfloor da economia e os gestores que também sabem economia (em princípio menos do que os economistas) só raciocinam com base no shopfloor que conhecem.

"Uma coisa que me surpreende é como economistas reputados e creio mesmo que sérios, em 1975 defenderam as nacionalizações ao ritmo a que foram feitas e hoje são, aparentemente, ultra-liberais. Mudar não faz mal e até se justificaria porque está provado que o Estado, por maldade dos homens, não é bom gestor (embora também não seja sempre assim), mas mudar tanto dá mau aspecto".

17 fevereiro 2004

Socio(b)logia - VIII: La organización, la llave del suceso

Recebi há dias, por e-mail, uma chapa com uma legenda bem humorada: um grupo de jovens sem-abrigo, ou simplesmente desempregados, ou simplesmente marginais, ou simplesmente músicos à procura de um lugar na orquestra dos bem-aventurados, tocam, bebem e pedem uns trocos numa calle de uma qualquer cidade espanhola... A seus pés quatro ou cinco caixas de sapatos com letreiros bem visíveis: "Para vino, "para comida, "para porro", "para cocaína"...



Mandei a imagem para o meu grupo de cibermig@s do humor-com-humor- se-paga e a seguinte nota (de despesa):



(i) Agora que a Espanha está na moda (vejam-se os grandes de Portugal a prestar vassalagem ao nosso Grande Irmão Ibérico e os nossos melhores gestores a alugarem a sua massa cinzenta aos empresários castelhanos, galegos, catalães, andaluzes e bascos), é também altura de tentar descobrir qual é a chave do seu (deles) sucesso...



(ii) Um povo que não trabalha (veja-se o número de sem-abrigo, mendigos, cegos, desempregados, marginais, dançarinos, funcionários autonómicos, toureiros, aficionados das touradas e da bola, mulheres, ninos, turistas, artistas, catoonistas, cartomantes, etc, que se concentram nas plazas mayores de Espanha) mas que é já um casestudy mundial na área do sucesso, da felicidade e da auto-estima colectiva...



(iii) Pois o segredo, car@s ciberamig@s, está na organização! Até os contestatários (ou simplesmente os que se posicionam fora) do sistema têm a sua contra-organização! Até para pedir esmola na rua, em Espanha, é preciso ter know-how, organização, competências em gestão... Veja-se o caso da ONCE: uma máquina de fazer dinheiro, uma história de sucesso com 65 anos!



(iv) Em boa verdade, cego é o Zé Portuga ou o cão que o guia!

Socio(b)logia - VIII: La organización, la llave del suceso

Recebi há dias, por e-mail, uma chapa com uma legenda bem humorada: um grupo de jovens sem-abrigo, ou simplesmente desempregados, ou simplesmente marginais, ou simplesmente músicos à procura de um lugar na orquestra dos bem-aventurados, tocam, bebem e pedem uns trocos numa calle de uma qualquer cidade espanhola... A seus pés quatro ou cinco caixas de sapatos com letreiros bem visíveis: "Para vino, "para comida, "para porro", "para cocaína"...

Mandei a imagem para o meu grupo de cibermig@s do humor-com-humor- se-paga e a seguinte nota (de despesa):

(i) Agora que a Espanha está na moda (vejam-se os grandes de Portugal a prestar vassalagem ao nosso Grande Irmão Ibérico e os nossos melhores gestores a alugarem a sua massa cinzenta aos empresários castelhanos, galegos, catalães, andaluzes e bascos), é também altura de tentar descobrir qual é a chave do seu (deles) sucesso...

(ii) Um povo que não trabalha (veja-se o número de sem-abrigo, mendigos, cegos, desempregados, marginais, dançarinos, funcionários autonómicos, toureiros, aficionados das touradas e da bola, mulheres, ninos, turistas, artistas, catoonistas, cartomantes, etc, que se concentram nas plazas mayores de Espanha) mas que é já um casestudy mundial na área do sucesso, da felicidade e da auto-estima colectiva...

(iii) Pois o segredo, car@s ciberamig@s, está na organização! Até os contestatários (ou simplesmente os que se posicionam fora) do sistema têm a sua contra-organização! Até para pedir esmola na rua, em Espanha, é preciso ter know-how, organização, competências em gestão... Veja-se o caso da ONCE: uma máquina de fazer dinheiro, uma história de sucesso com 65 anos!

(iv) Em boa verdade, cego é o Zé Portuga ou o cão que o guia!

16 fevereiro 2004

Estórias com mural ao fundo - XXII: O ser e o ter

Conta-se que que no Séc. XIX um excêntrico e culto inglês, da upper class vitoriana, desceu o Nilo, expresssamente à procura de um velho sábio de que ouvira falar a uma equipa de arqueólogos em Londres.



O nosso viajante e escritor nas obras vagas ficou muito surpreendido ao ver que o sábio morava numa casa de adobe, muito simples, de paredes nuas. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa, um banco e muitos livros e pergaminhos antigos espalhados por esteiras ao longo do chão.

- Onde estão os seus móveis? - perguntou o inglês.

De pronto, o sábio lhe devolveu a pergunta:

- E os seus, onde estão ?

- Os meus?! - surpreendeu-se o turista - Mas eu estou aqui só de passagem!

- Eu também, meu amigo! - concluiu o sábio.



Moral da história:



"A vida na Terra é somente uma passagem, dizem os sábios. No entanto, alguns de nós vivem como se fossem ficar aqui eternamente, acumulando riqueza e esquecendo-se de serem felizes."



PS - Esta é uma estória edificante que, já em pequeno, eu ouvia à minha catequista, à minha professora da primária e ao padre da minha aldeia... Ricos e pobres, se querem um conselho, desconfiem da moral da história...

Estórias com mural ao fundo - XXII: O ser e o ter

Conta-se que que no Séc. XIX um excêntrico e culto inglês, da upper class vitoriana, desceu o Nilo, expresssamente à procura de um velho sábio de que ouvira falar a uma equipa de arqueólogos em Londres.

O nosso viajante e escritor nas obras vagas ficou muito surpreendido ao ver que o sábio morava numa casa de adobe, muito simples, de paredes nuas. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa, um banco e muitos livros e pergaminhos antigos espalhados por esteiras ao longo do chão.
- Onde estão os seus móveis? - perguntou o inglês.
De pronto, o sábio lhe devolveu a pergunta:
- E os seus, onde estão ?
- Os meus?! - surpreendeu-se o turista - Mas eu estou aqui só de passagem!
- Eu também, meu amigo! - concluiu o sábio.

Moral da história:

"A vida na Terra é somente uma passagem, dizem os sábios. No entanto, alguns de nós vivem como se fossem ficar aqui eternamente, acumulando riqueza e esquecendo-se de serem felizes."

PS - Esta é uma estória edificante que, já em pequeno, eu ouvia à minha catequista, à minha professora da primária e ao padre da minha aldeia... Ricos e pobres, se querem um conselho, desconfiem da moral da história...

12 fevereiro 2004

O tripaliu(m) que mata a gente II - Compromisso (com) Portugal

"Descobri essa outra rotina da fábrica: estar constantemente exposto à agressão dos objectos, a todos estes contactos desagradáveis, irritantes, perigosos, com os materiais mais diversos: chapas cortantes, pó de ferro, borrachas, superfícies gordurentas, farpas, produtos químicos que atacam a pele e nos queimam os brônquios. Habituamo-nos muitas vezes, nunca nos imunizamos (...).



"O estanho, que atacará sem dúvida os pulmões de Mouloud, não é reconhecido como perigoso. Os pintores à pistola da oficina de pintura e as doenças provocadas pelo benzol também o não são. As bronquites crónicas, as constipações repetidas, as tosses más, as crises de asma, as respirações roufenhas: Fumas muito, diagnostica, imperturbável, o médico da Citroën. E as peles que estalam, que ulceram. E os homem coçam-se e arranham-se. Aqui, na cadeia de montagem e nos postos que dela dependem, nenhum corpo está a salvo. O meu princípio de alergia à borracha? Ora, uma gota de água".



Extractos de: Robert Linhart (1978) - O infiltrado. Lisboa: Iniciativas Editoriais.29-30. (tr. do fr., L'établi. Patris: Minuit, 1978).



A propósito da melhoria das condições de trabalho dos trabalhadores portugueses e da modernização das suas empresas (de todo os sectores: primário,secundário e terciário): estranhamente não ouvi uma única palavra sobre o assunto, por parte dos proponentes da "Iniciativa Compromisso Portugal", que se reuniram no Convento do Beato, em Lisboa, em 10 de Fevereiro de 2004.



O novo modelo económico e de desenvolvimento para o nosso país, proposto pela nata fina dos nossos gestores, assalariados, estrangeirados, formados nos melhores MBA das melhores escolas de dentro e de fora, com menos de 45 anos, não passa (também) por aí ? Vamos deixar que o mercado se encarregue de eliminar, a seu tempo, as más empresas, incluindo as que praticam o dumping social ? E que papel deverá caber ao Estado ?



Tenho pena que se tenham omitido, intencionalmente ou não, algumas das buzzwords que se ouvem nas nossas escolas de gestão e se lêem nos manuais e revistas do management (do latim, manus, e do italiano medievo managgiare, conduzir um cavalo com às rédeas na mão) : por exemplo, responsabilidade social, cultura de empresa, capital humano, qualidade, empowerment dos colaboradores, liderança, cidadania, participação e consulta, social audit, eco-eficiência, wellness, employability, protecção e promoção da saúde dos trabalhadores, etc.



Esta louvável iniciativa por parte dos homens e mulheres que têm uma papel-chave na produção e distribuição de riqueza, para ser verdadeiramente um "compromisso (com) Portugal", não pode ser fracturante: ela acabará por falhar se se quiser impor pela via tecnocrática e autoritária soluções do tipo one best way. Portugal não é uma ideia abstracta, pelo que o compormisso com Portugal só pode ser entendido como um compromisso com, através de e para os portugas, todos os portugas.



Acredito que chegou o tempo de passarmos dos estudos e diagnósticos para o campo da decisão e da acção. Mas oxalá que Deus não ilumine demais os já muito iluminados. Que Deus (ou os deuses) nos deixe(m) algum espaço para a contingência humana, para a experimentação, para o ensaio e para o erro... Que uns e outros, os deuses e os iluminados, nos deixem algum tempo e espaço para a inteligênica, a imaginação, a cultura, o humor, a humanidade, a solidariedade... Last but not the least, que deixem uma nesga da porta aberta à saudável loucura dos poetas deste país...



Fernando Pessoa, escriturário, tradutor, alcoólico, ou Álvaro de Campos, engenheiro naval, dificilmente passariam hoje num teste psicotécnico de candidatura de emprego ou num exame de aptidão física e mental da medicina do trabalho. Fernando Pessoa e Álvaro de Campos, poetas e loucos, chumbariam se a sua poesia fosse medida em Kpi– Key performance indicators . Fernando Pessoa e Álvaro de Campos, portugas, marginais-secantes, saberiam entender hoje o que está em jogo no "compromisso (com) Portugal" ? Ficariam de fora ? E se assim fosse eu teria pena e o meu país ficaria mais pobre... Quero dizer, a minha língua, que nenhum economista me soube dizer até hoje quanto vale em termos de PIB, VAB ou outras medidas econométricas. Aliás, nunca lhes perguntei, aos economistas e aos gestores das coisas públcias e privadas. Sempre tive medo que me respondessem: "Uma gota de água!".



Ouvi dizer, por outro lado, que de acordo com o novo Plano Nacional de Saúde, apresentado ontem pelo Governo, os portugas trabalhadores e tabagistas vão ter os dias contados. Já imagino o título do cartaz ou do anúncio televisivo: Ou trabalhas ou fumas, a escolha é tua! Se fumas, só na rua... . Outra mensagem que seguramente imporia respeito e confiança seria qualquer coisa como A saúde pública vai tratar-te da saúde!



Não é altura para se discutir aqui os efeitos perversos do proibicionismo. Só espero é que esta medida (proibição de fumar nos locais de trabalho) não venha a ser avulsa, cega e contra-intuitiva. No mínimo, espero ver o seu efeito multiplicador, com um aumento significativo de empresas com programas integrados e coerentes de prevenção e tratamento dos problemas do tabagismo relacionados com o trabalho: por exemplo, consultas de desabituação tabágica, apoio aos trabalhadores que querem deixar de fumar, grupos de auto-ajuda, formação e treino em gestão do stresse, controlo e prevenção de outros de risco psicossocial, controlo e prevenção de outros factores de risco ambientais (ruíudo, substâncias perigosas...).

O tripaliu(m) que mata a gente II - Compromisso (com) Portugal

"Descobri essa outra rotina da fábrica: estar constantemente exposto à agressão dos objectos, a todos estes contactos desagradáveis, irritantes, perigosos, com os materiais mais diversos: chapas cortantes, pó de ferro, borrachas, superfícies gordurentas, farpas, produtos químicos que atacam a pele e nos queimam os brônquios. Habituamo-nos muitas vezes, nunca nos imunizamos (...).

"O estanho, que atacará sem dúvida os pulmões de Mouloud, não é reconhecido como perigoso. Os pintores à pistola da oficina de pintura e as doenças provocadas pelo benzol também o não são. As bronquites crónicas, as constipações repetidas, as tosses más, as crises de asma, as respirações roufenhas: Fumas muito, diagnostica, imperturbável, o médico da Citroën. E as peles que estalam, que ulceram. E os homem coçam-se e arranham-se. Aqui, na cadeia de montagem e nos postos que dela dependem, nenhum corpo está a salvo. O meu princípio de alergia à borracha? Ora, uma gota de água".

Extractos de: Robert Linhart (1978) - O infiltrado. Lisboa: Iniciativas Editoriais.29-30. (tr. do fr., L'établi. Patris: Minuit, 1978).

A propósito da melhoria das condições de trabalho dos trabalhadores portugueses e da modernização das suas empresas (de todo os sectores: primário,secundário e terciário): estranhamente não ouvi uma única palavra sobre o assunto, por parte dos proponentes da "Iniciativa Compromisso Portugal", que se reuniram no Convento do Beato, em Lisboa, em 10 de Fevereiro de 2004.

O novo modelo económico e de desenvolvimento para o nosso país, proposto pela nata fina dos nossos gestores, assalariados, estrangeirados, formados nos melhores MBA das melhores escolas de dentro e de fora, com menos de 45 anos, não passa (também) por aí ? Vamos deixar que o mercado se encarregue de eliminar, a seu tempo, as más empresas, incluindo as que praticam o dumping social ? E que papel deverá caber ao Estado ?

Tenho pena que se tenham omitido, intencionalmente ou não, algumas das buzzwords que se ouvem nas nossas escolas de gestão e se lêem nos manuais e revistas do management (do latim, manus, e do italiano medievo managgiare, conduzir um cavalo com às rédeas na mão) : por exemplo, responsabilidade social, cultura de empresa, capital humano, qualidade, empowerment dos colaboradores, liderança, cidadania, participação e consulta, social audit, eco-eficiência, wellness, employability, protecção e promoção da saúde dos trabalhadores, etc.

Esta louvável iniciativa por parte dos homens e mulheres que têm uma papel-chave na produção e distribuição de riqueza, para ser verdadeiramente um "compromisso (com) Portugal", não pode ser fracturante: ela acabará por falhar se se quiser impor pela via tecnocrática e autoritária soluções do tipo one best way. Portugal não é uma ideia abstracta, pelo que o compormisso com Portugal só pode ser entendido como um compromisso com, através de e para os portugas, todos os portugas.

Acredito que chegou o tempo de passarmos dos estudos e diagnósticos para o campo da decisão e da acção. Mas oxalá que Deus não ilumine demais os já muito iluminados. Que Deus (ou os deuses) nos deixe(m) algum espaço para a contingência humana, para a experimentação, para o ensaio e para o erro... Que uns e outros, os deuses e os iluminados, nos deixem algum tempo e espaço para a inteligênica, a imaginação, a cultura, o humor, a humanidade, a solidariedade... Last but not the least, que deixem uma nesga da porta aberta à saudável loucura dos poetas deste país...

Fernando Pessoa, escriturário, tradutor, alcoólico, ou Álvaro de Campos, engenheiro naval, dificilmente passariam hoje num teste psicotécnico de candidatura de emprego ou num exame de aptidão física e mental da medicina do trabalho. Fernando Pessoa e Álvaro de Campos, poetas e loucos, chumbariam se a sua poesia fosse medida em Kpi– Key performance indicators . Fernando Pessoa e Álvaro de Campos, portugas, marginais-secantes, saberiam entender hoje o que está em jogo no "compromisso (com) Portugal" ? Ficariam de fora ? E se assim fosse eu teria pena e o meu país ficaria mais pobre... Quero dizer, a minha língua, que nenhum economista me soube dizer até hoje quanto vale em termos de PIB, VAB ou outras medidas econométricas. Aliás, nunca lhes perguntei, aos economistas e aos gestores das coisas públcias e privadas. Sempre tive medo que me respondessem: "Uma gota de água!".

Ouvi dizer, por outro lado, que de acordo com o novo Plano Nacional de Saúde, apresentado ontem pelo Governo, os portugas trabalhadores e tabagistas vão ter os dias contados. Já imagino o título do cartaz ou do anúncio televisivo: Ou trabalhas ou fumas, a escolha é tua! Se fumas, só na rua... . Outra mensagem que seguramente imporia respeito e confiança seria qualquer coisa como A saúde pública vai tratar-te da saúde!

Não é altura para se discutir aqui os efeitos perversos do proibicionismo. Só espero é que esta medida (proibição de fumar nos locais de trabalho) não venha a ser avulsa, cega e contra-intuitiva. No mínimo, espero ver o seu efeito multiplicador, com um aumento significativo de empresas com programas integrados e coerentes de prevenção e tratamento dos problemas do tabagismo relacionados com o trabalho: por exemplo, consultas de desabituação tabágica, apoio aos trabalhadores que querem deixar de fumar, grupos de auto-ajuda, formação e treino em gestão do stresse, controlo e prevenção de outros de risco psicossocial, controlo e prevenção de outros factores de risco ambientais (ruíudo, substâncias perigosas...).

10 fevereiro 2004

Socio(b)logia - VII: A nossa língua quase comum: a propósito do pimba e do brega

Se o Portugal S. A. quer dizer Portugal Sociedade Anal, então o que dizer destes cabras ? Se nós, com 800 anos de evolução, ainda hoje estamos na fase anal, então eles, com menos de 200, ainda deveriam estar na fase oral...



O Brasil tem fama de infantilizar os cabras que para lá vão... Mas o Zé Portuga adora este jeitinho de falar do moleque... Tenho trocado correspondência com uma amiga minha que foi passar uma temporada ao Brasil com o filho (portuga) e os netos (brazucas)... O último e-mail que recebi dela começava assim: "Olá, galera, tudo bem ? Por aqui tudo xou!"...



Bem razão tem o Jô Soares quando fala da nossa língua quase comum... Tem-se dito e escrito muito sobre a criatividade do brasileiro que todos os dias reinventaria o português... O exemplo que hoje vos deixo deveria figurar em próxima antologia luso-brasileira do pimba e do brega...



Obrigado ao nosso ciberfornecedor de hoje, o Hugo Rolim... É pena não poderem ligar o som e ouvir, deliciados, este I Love you tonight .Trata-se de uma canção com direitos de autor (Falcão/Rodrigo Santoro/Marcos Romera). ...



Na realidade, Falcão é o Quim Barreiros brasileiro, é um cantor e compositor do Ceará que surgiu no iníco da década de 90, com (re)leituras satíricas da música brega, utilizando o inglês macarrónico e dando espectáculos marcados pela teatralidade e a provocação. Houve quem lhe chamasse o "rei da breguice existencial e intelectualizada" que verteu para o inglês canções como Fuscão Preto e Eu Não Sou Cachorro Não.



Um dos seus discos mais populares foi A um Passo da MPB (1997), título irónico ou até mesmo provocador. É desse álbum a letra e a música do I love you que aqui reproduzo (para efeitos meramente didácticos, não-comerciais, entenda-se).



O género brega continua a ser muito popular no Brasil e a vender discos (muitos). Tal como cá o género pimba, seu primo. No Brasil, em Portugal e em toda a parte. Seria interessante especular porquê, nesta era da grande globalização. Cultura de massas versus cultura das elites ? Subcultura popular versus subcultura erudita ? Culutura local versus cultura global ? A propósito, alguém chamou à MPB (Música Popular Brasileira) a casa grande e ao brega a sanzala... Mas Falcão, o rei do brega (e parece que há muitos mais no país de Caetano), defende que mais vale ser brega ou cafona (pimba) do que parecer chique, não o sendo nem o podendo ser... O povão é brega porque não pode ser chique (vd. entrevista recente do cara).



I love você

e sei que você

também love mim.



I love you...

E quero receber

o que você prometeu

only para eu.



Only for you...



Se não for assim,

é melhor para mim

ficar sem ver tu.

I need you...

Pois esse seu jeitin

me deixa doidin,

doidin for you



Refrão:



I love you...

I love you tonighti

tonight ... tonight

I love you tonighti

tonight ... tonight

I love you tonighti

tonight ... tonight



I love you tumatchi

I love seu corpinho

I love seu umbiguinho

I love seu pézinho

I love seus cabelinho

I love seu pescocinho

and I love seu buchinho.



chuchuchurá...



I love seu rostinho

I love seu sovaquinho

I love seu olhinhos

I love sua bochechinha

I love sua bundinha

and I love you todinha



Refrão (...).



Socio(b)logia - VII: A nossa língua quase comum: a propósito do pimba e do brega

Se o Portugal S. A. quer dizer Portugal Sociedade Anal, então o que dizer destes cabras ? Se nós, com 800 anos de evolução, ainda hoje estamos na fase anal, então eles, com menos de 200, ainda deveriam estar na fase oral...

O Brasil tem fama de infantilizar os cabras que para lá vão... Mas o Zé Portuga adora este jeitinho de falar do moleque... Tenho trocado correspondência com uma amiga minha que foi passar uma temporada ao Brasil com o filho (portuga) e os netos (brazucas)... O último e-mail que recebi dela começava assim: "Olá, galera, tudo bem ? Por aqui tudo xou!"...

Bem razão tem o Jô Soares quando fala da nossa língua quase comum... Tem-se dito e escrito muito sobre a criatividade do brasileiro que todos os dias reinventaria o português... O exemplo que hoje vos deixo deveria figurar em próxima antologia luso-brasileira do pimba e do brega...

Obrigado ao nosso ciberfornecedor de hoje, o Hugo Rolim... É pena não poderem ligar o som e ouvir, deliciados, este I Love you tonight .Trata-se de uma canção com direitos de autor (Falcão/Rodrigo Santoro/Marcos Romera). ...

Na realidade, Falcão é o Quim Barreiros brasileiro, é um cantor e compositor do Ceará que surgiu no iníco da década de 90, com (re)leituras satíricas da música brega, utilizando o inglês macarrónico e dando espectáculos marcados pela teatralidade e a provocação. Houve quem lhe chamasse o "rei da breguice existencial e intelectualizada" que verteu para o inglês canções como Fuscão Preto e Eu Não Sou Cachorro Não.

Um dos seus discos mais populares foi A um Passo da MPB (1997), título irónico ou até mesmo provocador. É desse álbum a letra e a música do I love you que aqui reproduzo (para efeitos meramente didácticos, não-comerciais, entenda-se).

O género brega continua a ser muito popular no Brasil e a vender discos (muitos). Tal como cá o género pimba, seu primo. No Brasil, em Portugal e em toda a parte. Seria interessante especular porquê, nesta era da grande globalização. Cultura de massas versus cultura das elites ? Subcultura popular versus subcultura erudita ? Culutura local versus cultura global ? A propósito, alguém chamou à MPB (Música Popular Brasileira) a casa grande e ao brega a sanzala... Mas Falcão, o rei do brega (e parece que há muitos mais no país de Caetano), defende que mais vale ser brega ou cafona (pimba) do que parecer chique, não o sendo nem o podendo ser... O povão é brega porque não pode ser chique (vd. entrevista recente do cara).

I love você
e sei que você
também love mim.

I love you...
E quero receber
o que você prometeu
only para eu.

Only for you...

Se não for assim,
é melhor para mim
ficar sem ver tu.
I need you...
Pois esse seu jeitin
me deixa doidin,
doidin for you

Refrão:

I love you...
I love you tonighti
tonight ... tonight
I love you tonighti
tonight ... tonight
I love you tonighti
tonight ... tonight

I love you tumatchi
I love seu corpinho
I love seu umbiguinho
I love seu pézinho
I love seus cabelinho
I love seu pescocinho
and I love seu buchinho.

chuchuchurá...

I love seu rostinho
I love seu sovaquinho
I love seu olhinhos
I love sua bochechinha
I love sua bundinha
and I love you todinha

Refrão (...).

Socio(b)logia - VI: Portugal S(ociedade) A(nal)

Não sei se o Zé Portuga tem um apurado sentido de humor (crítico), ou se é apenas o eterno espectador (passivo) da queda dos anjos, dos mitos, dos heróis, dos poderosos, dos reis e das rainhas...



Quando há sangue, ou cheiro a sangue, ele é sempre o primeiro a parecer na primeira fila dos espectadores que se juntam em redor do cadafalso ou da fogueira... Acontece em todo o lado e em todas as épocas. Hoje como no tempo da Santa Inquisição, há sempre figurantes em número suficiente para enquadrar e dignificar o espectáculo.



Será que este é um traço de crueldade da personalidade do Zé Povinho, ou apenas a sabedoria (milenar) de que (i) o poder é volátil, que (ii) a glória do mundo passa, que (iii) a revolução engole os seus filhos, que (iv) a fúria justiceira é como um vulcão adormecido, que (v) a vida é um suplício de Sísifo, que (vi) quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão, etc. ?!



Enfim, deixemo-nos de sociologia espontânea, e debrucemo-nos sobre a fotomontagem que circula pela Net e em que aparecem os principais implicados no caso Casa Pia, em lugar dos personagens do Senhor dos Anéis. Trata-se de uma paródia e de um trocadilho: Senhor dos Anais, Sociedade Anal...



Não o reproduzo aqui o boneco por razões éticas, de bom senso e de bom gosto: as pessoas em causa, conhecidas figuras públicas, embora acusadas de vários crimes, estão inocentes até prova em contrário, ou seja, até à sentença transitada em julgado (tenho aprendido umas coisas com esta sobre-exposição mediática da Senhora Justiça, Cega-Surda-E-Muda)... Mas é caso para o Blogador perguntar se o Portugal S. A. em que hoje vivemos não quer dizer justamente Portugal Sociedade Anal ?



É capaz de ser uma boa pergunta, não tanto para os os historiadores, os etnopsiquiatras, os antropólogos ou os sociólogos, como sobretudo para os economistas, empresários, gestores e académicos que hoje se reunem no convento do Beato para mais um exercício (colectivo) de purga e sangria...



Acontece que no capítulo do encarniçamento terapêutico, tem uma fraca reputação: "Em Lisboa nem sangria má nem purga boa"!, já lá diz o provérbio antigo.

Socio(b)logia - VI: Portugal S(ociedade) A(nal)

Não sei se o Zé Portuga tem um apurado sentido de humor (crítico), ou se é apenas o eterno espectador (passivo) da queda dos anjos, dos mitos, dos heróis, dos poderosos, dos reis e das rainhas...

Quando há sangue, ou cheiro a sangue, ele é sempre o primeiro a parecer na primeira fila dos espectadores que se juntam em redor do cadafalso ou da fogueira... Acontece em todo o lado e em todas as épocas. Hoje como no tempo da Santa Inquisição, há sempre figurantes em número suficiente para enquadrar e dignificar o espectáculo.

Será que este é um traço de crueldade da personalidade do Zé Povinho, ou apenas a sabedoria (milenar) de que (i) o poder é volátil, que (ii) a glória do mundo passa, que (iii) a revolução engole os seus filhos, que (iv) a fúria justiceira é como um vulcão adormecido, que (v) a vida é um suplício de Sísifo, que (vi) quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão, etc. ?!

Enfim, deixemo-nos de sociologia espontânea, e debrucemo-nos sobre a fotomontagem que circula pela Net e em que aparecem os principais implicados no caso Casa Pia, em lugar dos personagens do Senhor dos Anéis. Trata-se de uma paródia e de um trocadilho: Senhor dos Anais, Sociedade Anal...

Não o reproduzo aqui o boneco por razões éticas, de bom senso e de bom gosto: as pessoas em causa, conhecidas figuras públicas, embora acusadas de vários crimes, estão inocentes até prova em contrário, ou seja, até à sentença transitada em julgado (tenho aprendido umas coisas com esta sobre-exposição mediática da Senhora Justiça, Cega-Surda-E-Muda)... Mas é caso para o Blogador perguntar se o Portugal S. A. em que hoje vivemos não quer dizer justamente Portugal Sociedade Anal ?

É capaz de ser uma boa pergunta, não tanto para os os historiadores, os etnopsiquiatras, os antropólogos ou os sociólogos, como sobretudo para os economistas, empresários, gestores e académicos que hoje se reunem no convento do Beato para mais um exercício (colectivo) de purga e sangria...

Acontece que no capítulo do encarniçamento terapêutico, tem uma fraca reputação: "Em Lisboa nem sangria má nem purga boa"!, já lá diz o provérbio antigo.

09 fevereiro 2004

Humor com humor se paga - XXII: Deus (ou o Bin Laden) também sabe escrever direito por linhas tortas ?!

O humor (negro) à volta do dia que mudou o mundo, não pára de crescer. É uma forma de, tal como os índios da Amazónia fazem com os demónios da floresta, exorcizarmos os nossos medos, fantasmas e angústias (A propósito, não percam a exposição temporária sobre as máscaras e outros artefactos culturais dos Wauja, um povo do Parque Indígena do Xingu, Brasil, no Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa, inaugurada em finais de Janeiro de 2004).



Talvez um dia alguém se debruce sobre esses materiais menos nobres da cultura e da comunicação entre os humanos, que são as anedotas, com a mesma curiosidade e espírito científico com que o etnólogo alemão Karl von den Stein , em 1884 e 1887, descobriu e estudou os Wauja e outros povos do Alto Xingu.

_______



Na manhã do fatídico dia 11 de Setembro de 2001, há um executivo que se despede, como habitualmente, da sua querida esposa e vai para o escritório da sua sociedade financeira, sito no 85º andar de uma das torres gémeas do World Trade Center.



No meio do congestionado trânsito novo-iorquino, ele resolve mudar de ideias e segue para casa da amante. Uma vez na cama, com a sua nova girlfriend, desligou o telemóvel para não ser incomodado...



Por volta das onze e picos, voltou a vestir-se, ligou o telemóvel e dirigiu-se ao carro. Mal se sentou ao volante, recebeu uma chamada. Era a esposa, a legítima, em pânico...

- Finalmente, My God!!! Tu estás bem, darling ? !... Diz-me onde é que estás!

- Estou óptiimo, querida. Estou aqui no escritório, a tomar um cafezinho e com a Big Apple a meus pés, mais deslumbrante do que nunca ... Mas porquê ? Aconteceu alguma coisa ?



Moral da história (privada): Mais tarde, ainda não refeito do susto ao saber das trágicas notícias, o nosso executivo, reconstituiu o filme da manhã desse dia, e concluiu que Deus (ou o Bin Laden) também sabe escrever direito por linhas tortas...



Dizem que o nosso homem teve uma crise mística, acabou por se converter ao Islão e, com o dinheiro que recebeu do seguro pela destruição do seu escritório, fundou uma comunidade religiosa algures na América profunda e evangelista.



PS – Obrigado ao António P.L. que me enviou uma primeira versão da anedota.

Humor com humor se paga - XXII: Deus (ou o Bin Laden) também sabe escrever direito por linhas tortas ?!

O humor (negro) à volta do dia que mudou o mundo, não pára de crescer. É uma forma de, tal como os índios da Amazónia fazem com os demónios da floresta, exorcizarmos os nossos medos, fantasmas e angústias (A propósito, não percam a exposição temporária sobre as máscaras e outros artefactos culturais dos Wauja, um povo do Parque Indígena do Xingu, Brasil, no Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa, inaugurada em finais de Janeiro de 2004).

Talvez um dia alguém se debruce sobre esses materiais menos nobres da cultura e da comunicação entre os humanos, que são as anedotas, com a mesma curiosidade e espírito científico com que o etnólogo alemão Karl von den Stein , em 1884 e 1887, descobriu e estudou os Wauja e outros povos do Alto Xingu.
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Na manhã do fatídico dia 11 de Setembro de 2001, há um executivo que se despede, como habitualmente, da sua querida esposa e vai para o escritório da sua sociedade financeira, sito no 85º andar de uma das torres gémeas do World Trade Center.

No meio do congestionado trânsito novo-iorquino, ele resolve mudar de ideias e segue para casa da amante. Uma vez na cama, com a sua nova girlfriend, desligou o telemóvel para não ser incomodado...

Por volta das onze e picos, voltou a vestir-se, ligou o telemóvel e dirigiu-se ao carro. Mal se sentou ao volante, recebeu uma chamada. Era a esposa, a legítima, em pânico...
- Finalmente, My God!!! Tu estás bem, darling ? !... Diz-me onde é que estás!
- Estou óptiimo, querida. Estou aqui no escritório, a tomar um cafezinho e com a Big Apple a meus pés, mais deslumbrante do que nunca ... Mas porquê ? Aconteceu alguma coisa ?

Moral da história (privada): Mais tarde, ainda não refeito do susto ao saber das trágicas notícias, o nosso executivo, reconstituiu o filme da manhã desse dia, e concluiu que Deus (ou o Bin Laden) também sabe escrever direito por linhas tortas...

Dizem que o nosso homem teve uma crise mística, acabou por se converter ao Islão e, com o dinheiro que recebeu do seguro pela destruição do seu escritório, fundou uma comunidade religiosa algures na América profunda e evangelista.

PS – Obrigado ao António P.L. que me enviou uma primeira versão da anedota.

06 fevereiro 2004

Humor com humor se paga - XXI: O humor light e amarelo

Até o humor em Portugal agora é light e amarelo. E ao fim de semana condiz com céu carregado, horizontes curtos, pensamentos baixos e emoções poucas (ou nenhumas)... Em boa verdade, o humor nacional está como o país, está de tanga (o nosso primeiro dixit)... O melhor que eu, Blogador, posso fazer é pedir-vos o favor de dar viagra ao astral, ao individual e ao colectivo...



Ainda por cima a banda (larga) está mais para o estreito do que para o largo... Eu saí da Netcabo para me meter nas mãos de outros mafiosos, o Clix ADSL Turbo... Agora armam-se em vítimas e pedem a solidariedade dos clientes contra a toda poderosa PT. Mas esta guerra não é minha...



As melhoras para o António P. L. que também faz parte desta anónima lista de ciberamig@s bem humorad@s e que vai passar este fim de semana no hospital, sem tocar no teclado!... (Como é possível, com esta nossa crescente ciberdependência ?). Coitado: nem sequer os cacilheiros vai poder ver da janela do 7º piso com vista para o Real Estuário do Tejo, uma das nossas últimas jóias da Coroa... O António vai tentar enfiar a banda (a outra, a da milagrosa cura do emagrecimento) pelo bucho abaixo. Para ver se perde uns quilos e poupa o coração e o orçamento.



Os seus amigos só podem desejar-lhe que regresse rápido, são e salvo, que hoje em dia é uma aventura ir para uma Hospital S. A. Sabe-se como se entra, nunca se sabe como se sai...



Em honra dele, e graças à Paula C., outra das nossas ciberfornecedores da nossa loja dos bons humores, aqui vai um peça de humor light e amarelo:



Ontem, quinta-feira, o meu chefe chamou um dos nossos colegas de escritório (um daqueles que ele tem um especial prazer sádico em assediar) e disse-lhe:



- Oiça lá, ó Zé António, aposto que este fim de semana você gostaria de me ver morto e bem morto, só para cuspir em cima do meu caixão e calcar o meu cadáver aos seus pés!

- Nem por isso, ó Chefe. Sabe, detesto estar horas e horas na bicha.



Dizem que o homem ficou branco como a cal da parede...

Humor com humor se paga - XXI: O humor light e amarelo

Até o humor em Portugal agora é light e amarelo. E ao fim de semana condiz com céu carregado, horizontes curtos, pensamentos baixos e emoções poucas (ou nenhumas)... Em boa verdade, o humor nacional está como o país, está de tanga (o nosso primeiro dixit)... O melhor que eu, Blogador, posso fazer é pedir-vos o favor de dar viagra ao astral, ao individual e ao colectivo...

Ainda por cima a banda (larga) está mais para o estreito do que para o largo... Eu saí da Netcabo para me meter nas mãos de outros mafiosos, o Clix ADSL Turbo... Agora armam-se em vítimas e pedem a solidariedade dos clientes contra a toda poderosa PT. Mas esta guerra não é minha...

As melhoras para o António P. L. que também faz parte desta anónima lista de ciberamig@s bem humorad@s e que vai passar este fim de semana no hospital, sem tocar no teclado!... (Como é possível, com esta nossa crescente ciberdependência ?). Coitado: nem sequer os cacilheiros vai poder ver da janela do 7º piso com vista para o Real Estuário do Tejo, uma das nossas últimas jóias da Coroa... O António vai tentar enfiar a banda (a outra, a da milagrosa cura do emagrecimento) pelo bucho abaixo. Para ver se perde uns quilos e poupa o coração e o orçamento.

Os seus amigos só podem desejar-lhe que regresse rápido, são e salvo, que hoje em dia é uma aventura ir para uma Hospital S. A. Sabe-se como se entra, nunca se sabe como se sai...

Em honra dele, e graças à Paula C., outra das nossas ciberfornecedores da nossa loja dos bons humores, aqui vai um peça de humor light e amarelo:

Ontem, quinta-feira, o meu chefe chamou um dos nossos colegas de escritório (um daqueles que ele tem um especial prazer sádico em assediar) e disse-lhe:

- Oiça lá, ó Zé António, aposto que este fim de semana você gostaria de me ver morto e bem morto, só para cuspir em cima do meu caixão e calcar o meu cadáver aos seus pés!
- Nem por isso, ó Chefe. Sabe, detesto estar horas e horas na bicha.

Dizem que o homem ficou branco como a cal da parede...

05 fevereiro 2004

Portugal sacro-profano - XIV: Grande poeta é o Zé Portuga

A frase banalizou-se no tempo do Estado Novo, quando a recém nascida RTP tinha um concurso, nos idos tempos de 1967/68, de triste memória para mim (mancebo, em idade militar), que dava justamente pelo título de Grande Poeta é o Povo. Um programa, se bem me lembro, apresentado pelo Artur Agostinho.



Ora ainda hoje dizem que ele (o Zé Portuga), já na escola não gostava nem de português nem de matemática !!! Eu acho que não, a avaliar por este naco de poesia e de matemática, do melhor quilate, que me chegou às mãos:



Quem 60 ao teu lado

e 70 por ti,

vai certamente rezar 1/3

para arranjar 1/2 de te levar

para 1/4

e ter a coragem de te dizer:

20 comer!!!




Se fosse um poeta da nossa praça, consagrado, cota, chato pra burro, com assento na História da Literatura dos Portugas, ele escreveria assim na soletradíssima língua de Camões:



Quem se senta ao teu lado

e se tenta por ti

vai certamente rezar um terço

para arranjar um meio de te levar

para um quarto

e ter a coragem de te dizer:

vim-te comer!




Bem lidas e vistas as coisas, não há povo como o portuga para mandar a sua rima, o seu verso, a sua quadra ou até o seu soneto à parede. Aliás, basta ver as paredes de Lisboa & arredores, pintadas de fresco a seguir a um jogo da bola entre os grandes.

Portugal sacro-profano - XIV: Grande poeta é o Zé Portuga

A frase banalizou-se no tempo do Estado Novo, quando a recém nascida RTP tinha um concurso, nos idos tempos de 1967/68, de triste memória para mim (mancebo, em idade militar), que dava justamente pelo título de Grande Poeta é o Povo. Um programa, se bem me lembro, apresentado pelo Artur Agostinho.

Ora ainda hoje dizem que ele (o Zé Portuga), já na escola não gostava nem de português nem de matemática !!! Eu acho que não, a avaliar por este naco de poesia e de matemática, do melhor quilate, que me chegou às mãos:

Quem 60 ao teu lado
e 70 por ti,
vai certamente rezar 1/3
para arranjar 1/2 de te levar
para 1/4
e ter a coragem de te dizer:
20 comer!!!


Se fosse um poeta da nossa praça, consagrado, cota, chato pra burro, com assento na História da Literatura dos Portugas, ele escreveria assim na soletradíssima língua de Camões:

Quem se senta ao teu lado
e se tenta por ti
vai certamente rezar um terço
para arranjar um meio de te levar
para um quarto
e ter a coragem de te dizer:
vim-te comer!


Bem lidas e vistas as coisas, não há povo como o portuga para mandar a sua rima, o seu verso, a sua quadra ou até o seu soneto à parede. Aliás, basta ver as paredes de Lisboa & arredores, pintadas de fresco a seguir a um jogo da bola entre os grandes.

02 fevereiro 2004

Portugas que merecem as nossas palmas - V: O GEAL - Museu da Lourinhã

Eles são o Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã (GEAL). Começaram pela espeleologia, aventuraram-se pela arqueologia, calcorrearam o concelho em busca do património etnográfico em vias de se perder e por fim concentraram o melhor da sua energia e saber na paleontologia, com destaque para a paleontologia dos dinossauros. Ou fizeram tudo isto ao mesmo tempo. Nasceram há coisa de vinte e tal anos. São por isso um grupo de gente jovem.



Hoje têm uma das mais valiosas colecções de fósseis de dinossauros e outros répteis, do Jurássico Superior (c. 150 milhões de anos), não só a nível do país como até do resto da Europa. Têm seguramente a melhor exposição permanente de dionossauros em Portugal. Têm igualmente um interessante espólio na área arqueológica e sobretudo na área da etnografia agrícola e das profissões. Têm ainda muitos sonhos e projectos, incluindo o do futuro Museu do Jurássico.



O GEAL é uma associação privada, que vive das quotas dos seus sócios (duas escassas centenas), das receitas de bilheteira do museu da Lourinhã, da venda de artigos diversos (incluindo réplicas de fósseis) e de alguns subsídios de entidades públicas, com destaque para a Câmara Municipal da Lourinhã, cuja sensibilidade cultural e social merece o meu apreço.



Num orçamento de 100 mil euros, o contributo da autarquia local é de cerca de um terço da receita total do GEAL, fora outros importantes apoios, nomeadamente logísticos (máquinas, equipamentos, instalações, pessoal).



Com cinco colaboradores remunerados e a tempo inteiro (incluindo um doutorando em paleontologia dos dinossauros, o Dr. Octávio Mateus, já hoje um cientista de renome internacional, tendo como orientador de tese o Prof. Dr. Teles Antunes, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa), o GEAL vive sobretudo da paixão e da generosidade de um pequeno grupo de jovens (e de alguns menos jovens). Paixão pela vida, pela terra, pelos seres que o habitam ou habitaram, pela história, pela ciência, pela cultura, pelo património. Amor também pela sua terra, a Lourinhã.



Quanto à palavra generosidade, ela aqui significa roubar muitas horas da sua (deles) vida pessoal e familiar pela coisa pública, pela pesquisa, estudo, conhecimento e divulgação do nosso património cultural (que não pode ser apropriado por ninguém).



Como muitas outras modestas associações privadas de interesse público, espalhadas por esse país fora, o GEAL é um pequeno exemplo da vitalidade da nossa sociedade civil, da capacidade de sonhar e de realizar dos portugas... Foi, de resto, com gratidão, admiração, reconhecimento e esperança que eu assisti ontem a uma cerimónia singela, a da reabertura do Museu da Lourinhã, agora ampliado e remodelado, oferecendo aos seus visitantes (mais de 16 mil em 2003) novos motivos de interesse, conhecimento, lazer, prazer e maravilhamento.



Insisto na palavra esperança, até porque, simbolicamente ou não, ontem estava uma manhã de sol radioso na "capital dos dinossauros" enquanto chovia na outra capital, a dos portugas e do poder: a esperança de ver, dentro em breve, o início da concretização do projecto do Museu do Jurássico que alguns, mais cépticos ou críticos, acharam (ou são capazes ainda de achar) megalómano, faraónico, eleitoralista, bairrista...



Julgo que terá sido Fernando Pessoa a dizer (ou, se não foi ele, bem poderia ter sido!) que quando um portuga sonha alto e bom som, há logo alguém que o acusa de estar fora de escala e de ser doido varrido... Eu acrescentaria (se me permitem a vaidade e a veleidade de tabaquear o caso com o grande poeta): Quando dois ou mais portugas se juntam, sonham alto e começam a fazer coisas, com inovação, verdade, rigor e credibilidade, há sempre gente que se incomoda na cadeira da inércia e da mediocridade ou que é capaz até de achar que este país é um manicómio.



Foi bom ouvir um autarca socialista dizer, olhos nos olhos, ao lado de um jovem governador civil social-democrata, que este projecto (que a CM da Lourinhã apoia deste o início na sua qualidade de parceiro privilegiado do GEAL), é (i) um projecto nacional, que (ii) vai ser contemplado pelo próximo Plano Operacional da Cultura (POC) e que (iii) já foram desafectados da reserva agrícola nacional os 35 hectares de terra onde um belo dia há-de nascer o Museu e o Parque do Jurrássico (que o projecto arquitectónico e o modelo de gestão, esses, já existem no papel)... Para deleite dos lourinhanenses, estremenhos, portugas, eurolandeses e outras desvairadas gentes que o irão visitar.



Mais: gostei de ouvir o senhor representante do povo local dizer que este projecto está acima da política e das agendas geralmente curtas dos nossos políticos, baseadas na contabilidade eleitoral do deve e do haver. Leia-se: acima da política politiqueira. O mesmo é dizer que é um projecto que exige o consenso, o apoio e o empenhamento de todos.



Mas é sobretudo para um punhado de gente magnífica que mantém este sonho de pé, que eu, Blogador, quero daqui mandar os meus aplausos. Sou suspeito por ser amigo deles (ou dalguns deles). Mas os amigos são (ou devem ser) mesmo para as ocasiões. E a ocasião não podia ser mais bem escolhida, quando reabre ao público o simpático museu da Lourinhã.



Não vou aqui citar uma longa lista de nomes, porque seria injusto para com muita gente que colabora ou já colaborou com o GEAL e que eu nem sequer conheço. Nem aqui os nomes são o mais importante. Em nome deles todos, presto a minha pequena homenagem a um homem e uma mulher que são membros fundadores do GEAL e a cuja saudável loucura muito se deve o sonho de hoje e a realidade de amanhã.



A Isabel e o Horácio Mateus (o anónimo casal de lourinhanenses que a redacção do Expresso elegeu, para surpresa geral, como figuras nacionais de 1997, pelo seu trabalho de investigação e divulgação na área da paleontologia dos dinossauros), são apenas a ponta de um pequeno iceberg O que é reconfortante é saber que o seu testemunho já passou para a geração seguinte, a dos seus filhos e a dos amigos dos seus filhos. Um chicoração muito especial para eles, extensível ao Sr. Dário de Matos, o decano e o presidente da direcção do GEAL. Deixem-me dizer-vos que é tocante o entusiasmo deste homem, exemplo de grande lourinhanse e de cidadão interventivo.

Portugas que merecem as nossas palmas - V: O GEAL - Museu da Lourinhã

Eles são o Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã (GEAL). Começaram pela espeleologia, aventuraram-se pela arqueologia, calcorrearam o concelho em busca do património etnográfico em vias de se perder e por fim concentraram o melhor da sua energia e saber na paleontologia, com destaque para a paleontologia dos dinossauros. Ou fizeram tudo isto ao mesmo tempo. Nasceram há coisa de vinte e tal anos. São por isso um grupo de gente jovem.

Hoje têm uma das mais valiosas colecções de fósseis de dinossauros e outros répteis, do Jurássico Superior (c. 150 milhões de anos), não só a nível do país como até do resto da Europa. Têm seguramente a melhor exposição permanente de dionossauros em Portugal. Têm igualmente um interessante espólio na área arqueológica e sobretudo na área da etnografia agrícola e das profissões. Têm ainda muitos sonhos e projectos, incluindo o do futuro Museu do Jurássico.

O GEAL é uma associação privada, que vive das quotas dos seus sócios (duas escassas centenas), das receitas de bilheteira do museu da Lourinhã, da venda de artigos diversos (incluindo réplicas de fósseis) e de alguns subsídios de entidades públicas, com destaque para a Câmara Municipal da Lourinhã, cuja sensibilidade cultural e social merece o meu apreço.

Num orçamento de 100 mil euros, o contributo da autarquia local é de cerca de um terço da receita total do GEAL, fora outros importantes apoios, nomeadamente logísticos (máquinas, equipamentos, instalações, pessoal).

Com cinco colaboradores remunerados e a tempo inteiro (incluindo um doutorando em paleontologia dos dinossauros, o Dr. Octávio Mateus, já hoje um cientista de renome internacional, tendo como orientador de tese o Prof. Dr. Teles Antunes, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa), o GEAL vive sobretudo da paixão e da generosidade de um pequeno grupo de jovens (e de alguns menos jovens). Paixão pela vida, pela terra, pelos seres que o habitam ou habitaram, pela história, pela ciência, pela cultura, pelo património. Amor também pela sua terra, a Lourinhã.

Quanto à palavra generosidade, ela aqui significa roubar muitas horas da sua (deles) vida pessoal e familiar pela coisa pública, pela pesquisa, estudo, conhecimento e divulgação do nosso património cultural (que não pode ser apropriado por ninguém).

Como muitas outras modestas associações privadas de interesse público, espalhadas por esse país fora, o GEAL é um pequeno exemplo da vitalidade da nossa sociedade civil, da capacidade de sonhar e de realizar dos portugas... Foi, de resto, com gratidão, admiração, reconhecimento e esperança que eu assisti ontem a uma cerimónia singela, a da reabertura do Museu da Lourinhã, agora ampliado e remodelado, oferecendo aos seus visitantes (mais de 16 mil em 2003) novos motivos de interesse, conhecimento, lazer, prazer e maravilhamento.

Insisto na palavra esperança, até porque, simbolicamente ou não, ontem estava uma manhã de sol radioso na "capital dos dinossauros" enquanto chovia na outra capital, a dos portugas e do poder: a esperança de ver, dentro em breve, o início da concretização do projecto do Museu do Jurássico que alguns, mais cépticos ou críticos, acharam (ou são capazes ainda de achar) megalómano, faraónico, eleitoralista, bairrista...

Julgo que terá sido Fernando Pessoa a dizer (ou, se não foi ele, bem poderia ter sido!) que quando um portuga sonha alto e bom som, há logo alguém que o acusa de estar fora de escala e de ser doido varrido... Eu acrescentaria (se me permitem a vaidade e a veleidade de tabaquear o caso com o grande poeta): Quando dois ou mais portugas se juntam, sonham alto e começam a fazer coisas, com inovação, verdade, rigor e credibilidade, há sempre gente que se incomoda na cadeira da inércia e da mediocridade ou que é capaz até de achar que este país é um manicómio.

Foi bom ouvir um autarca socialista dizer, olhos nos olhos, ao lado de um jovem governador civil social-democrata, que este projecto (que a CM da Lourinhã apoia deste o início na sua qualidade de parceiro privilegiado do GEAL), é (i) um projecto nacional, que (ii) vai ser contemplado pelo próximo Plano Operacional da Cultura (POC) e que (iii) já foram desafectados da reserva agrícola nacional os 35 hectares de terra onde um belo dia há-de nascer o Museu e o Parque do Jurrássico (que o projecto arquitectónico e o modelo de gestão, esses, já existem no papel)... Para deleite dos lourinhanenses, estremenhos, portugas, eurolandeses e outras desvairadas gentes que o irão visitar.

Mais: gostei de ouvir o senhor representante do povo local dizer que este projecto está acima da política e das agendas geralmente curtas dos nossos políticos, baseadas na contabilidade eleitoral do deve e do haver. Leia-se: acima da política politiqueira. O mesmo é dizer que é um projecto que exige o consenso, o apoio e o empenhamento de todos.

Mas é sobretudo para um punhado de gente magnífica que mantém este sonho de pé, que eu, Blogador, quero daqui mandar os meus aplausos. Sou suspeito por ser amigo deles (ou dalguns deles). Mas os amigos são (ou devem ser) mesmo para as ocasiões. E a ocasião não podia ser mais bem escolhida, quando reabre ao público o simpático museu da Lourinhã.

Não vou aqui citar uma longa lista de nomes, porque seria injusto para com muita gente que colabora ou já colaborou com o GEAL e que eu nem sequer conheço. Nem aqui os nomes são o mais importante. Em nome deles todos, presto a minha pequena homenagem a um homem e uma mulher que são membros fundadores do GEAL e a cuja saudável loucura muito se deve o sonho de hoje e a realidade de amanhã.

A Isabel e o Horácio Mateus (o anónimo casal de lourinhanenses que a redacção do Expresso elegeu, para surpresa geral, como figuras nacionais de 1997, pelo seu trabalho de investigação e divulgação na área da paleontologia dos dinossauros), são apenas a ponta de um pequeno iceberg O que é reconfortante é saber que o seu testemunho já passou para a geração seguinte, a dos seus filhos e a dos amigos dos seus filhos. Um chicoração muito especial para eles, extensível ao Sr. Dário de Matos, o decano e o presidente da direcção do GEAL. Deixem-me dizer-vos que é tocante o entusiasmo deste homem, exemplo de grande lourinhanse e de cidadão interventivo.