1. A merda é o adubo... da vida! (não sei se isto é biologicamente correcto...)
2. Cartaz de prevenção e segurança no trabalho: evitem acidentes, façam de propósito (... e por favor culpem as vítimas!)
3. Conselho do pai para o filho; “casa-te e sê feliz, meu filho; é importante que arranjes (i) uma mulher que seja boa dona de casa; (ii) uma mulher com uma profissão que te dê dinheiro; e (iii) uma mulher que goste de fazer amor contigo; mas mais importante ainda, é que (iv) essas três mulheres nunca se encontrem” (... tenho pena que o meu pai nunca me tenha dado tal conselho!).
4. Deus criou o homem antes da mulher, porque na altura ainda não tinha; (i) certificação de qualidade; (ii) assistência pós-venda; nem (iii) livro de reclamações (... também não havia ainda o sistema português de qualidade!)
5. Diz o rico para o pobre: há um mundo bem melhor para lá do horizonte que se avista da tua janela, só que não está ao alcance da tua bolsa (... eu acho que isto tipo de bocas miserabilistas já não se usam: basta folhear a imprensda cor de rosa!)
6. É com a merda dos grandes, que os pequenos se afogam; mas também é fazendo merda, que a gente aprende... a nadar! (... não conheço nenhuma escola em Lisboa que nos ensine a nadar na merda!)
7. Em todas as coisas da vida a prática leva à perfeição; a única excepção é a roleta russa (...confesso, nunca experimentei!)
8. Experimenta viver cada dia como se fosse o último da tua vida: verás que um dia destes acertas mesmo! (.. muito útil!)
9. Mais vale uma mosca no teu prato da sopa do que um míssil de cruzeiro na tua cozinha (provérbio árabe) (... este provérbio é muito tendencioso!)
10. Minha amiga colorida: pior do que nunca encontrares o homem certo é viveres toda a vida com o gajo errado (... a alternativa é o convento?)
11. Na minha lápide funerária quero que escrevam: "Por favor, não perturbar; estou numa cura de sono... eterno" (...não sei onde está a piada!)
12. O melhor do trabalho em equipe: se perdermos, é a culpa é do nosso treinador (... se não tivesse essa vantagem, não perderíamos tempo a falar de líderes e liderança!)
13. O paradoxo: tentar falhar e conseguir (... não sei se já alguém conseguiu!)
14. O pior da democracia é não tolerar a ditadura mas brincar com o populismo (... brinca-se muito com o fogo!)
15. O que diz o instrutor palestiniano aos seus aprendizes de homem-bomba: "Por Alá, prestem a máxima atenção que eu só posso exemplificar uma vez" (... esta piada é terrorista!)
16. Podes ser idiota (artista) e fazer uma obra de arte; mas tens de ser um génio (capitalista) para a pôr no mercado e vendê-la (... ah!, as relações da arte com o dinheiro! Mas afinal a arte não é uma mercadoria como tudo o mais ?)
17. Quando chegares a um beco sem saída e não te restar mais nenhum opção, pára e consulta o manual sobre as saídas de emergência (... sorry, mas não tenho esse manual!).
18. Roubar ideias a uma autor é plágio; roubar as ideias de muita gente, é investigação científica (... o que é roubar ?)
19. Se procuras uma mão disposta a ajudar-te, fala com o teu braço (o esquerdo ou o direito, tanto faz) (... é capaz de haver diferenças entre o esquerdo e o direito, ou não? Não percebo nada de anatomia e fisiologia...)
blogue-fora-nada. homo socius ergo blogus [sum]. homem social logo blogador. em sociobloguês nos entendemos. o port(ug)al dos (por)tugas. a prova dos blogue-fora-nada. a guerra colonial. a guiné. do chacheu ao boe. de bissau a bambadinca. os cacimbados. o geba. o corubal. os rios. o macaréu da nossa revolta. o humor nosso de cada dia nos dai hoje.lá vamos blogando e rindo. e venham mais cinco (camaradas). e vieram tantos que isto se transformou numa caserna. a maior caserna virtual da Net!
05 dezembro 2003
Blogantologia(s) – V: Prolóquios para a educação da mocidade
1. A merda é o adubo... da vida! (não sei se isto é biologicamente correcto...)
2. Cartaz de prevenção e segurança no trabalho: evitem acidentes, façam de propósito (... e por favor culpem as vítimas!)
3. Conselho do pai para o filho; “casa-te e sê feliz, meu filho; é importante que arranjes (i) uma mulher que seja boa dona de casa; (ii) uma mulher com uma profissão que te dê dinheiro; e (iii) uma mulher que goste de fazer amor contigo; mas mais importante ainda, é que (iv) essas três mulheres nunca se encontrem” (... tenho pena que o meu pai nunca me tenha dado tal conselho!).
4. Deus criou o homem antes da mulher, porque na altura ainda não tinha; (i) certificação de qualidade; (ii) assistência pós-venda; nem (iii) livro de reclamações (... também não havia ainda o sistema português de qualidade!)
5. Diz o rico para o pobre: há um mundo bem melhor para lá do horizonte que se avista da tua janela, só que não está ao alcance da tua bolsa (... eu acho que isto tipo de bocas miserabilistas já não se usam: basta folhear a imprensda cor de rosa!)
6. É com a merda dos grandes, que os pequenos se afogam; mas também é fazendo merda, que a gente aprende... a nadar! (... não conheço nenhuma escola em Lisboa que nos ensine a nadar na merda!)
7. Em todas as coisas da vida a prática leva à perfeição; a única excepção é a roleta russa (...confesso, nunca experimentei!)
8. Experimenta viver cada dia como se fosse o último da tua vida: verás que um dia destes acertas mesmo! (.. muito útil!)
9. Mais vale uma mosca no teu prato da sopa do que um míssil de cruzeiro na tua cozinha (provérbio árabe) (... este provérbio é muito tendencioso!)
10. Minha amiga colorida: pior do que nunca encontrares o homem certo é viveres toda a vida com o gajo errado (... a alternativa é o convento?)
11. Na minha lápide funerária quero que escrevam: "Por favor, não perturbar; estou numa cura de sono... eterno" (...não sei onde está a piada!)
12. O melhor do trabalho em equipe: se perdermos, é a culpa é do nosso treinador (... se não tivesse essa vantagem, não perderíamos tempo a falar de líderes e liderança!)
13. O paradoxo: tentar falhar e conseguir (... não sei se já alguém conseguiu!)
14. O pior da democracia é não tolerar a ditadura mas brincar com o populismo (... brinca-se muito com o fogo!)
15. O que diz o instrutor palestiniano aos seus aprendizes de homem-bomba: "Por Alá, prestem a máxima atenção que eu só posso exemplificar uma vez" (... esta piada é terrorista!)
16. Podes ser idiota (artista) e fazer uma obra de arte; mas tens de ser um génio (capitalista) para a pôr no mercado e vendê-la (... ah!, as relações da arte com o dinheiro! Mas afinal a arte não é uma mercadoria como tudo o mais ?)
17. Quando chegares a um beco sem saída e não te restar mais nenhum opção, pára e consulta o manual sobre as saídas de emergência (... sorry, mas não tenho esse manual!).
18. Roubar ideias a uma autor é plágio; roubar as ideias de muita gente, é investigação científica (... o que é roubar ?)
19. Se procuras uma mão disposta a ajudar-te, fala com o teu braço (o esquerdo ou o direito, tanto faz) (... é capaz de haver diferenças entre o esquerdo e o direito, ou não? Não percebo nada de anatomia e fisiologia...)
2. Cartaz de prevenção e segurança no trabalho: evitem acidentes, façam de propósito (... e por favor culpem as vítimas!)
3. Conselho do pai para o filho; “casa-te e sê feliz, meu filho; é importante que arranjes (i) uma mulher que seja boa dona de casa; (ii) uma mulher com uma profissão que te dê dinheiro; e (iii) uma mulher que goste de fazer amor contigo; mas mais importante ainda, é que (iv) essas três mulheres nunca se encontrem” (... tenho pena que o meu pai nunca me tenha dado tal conselho!).
4. Deus criou o homem antes da mulher, porque na altura ainda não tinha; (i) certificação de qualidade; (ii) assistência pós-venda; nem (iii) livro de reclamações (... também não havia ainda o sistema português de qualidade!)
5. Diz o rico para o pobre: há um mundo bem melhor para lá do horizonte que se avista da tua janela, só que não está ao alcance da tua bolsa (... eu acho que isto tipo de bocas miserabilistas já não se usam: basta folhear a imprensda cor de rosa!)
6. É com a merda dos grandes, que os pequenos se afogam; mas também é fazendo merda, que a gente aprende... a nadar! (... não conheço nenhuma escola em Lisboa que nos ensine a nadar na merda!)
7. Em todas as coisas da vida a prática leva à perfeição; a única excepção é a roleta russa (...confesso, nunca experimentei!)
8. Experimenta viver cada dia como se fosse o último da tua vida: verás que um dia destes acertas mesmo! (.. muito útil!)
9. Mais vale uma mosca no teu prato da sopa do que um míssil de cruzeiro na tua cozinha (provérbio árabe) (... este provérbio é muito tendencioso!)
10. Minha amiga colorida: pior do que nunca encontrares o homem certo é viveres toda a vida com o gajo errado (... a alternativa é o convento?)
11. Na minha lápide funerária quero que escrevam: "Por favor, não perturbar; estou numa cura de sono... eterno" (...não sei onde está a piada!)
12. O melhor do trabalho em equipe: se perdermos, é a culpa é do nosso treinador (... se não tivesse essa vantagem, não perderíamos tempo a falar de líderes e liderança!)
13. O paradoxo: tentar falhar e conseguir (... não sei se já alguém conseguiu!)
14. O pior da democracia é não tolerar a ditadura mas brincar com o populismo (... brinca-se muito com o fogo!)
15. O que diz o instrutor palestiniano aos seus aprendizes de homem-bomba: "Por Alá, prestem a máxima atenção que eu só posso exemplificar uma vez" (... esta piada é terrorista!)
16. Podes ser idiota (artista) e fazer uma obra de arte; mas tens de ser um génio (capitalista) para a pôr no mercado e vendê-la (... ah!, as relações da arte com o dinheiro! Mas afinal a arte não é uma mercadoria como tudo o mais ?)
17. Quando chegares a um beco sem saída e não te restar mais nenhum opção, pára e consulta o manual sobre as saídas de emergência (... sorry, mas não tenho esse manual!).
18. Roubar ideias a uma autor é plágio; roubar as ideias de muita gente, é investigação científica (... o que é roubar ?)
19. Se procuras uma mão disposta a ajudar-te, fala com o teu braço (o esquerdo ou o direito, tanto faz) (... é capaz de haver diferenças entre o esquerdo e o direito, ou não? Não percebo nada de anatomia e fisiologia...)
03 dezembro 2003
Portugas que merecem os nossos assobios - II: Os responsáveis da irresponsabilidade
Há uma derrocada de um prédio (centenário). Morrem duas pessoas (uma mulher idosa e um jovem de 18 anos). Ao lado está-se a construir um outro. Tudo indica que a causa imediata da derrocada seja a falta de escoramento do prédio que agora ruiu.
As pessoas, incrédulas mas conformadas, perguntam: Mas não há um plano de segurança, como manda a lei ? Se calhar existe, mas o mais provável é ter sido tirado a papel químico, como tantos outros. E então, onde estão os responsáveis, o dono da obra, o engenheiro, o técnico de segurança, a autarquia que licenciou a obra e mais os não-sei-quantos organismos que deviam fiscalizar os trabalhos ?
Na terra dos portugas, na hora da desgraça, ninguém é responsável, somos todos responsáveis irresponsáveis. É a hora de alijar a carga, assobiar e cuspir para o lado...
O que não devia acontecer, infelizmente aconteceu. Desta vez em Olhão. Parece que Olhão bisou. Pelos vistos, é uma cidade accident-prone.
Infelizmente este não é um caso virgem nem local. Repete-se por esse país fora. Desta vez teve honras mediáticas. As desgraças têm sempre honras mediáticas, à falta de melhores notícias.
Face a mais este triste exemplo do triunfo da patobravocracia (e da burocracia patológica) no país dos portugas, o blogador manda as mais veementes assobiadelas para os responsáveis por mais esta... irresponsabilidade. Acrescenta-lhe um adjectivo, já gasto e inútil: criminosa. Irresponsabilidade criminosa.
As pessoas, incrédulas mas conformadas, perguntam: Mas não há um plano de segurança, como manda a lei ? Se calhar existe, mas o mais provável é ter sido tirado a papel químico, como tantos outros. E então, onde estão os responsáveis, o dono da obra, o engenheiro, o técnico de segurança, a autarquia que licenciou a obra e mais os não-sei-quantos organismos que deviam fiscalizar os trabalhos ?
Na terra dos portugas, na hora da desgraça, ninguém é responsável, somos todos responsáveis irresponsáveis. É a hora de alijar a carga, assobiar e cuspir para o lado...
O que não devia acontecer, infelizmente aconteceu. Desta vez em Olhão. Parece que Olhão bisou. Pelos vistos, é uma cidade accident-prone.
Infelizmente este não é um caso virgem nem local. Repete-se por esse país fora. Desta vez teve honras mediáticas. As desgraças têm sempre honras mediáticas, à falta de melhores notícias.
Face a mais este triste exemplo do triunfo da patobravocracia (e da burocracia patológica) no país dos portugas, o blogador manda as mais veementes assobiadelas para os responsáveis por mais esta... irresponsabilidade. Acrescenta-lhe um adjectivo, já gasto e inútil: criminosa. Irresponsabilidade criminosa.
Portugas que merecem os nossos assobios - II: Os responsáveis da irresponsabilidade
Há uma derrocada de um prédio (centenário). Morrem duas pessoas (uma mulher idosa e um jovem de 18 anos). Ao lado está-se a construir um outro. Tudo indica que a causa imediata da derrocada seja a falta de escoramento do prédio que agora ruiu.
As pessoas, incrédulas mas conformadas, perguntam: Mas não há um plano de segurança, como manda a lei ? Se calhar existe, mas o mais provável é ter sido tirado a papel químico, como tantos outros. E então, onde estão os responsáveis, o dono da obra, o engenheiro, o técnico de segurança, a autarquia que licenciou a obra e mais os não-sei-quantos organismos que deviam fiscalizar os trabalhos ?
Na terra dos portugas, na hora da desgraça, ninguém é responsável, somos todos responsáveis irresponsáveis. É a hora de alijar a carga, assobiar e cuspir para o lado...
O que não devia acontecer, infelizmente aconteceu. Desta vez em Olhão. Parece que Olhão bisou. Pelos vistos, é uma cidade accident-prone.
Infelizmente este não é um caso virgem nem local. Repete-se por esse país fora. Desta vez teve honras mediáticas. As desgraças têm sempre honras mediáticas, à falta de melhores notícias.
Face a mais este triste exemplo do triunfo da patobravocracia (e da burocracia patológica) no país dos portugas, o blogador manda as mais veementes assobiadelas para os responsáveis por mais esta... irresponsabilidade. Acrescenta-lhe um adjectivo, já gasto e inútil: criminosa. Irresponsabilidade criminosa.
As pessoas, incrédulas mas conformadas, perguntam: Mas não há um plano de segurança, como manda a lei ? Se calhar existe, mas o mais provável é ter sido tirado a papel químico, como tantos outros. E então, onde estão os responsáveis, o dono da obra, o engenheiro, o técnico de segurança, a autarquia que licenciou a obra e mais os não-sei-quantos organismos que deviam fiscalizar os trabalhos ?
Na terra dos portugas, na hora da desgraça, ninguém é responsável, somos todos responsáveis irresponsáveis. É a hora de alijar a carga, assobiar e cuspir para o lado...
O que não devia acontecer, infelizmente aconteceu. Desta vez em Olhão. Parece que Olhão bisou. Pelos vistos, é uma cidade accident-prone.
Infelizmente este não é um caso virgem nem local. Repete-se por esse país fora. Desta vez teve honras mediáticas. As desgraças têm sempre honras mediáticas, à falta de melhores notícias.
Face a mais este triste exemplo do triunfo da patobravocracia (e da burocracia patológica) no país dos portugas, o blogador manda as mais veementes assobiadelas para os responsáveis por mais esta... irresponsabilidade. Acrescenta-lhe um adjectivo, já gasto e inútil: criminosa. Irresponsabilidade criminosa.
01 dezembro 2003
O tripaliu(m) que mata a gente - I: Trabalho e prazer
Dizem os brazucas que "a meia idade é quando o trabalho dá menos prazer e o prazer mais trabalho"... Os portugas são muito mais radicais: sempre os ouvi dizer "Serviço é serviço, conhaque é conhaque"... É estranho porque o conhaque é francês... Na belle époque tudo o que tinha a ver com prazer, era franciú, vinha de França ou falava francês.
Dir-me-ão que a piada (brazuca) é de mau gosto e está gasta... Em todo o caso, ela serve para abrir, sem pompa nem circunstância, esta blogaria sobre o tripaliu(m) que mata a gente.
Como teletrabalhador (nocturno e diurno) exerço aqui o meu pleno direito de fazer o meu minuto de humor... no trabalho (ou na blogosfera, tanto faz). Esta figura não é jurídica: tudo o que não vem no Código de Trabalho, a partir de agora, tem de ser (re)equacionado... O break no trabalho não vem no Código, pelo que se pode questionar a sua legitimidade. Embora faça bem às costas e à saúde mental. Mas adiante.
Etimologicamente falando, a palavra Trabalho vem do latim Tripaliu(m), originalmente um instrumento composto de Tres Pales (três paus) que servia justamente para Tripaliare: neste caso, servia ao carrasco romano para trabalhar, literalmente torturar alguém (por ex., um escravo) usando para o efeito o Tripaliu(m) ... Claro que o carrasco era outro escravo, já que o cidadão romano não trabalhva com as mãos... "'Tá quieto, que trabalhar faz calos", dizia o cidadão.
É fantástico como no nosso (des)humor do dia a dia a gente ainda usa expressões que remetem para este sentido original, etimológico, do palavrão que nos coube em sorte... Veja-se de resto algumas dos nossos ditados ditos populares:
(i) "Para gozar eu; para trabalhar um irmão que Deus me deu" (a repulsa cristã e senhorial pelo trabalho manual... e o seu sucedâneo burguês e positivista: "Deus ajuda a quem trabalha, que é o capital que menos falha", "Se o trabalho dá saúde, que trabalhem os doentes";
(ii) Em suma, cibertrabalhadores, o trabalho não dignifica: "Só trabalha quem não sabe fazer mais nada"; "Mão de mestre não suja ferramenta"; "Mais vale um bom mandador do que um bom trabalhador"...
(iii) Em contrapartida, diz-se: "Trabalhar que nem um mouro" (referência aos mouros que foram escravizados pelos cristãos depois da Reconquista da península ibérica);
(iv) ou "Trabalhar que nem um galego" (referência aos aguadeiros de Lisboa no Séc. XIX, que eram justamente oriundos da Galiza);
(v) ou ainda "Trabalho é bom pró preto" (dizia-se em Portugal, no tempo do império colonial; e continua a dizer-se hoje, não por racismo mas por um qualquer lapsus linguae);
(vi) bem como "Trabalho se fez para burro e português" (no Rio de Janeiro, referindo-se à leva de emigrantes pobres que chegavam ao Brasil na 1ª metade do Séc. XX)
Pensem nisto e na sua eventual relação (ou falta dela) ... com a saúde no trabalho!
Post Scriptum - Já agora qual será a razão por que se diz: "Mal por mal antes cadeia do que hospital?"
Dir-me-ão que a piada (brazuca) é de mau gosto e está gasta... Em todo o caso, ela serve para abrir, sem pompa nem circunstância, esta blogaria sobre o tripaliu(m) que mata a gente.
Como teletrabalhador (nocturno e diurno) exerço aqui o meu pleno direito de fazer o meu minuto de humor... no trabalho (ou na blogosfera, tanto faz). Esta figura não é jurídica: tudo o que não vem no Código de Trabalho, a partir de agora, tem de ser (re)equacionado... O break no trabalho não vem no Código, pelo que se pode questionar a sua legitimidade. Embora faça bem às costas e à saúde mental. Mas adiante.
Etimologicamente falando, a palavra Trabalho vem do latim Tripaliu(m), originalmente um instrumento composto de Tres Pales (três paus) que servia justamente para Tripaliare: neste caso, servia ao carrasco romano para trabalhar, literalmente torturar alguém (por ex., um escravo) usando para o efeito o Tripaliu(m) ... Claro que o carrasco era outro escravo, já que o cidadão romano não trabalhva com as mãos... "'Tá quieto, que trabalhar faz calos", dizia o cidadão.
É fantástico como no nosso (des)humor do dia a dia a gente ainda usa expressões que remetem para este sentido original, etimológico, do palavrão que nos coube em sorte... Veja-se de resto algumas dos nossos ditados ditos populares:
(i) "Para gozar eu; para trabalhar um irmão que Deus me deu" (a repulsa cristã e senhorial pelo trabalho manual... e o seu sucedâneo burguês e positivista: "Deus ajuda a quem trabalha, que é o capital que menos falha", "Se o trabalho dá saúde, que trabalhem os doentes";
(ii) Em suma, cibertrabalhadores, o trabalho não dignifica: "Só trabalha quem não sabe fazer mais nada"; "Mão de mestre não suja ferramenta"; "Mais vale um bom mandador do que um bom trabalhador"...
(iii) Em contrapartida, diz-se: "Trabalhar que nem um mouro" (referência aos mouros que foram escravizados pelos cristãos depois da Reconquista da península ibérica);
(iv) ou "Trabalhar que nem um galego" (referência aos aguadeiros de Lisboa no Séc. XIX, que eram justamente oriundos da Galiza);
(v) ou ainda "Trabalho é bom pró preto" (dizia-se em Portugal, no tempo do império colonial; e continua a dizer-se hoje, não por racismo mas por um qualquer lapsus linguae);
(vi) bem como "Trabalho se fez para burro e português" (no Rio de Janeiro, referindo-se à leva de emigrantes pobres que chegavam ao Brasil na 1ª metade do Séc. XX)
Pensem nisto e na sua eventual relação (ou falta dela) ... com a saúde no trabalho!
Post Scriptum - Já agora qual será a razão por que se diz: "Mal por mal antes cadeia do que hospital?"
O tripaliu(m) que mata a gente - I: Trabalho e prazer
Dizem os brazucas que "a meia idade é quando o trabalho dá menos prazer e o prazer mais trabalho"... Os portugas são muito mais radicais: sempre os ouvi dizer "Serviço é serviço, conhaque é conhaque"... É estranho porque o conhaque é francês... Na belle époque tudo o que tinha a ver com prazer, era franciú, vinha de França ou falava francês.
Dir-me-ão que a piada (brazuca) é de mau gosto e está gasta... Em todo o caso, ela serve para abrir, sem pompa nem circunstância, esta blogaria sobre o tripaliu(m) que mata a gente.
Como teletrabalhador (nocturno e diurno) exerço aqui o meu pleno direito de fazer o meu minuto de humor... no trabalho (ou na blogosfera, tanto faz). Esta figura não é jurídica: tudo o que não vem no Código de Trabalho, a partir de agora, tem de ser (re)equacionado... O break no trabalho não vem no Código, pelo que se pode questionar a sua legitimidade. Embora faça bem às costas e à saúde mental. Mas adiante.
Etimologicamente falando, a palavra Trabalho vem do latim Tripaliu(m), originalmente um instrumento composto de Tres Pales (três paus) que servia justamente para Tripaliare: neste caso, servia ao carrasco romano para trabalhar, literalmente torturar alguém (por ex., um escravo) usando para o efeito o Tripaliu(m) ... Claro que o carrasco era outro escravo, já que o cidadão romano não trabalhva com as mãos... "'Tá quieto, que trabalhar faz calos", dizia o cidadão.
É fantástico como no nosso (des)humor do dia a dia a gente ainda usa expressões que remetem para este sentido original, etimológico, do palavrão que nos coube em sorte... Veja-se de resto algumas dos nossos ditados ditos populares:
(i) "Para gozar eu; para trabalhar um irmão que Deus me deu" (a repulsa cristã e senhorial pelo trabalho manual... e o seu sucedâneo burguês e positivista: "Deus ajuda a quem trabalha, que é o capital que menos falha", "Se o trabalho dá saúde, que trabalhem os doentes";
(ii) Em suma, cibertrabalhadores, o trabalho não dignifica: "Só trabalha quem não sabe fazer mais nada"; "Mão de mestre não suja ferramenta"; "Mais vale um bom mandador do que um bom trabalhador"...
(iii) Em contrapartida, diz-se: "Trabalhar que nem um mouro" (referência aos mouros que foram escravizados pelos cristãos depois da Reconquista da península ibérica);
(iv) ou "Trabalhar que nem um galego" (referência aos aguadeiros de Lisboa no Séc. XIX, que eram justamente oriundos da Galiza);
(v) ou ainda "Trabalho é bom pró preto" (dizia-se em Portugal, no tempo do império colonial; e continua a dizer-se hoje, não por racismo mas por um qualquer lapsus linguae);
(vi) bem como "Trabalho se fez para burro e português" (no Rio de Janeiro, referindo-se à leva de emigrantes pobres que chegavam ao Brasil na 1ª metade do Séc. XX)
Pensem nisto e na sua eventual relação (ou falta dela) ... com a saúde no trabalho!
Post Scriptum - Já agora qual será a razão por que se diz: "Mal por mal antes cadeia do que hospital?"
Dir-me-ão que a piada (brazuca) é de mau gosto e está gasta... Em todo o caso, ela serve para abrir, sem pompa nem circunstância, esta blogaria sobre o tripaliu(m) que mata a gente.
Como teletrabalhador (nocturno e diurno) exerço aqui o meu pleno direito de fazer o meu minuto de humor... no trabalho (ou na blogosfera, tanto faz). Esta figura não é jurídica: tudo o que não vem no Código de Trabalho, a partir de agora, tem de ser (re)equacionado... O break no trabalho não vem no Código, pelo que se pode questionar a sua legitimidade. Embora faça bem às costas e à saúde mental. Mas adiante.
Etimologicamente falando, a palavra Trabalho vem do latim Tripaliu(m), originalmente um instrumento composto de Tres Pales (três paus) que servia justamente para Tripaliare: neste caso, servia ao carrasco romano para trabalhar, literalmente torturar alguém (por ex., um escravo) usando para o efeito o Tripaliu(m) ... Claro que o carrasco era outro escravo, já que o cidadão romano não trabalhva com as mãos... "'Tá quieto, que trabalhar faz calos", dizia o cidadão.
É fantástico como no nosso (des)humor do dia a dia a gente ainda usa expressões que remetem para este sentido original, etimológico, do palavrão que nos coube em sorte... Veja-se de resto algumas dos nossos ditados ditos populares:
(i) "Para gozar eu; para trabalhar um irmão que Deus me deu" (a repulsa cristã e senhorial pelo trabalho manual... e o seu sucedâneo burguês e positivista: "Deus ajuda a quem trabalha, que é o capital que menos falha", "Se o trabalho dá saúde, que trabalhem os doentes";
(ii) Em suma, cibertrabalhadores, o trabalho não dignifica: "Só trabalha quem não sabe fazer mais nada"; "Mão de mestre não suja ferramenta"; "Mais vale um bom mandador do que um bom trabalhador"...
(iii) Em contrapartida, diz-se: "Trabalhar que nem um mouro" (referência aos mouros que foram escravizados pelos cristãos depois da Reconquista da península ibérica);
(iv) ou "Trabalhar que nem um galego" (referência aos aguadeiros de Lisboa no Séc. XIX, que eram justamente oriundos da Galiza);
(v) ou ainda "Trabalho é bom pró preto" (dizia-se em Portugal, no tempo do império colonial; e continua a dizer-se hoje, não por racismo mas por um qualquer lapsus linguae);
(vi) bem como "Trabalho se fez para burro e português" (no Rio de Janeiro, referindo-se à leva de emigrantes pobres que chegavam ao Brasil na 1ª metade do Séc. XX)
Pensem nisto e na sua eventual relação (ou falta dela) ... com a saúde no trabalho!
Post Scriptum - Já agora qual será a razão por que se diz: "Mal por mal antes cadeia do que hospital?"
Saúde & Segurança do Trabalho - XIII: O IDICT sem o braço armado da Inspecção do Trabalho
Pergunta o Paulo Dinis, o grande animador da Ergolist:
Então o Decreto-Lei n.º 266/2002 não abria já as portas para a constituição de uma agência nacional em substituição do IDICT ? O próprio acordo sobre condições de trabalho, higiene e segurança no trabalho e combate à sinistralidade, de 2001, também não sugeria, de certa forma, que fossem diferenciadas a área de supervisão das relações colectivas de trabalho e a área técnica da SH&ST ?
Resposta de O Blogador:
O Paulo é um homem atento, como convém, à produção, em grande série, do Diário da República (abreviadamente, DR). Confesso que não é o meu diário preferido: não tem, por exemplo, um livro de estilo como o Público. Além disso, parece um pasquim, daqueles onde se escreve mal e porcamente a língua da gente.
Embora mau leitor do DR e sobretudo distraído, quer-me parecer que o Decreto-Lei n.º 266/2002, de 26 de Novembro, se limita a estabelecer a orgânica da nova Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.
O novo inquilino da Praça de Londres fez o que todos os novos inquilinos do poder gostam de fazer: mudar a mobília, os sofás, e as cortinas; trocar as fechaduras; substituir a farda do porteiro; reformular o organograma... Em suma, a nova/velha Direcção-Geral, para além das competências anteriormente detidas pela Direcção-Geral do Emprego e Formação Profissional (DGEFP) e pela Direcção-Geral das Condições de Trabalho (DGCT), passou igualmente a deter competências na área das relações profissionais, anteriormente cometidas ao Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT).
No preâmbulo daquele diploma legal não descortino nenhuma "porta aberta" à criação de uma eventual agência nacional de segurança e saúde no trabalho, embora dessa possibilidade se fale à boca cheia nos "mentideros" dos seminários congressos e demais encontros onde a gente se vai (des)encontrando, em honra e homenagem à Santa Segurança, Higiene & Saúde no Trabalho. O acordo de 2001, por sua vez, já previa a saída, do IDICT, dos famosos especialistas em gestão de conflitos sócio-laborais cuja história está por fazer.
Temos que recuar a 1991 e ao acordo específico sobre SH&ST, assinado pelo Governo e parceiros sociais com assento no então Conselho Permanente de Concertação Social, hoje integrado no Conselho Económico e Social.
Para os mais novos e os menos atentos, é útil recordar que um dos pontos do acordo era justamente a criação de um Instituto Nacional de Saúde e Segurança no Trabalho, de gestão tripartida (Governo e parceiros sociais).
Convenhamos que a ideia em si era boa: pretendia-se prevenir o risco anunciado de governamentalização do Instituto. Com a criação do IDICT, em 1993, a letra e a forma do acordo foram inegavelmente traídos. O IDICT passou a deter três áreas de competências: (i) inspecção do trabalho; (ii) investigação & desenvolvimento na área das condições de trabalho; e (iii) gestão das relações colectivas de trabalho...
Os vários presidentes do IDICT que eu fui conhecendo pessoalmente a partir de então sempre se mostraram hostis à ideia da saída da Inspecção Geral do Trabalho (abreviadamente, IGT). Para eles, o IDICT sem o "abraço armado" (sic) da IGT nunca teria força nem credibilidade dentro e fora das empresas... Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Então o Decreto-Lei n.º 266/2002 não abria já as portas para a constituição de uma agência nacional em substituição do IDICT ? O próprio acordo sobre condições de trabalho, higiene e segurança no trabalho e combate à sinistralidade, de 2001, também não sugeria, de certa forma, que fossem diferenciadas a área de supervisão das relações colectivas de trabalho e a área técnica da SH&ST ?
Resposta de O Blogador:
O Paulo é um homem atento, como convém, à produção, em grande série, do Diário da República (abreviadamente, DR). Confesso que não é o meu diário preferido: não tem, por exemplo, um livro de estilo como o Público. Além disso, parece um pasquim, daqueles onde se escreve mal e porcamente a língua da gente.
Embora mau leitor do DR e sobretudo distraído, quer-me parecer que o Decreto-Lei n.º 266/2002, de 26 de Novembro, se limita a estabelecer a orgânica da nova Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.
O novo inquilino da Praça de Londres fez o que todos os novos inquilinos do poder gostam de fazer: mudar a mobília, os sofás, e as cortinas; trocar as fechaduras; substituir a farda do porteiro; reformular o organograma... Em suma, a nova/velha Direcção-Geral, para além das competências anteriormente detidas pela Direcção-Geral do Emprego e Formação Profissional (DGEFP) e pela Direcção-Geral das Condições de Trabalho (DGCT), passou igualmente a deter competências na área das relações profissionais, anteriormente cometidas ao Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT).
No preâmbulo daquele diploma legal não descortino nenhuma "porta aberta" à criação de uma eventual agência nacional de segurança e saúde no trabalho, embora dessa possibilidade se fale à boca cheia nos "mentideros" dos seminários congressos e demais encontros onde a gente se vai (des)encontrando, em honra e homenagem à Santa Segurança, Higiene & Saúde no Trabalho. O acordo de 2001, por sua vez, já previa a saída, do IDICT, dos famosos especialistas em gestão de conflitos sócio-laborais cuja história está por fazer.
Temos que recuar a 1991 e ao acordo específico sobre SH&ST, assinado pelo Governo e parceiros sociais com assento no então Conselho Permanente de Concertação Social, hoje integrado no Conselho Económico e Social.
Para os mais novos e os menos atentos, é útil recordar que um dos pontos do acordo era justamente a criação de um Instituto Nacional de Saúde e Segurança no Trabalho, de gestão tripartida (Governo e parceiros sociais).
Convenhamos que a ideia em si era boa: pretendia-se prevenir o risco anunciado de governamentalização do Instituto. Com a criação do IDICT, em 1993, a letra e a forma do acordo foram inegavelmente traídos. O IDICT passou a deter três áreas de competências: (i) inspecção do trabalho; (ii) investigação & desenvolvimento na área das condições de trabalho; e (iii) gestão das relações colectivas de trabalho...
Os vários presidentes do IDICT que eu fui conhecendo pessoalmente a partir de então sempre se mostraram hostis à ideia da saída da Inspecção Geral do Trabalho (abreviadamente, IGT). Para eles, o IDICT sem o "abraço armado" (sic) da IGT nunca teria força nem credibilidade dentro e fora das empresas... Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Saúde & Segurança do Trabalho - XIII: O IDICT sem o braço armado da Inspecção do Trabalho
Pergunta o Paulo Dinis, o grande animador da Ergolist:
Então o Decreto-Lei n.º 266/2002 não abria já as portas para a constituição de uma agência nacional em substituição do IDICT ? O próprio acordo sobre condições de trabalho, higiene e segurança no trabalho e combate à sinistralidade, de 2001, também não sugeria, de certa forma, que fossem diferenciadas a área de supervisão das relações colectivas de trabalho e a área técnica da SH&ST ?
Resposta de O Blogador:
O Paulo é um homem atento, como convém, à produção, em grande série, do Diário da República (abreviadamente, DR). Confesso que não é o meu diário preferido: não tem, por exemplo, um livro de estilo como o Público. Além disso, parece um pasquim, daqueles onde se escreve mal e porcamente a língua da gente.
Embora mau leitor do DR e sobretudo distraído, quer-me parecer que o Decreto-Lei n.º 266/2002, de 26 de Novembro, se limita a estabelecer a orgânica da nova Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.
O novo inquilino da Praça de Londres fez o que todos os novos inquilinos do poder gostam de fazer: mudar a mobília, os sofás, e as cortinas; trocar as fechaduras; substituir a farda do porteiro; reformular o organograma... Em suma, a nova/velha Direcção-Geral, para além das competências anteriormente detidas pela Direcção-Geral do Emprego e Formação Profissional (DGEFP) e pela Direcção-Geral das Condições de Trabalho (DGCT), passou igualmente a deter competências na área das relações profissionais, anteriormente cometidas ao Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT).
No preâmbulo daquele diploma legal não descortino nenhuma "porta aberta" à criação de uma eventual agência nacional de segurança e saúde no trabalho, embora dessa possibilidade se fale à boca cheia nos "mentideros" dos seminários congressos e demais encontros onde a gente se vai (des)encontrando, em honra e homenagem à Santa Segurança, Higiene & Saúde no Trabalho. O acordo de 2001, por sua vez, já previa a saída, do IDICT, dos famosos especialistas em gestão de conflitos sócio-laborais cuja história está por fazer.
Temos que recuar a 1991 e ao acordo específico sobre SH&ST, assinado pelo Governo e parceiros sociais com assento no então Conselho Permanente de Concertação Social, hoje integrado no Conselho Económico e Social.
Para os mais novos e os menos atentos, é útil recordar que um dos pontos do acordo era justamente a criação de um Instituto Nacional de Saúde e Segurança no Trabalho, de gestão tripartida (Governo e parceiros sociais).
Convenhamos que a ideia em si era boa: pretendia-se prevenir o risco anunciado de governamentalização do Instituto. Com a criação do IDICT, em 1993, a letra e a forma do acordo foram inegavelmente traídos. O IDICT passou a deter três áreas de competências: (i) inspecção do trabalho; (ii) investigação & desenvolvimento na área das condições de trabalho; e (iii) gestão das relações colectivas de trabalho...
Os vários presidentes do IDICT que eu fui conhecendo pessoalmente a partir de então sempre se mostraram hostis à ideia da saída da Inspecção Geral do Trabalho (abreviadamente, IGT). Para eles, o IDICT sem o "abraço armado" (sic) da IGT nunca teria força nem credibilidade dentro e fora das empresas... Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Então o Decreto-Lei n.º 266/2002 não abria já as portas para a constituição de uma agência nacional em substituição do IDICT ? O próprio acordo sobre condições de trabalho, higiene e segurança no trabalho e combate à sinistralidade, de 2001, também não sugeria, de certa forma, que fossem diferenciadas a área de supervisão das relações colectivas de trabalho e a área técnica da SH&ST ?
Resposta de O Blogador:
O Paulo é um homem atento, como convém, à produção, em grande série, do Diário da República (abreviadamente, DR). Confesso que não é o meu diário preferido: não tem, por exemplo, um livro de estilo como o Público. Além disso, parece um pasquim, daqueles onde se escreve mal e porcamente a língua da gente.
Embora mau leitor do DR e sobretudo distraído, quer-me parecer que o Decreto-Lei n.º 266/2002, de 26 de Novembro, se limita a estabelecer a orgânica da nova Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.
O novo inquilino da Praça de Londres fez o que todos os novos inquilinos do poder gostam de fazer: mudar a mobília, os sofás, e as cortinas; trocar as fechaduras; substituir a farda do porteiro; reformular o organograma... Em suma, a nova/velha Direcção-Geral, para além das competências anteriormente detidas pela Direcção-Geral do Emprego e Formação Profissional (DGEFP) e pela Direcção-Geral das Condições de Trabalho (DGCT), passou igualmente a deter competências na área das relações profissionais, anteriormente cometidas ao Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT).
No preâmbulo daquele diploma legal não descortino nenhuma "porta aberta" à criação de uma eventual agência nacional de segurança e saúde no trabalho, embora dessa possibilidade se fale à boca cheia nos "mentideros" dos seminários congressos e demais encontros onde a gente se vai (des)encontrando, em honra e homenagem à Santa Segurança, Higiene & Saúde no Trabalho. O acordo de 2001, por sua vez, já previa a saída, do IDICT, dos famosos especialistas em gestão de conflitos sócio-laborais cuja história está por fazer.
Temos que recuar a 1991 e ao acordo específico sobre SH&ST, assinado pelo Governo e parceiros sociais com assento no então Conselho Permanente de Concertação Social, hoje integrado no Conselho Económico e Social.
Para os mais novos e os menos atentos, é útil recordar que um dos pontos do acordo era justamente a criação de um Instituto Nacional de Saúde e Segurança no Trabalho, de gestão tripartida (Governo e parceiros sociais).
Convenhamos que a ideia em si era boa: pretendia-se prevenir o risco anunciado de governamentalização do Instituto. Com a criação do IDICT, em 1993, a letra e a forma do acordo foram inegavelmente traídos. O IDICT passou a deter três áreas de competências: (i) inspecção do trabalho; (ii) investigação & desenvolvimento na área das condições de trabalho; e (iii) gestão das relações colectivas de trabalho...
Os vários presidentes do IDICT que eu fui conhecendo pessoalmente a partir de então sempre se mostraram hostis à ideia da saída da Inspecção Geral do Trabalho (abreviadamente, IGT). Para eles, o IDICT sem o "abraço armado" (sic) da IGT nunca teria força nem credibilidade dentro e fora das empresas... Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
27 novembro 2003
(Ex)citações de cada dia - XI: Nunca desistas de um sonho
"Nunca desistas de um sonho. Se não houver na pastelaria da tua rua, dá uma volta ao quarteirão e procura-o na mais próxima. Como diz o poeta António Gedeão, é o Sonho que comanda a Vida".
_______
PS - 50% dos créditos são devidos à Paula C. Isentos de IVA.
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PS - 50% dos créditos são devidos à Paula C. Isentos de IVA.
(Ex)citações de cada dia - XI: Nunca desistas de um sonho
"Nunca desistas de um sonho. Se não houver na pastelaria da tua rua, dá uma volta ao quarteirão e procura-o na mais próxima. Como diz o poeta António Gedeão, é o Sonho que comanda a Vida".
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PS - 50% dos créditos são devidos à Paula C. Isentos de IVA.
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PS - 50% dos créditos são devidos à Paula C. Isentos de IVA.
Saúde & Segurança do Trabalho - XII: Dinheiro e deontologia
F. Gaspar: “Cerca de 45 anos a visitar empresas em Portugal (...) permitem-me dizer-lhe que esse conflito de interesses [ empregador / profissionais de SH&ST], é muito real. Tudo tem início no acto da contratação do médico do trabalho ou, agora mais recentemente, com a escolha da empresa que possa prestar serviços nessa área, tal como prevê a lei. Quem não assiste ao quotidiano das empresas não pode imaginar o que se passa. Como os contos são largos e, nalguns casos, muito ‘cabeludos’, talvez haja um dia a oportunidade de trocarmos impressões sobre esta matéria e eu contar-lhe algumas histórias reais. Fica aqui, nas entrelinhas, aquilo que me apetecia dizer dos jogos de força entre a deontologia e o dinheiro... Pelo menos, para que os menos avisados e os debutantes nesta profissão consigam navegar neste rio caudaloso de interesses” (Ergolist. 26.11.2003).
C. Gamelas: “Se o Técnico Superior [ de Segurança e Higiene do Trabalho ] pretende executar a sua actividade de acordo com a sua deontologia profissional, o mais certo é ficar sempre no desemprego (Ergolist. 26.11.2003)
_________
O país precisa (e as nossas empresas merecem) que os nossos profissionais na área da SH&ST (médicos e enfermeiros do trabalho, especialistas e técnicos de segurança e higiene do trabalho, ergonomistas, psicólogos, sociólogos, assistentes sociais ocupacionais, educadores e promotores de saúde...) sejam os melhores do mundo. Isto é: que sejam cientifica e tecnicamente bem preparados, mas também dotados das competências humanas, relacionais e sociais que são inerentes ao seu campo de competência profissional e que fazem parte do conceito de autonomia técnica.
Não posso, por isso, concordar com a afirmação de que um técnico superior de segurança e higiene do trabalho eticamente responsável (logo, competente) fique automaticamente excluído do mercado de trabalho... Admito que pelo seu grau de exigência e de rigor poderá não querer trabalhar a qualquer preço e em qualquer sítio...
Todas as profissões têm (ou devem ter) um código de ética e deontologia. É esperado, no mínimo, que a sua conduta seja pautada por valores. No caso dos profissionais de SH&ST esses valores são exigentes e até têm moldura jurídica.
O técnico superior de segurança e higiene do trabalho não pode, obviamente, substituir-se ao empregador e aos seus representantes. E muito menos decidir por ele. Deve, em todo o caso, pôr à sua disposição todas as possíveis soluções para um dado problema com implicações na saúde e segurança dos seus trabalhadores. Deve avaliar as consequências de cada uma dessas soluções, incluindo os custos e os benefícios em temos económicos e sociais.
Decidir é escolher uma de entre várias alternativas. O papel dos gestores é tomar decisões e resolver problemas. O técnico superior de segurança e higiene do trabalhador não faz parte do line (hierarquia), faz parte do staff (serviços funcionais). Não é um decisor, a menos que lhe deleguem funções executivas...
Os gestores também devem pautar o seu comportamento por valores éticos. E hoje há uma coisa que se chama "responsabilidade social" das empresas e que começa a ser valorizada pelos accionistas, pelos clientes, pela opinião pública... E pelos próprios gestores e empregadores, porque também pode e deve "dar dividendos".
Estamos todos de acordo quanto à urgência de as associações profissionais dos profissionais de SH&ST tomarem posição clara e inequívoca sobre as questões de ética e deontologia no exercício da sua actividade. Refiro-me em especial ao médico do trabalho, ao enfermeiro do trabalho, ao técnico de segurança e higiene do trabalho e ao técnico superior de segurança e higiene do trabalho.
De qualquer modo, considero que podemos e devemos continuar a discutir, neste e noutros espaços, as questão de ética e deontologia das profissões na área da SH&ST. Infelizmente, estas questões são sempre as menos prioritárias e as mais incómodas.
Espero bem que estas questões estejam a ser extensa e profundamente abordadas, por quem de direito, nos cursos de pós-graduação para técnicos superiores de segurança e higiene do trabalho... Mas devo dizer que tenho sérias dúvidas quanto a isso...
Não basta, de resto, o que diz a lei, é preciso que os novos profissionais sejam capazes, no terreno, de adoptar comportamentos ética e deontologicamente correctos, o que está longe de ser sinónimo de demagogia, irrealismo ou fundamentalismo...
C. Gamelas: “Se o Técnico Superior [ de Segurança e Higiene do Trabalho ] pretende executar a sua actividade de acordo com a sua deontologia profissional, o mais certo é ficar sempre no desemprego (Ergolist. 26.11.2003)
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O país precisa (e as nossas empresas merecem) que os nossos profissionais na área da SH&ST (médicos e enfermeiros do trabalho, especialistas e técnicos de segurança e higiene do trabalho, ergonomistas, psicólogos, sociólogos, assistentes sociais ocupacionais, educadores e promotores de saúde...) sejam os melhores do mundo. Isto é: que sejam cientifica e tecnicamente bem preparados, mas também dotados das competências humanas, relacionais e sociais que são inerentes ao seu campo de competência profissional e que fazem parte do conceito de autonomia técnica.
Não posso, por isso, concordar com a afirmação de que um técnico superior de segurança e higiene do trabalho eticamente responsável (logo, competente) fique automaticamente excluído do mercado de trabalho... Admito que pelo seu grau de exigência e de rigor poderá não querer trabalhar a qualquer preço e em qualquer sítio...
Todas as profissões têm (ou devem ter) um código de ética e deontologia. É esperado, no mínimo, que a sua conduta seja pautada por valores. No caso dos profissionais de SH&ST esses valores são exigentes e até têm moldura jurídica.
O técnico superior de segurança e higiene do trabalho não pode, obviamente, substituir-se ao empregador e aos seus representantes. E muito menos decidir por ele. Deve, em todo o caso, pôr à sua disposição todas as possíveis soluções para um dado problema com implicações na saúde e segurança dos seus trabalhadores. Deve avaliar as consequências de cada uma dessas soluções, incluindo os custos e os benefícios em temos económicos e sociais.
Decidir é escolher uma de entre várias alternativas. O papel dos gestores é tomar decisões e resolver problemas. O técnico superior de segurança e higiene do trabalhador não faz parte do line (hierarquia), faz parte do staff (serviços funcionais). Não é um decisor, a menos que lhe deleguem funções executivas...
Os gestores também devem pautar o seu comportamento por valores éticos. E hoje há uma coisa que se chama "responsabilidade social" das empresas e que começa a ser valorizada pelos accionistas, pelos clientes, pela opinião pública... E pelos próprios gestores e empregadores, porque também pode e deve "dar dividendos".
Estamos todos de acordo quanto à urgência de as associações profissionais dos profissionais de SH&ST tomarem posição clara e inequívoca sobre as questões de ética e deontologia no exercício da sua actividade. Refiro-me em especial ao médico do trabalho, ao enfermeiro do trabalho, ao técnico de segurança e higiene do trabalho e ao técnico superior de segurança e higiene do trabalho.
De qualquer modo, considero que podemos e devemos continuar a discutir, neste e noutros espaços, as questão de ética e deontologia das profissões na área da SH&ST. Infelizmente, estas questões são sempre as menos prioritárias e as mais incómodas.
Espero bem que estas questões estejam a ser extensa e profundamente abordadas, por quem de direito, nos cursos de pós-graduação para técnicos superiores de segurança e higiene do trabalho... Mas devo dizer que tenho sérias dúvidas quanto a isso...
Não basta, de resto, o que diz a lei, é preciso que os novos profissionais sejam capazes, no terreno, de adoptar comportamentos ética e deontologicamente correctos, o que está longe de ser sinónimo de demagogia, irrealismo ou fundamentalismo...
Saúde & Segurança do Trabalho - XII: Dinheiro e deontologia
F. Gaspar: “Cerca de 45 anos a visitar empresas em Portugal (...) permitem-me dizer-lhe que esse conflito de interesses [ empregador / profissionais de SH&ST], é muito real. Tudo tem início no acto da contratação do médico do trabalho ou, agora mais recentemente, com a escolha da empresa que possa prestar serviços nessa área, tal como prevê a lei. Quem não assiste ao quotidiano das empresas não pode imaginar o que se passa. Como os contos são largos e, nalguns casos, muito ‘cabeludos’, talvez haja um dia a oportunidade de trocarmos impressões sobre esta matéria e eu contar-lhe algumas histórias reais. Fica aqui, nas entrelinhas, aquilo que me apetecia dizer dos jogos de força entre a deontologia e o dinheiro... Pelo menos, para que os menos avisados e os debutantes nesta profissão consigam navegar neste rio caudaloso de interesses” (Ergolist. 26.11.2003).
C. Gamelas: “Se o Técnico Superior [ de Segurança e Higiene do Trabalho ] pretende executar a sua actividade de acordo com a sua deontologia profissional, o mais certo é ficar sempre no desemprego (Ergolist. 26.11.2003)
_________
O país precisa (e as nossas empresas merecem) que os nossos profissionais na área da SH&ST (médicos e enfermeiros do trabalho, especialistas e técnicos de segurança e higiene do trabalho, ergonomistas, psicólogos, sociólogos, assistentes sociais ocupacionais, educadores e promotores de saúde...) sejam os melhores do mundo. Isto é: que sejam cientifica e tecnicamente bem preparados, mas também dotados das competências humanas, relacionais e sociais que são inerentes ao seu campo de competência profissional e que fazem parte do conceito de autonomia técnica.
Não posso, por isso, concordar com a afirmação de que um técnico superior de segurança e higiene do trabalho eticamente responsável (logo, competente) fique automaticamente excluído do mercado de trabalho... Admito que pelo seu grau de exigência e de rigor poderá não querer trabalhar a qualquer preço e em qualquer sítio...
Todas as profissões têm (ou devem ter) um código de ética e deontologia. É esperado, no mínimo, que a sua conduta seja pautada por valores. No caso dos profissionais de SH&ST esses valores são exigentes e até têm moldura jurídica.
O técnico superior de segurança e higiene do trabalho não pode, obviamente, substituir-se ao empregador e aos seus representantes. E muito menos decidir por ele. Deve, em todo o caso, pôr à sua disposição todas as possíveis soluções para um dado problema com implicações na saúde e segurança dos seus trabalhadores. Deve avaliar as consequências de cada uma dessas soluções, incluindo os custos e os benefícios em temos económicos e sociais.
Decidir é escolher uma de entre várias alternativas. O papel dos gestores é tomar decisões e resolver problemas. O técnico superior de segurança e higiene do trabalhador não faz parte do line (hierarquia), faz parte do staff (serviços funcionais). Não é um decisor, a menos que lhe deleguem funções executivas...
Os gestores também devem pautar o seu comportamento por valores éticos. E hoje há uma coisa que se chama "responsabilidade social" das empresas e que começa a ser valorizada pelos accionistas, pelos clientes, pela opinião pública... E pelos próprios gestores e empregadores, porque também pode e deve "dar dividendos".
Estamos todos de acordo quanto à urgência de as associações profissionais dos profissionais de SH&ST tomarem posição clara e inequívoca sobre as questões de ética e deontologia no exercício da sua actividade. Refiro-me em especial ao médico do trabalho, ao enfermeiro do trabalho, ao técnico de segurança e higiene do trabalho e ao técnico superior de segurança e higiene do trabalho.
De qualquer modo, considero que podemos e devemos continuar a discutir, neste e noutros espaços, as questão de ética e deontologia das profissões na área da SH&ST. Infelizmente, estas questões são sempre as menos prioritárias e as mais incómodas.
Espero bem que estas questões estejam a ser extensa e profundamente abordadas, por quem de direito, nos cursos de pós-graduação para técnicos superiores de segurança e higiene do trabalho... Mas devo dizer que tenho sérias dúvidas quanto a isso...
Não basta, de resto, o que diz a lei, é preciso que os novos profissionais sejam capazes, no terreno, de adoptar comportamentos ética e deontologicamente correctos, o que está longe de ser sinónimo de demagogia, irrealismo ou fundamentalismo...
C. Gamelas: “Se o Técnico Superior [ de Segurança e Higiene do Trabalho ] pretende executar a sua actividade de acordo com a sua deontologia profissional, o mais certo é ficar sempre no desemprego (Ergolist. 26.11.2003)
_________
O país precisa (e as nossas empresas merecem) que os nossos profissionais na área da SH&ST (médicos e enfermeiros do trabalho, especialistas e técnicos de segurança e higiene do trabalho, ergonomistas, psicólogos, sociólogos, assistentes sociais ocupacionais, educadores e promotores de saúde...) sejam os melhores do mundo. Isto é: que sejam cientifica e tecnicamente bem preparados, mas também dotados das competências humanas, relacionais e sociais que são inerentes ao seu campo de competência profissional e que fazem parte do conceito de autonomia técnica.
Não posso, por isso, concordar com a afirmação de que um técnico superior de segurança e higiene do trabalho eticamente responsável (logo, competente) fique automaticamente excluído do mercado de trabalho... Admito que pelo seu grau de exigência e de rigor poderá não querer trabalhar a qualquer preço e em qualquer sítio...
Todas as profissões têm (ou devem ter) um código de ética e deontologia. É esperado, no mínimo, que a sua conduta seja pautada por valores. No caso dos profissionais de SH&ST esses valores são exigentes e até têm moldura jurídica.
O técnico superior de segurança e higiene do trabalho não pode, obviamente, substituir-se ao empregador e aos seus representantes. E muito menos decidir por ele. Deve, em todo o caso, pôr à sua disposição todas as possíveis soluções para um dado problema com implicações na saúde e segurança dos seus trabalhadores. Deve avaliar as consequências de cada uma dessas soluções, incluindo os custos e os benefícios em temos económicos e sociais.
Decidir é escolher uma de entre várias alternativas. O papel dos gestores é tomar decisões e resolver problemas. O técnico superior de segurança e higiene do trabalhador não faz parte do line (hierarquia), faz parte do staff (serviços funcionais). Não é um decisor, a menos que lhe deleguem funções executivas...
Os gestores também devem pautar o seu comportamento por valores éticos. E hoje há uma coisa que se chama "responsabilidade social" das empresas e que começa a ser valorizada pelos accionistas, pelos clientes, pela opinião pública... E pelos próprios gestores e empregadores, porque também pode e deve "dar dividendos".
Estamos todos de acordo quanto à urgência de as associações profissionais dos profissionais de SH&ST tomarem posição clara e inequívoca sobre as questões de ética e deontologia no exercício da sua actividade. Refiro-me em especial ao médico do trabalho, ao enfermeiro do trabalho, ao técnico de segurança e higiene do trabalho e ao técnico superior de segurança e higiene do trabalho.
De qualquer modo, considero que podemos e devemos continuar a discutir, neste e noutros espaços, as questão de ética e deontologia das profissões na área da SH&ST. Infelizmente, estas questões são sempre as menos prioritárias e as mais incómodas.
Espero bem que estas questões estejam a ser extensa e profundamente abordadas, por quem de direito, nos cursos de pós-graduação para técnicos superiores de segurança e higiene do trabalho... Mas devo dizer que tenho sérias dúvidas quanto a isso...
Não basta, de resto, o que diz a lei, é preciso que os novos profissionais sejam capazes, no terreno, de adoptar comportamentos ética e deontologicamente correctos, o que está longe de ser sinónimo de demagogia, irrealismo ou fundamentalismo...
26 novembro 2003
Humor com humor se paga - XV: O segredo está na...pontuação!
An English professor wrote the words: "A woman without her man is nothing" on the chalkboard and asked his students to punctuate it correctly.
All of the males in the class wrote: " A woman, without her man, is nothing".
All the females in the class wrote: "A woman: without her, man is nothing".
_________
PS - 100% dos créditos vão para o meu amigo Anacleto M., o andarilho global. Foi ele que mandou esta gender-related joke. Talvez de Jacarta ou de algum lugar ainda mais oriental do oriente. Bons ventos te tragam, meu!
All of the males in the class wrote: " A woman, without her man, is nothing".
All the females in the class wrote: "A woman: without her, man is nothing".
_________
PS - 100% dos créditos vão para o meu amigo Anacleto M., o andarilho global. Foi ele que mandou esta gender-related joke. Talvez de Jacarta ou de algum lugar ainda mais oriental do oriente. Bons ventos te tragam, meu!
Humor com humor se paga - XV: O segredo está na...pontuação!
An English professor wrote the words: "A woman without her man is nothing" on the chalkboard and asked his students to punctuate it correctly.
All of the males in the class wrote: " A woman, without her man, is nothing".
All the females in the class wrote: "A woman: without her, man is nothing".
_________
PS - 100% dos créditos vão para o meu amigo Anacleto M., o andarilho global. Foi ele que mandou esta gender-related joke. Talvez de Jacarta ou de algum lugar ainda mais oriental do oriente. Bons ventos te tragam, meu!
All of the males in the class wrote: " A woman, without her man, is nothing".
All the females in the class wrote: "A woman: without her, man is nothing".
_________
PS - 100% dos créditos vão para o meu amigo Anacleto M., o andarilho global. Foi ele que mandou esta gender-related joke. Talvez de Jacarta ou de algum lugar ainda mais oriental do oriente. Bons ventos te tragam, meu!
Portugas que merecem as nossas palmas – IV: Patrick Monteiro Barros e Jorge Sampaio
O primeiro, por ter ousado trazer para Lisboa-Cascais a organização da 32ª edição da Taça América (America Cup). O segundo, porque na hora de se saber que o vencedor fora a cidade de Valência, transmitiu ao resto dos portugas uma mensagem serena de reforço positivo da sua auto-estima e deu uma lição de pedagogia cívica: (i) não se pode ganhar sempre, mesmo lutando com valentia e inteligência; (ii) os portugas foram altamente profissionais (Patrick Monteiro Barros & Companhia Lda) na preparação desta candidatura; (iii) Lisboa-Cascais foi promovida e está na alta roda da aristocracia da vela; e, last but not the least, (iv) não há vencidos nem muito menos bodes expiatórios...
É lamentável que se insinue que a culpa é dos desgraçados dos pescadores que perderam um porto de abrigo e uma lota de pesca. Alguém soube negociar com eles numa perspectiva win-win, senhor ministro Arnault ? Foi feito um pacto de regime com o Sindicato dos Pescadores com vista a "ninguém meter a pata na poça" antes da decisão final sobre a cidade escolhida para organizar em 2007 a Taça América ?
Apesar de tudo, garante o Governo, a reconversão da zona ribeirinha de Lisboa-Oeiras vai prosseguir. Oxalá, dizem os mouros.
É lamentável que se insinue que a culpa é dos desgraçados dos pescadores que perderam um porto de abrigo e uma lota de pesca. Alguém soube negociar com eles numa perspectiva win-win, senhor ministro Arnault ? Foi feito um pacto de regime com o Sindicato dos Pescadores com vista a "ninguém meter a pata na poça" antes da decisão final sobre a cidade escolhida para organizar em 2007 a Taça América ?
Apesar de tudo, garante o Governo, a reconversão da zona ribeirinha de Lisboa-Oeiras vai prosseguir. Oxalá, dizem os mouros.
Portugas que merecem as nossas palmas – IV: Patrick Monteiro Barros e Jorge Sampaio
O primeiro, por ter ousado trazer para Lisboa-Cascais a organização da 32ª edição da Taça América (America Cup). O segundo, porque na hora de se saber que o vencedor fora a cidade de Valência, transmitiu ao resto dos portugas uma mensagem serena de reforço positivo da sua auto-estima e deu uma lição de pedagogia cívica: (i) não se pode ganhar sempre, mesmo lutando com valentia e inteligência; (ii) os portugas foram altamente profissionais (Patrick Monteiro Barros & Companhia Lda) na preparação desta candidatura; (iii) Lisboa-Cascais foi promovida e está na alta roda da aristocracia da vela; e, last but not the least, (iv) não há vencidos nem muito menos bodes expiatórios...
É lamentável que se insinue que a culpa é dos desgraçados dos pescadores que perderam um porto de abrigo e uma lota de pesca. Alguém soube negociar com eles numa perspectiva win-win, senhor ministro Arnault ? Foi feito um pacto de regime com o Sindicato dos Pescadores com vista a "ninguém meter a pata na poça" antes da decisão final sobre a cidade escolhida para organizar em 2007 a Taça América ?
Apesar de tudo, garante o Governo, a reconversão da zona ribeirinha de Lisboa-Oeiras vai prosseguir. Oxalá, dizem os mouros.
É lamentável que se insinue que a culpa é dos desgraçados dos pescadores que perderam um porto de abrigo e uma lota de pesca. Alguém soube negociar com eles numa perspectiva win-win, senhor ministro Arnault ? Foi feito um pacto de regime com o Sindicato dos Pescadores com vista a "ninguém meter a pata na poça" antes da decisão final sobre a cidade escolhida para organizar em 2007 a Taça América ?
Apesar de tudo, garante o Governo, a reconversão da zona ribeirinha de Lisboa-Oeiras vai prosseguir. Oxalá, dizem os mouros.
25 novembro 2003
Saúde & Segurança do Trabalho - XI: Inspectores, precisam-se?!
O Ministro da Segurança Social e do Trabalho deu hoje posse a mais de meia centena de novos inspectores do trabalho. Ao que parece, a Inspecção Geral do Trabalho (IGT) vai ter trabalho acrescido (e possivelmente vai ter que fazer horas extraordinárias...) a partir da entrada em vigor do Código do Trabalho, em 1 de Dezembro próximo.
E a área da SH&ST, acrescento eu, vai ser beneficiada, vai ser prejudicada, vai ficar em “águas de bacalhau”, como diz o povo ? O que eu ouvi ao sr. ministro dizer, na televisão, é que se tratava de rejuvenescer o pessoal da IGT. Entra sangue novo para a IGT, o que é bom, dado o envelhecimento do pessoal. Por outro lado, fica claro que esta não é uma função que o Estado queira privatizar, pelo menos nos tempos mais próximos.
Entre nós a inspecção do trabalho tem mais de cem anos: foi criada em 1893, em pleno Estado Liberal, numa época (a da primeira integração económica europeia e da primeira globalização com a expansão colonial...) em que se discutia a necessidade e a urgência de se criar um direito do trabalho internacional (Portugal foi um dos 14 países pioneiros que apoiou esse movimento, tendo participado na Conferência Internacional do Trabalho de 1890, em Berlim).
O sr. ministro prometeu, além disso, libertar a IGT de "tarefas administrativas", como a concessão de isenção de horário de trabalho, um assunto em que o Estado não tem que meter o bedelho, a não ser para fiscalizar o cumprimento do que for acordado pelas partes (cito de cor). Não dei conta que tivesse dado particular ênfase ou relevância à SH&ST. Mas pode ter sido distracção minha ou do jornalista.
De acordo com um estudo piloto sobre o estado da saúde e segurança no trabalho na União Europeia, publicado em 2000 pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, com sede em Bilbau, Portugal dispunha em 1998 de cerca de 300 inspectores do trabalho para uma população trabalhadora empregada de 4250 mil pessoas (1996), ou seja, um rácio de 1 inspector por cada 14167 trabalhadores (o equivalente a 1 inspector para todo o universo do Grupo EDP).
Esse rácio era mais favorável noutros países como, por exemplo, a Finlândia (1/1837), o Reino Unido (1/3406), a Alemanha (1/3632), a Itália (1/5551), a Dinamarca (1/ 8437), a Áustria (1/9831), a Suécia (1/10000), o Luxemburgo (1/11045), a França ( 1/13796).
Em contrapartida Portugal tinha um rácio mais favorável do que a Grécia (1/24287), a Irlanda (1/22071), a Espanha (1/18973), a Bélgica (1/18857) ou a Holanda (1/18732).
Mas, atenção, o nosso tecido empresarial é dominado esmagadoramente pelas MPE (micro e pequenas empresas). Em números grosseiros, haverá mil empresas, com pessoal ao serviço, por cada inspector do trabalho (ficam de fora mais de 700 mil empresários em nome individual e sem trabalhadores ao seu serviço).
Por outro lado, é bom não esquecer que, tal como nos outros Estados membros (com excepção da Bélgica, Dinamarca, Grécia, Irlanda e Suécia), os inspectores do trabalho portugueses têm outras competências para além da fiscalização da legislação e regulamentação da SH&ST.
Não se sabe quanto tempo (médio) é que é dedicada à área da SH&ST pela Inspecção-Geral do Trabalho. A proporção de tempo é variável de país para país: por exemplo, 95% na Finlândia, 90% na Holanda 70% na Itália, 64% no Luxemburgo, 47% em França, 40% em Espanha e 23% no Reino Unido (Também não havia dados disponíveis em relação à Áustria e à Alemanha).
No nosso caso poder-se-á fazer uma estimativa a partir dos dados que constam do relatório anual da actividade da IGT. O de 2001 está disponível na página do IDICT/IGT. Mas é pesadíssimo: é um ficheiro pouco ou nada amigável de 32 MB !...
A minha impressão é que os inspectores do trabalho dedicam hoje muito menos tempo (e, se calhar, menos entusiasmo) à SH&ST do que há uns anos atrás. No que serão correspondidos pelos empregadores, trabalhadores e seus representantes. Digo-o sem ironia ou cinismo, digo-o com mágoa. Mas este é um sinal dos tempos...
E a área da SH&ST, acrescento eu, vai ser beneficiada, vai ser prejudicada, vai ficar em “águas de bacalhau”, como diz o povo ? O que eu ouvi ao sr. ministro dizer, na televisão, é que se tratava de rejuvenescer o pessoal da IGT. Entra sangue novo para a IGT, o que é bom, dado o envelhecimento do pessoal. Por outro lado, fica claro que esta não é uma função que o Estado queira privatizar, pelo menos nos tempos mais próximos.
Entre nós a inspecção do trabalho tem mais de cem anos: foi criada em 1893, em pleno Estado Liberal, numa época (a da primeira integração económica europeia e da primeira globalização com a expansão colonial...) em que se discutia a necessidade e a urgência de se criar um direito do trabalho internacional (Portugal foi um dos 14 países pioneiros que apoiou esse movimento, tendo participado na Conferência Internacional do Trabalho de 1890, em Berlim).
O sr. ministro prometeu, além disso, libertar a IGT de "tarefas administrativas", como a concessão de isenção de horário de trabalho, um assunto em que o Estado não tem que meter o bedelho, a não ser para fiscalizar o cumprimento do que for acordado pelas partes (cito de cor). Não dei conta que tivesse dado particular ênfase ou relevância à SH&ST. Mas pode ter sido distracção minha ou do jornalista.
De acordo com um estudo piloto sobre o estado da saúde e segurança no trabalho na União Europeia, publicado em 2000 pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, com sede em Bilbau, Portugal dispunha em 1998 de cerca de 300 inspectores do trabalho para uma população trabalhadora empregada de 4250 mil pessoas (1996), ou seja, um rácio de 1 inspector por cada 14167 trabalhadores (o equivalente a 1 inspector para todo o universo do Grupo EDP).
Esse rácio era mais favorável noutros países como, por exemplo, a Finlândia (1/1837), o Reino Unido (1/3406), a Alemanha (1/3632), a Itália (1/5551), a Dinamarca (1/ 8437), a Áustria (1/9831), a Suécia (1/10000), o Luxemburgo (1/11045), a França ( 1/13796).
Em contrapartida Portugal tinha um rácio mais favorável do que a Grécia (1/24287), a Irlanda (1/22071), a Espanha (1/18973), a Bélgica (1/18857) ou a Holanda (1/18732).
Mas, atenção, o nosso tecido empresarial é dominado esmagadoramente pelas MPE (micro e pequenas empresas). Em números grosseiros, haverá mil empresas, com pessoal ao serviço, por cada inspector do trabalho (ficam de fora mais de 700 mil empresários em nome individual e sem trabalhadores ao seu serviço).
Por outro lado, é bom não esquecer que, tal como nos outros Estados membros (com excepção da Bélgica, Dinamarca, Grécia, Irlanda e Suécia), os inspectores do trabalho portugueses têm outras competências para além da fiscalização da legislação e regulamentação da SH&ST.
Não se sabe quanto tempo (médio) é que é dedicada à área da SH&ST pela Inspecção-Geral do Trabalho. A proporção de tempo é variável de país para país: por exemplo, 95% na Finlândia, 90% na Holanda 70% na Itália, 64% no Luxemburgo, 47% em França, 40% em Espanha e 23% no Reino Unido (Também não havia dados disponíveis em relação à Áustria e à Alemanha).
No nosso caso poder-se-á fazer uma estimativa a partir dos dados que constam do relatório anual da actividade da IGT. O de 2001 está disponível na página do IDICT/IGT. Mas é pesadíssimo: é um ficheiro pouco ou nada amigável de 32 MB !...
A minha impressão é que os inspectores do trabalho dedicam hoje muito menos tempo (e, se calhar, menos entusiasmo) à SH&ST do que há uns anos atrás. No que serão correspondidos pelos empregadores, trabalhadores e seus representantes. Digo-o sem ironia ou cinismo, digo-o com mágoa. Mas este é um sinal dos tempos...
Saúde & Segurança do Trabalho - XI: Inspectores, precisam-se?!
O Ministro da Segurança Social e do Trabalho deu hoje posse a mais de meia centena de novos inspectores do trabalho. Ao que parece, a Inspecção Geral do Trabalho (IGT) vai ter trabalho acrescido (e possivelmente vai ter que fazer horas extraordinárias...) a partir da entrada em vigor do Código do Trabalho, em 1 de Dezembro próximo.
E a área da SH&ST, acrescento eu, vai ser beneficiada, vai ser prejudicada, vai ficar em “águas de bacalhau”, como diz o povo ? O que eu ouvi ao sr. ministro dizer, na televisão, é que se tratava de rejuvenescer o pessoal da IGT. Entra sangue novo para a IGT, o que é bom, dado o envelhecimento do pessoal. Por outro lado, fica claro que esta não é uma função que o Estado queira privatizar, pelo menos nos tempos mais próximos.
Entre nós a inspecção do trabalho tem mais de cem anos: foi criada em 1893, em pleno Estado Liberal, numa época (a da primeira integração económica europeia e da primeira globalização com a expansão colonial...) em que se discutia a necessidade e a urgência de se criar um direito do trabalho internacional (Portugal foi um dos 14 países pioneiros que apoiou esse movimento, tendo participado na Conferência Internacional do Trabalho de 1890, em Berlim).
O sr. ministro prometeu, além disso, libertar a IGT de "tarefas administrativas", como a concessão de isenção de horário de trabalho, um assunto em que o Estado não tem que meter o bedelho, a não ser para fiscalizar o cumprimento do que for acordado pelas partes (cito de cor). Não dei conta que tivesse dado particular ênfase ou relevância à SH&ST. Mas pode ter sido distracção minha ou do jornalista.
De acordo com um estudo piloto sobre o estado da saúde e segurança no trabalho na União Europeia, publicado em 2000 pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, com sede em Bilbau, Portugal dispunha em 1998 de cerca de 300 inspectores do trabalho para uma população trabalhadora empregada de 4250 mil pessoas (1996), ou seja, um rácio de 1 inspector por cada 14167 trabalhadores (o equivalente a 1 inspector para todo o universo do Grupo EDP).
Esse rácio era mais favorável noutros países como, por exemplo, a Finlândia (1/1837), o Reino Unido (1/3406), a Alemanha (1/3632), a Itália (1/5551), a Dinamarca (1/ 8437), a Áustria (1/9831), a Suécia (1/10000), o Luxemburgo (1/11045), a França ( 1/13796).
Em contrapartida Portugal tinha um rácio mais favorável do que a Grécia (1/24287), a Irlanda (1/22071), a Espanha (1/18973), a Bélgica (1/18857) ou a Holanda (1/18732).
Mas, atenção, o nosso tecido empresarial é dominado esmagadoramente pelas MPE (micro e pequenas empresas). Em números grosseiros, haverá mil empresas, com pessoal ao serviço, por cada inspector do trabalho (ficam de fora mais de 700 mil empresários em nome individual e sem trabalhadores ao seu serviço).
Por outro lado, é bom não esquecer que, tal como nos outros Estados membros (com excepção da Bélgica, Dinamarca, Grécia, Irlanda e Suécia), os inspectores do trabalho portugueses têm outras competências para além da fiscalização da legislação e regulamentação da SH&ST.
Não se sabe quanto tempo (médio) é que é dedicada à área da SH&ST pela Inspecção-Geral do Trabalho. A proporção de tempo é variável de país para país: por exemplo, 95% na Finlândia, 90% na Holanda 70% na Itália, 64% no Luxemburgo, 47% em França, 40% em Espanha e 23% no Reino Unido (Também não havia dados disponíveis em relação à Áustria e à Alemanha).
No nosso caso poder-se-á fazer uma estimativa a partir dos dados que constam do relatório anual da actividade da IGT. O de 2001 está disponível na página do IDICT/IGT. Mas é pesadíssimo: é um ficheiro pouco ou nada amigável de 32 MB !...
A minha impressão é que os inspectores do trabalho dedicam hoje muito menos tempo (e, se calhar, menos entusiasmo) à SH&ST do que há uns anos atrás. No que serão correspondidos pelos empregadores, trabalhadores e seus representantes. Digo-o sem ironia ou cinismo, digo-o com mágoa. Mas este é um sinal dos tempos...
E a área da SH&ST, acrescento eu, vai ser beneficiada, vai ser prejudicada, vai ficar em “águas de bacalhau”, como diz o povo ? O que eu ouvi ao sr. ministro dizer, na televisão, é que se tratava de rejuvenescer o pessoal da IGT. Entra sangue novo para a IGT, o que é bom, dado o envelhecimento do pessoal. Por outro lado, fica claro que esta não é uma função que o Estado queira privatizar, pelo menos nos tempos mais próximos.
Entre nós a inspecção do trabalho tem mais de cem anos: foi criada em 1893, em pleno Estado Liberal, numa época (a da primeira integração económica europeia e da primeira globalização com a expansão colonial...) em que se discutia a necessidade e a urgência de se criar um direito do trabalho internacional (Portugal foi um dos 14 países pioneiros que apoiou esse movimento, tendo participado na Conferência Internacional do Trabalho de 1890, em Berlim).
O sr. ministro prometeu, além disso, libertar a IGT de "tarefas administrativas", como a concessão de isenção de horário de trabalho, um assunto em que o Estado não tem que meter o bedelho, a não ser para fiscalizar o cumprimento do que for acordado pelas partes (cito de cor). Não dei conta que tivesse dado particular ênfase ou relevância à SH&ST. Mas pode ter sido distracção minha ou do jornalista.
De acordo com um estudo piloto sobre o estado da saúde e segurança no trabalho na União Europeia, publicado em 2000 pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, com sede em Bilbau, Portugal dispunha em 1998 de cerca de 300 inspectores do trabalho para uma população trabalhadora empregada de 4250 mil pessoas (1996), ou seja, um rácio de 1 inspector por cada 14167 trabalhadores (o equivalente a 1 inspector para todo o universo do Grupo EDP).
Esse rácio era mais favorável noutros países como, por exemplo, a Finlândia (1/1837), o Reino Unido (1/3406), a Alemanha (1/3632), a Itália (1/5551), a Dinamarca (1/ 8437), a Áustria (1/9831), a Suécia (1/10000), o Luxemburgo (1/11045), a França ( 1/13796).
Em contrapartida Portugal tinha um rácio mais favorável do que a Grécia (1/24287), a Irlanda (1/22071), a Espanha (1/18973), a Bélgica (1/18857) ou a Holanda (1/18732).
Mas, atenção, o nosso tecido empresarial é dominado esmagadoramente pelas MPE (micro e pequenas empresas). Em números grosseiros, haverá mil empresas, com pessoal ao serviço, por cada inspector do trabalho (ficam de fora mais de 700 mil empresários em nome individual e sem trabalhadores ao seu serviço).
Por outro lado, é bom não esquecer que, tal como nos outros Estados membros (com excepção da Bélgica, Dinamarca, Grécia, Irlanda e Suécia), os inspectores do trabalho portugueses têm outras competências para além da fiscalização da legislação e regulamentação da SH&ST.
Não se sabe quanto tempo (médio) é que é dedicada à área da SH&ST pela Inspecção-Geral do Trabalho. A proporção de tempo é variável de país para país: por exemplo, 95% na Finlândia, 90% na Holanda 70% na Itália, 64% no Luxemburgo, 47% em França, 40% em Espanha e 23% no Reino Unido (Também não havia dados disponíveis em relação à Áustria e à Alemanha).
No nosso caso poder-se-á fazer uma estimativa a partir dos dados que constam do relatório anual da actividade da IGT. O de 2001 está disponível na página do IDICT/IGT. Mas é pesadíssimo: é um ficheiro pouco ou nada amigável de 32 MB !...
A minha impressão é que os inspectores do trabalho dedicam hoje muito menos tempo (e, se calhar, menos entusiasmo) à SH&ST do que há uns anos atrás. No que serão correspondidos pelos empregadores, trabalhadores e seus representantes. Digo-o sem ironia ou cinismo, digo-o com mágoa. Mas este é um sinal dos tempos...
Saúde & Segurança do Trabalho - X: (In)dependência(s)
1. A nossa legislação reconhece o princípio da independência dos profissionais de SH&ST. No caso do médico do trabalho, e qualquer que seja a modalidade de serviço de SH&ST (interno, externo ou interempresas), o legislador diz explicitamente ele que deverá exercer as suas funções com independência técnica e em estrita obediência aos princípios de deontologia profissional (nº 5 do art. 25º do D.L. nº 26/94).
Tal não impede a existência de um conflito (latente) entre o exercício da medicina do trabalho e os imperativos da gestão ou os interesses dos empregadores. E, contrariamente ao que se passa, por exemplo, na Bélgica (Loi du 27 Décembre 1977), em Portugal não há, em minha opinião, suficiente protecção legal do médico do trabalho em caso de tentativa de rescisão, por parte do empregador, do contrato individual de trabalho ou do contrato de prestação de serviço, nomeadamente quando os motivos invocados são susceptíveis de ferir a sua “independência técnica e moral”.
2. O mesmo se passa, de resto, com o técnico superior de segurança e higiene do trabalho (abreviadamente, S&HT), que tem um perfil ainda mais exigente ou, pelo menos, mais detalhado. Assim, no exercício da sua actividade, o técnico superior de S&HT (i) deve sempre pautar-se pelo respeito dos seus princípios de deontologia profissional; e, nomeadamente, (ii) deve “considerar a segurança e a saúde dos trabalhadores como factores prioritários da sua intervenção”, conforme disposto na alínea a) do nº 1 do art. 4º do D.L. nº 110/2000, de 30 de Junho de 2000.
No entanto, pôr a segurança e a saúde dos trabalhadores acima dos interesses imediatos do empregador pode, em deteminadas circunstâncias, levar a um conflito entre ambas as partes, o empregador e o técnico superior de S&HT.
Qual é a opinião d@s car@s ciberamig@s sobre esta questão ?
Tal não impede a existência de um conflito (latente) entre o exercício da medicina do trabalho e os imperativos da gestão ou os interesses dos empregadores. E, contrariamente ao que se passa, por exemplo, na Bélgica (Loi du 27 Décembre 1977), em Portugal não há, em minha opinião, suficiente protecção legal do médico do trabalho em caso de tentativa de rescisão, por parte do empregador, do contrato individual de trabalho ou do contrato de prestação de serviço, nomeadamente quando os motivos invocados são susceptíveis de ferir a sua “independência técnica e moral”.
2. O mesmo se passa, de resto, com o técnico superior de segurança e higiene do trabalho (abreviadamente, S&HT), que tem um perfil ainda mais exigente ou, pelo menos, mais detalhado. Assim, no exercício da sua actividade, o técnico superior de S&HT (i) deve sempre pautar-se pelo respeito dos seus princípios de deontologia profissional; e, nomeadamente, (ii) deve “considerar a segurança e a saúde dos trabalhadores como factores prioritários da sua intervenção”, conforme disposto na alínea a) do nº 1 do art. 4º do D.L. nº 110/2000, de 30 de Junho de 2000.
No entanto, pôr a segurança e a saúde dos trabalhadores acima dos interesses imediatos do empregador pode, em deteminadas circunstâncias, levar a um conflito entre ambas as partes, o empregador e o técnico superior de S&HT.
Qual é a opinião d@s car@s ciberamig@s sobre esta questão ?
Saúde & Segurança do Trabalho - X: (In)dependência(s)
1. A nossa legislação reconhece o princípio da independência dos profissionais de SH&ST. No caso do médico do trabalho, e qualquer que seja a modalidade de serviço de SH&ST (interno, externo ou interempresas), o legislador diz explicitamente ele que deverá exercer as suas funções com independência técnica e em estrita obediência aos princípios de deontologia profissional (nº 5 do art. 25º do D.L. nº 26/94).
Tal não impede a existência de um conflito (latente) entre o exercício da medicina do trabalho e os imperativos da gestão ou os interesses dos empregadores. E, contrariamente ao que se passa, por exemplo, na Bélgica (Loi du 27 Décembre 1977), em Portugal não há, em minha opinião, suficiente protecção legal do médico do trabalho em caso de tentativa de rescisão, por parte do empregador, do contrato individual de trabalho ou do contrato de prestação de serviço, nomeadamente quando os motivos invocados são susceptíveis de ferir a sua “independência técnica e moral”.
2. O mesmo se passa, de resto, com o técnico superior de segurança e higiene do trabalho (abreviadamente, S&HT), que tem um perfil ainda mais exigente ou, pelo menos, mais detalhado. Assim, no exercício da sua actividade, o técnico superior de S&HT (i) deve sempre pautar-se pelo respeito dos seus princípios de deontologia profissional; e, nomeadamente, (ii) deve “considerar a segurança e a saúde dos trabalhadores como factores prioritários da sua intervenção”, conforme disposto na alínea a) do nº 1 do art. 4º do D.L. nº 110/2000, de 30 de Junho de 2000.
No entanto, pôr a segurança e a saúde dos trabalhadores acima dos interesses imediatos do empregador pode, em deteminadas circunstâncias, levar a um conflito entre ambas as partes, o empregador e o técnico superior de S&HT.
Qual é a opinião d@s car@s ciberamig@s sobre esta questão ?
Tal não impede a existência de um conflito (latente) entre o exercício da medicina do trabalho e os imperativos da gestão ou os interesses dos empregadores. E, contrariamente ao que se passa, por exemplo, na Bélgica (Loi du 27 Décembre 1977), em Portugal não há, em minha opinião, suficiente protecção legal do médico do trabalho em caso de tentativa de rescisão, por parte do empregador, do contrato individual de trabalho ou do contrato de prestação de serviço, nomeadamente quando os motivos invocados são susceptíveis de ferir a sua “independência técnica e moral”.
2. O mesmo se passa, de resto, com o técnico superior de segurança e higiene do trabalho (abreviadamente, S&HT), que tem um perfil ainda mais exigente ou, pelo menos, mais detalhado. Assim, no exercício da sua actividade, o técnico superior de S&HT (i) deve sempre pautar-se pelo respeito dos seus princípios de deontologia profissional; e, nomeadamente, (ii) deve “considerar a segurança e a saúde dos trabalhadores como factores prioritários da sua intervenção”, conforme disposto na alínea a) do nº 1 do art. 4º do D.L. nº 110/2000, de 30 de Junho de 2000.
No entanto, pôr a segurança e a saúde dos trabalhadores acima dos interesses imediatos do empregador pode, em deteminadas circunstâncias, levar a um conflito entre ambas as partes, o empregador e o técnico superior de S&HT.
Qual é a opinião d@s car@s ciberamig@s sobre esta questão ?
24 novembro 2003
Portugas que merecem os nossos assobios – I: Os lusopessimistas
Os gajos até podem estar com carradas de razão. Independentemente dos humores matinais ou das idiossincrasias de cada um, eles são capazes até de ter razão. Aliás, eles têm razão.
Além disso, eles são figuras públicas, são uns crânios, são opinion-makers, têm provas dadas no seu campo profissional, falam de cátedra. Eles podem usar e abusar do argumento de autoridade. Ao longo da história, os intelectuais têm-no feito. Hoje andam trasvestidos de mediáticos. Têm um acesso privilegiado aos media. Por isso mesmo são intelectuais mediáticos. Dantes falavam em nome do povo, agora falam do povo. Falam, continuam a falar, de cátedra. O povo deixou de ser sujeito (activo), passou a ser objecto (passivo). De crónica, de sebenta, de análise, de reportagem, de artigo de opinião, de cantoria.
É talvez por isso que a gente, quando pode, não poupa os intelectuais mediáticos. Não os poupa ao assobio e à pateada (da populaça). Se a gente não poupa o rei, também não poupa a rainha, o príncipe e por aí abaixo, até ao cão. Eles, os intelectuais mediáticos, estão lá no Olimpo. A apontar para a gente cá em baixo, no inferno. Com dedos inquisitoriais. Ora os portugas não gostam de ser apontados a dedo. Além disso, têm dor de corno. Os portugas são ingartos para com os seus intelectuais mediáticos. Mesmo quando estão na merda e quando são citados como os mais infelizes da Europa (diz o New Scientist que eu não li e ele, o cientista, lá sabe porquê: deve ser por causa do fado, especula o blogador), os portugas não mostram gratidão por quem lhes passa a mão pelo cachaço.
Estre paleio acaba por resumir o estranho e confuso requerimento apresentado pelo Zé Povinho ao blogue-fora-nada. Devo dizer que dá jeito ter à mão de semear uma figura como a do Zé Povinho. Por exemplo, para sentir po pulsar do coração de A Nação. O que é que o Zé Povimnho, a nós, intelectuais, mais blogadores ou mais mediáticos ?
A mensagem é simples como a personagem: Meus senhores, por favor, não batam mais no ceguinho! Um pouco menos de sadomasoquismo não vos fica mal. Pelo menos até 4ª feira, dia 26 de Novembro. Até ao anúncio (oficial) da candidatura vencedora da organização da Taça da América.
Se a gente valer mais, aos olhos-com-cifrões dos suíços, do que o real lóbi espanhol, o milionário lóbi francês ou o mafioso lóbi italiano, então estamos safos. Pelo menos até 2007. Com a primeira década no papo, não há século que nos meta medo. E com o século ganho, o resto do milénio é canja, é um ver-se-te-avias... O Zé Povinho só espera que fiquem algumas sobras para ele. Por isso, please, meus senhores, não comam tudo... Ou não comam tudo de uma só vez. Como fizeram das outras vezes.
António Barreto (figura pública):
”É o momento que os portugueses preferem viver, o sítio onde mais gostam de se encontrar. Em cima da hora, no último minuto, na véspera, à beira do abismo (...). É por isso que fazem tantas coisas mal feitas (...). Ainda por cima, têm o desplante de transformar esses imperdoáveis defeitos em virtude. A que chamam o génio português. É por essas e outras que nunca viverei em paz com o meu passaporte” (Retrato da Semana: À beira do abismo. Público, 23 de Novembro de 2003).
António Pedro Vasconcelos (figura pública):
(...) Portugal entrou em depressão a partir daí [do último Mundial Coreia-Japão] porque há uma grande relação entre o futebol e o ‘estado da nação’: o futebol é uma das poucas coisas em que os portugueses acreditam que são um bocadinho melhores do que no resto (...). O país não acredita na selecção. As pessoas estão já a fazer o luto de não ganhar o Europeu porque têm medo de acreditar (...). O clima do país é de depressão (...). Alastra o sentimento de que não somos bons em nada (Entrevista. Texto de Luís Miguel Viana. Pública, revista do Público, 23.11.2003).
PS - Não vale a pena fazer uma hiperligação ao texto do Público, porque este material é efémero e um dia destes a crónica do AB, mais a nossa, vai ingloriamente parar à ciberpubela (caixote do lixo do ciberesapço, em franglês do Minho).
Além disso, eles são figuras públicas, são uns crânios, são opinion-makers, têm provas dadas no seu campo profissional, falam de cátedra. Eles podem usar e abusar do argumento de autoridade. Ao longo da história, os intelectuais têm-no feito. Hoje andam trasvestidos de mediáticos. Têm um acesso privilegiado aos media. Por isso mesmo são intelectuais mediáticos. Dantes falavam em nome do povo, agora falam do povo. Falam, continuam a falar, de cátedra. O povo deixou de ser sujeito (activo), passou a ser objecto (passivo). De crónica, de sebenta, de análise, de reportagem, de artigo de opinião, de cantoria.
É talvez por isso que a gente, quando pode, não poupa os intelectuais mediáticos. Não os poupa ao assobio e à pateada (da populaça). Se a gente não poupa o rei, também não poupa a rainha, o príncipe e por aí abaixo, até ao cão. Eles, os intelectuais mediáticos, estão lá no Olimpo. A apontar para a gente cá em baixo, no inferno. Com dedos inquisitoriais. Ora os portugas não gostam de ser apontados a dedo. Além disso, têm dor de corno. Os portugas são ingartos para com os seus intelectuais mediáticos. Mesmo quando estão na merda e quando são citados como os mais infelizes da Europa (diz o New Scientist que eu não li e ele, o cientista, lá sabe porquê: deve ser por causa do fado, especula o blogador), os portugas não mostram gratidão por quem lhes passa a mão pelo cachaço.
Estre paleio acaba por resumir o estranho e confuso requerimento apresentado pelo Zé Povinho ao blogue-fora-nada. Devo dizer que dá jeito ter à mão de semear uma figura como a do Zé Povinho. Por exemplo, para sentir po pulsar do coração de A Nação. O que é que o Zé Povimnho, a nós, intelectuais, mais blogadores ou mais mediáticos ?
A mensagem é simples como a personagem: Meus senhores, por favor, não batam mais no ceguinho! Um pouco menos de sadomasoquismo não vos fica mal. Pelo menos até 4ª feira, dia 26 de Novembro. Até ao anúncio (oficial) da candidatura vencedora da organização da Taça da América.
Se a gente valer mais, aos olhos-com-cifrões dos suíços, do que o real lóbi espanhol, o milionário lóbi francês ou o mafioso lóbi italiano, então estamos safos. Pelo menos até 2007. Com a primeira década no papo, não há século que nos meta medo. E com o século ganho, o resto do milénio é canja, é um ver-se-te-avias... O Zé Povinho só espera que fiquem algumas sobras para ele. Por isso, please, meus senhores, não comam tudo... Ou não comam tudo de uma só vez. Como fizeram das outras vezes.
António Barreto (figura pública):
”É o momento que os portugueses preferem viver, o sítio onde mais gostam de se encontrar. Em cima da hora, no último minuto, na véspera, à beira do abismo (...). É por isso que fazem tantas coisas mal feitas (...). Ainda por cima, têm o desplante de transformar esses imperdoáveis defeitos em virtude. A que chamam o génio português. É por essas e outras que nunca viverei em paz com o meu passaporte” (Retrato da Semana: À beira do abismo. Público, 23 de Novembro de 2003).
António Pedro Vasconcelos (figura pública):
(...) Portugal entrou em depressão a partir daí [do último Mundial Coreia-Japão] porque há uma grande relação entre o futebol e o ‘estado da nação’: o futebol é uma das poucas coisas em que os portugueses acreditam que são um bocadinho melhores do que no resto (...). O país não acredita na selecção. As pessoas estão já a fazer o luto de não ganhar o Europeu porque têm medo de acreditar (...). O clima do país é de depressão (...). Alastra o sentimento de que não somos bons em nada (Entrevista. Texto de Luís Miguel Viana. Pública, revista do Público, 23.11.2003).
PS - Não vale a pena fazer uma hiperligação ao texto do Público, porque este material é efémero e um dia destes a crónica do AB, mais a nossa, vai ingloriamente parar à ciberpubela (caixote do lixo do ciberesapço, em franglês do Minho).
Portugas que merecem os nossos assobios – I: Os lusopessimistas
Os gajos até podem estar com carradas de razão. Independentemente dos humores matinais ou das idiossincrasias de cada um, eles são capazes até de ter razão. Aliás, eles têm razão.
Além disso, eles são figuras públicas, são uns crânios, são opinion-makers, têm provas dadas no seu campo profissional, falam de cátedra. Eles podem usar e abusar do argumento de autoridade. Ao longo da história, os intelectuais têm-no feito. Hoje andam trasvestidos de mediáticos. Têm um acesso privilegiado aos media. Por isso mesmo são intelectuais mediáticos. Dantes falavam em nome do povo, agora falam do povo. Falam, continuam a falar, de cátedra. O povo deixou de ser sujeito (activo), passou a ser objecto (passivo). De crónica, de sebenta, de análise, de reportagem, de artigo de opinião, de cantoria.
É talvez por isso que a gente, quando pode, não poupa os intelectuais mediáticos. Não os poupa ao assobio e à pateada (da populaça). Se a gente não poupa o rei, também não poupa a rainha, o príncipe e por aí abaixo, até ao cão. Eles, os intelectuais mediáticos, estão lá no Olimpo. A apontar para a gente cá em baixo, no inferno. Com dedos inquisitoriais. Ora os portugas não gostam de ser apontados a dedo. Além disso, têm dor de corno. Os portugas são ingartos para com os seus intelectuais mediáticos. Mesmo quando estão na merda e quando são citados como os mais infelizes da Europa (diz o New Scientist que eu não li e ele, o cientista, lá sabe porquê: deve ser por causa do fado, especula o blogador), os portugas não mostram gratidão por quem lhes passa a mão pelo cachaço.
Estre paleio acaba por resumir o estranho e confuso requerimento apresentado pelo Zé Povinho ao blogue-fora-nada. Devo dizer que dá jeito ter à mão de semear uma figura como a do Zé Povinho. Por exemplo, para sentir po pulsar do coração de A Nação. O que é que o Zé Povimnho, a nós, intelectuais, mais blogadores ou mais mediáticos ?
A mensagem é simples como a personagem: Meus senhores, por favor, não batam mais no ceguinho! Um pouco menos de sadomasoquismo não vos fica mal. Pelo menos até 4ª feira, dia 26 de Novembro. Até ao anúncio (oficial) da candidatura vencedora da organização da Taça da América.
Se a gente valer mais, aos olhos-com-cifrões dos suíços, do que o real lóbi espanhol, o milionário lóbi francês ou o mafioso lóbi italiano, então estamos safos. Pelo menos até 2007. Com a primeira década no papo, não há século que nos meta medo. E com o século ganho, o resto do milénio é canja, é um ver-se-te-avias... O Zé Povinho só espera que fiquem algumas sobras para ele. Por isso, please, meus senhores, não comam tudo... Ou não comam tudo de uma só vez. Como fizeram das outras vezes.
António Barreto (figura pública):
”É o momento que os portugueses preferem viver, o sítio onde mais gostam de se encontrar. Em cima da hora, no último minuto, na véspera, à beira do abismo (...). É por isso que fazem tantas coisas mal feitas (...). Ainda por cima, têm o desplante de transformar esses imperdoáveis defeitos em virtude. A que chamam o génio português. É por essas e outras que nunca viverei em paz com o meu passaporte” (Retrato da Semana: À beira do abismo. Público, 23 de Novembro de 2003).
António Pedro Vasconcelos (figura pública):
(...) Portugal entrou em depressão a partir daí [do último Mundial Coreia-Japão] porque há uma grande relação entre o futebol e o ‘estado da nação’: o futebol é uma das poucas coisas em que os portugueses acreditam que são um bocadinho melhores do que no resto (...). O país não acredita na selecção. As pessoas estão já a fazer o luto de não ganhar o Europeu porque têm medo de acreditar (...). O clima do país é de depressão (...). Alastra o sentimento de que não somos bons em nada (Entrevista. Texto de Luís Miguel Viana. Pública, revista do Público, 23.11.2003).
PS - Não vale a pena fazer uma hiperligação ao texto do Público, porque este material é efémero e um dia destes a crónica do AB, mais a nossa, vai ingloriamente parar à ciberpubela (caixote do lixo do ciberesapço, em franglês do Minho).
Além disso, eles são figuras públicas, são uns crânios, são opinion-makers, têm provas dadas no seu campo profissional, falam de cátedra. Eles podem usar e abusar do argumento de autoridade. Ao longo da história, os intelectuais têm-no feito. Hoje andam trasvestidos de mediáticos. Têm um acesso privilegiado aos media. Por isso mesmo são intelectuais mediáticos. Dantes falavam em nome do povo, agora falam do povo. Falam, continuam a falar, de cátedra. O povo deixou de ser sujeito (activo), passou a ser objecto (passivo). De crónica, de sebenta, de análise, de reportagem, de artigo de opinião, de cantoria.
É talvez por isso que a gente, quando pode, não poupa os intelectuais mediáticos. Não os poupa ao assobio e à pateada (da populaça). Se a gente não poupa o rei, também não poupa a rainha, o príncipe e por aí abaixo, até ao cão. Eles, os intelectuais mediáticos, estão lá no Olimpo. A apontar para a gente cá em baixo, no inferno. Com dedos inquisitoriais. Ora os portugas não gostam de ser apontados a dedo. Além disso, têm dor de corno. Os portugas são ingartos para com os seus intelectuais mediáticos. Mesmo quando estão na merda e quando são citados como os mais infelizes da Europa (diz o New Scientist que eu não li e ele, o cientista, lá sabe porquê: deve ser por causa do fado, especula o blogador), os portugas não mostram gratidão por quem lhes passa a mão pelo cachaço.
Estre paleio acaba por resumir o estranho e confuso requerimento apresentado pelo Zé Povinho ao blogue-fora-nada. Devo dizer que dá jeito ter à mão de semear uma figura como a do Zé Povinho. Por exemplo, para sentir po pulsar do coração de A Nação. O que é que o Zé Povimnho, a nós, intelectuais, mais blogadores ou mais mediáticos ?
A mensagem é simples como a personagem: Meus senhores, por favor, não batam mais no ceguinho! Um pouco menos de sadomasoquismo não vos fica mal. Pelo menos até 4ª feira, dia 26 de Novembro. Até ao anúncio (oficial) da candidatura vencedora da organização da Taça da América.
Se a gente valer mais, aos olhos-com-cifrões dos suíços, do que o real lóbi espanhol, o milionário lóbi francês ou o mafioso lóbi italiano, então estamos safos. Pelo menos até 2007. Com a primeira década no papo, não há século que nos meta medo. E com o século ganho, o resto do milénio é canja, é um ver-se-te-avias... O Zé Povinho só espera que fiquem algumas sobras para ele. Por isso, please, meus senhores, não comam tudo... Ou não comam tudo de uma só vez. Como fizeram das outras vezes.
António Barreto (figura pública):
”É o momento que os portugueses preferem viver, o sítio onde mais gostam de se encontrar. Em cima da hora, no último minuto, na véspera, à beira do abismo (...). É por isso que fazem tantas coisas mal feitas (...). Ainda por cima, têm o desplante de transformar esses imperdoáveis defeitos em virtude. A que chamam o génio português. É por essas e outras que nunca viverei em paz com o meu passaporte” (Retrato da Semana: À beira do abismo. Público, 23 de Novembro de 2003).
António Pedro Vasconcelos (figura pública):
(...) Portugal entrou em depressão a partir daí [do último Mundial Coreia-Japão] porque há uma grande relação entre o futebol e o ‘estado da nação’: o futebol é uma das poucas coisas em que os portugueses acreditam que são um bocadinho melhores do que no resto (...). O país não acredita na selecção. As pessoas estão já a fazer o luto de não ganhar o Europeu porque têm medo de acreditar (...). O clima do país é de depressão (...). Alastra o sentimento de que não somos bons em nada (Entrevista. Texto de Luís Miguel Viana. Pública, revista do Público, 23.11.2003).
PS - Não vale a pena fazer uma hiperligação ao texto do Público, porque este material é efémero e um dia destes a crónica do AB, mais a nossa, vai ingloriamente parar à ciberpubela (caixote do lixo do ciberesapço, em franglês do Minho).
23 novembro 2003
Humor com humor se paga - XIV: O homem e a mulher biónicos
Um homem e uma mulher tinham acabado de se conhecer na noite anterior. Num congresso. Daqueles em que se fala de prospectiva, do futuro radioso da humanidade e sobretudo de negócios. Estão agora num quarto de hotel. Na cama. Fumam um cigarro, depois de terem feito amor (aquia a Margarida Pinbto Rebelo, seria muito mais erótico-satírica do que eu, escrevendo: "depois de terem dado uma queca"). Conversa banal sobre o corpo de cada um.
Ele – Belas mamas... E ainda bem firmes, para quem já passou dos 40...
Ela – Obrigado, mas ainda não cheguei aos entas. O segredo do peito ? 200 ml de silicone em cada uma.
Ele - Viva a ciência, viva a biomedicina!
Ela – Mas também gosto desse teu sorriso... És charmoso.
Ele – Uma boca novinha em folha. Dentes implantados. Uma fortuna.
Ela – Então viva a odontologia!
Ele – E os teus cabelos ? São naturais ?
Ela – Tudo implantes. Mas do melhor material.
Ele - Mas olha que eu não fico atrás de ti...
Ela – Sim, sim.. Impressionante a tua ferramenta, não verga... Qual é o segredo ? Viagra ? Ou coisa ainda melhor ?
Ele – Prótese. Está sempre direita...
Ela - (Ligeiramente perturbada, com o que acaba de ouvir...) E eu a pensar que continuavas excitado por minha causa...
Ele – E estou... Mas olha-me só esse traseiro!...
Ela - Silicone... Apalpa aqui na barriga da perna.
Ele – Mas isso foi uma cirurgia plástica completa!...
Ela - Foi muito mais do que isso. Até mudei de sexo. O meu nome era António...
______
Obrigado à Sandra D. por esta história que me enviou e que circula na Net noutra versão... Dei-lhe o toque de fino recorte literário que elas, a Sandra e a história, mereciam. L.G.
Ele – Belas mamas... E ainda bem firmes, para quem já passou dos 40...
Ela – Obrigado, mas ainda não cheguei aos entas. O segredo do peito ? 200 ml de silicone em cada uma.
Ele - Viva a ciência, viva a biomedicina!
Ela – Mas também gosto desse teu sorriso... És charmoso.
Ele – Uma boca novinha em folha. Dentes implantados. Uma fortuna.
Ela – Então viva a odontologia!
Ele – E os teus cabelos ? São naturais ?
Ela – Tudo implantes. Mas do melhor material.
Ele - Mas olha que eu não fico atrás de ti...
Ela – Sim, sim.. Impressionante a tua ferramenta, não verga... Qual é o segredo ? Viagra ? Ou coisa ainda melhor ?
Ele – Prótese. Está sempre direita...
Ela - (Ligeiramente perturbada, com o que acaba de ouvir...) E eu a pensar que continuavas excitado por minha causa...
Ele – E estou... Mas olha-me só esse traseiro!...
Ela - Silicone... Apalpa aqui na barriga da perna.
Ele – Mas isso foi uma cirurgia plástica completa!...
Ela - Foi muito mais do que isso. Até mudei de sexo. O meu nome era António...
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Obrigado à Sandra D. por esta história que me enviou e que circula na Net noutra versão... Dei-lhe o toque de fino recorte literário que elas, a Sandra e a história, mereciam. L.G.
Humor com humor se paga - XIV: O homem e a mulher biónicos
Um homem e uma mulher tinham acabado de se conhecer na noite anterior. Num congresso. Daqueles em que se fala de prospectiva, do futuro radioso da humanidade e sobretudo de negócios. Estão agora num quarto de hotel. Na cama. Fumam um cigarro, depois de terem feito amor (aquia a Margarida Pinbto Rebelo, seria muito mais erótico-satírica do que eu, escrevendo: "depois de terem dado uma queca"). Conversa banal sobre o corpo de cada um.
Ele – Belas mamas... E ainda bem firmes, para quem já passou dos 40...
Ela – Obrigado, mas ainda não cheguei aos entas. O segredo do peito ? 200 ml de silicone em cada uma.
Ele - Viva a ciência, viva a biomedicina!
Ela – Mas também gosto desse teu sorriso... És charmoso.
Ele – Uma boca novinha em folha. Dentes implantados. Uma fortuna.
Ela – Então viva a odontologia!
Ele – E os teus cabelos ? São naturais ?
Ela – Tudo implantes. Mas do melhor material.
Ele - Mas olha que eu não fico atrás de ti...
Ela – Sim, sim.. Impressionante a tua ferramenta, não verga... Qual é o segredo ? Viagra ? Ou coisa ainda melhor ?
Ele – Prótese. Está sempre direita...
Ela - (Ligeiramente perturbada, com o que acaba de ouvir...) E eu a pensar que continuavas excitado por minha causa...
Ele – E estou... Mas olha-me só esse traseiro!...
Ela - Silicone... Apalpa aqui na barriga da perna.
Ele – Mas isso foi uma cirurgia plástica completa!...
Ela - Foi muito mais do que isso. Até mudei de sexo. O meu nome era António...
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Obrigado à Sandra D. por esta história que me enviou e que circula na Net noutra versão... Dei-lhe o toque de fino recorte literário que elas, a Sandra e a história, mereciam. L.G.
Ele – Belas mamas... E ainda bem firmes, para quem já passou dos 40...
Ela – Obrigado, mas ainda não cheguei aos entas. O segredo do peito ? 200 ml de silicone em cada uma.
Ele - Viva a ciência, viva a biomedicina!
Ela – Mas também gosto desse teu sorriso... És charmoso.
Ele – Uma boca novinha em folha. Dentes implantados. Uma fortuna.
Ela – Então viva a odontologia!
Ele – E os teus cabelos ? São naturais ?
Ela – Tudo implantes. Mas do melhor material.
Ele - Mas olha que eu não fico atrás de ti...
Ela – Sim, sim.. Impressionante a tua ferramenta, não verga... Qual é o segredo ? Viagra ? Ou coisa ainda melhor ?
Ele – Prótese. Está sempre direita...
Ela - (Ligeiramente perturbada, com o que acaba de ouvir...) E eu a pensar que continuavas excitado por minha causa...
Ele – E estou... Mas olha-me só esse traseiro!...
Ela - Silicone... Apalpa aqui na barriga da perna.
Ele – Mas isso foi uma cirurgia plástica completa!...
Ela - Foi muito mais do que isso. Até mudei de sexo. O meu nome era António...
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Obrigado à Sandra D. por esta história que me enviou e que circula na Net noutra versão... Dei-lhe o toque de fino recorte literário que elas, a Sandra e a história, mereciam. L.G.
Socio(b)logia I - A empresa como pai-patrão
Os trabalhadores portugueses deixam a cidadania à porta das fábricas e dos escritórios. Deixam, pelo menos, a cabeça ou uma parte do corpo ou um pedaço da alma... Empregadores e gestores não acham que seja importante a cidadania, a cabeça e outras partes do corpo e da alma dos seus colaboradores. O que interessa é que não faltem, estejam a horas e fiquem quietinhos, a um canto, a trabalhar.
Na década de 1990, os trabalhadores portugueses estavam pior colocados que a generalidade da população trabalhadora da União Europeia em matéria de oportunidades de consulta e participação. De acordo com o Segundo Inquérito Europeu sobre Condições de Trabalho, levado a cabo pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, Portugal era, em 1995, o país dos Quinze onde, por exemplo, (i) era menos provável um trabalhador ser consultado em relação às mudanças ocorridas a nível da organização do trabalho e/ou das condições de trabalho; (ii) ou ter uma conversa franca com o seu chefe directo relativamente à avaliação do seu desempenho. O contraste com a Finlândia, por exemplo, não deixava de ser deveras elucidativo: havia itens em que a diferença entre Portugal e a Finlândia era de 45 ou mais pontos percentuais.
O peso esmagador das microempresas e das empresas de pequena dimensão na estrutura do nosso tecido empresarial, a sua natureza familiar e a sua cultura autoritário-paternalista, bem como a baixa escolaridade do pessoal dirigente e dos quadros superiores (menos de oito anos de escolaridade, em média, segundo o Inquérito Nacional de Saúde 1998/99) não chegam para explicar o nosso défice de participação organizacional e de cidadania empresarial. As empresas infantilizam os seus colaboradores. O empregador ainda é, em Portugal, um pai-patrão. Às vezes até um pai-patrão tirânico que devora os seus filhos.
Mesmo nas maiores e melhores empresas, há uma cultura de gestão que está longe de ser favorável à participação do pessoal. O retrato-robô do nosso gestor de topo não deixa de ser curioso, quando traçado pelos seus congéneres estrangeiros (n=130), a trabalhar e a residir em Portugal, os quais representariam cerca de 17.5% da população de referência estimada.
De facto, na opinião dos gestores de topo, estrangeiros, a residir em Portugal, os nossos executivos (i) são individualistas na sua maneira de pensar (54%); (ii) tendem a não acatar as decisões tomadas nas reuniões com os colaboradores (54%); (iii) fomentam a cultura do presentismo (56%); (iv) não sabem trabalhar de maneira metódica (58%); (v) usam e abusam dos títulos académicos (60%); (vi) são muito formais (70%); (vii) não fazem uma gestão eficiente do tempo (73%); (viii) adoptam um estilo de gestão autocrático (78%); e, por fim, (ix) deixam tudo para o último minuto (82%) (Ad Capital International Search, Portugal; Cranfield University School of Management, UK, 2002). Reparem que estamos a falar dos gestores das nossas maiores e melhores empresas, um clube de executivos selecto, restrito, bem pago.
Quanto a mim há várias explicações, as quais seria fastidioso desenvolver aqui e agora. Em sociobloguês, diria apenas que Portugal (i) não tem uma tradição de ensino (nem muito menos escolas de excelência) na área da gestão; (ii) além disso não conheceu, em devido tempo, o movimento de racionalização do trabalho que teve, historicamente, como referência os nomes de Taylor, Fayol e Ford; e, por fim, (iii) é frágil e imaturo o nosso sistema de relações colectivas de trabalho.
Na década de 1990, os trabalhadores portugueses estavam pior colocados que a generalidade da população trabalhadora da União Europeia em matéria de oportunidades de consulta e participação. De acordo com o Segundo Inquérito Europeu sobre Condições de Trabalho, levado a cabo pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, Portugal era, em 1995, o país dos Quinze onde, por exemplo, (i) era menos provável um trabalhador ser consultado em relação às mudanças ocorridas a nível da organização do trabalho e/ou das condições de trabalho; (ii) ou ter uma conversa franca com o seu chefe directo relativamente à avaliação do seu desempenho. O contraste com a Finlândia, por exemplo, não deixava de ser deveras elucidativo: havia itens em que a diferença entre Portugal e a Finlândia era de 45 ou mais pontos percentuais.
O peso esmagador das microempresas e das empresas de pequena dimensão na estrutura do nosso tecido empresarial, a sua natureza familiar e a sua cultura autoritário-paternalista, bem como a baixa escolaridade do pessoal dirigente e dos quadros superiores (menos de oito anos de escolaridade, em média, segundo o Inquérito Nacional de Saúde 1998/99) não chegam para explicar o nosso défice de participação organizacional e de cidadania empresarial. As empresas infantilizam os seus colaboradores. O empregador ainda é, em Portugal, um pai-patrão. Às vezes até um pai-patrão tirânico que devora os seus filhos.
Mesmo nas maiores e melhores empresas, há uma cultura de gestão que está longe de ser favorável à participação do pessoal. O retrato-robô do nosso gestor de topo não deixa de ser curioso, quando traçado pelos seus congéneres estrangeiros (n=130), a trabalhar e a residir em Portugal, os quais representariam cerca de 17.5% da população de referência estimada.
De facto, na opinião dos gestores de topo, estrangeiros, a residir em Portugal, os nossos executivos (i) são individualistas na sua maneira de pensar (54%); (ii) tendem a não acatar as decisões tomadas nas reuniões com os colaboradores (54%); (iii) fomentam a cultura do presentismo (56%); (iv) não sabem trabalhar de maneira metódica (58%); (v) usam e abusam dos títulos académicos (60%); (vi) são muito formais (70%); (vii) não fazem uma gestão eficiente do tempo (73%); (viii) adoptam um estilo de gestão autocrático (78%); e, por fim, (ix) deixam tudo para o último minuto (82%) (Ad Capital International Search, Portugal; Cranfield University School of Management, UK, 2002). Reparem que estamos a falar dos gestores das nossas maiores e melhores empresas, um clube de executivos selecto, restrito, bem pago.
Quanto a mim há várias explicações, as quais seria fastidioso desenvolver aqui e agora. Em sociobloguês, diria apenas que Portugal (i) não tem uma tradição de ensino (nem muito menos escolas de excelência) na área da gestão; (ii) além disso não conheceu, em devido tempo, o movimento de racionalização do trabalho que teve, historicamente, como referência os nomes de Taylor, Fayol e Ford; e, por fim, (iii) é frágil e imaturo o nosso sistema de relações colectivas de trabalho.
Socio(b)logia I - A empresa como pai-patrão
Os trabalhadores portugueses deixam a cidadania à porta das fábricas e dos escritórios. Deixam, pelo menos, a cabeça ou uma parte do corpo ou um pedaço da alma... Empregadores e gestores não acham que seja importante a cidadania, a cabeça e outras partes do corpo e da alma dos seus colaboradores. O que interessa é que não faltem, estejam a horas e fiquem quietinhos, a um canto, a trabalhar.
Na década de 1990, os trabalhadores portugueses estavam pior colocados que a generalidade da população trabalhadora da União Europeia em matéria de oportunidades de consulta e participação. De acordo com o Segundo Inquérito Europeu sobre Condições de Trabalho, levado a cabo pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, Portugal era, em 1995, o país dos Quinze onde, por exemplo, (i) era menos provável um trabalhador ser consultado em relação às mudanças ocorridas a nível da organização do trabalho e/ou das condições de trabalho; (ii) ou ter uma conversa franca com o seu chefe directo relativamente à avaliação do seu desempenho. O contraste com a Finlândia, por exemplo, não deixava de ser deveras elucidativo: havia itens em que a diferença entre Portugal e a Finlândia era de 45 ou mais pontos percentuais.
O peso esmagador das microempresas e das empresas de pequena dimensão na estrutura do nosso tecido empresarial, a sua natureza familiar e a sua cultura autoritário-paternalista, bem como a baixa escolaridade do pessoal dirigente e dos quadros superiores (menos de oito anos de escolaridade, em média, segundo o Inquérito Nacional de Saúde 1998/99) não chegam para explicar o nosso défice de participação organizacional e de cidadania empresarial. As empresas infantilizam os seus colaboradores. O empregador ainda é, em Portugal, um pai-patrão. Às vezes até um pai-patrão tirânico que devora os seus filhos.
Mesmo nas maiores e melhores empresas, há uma cultura de gestão que está longe de ser favorável à participação do pessoal. O retrato-robô do nosso gestor de topo não deixa de ser curioso, quando traçado pelos seus congéneres estrangeiros (n=130), a trabalhar e a residir em Portugal, os quais representariam cerca de 17.5% da população de referência estimada.
De facto, na opinião dos gestores de topo, estrangeiros, a residir em Portugal, os nossos executivos (i) são individualistas na sua maneira de pensar (54%); (ii) tendem a não acatar as decisões tomadas nas reuniões com os colaboradores (54%); (iii) fomentam a cultura do presentismo (56%); (iv) não sabem trabalhar de maneira metódica (58%); (v) usam e abusam dos títulos académicos (60%); (vi) são muito formais (70%); (vii) não fazem uma gestão eficiente do tempo (73%); (viii) adoptam um estilo de gestão autocrático (78%); e, por fim, (ix) deixam tudo para o último minuto (82%) (Ad Capital International Search, Portugal; Cranfield University School of Management, UK, 2002). Reparem que estamos a falar dos gestores das nossas maiores e melhores empresas, um clube de executivos selecto, restrito, bem pago.
Quanto a mim há várias explicações, as quais seria fastidioso desenvolver aqui e agora. Em sociobloguês, diria apenas que Portugal (i) não tem uma tradição de ensino (nem muito menos escolas de excelência) na área da gestão; (ii) além disso não conheceu, em devido tempo, o movimento de racionalização do trabalho que teve, historicamente, como referência os nomes de Taylor, Fayol e Ford; e, por fim, (iii) é frágil e imaturo o nosso sistema de relações colectivas de trabalho.
Na década de 1990, os trabalhadores portugueses estavam pior colocados que a generalidade da população trabalhadora da União Europeia em matéria de oportunidades de consulta e participação. De acordo com o Segundo Inquérito Europeu sobre Condições de Trabalho, levado a cabo pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, Portugal era, em 1995, o país dos Quinze onde, por exemplo, (i) era menos provável um trabalhador ser consultado em relação às mudanças ocorridas a nível da organização do trabalho e/ou das condições de trabalho; (ii) ou ter uma conversa franca com o seu chefe directo relativamente à avaliação do seu desempenho. O contraste com a Finlândia, por exemplo, não deixava de ser deveras elucidativo: havia itens em que a diferença entre Portugal e a Finlândia era de 45 ou mais pontos percentuais.
O peso esmagador das microempresas e das empresas de pequena dimensão na estrutura do nosso tecido empresarial, a sua natureza familiar e a sua cultura autoritário-paternalista, bem como a baixa escolaridade do pessoal dirigente e dos quadros superiores (menos de oito anos de escolaridade, em média, segundo o Inquérito Nacional de Saúde 1998/99) não chegam para explicar o nosso défice de participação organizacional e de cidadania empresarial. As empresas infantilizam os seus colaboradores. O empregador ainda é, em Portugal, um pai-patrão. Às vezes até um pai-patrão tirânico que devora os seus filhos.
Mesmo nas maiores e melhores empresas, há uma cultura de gestão que está longe de ser favorável à participação do pessoal. O retrato-robô do nosso gestor de topo não deixa de ser curioso, quando traçado pelos seus congéneres estrangeiros (n=130), a trabalhar e a residir em Portugal, os quais representariam cerca de 17.5% da população de referência estimada.
De facto, na opinião dos gestores de topo, estrangeiros, a residir em Portugal, os nossos executivos (i) são individualistas na sua maneira de pensar (54%); (ii) tendem a não acatar as decisões tomadas nas reuniões com os colaboradores (54%); (iii) fomentam a cultura do presentismo (56%); (iv) não sabem trabalhar de maneira metódica (58%); (v) usam e abusam dos títulos académicos (60%); (vi) são muito formais (70%); (vii) não fazem uma gestão eficiente do tempo (73%); (viii) adoptam um estilo de gestão autocrático (78%); e, por fim, (ix) deixam tudo para o último minuto (82%) (Ad Capital International Search, Portugal; Cranfield University School of Management, UK, 2002). Reparem que estamos a falar dos gestores das nossas maiores e melhores empresas, um clube de executivos selecto, restrito, bem pago.
Quanto a mim há várias explicações, as quais seria fastidioso desenvolver aqui e agora. Em sociobloguês, diria apenas que Portugal (i) não tem uma tradição de ensino (nem muito menos escolas de excelência) na área da gestão; (ii) além disso não conheceu, em devido tempo, o movimento de racionalização do trabalho que teve, historicamente, como referência os nomes de Taylor, Fayol e Ford; e, por fim, (iii) é frágil e imaturo o nosso sistema de relações colectivas de trabalho.
22 novembro 2003
(Ex)citações de cada dia - X: O modelo de gestão português
"Os gestores portugueses já afirmam que não basta a modernização tecnológica, mas que é indispensável a actuação no campo dos factores 'imateriais', revela este estudo [da consultora Active Management Group] (Catarina Nunes: Velho modelo impera. Expresso, 22.11.2003).
Ora bolas! E eu a pensar que tinha sido a tribo dos sociólogos do trabalho a pôr em evidência, há muitas luas atrás, isso mesmo, que um dos pontos fracos da nossa estrutura produtiva era a sobrevalorização do determinismo tecnológico no processo de modernização das empresas, o fetichismo tecnológico, a crença positivista no abre-te-sésamo da tecnologia pronta a servir, a redução do processo de inovação à introdução de novas tecnologias e a persistência de filosofias e práticas organizacionais fortemente enraizadas no modelo tradicional de empresa, práticas essas que ignoravam pura e simplesmente os factores sócio-organizacionais, leia-se "imateriais", como factores de produtividade, qualidade e competitividade!...
Os componentes materiais de trabalho, esses, a gente sabe facilmente identificar, inventariar, listar: (i) os locais ou instalações de trabalho; (ii) o ambiente físico de trabalho; (iii) a chave de parafusos, o martelo, o torno mecânico, o computador e todas as demais ferramentas, máquinas e materiais necesssários ao processo de produção, incluindo as matérias-primas; sem esquecer (iv) as substâncias e os agentes químicos, físicos e biológicos, (v) o layout de produção, a par da (vi) organização do trabalho e do tempo de trabalho.
Mais dificilmente objectiváveis são os elementos imateriais do trabalho, tais como: (i) cultura da empresa; (ii) clima organizacional;L (iii) liderança estratégica; (iv) estilos de gestão e chefia; (v) comunicação assertiva; (vi) dinâmica(s) de grupo; (vii) valores, representações simbólicas, identidades profissionais, etc. São afinal as pessoas, os individuos e os grupos de cuja interacção resultam as organizações. É o humanware, meu estúpido!
Daí a importância da formação em Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional na perspectiva da inovação e mudança: não se trata apenas de desenvolver competências técnicas mas também... humanas, relacionais e sociais!
Enfim, é preciso virem os estrangeiros de fora atirar-nos à cara coisas mais feias ou menos bonitas. Há tempos foram os tipos da Ad Capita International Search, depois os gajos do Relatório McKinsey (Portugal 2010: Acelerar o Crescimento da Produtividade)... agora são estes, da Active Management Group...
Não nos queixemos: felizmente nunca nos faltaram amigos da estranja para nos dar uma palavrinha de conforto, um conselho, uma pancadinha nas costas... Mas também a canelada ou outros golpes mais baixos... Que os amigos são mesmo para as ocasiões!
Ora bolas! E eu a pensar que tinha sido a tribo dos sociólogos do trabalho a pôr em evidência, há muitas luas atrás, isso mesmo, que um dos pontos fracos da nossa estrutura produtiva era a sobrevalorização do determinismo tecnológico no processo de modernização das empresas, o fetichismo tecnológico, a crença positivista no abre-te-sésamo da tecnologia pronta a servir, a redução do processo de inovação à introdução de novas tecnologias e a persistência de filosofias e práticas organizacionais fortemente enraizadas no modelo tradicional de empresa, práticas essas que ignoravam pura e simplesmente os factores sócio-organizacionais, leia-se "imateriais", como factores de produtividade, qualidade e competitividade!...
Os componentes materiais de trabalho, esses, a gente sabe facilmente identificar, inventariar, listar: (i) os locais ou instalações de trabalho; (ii) o ambiente físico de trabalho; (iii) a chave de parafusos, o martelo, o torno mecânico, o computador e todas as demais ferramentas, máquinas e materiais necesssários ao processo de produção, incluindo as matérias-primas; sem esquecer (iv) as substâncias e os agentes químicos, físicos e biológicos, (v) o layout de produção, a par da (vi) organização do trabalho e do tempo de trabalho.
Mais dificilmente objectiváveis são os elementos imateriais do trabalho, tais como: (i) cultura da empresa; (ii) clima organizacional;L (iii) liderança estratégica; (iv) estilos de gestão e chefia; (v) comunicação assertiva; (vi) dinâmica(s) de grupo; (vii) valores, representações simbólicas, identidades profissionais, etc. São afinal as pessoas, os individuos e os grupos de cuja interacção resultam as organizações. É o humanware, meu estúpido!
Daí a importância da formação em Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional na perspectiva da inovação e mudança: não se trata apenas de desenvolver competências técnicas mas também... humanas, relacionais e sociais!
Enfim, é preciso virem os estrangeiros de fora atirar-nos à cara coisas mais feias ou menos bonitas. Há tempos foram os tipos da Ad Capita International Search, depois os gajos do Relatório McKinsey (Portugal 2010: Acelerar o Crescimento da Produtividade)... agora são estes, da Active Management Group...
Não nos queixemos: felizmente nunca nos faltaram amigos da estranja para nos dar uma palavrinha de conforto, um conselho, uma pancadinha nas costas... Mas também a canelada ou outros golpes mais baixos... Que os amigos são mesmo para as ocasiões!
(Ex)citações de cada dia - X: O modelo de gestão português
"Os gestores portugueses já afirmam que não basta a modernização tecnológica, mas que é indispensável a actuação no campo dos factores 'imateriais', revela este estudo [da consultora Active Management Group] (Catarina Nunes: Velho modelo impera. Expresso, 22.11.2003).
Ora bolas! E eu a pensar que tinha sido a tribo dos sociólogos do trabalho a pôr em evidência, há muitas luas atrás, isso mesmo, que um dos pontos fracos da nossa estrutura produtiva era a sobrevalorização do determinismo tecnológico no processo de modernização das empresas, o fetichismo tecnológico, a crença positivista no abre-te-sésamo da tecnologia pronta a servir, a redução do processo de inovação à introdução de novas tecnologias e a persistência de filosofias e práticas organizacionais fortemente enraizadas no modelo tradicional de empresa, práticas essas que ignoravam pura e simplesmente os factores sócio-organizacionais, leia-se "imateriais", como factores de produtividade, qualidade e competitividade!...
Os componentes materiais de trabalho, esses, a gente sabe facilmente identificar, inventariar, listar: (i) os locais ou instalações de trabalho; (ii) o ambiente físico de trabalho; (iii) a chave de parafusos, o martelo, o torno mecânico, o computador e todas as demais ferramentas, máquinas e materiais necesssários ao processo de produção, incluindo as matérias-primas; sem esquecer (iv) as substâncias e os agentes químicos, físicos e biológicos, (v) o layout de produção, a par da (vi) organização do trabalho e do tempo de trabalho.
Mais dificilmente objectiváveis são os elementos imateriais do trabalho, tais como: (i) cultura da empresa; (ii) clima organizacional;L (iii) liderança estratégica; (iv) estilos de gestão e chefia; (v) comunicação assertiva; (vi) dinâmica(s) de grupo; (vii) valores, representações simbólicas, identidades profissionais, etc. São afinal as pessoas, os individuos e os grupos de cuja interacção resultam as organizações. É o humanware, meu estúpido!
Daí a importância da formação em Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional na perspectiva da inovação e mudança: não se trata apenas de desenvolver competências técnicas mas também... humanas, relacionais e sociais!
Enfim, é preciso virem os estrangeiros de fora atirar-nos à cara coisas mais feias ou menos bonitas. Há tempos foram os tipos da Ad Capita International Search, depois os gajos do Relatório McKinsey (Portugal 2010: Acelerar o Crescimento da Produtividade)... agora são estes, da Active Management Group...
Não nos queixemos: felizmente nunca nos faltaram amigos da estranja para nos dar uma palavrinha de conforto, um conselho, uma pancadinha nas costas... Mas também a canelada ou outros golpes mais baixos... Que os amigos são mesmo para as ocasiões!
Ora bolas! E eu a pensar que tinha sido a tribo dos sociólogos do trabalho a pôr em evidência, há muitas luas atrás, isso mesmo, que um dos pontos fracos da nossa estrutura produtiva era a sobrevalorização do determinismo tecnológico no processo de modernização das empresas, o fetichismo tecnológico, a crença positivista no abre-te-sésamo da tecnologia pronta a servir, a redução do processo de inovação à introdução de novas tecnologias e a persistência de filosofias e práticas organizacionais fortemente enraizadas no modelo tradicional de empresa, práticas essas que ignoravam pura e simplesmente os factores sócio-organizacionais, leia-se "imateriais", como factores de produtividade, qualidade e competitividade!...
Os componentes materiais de trabalho, esses, a gente sabe facilmente identificar, inventariar, listar: (i) os locais ou instalações de trabalho; (ii) o ambiente físico de trabalho; (iii) a chave de parafusos, o martelo, o torno mecânico, o computador e todas as demais ferramentas, máquinas e materiais necesssários ao processo de produção, incluindo as matérias-primas; sem esquecer (iv) as substâncias e os agentes químicos, físicos e biológicos, (v) o layout de produção, a par da (vi) organização do trabalho e do tempo de trabalho.
Mais dificilmente objectiváveis são os elementos imateriais do trabalho, tais como: (i) cultura da empresa; (ii) clima organizacional;L (iii) liderança estratégica; (iv) estilos de gestão e chefia; (v) comunicação assertiva; (vi) dinâmica(s) de grupo; (vii) valores, representações simbólicas, identidades profissionais, etc. São afinal as pessoas, os individuos e os grupos de cuja interacção resultam as organizações. É o humanware, meu estúpido!
Daí a importância da formação em Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional na perspectiva da inovação e mudança: não se trata apenas de desenvolver competências técnicas mas também... humanas, relacionais e sociais!
Enfim, é preciso virem os estrangeiros de fora atirar-nos à cara coisas mais feias ou menos bonitas. Há tempos foram os tipos da Ad Capita International Search, depois os gajos do Relatório McKinsey (Portugal 2010: Acelerar o Crescimento da Produtividade)... agora são estes, da Active Management Group...
Não nos queixemos: felizmente nunca nos faltaram amigos da estranja para nos dar uma palavrinha de conforto, um conselho, uma pancadinha nas costas... Mas também a canelada ou outros golpes mais baixos... Que os amigos são mesmo para as ocasiões!
Saúde & Segurança no Trabalho - IX: Medicina do Trabalho e Controlo do Absentismo
É conhecida a oposição frontal dos médicos do trabalho em relação a um eventual “controlo do absentismo” (sic) por parte dos serviços de SH&ST. Esta posição foi recentemente reiterada pela Sociedade Portuguesa de Medcina do Trabalho, a propósito da figura do "médico da empresa" referida no anteprojecto governamental do Código do Trabalho.
Esta posição tem uma lógica que remonta, no mínimo, à Recomendação nº 112 da OIT (ILO, 1959), na qual se diz taxativamente que “the role of occupational health services should be essentially preventive” (ponto 6) e que, nessa medida, não se lhes pode exigir “to verify the justification of absence on grounds of sickness; they should not be precluded from ascertaining the conditions which may have led to a worker's absence on sick leave and obtaining information about the progress of the worker's illness”; pelo contrário, eles devem ocupar-se apenas do seu core business que é “to evaluate their preventive programme, discover occupational hazards, and recommend the suitable placement of workers for rehabilitation purposes” (ponto 7).
Mais do que as alegadas razões deontológicas e de independência técnica, trata-se de um típico conflito de papéis. Mas esta posição dos médicos do trabalho é mal compreendida por empregadores, gestores e até pelos trabalhadores e seus representantes.
Esta posição tem uma lógica que remonta, no mínimo, à Recomendação nº 112 da OIT (ILO, 1959), na qual se diz taxativamente que “the role of occupational health services should be essentially preventive” (ponto 6) e que, nessa medida, não se lhes pode exigir “to verify the justification of absence on grounds of sickness; they should not be precluded from ascertaining the conditions which may have led to a worker's absence on sick leave and obtaining information about the progress of the worker's illness”; pelo contrário, eles devem ocupar-se apenas do seu core business que é “to evaluate their preventive programme, discover occupational hazards, and recommend the suitable placement of workers for rehabilitation purposes” (ponto 7).
Mais do que as alegadas razões deontológicas e de independência técnica, trata-se de um típico conflito de papéis. Mas esta posição dos médicos do trabalho é mal compreendida por empregadores, gestores e até pelos trabalhadores e seus representantes.
Saúde & Segurança no Trabalho - IX: Medicina do Trabalho e Controlo do Absentismo
É conhecida a oposição frontal dos médicos do trabalho em relação a um eventual “controlo do absentismo” (sic) por parte dos serviços de SH&ST. Esta posição foi recentemente reiterada pela Sociedade Portuguesa de Medcina do Trabalho, a propósito da figura do "médico da empresa" referida no anteprojecto governamental do Código do Trabalho.
Esta posição tem uma lógica que remonta, no mínimo, à Recomendação nº 112 da OIT (ILO, 1959), na qual se diz taxativamente que “the role of occupational health services should be essentially preventive” (ponto 6) e que, nessa medida, não se lhes pode exigir “to verify the justification of absence on grounds of sickness; they should not be precluded from ascertaining the conditions which may have led to a worker's absence on sick leave and obtaining information about the progress of the worker's illness”; pelo contrário, eles devem ocupar-se apenas do seu core business que é “to evaluate their preventive programme, discover occupational hazards, and recommend the suitable placement of workers for rehabilitation purposes” (ponto 7).
Mais do que as alegadas razões deontológicas e de independência técnica, trata-se de um típico conflito de papéis. Mas esta posição dos médicos do trabalho é mal compreendida por empregadores, gestores e até pelos trabalhadores e seus representantes.
Esta posição tem uma lógica que remonta, no mínimo, à Recomendação nº 112 da OIT (ILO, 1959), na qual se diz taxativamente que “the role of occupational health services should be essentially preventive” (ponto 6) e que, nessa medida, não se lhes pode exigir “to verify the justification of absence on grounds of sickness; they should not be precluded from ascertaining the conditions which may have led to a worker's absence on sick leave and obtaining information about the progress of the worker's illness”; pelo contrário, eles devem ocupar-se apenas do seu core business que é “to evaluate their preventive programme, discover occupational hazards, and recommend the suitable placement of workers for rehabilitation purposes” (ponto 7).
Mais do que as alegadas razões deontológicas e de independência técnica, trata-se de um típico conflito de papéis. Mas esta posição dos médicos do trabalho é mal compreendida por empregadores, gestores e até pelos trabalhadores e seus representantes.
20 novembro 2003
Humor com humor se paga - XIII: Técnicas de sobrevivência (1)
Como te defenderes do assédio das operadoras de telemarketing (... em 10 lições)
Pergunta:
É cada vez mais frequente receberes em casa chamadas de operadoras de telemarketing tentando impingir-te tudo e mais alguma coisa: planos de saúde, fundos de pensões, cartões de crédito, abertura de conta em novos bancos, edições especiais de livros raros, as sagradas escrituras em papel bíblico, férias de sonho, pinturas do Miguel Ângelo (!), peças únicas da arte dos sumérios (!), time sharing, conjuntos de porcelana da Vista Alegre, música clássica ao quilo como o bacalhau da Noruega, mobílias em pinho sueco, telemóveis, electrodomésticos, aparelhos de fitness, cursos de inglês à distância, etc.
Eu fico sempre à beira de um ataque de nervos quando do outro lado do fio ouço uma voz assexuada e autoritária a perguntar por que razão é que ainda não fui levantar o prémio... Diz-me lá, ó blogador, como é que tu podes defender-te destas técnicas invasivas, desta intolerável intromissão na tua vida privada, deste descarado abuso do teu número de telefone ?... Como, diz-me lá tu?
Há quem veja nisto um sinal de maturidade do capitalismo selvagem que se instalou, com armas e bagagens, nas nossas ruas e praças, substituindo as feiras e mercados da nossa infância. Outros dizem-me que este é o preço a pagar por viveres, rico, feliz e livre, numa economia de mercado e num mundo globalizado.
Eu sei que do outro lado está uma rapariguinha desesperada por te vender qualquer merda e, com isso, ganhar os primeiros euros da semana ou até do mês. Mas este não é o paraíso, é o mundo cão onde tu vives. Hoje a condição feminina passa também pela desumana experiência de trabalhar em empresas (?) de telemarketing, em call centres e outros locais de tripaliu(m).
Resposta:
Bem, não sou propriamente especialista em técnicas de sobrevivência. Limito-me, por isso, a deixar aqui algumas dicas que me mandou o mais maluco dos meus amigos, o Tó Vinhas, que é apesar de tudo um rapaz amável por detrás de um coração de pedra (pomes):
1) Quando a fulana te perguntar "Como está?", responde-lhe: “Enchanté!... Estou muito feliz por alguém como você se preocupar comigo”...
2) A seguir acrescentas: “Como você é uma garota simpática, vou apontar tudo direitinho... Dê-me só cinco minutos, vou comprar uma esferográfica e uma folha de papel na tabacaria em frente”.
3) Quando a operador te disser: "Bom dia, fala da empresa Alegria do Lar – Arte & Design Lda”, obriga-a a soletrar todas as palavras... É a tua vez de massacrá-la. Pede-lhe o número de contribuinte, a morada, o fax, o telefone, o montante do capital social, o código da actividade económica (CAE-Rev 2, a quatro digitos), o nome do sócio-gerente, o endereço de e-mail, o endereço da página da firma na Internet, e por aí fora. Pergunta-lhe se a empresa tem os impostos e os salários em dia, se é socialmente responsável, se protege o ambiente, se pratica a cidadania empresarial, se tem médico do trabalho...
4) Quando a pessoa se apresentar (por exemplo, "fala a Diamantina"), dá um gritinho, histérico: "Diamantina? Olá, querida ! Não pode ser ! Mas és tu mesma ? Há quanto tempo não tinha notícias tuas!... Mas será que ainda te lembras de mim ? ... Não ?!... Sim, da última vez que fomos à Feira Popular comer sardinhas assadas!"...
5) Se a voz assexuada e autoritária te ligar para te dizer que tens um prémio, a levantar no sítio tal, das tantas às tantas, responde com a voz dos que precisam e que pedem esmola à porta das igrejas : "Sou tetraplégico, vivo numa cadeira de rodas, não posso deslocar-me aí a não ser através da ambulância dos bombeiros ou do mini-autocarro da Carris... A menina faz isso por mim, por amor de Deus, por piedade cristã ? Trata da minha deslocação?”.
6) Se alguém te quiser impingir cartões de crédito, planos de pensões ou seguros de vida ou outros produtos financeiros, responde-lhe que essa oferta caiu do céu... De facto, (i) acabaste de ser despedido do emprego, (ii) soubeste há um mês que estavas com sida, (iii) que vais morrer em menos de um ano e (iv) que a família te vai pôr num sidatório em Cuba...
7) Ou então mostra o teu lado sinistro de mau cidadão, conta a tua verdadeira história de delinquente: de momento, estás em liberdade condicional, depois de dois anos a cumprir uma pena de prisão por tráfico de droga.... Estando integrado num programa de reinserção social para reclusos, não podes tomar nenhum decisão financeira sem a competente autorização da senhora doutora assistente social...
8) Se te pedirem pelo cartão de crédito, pede a pessoa em casamento... O argumento é respeitável e de peso: “O número de cartão de crédito, entre outras coisas, só o dou à minha legítima esposa”.
9) Brinca com a família da pessoa que te telefona: “Então como vai a nossa tia Zulmira? E os primos Pipi & Bibi ?”...
10) E, por fim, diz à pessoa que estás muito ocupado de momento mas que, se ela te der o número de telefone de casa ou de telemóvel, terás muito gosto em falar com ela mais tarde, com todo o tempo e vagar. Quem sabe, poderão um dia destes encontrar-se, conhecer-se pessoalmente, ir ao cinema, jantar fora, passar pela discoteca ou até mesmo dar umas quecas...
É claro que a menina do telemarketing recusará a tua proposta indecorosa e é capaz de começar a insultar-te: “Seu malcriado, seu indecente, sua besta!!!”.... É altura então de lhe dares a estocada final: "Eu imagino que você não queira ser importunada e, muito meno, ver a sua vida privada devassada. Eu também não. Não me volte a chatear!" (...e desligas o telefone).
O meu amigo Tó Vinhas diz que a técnica resulta, põem logo o teu número de telefone na lista negra. Nunca experimentei, falo de cátedra. Nunca passei do 1º passo, o qual desarma qualquer operadora de telemarketing, por mais batida que seja: “Ó querida, deixei de ir levantar os prémios, tenho uma assoalhada cheia deles até ao tecto, não tenho mais espaço para os guardar”... Ou noutra variante: "Ah!, o Prémio... Pensei que fosse o Prémio Nobel da Literatura... Sabe, sou o maior escritor do meu bairro...".
Pergunta:
É cada vez mais frequente receberes em casa chamadas de operadoras de telemarketing tentando impingir-te tudo e mais alguma coisa: planos de saúde, fundos de pensões, cartões de crédito, abertura de conta em novos bancos, edições especiais de livros raros, as sagradas escrituras em papel bíblico, férias de sonho, pinturas do Miguel Ângelo (!), peças únicas da arte dos sumérios (!), time sharing, conjuntos de porcelana da Vista Alegre, música clássica ao quilo como o bacalhau da Noruega, mobílias em pinho sueco, telemóveis, electrodomésticos, aparelhos de fitness, cursos de inglês à distância, etc.
Eu fico sempre à beira de um ataque de nervos quando do outro lado do fio ouço uma voz assexuada e autoritária a perguntar por que razão é que ainda não fui levantar o prémio... Diz-me lá, ó blogador, como é que tu podes defender-te destas técnicas invasivas, desta intolerável intromissão na tua vida privada, deste descarado abuso do teu número de telefone ?... Como, diz-me lá tu?
Há quem veja nisto um sinal de maturidade do capitalismo selvagem que se instalou, com armas e bagagens, nas nossas ruas e praças, substituindo as feiras e mercados da nossa infância. Outros dizem-me que este é o preço a pagar por viveres, rico, feliz e livre, numa economia de mercado e num mundo globalizado.
Eu sei que do outro lado está uma rapariguinha desesperada por te vender qualquer merda e, com isso, ganhar os primeiros euros da semana ou até do mês. Mas este não é o paraíso, é o mundo cão onde tu vives. Hoje a condição feminina passa também pela desumana experiência de trabalhar em empresas (?) de telemarketing, em call centres e outros locais de tripaliu(m).
Resposta:
Bem, não sou propriamente especialista em técnicas de sobrevivência. Limito-me, por isso, a deixar aqui algumas dicas que me mandou o mais maluco dos meus amigos, o Tó Vinhas, que é apesar de tudo um rapaz amável por detrás de um coração de pedra (pomes):
1) Quando a fulana te perguntar "Como está?", responde-lhe: “Enchanté!... Estou muito feliz por alguém como você se preocupar comigo”...
2) A seguir acrescentas: “Como você é uma garota simpática, vou apontar tudo direitinho... Dê-me só cinco minutos, vou comprar uma esferográfica e uma folha de papel na tabacaria em frente”.
3) Quando a operador te disser: "Bom dia, fala da empresa Alegria do Lar – Arte & Design Lda”, obriga-a a soletrar todas as palavras... É a tua vez de massacrá-la. Pede-lhe o número de contribuinte, a morada, o fax, o telefone, o montante do capital social, o código da actividade económica (CAE-Rev 2, a quatro digitos), o nome do sócio-gerente, o endereço de e-mail, o endereço da página da firma na Internet, e por aí fora. Pergunta-lhe se a empresa tem os impostos e os salários em dia, se é socialmente responsável, se protege o ambiente, se pratica a cidadania empresarial, se tem médico do trabalho...
4) Quando a pessoa se apresentar (por exemplo, "fala a Diamantina"), dá um gritinho, histérico: "Diamantina? Olá, querida ! Não pode ser ! Mas és tu mesma ? Há quanto tempo não tinha notícias tuas!... Mas será que ainda te lembras de mim ? ... Não ?!... Sim, da última vez que fomos à Feira Popular comer sardinhas assadas!"...
5) Se a voz assexuada e autoritária te ligar para te dizer que tens um prémio, a levantar no sítio tal, das tantas às tantas, responde com a voz dos que precisam e que pedem esmola à porta das igrejas : "Sou tetraplégico, vivo numa cadeira de rodas, não posso deslocar-me aí a não ser através da ambulância dos bombeiros ou do mini-autocarro da Carris... A menina faz isso por mim, por amor de Deus, por piedade cristã ? Trata da minha deslocação?”.
6) Se alguém te quiser impingir cartões de crédito, planos de pensões ou seguros de vida ou outros produtos financeiros, responde-lhe que essa oferta caiu do céu... De facto, (i) acabaste de ser despedido do emprego, (ii) soubeste há um mês que estavas com sida, (iii) que vais morrer em menos de um ano e (iv) que a família te vai pôr num sidatório em Cuba...
7) Ou então mostra o teu lado sinistro de mau cidadão, conta a tua verdadeira história de delinquente: de momento, estás em liberdade condicional, depois de dois anos a cumprir uma pena de prisão por tráfico de droga.... Estando integrado num programa de reinserção social para reclusos, não podes tomar nenhum decisão financeira sem a competente autorização da senhora doutora assistente social...
8) Se te pedirem pelo cartão de crédito, pede a pessoa em casamento... O argumento é respeitável e de peso: “O número de cartão de crédito, entre outras coisas, só o dou à minha legítima esposa”.
9) Brinca com a família da pessoa que te telefona: “Então como vai a nossa tia Zulmira? E os primos Pipi & Bibi ?”...
10) E, por fim, diz à pessoa que estás muito ocupado de momento mas que, se ela te der o número de telefone de casa ou de telemóvel, terás muito gosto em falar com ela mais tarde, com todo o tempo e vagar. Quem sabe, poderão um dia destes encontrar-se, conhecer-se pessoalmente, ir ao cinema, jantar fora, passar pela discoteca ou até mesmo dar umas quecas...
É claro que a menina do telemarketing recusará a tua proposta indecorosa e é capaz de começar a insultar-te: “Seu malcriado, seu indecente, sua besta!!!”.... É altura então de lhe dares a estocada final: "Eu imagino que você não queira ser importunada e, muito meno, ver a sua vida privada devassada. Eu também não. Não me volte a chatear!" (...e desligas o telefone).
O meu amigo Tó Vinhas diz que a técnica resulta, põem logo o teu número de telefone na lista negra. Nunca experimentei, falo de cátedra. Nunca passei do 1º passo, o qual desarma qualquer operadora de telemarketing, por mais batida que seja: “Ó querida, deixei de ir levantar os prémios, tenho uma assoalhada cheia deles até ao tecto, não tenho mais espaço para os guardar”... Ou noutra variante: "Ah!, o Prémio... Pensei que fosse o Prémio Nobel da Literatura... Sabe, sou o maior escritor do meu bairro...".
Humor com humor se paga - XIII: Técnicas de sobrevivência (1)
Como te defenderes do assédio das operadoras de telemarketing (... em 10 lições)
Pergunta:
É cada vez mais frequente receberes em casa chamadas de operadoras de telemarketing tentando impingir-te tudo e mais alguma coisa: planos de saúde, fundos de pensões, cartões de crédito, abertura de conta em novos bancos, edições especiais de livros raros, as sagradas escrituras em papel bíblico, férias de sonho, pinturas do Miguel Ângelo (!), peças únicas da arte dos sumérios (!), time sharing, conjuntos de porcelana da Vista Alegre, música clássica ao quilo como o bacalhau da Noruega, mobílias em pinho sueco, telemóveis, electrodomésticos, aparelhos de fitness, cursos de inglês à distância, etc.
Eu fico sempre à beira de um ataque de nervos quando do outro lado do fio ouço uma voz assexuada e autoritária a perguntar por que razão é que ainda não fui levantar o prémio... Diz-me lá, ó blogador, como é que tu podes defender-te destas técnicas invasivas, desta intolerável intromissão na tua vida privada, deste descarado abuso do teu número de telefone ?... Como, diz-me lá tu?
Há quem veja nisto um sinal de maturidade do capitalismo selvagem que se instalou, com armas e bagagens, nas nossas ruas e praças, substituindo as feiras e mercados da nossa infância. Outros dizem-me que este é o preço a pagar por viveres, rico, feliz e livre, numa economia de mercado e num mundo globalizado.
Eu sei que do outro lado está uma rapariguinha desesperada por te vender qualquer merda e, com isso, ganhar os primeiros euros da semana ou até do mês. Mas este não é o paraíso, é o mundo cão onde tu vives. Hoje a condição feminina passa também pela desumana experiência de trabalhar em empresas (?) de telemarketing, em call centres e outros locais de tripaliu(m).
Resposta:
Bem, não sou propriamente especialista em técnicas de sobrevivência. Limito-me, por isso, a deixar aqui algumas dicas que me mandou o mais maluco dos meus amigos, o Tó Vinhas, que é apesar de tudo um rapaz amável por detrás de um coração de pedra (pomes):
1) Quando a fulana te perguntar "Como está?", responde-lhe: “Enchanté!... Estou muito feliz por alguém como você se preocupar comigo”...
2) A seguir acrescentas: “Como você é uma garota simpática, vou apontar tudo direitinho... Dê-me só cinco minutos, vou comprar uma esferográfica e uma folha de papel na tabacaria em frente”.
3) Quando a operador te disser: "Bom dia, fala da empresa Alegria do Lar – Arte & Design Lda”, obriga-a a soletrar todas as palavras... É a tua vez de massacrá-la. Pede-lhe o número de contribuinte, a morada, o fax, o telefone, o montante do capital social, o código da actividade económica (CAE-Rev 2, a quatro digitos), o nome do sócio-gerente, o endereço de e-mail, o endereço da página da firma na Internet, e por aí fora. Pergunta-lhe se a empresa tem os impostos e os salários em dia, se é socialmente responsável, se protege o ambiente, se pratica a cidadania empresarial, se tem médico do trabalho...
4) Quando a pessoa se apresentar (por exemplo, "fala a Diamantina"), dá um gritinho, histérico: "Diamantina? Olá, querida ! Não pode ser ! Mas és tu mesma ? Há quanto tempo não tinha notícias tuas!... Mas será que ainda te lembras de mim ? ... Não ?!... Sim, da última vez que fomos à Feira Popular comer sardinhas assadas!"...
5) Se a voz assexuada e autoritária te ligar para te dizer que tens um prémio, a levantar no sítio tal, das tantas às tantas, responde com a voz dos que precisam e que pedem esmola à porta das igrejas : "Sou tetraplégico, vivo numa cadeira de rodas, não posso deslocar-me aí a não ser através da ambulância dos bombeiros ou do mini-autocarro da Carris... A menina faz isso por mim, por amor de Deus, por piedade cristã ? Trata da minha deslocação?”.
6) Se alguém te quiser impingir cartões de crédito, planos de pensões ou seguros de vida ou outros produtos financeiros, responde-lhe que essa oferta caiu do céu... De facto, (i) acabaste de ser despedido do emprego, (ii) soubeste há um mês que estavas com sida, (iii) que vais morrer em menos de um ano e (iv) que a família te vai pôr num sidatório em Cuba...
7) Ou então mostra o teu lado sinistro de mau cidadão, conta a tua verdadeira história de delinquente: de momento, estás em liberdade condicional, depois de dois anos a cumprir uma pena de prisão por tráfico de droga.... Estando integrado num programa de reinserção social para reclusos, não podes tomar nenhum decisão financeira sem a competente autorização da senhora doutora assistente social...
8) Se te pedirem pelo cartão de crédito, pede a pessoa em casamento... O argumento é respeitável e de peso: “O número de cartão de crédito, entre outras coisas, só o dou à minha legítima esposa”.
9) Brinca com a família da pessoa que te telefona: “Então como vai a nossa tia Zulmira? E os primos Pipi & Bibi ?”...
10) E, por fim, diz à pessoa que estás muito ocupado de momento mas que, se ela te der o número de telefone de casa ou de telemóvel, terás muito gosto em falar com ela mais tarde, com todo o tempo e vagar. Quem sabe, poderão um dia destes encontrar-se, conhecer-se pessoalmente, ir ao cinema, jantar fora, passar pela discoteca ou até mesmo dar umas quecas...
É claro que a menina do telemarketing recusará a tua proposta indecorosa e é capaz de começar a insultar-te: “Seu malcriado, seu indecente, sua besta!!!”.... É altura então de lhe dares a estocada final: "Eu imagino que você não queira ser importunada e, muito meno, ver a sua vida privada devassada. Eu também não. Não me volte a chatear!" (...e desligas o telefone).
O meu amigo Tó Vinhas diz que a técnica resulta, põem logo o teu número de telefone na lista negra. Nunca experimentei, falo de cátedra. Nunca passei do 1º passo, o qual desarma qualquer operadora de telemarketing, por mais batida que seja: “Ó querida, deixei de ir levantar os prémios, tenho uma assoalhada cheia deles até ao tecto, não tenho mais espaço para os guardar”... Ou noutra variante: "Ah!, o Prémio... Pensei que fosse o Prémio Nobel da Literatura... Sabe, sou o maior escritor do meu bairro...".
Pergunta:
É cada vez mais frequente receberes em casa chamadas de operadoras de telemarketing tentando impingir-te tudo e mais alguma coisa: planos de saúde, fundos de pensões, cartões de crédito, abertura de conta em novos bancos, edições especiais de livros raros, as sagradas escrituras em papel bíblico, férias de sonho, pinturas do Miguel Ângelo (!), peças únicas da arte dos sumérios (!), time sharing, conjuntos de porcelana da Vista Alegre, música clássica ao quilo como o bacalhau da Noruega, mobílias em pinho sueco, telemóveis, electrodomésticos, aparelhos de fitness, cursos de inglês à distância, etc.
Eu fico sempre à beira de um ataque de nervos quando do outro lado do fio ouço uma voz assexuada e autoritária a perguntar por que razão é que ainda não fui levantar o prémio... Diz-me lá, ó blogador, como é que tu podes defender-te destas técnicas invasivas, desta intolerável intromissão na tua vida privada, deste descarado abuso do teu número de telefone ?... Como, diz-me lá tu?
Há quem veja nisto um sinal de maturidade do capitalismo selvagem que se instalou, com armas e bagagens, nas nossas ruas e praças, substituindo as feiras e mercados da nossa infância. Outros dizem-me que este é o preço a pagar por viveres, rico, feliz e livre, numa economia de mercado e num mundo globalizado.
Eu sei que do outro lado está uma rapariguinha desesperada por te vender qualquer merda e, com isso, ganhar os primeiros euros da semana ou até do mês. Mas este não é o paraíso, é o mundo cão onde tu vives. Hoje a condição feminina passa também pela desumana experiência de trabalhar em empresas (?) de telemarketing, em call centres e outros locais de tripaliu(m).
Resposta:
Bem, não sou propriamente especialista em técnicas de sobrevivência. Limito-me, por isso, a deixar aqui algumas dicas que me mandou o mais maluco dos meus amigos, o Tó Vinhas, que é apesar de tudo um rapaz amável por detrás de um coração de pedra (pomes):
1) Quando a fulana te perguntar "Como está?", responde-lhe: “Enchanté!... Estou muito feliz por alguém como você se preocupar comigo”...
2) A seguir acrescentas: “Como você é uma garota simpática, vou apontar tudo direitinho... Dê-me só cinco minutos, vou comprar uma esferográfica e uma folha de papel na tabacaria em frente”.
3) Quando a operador te disser: "Bom dia, fala da empresa Alegria do Lar – Arte & Design Lda”, obriga-a a soletrar todas as palavras... É a tua vez de massacrá-la. Pede-lhe o número de contribuinte, a morada, o fax, o telefone, o montante do capital social, o código da actividade económica (CAE-Rev 2, a quatro digitos), o nome do sócio-gerente, o endereço de e-mail, o endereço da página da firma na Internet, e por aí fora. Pergunta-lhe se a empresa tem os impostos e os salários em dia, se é socialmente responsável, se protege o ambiente, se pratica a cidadania empresarial, se tem médico do trabalho...
4) Quando a pessoa se apresentar (por exemplo, "fala a Diamantina"), dá um gritinho, histérico: "Diamantina? Olá, querida ! Não pode ser ! Mas és tu mesma ? Há quanto tempo não tinha notícias tuas!... Mas será que ainda te lembras de mim ? ... Não ?!... Sim, da última vez que fomos à Feira Popular comer sardinhas assadas!"...
5) Se a voz assexuada e autoritária te ligar para te dizer que tens um prémio, a levantar no sítio tal, das tantas às tantas, responde com a voz dos que precisam e que pedem esmola à porta das igrejas : "Sou tetraplégico, vivo numa cadeira de rodas, não posso deslocar-me aí a não ser através da ambulância dos bombeiros ou do mini-autocarro da Carris... A menina faz isso por mim, por amor de Deus, por piedade cristã ? Trata da minha deslocação?”.
6) Se alguém te quiser impingir cartões de crédito, planos de pensões ou seguros de vida ou outros produtos financeiros, responde-lhe que essa oferta caiu do céu... De facto, (i) acabaste de ser despedido do emprego, (ii) soubeste há um mês que estavas com sida, (iii) que vais morrer em menos de um ano e (iv) que a família te vai pôr num sidatório em Cuba...
7) Ou então mostra o teu lado sinistro de mau cidadão, conta a tua verdadeira história de delinquente: de momento, estás em liberdade condicional, depois de dois anos a cumprir uma pena de prisão por tráfico de droga.... Estando integrado num programa de reinserção social para reclusos, não podes tomar nenhum decisão financeira sem a competente autorização da senhora doutora assistente social...
8) Se te pedirem pelo cartão de crédito, pede a pessoa em casamento... O argumento é respeitável e de peso: “O número de cartão de crédito, entre outras coisas, só o dou à minha legítima esposa”.
9) Brinca com a família da pessoa que te telefona: “Então como vai a nossa tia Zulmira? E os primos Pipi & Bibi ?”...
10) E, por fim, diz à pessoa que estás muito ocupado de momento mas que, se ela te der o número de telefone de casa ou de telemóvel, terás muito gosto em falar com ela mais tarde, com todo o tempo e vagar. Quem sabe, poderão um dia destes encontrar-se, conhecer-se pessoalmente, ir ao cinema, jantar fora, passar pela discoteca ou até mesmo dar umas quecas...
É claro que a menina do telemarketing recusará a tua proposta indecorosa e é capaz de começar a insultar-te: “Seu malcriado, seu indecente, sua besta!!!”.... É altura então de lhe dares a estocada final: "Eu imagino que você não queira ser importunada e, muito meno, ver a sua vida privada devassada. Eu também não. Não me volte a chatear!" (...e desligas o telefone).
O meu amigo Tó Vinhas diz que a técnica resulta, põem logo o teu número de telefone na lista negra. Nunca experimentei, falo de cátedra. Nunca passei do 1º passo, o qual desarma qualquer operadora de telemarketing, por mais batida que seja: “Ó querida, deixei de ir levantar os prémios, tenho uma assoalhada cheia deles até ao tecto, não tenho mais espaço para os guardar”... Ou noutra variante: "Ah!, o Prémio... Pensei que fosse o Prémio Nobel da Literatura... Sabe, sou o maior escritor do meu bairro...".
19 novembro 2003
Humor com humor se paga - XII: Marketing (social) para profissionais de saúde (2)
Noções elementares de Marketing em dez exemplos (... e no feminino)
O Marketing ainda hoje tende a ser visto (inclusive pelos profissionais de saúde) como uma técnica agressiva, de manipulação, eticamente suspeita, lesiva dos direitos do consumidor, podendo levar uma pessoa a comprar e a consumir o que não quer ou o que não precisa ou até o que lhe faz mal!... E depois "a saúde não é uma mercadoria" e "nós não temos uma Claudia Schiffer"...
Ora o Marketing não é mais do que o processo de tornar atractivo um produto, um serviçou ou uma ideia aos olhos de uma dada população-alvo: neste caso, falamos de "cuidados de saúde", de "promoção da saúde", de "saúde ocupacional"...
No Marketing (comercial) pomos a ênfase sobretudo nos quatro Pês. Trata-se de desenvolver, como dizem os anglossaxónicos, “the right Product backed by the right Promotion and put in the right Place at the right Price”.
Há muita confusão semântica e conceptual à volta do Marketing e das suas várias técnicas... Isso pode ser ilustrado através de alguns exemplos bem humorados... Pode servir-nos também com técnica de defesa contra as meninas que todos os dias nos telefonam dos "call centres" para a gente "ir levantar o prémio"... Com a proximação do Natal, o assédio tornou-se pornográfico!...
1º Exemplo: Estás numa festa e vês um rapaz muito atraente. Aproximas- te dele e sussurras:
- Sou boa como o milho !
Isto é... Marketing directo.
2º Exemplo: Estás numa festa com um grupo de amigas e vês o rapaz do seus sonhos. Uma das tuas amigas aproxima-se dele e diz-lhe ao ouvido:
- Esta gaja, aqui, é muito boa na cama !
Isto é...Publicidade.
3º Exemplo: Estás numa festa e vês uma tara de homem. Aproximas- te dele e pedes-lhe o seu número de telemóvel. No dia seguinte telefonas-lhe e dizes:
- Sabes, sou muito boa na cama !
Isto é... Telemarketing.
4º Exemplo: Estás numa festa e vês um monumento de homem. Reconhece-lo logo à primeira. Estiveste com ele há dias. Aproximas-te dele, avivas-lhe a memória dizendo:
- Lembras-te de mim, ó Ambróisio ? Sou muito melhor que o Ferro Rocher, não sou ? !...
Isto é... CRM (Customer Relationship Management) (Gestão das Relações com o Cliente).
5º Exemplo: Estás numa festa e vês um tipo supergiro. Levantas-te, ajeitas a saia, aproximas-te dele, serves-lhe uma bebida, ofereces-lhe um cigarro e dizes:
- Meu anjo, sou a máxima na cama ou fora dela!
Isto são... Relações Públicas.
6º Exemplo: Estás numa festa e vês um jovem muito atraente. Ele aproxima-se de ti e diz-te:
- Ah!, és tu, ouvi dizer que és muito boa na cama!
Isto é... Branding, o poder da marca.
7º Exemplo: Estás numa festa como empregada e há um outro empregado que tu achas digno de um filme de Hollywood. Aproximas-te dele e dizes-lhe:
- Tenho um encontro marcado contigo na minha cama !
Isto é... B2B (Business to Business) (Não tenho a certeza, se calhar é capaz de ser assédio sexual, punível nos termos do novo Código do Trabalho!).
8º Exemplo: Estás numa festa como empregada e vês um cota muito sedutor que te pede uma bebida. Aproximas-te dele e dizes-lhe:
- Sou muito boa na cama !
Isto é... B2C (Business to Consumer).
9º Exemplo: Estás numa festa e procuras a posição perfeita para estar perto do balcão, para topar os melhores gatões... Procuras que a luz realce a tua pele bronzeada e evidencie o teu lado sedutor de forma que consigas atrair o maior número de rapazes e convencê-los de que és uma rapariguinha muito sexy.
Ora isto na gíria dos criativos, pá, é ... GIS (Geographic Information System) ou Geomarketing. Toma e embrulha!
10º Exemplo: Estás numa festa, vês um gajo bué de giro, aproximas-te dele e dizes-lhe “Sou muito boa na cama !”, quando na realidade o teu portfólio, o teu currículo e a tua embalagem... não valem um chavo!
Para todos os efeitos e em toda parte, isto é PE, minha linda, !
ou seja, ... Publicidade enganosa. E corres o risco do gajo ir apresentar queixa contra ti no Institituto de Defesa do Consumidor (IDC): como o nome indica, o IDC é mesmo para defender as incautas vítimas da publicidade enganosa.
O Marketing ainda hoje tende a ser visto (inclusive pelos profissionais de saúde) como uma técnica agressiva, de manipulação, eticamente suspeita, lesiva dos direitos do consumidor, podendo levar uma pessoa a comprar e a consumir o que não quer ou o que não precisa ou até o que lhe faz mal!... E depois "a saúde não é uma mercadoria" e "nós não temos uma Claudia Schiffer"...
Ora o Marketing não é mais do que o processo de tornar atractivo um produto, um serviçou ou uma ideia aos olhos de uma dada população-alvo: neste caso, falamos de "cuidados de saúde", de "promoção da saúde", de "saúde ocupacional"...
No Marketing (comercial) pomos a ênfase sobretudo nos quatro Pês. Trata-se de desenvolver, como dizem os anglossaxónicos, “the right Product backed by the right Promotion and put in the right Place at the right Price”.
Há muita confusão semântica e conceptual à volta do Marketing e das suas várias técnicas... Isso pode ser ilustrado através de alguns exemplos bem humorados... Pode servir-nos também com técnica de defesa contra as meninas que todos os dias nos telefonam dos "call centres" para a gente "ir levantar o prémio"... Com a proximação do Natal, o assédio tornou-se pornográfico!...
1º Exemplo: Estás numa festa e vês um rapaz muito atraente. Aproximas- te dele e sussurras:
- Sou boa como o milho !
Isto é... Marketing directo.
2º Exemplo: Estás numa festa com um grupo de amigas e vês o rapaz do seus sonhos. Uma das tuas amigas aproxima-se dele e diz-lhe ao ouvido:
- Esta gaja, aqui, é muito boa na cama !
Isto é...Publicidade.
3º Exemplo: Estás numa festa e vês uma tara de homem. Aproximas- te dele e pedes-lhe o seu número de telemóvel. No dia seguinte telefonas-lhe e dizes:
- Sabes, sou muito boa na cama !
Isto é... Telemarketing.
4º Exemplo: Estás numa festa e vês um monumento de homem. Reconhece-lo logo à primeira. Estiveste com ele há dias. Aproximas-te dele, avivas-lhe a memória dizendo:
- Lembras-te de mim, ó Ambróisio ? Sou muito melhor que o Ferro Rocher, não sou ? !...
Isto é... CRM (Customer Relationship Management) (Gestão das Relações com o Cliente).
5º Exemplo: Estás numa festa e vês um tipo supergiro. Levantas-te, ajeitas a saia, aproximas-te dele, serves-lhe uma bebida, ofereces-lhe um cigarro e dizes:
- Meu anjo, sou a máxima na cama ou fora dela!
Isto são... Relações Públicas.
6º Exemplo: Estás numa festa e vês um jovem muito atraente. Ele aproxima-se de ti e diz-te:
- Ah!, és tu, ouvi dizer que és muito boa na cama!
Isto é... Branding, o poder da marca.
7º Exemplo: Estás numa festa como empregada e há um outro empregado que tu achas digno de um filme de Hollywood. Aproximas-te dele e dizes-lhe:
- Tenho um encontro marcado contigo na minha cama !
Isto é... B2B (Business to Business) (Não tenho a certeza, se calhar é capaz de ser assédio sexual, punível nos termos do novo Código do Trabalho!).
8º Exemplo: Estás numa festa como empregada e vês um cota muito sedutor que te pede uma bebida. Aproximas-te dele e dizes-lhe:
- Sou muito boa na cama !
Isto é... B2C (Business to Consumer).
9º Exemplo: Estás numa festa e procuras a posição perfeita para estar perto do balcão, para topar os melhores gatões... Procuras que a luz realce a tua pele bronzeada e evidencie o teu lado sedutor de forma que consigas atrair o maior número de rapazes e convencê-los de que és uma rapariguinha muito sexy.
Ora isto na gíria dos criativos, pá, é ... GIS (Geographic Information System) ou Geomarketing. Toma e embrulha!
10º Exemplo: Estás numa festa, vês um gajo bué de giro, aproximas-te dele e dizes-lhe “Sou muito boa na cama !”, quando na realidade o teu portfólio, o teu currículo e a tua embalagem... não valem um chavo!
Para todos os efeitos e em toda parte, isto é PE, minha linda, !
ou seja, ... Publicidade enganosa. E corres o risco do gajo ir apresentar queixa contra ti no Institituto de Defesa do Consumidor (IDC): como o nome indica, o IDC é mesmo para defender as incautas vítimas da publicidade enganosa.
Humor com humor se paga - XII: Marketing (social) para profissionais de saúde (2)
Noções elementares de Marketing em dez exemplos (... e no feminino)
O Marketing ainda hoje tende a ser visto (inclusive pelos profissionais de saúde) como uma técnica agressiva, de manipulação, eticamente suspeita, lesiva dos direitos do consumidor, podendo levar uma pessoa a comprar e a consumir o que não quer ou o que não precisa ou até o que lhe faz mal!... E depois "a saúde não é uma mercadoria" e "nós não temos uma Claudia Schiffer"...
Ora o Marketing não é mais do que o processo de tornar atractivo um produto, um serviçou ou uma ideia aos olhos de uma dada população-alvo: neste caso, falamos de "cuidados de saúde", de "promoção da saúde", de "saúde ocupacional"...
No Marketing (comercial) pomos a ênfase sobretudo nos quatro Pês. Trata-se de desenvolver, como dizem os anglossaxónicos, “the right Product backed by the right Promotion and put in the right Place at the right Price”.
Há muita confusão semântica e conceptual à volta do Marketing e das suas várias técnicas... Isso pode ser ilustrado através de alguns exemplos bem humorados... Pode servir-nos também com técnica de defesa contra as meninas que todos os dias nos telefonam dos "call centres" para a gente "ir levantar o prémio"... Com a proximação do Natal, o assédio tornou-se pornográfico!...
1º Exemplo: Estás numa festa e vês um rapaz muito atraente. Aproximas- te dele e sussurras:
- Sou boa como o milho !
Isto é... Marketing directo.
2º Exemplo: Estás numa festa com um grupo de amigas e vês o rapaz do seus sonhos. Uma das tuas amigas aproxima-se dele e diz-lhe ao ouvido:
- Esta gaja, aqui, é muito boa na cama !
Isto é...Publicidade.
3º Exemplo: Estás numa festa e vês uma tara de homem. Aproximas- te dele e pedes-lhe o seu número de telemóvel. No dia seguinte telefonas-lhe e dizes:
- Sabes, sou muito boa na cama !
Isto é... Telemarketing.
4º Exemplo: Estás numa festa e vês um monumento de homem. Reconhece-lo logo à primeira. Estiveste com ele há dias. Aproximas-te dele, avivas-lhe a memória dizendo:
- Lembras-te de mim, ó Ambróisio ? Sou muito melhor que o Ferro Rocher, não sou ? !...
Isto é... CRM (Customer Relationship Management) (Gestão das Relações com o Cliente).
5º Exemplo: Estás numa festa e vês um tipo supergiro. Levantas-te, ajeitas a saia, aproximas-te dele, serves-lhe uma bebida, ofereces-lhe um cigarro e dizes:
- Meu anjo, sou a máxima na cama ou fora dela!
Isto são... Relações Públicas.
6º Exemplo: Estás numa festa e vês um jovem muito atraente. Ele aproxima-se de ti e diz-te:
- Ah!, és tu, ouvi dizer que és muito boa na cama!
Isto é... Branding, o poder da marca.
7º Exemplo: Estás numa festa como empregada e há um outro empregado que tu achas digno de um filme de Hollywood. Aproximas-te dele e dizes-lhe:
- Tenho um encontro marcado contigo na minha cama !
Isto é... B2B (Business to Business) (Não tenho a certeza, se calhar é capaz de ser assédio sexual, punível nos termos do novo Código do Trabalho!).
8º Exemplo: Estás numa festa como empregada e vês um cota muito sedutor que te pede uma bebida. Aproximas-te dele e dizes-lhe:
- Sou muito boa na cama !
Isto é... B2C (Business to Consumer).
9º Exemplo: Estás numa festa e procuras a posição perfeita para estar perto do balcão, para topar os melhores gatões... Procuras que a luz realce a tua pele bronzeada e evidencie o teu lado sedutor de forma que consigas atrair o maior número de rapazes e convencê-los de que és uma rapariguinha muito sexy.
Ora isto na gíria dos criativos, pá, é ... GIS (Geographic Information System) ou Geomarketing. Toma e embrulha!
10º Exemplo: Estás numa festa, vês um gajo bué de giro, aproximas-te dele e dizes-lhe “Sou muito boa na cama !”, quando na realidade o teu portfólio, o teu currículo e a tua embalagem... não valem um chavo!
Para todos os efeitos e em toda parte, isto é PE, minha linda, !
ou seja, ... Publicidade enganosa. E corres o risco do gajo ir apresentar queixa contra ti no Institituto de Defesa do Consumidor (IDC): como o nome indica, o IDC é mesmo para defender as incautas vítimas da publicidade enganosa.
O Marketing ainda hoje tende a ser visto (inclusive pelos profissionais de saúde) como uma técnica agressiva, de manipulação, eticamente suspeita, lesiva dos direitos do consumidor, podendo levar uma pessoa a comprar e a consumir o que não quer ou o que não precisa ou até o que lhe faz mal!... E depois "a saúde não é uma mercadoria" e "nós não temos uma Claudia Schiffer"...
Ora o Marketing não é mais do que o processo de tornar atractivo um produto, um serviçou ou uma ideia aos olhos de uma dada população-alvo: neste caso, falamos de "cuidados de saúde", de "promoção da saúde", de "saúde ocupacional"...
No Marketing (comercial) pomos a ênfase sobretudo nos quatro Pês. Trata-se de desenvolver, como dizem os anglossaxónicos, “the right Product backed by the right Promotion and put in the right Place at the right Price”.
Há muita confusão semântica e conceptual à volta do Marketing e das suas várias técnicas... Isso pode ser ilustrado através de alguns exemplos bem humorados... Pode servir-nos também com técnica de defesa contra as meninas que todos os dias nos telefonam dos "call centres" para a gente "ir levantar o prémio"... Com a proximação do Natal, o assédio tornou-se pornográfico!...
1º Exemplo: Estás numa festa e vês um rapaz muito atraente. Aproximas- te dele e sussurras:
- Sou boa como o milho !
Isto é... Marketing directo.
2º Exemplo: Estás numa festa com um grupo de amigas e vês o rapaz do seus sonhos. Uma das tuas amigas aproxima-se dele e diz-lhe ao ouvido:
- Esta gaja, aqui, é muito boa na cama !
Isto é...Publicidade.
3º Exemplo: Estás numa festa e vês uma tara de homem. Aproximas- te dele e pedes-lhe o seu número de telemóvel. No dia seguinte telefonas-lhe e dizes:
- Sabes, sou muito boa na cama !
Isto é... Telemarketing.
4º Exemplo: Estás numa festa e vês um monumento de homem. Reconhece-lo logo à primeira. Estiveste com ele há dias. Aproximas-te dele, avivas-lhe a memória dizendo:
- Lembras-te de mim, ó Ambróisio ? Sou muito melhor que o Ferro Rocher, não sou ? !...
Isto é... CRM (Customer Relationship Management) (Gestão das Relações com o Cliente).
5º Exemplo: Estás numa festa e vês um tipo supergiro. Levantas-te, ajeitas a saia, aproximas-te dele, serves-lhe uma bebida, ofereces-lhe um cigarro e dizes:
- Meu anjo, sou a máxima na cama ou fora dela!
Isto são... Relações Públicas.
6º Exemplo: Estás numa festa e vês um jovem muito atraente. Ele aproxima-se de ti e diz-te:
- Ah!, és tu, ouvi dizer que és muito boa na cama!
Isto é... Branding, o poder da marca.
7º Exemplo: Estás numa festa como empregada e há um outro empregado que tu achas digno de um filme de Hollywood. Aproximas-te dele e dizes-lhe:
- Tenho um encontro marcado contigo na minha cama !
Isto é... B2B (Business to Business) (Não tenho a certeza, se calhar é capaz de ser assédio sexual, punível nos termos do novo Código do Trabalho!).
8º Exemplo: Estás numa festa como empregada e vês um cota muito sedutor que te pede uma bebida. Aproximas-te dele e dizes-lhe:
- Sou muito boa na cama !
Isto é... B2C (Business to Consumer).
9º Exemplo: Estás numa festa e procuras a posição perfeita para estar perto do balcão, para topar os melhores gatões... Procuras que a luz realce a tua pele bronzeada e evidencie o teu lado sedutor de forma que consigas atrair o maior número de rapazes e convencê-los de que és uma rapariguinha muito sexy.
Ora isto na gíria dos criativos, pá, é ... GIS (Geographic Information System) ou Geomarketing. Toma e embrulha!
10º Exemplo: Estás numa festa, vês um gajo bué de giro, aproximas-te dele e dizes-lhe “Sou muito boa na cama !”, quando na realidade o teu portfólio, o teu currículo e a tua embalagem... não valem um chavo!
Para todos os efeitos e em toda parte, isto é PE, minha linda, !
ou seja, ... Publicidade enganosa. E corres o risco do gajo ir apresentar queixa contra ti no Institituto de Defesa do Consumidor (IDC): como o nome indica, o IDC é mesmo para defender as incautas vítimas da publicidade enganosa.
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