Perguntaram-me há dias, em entrevista, se a cidade e a sua dimensão influem na identidade de cada um…
A minha primeira reacção foi pensar que a pergunta era idiota. Mas depois reflecti um pouco mais. Até por consideração para com o meu jovem entrevistador, por sinal um aprendiz de sociólogo. Talvez a pergunta fizesse algum sentido... Seguramente que faz sentido. Como qualquer outra pergunta, por mais absurda que te pareça.
Eis o que eu, blogador, penso a respeito desta questão: Cada pessoa traz, no seu bilhete de identidade, o nome da localidade ou região onde nasceu. Mas também aquela onde vive. Julgo que não será tanto a dimensão da cidade, como certos traços da cidade (ou da região) onde se nasceu, que são elementos constitutivos da nossa identidade. A par de outros como a classe social dos progenitores e educadores... Em suma, o teu habitat também faz parte da tua matriz sociocultural. Que significado tem para um vienense ter nascido em Viena ? Muita: ele próprio se distingue dos restantes austríacos, segundo percebi quando lá estive… O prestígio, o glamour, a riqueza, a história, a monumentalidade, a posição geográfica, as personalidades marcantes ou a cultura da cidade são outros tantos elementos importantes de identificação… Um nova-iorquino muito provavelmente identifica-se mais com Manhattan onde nasceu do que outras zonas da grande metrópole de Nova Iorque onde provavelmente nunca foi.
Um lisboeta, filho de pais que vieram da província nos anos 60 ou 70, que nasceu na Maternidade Alfredo da Costa e vive hoje no Rio de Mouro, muito provavelmente só tem da vivência de Lisboa uma escassa memória que lhe vem da primeira infância. Em que medida Lisboa está associada à sua identidade como pessoa, cidadão, português ? Provavelmente volta a Lisboa, todos os dias, como trabalhador da periferia, engarrafado na famigerada IC 19 ou pendurado no combóio da linha de Sintra... Podíamos falar de uma identidade suburbana, mas não me perguntes o que é a identidade do habitante de Rio de Mouro. Noutro Rio, mas de Onor, Jorge Dias e, mais tarde, Pais de Brito, ambos antropólogos em épocas diferentes, ainda descobriram uma identidade que estava associada indelevelmente à economia agro-pastoril de montanha e à organização comunitária...
É diferente o caso do alfacinha que nasceu e viveu num dos bairros populares de Lisboa (Alfama, Mouraria, Madragoa, Alcântara, Campo de Ourique e outras “antigas aldeias” de Lisboa…). Hoje as grandes cidades são anómicas e as pessoas acabam por ser expulsas para as periferias onde a identidade se dilui ou se transforma... Estamos a falar de Lisboa, cidade, ou da Grande Lisboa, ou da Área Metropolitana de Lisboa ? Dizes que a cidade hoje é anómica, tal como ontem era um locus infectus… As nossas periferias suburbanas continuam anómicas, feias, agressivas, tristes e depremidas, apesar de algum esforço de humanização e modernização do espaço suburbano levado a cabo pelos poderes autárquico e central...
A seguir perguntas-me, meu caro jovem, em que medida os valores e a cultura de um cidade (Lisboa, Porto, Coimbra…) afectam a identidade do estudante universitário…
Respondo-te com uma outra pergunta: há um típico estudante universitário ? Lisboeta, coimbrão, portuense ? Não estudei o assunto, como sociólogo, mas em sociologuês te respondo: sem dúvida, os valores e a cultura de uma cidade, como por exemplo, Lisboa, Porto ou Coimbra, afectam a identidade de cada um de nós, enquanto estudantes universitários. Na medida em que ter sido estudante universitário (em Lisboa, Porto ou Coimbra) é algo que não se esquece, faz parte da nossa história de vida, do nosso curriculum vitae... Não tanto pela dimensão da cidade, como pela sua história e sobretudo pela organização da academia. Lisboa, por exemplo, não tem uma academia como Coimbra. Julgo que por avisada decisão do poder político: Salazar não brincava em serviço… E em Lisboa dividiu para reinar.
Lisboa tem três universidades públicas e não sei quantas privadas. Mas do ponto de vista antropológico e sociológico se calhar a identidade estudantil coimbrã é capaz de ser mais interessante ou mais forte ou mais visível. Mas o que é ser estudante hoje, em Coimbra ? Não passei por lá, não estou lá, não sou qualificado para falar do estudante coimbrão. O Porto, enquanto burgo, ainda tem uma identidade forte que lhe advêm da sua história como cidade burguesa e mercantil, de tradição liberal, resistente ao poder senhorial, primeiro, e central, depois. E mais recentemente das proezas futebolísticas de uma das suas equipas de futebol (sim, porque o Porto também é o Boavista, também é o Salgueiros, embora estes sejam clubes de bairro...). Recorde-se que as universidade do Porto e de Lisboa só existem desde 1911, embora estas duas cidades já tivessem ensino superior há mais tempo (por ex., as Escolas Médico-Cirúrgicas, desde 1836).
E o cosmopolitismo ? Também afecta o modo de pensar, a identidade, as ideias, os modos de interacção social ?
Grandes cidades cosmopolitas como Nova Iorque, Londres ou Paris seguramente que afectam a identidade de quem lá vive (e talvez de quem lá nasceu ou lá tem raízes…), a sua sociabilidade, os seus valores, as suas atitudes ou até os seus comportamentos...A sua maneira de pensar, de viver, de habitar, de trabalhar, de consumir, de amar e até de morrer... Mas acho que temos de rever o conceito de cosmopolitismo à luz da globalização. Há muitos estereótipos sobre o modo de ser citadino. O que é hoje ser romano em Roma ou parisiense em Paris ? O que é ser parisiense para um filho de um magrebino ? Ou lisboeta para um cabo-verdiano ? Ou alentejano na Amadora ? Ou turco em Berlim ?
Em todo o caso reconheço que as nossas cidades continuam a ser provincianas quando as comparamos com as grandes cidades europeias. Lisboa, Porto ou Coimbra são provincianas quando as comparamos com as de igual dimensão no país vizinho. O problema é o país que é provinciano, à escala regional e global… Claro que não o era na época dos Descobrimentos! Ou pelo menos Lisboa.
Diferenças entre Lisboa e Porto no contexto universitário ?
Bom, meu jovem, não sou sociólogo urbano nem etnólogo, fiz o meu curso de sociologia como trabalhador estudante no contexto muito particular do pós-25 de Abril. Embora sendo professor universitário em Lisboa, tenho alguma dificuldade em identificar uma identidade urbana dentro do espaço universitário lisboeta…
Por lado, não conheço muito bem a universidade do Porto, embora eu vá ao Porto com alguma regularidade ao longo do ano. Em rigor, não conheço a universidade do Porto, a não ser os edifícios das faculdades, vistos de fora… Julgo que entrei uma vez na Faculdade de Ciências Biomédicas Abel Salazar…
Em todo o caso, espero bem que existam algumas diferenças. Para melhor ou para pior. E desde que sejam estatisticamente significativas... Quanto mais não seja para contrariar a minha querida professora Maria Filomena Mónica que há dias arrasou de alto a baixo a universidade portuguesa pós-pombalina, do professores catedrático ao cão que morde ao doutor...
Bom, e para acabar: acha que essa coisa da densidade populacional é importante, é sociologicamente densa ?
Em sociologuês te respondo, meu rapaz. Se eu tivesse numa aula, seguramente que te responderia, com ar doutoral e grave, que, sem dúvida, a densidade populacional é um factor importante da sociabilidade, da qualidade de vida e da própria saúde mental das pessoas… O espaço urbano tornou-se patológico, esquizofrénico, concentraccionário, devido não só densidade populacional, à terciarização da economia, à construção em altura, à volumetria dos edifícios, à má arquitectura e ao mau urbanismo, mas sobretudo à segregação sócio-espacial. Ainda não chegámos ao arame farpado dos condomínios fechados e blindados do Rio de Janeiro, mas para lá caminhamos….
Em contrapartida, as pessoas hoje têm uma maior mobilidade geográfica e acabam por poder fugir, em liberdade condicional (e nem que seja por uns dias), do gueto onde vivem… Esse é, de resto, o papel dos “pacotes de férias” que se vendem hoje nos países ditos ricos e que servem para o anónimo cidadão, com algum crédito ou poder de compra, ir “carregar as baterias” num qualquer pseudo-paraíso terrestre… E no meio de tudo isto, acabei por perder o meu bilhete de identidade... Afinal, quem tu és, ó blogador? Bem podia ser o princípio da letra de um fado cantado pelo grande Camané...
blogue-fora-nada. homo socius ergo blogus [sum]. homem social logo blogador. em sociobloguês nos entendemos. o port(ug)al dos (por)tugas. a prova dos blogue-fora-nada. a guerra colonial. a guiné. do chacheu ao boe. de bissau a bambadinca. os cacimbados. o geba. o corubal. os rios. o macaréu da nossa revolta. o humor nosso de cada dia nos dai hoje.lá vamos blogando e rindo. e venham mais cinco (camaradas). e vieram tantos que isto se transformou numa caserna. a maior caserna virtual da Net!
11 dezembro 2003
Socio(b)logia - II: Cidade e identidade
Perguntaram-me há dias, em entrevista, se a cidade e a sua dimensão influem na identidade de cada um…
A minha primeira reacção foi pensar que a pergunta era idiota. Mas depois reflecti um pouco mais. Até por consideração para com o meu jovem entrevistador, por sinal um aprendiz de sociólogo. Talvez a pergunta fizesse algum sentido... Seguramente que faz sentido. Como qualquer outra pergunta, por mais absurda que te pareça.
Eis o que eu, blogador, penso a respeito desta questão: Cada pessoa traz, no seu bilhete de identidade, o nome da localidade ou região onde nasceu. Mas também aquela onde vive. Julgo que não será tanto a dimensão da cidade, como certos traços da cidade (ou da região) onde se nasceu, que são elementos constitutivos da nossa identidade. A par de outros como a classe social dos progenitores e educadores... Em suma, o teu habitat também faz parte da tua matriz sociocultural. Que significado tem para um vienense ter nascido em Viena ? Muita: ele próprio se distingue dos restantes austríacos, segundo percebi quando lá estive… O prestígio, o glamour, a riqueza, a história, a monumentalidade, a posição geográfica, as personalidades marcantes ou a cultura da cidade são outros tantos elementos importantes de identificação… Um nova-iorquino muito provavelmente identifica-se mais com Manhattan onde nasceu do que outras zonas da grande metrópole de Nova Iorque onde provavelmente nunca foi.
Um lisboeta, filho de pais que vieram da província nos anos 60 ou 70, que nasceu na Maternidade Alfredo da Costa e vive hoje no Rio de Mouro, muito provavelmente só tem da vivência de Lisboa uma escassa memória que lhe vem da primeira infância. Em que medida Lisboa está associada à sua identidade como pessoa, cidadão, português ? Provavelmente volta a Lisboa, todos os dias, como trabalhador da periferia, engarrafado na famigerada IC 19 ou pendurado no combóio da linha de Sintra... Podíamos falar de uma identidade suburbana, mas não me perguntes o que é a identidade do habitante de Rio de Mouro. Noutro Rio, mas de Onor, Jorge Dias e, mais tarde, Pais de Brito, ambos antropólogos em épocas diferentes, ainda descobriram uma identidade que estava associada indelevelmente à economia agro-pastoril de montanha e à organização comunitária...
É diferente o caso do alfacinha que nasceu e viveu num dos bairros populares de Lisboa (Alfama, Mouraria, Madragoa, Alcântara, Campo de Ourique e outras “antigas aldeias” de Lisboa…). Hoje as grandes cidades são anómicas e as pessoas acabam por ser expulsas para as periferias onde a identidade se dilui ou se transforma... Estamos a falar de Lisboa, cidade, ou da Grande Lisboa, ou da Área Metropolitana de Lisboa ? Dizes que a cidade hoje é anómica, tal como ontem era um locus infectus… As nossas periferias suburbanas continuam anómicas, feias, agressivas, tristes e depremidas, apesar de algum esforço de humanização e modernização do espaço suburbano levado a cabo pelos poderes autárquico e central...
A seguir perguntas-me, meu caro jovem, em que medida os valores e a cultura de um cidade (Lisboa, Porto, Coimbra…) afectam a identidade do estudante universitário…
Respondo-te com uma outra pergunta: há um típico estudante universitário ? Lisboeta, coimbrão, portuense ? Não estudei o assunto, como sociólogo, mas em sociologuês te respondo: sem dúvida, os valores e a cultura de uma cidade, como por exemplo, Lisboa, Porto ou Coimbra, afectam a identidade de cada um de nós, enquanto estudantes universitários. Na medida em que ter sido estudante universitário (em Lisboa, Porto ou Coimbra) é algo que não se esquece, faz parte da nossa história de vida, do nosso curriculum vitae... Não tanto pela dimensão da cidade, como pela sua história e sobretudo pela organização da academia. Lisboa, por exemplo, não tem uma academia como Coimbra. Julgo que por avisada decisão do poder político: Salazar não brincava em serviço… E em Lisboa dividiu para reinar.
Lisboa tem três universidades públicas e não sei quantas privadas. Mas do ponto de vista antropológico e sociológico se calhar a identidade estudantil coimbrã é capaz de ser mais interessante ou mais forte ou mais visível. Mas o que é ser estudante hoje, em Coimbra ? Não passei por lá, não estou lá, não sou qualificado para falar do estudante coimbrão. O Porto, enquanto burgo, ainda tem uma identidade forte que lhe advêm da sua história como cidade burguesa e mercantil, de tradição liberal, resistente ao poder senhorial, primeiro, e central, depois. E mais recentemente das proezas futebolísticas de uma das suas equipas de futebol (sim, porque o Porto também é o Boavista, também é o Salgueiros, embora estes sejam clubes de bairro...). Recorde-se que as universidade do Porto e de Lisboa só existem desde 1911, embora estas duas cidades já tivessem ensino superior há mais tempo (por ex., as Escolas Médico-Cirúrgicas, desde 1836).
E o cosmopolitismo ? Também afecta o modo de pensar, a identidade, as ideias, os modos de interacção social ?
Grandes cidades cosmopolitas como Nova Iorque, Londres ou Paris seguramente que afectam a identidade de quem lá vive (e talvez de quem lá nasceu ou lá tem raízes…), a sua sociabilidade, os seus valores, as suas atitudes ou até os seus comportamentos...A sua maneira de pensar, de viver, de habitar, de trabalhar, de consumir, de amar e até de morrer... Mas acho que temos de rever o conceito de cosmopolitismo à luz da globalização. Há muitos estereótipos sobre o modo de ser citadino. O que é hoje ser romano em Roma ou parisiense em Paris ? O que é ser parisiense para um filho de um magrebino ? Ou lisboeta para um cabo-verdiano ? Ou alentejano na Amadora ? Ou turco em Berlim ?
Em todo o caso reconheço que as nossas cidades continuam a ser provincianas quando as comparamos com as grandes cidades europeias. Lisboa, Porto ou Coimbra são provincianas quando as comparamos com as de igual dimensão no país vizinho. O problema é o país que é provinciano, à escala regional e global… Claro que não o era na época dos Descobrimentos! Ou pelo menos Lisboa.
Diferenças entre Lisboa e Porto no contexto universitário ?
Bom, meu jovem, não sou sociólogo urbano nem etnólogo, fiz o meu curso de sociologia como trabalhador estudante no contexto muito particular do pós-25 de Abril. Embora sendo professor universitário em Lisboa, tenho alguma dificuldade em identificar uma identidade urbana dentro do espaço universitário lisboeta…
Por lado, não conheço muito bem a universidade do Porto, embora eu vá ao Porto com alguma regularidade ao longo do ano. Em rigor, não conheço a universidade do Porto, a não ser os edifícios das faculdades, vistos de fora… Julgo que entrei uma vez na Faculdade de Ciências Biomédicas Abel Salazar…
Em todo o caso, espero bem que existam algumas diferenças. Para melhor ou para pior. E desde que sejam estatisticamente significativas... Quanto mais não seja para contrariar a minha querida professora Maria Filomena Mónica que há dias arrasou de alto a baixo a universidade portuguesa pós-pombalina, do professores catedrático ao cão que morde ao doutor...
Bom, e para acabar: acha que essa coisa da densidade populacional é importante, é sociologicamente densa ?
Em sociologuês te respondo, meu rapaz. Se eu tivesse numa aula, seguramente que te responderia, com ar doutoral e grave, que, sem dúvida, a densidade populacional é um factor importante da sociabilidade, da qualidade de vida e da própria saúde mental das pessoas… O espaço urbano tornou-se patológico, esquizofrénico, concentraccionário, devido não só densidade populacional, à terciarização da economia, à construção em altura, à volumetria dos edifícios, à má arquitectura e ao mau urbanismo, mas sobretudo à segregação sócio-espacial. Ainda não chegámos ao arame farpado dos condomínios fechados e blindados do Rio de Janeiro, mas para lá caminhamos….
Em contrapartida, as pessoas hoje têm uma maior mobilidade geográfica e acabam por poder fugir, em liberdade condicional (e nem que seja por uns dias), do gueto onde vivem… Esse é, de resto, o papel dos “pacotes de férias” que se vendem hoje nos países ditos ricos e que servem para o anónimo cidadão, com algum crédito ou poder de compra, ir “carregar as baterias” num qualquer pseudo-paraíso terrestre… E no meio de tudo isto, acabei por perder o meu bilhete de identidade... Afinal, quem tu és, ó blogador? Bem podia ser o princípio da letra de um fado cantado pelo grande Camané...
A minha primeira reacção foi pensar que a pergunta era idiota. Mas depois reflecti um pouco mais. Até por consideração para com o meu jovem entrevistador, por sinal um aprendiz de sociólogo. Talvez a pergunta fizesse algum sentido... Seguramente que faz sentido. Como qualquer outra pergunta, por mais absurda que te pareça.
Eis o que eu, blogador, penso a respeito desta questão: Cada pessoa traz, no seu bilhete de identidade, o nome da localidade ou região onde nasceu. Mas também aquela onde vive. Julgo que não será tanto a dimensão da cidade, como certos traços da cidade (ou da região) onde se nasceu, que são elementos constitutivos da nossa identidade. A par de outros como a classe social dos progenitores e educadores... Em suma, o teu habitat também faz parte da tua matriz sociocultural. Que significado tem para um vienense ter nascido em Viena ? Muita: ele próprio se distingue dos restantes austríacos, segundo percebi quando lá estive… O prestígio, o glamour, a riqueza, a história, a monumentalidade, a posição geográfica, as personalidades marcantes ou a cultura da cidade são outros tantos elementos importantes de identificação… Um nova-iorquino muito provavelmente identifica-se mais com Manhattan onde nasceu do que outras zonas da grande metrópole de Nova Iorque onde provavelmente nunca foi.
Um lisboeta, filho de pais que vieram da província nos anos 60 ou 70, que nasceu na Maternidade Alfredo da Costa e vive hoje no Rio de Mouro, muito provavelmente só tem da vivência de Lisboa uma escassa memória que lhe vem da primeira infância. Em que medida Lisboa está associada à sua identidade como pessoa, cidadão, português ? Provavelmente volta a Lisboa, todos os dias, como trabalhador da periferia, engarrafado na famigerada IC 19 ou pendurado no combóio da linha de Sintra... Podíamos falar de uma identidade suburbana, mas não me perguntes o que é a identidade do habitante de Rio de Mouro. Noutro Rio, mas de Onor, Jorge Dias e, mais tarde, Pais de Brito, ambos antropólogos em épocas diferentes, ainda descobriram uma identidade que estava associada indelevelmente à economia agro-pastoril de montanha e à organização comunitária...
É diferente o caso do alfacinha que nasceu e viveu num dos bairros populares de Lisboa (Alfama, Mouraria, Madragoa, Alcântara, Campo de Ourique e outras “antigas aldeias” de Lisboa…). Hoje as grandes cidades são anómicas e as pessoas acabam por ser expulsas para as periferias onde a identidade se dilui ou se transforma... Estamos a falar de Lisboa, cidade, ou da Grande Lisboa, ou da Área Metropolitana de Lisboa ? Dizes que a cidade hoje é anómica, tal como ontem era um locus infectus… As nossas periferias suburbanas continuam anómicas, feias, agressivas, tristes e depremidas, apesar de algum esforço de humanização e modernização do espaço suburbano levado a cabo pelos poderes autárquico e central...
A seguir perguntas-me, meu caro jovem, em que medida os valores e a cultura de um cidade (Lisboa, Porto, Coimbra…) afectam a identidade do estudante universitário…
Respondo-te com uma outra pergunta: há um típico estudante universitário ? Lisboeta, coimbrão, portuense ? Não estudei o assunto, como sociólogo, mas em sociologuês te respondo: sem dúvida, os valores e a cultura de uma cidade, como por exemplo, Lisboa, Porto ou Coimbra, afectam a identidade de cada um de nós, enquanto estudantes universitários. Na medida em que ter sido estudante universitário (em Lisboa, Porto ou Coimbra) é algo que não se esquece, faz parte da nossa história de vida, do nosso curriculum vitae... Não tanto pela dimensão da cidade, como pela sua história e sobretudo pela organização da academia. Lisboa, por exemplo, não tem uma academia como Coimbra. Julgo que por avisada decisão do poder político: Salazar não brincava em serviço… E em Lisboa dividiu para reinar.
Lisboa tem três universidades públicas e não sei quantas privadas. Mas do ponto de vista antropológico e sociológico se calhar a identidade estudantil coimbrã é capaz de ser mais interessante ou mais forte ou mais visível. Mas o que é ser estudante hoje, em Coimbra ? Não passei por lá, não estou lá, não sou qualificado para falar do estudante coimbrão. O Porto, enquanto burgo, ainda tem uma identidade forte que lhe advêm da sua história como cidade burguesa e mercantil, de tradição liberal, resistente ao poder senhorial, primeiro, e central, depois. E mais recentemente das proezas futebolísticas de uma das suas equipas de futebol (sim, porque o Porto também é o Boavista, também é o Salgueiros, embora estes sejam clubes de bairro...). Recorde-se que as universidade do Porto e de Lisboa só existem desde 1911, embora estas duas cidades já tivessem ensino superior há mais tempo (por ex., as Escolas Médico-Cirúrgicas, desde 1836).
E o cosmopolitismo ? Também afecta o modo de pensar, a identidade, as ideias, os modos de interacção social ?
Grandes cidades cosmopolitas como Nova Iorque, Londres ou Paris seguramente que afectam a identidade de quem lá vive (e talvez de quem lá nasceu ou lá tem raízes…), a sua sociabilidade, os seus valores, as suas atitudes ou até os seus comportamentos...A sua maneira de pensar, de viver, de habitar, de trabalhar, de consumir, de amar e até de morrer... Mas acho que temos de rever o conceito de cosmopolitismo à luz da globalização. Há muitos estereótipos sobre o modo de ser citadino. O que é hoje ser romano em Roma ou parisiense em Paris ? O que é ser parisiense para um filho de um magrebino ? Ou lisboeta para um cabo-verdiano ? Ou alentejano na Amadora ? Ou turco em Berlim ?
Em todo o caso reconheço que as nossas cidades continuam a ser provincianas quando as comparamos com as grandes cidades europeias. Lisboa, Porto ou Coimbra são provincianas quando as comparamos com as de igual dimensão no país vizinho. O problema é o país que é provinciano, à escala regional e global… Claro que não o era na época dos Descobrimentos! Ou pelo menos Lisboa.
Diferenças entre Lisboa e Porto no contexto universitário ?
Bom, meu jovem, não sou sociólogo urbano nem etnólogo, fiz o meu curso de sociologia como trabalhador estudante no contexto muito particular do pós-25 de Abril. Embora sendo professor universitário em Lisboa, tenho alguma dificuldade em identificar uma identidade urbana dentro do espaço universitário lisboeta…
Por lado, não conheço muito bem a universidade do Porto, embora eu vá ao Porto com alguma regularidade ao longo do ano. Em rigor, não conheço a universidade do Porto, a não ser os edifícios das faculdades, vistos de fora… Julgo que entrei uma vez na Faculdade de Ciências Biomédicas Abel Salazar…
Em todo o caso, espero bem que existam algumas diferenças. Para melhor ou para pior. E desde que sejam estatisticamente significativas... Quanto mais não seja para contrariar a minha querida professora Maria Filomena Mónica que há dias arrasou de alto a baixo a universidade portuguesa pós-pombalina, do professores catedrático ao cão que morde ao doutor...
Bom, e para acabar: acha que essa coisa da densidade populacional é importante, é sociologicamente densa ?
Em sociologuês te respondo, meu rapaz. Se eu tivesse numa aula, seguramente que te responderia, com ar doutoral e grave, que, sem dúvida, a densidade populacional é um factor importante da sociabilidade, da qualidade de vida e da própria saúde mental das pessoas… O espaço urbano tornou-se patológico, esquizofrénico, concentraccionário, devido não só densidade populacional, à terciarização da economia, à construção em altura, à volumetria dos edifícios, à má arquitectura e ao mau urbanismo, mas sobretudo à segregação sócio-espacial. Ainda não chegámos ao arame farpado dos condomínios fechados e blindados do Rio de Janeiro, mas para lá caminhamos….
Em contrapartida, as pessoas hoje têm uma maior mobilidade geográfica e acabam por poder fugir, em liberdade condicional (e nem que seja por uns dias), do gueto onde vivem… Esse é, de resto, o papel dos “pacotes de férias” que se vendem hoje nos países ditos ricos e que servem para o anónimo cidadão, com algum crédito ou poder de compra, ir “carregar as baterias” num qualquer pseudo-paraíso terrestre… E no meio de tudo isto, acabei por perder o meu bilhete de identidade... Afinal, quem tu és, ó blogador? Bem podia ser o princípio da letra de um fado cantado pelo grande Camané...
09 dezembro 2003
Portugal sacro-profano - XI: Monsanto ou a floresta do lobo mau
Fui ontem, feriado, fazer o meu jogging no Parque Florestal de Monsanto. Já o faço há mais de 15 anos, com maior ou menor regularidade. Sozinho ou às vezes com a família.
Monsanto é um espaço fabuloso de cerca de mil hectares (1/8 da área da cidade de Lisboa), que muitos lisboetas desconhecem ou não usufruem devidamente. E que outros maltratam, cercando-o de cimento armado e alcatrão. Ou cobiçam, na mira da especulação imobiliária. Destaco, muito em especial, os seus 300 km de caminhos pedestres, para além da riqueza da sua flora e fauna.
É certo que a manhã estava chuvosa, pouco convidativa para as actividades ao ar livre. Em mais de hora e meia, encontrei apenas um pequeno grupo de seis pessoas fazendo jogging, além de alguns cicloturistas solitários e um coelho espavorido.
Há uma estranha relação dos portugas, rurais ou citadinos, com a floresta: ela sempre nos inspirou um misto contraditadório de encantamento, respeito e medo. O medo é ancestral e, no caso das pessoas da minha geração, poderá estar associada à experiência da guerra colonial ou às vivências de África. Haverá mais de um milhão de portugueses que, ao olharem para uma árvore de uma floresta, são capazes de imaginar, por detrás dela, um RPG-7 (o mais famoso lança-granadas do mundo) ou uma kalashnikov (a mais famosa espingarda automática de todos os tempos). Ao caminhares, solitário, por Monsanto, são outros nomes, exóticos, que te vêm à cabeça, por uns instantes, em rápido flashback: as matas do Morés, do Xime ou do Corubal, o Mato Cão, a Ponta do Inglês...
No caso de Monsanto, isso é agravado por estereótipos profundamente arreigados no imaginário do lisboeta. Estereótipos associados ao crime, à prostituição e à marginalidade. Ontem e hoje. Antes de ser reflorestada a serra de Monsanto era habitada por um estranho povo, parte do lumpen-proletariado de Lisboa, com famílias inteiras vivendo como animais em furnas que o Duarte Pacheco teve que mandar obstruir!!! Essas marcas ainda são visíveis na paisagem...
Leio algures nos sítios que selecionei para os leitores deste blogue, que cerca de dois milhões de pessoas visitam anualmente este espaço, incluindo os diversos parques recreativos. Eu acho que é pouco, que é ainda pouco. E sobretudo são em número irrisório os que fazem jogging em Monsanto. Eu acho que os lisboetas e os saloios da periferia de Lisboa ainda continuam de costas voltadas para Monsanto. Sobretudo continuam muito sedentários. E, mais ainda, muito dependentes do automóvel.
Sem dúvida que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) terá que se esforçar mais para mudar esta atitude negativa dos lisboetas e demais portugas que residem nos concelhos limítrofes, como o meu, relativamente à fruição do seu "pulmão verde". De qualquer modo, deixem-me dar os meus parabéns à CML que está a executar um programa de limpeza e reflorestação para pôr Monsanto "novinho em folha"... É de aplaudir também o corte do trânsito automóvel aos fins-de-semana, no verão, a par da melhoria da segurança, da acessibilidade e da sinalização.
Aqui ficam, entretanto, alguns sítios com informações interessantes sobre o Monsanto, o mal amado, ou a floresta do lobo mau.
Câmara Municipal de Lisboa – Espaços Verdes
A segurança no Parque Florestal de Monsanto
Parque Ecológico de Monsanto
Monsanto é um espaço fabuloso de cerca de mil hectares (1/8 da área da cidade de Lisboa), que muitos lisboetas desconhecem ou não usufruem devidamente. E que outros maltratam, cercando-o de cimento armado e alcatrão. Ou cobiçam, na mira da especulação imobiliária. Destaco, muito em especial, os seus 300 km de caminhos pedestres, para além da riqueza da sua flora e fauna.
É certo que a manhã estava chuvosa, pouco convidativa para as actividades ao ar livre. Em mais de hora e meia, encontrei apenas um pequeno grupo de seis pessoas fazendo jogging, além de alguns cicloturistas solitários e um coelho espavorido.
Há uma estranha relação dos portugas, rurais ou citadinos, com a floresta: ela sempre nos inspirou um misto contraditadório de encantamento, respeito e medo. O medo é ancestral e, no caso das pessoas da minha geração, poderá estar associada à experiência da guerra colonial ou às vivências de África. Haverá mais de um milhão de portugueses que, ao olharem para uma árvore de uma floresta, são capazes de imaginar, por detrás dela, um RPG-7 (o mais famoso lança-granadas do mundo) ou uma kalashnikov (a mais famosa espingarda automática de todos os tempos). Ao caminhares, solitário, por Monsanto, são outros nomes, exóticos, que te vêm à cabeça, por uns instantes, em rápido flashback: as matas do Morés, do Xime ou do Corubal, o Mato Cão, a Ponta do Inglês...
No caso de Monsanto, isso é agravado por estereótipos profundamente arreigados no imaginário do lisboeta. Estereótipos associados ao crime, à prostituição e à marginalidade. Ontem e hoje. Antes de ser reflorestada a serra de Monsanto era habitada por um estranho povo, parte do lumpen-proletariado de Lisboa, com famílias inteiras vivendo como animais em furnas que o Duarte Pacheco teve que mandar obstruir!!! Essas marcas ainda são visíveis na paisagem...
Leio algures nos sítios que selecionei para os leitores deste blogue, que cerca de dois milhões de pessoas visitam anualmente este espaço, incluindo os diversos parques recreativos. Eu acho que é pouco, que é ainda pouco. E sobretudo são em número irrisório os que fazem jogging em Monsanto. Eu acho que os lisboetas e os saloios da periferia de Lisboa ainda continuam de costas voltadas para Monsanto. Sobretudo continuam muito sedentários. E, mais ainda, muito dependentes do automóvel.
Sem dúvida que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) terá que se esforçar mais para mudar esta atitude negativa dos lisboetas e demais portugas que residem nos concelhos limítrofes, como o meu, relativamente à fruição do seu "pulmão verde". De qualquer modo, deixem-me dar os meus parabéns à CML que está a executar um programa de limpeza e reflorestação para pôr Monsanto "novinho em folha"... É de aplaudir também o corte do trânsito automóvel aos fins-de-semana, no verão, a par da melhoria da segurança, da acessibilidade e da sinalização.
Aqui ficam, entretanto, alguns sítios com informações interessantes sobre o Monsanto, o mal amado, ou a floresta do lobo mau.
Câmara Municipal de Lisboa – Espaços Verdes
A segurança no Parque Florestal de Monsanto
Parque Ecológico de Monsanto
Portugal sacro-profano - XI: Monsanto ou a floresta do lobo mau
Fui ontem, feriado, fazer o meu jogging no Parque Florestal de Monsanto. Já o faço há mais de 15 anos, com maior ou menor regularidade. Sozinho ou às vezes com a família.
Monsanto é um espaço fabuloso de cerca de mil hectares (1/8 da área da cidade de Lisboa), que muitos lisboetas desconhecem ou não usufruem devidamente. E que outros maltratam, cercando-o de cimento armado e alcatrão. Ou cobiçam, na mira da especulação imobiliária. Destaco, muito em especial, os seus 300 km de caminhos pedestres, para além da riqueza da sua flora e fauna.
É certo que a manhã estava chuvosa, pouco convidativa para as actividades ao ar livre. Em mais de hora e meia, encontrei apenas um pequeno grupo de seis pessoas fazendo jogging, além de alguns cicloturistas solitários e um coelho espavorido.
Há uma estranha relação dos portugas, rurais ou citadinos, com a floresta: ela sempre nos inspirou um misto contraditadório de encantamento, respeito e medo. O medo é ancestral e, no caso das pessoas da minha geração, poderá estar associada à experiência da guerra colonial ou às vivências de África. Haverá mais de um milhão de portugueses que, ao olharem para uma árvore de uma floresta, são capazes de imaginar, por detrás dela, um RPG-7 (o mais famoso lança-granadas do mundo) ou uma kalashnikov (a mais famosa espingarda automática de todos os tempos). Ao caminhares, solitário, por Monsanto, são outros nomes, exóticos, que te vêm à cabeça, por uns instantes, em rápido flashback: as matas do Morés, do Xime ou do Corubal, o Mato Cão, a Ponta do Inglês...
No caso de Monsanto, isso é agravado por estereótipos profundamente arreigados no imaginário do lisboeta. Estereótipos associados ao crime, à prostituição e à marginalidade. Ontem e hoje. Antes de ser reflorestada a serra de Monsanto era habitada por um estranho povo, parte do lumpen-proletariado de Lisboa, com famílias inteiras vivendo como animais em furnas que o Duarte Pacheco teve que mandar obstruir!!! Essas marcas ainda são visíveis na paisagem...
Leio algures nos sítios que selecionei para os leitores deste blogue, que cerca de dois milhões de pessoas visitam anualmente este espaço, incluindo os diversos parques recreativos. Eu acho que é pouco, que é ainda pouco. E sobretudo são em número irrisório os que fazem jogging em Monsanto. Eu acho que os lisboetas e os saloios da periferia de Lisboa ainda continuam de costas voltadas para Monsanto. Sobretudo continuam muito sedentários. E, mais ainda, muito dependentes do automóvel.
Sem dúvida que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) terá que se esforçar mais para mudar esta atitude negativa dos lisboetas e demais portugas que residem nos concelhos limítrofes, como o meu, relativamente à fruição do seu "pulmão verde". De qualquer modo, deixem-me dar os meus parabéns à CML que está a executar um programa de limpeza e reflorestação para pôr Monsanto "novinho em folha"... É de aplaudir também o corte do trânsito automóvel aos fins-de-semana, no verão, a par da melhoria da segurança, da acessibilidade e da sinalização.
Aqui ficam, entretanto, alguns sítios com informações interessantes sobre o Monsanto, o mal amado, ou a floresta do lobo mau.
Câmara Municipal de Lisboa – Espaços Verdes
A segurança no Parque Florestal de Monsanto
Parque Ecológico de Monsanto
Monsanto é um espaço fabuloso de cerca de mil hectares (1/8 da área da cidade de Lisboa), que muitos lisboetas desconhecem ou não usufruem devidamente. E que outros maltratam, cercando-o de cimento armado e alcatrão. Ou cobiçam, na mira da especulação imobiliária. Destaco, muito em especial, os seus 300 km de caminhos pedestres, para além da riqueza da sua flora e fauna.
É certo que a manhã estava chuvosa, pouco convidativa para as actividades ao ar livre. Em mais de hora e meia, encontrei apenas um pequeno grupo de seis pessoas fazendo jogging, além de alguns cicloturistas solitários e um coelho espavorido.
Há uma estranha relação dos portugas, rurais ou citadinos, com a floresta: ela sempre nos inspirou um misto contraditadório de encantamento, respeito e medo. O medo é ancestral e, no caso das pessoas da minha geração, poderá estar associada à experiência da guerra colonial ou às vivências de África. Haverá mais de um milhão de portugueses que, ao olharem para uma árvore de uma floresta, são capazes de imaginar, por detrás dela, um RPG-7 (o mais famoso lança-granadas do mundo) ou uma kalashnikov (a mais famosa espingarda automática de todos os tempos). Ao caminhares, solitário, por Monsanto, são outros nomes, exóticos, que te vêm à cabeça, por uns instantes, em rápido flashback: as matas do Morés, do Xime ou do Corubal, o Mato Cão, a Ponta do Inglês...
No caso de Monsanto, isso é agravado por estereótipos profundamente arreigados no imaginário do lisboeta. Estereótipos associados ao crime, à prostituição e à marginalidade. Ontem e hoje. Antes de ser reflorestada a serra de Monsanto era habitada por um estranho povo, parte do lumpen-proletariado de Lisboa, com famílias inteiras vivendo como animais em furnas que o Duarte Pacheco teve que mandar obstruir!!! Essas marcas ainda são visíveis na paisagem...
Leio algures nos sítios que selecionei para os leitores deste blogue, que cerca de dois milhões de pessoas visitam anualmente este espaço, incluindo os diversos parques recreativos. Eu acho que é pouco, que é ainda pouco. E sobretudo são em número irrisório os que fazem jogging em Monsanto. Eu acho que os lisboetas e os saloios da periferia de Lisboa ainda continuam de costas voltadas para Monsanto. Sobretudo continuam muito sedentários. E, mais ainda, muito dependentes do automóvel.
Sem dúvida que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) terá que se esforçar mais para mudar esta atitude negativa dos lisboetas e demais portugas que residem nos concelhos limítrofes, como o meu, relativamente à fruição do seu "pulmão verde". De qualquer modo, deixem-me dar os meus parabéns à CML que está a executar um programa de limpeza e reflorestação para pôr Monsanto "novinho em folha"... É de aplaudir também o corte do trânsito automóvel aos fins-de-semana, no verão, a par da melhoria da segurança, da acessibilidade e da sinalização.
Aqui ficam, entretanto, alguns sítios com informações interessantes sobre o Monsanto, o mal amado, ou a floresta do lobo mau.
Câmara Municipal de Lisboa – Espaços Verdes
A segurança no Parque Florestal de Monsanto
Parque Ecológico de Monsanto
05 dezembro 2003
Portugal sacro-profano – X: Portuguezes pocos, y eses locos
Lê-se no Publico.pt de hoje, em texto da Ana Cristina Pereira (quatro estrelas num máximo de cinco!), que as prisões portuguesas têm "a mais alta taxa de contaminação de doenças infecto-contagiosas da União Europeia" (não se indica a fonte), em grande parte devido ao consumo de droga, à partilha de agulhas e ao não uso de preservativos nas relações sexuais. E muito provavelmente também, acrescento eu, devido ao deplorável estado a que terá chegado o subsistema de cuidados de saúde do sistema prisional.
Segundo a jornalista, há quem chame aos nossos estabelecimentos prisionais os "motores da epidemia HIV". Especialistas do assunto, entrevistados pelo Público, "reclamam redução de danos - como a troca de seringas e/ou as salas de consumo asséptico - para acabar com a pena de morte em Portugal" (sic).
"Comigo, não contem para isso, disse a ministra da Justiça portuguesa, refugiando-se em razões morais. Motivo de sobra para enfurecer os especialistas da área, para quem este é um problema sério de saúde pública. Mas o ministro da tutela também fala em sistema de valores e até já põe a hipótese de o Governo voltar atrás na descriminalização do consumo de droga". (Ana Cristina Pereira. Publico.pt, 5.12.2003).
Portuguezes pocos, y eses locos... Terão razão os nossos vizinhos espanhóis quando se dignam olhar para nós com o olhar altivo do Dom Quixote de la Mancha e nos mimam com este secular apodo ?
Que são poucos, são... e que às vezes parecem loucos, parecem!
Segundo a jornalista, há quem chame aos nossos estabelecimentos prisionais os "motores da epidemia HIV". Especialistas do assunto, entrevistados pelo Público, "reclamam redução de danos - como a troca de seringas e/ou as salas de consumo asséptico - para acabar com a pena de morte em Portugal" (sic).
"Comigo, não contem para isso, disse a ministra da Justiça portuguesa, refugiando-se em razões morais. Motivo de sobra para enfurecer os especialistas da área, para quem este é um problema sério de saúde pública. Mas o ministro da tutela também fala em sistema de valores e até já põe a hipótese de o Governo voltar atrás na descriminalização do consumo de droga". (Ana Cristina Pereira. Publico.pt, 5.12.2003).
Portuguezes pocos, y eses locos... Terão razão os nossos vizinhos espanhóis quando se dignam olhar para nós com o olhar altivo do Dom Quixote de la Mancha e nos mimam com este secular apodo ?
Que são poucos, são... e que às vezes parecem loucos, parecem!
Portugal sacro-profano – X: Portuguezes pocos, y eses locos
Lê-se no Publico.pt de hoje, em texto da Ana Cristina Pereira (quatro estrelas num máximo de cinco!), que as prisões portuguesas têm "a mais alta taxa de contaminação de doenças infecto-contagiosas da União Europeia" (não se indica a fonte), em grande parte devido ao consumo de droga, à partilha de agulhas e ao não uso de preservativos nas relações sexuais. E muito provavelmente também, acrescento eu, devido ao deplorável estado a que terá chegado o subsistema de cuidados de saúde do sistema prisional.
Segundo a jornalista, há quem chame aos nossos estabelecimentos prisionais os "motores da epidemia HIV". Especialistas do assunto, entrevistados pelo Público, "reclamam redução de danos - como a troca de seringas e/ou as salas de consumo asséptico - para acabar com a pena de morte em Portugal" (sic).
"Comigo, não contem para isso, disse a ministra da Justiça portuguesa, refugiando-se em razões morais. Motivo de sobra para enfurecer os especialistas da área, para quem este é um problema sério de saúde pública. Mas o ministro da tutela também fala em sistema de valores e até já põe a hipótese de o Governo voltar atrás na descriminalização do consumo de droga". (Ana Cristina Pereira. Publico.pt, 5.12.2003).
Portuguezes pocos, y eses locos... Terão razão os nossos vizinhos espanhóis quando se dignam olhar para nós com o olhar altivo do Dom Quixote de la Mancha e nos mimam com este secular apodo ?
Que são poucos, são... e que às vezes parecem loucos, parecem!
Segundo a jornalista, há quem chame aos nossos estabelecimentos prisionais os "motores da epidemia HIV". Especialistas do assunto, entrevistados pelo Público, "reclamam redução de danos - como a troca de seringas e/ou as salas de consumo asséptico - para acabar com a pena de morte em Portugal" (sic).
"Comigo, não contem para isso, disse a ministra da Justiça portuguesa, refugiando-se em razões morais. Motivo de sobra para enfurecer os especialistas da área, para quem este é um problema sério de saúde pública. Mas o ministro da tutela também fala em sistema de valores e até já põe a hipótese de o Governo voltar atrás na descriminalização do consumo de droga". (Ana Cristina Pereira. Publico.pt, 5.12.2003).
Portuguezes pocos, y eses locos... Terão razão os nossos vizinhos espanhóis quando se dignam olhar para nós com o olhar altivo do Dom Quixote de la Mancha e nos mimam com este secular apodo ?
Que são poucos, são... e que às vezes parecem loucos, parecem!
Blogantologia(s) – V: Prolóquios para a educação da mocidade
1. A merda é o adubo... da vida! (não sei se isto é biologicamente correcto...)
2. Cartaz de prevenção e segurança no trabalho: evitem acidentes, façam de propósito (... e por favor culpem as vítimas!)
3. Conselho do pai para o filho; “casa-te e sê feliz, meu filho; é importante que arranjes (i) uma mulher que seja boa dona de casa; (ii) uma mulher com uma profissão que te dê dinheiro; e (iii) uma mulher que goste de fazer amor contigo; mas mais importante ainda, é que (iv) essas três mulheres nunca se encontrem” (... tenho pena que o meu pai nunca me tenha dado tal conselho!).
4. Deus criou o homem antes da mulher, porque na altura ainda não tinha; (i) certificação de qualidade; (ii) assistência pós-venda; nem (iii) livro de reclamações (... também não havia ainda o sistema português de qualidade!)
5. Diz o rico para o pobre: há um mundo bem melhor para lá do horizonte que se avista da tua janela, só que não está ao alcance da tua bolsa (... eu acho que isto tipo de bocas miserabilistas já não se usam: basta folhear a imprensda cor de rosa!)
6. É com a merda dos grandes, que os pequenos se afogam; mas também é fazendo merda, que a gente aprende... a nadar! (... não conheço nenhuma escola em Lisboa que nos ensine a nadar na merda!)
7. Em todas as coisas da vida a prática leva à perfeição; a única excepção é a roleta russa (...confesso, nunca experimentei!)
8. Experimenta viver cada dia como se fosse o último da tua vida: verás que um dia destes acertas mesmo! (.. muito útil!)
9. Mais vale uma mosca no teu prato da sopa do que um míssil de cruzeiro na tua cozinha (provérbio árabe) (... este provérbio é muito tendencioso!)
10. Minha amiga colorida: pior do que nunca encontrares o homem certo é viveres toda a vida com o gajo errado (... a alternativa é o convento?)
11. Na minha lápide funerária quero que escrevam: "Por favor, não perturbar; estou numa cura de sono... eterno" (...não sei onde está a piada!)
12. O melhor do trabalho em equipe: se perdermos, é a culpa é do nosso treinador (... se não tivesse essa vantagem, não perderíamos tempo a falar de líderes e liderança!)
13. O paradoxo: tentar falhar e conseguir (... não sei se já alguém conseguiu!)
14. O pior da democracia é não tolerar a ditadura mas brincar com o populismo (... brinca-se muito com o fogo!)
15. O que diz o instrutor palestiniano aos seus aprendizes de homem-bomba: "Por Alá, prestem a máxima atenção que eu só posso exemplificar uma vez" (... esta piada é terrorista!)
16. Podes ser idiota (artista) e fazer uma obra de arte; mas tens de ser um génio (capitalista) para a pôr no mercado e vendê-la (... ah!, as relações da arte com o dinheiro! Mas afinal a arte não é uma mercadoria como tudo o mais ?)
17. Quando chegares a um beco sem saída e não te restar mais nenhum opção, pára e consulta o manual sobre as saídas de emergência (... sorry, mas não tenho esse manual!).
18. Roubar ideias a uma autor é plágio; roubar as ideias de muita gente, é investigação científica (... o que é roubar ?)
19. Se procuras uma mão disposta a ajudar-te, fala com o teu braço (o esquerdo ou o direito, tanto faz) (... é capaz de haver diferenças entre o esquerdo e o direito, ou não? Não percebo nada de anatomia e fisiologia...)
2. Cartaz de prevenção e segurança no trabalho: evitem acidentes, façam de propósito (... e por favor culpem as vítimas!)
3. Conselho do pai para o filho; “casa-te e sê feliz, meu filho; é importante que arranjes (i) uma mulher que seja boa dona de casa; (ii) uma mulher com uma profissão que te dê dinheiro; e (iii) uma mulher que goste de fazer amor contigo; mas mais importante ainda, é que (iv) essas três mulheres nunca se encontrem” (... tenho pena que o meu pai nunca me tenha dado tal conselho!).
4. Deus criou o homem antes da mulher, porque na altura ainda não tinha; (i) certificação de qualidade; (ii) assistência pós-venda; nem (iii) livro de reclamações (... também não havia ainda o sistema português de qualidade!)
5. Diz o rico para o pobre: há um mundo bem melhor para lá do horizonte que se avista da tua janela, só que não está ao alcance da tua bolsa (... eu acho que isto tipo de bocas miserabilistas já não se usam: basta folhear a imprensda cor de rosa!)
6. É com a merda dos grandes, que os pequenos se afogam; mas também é fazendo merda, que a gente aprende... a nadar! (... não conheço nenhuma escola em Lisboa que nos ensine a nadar na merda!)
7. Em todas as coisas da vida a prática leva à perfeição; a única excepção é a roleta russa (...confesso, nunca experimentei!)
8. Experimenta viver cada dia como se fosse o último da tua vida: verás que um dia destes acertas mesmo! (.. muito útil!)
9. Mais vale uma mosca no teu prato da sopa do que um míssil de cruzeiro na tua cozinha (provérbio árabe) (... este provérbio é muito tendencioso!)
10. Minha amiga colorida: pior do que nunca encontrares o homem certo é viveres toda a vida com o gajo errado (... a alternativa é o convento?)
11. Na minha lápide funerária quero que escrevam: "Por favor, não perturbar; estou numa cura de sono... eterno" (...não sei onde está a piada!)
12. O melhor do trabalho em equipe: se perdermos, é a culpa é do nosso treinador (... se não tivesse essa vantagem, não perderíamos tempo a falar de líderes e liderança!)
13. O paradoxo: tentar falhar e conseguir (... não sei se já alguém conseguiu!)
14. O pior da democracia é não tolerar a ditadura mas brincar com o populismo (... brinca-se muito com o fogo!)
15. O que diz o instrutor palestiniano aos seus aprendizes de homem-bomba: "Por Alá, prestem a máxima atenção que eu só posso exemplificar uma vez" (... esta piada é terrorista!)
16. Podes ser idiota (artista) e fazer uma obra de arte; mas tens de ser um génio (capitalista) para a pôr no mercado e vendê-la (... ah!, as relações da arte com o dinheiro! Mas afinal a arte não é uma mercadoria como tudo o mais ?)
17. Quando chegares a um beco sem saída e não te restar mais nenhum opção, pára e consulta o manual sobre as saídas de emergência (... sorry, mas não tenho esse manual!).
18. Roubar ideias a uma autor é plágio; roubar as ideias de muita gente, é investigação científica (... o que é roubar ?)
19. Se procuras uma mão disposta a ajudar-te, fala com o teu braço (o esquerdo ou o direito, tanto faz) (... é capaz de haver diferenças entre o esquerdo e o direito, ou não? Não percebo nada de anatomia e fisiologia...)
Blogantologia(s) – V: Prolóquios para a educação da mocidade
1. A merda é o adubo... da vida! (não sei se isto é biologicamente correcto...)
2. Cartaz de prevenção e segurança no trabalho: evitem acidentes, façam de propósito (... e por favor culpem as vítimas!)
3. Conselho do pai para o filho; “casa-te e sê feliz, meu filho; é importante que arranjes (i) uma mulher que seja boa dona de casa; (ii) uma mulher com uma profissão que te dê dinheiro; e (iii) uma mulher que goste de fazer amor contigo; mas mais importante ainda, é que (iv) essas três mulheres nunca se encontrem” (... tenho pena que o meu pai nunca me tenha dado tal conselho!).
4. Deus criou o homem antes da mulher, porque na altura ainda não tinha; (i) certificação de qualidade; (ii) assistência pós-venda; nem (iii) livro de reclamações (... também não havia ainda o sistema português de qualidade!)
5. Diz o rico para o pobre: há um mundo bem melhor para lá do horizonte que se avista da tua janela, só que não está ao alcance da tua bolsa (... eu acho que isto tipo de bocas miserabilistas já não se usam: basta folhear a imprensda cor de rosa!)
6. É com a merda dos grandes, que os pequenos se afogam; mas também é fazendo merda, que a gente aprende... a nadar! (... não conheço nenhuma escola em Lisboa que nos ensine a nadar na merda!)
7. Em todas as coisas da vida a prática leva à perfeição; a única excepção é a roleta russa (...confesso, nunca experimentei!)
8. Experimenta viver cada dia como se fosse o último da tua vida: verás que um dia destes acertas mesmo! (.. muito útil!)
9. Mais vale uma mosca no teu prato da sopa do que um míssil de cruzeiro na tua cozinha (provérbio árabe) (... este provérbio é muito tendencioso!)
10. Minha amiga colorida: pior do que nunca encontrares o homem certo é viveres toda a vida com o gajo errado (... a alternativa é o convento?)
11. Na minha lápide funerária quero que escrevam: "Por favor, não perturbar; estou numa cura de sono... eterno" (...não sei onde está a piada!)
12. O melhor do trabalho em equipe: se perdermos, é a culpa é do nosso treinador (... se não tivesse essa vantagem, não perderíamos tempo a falar de líderes e liderança!)
13. O paradoxo: tentar falhar e conseguir (... não sei se já alguém conseguiu!)
14. O pior da democracia é não tolerar a ditadura mas brincar com o populismo (... brinca-se muito com o fogo!)
15. O que diz o instrutor palestiniano aos seus aprendizes de homem-bomba: "Por Alá, prestem a máxima atenção que eu só posso exemplificar uma vez" (... esta piada é terrorista!)
16. Podes ser idiota (artista) e fazer uma obra de arte; mas tens de ser um génio (capitalista) para a pôr no mercado e vendê-la (... ah!, as relações da arte com o dinheiro! Mas afinal a arte não é uma mercadoria como tudo o mais ?)
17. Quando chegares a um beco sem saída e não te restar mais nenhum opção, pára e consulta o manual sobre as saídas de emergência (... sorry, mas não tenho esse manual!).
18. Roubar ideias a uma autor é plágio; roubar as ideias de muita gente, é investigação científica (... o que é roubar ?)
19. Se procuras uma mão disposta a ajudar-te, fala com o teu braço (o esquerdo ou o direito, tanto faz) (... é capaz de haver diferenças entre o esquerdo e o direito, ou não? Não percebo nada de anatomia e fisiologia...)
2. Cartaz de prevenção e segurança no trabalho: evitem acidentes, façam de propósito (... e por favor culpem as vítimas!)
3. Conselho do pai para o filho; “casa-te e sê feliz, meu filho; é importante que arranjes (i) uma mulher que seja boa dona de casa; (ii) uma mulher com uma profissão que te dê dinheiro; e (iii) uma mulher que goste de fazer amor contigo; mas mais importante ainda, é que (iv) essas três mulheres nunca se encontrem” (... tenho pena que o meu pai nunca me tenha dado tal conselho!).
4. Deus criou o homem antes da mulher, porque na altura ainda não tinha; (i) certificação de qualidade; (ii) assistência pós-venda; nem (iii) livro de reclamações (... também não havia ainda o sistema português de qualidade!)
5. Diz o rico para o pobre: há um mundo bem melhor para lá do horizonte que se avista da tua janela, só que não está ao alcance da tua bolsa (... eu acho que isto tipo de bocas miserabilistas já não se usam: basta folhear a imprensda cor de rosa!)
6. É com a merda dos grandes, que os pequenos se afogam; mas também é fazendo merda, que a gente aprende... a nadar! (... não conheço nenhuma escola em Lisboa que nos ensine a nadar na merda!)
7. Em todas as coisas da vida a prática leva à perfeição; a única excepção é a roleta russa (...confesso, nunca experimentei!)
8. Experimenta viver cada dia como se fosse o último da tua vida: verás que um dia destes acertas mesmo! (.. muito útil!)
9. Mais vale uma mosca no teu prato da sopa do que um míssil de cruzeiro na tua cozinha (provérbio árabe) (... este provérbio é muito tendencioso!)
10. Minha amiga colorida: pior do que nunca encontrares o homem certo é viveres toda a vida com o gajo errado (... a alternativa é o convento?)
11. Na minha lápide funerária quero que escrevam: "Por favor, não perturbar; estou numa cura de sono... eterno" (...não sei onde está a piada!)
12. O melhor do trabalho em equipe: se perdermos, é a culpa é do nosso treinador (... se não tivesse essa vantagem, não perderíamos tempo a falar de líderes e liderança!)
13. O paradoxo: tentar falhar e conseguir (... não sei se já alguém conseguiu!)
14. O pior da democracia é não tolerar a ditadura mas brincar com o populismo (... brinca-se muito com o fogo!)
15. O que diz o instrutor palestiniano aos seus aprendizes de homem-bomba: "Por Alá, prestem a máxima atenção que eu só posso exemplificar uma vez" (... esta piada é terrorista!)
16. Podes ser idiota (artista) e fazer uma obra de arte; mas tens de ser um génio (capitalista) para a pôr no mercado e vendê-la (... ah!, as relações da arte com o dinheiro! Mas afinal a arte não é uma mercadoria como tudo o mais ?)
17. Quando chegares a um beco sem saída e não te restar mais nenhum opção, pára e consulta o manual sobre as saídas de emergência (... sorry, mas não tenho esse manual!).
18. Roubar ideias a uma autor é plágio; roubar as ideias de muita gente, é investigação científica (... o que é roubar ?)
19. Se procuras uma mão disposta a ajudar-te, fala com o teu braço (o esquerdo ou o direito, tanto faz) (... é capaz de haver diferenças entre o esquerdo e o direito, ou não? Não percebo nada de anatomia e fisiologia...)
03 dezembro 2003
Portugas que merecem os nossos assobios - II: Os responsáveis da irresponsabilidade
Há uma derrocada de um prédio (centenário). Morrem duas pessoas (uma mulher idosa e um jovem de 18 anos). Ao lado está-se a construir um outro. Tudo indica que a causa imediata da derrocada seja a falta de escoramento do prédio que agora ruiu.
As pessoas, incrédulas mas conformadas, perguntam: Mas não há um plano de segurança, como manda a lei ? Se calhar existe, mas o mais provável é ter sido tirado a papel químico, como tantos outros. E então, onde estão os responsáveis, o dono da obra, o engenheiro, o técnico de segurança, a autarquia que licenciou a obra e mais os não-sei-quantos organismos que deviam fiscalizar os trabalhos ?
Na terra dos portugas, na hora da desgraça, ninguém é responsável, somos todos responsáveis irresponsáveis. É a hora de alijar a carga, assobiar e cuspir para o lado...
O que não devia acontecer, infelizmente aconteceu. Desta vez em Olhão. Parece que Olhão bisou. Pelos vistos, é uma cidade accident-prone.
Infelizmente este não é um caso virgem nem local. Repete-se por esse país fora. Desta vez teve honras mediáticas. As desgraças têm sempre honras mediáticas, à falta de melhores notícias.
Face a mais este triste exemplo do triunfo da patobravocracia (e da burocracia patológica) no país dos portugas, o blogador manda as mais veementes assobiadelas para os responsáveis por mais esta... irresponsabilidade. Acrescenta-lhe um adjectivo, já gasto e inútil: criminosa. Irresponsabilidade criminosa.
As pessoas, incrédulas mas conformadas, perguntam: Mas não há um plano de segurança, como manda a lei ? Se calhar existe, mas o mais provável é ter sido tirado a papel químico, como tantos outros. E então, onde estão os responsáveis, o dono da obra, o engenheiro, o técnico de segurança, a autarquia que licenciou a obra e mais os não-sei-quantos organismos que deviam fiscalizar os trabalhos ?
Na terra dos portugas, na hora da desgraça, ninguém é responsável, somos todos responsáveis irresponsáveis. É a hora de alijar a carga, assobiar e cuspir para o lado...
O que não devia acontecer, infelizmente aconteceu. Desta vez em Olhão. Parece que Olhão bisou. Pelos vistos, é uma cidade accident-prone.
Infelizmente este não é um caso virgem nem local. Repete-se por esse país fora. Desta vez teve honras mediáticas. As desgraças têm sempre honras mediáticas, à falta de melhores notícias.
Face a mais este triste exemplo do triunfo da patobravocracia (e da burocracia patológica) no país dos portugas, o blogador manda as mais veementes assobiadelas para os responsáveis por mais esta... irresponsabilidade. Acrescenta-lhe um adjectivo, já gasto e inútil: criminosa. Irresponsabilidade criminosa.
Portugas que merecem os nossos assobios - II: Os responsáveis da irresponsabilidade
Há uma derrocada de um prédio (centenário). Morrem duas pessoas (uma mulher idosa e um jovem de 18 anos). Ao lado está-se a construir um outro. Tudo indica que a causa imediata da derrocada seja a falta de escoramento do prédio que agora ruiu.
As pessoas, incrédulas mas conformadas, perguntam: Mas não há um plano de segurança, como manda a lei ? Se calhar existe, mas o mais provável é ter sido tirado a papel químico, como tantos outros. E então, onde estão os responsáveis, o dono da obra, o engenheiro, o técnico de segurança, a autarquia que licenciou a obra e mais os não-sei-quantos organismos que deviam fiscalizar os trabalhos ?
Na terra dos portugas, na hora da desgraça, ninguém é responsável, somos todos responsáveis irresponsáveis. É a hora de alijar a carga, assobiar e cuspir para o lado...
O que não devia acontecer, infelizmente aconteceu. Desta vez em Olhão. Parece que Olhão bisou. Pelos vistos, é uma cidade accident-prone.
Infelizmente este não é um caso virgem nem local. Repete-se por esse país fora. Desta vez teve honras mediáticas. As desgraças têm sempre honras mediáticas, à falta de melhores notícias.
Face a mais este triste exemplo do triunfo da patobravocracia (e da burocracia patológica) no país dos portugas, o blogador manda as mais veementes assobiadelas para os responsáveis por mais esta... irresponsabilidade. Acrescenta-lhe um adjectivo, já gasto e inútil: criminosa. Irresponsabilidade criminosa.
As pessoas, incrédulas mas conformadas, perguntam: Mas não há um plano de segurança, como manda a lei ? Se calhar existe, mas o mais provável é ter sido tirado a papel químico, como tantos outros. E então, onde estão os responsáveis, o dono da obra, o engenheiro, o técnico de segurança, a autarquia que licenciou a obra e mais os não-sei-quantos organismos que deviam fiscalizar os trabalhos ?
Na terra dos portugas, na hora da desgraça, ninguém é responsável, somos todos responsáveis irresponsáveis. É a hora de alijar a carga, assobiar e cuspir para o lado...
O que não devia acontecer, infelizmente aconteceu. Desta vez em Olhão. Parece que Olhão bisou. Pelos vistos, é uma cidade accident-prone.
Infelizmente este não é um caso virgem nem local. Repete-se por esse país fora. Desta vez teve honras mediáticas. As desgraças têm sempre honras mediáticas, à falta de melhores notícias.
Face a mais este triste exemplo do triunfo da patobravocracia (e da burocracia patológica) no país dos portugas, o blogador manda as mais veementes assobiadelas para os responsáveis por mais esta... irresponsabilidade. Acrescenta-lhe um adjectivo, já gasto e inútil: criminosa. Irresponsabilidade criminosa.
01 dezembro 2003
O tripaliu(m) que mata a gente - I: Trabalho e prazer
Dizem os brazucas que "a meia idade é quando o trabalho dá menos prazer e o prazer mais trabalho"... Os portugas são muito mais radicais: sempre os ouvi dizer "Serviço é serviço, conhaque é conhaque"... É estranho porque o conhaque é francês... Na belle époque tudo o que tinha a ver com prazer, era franciú, vinha de França ou falava francês.
Dir-me-ão que a piada (brazuca) é de mau gosto e está gasta... Em todo o caso, ela serve para abrir, sem pompa nem circunstância, esta blogaria sobre o tripaliu(m) que mata a gente.
Como teletrabalhador (nocturno e diurno) exerço aqui o meu pleno direito de fazer o meu minuto de humor... no trabalho (ou na blogosfera, tanto faz). Esta figura não é jurídica: tudo o que não vem no Código de Trabalho, a partir de agora, tem de ser (re)equacionado... O break no trabalho não vem no Código, pelo que se pode questionar a sua legitimidade. Embora faça bem às costas e à saúde mental. Mas adiante.
Etimologicamente falando, a palavra Trabalho vem do latim Tripaliu(m), originalmente um instrumento composto de Tres Pales (três paus) que servia justamente para Tripaliare: neste caso, servia ao carrasco romano para trabalhar, literalmente torturar alguém (por ex., um escravo) usando para o efeito o Tripaliu(m) ... Claro que o carrasco era outro escravo, já que o cidadão romano não trabalhva com as mãos... "'Tá quieto, que trabalhar faz calos", dizia o cidadão.
É fantástico como no nosso (des)humor do dia a dia a gente ainda usa expressões que remetem para este sentido original, etimológico, do palavrão que nos coube em sorte... Veja-se de resto algumas dos nossos ditados ditos populares:
(i) "Para gozar eu; para trabalhar um irmão que Deus me deu" (a repulsa cristã e senhorial pelo trabalho manual... e o seu sucedâneo burguês e positivista: "Deus ajuda a quem trabalha, que é o capital que menos falha", "Se o trabalho dá saúde, que trabalhem os doentes";
(ii) Em suma, cibertrabalhadores, o trabalho não dignifica: "Só trabalha quem não sabe fazer mais nada"; "Mão de mestre não suja ferramenta"; "Mais vale um bom mandador do que um bom trabalhador"...
(iii) Em contrapartida, diz-se: "Trabalhar que nem um mouro" (referência aos mouros que foram escravizados pelos cristãos depois da Reconquista da península ibérica);
(iv) ou "Trabalhar que nem um galego" (referência aos aguadeiros de Lisboa no Séc. XIX, que eram justamente oriundos da Galiza);
(v) ou ainda "Trabalho é bom pró preto" (dizia-se em Portugal, no tempo do império colonial; e continua a dizer-se hoje, não por racismo mas por um qualquer lapsus linguae);
(vi) bem como "Trabalho se fez para burro e português" (no Rio de Janeiro, referindo-se à leva de emigrantes pobres que chegavam ao Brasil na 1ª metade do Séc. XX)
Pensem nisto e na sua eventual relação (ou falta dela) ... com a saúde no trabalho!
Post Scriptum - Já agora qual será a razão por que se diz: "Mal por mal antes cadeia do que hospital?"
Dir-me-ão que a piada (brazuca) é de mau gosto e está gasta... Em todo o caso, ela serve para abrir, sem pompa nem circunstância, esta blogaria sobre o tripaliu(m) que mata a gente.
Como teletrabalhador (nocturno e diurno) exerço aqui o meu pleno direito de fazer o meu minuto de humor... no trabalho (ou na blogosfera, tanto faz). Esta figura não é jurídica: tudo o que não vem no Código de Trabalho, a partir de agora, tem de ser (re)equacionado... O break no trabalho não vem no Código, pelo que se pode questionar a sua legitimidade. Embora faça bem às costas e à saúde mental. Mas adiante.
Etimologicamente falando, a palavra Trabalho vem do latim Tripaliu(m), originalmente um instrumento composto de Tres Pales (três paus) que servia justamente para Tripaliare: neste caso, servia ao carrasco romano para trabalhar, literalmente torturar alguém (por ex., um escravo) usando para o efeito o Tripaliu(m) ... Claro que o carrasco era outro escravo, já que o cidadão romano não trabalhva com as mãos... "'Tá quieto, que trabalhar faz calos", dizia o cidadão.
É fantástico como no nosso (des)humor do dia a dia a gente ainda usa expressões que remetem para este sentido original, etimológico, do palavrão que nos coube em sorte... Veja-se de resto algumas dos nossos ditados ditos populares:
(i) "Para gozar eu; para trabalhar um irmão que Deus me deu" (a repulsa cristã e senhorial pelo trabalho manual... e o seu sucedâneo burguês e positivista: "Deus ajuda a quem trabalha, que é o capital que menos falha", "Se o trabalho dá saúde, que trabalhem os doentes";
(ii) Em suma, cibertrabalhadores, o trabalho não dignifica: "Só trabalha quem não sabe fazer mais nada"; "Mão de mestre não suja ferramenta"; "Mais vale um bom mandador do que um bom trabalhador"...
(iii) Em contrapartida, diz-se: "Trabalhar que nem um mouro" (referência aos mouros que foram escravizados pelos cristãos depois da Reconquista da península ibérica);
(iv) ou "Trabalhar que nem um galego" (referência aos aguadeiros de Lisboa no Séc. XIX, que eram justamente oriundos da Galiza);
(v) ou ainda "Trabalho é bom pró preto" (dizia-se em Portugal, no tempo do império colonial; e continua a dizer-se hoje, não por racismo mas por um qualquer lapsus linguae);
(vi) bem como "Trabalho se fez para burro e português" (no Rio de Janeiro, referindo-se à leva de emigrantes pobres que chegavam ao Brasil na 1ª metade do Séc. XX)
Pensem nisto e na sua eventual relação (ou falta dela) ... com a saúde no trabalho!
Post Scriptum - Já agora qual será a razão por que se diz: "Mal por mal antes cadeia do que hospital?"
O tripaliu(m) que mata a gente - I: Trabalho e prazer
Dizem os brazucas que "a meia idade é quando o trabalho dá menos prazer e o prazer mais trabalho"... Os portugas são muito mais radicais: sempre os ouvi dizer "Serviço é serviço, conhaque é conhaque"... É estranho porque o conhaque é francês... Na belle époque tudo o que tinha a ver com prazer, era franciú, vinha de França ou falava francês.
Dir-me-ão que a piada (brazuca) é de mau gosto e está gasta... Em todo o caso, ela serve para abrir, sem pompa nem circunstância, esta blogaria sobre o tripaliu(m) que mata a gente.
Como teletrabalhador (nocturno e diurno) exerço aqui o meu pleno direito de fazer o meu minuto de humor... no trabalho (ou na blogosfera, tanto faz). Esta figura não é jurídica: tudo o que não vem no Código de Trabalho, a partir de agora, tem de ser (re)equacionado... O break no trabalho não vem no Código, pelo que se pode questionar a sua legitimidade. Embora faça bem às costas e à saúde mental. Mas adiante.
Etimologicamente falando, a palavra Trabalho vem do latim Tripaliu(m), originalmente um instrumento composto de Tres Pales (três paus) que servia justamente para Tripaliare: neste caso, servia ao carrasco romano para trabalhar, literalmente torturar alguém (por ex., um escravo) usando para o efeito o Tripaliu(m) ... Claro que o carrasco era outro escravo, já que o cidadão romano não trabalhva com as mãos... "'Tá quieto, que trabalhar faz calos", dizia o cidadão.
É fantástico como no nosso (des)humor do dia a dia a gente ainda usa expressões que remetem para este sentido original, etimológico, do palavrão que nos coube em sorte... Veja-se de resto algumas dos nossos ditados ditos populares:
(i) "Para gozar eu; para trabalhar um irmão que Deus me deu" (a repulsa cristã e senhorial pelo trabalho manual... e o seu sucedâneo burguês e positivista: "Deus ajuda a quem trabalha, que é o capital que menos falha", "Se o trabalho dá saúde, que trabalhem os doentes";
(ii) Em suma, cibertrabalhadores, o trabalho não dignifica: "Só trabalha quem não sabe fazer mais nada"; "Mão de mestre não suja ferramenta"; "Mais vale um bom mandador do que um bom trabalhador"...
(iii) Em contrapartida, diz-se: "Trabalhar que nem um mouro" (referência aos mouros que foram escravizados pelos cristãos depois da Reconquista da península ibérica);
(iv) ou "Trabalhar que nem um galego" (referência aos aguadeiros de Lisboa no Séc. XIX, que eram justamente oriundos da Galiza);
(v) ou ainda "Trabalho é bom pró preto" (dizia-se em Portugal, no tempo do império colonial; e continua a dizer-se hoje, não por racismo mas por um qualquer lapsus linguae);
(vi) bem como "Trabalho se fez para burro e português" (no Rio de Janeiro, referindo-se à leva de emigrantes pobres que chegavam ao Brasil na 1ª metade do Séc. XX)
Pensem nisto e na sua eventual relação (ou falta dela) ... com a saúde no trabalho!
Post Scriptum - Já agora qual será a razão por que se diz: "Mal por mal antes cadeia do que hospital?"
Dir-me-ão que a piada (brazuca) é de mau gosto e está gasta... Em todo o caso, ela serve para abrir, sem pompa nem circunstância, esta blogaria sobre o tripaliu(m) que mata a gente.
Como teletrabalhador (nocturno e diurno) exerço aqui o meu pleno direito de fazer o meu minuto de humor... no trabalho (ou na blogosfera, tanto faz). Esta figura não é jurídica: tudo o que não vem no Código de Trabalho, a partir de agora, tem de ser (re)equacionado... O break no trabalho não vem no Código, pelo que se pode questionar a sua legitimidade. Embora faça bem às costas e à saúde mental. Mas adiante.
Etimologicamente falando, a palavra Trabalho vem do latim Tripaliu(m), originalmente um instrumento composto de Tres Pales (três paus) que servia justamente para Tripaliare: neste caso, servia ao carrasco romano para trabalhar, literalmente torturar alguém (por ex., um escravo) usando para o efeito o Tripaliu(m) ... Claro que o carrasco era outro escravo, já que o cidadão romano não trabalhva com as mãos... "'Tá quieto, que trabalhar faz calos", dizia o cidadão.
É fantástico como no nosso (des)humor do dia a dia a gente ainda usa expressões que remetem para este sentido original, etimológico, do palavrão que nos coube em sorte... Veja-se de resto algumas dos nossos ditados ditos populares:
(i) "Para gozar eu; para trabalhar um irmão que Deus me deu" (a repulsa cristã e senhorial pelo trabalho manual... e o seu sucedâneo burguês e positivista: "Deus ajuda a quem trabalha, que é o capital que menos falha", "Se o trabalho dá saúde, que trabalhem os doentes";
(ii) Em suma, cibertrabalhadores, o trabalho não dignifica: "Só trabalha quem não sabe fazer mais nada"; "Mão de mestre não suja ferramenta"; "Mais vale um bom mandador do que um bom trabalhador"...
(iii) Em contrapartida, diz-se: "Trabalhar que nem um mouro" (referência aos mouros que foram escravizados pelos cristãos depois da Reconquista da península ibérica);
(iv) ou "Trabalhar que nem um galego" (referência aos aguadeiros de Lisboa no Séc. XIX, que eram justamente oriundos da Galiza);
(v) ou ainda "Trabalho é bom pró preto" (dizia-se em Portugal, no tempo do império colonial; e continua a dizer-se hoje, não por racismo mas por um qualquer lapsus linguae);
(vi) bem como "Trabalho se fez para burro e português" (no Rio de Janeiro, referindo-se à leva de emigrantes pobres que chegavam ao Brasil na 1ª metade do Séc. XX)
Pensem nisto e na sua eventual relação (ou falta dela) ... com a saúde no trabalho!
Post Scriptum - Já agora qual será a razão por que se diz: "Mal por mal antes cadeia do que hospital?"
Saúde & Segurança do Trabalho - XIII: O IDICT sem o braço armado da Inspecção do Trabalho
Pergunta o Paulo Dinis, o grande animador da Ergolist:
Então o Decreto-Lei n.º 266/2002 não abria já as portas para a constituição de uma agência nacional em substituição do IDICT ? O próprio acordo sobre condições de trabalho, higiene e segurança no trabalho e combate à sinistralidade, de 2001, também não sugeria, de certa forma, que fossem diferenciadas a área de supervisão das relações colectivas de trabalho e a área técnica da SH&ST ?
Resposta de O Blogador:
O Paulo é um homem atento, como convém, à produção, em grande série, do Diário da República (abreviadamente, DR). Confesso que não é o meu diário preferido: não tem, por exemplo, um livro de estilo como o Público. Além disso, parece um pasquim, daqueles onde se escreve mal e porcamente a língua da gente.
Embora mau leitor do DR e sobretudo distraído, quer-me parecer que o Decreto-Lei n.º 266/2002, de 26 de Novembro, se limita a estabelecer a orgânica da nova Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.
O novo inquilino da Praça de Londres fez o que todos os novos inquilinos do poder gostam de fazer: mudar a mobília, os sofás, e as cortinas; trocar as fechaduras; substituir a farda do porteiro; reformular o organograma... Em suma, a nova/velha Direcção-Geral, para além das competências anteriormente detidas pela Direcção-Geral do Emprego e Formação Profissional (DGEFP) e pela Direcção-Geral das Condições de Trabalho (DGCT), passou igualmente a deter competências na área das relações profissionais, anteriormente cometidas ao Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT).
No preâmbulo daquele diploma legal não descortino nenhuma "porta aberta" à criação de uma eventual agência nacional de segurança e saúde no trabalho, embora dessa possibilidade se fale à boca cheia nos "mentideros" dos seminários congressos e demais encontros onde a gente se vai (des)encontrando, em honra e homenagem à Santa Segurança, Higiene & Saúde no Trabalho. O acordo de 2001, por sua vez, já previa a saída, do IDICT, dos famosos especialistas em gestão de conflitos sócio-laborais cuja história está por fazer.
Temos que recuar a 1991 e ao acordo específico sobre SH&ST, assinado pelo Governo e parceiros sociais com assento no então Conselho Permanente de Concertação Social, hoje integrado no Conselho Económico e Social.
Para os mais novos e os menos atentos, é útil recordar que um dos pontos do acordo era justamente a criação de um Instituto Nacional de Saúde e Segurança no Trabalho, de gestão tripartida (Governo e parceiros sociais).
Convenhamos que a ideia em si era boa: pretendia-se prevenir o risco anunciado de governamentalização do Instituto. Com a criação do IDICT, em 1993, a letra e a forma do acordo foram inegavelmente traídos. O IDICT passou a deter três áreas de competências: (i) inspecção do trabalho; (ii) investigação & desenvolvimento na área das condições de trabalho; e (iii) gestão das relações colectivas de trabalho...
Os vários presidentes do IDICT que eu fui conhecendo pessoalmente a partir de então sempre se mostraram hostis à ideia da saída da Inspecção Geral do Trabalho (abreviadamente, IGT). Para eles, o IDICT sem o "abraço armado" (sic) da IGT nunca teria força nem credibilidade dentro e fora das empresas... Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Então o Decreto-Lei n.º 266/2002 não abria já as portas para a constituição de uma agência nacional em substituição do IDICT ? O próprio acordo sobre condições de trabalho, higiene e segurança no trabalho e combate à sinistralidade, de 2001, também não sugeria, de certa forma, que fossem diferenciadas a área de supervisão das relações colectivas de trabalho e a área técnica da SH&ST ?
Resposta de O Blogador:
O Paulo é um homem atento, como convém, à produção, em grande série, do Diário da República (abreviadamente, DR). Confesso que não é o meu diário preferido: não tem, por exemplo, um livro de estilo como o Público. Além disso, parece um pasquim, daqueles onde se escreve mal e porcamente a língua da gente.
Embora mau leitor do DR e sobretudo distraído, quer-me parecer que o Decreto-Lei n.º 266/2002, de 26 de Novembro, se limita a estabelecer a orgânica da nova Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.
O novo inquilino da Praça de Londres fez o que todos os novos inquilinos do poder gostam de fazer: mudar a mobília, os sofás, e as cortinas; trocar as fechaduras; substituir a farda do porteiro; reformular o organograma... Em suma, a nova/velha Direcção-Geral, para além das competências anteriormente detidas pela Direcção-Geral do Emprego e Formação Profissional (DGEFP) e pela Direcção-Geral das Condições de Trabalho (DGCT), passou igualmente a deter competências na área das relações profissionais, anteriormente cometidas ao Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT).
No preâmbulo daquele diploma legal não descortino nenhuma "porta aberta" à criação de uma eventual agência nacional de segurança e saúde no trabalho, embora dessa possibilidade se fale à boca cheia nos "mentideros" dos seminários congressos e demais encontros onde a gente se vai (des)encontrando, em honra e homenagem à Santa Segurança, Higiene & Saúde no Trabalho. O acordo de 2001, por sua vez, já previa a saída, do IDICT, dos famosos especialistas em gestão de conflitos sócio-laborais cuja história está por fazer.
Temos que recuar a 1991 e ao acordo específico sobre SH&ST, assinado pelo Governo e parceiros sociais com assento no então Conselho Permanente de Concertação Social, hoje integrado no Conselho Económico e Social.
Para os mais novos e os menos atentos, é útil recordar que um dos pontos do acordo era justamente a criação de um Instituto Nacional de Saúde e Segurança no Trabalho, de gestão tripartida (Governo e parceiros sociais).
Convenhamos que a ideia em si era boa: pretendia-se prevenir o risco anunciado de governamentalização do Instituto. Com a criação do IDICT, em 1993, a letra e a forma do acordo foram inegavelmente traídos. O IDICT passou a deter três áreas de competências: (i) inspecção do trabalho; (ii) investigação & desenvolvimento na área das condições de trabalho; e (iii) gestão das relações colectivas de trabalho...
Os vários presidentes do IDICT que eu fui conhecendo pessoalmente a partir de então sempre se mostraram hostis à ideia da saída da Inspecção Geral do Trabalho (abreviadamente, IGT). Para eles, o IDICT sem o "abraço armado" (sic) da IGT nunca teria força nem credibilidade dentro e fora das empresas... Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Saúde & Segurança do Trabalho - XIII: O IDICT sem o braço armado da Inspecção do Trabalho
Pergunta o Paulo Dinis, o grande animador da Ergolist:
Então o Decreto-Lei n.º 266/2002 não abria já as portas para a constituição de uma agência nacional em substituição do IDICT ? O próprio acordo sobre condições de trabalho, higiene e segurança no trabalho e combate à sinistralidade, de 2001, também não sugeria, de certa forma, que fossem diferenciadas a área de supervisão das relações colectivas de trabalho e a área técnica da SH&ST ?
Resposta de O Blogador:
O Paulo é um homem atento, como convém, à produção, em grande série, do Diário da República (abreviadamente, DR). Confesso que não é o meu diário preferido: não tem, por exemplo, um livro de estilo como o Público. Além disso, parece um pasquim, daqueles onde se escreve mal e porcamente a língua da gente.
Embora mau leitor do DR e sobretudo distraído, quer-me parecer que o Decreto-Lei n.º 266/2002, de 26 de Novembro, se limita a estabelecer a orgânica da nova Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.
O novo inquilino da Praça de Londres fez o que todos os novos inquilinos do poder gostam de fazer: mudar a mobília, os sofás, e as cortinas; trocar as fechaduras; substituir a farda do porteiro; reformular o organograma... Em suma, a nova/velha Direcção-Geral, para além das competências anteriormente detidas pela Direcção-Geral do Emprego e Formação Profissional (DGEFP) e pela Direcção-Geral das Condições de Trabalho (DGCT), passou igualmente a deter competências na área das relações profissionais, anteriormente cometidas ao Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT).
No preâmbulo daquele diploma legal não descortino nenhuma "porta aberta" à criação de uma eventual agência nacional de segurança e saúde no trabalho, embora dessa possibilidade se fale à boca cheia nos "mentideros" dos seminários congressos e demais encontros onde a gente se vai (des)encontrando, em honra e homenagem à Santa Segurança, Higiene & Saúde no Trabalho. O acordo de 2001, por sua vez, já previa a saída, do IDICT, dos famosos especialistas em gestão de conflitos sócio-laborais cuja história está por fazer.
Temos que recuar a 1991 e ao acordo específico sobre SH&ST, assinado pelo Governo e parceiros sociais com assento no então Conselho Permanente de Concertação Social, hoje integrado no Conselho Económico e Social.
Para os mais novos e os menos atentos, é útil recordar que um dos pontos do acordo era justamente a criação de um Instituto Nacional de Saúde e Segurança no Trabalho, de gestão tripartida (Governo e parceiros sociais).
Convenhamos que a ideia em si era boa: pretendia-se prevenir o risco anunciado de governamentalização do Instituto. Com a criação do IDICT, em 1993, a letra e a forma do acordo foram inegavelmente traídos. O IDICT passou a deter três áreas de competências: (i) inspecção do trabalho; (ii) investigação & desenvolvimento na área das condições de trabalho; e (iii) gestão das relações colectivas de trabalho...
Os vários presidentes do IDICT que eu fui conhecendo pessoalmente a partir de então sempre se mostraram hostis à ideia da saída da Inspecção Geral do Trabalho (abreviadamente, IGT). Para eles, o IDICT sem o "abraço armado" (sic) da IGT nunca teria força nem credibilidade dentro e fora das empresas... Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Então o Decreto-Lei n.º 266/2002 não abria já as portas para a constituição de uma agência nacional em substituição do IDICT ? O próprio acordo sobre condições de trabalho, higiene e segurança no trabalho e combate à sinistralidade, de 2001, também não sugeria, de certa forma, que fossem diferenciadas a área de supervisão das relações colectivas de trabalho e a área técnica da SH&ST ?
Resposta de O Blogador:
O Paulo é um homem atento, como convém, à produção, em grande série, do Diário da República (abreviadamente, DR). Confesso que não é o meu diário preferido: não tem, por exemplo, um livro de estilo como o Público. Além disso, parece um pasquim, daqueles onde se escreve mal e porcamente a língua da gente.
Embora mau leitor do DR e sobretudo distraído, quer-me parecer que o Decreto-Lei n.º 266/2002, de 26 de Novembro, se limita a estabelecer a orgânica da nova Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.
O novo inquilino da Praça de Londres fez o que todos os novos inquilinos do poder gostam de fazer: mudar a mobília, os sofás, e as cortinas; trocar as fechaduras; substituir a farda do porteiro; reformular o organograma... Em suma, a nova/velha Direcção-Geral, para além das competências anteriormente detidas pela Direcção-Geral do Emprego e Formação Profissional (DGEFP) e pela Direcção-Geral das Condições de Trabalho (DGCT), passou igualmente a deter competências na área das relações profissionais, anteriormente cometidas ao Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT).
No preâmbulo daquele diploma legal não descortino nenhuma "porta aberta" à criação de uma eventual agência nacional de segurança e saúde no trabalho, embora dessa possibilidade se fale à boca cheia nos "mentideros" dos seminários congressos e demais encontros onde a gente se vai (des)encontrando, em honra e homenagem à Santa Segurança, Higiene & Saúde no Trabalho. O acordo de 2001, por sua vez, já previa a saída, do IDICT, dos famosos especialistas em gestão de conflitos sócio-laborais cuja história está por fazer.
Temos que recuar a 1991 e ao acordo específico sobre SH&ST, assinado pelo Governo e parceiros sociais com assento no então Conselho Permanente de Concertação Social, hoje integrado no Conselho Económico e Social.
Para os mais novos e os menos atentos, é útil recordar que um dos pontos do acordo era justamente a criação de um Instituto Nacional de Saúde e Segurança no Trabalho, de gestão tripartida (Governo e parceiros sociais).
Convenhamos que a ideia em si era boa: pretendia-se prevenir o risco anunciado de governamentalização do Instituto. Com a criação do IDICT, em 1993, a letra e a forma do acordo foram inegavelmente traídos. O IDICT passou a deter três áreas de competências: (i) inspecção do trabalho; (ii) investigação & desenvolvimento na área das condições de trabalho; e (iii) gestão das relações colectivas de trabalho...
Os vários presidentes do IDICT que eu fui conhecendo pessoalmente a partir de então sempre se mostraram hostis à ideia da saída da Inspecção Geral do Trabalho (abreviadamente, IGT). Para eles, o IDICT sem o "abraço armado" (sic) da IGT nunca teria força nem credibilidade dentro e fora das empresas... Mas mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
27 novembro 2003
(Ex)citações de cada dia - XI: Nunca desistas de um sonho
"Nunca desistas de um sonho. Se não houver na pastelaria da tua rua, dá uma volta ao quarteirão e procura-o na mais próxima. Como diz o poeta António Gedeão, é o Sonho que comanda a Vida".
_______
PS - 50% dos créditos são devidos à Paula C. Isentos de IVA.
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PS - 50% dos créditos são devidos à Paula C. Isentos de IVA.
(Ex)citações de cada dia - XI: Nunca desistas de um sonho
"Nunca desistas de um sonho. Se não houver na pastelaria da tua rua, dá uma volta ao quarteirão e procura-o na mais próxima. Como diz o poeta António Gedeão, é o Sonho que comanda a Vida".
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PS - 50% dos créditos são devidos à Paula C. Isentos de IVA.
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PS - 50% dos créditos são devidos à Paula C. Isentos de IVA.
Saúde & Segurança do Trabalho - XII: Dinheiro e deontologia
F. Gaspar: “Cerca de 45 anos a visitar empresas em Portugal (...) permitem-me dizer-lhe que esse conflito de interesses [ empregador / profissionais de SH&ST], é muito real. Tudo tem início no acto da contratação do médico do trabalho ou, agora mais recentemente, com a escolha da empresa que possa prestar serviços nessa área, tal como prevê a lei. Quem não assiste ao quotidiano das empresas não pode imaginar o que se passa. Como os contos são largos e, nalguns casos, muito ‘cabeludos’, talvez haja um dia a oportunidade de trocarmos impressões sobre esta matéria e eu contar-lhe algumas histórias reais. Fica aqui, nas entrelinhas, aquilo que me apetecia dizer dos jogos de força entre a deontologia e o dinheiro... Pelo menos, para que os menos avisados e os debutantes nesta profissão consigam navegar neste rio caudaloso de interesses” (Ergolist. 26.11.2003).
C. Gamelas: “Se o Técnico Superior [ de Segurança e Higiene do Trabalho ] pretende executar a sua actividade de acordo com a sua deontologia profissional, o mais certo é ficar sempre no desemprego (Ergolist. 26.11.2003)
_________
O país precisa (e as nossas empresas merecem) que os nossos profissionais na área da SH&ST (médicos e enfermeiros do trabalho, especialistas e técnicos de segurança e higiene do trabalho, ergonomistas, psicólogos, sociólogos, assistentes sociais ocupacionais, educadores e promotores de saúde...) sejam os melhores do mundo. Isto é: que sejam cientifica e tecnicamente bem preparados, mas também dotados das competências humanas, relacionais e sociais que são inerentes ao seu campo de competência profissional e que fazem parte do conceito de autonomia técnica.
Não posso, por isso, concordar com a afirmação de que um técnico superior de segurança e higiene do trabalho eticamente responsável (logo, competente) fique automaticamente excluído do mercado de trabalho... Admito que pelo seu grau de exigência e de rigor poderá não querer trabalhar a qualquer preço e em qualquer sítio...
Todas as profissões têm (ou devem ter) um código de ética e deontologia. É esperado, no mínimo, que a sua conduta seja pautada por valores. No caso dos profissionais de SH&ST esses valores são exigentes e até têm moldura jurídica.
O técnico superior de segurança e higiene do trabalho não pode, obviamente, substituir-se ao empregador e aos seus representantes. E muito menos decidir por ele. Deve, em todo o caso, pôr à sua disposição todas as possíveis soluções para um dado problema com implicações na saúde e segurança dos seus trabalhadores. Deve avaliar as consequências de cada uma dessas soluções, incluindo os custos e os benefícios em temos económicos e sociais.
Decidir é escolher uma de entre várias alternativas. O papel dos gestores é tomar decisões e resolver problemas. O técnico superior de segurança e higiene do trabalhador não faz parte do line (hierarquia), faz parte do staff (serviços funcionais). Não é um decisor, a menos que lhe deleguem funções executivas...
Os gestores também devem pautar o seu comportamento por valores éticos. E hoje há uma coisa que se chama "responsabilidade social" das empresas e que começa a ser valorizada pelos accionistas, pelos clientes, pela opinião pública... E pelos próprios gestores e empregadores, porque também pode e deve "dar dividendos".
Estamos todos de acordo quanto à urgência de as associações profissionais dos profissionais de SH&ST tomarem posição clara e inequívoca sobre as questões de ética e deontologia no exercício da sua actividade. Refiro-me em especial ao médico do trabalho, ao enfermeiro do trabalho, ao técnico de segurança e higiene do trabalho e ao técnico superior de segurança e higiene do trabalho.
De qualquer modo, considero que podemos e devemos continuar a discutir, neste e noutros espaços, as questão de ética e deontologia das profissões na área da SH&ST. Infelizmente, estas questões são sempre as menos prioritárias e as mais incómodas.
Espero bem que estas questões estejam a ser extensa e profundamente abordadas, por quem de direito, nos cursos de pós-graduação para técnicos superiores de segurança e higiene do trabalho... Mas devo dizer que tenho sérias dúvidas quanto a isso...
Não basta, de resto, o que diz a lei, é preciso que os novos profissionais sejam capazes, no terreno, de adoptar comportamentos ética e deontologicamente correctos, o que está longe de ser sinónimo de demagogia, irrealismo ou fundamentalismo...
C. Gamelas: “Se o Técnico Superior [ de Segurança e Higiene do Trabalho ] pretende executar a sua actividade de acordo com a sua deontologia profissional, o mais certo é ficar sempre no desemprego (Ergolist. 26.11.2003)
_________
O país precisa (e as nossas empresas merecem) que os nossos profissionais na área da SH&ST (médicos e enfermeiros do trabalho, especialistas e técnicos de segurança e higiene do trabalho, ergonomistas, psicólogos, sociólogos, assistentes sociais ocupacionais, educadores e promotores de saúde...) sejam os melhores do mundo. Isto é: que sejam cientifica e tecnicamente bem preparados, mas também dotados das competências humanas, relacionais e sociais que são inerentes ao seu campo de competência profissional e que fazem parte do conceito de autonomia técnica.
Não posso, por isso, concordar com a afirmação de que um técnico superior de segurança e higiene do trabalho eticamente responsável (logo, competente) fique automaticamente excluído do mercado de trabalho... Admito que pelo seu grau de exigência e de rigor poderá não querer trabalhar a qualquer preço e em qualquer sítio...
Todas as profissões têm (ou devem ter) um código de ética e deontologia. É esperado, no mínimo, que a sua conduta seja pautada por valores. No caso dos profissionais de SH&ST esses valores são exigentes e até têm moldura jurídica.
O técnico superior de segurança e higiene do trabalho não pode, obviamente, substituir-se ao empregador e aos seus representantes. E muito menos decidir por ele. Deve, em todo o caso, pôr à sua disposição todas as possíveis soluções para um dado problema com implicações na saúde e segurança dos seus trabalhadores. Deve avaliar as consequências de cada uma dessas soluções, incluindo os custos e os benefícios em temos económicos e sociais.
Decidir é escolher uma de entre várias alternativas. O papel dos gestores é tomar decisões e resolver problemas. O técnico superior de segurança e higiene do trabalhador não faz parte do line (hierarquia), faz parte do staff (serviços funcionais). Não é um decisor, a menos que lhe deleguem funções executivas...
Os gestores também devem pautar o seu comportamento por valores éticos. E hoje há uma coisa que se chama "responsabilidade social" das empresas e que começa a ser valorizada pelos accionistas, pelos clientes, pela opinião pública... E pelos próprios gestores e empregadores, porque também pode e deve "dar dividendos".
Estamos todos de acordo quanto à urgência de as associações profissionais dos profissionais de SH&ST tomarem posição clara e inequívoca sobre as questões de ética e deontologia no exercício da sua actividade. Refiro-me em especial ao médico do trabalho, ao enfermeiro do trabalho, ao técnico de segurança e higiene do trabalho e ao técnico superior de segurança e higiene do trabalho.
De qualquer modo, considero que podemos e devemos continuar a discutir, neste e noutros espaços, as questão de ética e deontologia das profissões na área da SH&ST. Infelizmente, estas questões são sempre as menos prioritárias e as mais incómodas.
Espero bem que estas questões estejam a ser extensa e profundamente abordadas, por quem de direito, nos cursos de pós-graduação para técnicos superiores de segurança e higiene do trabalho... Mas devo dizer que tenho sérias dúvidas quanto a isso...
Não basta, de resto, o que diz a lei, é preciso que os novos profissionais sejam capazes, no terreno, de adoptar comportamentos ética e deontologicamente correctos, o que está longe de ser sinónimo de demagogia, irrealismo ou fundamentalismo...
Saúde & Segurança do Trabalho - XII: Dinheiro e deontologia
F. Gaspar: “Cerca de 45 anos a visitar empresas em Portugal (...) permitem-me dizer-lhe que esse conflito de interesses [ empregador / profissionais de SH&ST], é muito real. Tudo tem início no acto da contratação do médico do trabalho ou, agora mais recentemente, com a escolha da empresa que possa prestar serviços nessa área, tal como prevê a lei. Quem não assiste ao quotidiano das empresas não pode imaginar o que se passa. Como os contos são largos e, nalguns casos, muito ‘cabeludos’, talvez haja um dia a oportunidade de trocarmos impressões sobre esta matéria e eu contar-lhe algumas histórias reais. Fica aqui, nas entrelinhas, aquilo que me apetecia dizer dos jogos de força entre a deontologia e o dinheiro... Pelo menos, para que os menos avisados e os debutantes nesta profissão consigam navegar neste rio caudaloso de interesses” (Ergolist. 26.11.2003).
C. Gamelas: “Se o Técnico Superior [ de Segurança e Higiene do Trabalho ] pretende executar a sua actividade de acordo com a sua deontologia profissional, o mais certo é ficar sempre no desemprego (Ergolist. 26.11.2003)
_________
O país precisa (e as nossas empresas merecem) que os nossos profissionais na área da SH&ST (médicos e enfermeiros do trabalho, especialistas e técnicos de segurança e higiene do trabalho, ergonomistas, psicólogos, sociólogos, assistentes sociais ocupacionais, educadores e promotores de saúde...) sejam os melhores do mundo. Isto é: que sejam cientifica e tecnicamente bem preparados, mas também dotados das competências humanas, relacionais e sociais que são inerentes ao seu campo de competência profissional e que fazem parte do conceito de autonomia técnica.
Não posso, por isso, concordar com a afirmação de que um técnico superior de segurança e higiene do trabalho eticamente responsável (logo, competente) fique automaticamente excluído do mercado de trabalho... Admito que pelo seu grau de exigência e de rigor poderá não querer trabalhar a qualquer preço e em qualquer sítio...
Todas as profissões têm (ou devem ter) um código de ética e deontologia. É esperado, no mínimo, que a sua conduta seja pautada por valores. No caso dos profissionais de SH&ST esses valores são exigentes e até têm moldura jurídica.
O técnico superior de segurança e higiene do trabalho não pode, obviamente, substituir-se ao empregador e aos seus representantes. E muito menos decidir por ele. Deve, em todo o caso, pôr à sua disposição todas as possíveis soluções para um dado problema com implicações na saúde e segurança dos seus trabalhadores. Deve avaliar as consequências de cada uma dessas soluções, incluindo os custos e os benefícios em temos económicos e sociais.
Decidir é escolher uma de entre várias alternativas. O papel dos gestores é tomar decisões e resolver problemas. O técnico superior de segurança e higiene do trabalhador não faz parte do line (hierarquia), faz parte do staff (serviços funcionais). Não é um decisor, a menos que lhe deleguem funções executivas...
Os gestores também devem pautar o seu comportamento por valores éticos. E hoje há uma coisa que se chama "responsabilidade social" das empresas e que começa a ser valorizada pelos accionistas, pelos clientes, pela opinião pública... E pelos próprios gestores e empregadores, porque também pode e deve "dar dividendos".
Estamos todos de acordo quanto à urgência de as associações profissionais dos profissionais de SH&ST tomarem posição clara e inequívoca sobre as questões de ética e deontologia no exercício da sua actividade. Refiro-me em especial ao médico do trabalho, ao enfermeiro do trabalho, ao técnico de segurança e higiene do trabalho e ao técnico superior de segurança e higiene do trabalho.
De qualquer modo, considero que podemos e devemos continuar a discutir, neste e noutros espaços, as questão de ética e deontologia das profissões na área da SH&ST. Infelizmente, estas questões são sempre as menos prioritárias e as mais incómodas.
Espero bem que estas questões estejam a ser extensa e profundamente abordadas, por quem de direito, nos cursos de pós-graduação para técnicos superiores de segurança e higiene do trabalho... Mas devo dizer que tenho sérias dúvidas quanto a isso...
Não basta, de resto, o que diz a lei, é preciso que os novos profissionais sejam capazes, no terreno, de adoptar comportamentos ética e deontologicamente correctos, o que está longe de ser sinónimo de demagogia, irrealismo ou fundamentalismo...
C. Gamelas: “Se o Técnico Superior [ de Segurança e Higiene do Trabalho ] pretende executar a sua actividade de acordo com a sua deontologia profissional, o mais certo é ficar sempre no desemprego (Ergolist. 26.11.2003)
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O país precisa (e as nossas empresas merecem) que os nossos profissionais na área da SH&ST (médicos e enfermeiros do trabalho, especialistas e técnicos de segurança e higiene do trabalho, ergonomistas, psicólogos, sociólogos, assistentes sociais ocupacionais, educadores e promotores de saúde...) sejam os melhores do mundo. Isto é: que sejam cientifica e tecnicamente bem preparados, mas também dotados das competências humanas, relacionais e sociais que são inerentes ao seu campo de competência profissional e que fazem parte do conceito de autonomia técnica.
Não posso, por isso, concordar com a afirmação de que um técnico superior de segurança e higiene do trabalho eticamente responsável (logo, competente) fique automaticamente excluído do mercado de trabalho... Admito que pelo seu grau de exigência e de rigor poderá não querer trabalhar a qualquer preço e em qualquer sítio...
Todas as profissões têm (ou devem ter) um código de ética e deontologia. É esperado, no mínimo, que a sua conduta seja pautada por valores. No caso dos profissionais de SH&ST esses valores são exigentes e até têm moldura jurídica.
O técnico superior de segurança e higiene do trabalho não pode, obviamente, substituir-se ao empregador e aos seus representantes. E muito menos decidir por ele. Deve, em todo o caso, pôr à sua disposição todas as possíveis soluções para um dado problema com implicações na saúde e segurança dos seus trabalhadores. Deve avaliar as consequências de cada uma dessas soluções, incluindo os custos e os benefícios em temos económicos e sociais.
Decidir é escolher uma de entre várias alternativas. O papel dos gestores é tomar decisões e resolver problemas. O técnico superior de segurança e higiene do trabalhador não faz parte do line (hierarquia), faz parte do staff (serviços funcionais). Não é um decisor, a menos que lhe deleguem funções executivas...
Os gestores também devem pautar o seu comportamento por valores éticos. E hoje há uma coisa que se chama "responsabilidade social" das empresas e que começa a ser valorizada pelos accionistas, pelos clientes, pela opinião pública... E pelos próprios gestores e empregadores, porque também pode e deve "dar dividendos".
Estamos todos de acordo quanto à urgência de as associações profissionais dos profissionais de SH&ST tomarem posição clara e inequívoca sobre as questões de ética e deontologia no exercício da sua actividade. Refiro-me em especial ao médico do trabalho, ao enfermeiro do trabalho, ao técnico de segurança e higiene do trabalho e ao técnico superior de segurança e higiene do trabalho.
De qualquer modo, considero que podemos e devemos continuar a discutir, neste e noutros espaços, as questão de ética e deontologia das profissões na área da SH&ST. Infelizmente, estas questões são sempre as menos prioritárias e as mais incómodas.
Espero bem que estas questões estejam a ser extensa e profundamente abordadas, por quem de direito, nos cursos de pós-graduação para técnicos superiores de segurança e higiene do trabalho... Mas devo dizer que tenho sérias dúvidas quanto a isso...
Não basta, de resto, o que diz a lei, é preciso que os novos profissionais sejam capazes, no terreno, de adoptar comportamentos ética e deontologicamente correctos, o que está longe de ser sinónimo de demagogia, irrealismo ou fundamentalismo...
26 novembro 2003
Humor com humor se paga - XV: O segredo está na...pontuação!
An English professor wrote the words: "A woman without her man is nothing" on the chalkboard and asked his students to punctuate it correctly.
All of the males in the class wrote: " A woman, without her man, is nothing".
All the females in the class wrote: "A woman: without her, man is nothing".
_________
PS - 100% dos créditos vão para o meu amigo Anacleto M., o andarilho global. Foi ele que mandou esta gender-related joke. Talvez de Jacarta ou de algum lugar ainda mais oriental do oriente. Bons ventos te tragam, meu!
All of the males in the class wrote: " A woman, without her man, is nothing".
All the females in the class wrote: "A woman: without her, man is nothing".
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PS - 100% dos créditos vão para o meu amigo Anacleto M., o andarilho global. Foi ele que mandou esta gender-related joke. Talvez de Jacarta ou de algum lugar ainda mais oriental do oriente. Bons ventos te tragam, meu!
Humor com humor se paga - XV: O segredo está na...pontuação!
An English professor wrote the words: "A woman without her man is nothing" on the chalkboard and asked his students to punctuate it correctly.
All of the males in the class wrote: " A woman, without her man, is nothing".
All the females in the class wrote: "A woman: without her, man is nothing".
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PS - 100% dos créditos vão para o meu amigo Anacleto M., o andarilho global. Foi ele que mandou esta gender-related joke. Talvez de Jacarta ou de algum lugar ainda mais oriental do oriente. Bons ventos te tragam, meu!
All of the males in the class wrote: " A woman, without her man, is nothing".
All the females in the class wrote: "A woman: without her, man is nothing".
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PS - 100% dos créditos vão para o meu amigo Anacleto M., o andarilho global. Foi ele que mandou esta gender-related joke. Talvez de Jacarta ou de algum lugar ainda mais oriental do oriente. Bons ventos te tragam, meu!
Portugas que merecem as nossas palmas – IV: Patrick Monteiro Barros e Jorge Sampaio
O primeiro, por ter ousado trazer para Lisboa-Cascais a organização da 32ª edição da Taça América (America Cup). O segundo, porque na hora de se saber que o vencedor fora a cidade de Valência, transmitiu ao resto dos portugas uma mensagem serena de reforço positivo da sua auto-estima e deu uma lição de pedagogia cívica: (i) não se pode ganhar sempre, mesmo lutando com valentia e inteligência; (ii) os portugas foram altamente profissionais (Patrick Monteiro Barros & Companhia Lda) na preparação desta candidatura; (iii) Lisboa-Cascais foi promovida e está na alta roda da aristocracia da vela; e, last but not the least, (iv) não há vencidos nem muito menos bodes expiatórios...
É lamentável que se insinue que a culpa é dos desgraçados dos pescadores que perderam um porto de abrigo e uma lota de pesca. Alguém soube negociar com eles numa perspectiva win-win, senhor ministro Arnault ? Foi feito um pacto de regime com o Sindicato dos Pescadores com vista a "ninguém meter a pata na poça" antes da decisão final sobre a cidade escolhida para organizar em 2007 a Taça América ?
Apesar de tudo, garante o Governo, a reconversão da zona ribeirinha de Lisboa-Oeiras vai prosseguir. Oxalá, dizem os mouros.
É lamentável que se insinue que a culpa é dos desgraçados dos pescadores que perderam um porto de abrigo e uma lota de pesca. Alguém soube negociar com eles numa perspectiva win-win, senhor ministro Arnault ? Foi feito um pacto de regime com o Sindicato dos Pescadores com vista a "ninguém meter a pata na poça" antes da decisão final sobre a cidade escolhida para organizar em 2007 a Taça América ?
Apesar de tudo, garante o Governo, a reconversão da zona ribeirinha de Lisboa-Oeiras vai prosseguir. Oxalá, dizem os mouros.
Portugas que merecem as nossas palmas – IV: Patrick Monteiro Barros e Jorge Sampaio
O primeiro, por ter ousado trazer para Lisboa-Cascais a organização da 32ª edição da Taça América (America Cup). O segundo, porque na hora de se saber que o vencedor fora a cidade de Valência, transmitiu ao resto dos portugas uma mensagem serena de reforço positivo da sua auto-estima e deu uma lição de pedagogia cívica: (i) não se pode ganhar sempre, mesmo lutando com valentia e inteligência; (ii) os portugas foram altamente profissionais (Patrick Monteiro Barros & Companhia Lda) na preparação desta candidatura; (iii) Lisboa-Cascais foi promovida e está na alta roda da aristocracia da vela; e, last but not the least, (iv) não há vencidos nem muito menos bodes expiatórios...
É lamentável que se insinue que a culpa é dos desgraçados dos pescadores que perderam um porto de abrigo e uma lota de pesca. Alguém soube negociar com eles numa perspectiva win-win, senhor ministro Arnault ? Foi feito um pacto de regime com o Sindicato dos Pescadores com vista a "ninguém meter a pata na poça" antes da decisão final sobre a cidade escolhida para organizar em 2007 a Taça América ?
Apesar de tudo, garante o Governo, a reconversão da zona ribeirinha de Lisboa-Oeiras vai prosseguir. Oxalá, dizem os mouros.
É lamentável que se insinue que a culpa é dos desgraçados dos pescadores que perderam um porto de abrigo e uma lota de pesca. Alguém soube negociar com eles numa perspectiva win-win, senhor ministro Arnault ? Foi feito um pacto de regime com o Sindicato dos Pescadores com vista a "ninguém meter a pata na poça" antes da decisão final sobre a cidade escolhida para organizar em 2007 a Taça América ?
Apesar de tudo, garante o Governo, a reconversão da zona ribeirinha de Lisboa-Oeiras vai prosseguir. Oxalá, dizem os mouros.
25 novembro 2003
Saúde & Segurança do Trabalho - XI: Inspectores, precisam-se?!
O Ministro da Segurança Social e do Trabalho deu hoje posse a mais de meia centena de novos inspectores do trabalho. Ao que parece, a Inspecção Geral do Trabalho (IGT) vai ter trabalho acrescido (e possivelmente vai ter que fazer horas extraordinárias...) a partir da entrada em vigor do Código do Trabalho, em 1 de Dezembro próximo.
E a área da SH&ST, acrescento eu, vai ser beneficiada, vai ser prejudicada, vai ficar em “águas de bacalhau”, como diz o povo ? O que eu ouvi ao sr. ministro dizer, na televisão, é que se tratava de rejuvenescer o pessoal da IGT. Entra sangue novo para a IGT, o que é bom, dado o envelhecimento do pessoal. Por outro lado, fica claro que esta não é uma função que o Estado queira privatizar, pelo menos nos tempos mais próximos.
Entre nós a inspecção do trabalho tem mais de cem anos: foi criada em 1893, em pleno Estado Liberal, numa época (a da primeira integração económica europeia e da primeira globalização com a expansão colonial...) em que se discutia a necessidade e a urgência de se criar um direito do trabalho internacional (Portugal foi um dos 14 países pioneiros que apoiou esse movimento, tendo participado na Conferência Internacional do Trabalho de 1890, em Berlim).
O sr. ministro prometeu, além disso, libertar a IGT de "tarefas administrativas", como a concessão de isenção de horário de trabalho, um assunto em que o Estado não tem que meter o bedelho, a não ser para fiscalizar o cumprimento do que for acordado pelas partes (cito de cor). Não dei conta que tivesse dado particular ênfase ou relevância à SH&ST. Mas pode ter sido distracção minha ou do jornalista.
De acordo com um estudo piloto sobre o estado da saúde e segurança no trabalho na União Europeia, publicado em 2000 pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, com sede em Bilbau, Portugal dispunha em 1998 de cerca de 300 inspectores do trabalho para uma população trabalhadora empregada de 4250 mil pessoas (1996), ou seja, um rácio de 1 inspector por cada 14167 trabalhadores (o equivalente a 1 inspector para todo o universo do Grupo EDP).
Esse rácio era mais favorável noutros países como, por exemplo, a Finlândia (1/1837), o Reino Unido (1/3406), a Alemanha (1/3632), a Itália (1/5551), a Dinamarca (1/ 8437), a Áustria (1/9831), a Suécia (1/10000), o Luxemburgo (1/11045), a França ( 1/13796).
Em contrapartida Portugal tinha um rácio mais favorável do que a Grécia (1/24287), a Irlanda (1/22071), a Espanha (1/18973), a Bélgica (1/18857) ou a Holanda (1/18732).
Mas, atenção, o nosso tecido empresarial é dominado esmagadoramente pelas MPE (micro e pequenas empresas). Em números grosseiros, haverá mil empresas, com pessoal ao serviço, por cada inspector do trabalho (ficam de fora mais de 700 mil empresários em nome individual e sem trabalhadores ao seu serviço).
Por outro lado, é bom não esquecer que, tal como nos outros Estados membros (com excepção da Bélgica, Dinamarca, Grécia, Irlanda e Suécia), os inspectores do trabalho portugueses têm outras competências para além da fiscalização da legislação e regulamentação da SH&ST.
Não se sabe quanto tempo (médio) é que é dedicada à área da SH&ST pela Inspecção-Geral do Trabalho. A proporção de tempo é variável de país para país: por exemplo, 95% na Finlândia, 90% na Holanda 70% na Itália, 64% no Luxemburgo, 47% em França, 40% em Espanha e 23% no Reino Unido (Também não havia dados disponíveis em relação à Áustria e à Alemanha).
No nosso caso poder-se-á fazer uma estimativa a partir dos dados que constam do relatório anual da actividade da IGT. O de 2001 está disponível na página do IDICT/IGT. Mas é pesadíssimo: é um ficheiro pouco ou nada amigável de 32 MB !...
A minha impressão é que os inspectores do trabalho dedicam hoje muito menos tempo (e, se calhar, menos entusiasmo) à SH&ST do que há uns anos atrás. No que serão correspondidos pelos empregadores, trabalhadores e seus representantes. Digo-o sem ironia ou cinismo, digo-o com mágoa. Mas este é um sinal dos tempos...
E a área da SH&ST, acrescento eu, vai ser beneficiada, vai ser prejudicada, vai ficar em “águas de bacalhau”, como diz o povo ? O que eu ouvi ao sr. ministro dizer, na televisão, é que se tratava de rejuvenescer o pessoal da IGT. Entra sangue novo para a IGT, o que é bom, dado o envelhecimento do pessoal. Por outro lado, fica claro que esta não é uma função que o Estado queira privatizar, pelo menos nos tempos mais próximos.
Entre nós a inspecção do trabalho tem mais de cem anos: foi criada em 1893, em pleno Estado Liberal, numa época (a da primeira integração económica europeia e da primeira globalização com a expansão colonial...) em que se discutia a necessidade e a urgência de se criar um direito do trabalho internacional (Portugal foi um dos 14 países pioneiros que apoiou esse movimento, tendo participado na Conferência Internacional do Trabalho de 1890, em Berlim).
O sr. ministro prometeu, além disso, libertar a IGT de "tarefas administrativas", como a concessão de isenção de horário de trabalho, um assunto em que o Estado não tem que meter o bedelho, a não ser para fiscalizar o cumprimento do que for acordado pelas partes (cito de cor). Não dei conta que tivesse dado particular ênfase ou relevância à SH&ST. Mas pode ter sido distracção minha ou do jornalista.
De acordo com um estudo piloto sobre o estado da saúde e segurança no trabalho na União Europeia, publicado em 2000 pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, com sede em Bilbau, Portugal dispunha em 1998 de cerca de 300 inspectores do trabalho para uma população trabalhadora empregada de 4250 mil pessoas (1996), ou seja, um rácio de 1 inspector por cada 14167 trabalhadores (o equivalente a 1 inspector para todo o universo do Grupo EDP).
Esse rácio era mais favorável noutros países como, por exemplo, a Finlândia (1/1837), o Reino Unido (1/3406), a Alemanha (1/3632), a Itália (1/5551), a Dinamarca (1/ 8437), a Áustria (1/9831), a Suécia (1/10000), o Luxemburgo (1/11045), a França ( 1/13796).
Em contrapartida Portugal tinha um rácio mais favorável do que a Grécia (1/24287), a Irlanda (1/22071), a Espanha (1/18973), a Bélgica (1/18857) ou a Holanda (1/18732).
Mas, atenção, o nosso tecido empresarial é dominado esmagadoramente pelas MPE (micro e pequenas empresas). Em números grosseiros, haverá mil empresas, com pessoal ao serviço, por cada inspector do trabalho (ficam de fora mais de 700 mil empresários em nome individual e sem trabalhadores ao seu serviço).
Por outro lado, é bom não esquecer que, tal como nos outros Estados membros (com excepção da Bélgica, Dinamarca, Grécia, Irlanda e Suécia), os inspectores do trabalho portugueses têm outras competências para além da fiscalização da legislação e regulamentação da SH&ST.
Não se sabe quanto tempo (médio) é que é dedicada à área da SH&ST pela Inspecção-Geral do Trabalho. A proporção de tempo é variável de país para país: por exemplo, 95% na Finlândia, 90% na Holanda 70% na Itália, 64% no Luxemburgo, 47% em França, 40% em Espanha e 23% no Reino Unido (Também não havia dados disponíveis em relação à Áustria e à Alemanha).
No nosso caso poder-se-á fazer uma estimativa a partir dos dados que constam do relatório anual da actividade da IGT. O de 2001 está disponível na página do IDICT/IGT. Mas é pesadíssimo: é um ficheiro pouco ou nada amigável de 32 MB !...
A minha impressão é que os inspectores do trabalho dedicam hoje muito menos tempo (e, se calhar, menos entusiasmo) à SH&ST do que há uns anos atrás. No que serão correspondidos pelos empregadores, trabalhadores e seus representantes. Digo-o sem ironia ou cinismo, digo-o com mágoa. Mas este é um sinal dos tempos...
Saúde & Segurança do Trabalho - XI: Inspectores, precisam-se?!
O Ministro da Segurança Social e do Trabalho deu hoje posse a mais de meia centena de novos inspectores do trabalho. Ao que parece, a Inspecção Geral do Trabalho (IGT) vai ter trabalho acrescido (e possivelmente vai ter que fazer horas extraordinárias...) a partir da entrada em vigor do Código do Trabalho, em 1 de Dezembro próximo.
E a área da SH&ST, acrescento eu, vai ser beneficiada, vai ser prejudicada, vai ficar em “águas de bacalhau”, como diz o povo ? O que eu ouvi ao sr. ministro dizer, na televisão, é que se tratava de rejuvenescer o pessoal da IGT. Entra sangue novo para a IGT, o que é bom, dado o envelhecimento do pessoal. Por outro lado, fica claro que esta não é uma função que o Estado queira privatizar, pelo menos nos tempos mais próximos.
Entre nós a inspecção do trabalho tem mais de cem anos: foi criada em 1893, em pleno Estado Liberal, numa época (a da primeira integração económica europeia e da primeira globalização com a expansão colonial...) em que se discutia a necessidade e a urgência de se criar um direito do trabalho internacional (Portugal foi um dos 14 países pioneiros que apoiou esse movimento, tendo participado na Conferência Internacional do Trabalho de 1890, em Berlim).
O sr. ministro prometeu, além disso, libertar a IGT de "tarefas administrativas", como a concessão de isenção de horário de trabalho, um assunto em que o Estado não tem que meter o bedelho, a não ser para fiscalizar o cumprimento do que for acordado pelas partes (cito de cor). Não dei conta que tivesse dado particular ênfase ou relevância à SH&ST. Mas pode ter sido distracção minha ou do jornalista.
De acordo com um estudo piloto sobre o estado da saúde e segurança no trabalho na União Europeia, publicado em 2000 pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, com sede em Bilbau, Portugal dispunha em 1998 de cerca de 300 inspectores do trabalho para uma população trabalhadora empregada de 4250 mil pessoas (1996), ou seja, um rácio de 1 inspector por cada 14167 trabalhadores (o equivalente a 1 inspector para todo o universo do Grupo EDP).
Esse rácio era mais favorável noutros países como, por exemplo, a Finlândia (1/1837), o Reino Unido (1/3406), a Alemanha (1/3632), a Itália (1/5551), a Dinamarca (1/ 8437), a Áustria (1/9831), a Suécia (1/10000), o Luxemburgo (1/11045), a França ( 1/13796).
Em contrapartida Portugal tinha um rácio mais favorável do que a Grécia (1/24287), a Irlanda (1/22071), a Espanha (1/18973), a Bélgica (1/18857) ou a Holanda (1/18732).
Mas, atenção, o nosso tecido empresarial é dominado esmagadoramente pelas MPE (micro e pequenas empresas). Em números grosseiros, haverá mil empresas, com pessoal ao serviço, por cada inspector do trabalho (ficam de fora mais de 700 mil empresários em nome individual e sem trabalhadores ao seu serviço).
Por outro lado, é bom não esquecer que, tal como nos outros Estados membros (com excepção da Bélgica, Dinamarca, Grécia, Irlanda e Suécia), os inspectores do trabalho portugueses têm outras competências para além da fiscalização da legislação e regulamentação da SH&ST.
Não se sabe quanto tempo (médio) é que é dedicada à área da SH&ST pela Inspecção-Geral do Trabalho. A proporção de tempo é variável de país para país: por exemplo, 95% na Finlândia, 90% na Holanda 70% na Itália, 64% no Luxemburgo, 47% em França, 40% em Espanha e 23% no Reino Unido (Também não havia dados disponíveis em relação à Áustria e à Alemanha).
No nosso caso poder-se-á fazer uma estimativa a partir dos dados que constam do relatório anual da actividade da IGT. O de 2001 está disponível na página do IDICT/IGT. Mas é pesadíssimo: é um ficheiro pouco ou nada amigável de 32 MB !...
A minha impressão é que os inspectores do trabalho dedicam hoje muito menos tempo (e, se calhar, menos entusiasmo) à SH&ST do que há uns anos atrás. No que serão correspondidos pelos empregadores, trabalhadores e seus representantes. Digo-o sem ironia ou cinismo, digo-o com mágoa. Mas este é um sinal dos tempos...
E a área da SH&ST, acrescento eu, vai ser beneficiada, vai ser prejudicada, vai ficar em “águas de bacalhau”, como diz o povo ? O que eu ouvi ao sr. ministro dizer, na televisão, é que se tratava de rejuvenescer o pessoal da IGT. Entra sangue novo para a IGT, o que é bom, dado o envelhecimento do pessoal. Por outro lado, fica claro que esta não é uma função que o Estado queira privatizar, pelo menos nos tempos mais próximos.
Entre nós a inspecção do trabalho tem mais de cem anos: foi criada em 1893, em pleno Estado Liberal, numa época (a da primeira integração económica europeia e da primeira globalização com a expansão colonial...) em que se discutia a necessidade e a urgência de se criar um direito do trabalho internacional (Portugal foi um dos 14 países pioneiros que apoiou esse movimento, tendo participado na Conferência Internacional do Trabalho de 1890, em Berlim).
O sr. ministro prometeu, além disso, libertar a IGT de "tarefas administrativas", como a concessão de isenção de horário de trabalho, um assunto em que o Estado não tem que meter o bedelho, a não ser para fiscalizar o cumprimento do que for acordado pelas partes (cito de cor). Não dei conta que tivesse dado particular ênfase ou relevância à SH&ST. Mas pode ter sido distracção minha ou do jornalista.
De acordo com um estudo piloto sobre o estado da saúde e segurança no trabalho na União Europeia, publicado em 2000 pela Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, com sede em Bilbau, Portugal dispunha em 1998 de cerca de 300 inspectores do trabalho para uma população trabalhadora empregada de 4250 mil pessoas (1996), ou seja, um rácio de 1 inspector por cada 14167 trabalhadores (o equivalente a 1 inspector para todo o universo do Grupo EDP).
Esse rácio era mais favorável noutros países como, por exemplo, a Finlândia (1/1837), o Reino Unido (1/3406), a Alemanha (1/3632), a Itália (1/5551), a Dinamarca (1/ 8437), a Áustria (1/9831), a Suécia (1/10000), o Luxemburgo (1/11045), a França ( 1/13796).
Em contrapartida Portugal tinha um rácio mais favorável do que a Grécia (1/24287), a Irlanda (1/22071), a Espanha (1/18973), a Bélgica (1/18857) ou a Holanda (1/18732).
Mas, atenção, o nosso tecido empresarial é dominado esmagadoramente pelas MPE (micro e pequenas empresas). Em números grosseiros, haverá mil empresas, com pessoal ao serviço, por cada inspector do trabalho (ficam de fora mais de 700 mil empresários em nome individual e sem trabalhadores ao seu serviço).
Por outro lado, é bom não esquecer que, tal como nos outros Estados membros (com excepção da Bélgica, Dinamarca, Grécia, Irlanda e Suécia), os inspectores do trabalho portugueses têm outras competências para além da fiscalização da legislação e regulamentação da SH&ST.
Não se sabe quanto tempo (médio) é que é dedicada à área da SH&ST pela Inspecção-Geral do Trabalho. A proporção de tempo é variável de país para país: por exemplo, 95% na Finlândia, 90% na Holanda 70% na Itália, 64% no Luxemburgo, 47% em França, 40% em Espanha e 23% no Reino Unido (Também não havia dados disponíveis em relação à Áustria e à Alemanha).
No nosso caso poder-se-á fazer uma estimativa a partir dos dados que constam do relatório anual da actividade da IGT. O de 2001 está disponível na página do IDICT/IGT. Mas é pesadíssimo: é um ficheiro pouco ou nada amigável de 32 MB !...
A minha impressão é que os inspectores do trabalho dedicam hoje muito menos tempo (e, se calhar, menos entusiasmo) à SH&ST do que há uns anos atrás. No que serão correspondidos pelos empregadores, trabalhadores e seus representantes. Digo-o sem ironia ou cinismo, digo-o com mágoa. Mas este é um sinal dos tempos...
Saúde & Segurança do Trabalho - X: (In)dependência(s)
1. A nossa legislação reconhece o princípio da independência dos profissionais de SH&ST. No caso do médico do trabalho, e qualquer que seja a modalidade de serviço de SH&ST (interno, externo ou interempresas), o legislador diz explicitamente ele que deverá exercer as suas funções com independência técnica e em estrita obediência aos princípios de deontologia profissional (nº 5 do art. 25º do D.L. nº 26/94).
Tal não impede a existência de um conflito (latente) entre o exercício da medicina do trabalho e os imperativos da gestão ou os interesses dos empregadores. E, contrariamente ao que se passa, por exemplo, na Bélgica (Loi du 27 Décembre 1977), em Portugal não há, em minha opinião, suficiente protecção legal do médico do trabalho em caso de tentativa de rescisão, por parte do empregador, do contrato individual de trabalho ou do contrato de prestação de serviço, nomeadamente quando os motivos invocados são susceptíveis de ferir a sua “independência técnica e moral”.
2. O mesmo se passa, de resto, com o técnico superior de segurança e higiene do trabalho (abreviadamente, S&HT), que tem um perfil ainda mais exigente ou, pelo menos, mais detalhado. Assim, no exercício da sua actividade, o técnico superior de S&HT (i) deve sempre pautar-se pelo respeito dos seus princípios de deontologia profissional; e, nomeadamente, (ii) deve “considerar a segurança e a saúde dos trabalhadores como factores prioritários da sua intervenção”, conforme disposto na alínea a) do nº 1 do art. 4º do D.L. nº 110/2000, de 30 de Junho de 2000.
No entanto, pôr a segurança e a saúde dos trabalhadores acima dos interesses imediatos do empregador pode, em deteminadas circunstâncias, levar a um conflito entre ambas as partes, o empregador e o técnico superior de S&HT.
Qual é a opinião d@s car@s ciberamig@s sobre esta questão ?
Tal não impede a existência de um conflito (latente) entre o exercício da medicina do trabalho e os imperativos da gestão ou os interesses dos empregadores. E, contrariamente ao que se passa, por exemplo, na Bélgica (Loi du 27 Décembre 1977), em Portugal não há, em minha opinião, suficiente protecção legal do médico do trabalho em caso de tentativa de rescisão, por parte do empregador, do contrato individual de trabalho ou do contrato de prestação de serviço, nomeadamente quando os motivos invocados são susceptíveis de ferir a sua “independência técnica e moral”.
2. O mesmo se passa, de resto, com o técnico superior de segurança e higiene do trabalho (abreviadamente, S&HT), que tem um perfil ainda mais exigente ou, pelo menos, mais detalhado. Assim, no exercício da sua actividade, o técnico superior de S&HT (i) deve sempre pautar-se pelo respeito dos seus princípios de deontologia profissional; e, nomeadamente, (ii) deve “considerar a segurança e a saúde dos trabalhadores como factores prioritários da sua intervenção”, conforme disposto na alínea a) do nº 1 do art. 4º do D.L. nº 110/2000, de 30 de Junho de 2000.
No entanto, pôr a segurança e a saúde dos trabalhadores acima dos interesses imediatos do empregador pode, em deteminadas circunstâncias, levar a um conflito entre ambas as partes, o empregador e o técnico superior de S&HT.
Qual é a opinião d@s car@s ciberamig@s sobre esta questão ?
Saúde & Segurança do Trabalho - X: (In)dependência(s)
1. A nossa legislação reconhece o princípio da independência dos profissionais de SH&ST. No caso do médico do trabalho, e qualquer que seja a modalidade de serviço de SH&ST (interno, externo ou interempresas), o legislador diz explicitamente ele que deverá exercer as suas funções com independência técnica e em estrita obediência aos princípios de deontologia profissional (nº 5 do art. 25º do D.L. nº 26/94).
Tal não impede a existência de um conflito (latente) entre o exercício da medicina do trabalho e os imperativos da gestão ou os interesses dos empregadores. E, contrariamente ao que se passa, por exemplo, na Bélgica (Loi du 27 Décembre 1977), em Portugal não há, em minha opinião, suficiente protecção legal do médico do trabalho em caso de tentativa de rescisão, por parte do empregador, do contrato individual de trabalho ou do contrato de prestação de serviço, nomeadamente quando os motivos invocados são susceptíveis de ferir a sua “independência técnica e moral”.
2. O mesmo se passa, de resto, com o técnico superior de segurança e higiene do trabalho (abreviadamente, S&HT), que tem um perfil ainda mais exigente ou, pelo menos, mais detalhado. Assim, no exercício da sua actividade, o técnico superior de S&HT (i) deve sempre pautar-se pelo respeito dos seus princípios de deontologia profissional; e, nomeadamente, (ii) deve “considerar a segurança e a saúde dos trabalhadores como factores prioritários da sua intervenção”, conforme disposto na alínea a) do nº 1 do art. 4º do D.L. nº 110/2000, de 30 de Junho de 2000.
No entanto, pôr a segurança e a saúde dos trabalhadores acima dos interesses imediatos do empregador pode, em deteminadas circunstâncias, levar a um conflito entre ambas as partes, o empregador e o técnico superior de S&HT.
Qual é a opinião d@s car@s ciberamig@s sobre esta questão ?
Tal não impede a existência de um conflito (latente) entre o exercício da medicina do trabalho e os imperativos da gestão ou os interesses dos empregadores. E, contrariamente ao que se passa, por exemplo, na Bélgica (Loi du 27 Décembre 1977), em Portugal não há, em minha opinião, suficiente protecção legal do médico do trabalho em caso de tentativa de rescisão, por parte do empregador, do contrato individual de trabalho ou do contrato de prestação de serviço, nomeadamente quando os motivos invocados são susceptíveis de ferir a sua “independência técnica e moral”.
2. O mesmo se passa, de resto, com o técnico superior de segurança e higiene do trabalho (abreviadamente, S&HT), que tem um perfil ainda mais exigente ou, pelo menos, mais detalhado. Assim, no exercício da sua actividade, o técnico superior de S&HT (i) deve sempre pautar-se pelo respeito dos seus princípios de deontologia profissional; e, nomeadamente, (ii) deve “considerar a segurança e a saúde dos trabalhadores como factores prioritários da sua intervenção”, conforme disposto na alínea a) do nº 1 do art. 4º do D.L. nº 110/2000, de 30 de Junho de 2000.
No entanto, pôr a segurança e a saúde dos trabalhadores acima dos interesses imediatos do empregador pode, em deteminadas circunstâncias, levar a um conflito entre ambas as partes, o empregador e o técnico superior de S&HT.
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24 novembro 2003
Portugas que merecem os nossos assobios – I: Os lusopessimistas
Os gajos até podem estar com carradas de razão. Independentemente dos humores matinais ou das idiossincrasias de cada um, eles são capazes até de ter razão. Aliás, eles têm razão.
Além disso, eles são figuras públicas, são uns crânios, são opinion-makers, têm provas dadas no seu campo profissional, falam de cátedra. Eles podem usar e abusar do argumento de autoridade. Ao longo da história, os intelectuais têm-no feito. Hoje andam trasvestidos de mediáticos. Têm um acesso privilegiado aos media. Por isso mesmo são intelectuais mediáticos. Dantes falavam em nome do povo, agora falam do povo. Falam, continuam a falar, de cátedra. O povo deixou de ser sujeito (activo), passou a ser objecto (passivo). De crónica, de sebenta, de análise, de reportagem, de artigo de opinião, de cantoria.
É talvez por isso que a gente, quando pode, não poupa os intelectuais mediáticos. Não os poupa ao assobio e à pateada (da populaça). Se a gente não poupa o rei, também não poupa a rainha, o príncipe e por aí abaixo, até ao cão. Eles, os intelectuais mediáticos, estão lá no Olimpo. A apontar para a gente cá em baixo, no inferno. Com dedos inquisitoriais. Ora os portugas não gostam de ser apontados a dedo. Além disso, têm dor de corno. Os portugas são ingartos para com os seus intelectuais mediáticos. Mesmo quando estão na merda e quando são citados como os mais infelizes da Europa (diz o New Scientist que eu não li e ele, o cientista, lá sabe porquê: deve ser por causa do fado, especula o blogador), os portugas não mostram gratidão por quem lhes passa a mão pelo cachaço.
Estre paleio acaba por resumir o estranho e confuso requerimento apresentado pelo Zé Povinho ao blogue-fora-nada. Devo dizer que dá jeito ter à mão de semear uma figura como a do Zé Povinho. Por exemplo, para sentir po pulsar do coração de A Nação. O que é que o Zé Povimnho, a nós, intelectuais, mais blogadores ou mais mediáticos ?
A mensagem é simples como a personagem: Meus senhores, por favor, não batam mais no ceguinho! Um pouco menos de sadomasoquismo não vos fica mal. Pelo menos até 4ª feira, dia 26 de Novembro. Até ao anúncio (oficial) da candidatura vencedora da organização da Taça da América.
Se a gente valer mais, aos olhos-com-cifrões dos suíços, do que o real lóbi espanhol, o milionário lóbi francês ou o mafioso lóbi italiano, então estamos safos. Pelo menos até 2007. Com a primeira década no papo, não há século que nos meta medo. E com o século ganho, o resto do milénio é canja, é um ver-se-te-avias... O Zé Povinho só espera que fiquem algumas sobras para ele. Por isso, please, meus senhores, não comam tudo... Ou não comam tudo de uma só vez. Como fizeram das outras vezes.
António Barreto (figura pública):
”É o momento que os portugueses preferem viver, o sítio onde mais gostam de se encontrar. Em cima da hora, no último minuto, na véspera, à beira do abismo (...). É por isso que fazem tantas coisas mal feitas (...). Ainda por cima, têm o desplante de transformar esses imperdoáveis defeitos em virtude. A que chamam o génio português. É por essas e outras que nunca viverei em paz com o meu passaporte” (Retrato da Semana: À beira do abismo. Público, 23 de Novembro de 2003).
António Pedro Vasconcelos (figura pública):
(...) Portugal entrou em depressão a partir daí [do último Mundial Coreia-Japão] porque há uma grande relação entre o futebol e o ‘estado da nação’: o futebol é uma das poucas coisas em que os portugueses acreditam que são um bocadinho melhores do que no resto (...). O país não acredita na selecção. As pessoas estão já a fazer o luto de não ganhar o Europeu porque têm medo de acreditar (...). O clima do país é de depressão (...). Alastra o sentimento de que não somos bons em nada (Entrevista. Texto de Luís Miguel Viana. Pública, revista do Público, 23.11.2003).
PS - Não vale a pena fazer uma hiperligação ao texto do Público, porque este material é efémero e um dia destes a crónica do AB, mais a nossa, vai ingloriamente parar à ciberpubela (caixote do lixo do ciberesapço, em franglês do Minho).
Além disso, eles são figuras públicas, são uns crânios, são opinion-makers, têm provas dadas no seu campo profissional, falam de cátedra. Eles podem usar e abusar do argumento de autoridade. Ao longo da história, os intelectuais têm-no feito. Hoje andam trasvestidos de mediáticos. Têm um acesso privilegiado aos media. Por isso mesmo são intelectuais mediáticos. Dantes falavam em nome do povo, agora falam do povo. Falam, continuam a falar, de cátedra. O povo deixou de ser sujeito (activo), passou a ser objecto (passivo). De crónica, de sebenta, de análise, de reportagem, de artigo de opinião, de cantoria.
É talvez por isso que a gente, quando pode, não poupa os intelectuais mediáticos. Não os poupa ao assobio e à pateada (da populaça). Se a gente não poupa o rei, também não poupa a rainha, o príncipe e por aí abaixo, até ao cão. Eles, os intelectuais mediáticos, estão lá no Olimpo. A apontar para a gente cá em baixo, no inferno. Com dedos inquisitoriais. Ora os portugas não gostam de ser apontados a dedo. Além disso, têm dor de corno. Os portugas são ingartos para com os seus intelectuais mediáticos. Mesmo quando estão na merda e quando são citados como os mais infelizes da Europa (diz o New Scientist que eu não li e ele, o cientista, lá sabe porquê: deve ser por causa do fado, especula o blogador), os portugas não mostram gratidão por quem lhes passa a mão pelo cachaço.
Estre paleio acaba por resumir o estranho e confuso requerimento apresentado pelo Zé Povinho ao blogue-fora-nada. Devo dizer que dá jeito ter à mão de semear uma figura como a do Zé Povinho. Por exemplo, para sentir po pulsar do coração de A Nação. O que é que o Zé Povimnho, a nós, intelectuais, mais blogadores ou mais mediáticos ?
A mensagem é simples como a personagem: Meus senhores, por favor, não batam mais no ceguinho! Um pouco menos de sadomasoquismo não vos fica mal. Pelo menos até 4ª feira, dia 26 de Novembro. Até ao anúncio (oficial) da candidatura vencedora da organização da Taça da América.
Se a gente valer mais, aos olhos-com-cifrões dos suíços, do que o real lóbi espanhol, o milionário lóbi francês ou o mafioso lóbi italiano, então estamos safos. Pelo menos até 2007. Com a primeira década no papo, não há século que nos meta medo. E com o século ganho, o resto do milénio é canja, é um ver-se-te-avias... O Zé Povinho só espera que fiquem algumas sobras para ele. Por isso, please, meus senhores, não comam tudo... Ou não comam tudo de uma só vez. Como fizeram das outras vezes.
António Barreto (figura pública):
”É o momento que os portugueses preferem viver, o sítio onde mais gostam de se encontrar. Em cima da hora, no último minuto, na véspera, à beira do abismo (...). É por isso que fazem tantas coisas mal feitas (...). Ainda por cima, têm o desplante de transformar esses imperdoáveis defeitos em virtude. A que chamam o génio português. É por essas e outras que nunca viverei em paz com o meu passaporte” (Retrato da Semana: À beira do abismo. Público, 23 de Novembro de 2003).
António Pedro Vasconcelos (figura pública):
(...) Portugal entrou em depressão a partir daí [do último Mundial Coreia-Japão] porque há uma grande relação entre o futebol e o ‘estado da nação’: o futebol é uma das poucas coisas em que os portugueses acreditam que são um bocadinho melhores do que no resto (...). O país não acredita na selecção. As pessoas estão já a fazer o luto de não ganhar o Europeu porque têm medo de acreditar (...). O clima do país é de depressão (...). Alastra o sentimento de que não somos bons em nada (Entrevista. Texto de Luís Miguel Viana. Pública, revista do Público, 23.11.2003).
PS - Não vale a pena fazer uma hiperligação ao texto do Público, porque este material é efémero e um dia destes a crónica do AB, mais a nossa, vai ingloriamente parar à ciberpubela (caixote do lixo do ciberesapço, em franglês do Minho).
Portugas que merecem os nossos assobios – I: Os lusopessimistas
Os gajos até podem estar com carradas de razão. Independentemente dos humores matinais ou das idiossincrasias de cada um, eles são capazes até de ter razão. Aliás, eles têm razão.
Além disso, eles são figuras públicas, são uns crânios, são opinion-makers, têm provas dadas no seu campo profissional, falam de cátedra. Eles podem usar e abusar do argumento de autoridade. Ao longo da história, os intelectuais têm-no feito. Hoje andam trasvestidos de mediáticos. Têm um acesso privilegiado aos media. Por isso mesmo são intelectuais mediáticos. Dantes falavam em nome do povo, agora falam do povo. Falam, continuam a falar, de cátedra. O povo deixou de ser sujeito (activo), passou a ser objecto (passivo). De crónica, de sebenta, de análise, de reportagem, de artigo de opinião, de cantoria.
É talvez por isso que a gente, quando pode, não poupa os intelectuais mediáticos. Não os poupa ao assobio e à pateada (da populaça). Se a gente não poupa o rei, também não poupa a rainha, o príncipe e por aí abaixo, até ao cão. Eles, os intelectuais mediáticos, estão lá no Olimpo. A apontar para a gente cá em baixo, no inferno. Com dedos inquisitoriais. Ora os portugas não gostam de ser apontados a dedo. Além disso, têm dor de corno. Os portugas são ingartos para com os seus intelectuais mediáticos. Mesmo quando estão na merda e quando são citados como os mais infelizes da Europa (diz o New Scientist que eu não li e ele, o cientista, lá sabe porquê: deve ser por causa do fado, especula o blogador), os portugas não mostram gratidão por quem lhes passa a mão pelo cachaço.
Estre paleio acaba por resumir o estranho e confuso requerimento apresentado pelo Zé Povinho ao blogue-fora-nada. Devo dizer que dá jeito ter à mão de semear uma figura como a do Zé Povinho. Por exemplo, para sentir po pulsar do coração de A Nação. O que é que o Zé Povimnho, a nós, intelectuais, mais blogadores ou mais mediáticos ?
A mensagem é simples como a personagem: Meus senhores, por favor, não batam mais no ceguinho! Um pouco menos de sadomasoquismo não vos fica mal. Pelo menos até 4ª feira, dia 26 de Novembro. Até ao anúncio (oficial) da candidatura vencedora da organização da Taça da América.
Se a gente valer mais, aos olhos-com-cifrões dos suíços, do que o real lóbi espanhol, o milionário lóbi francês ou o mafioso lóbi italiano, então estamos safos. Pelo menos até 2007. Com a primeira década no papo, não há século que nos meta medo. E com o século ganho, o resto do milénio é canja, é um ver-se-te-avias... O Zé Povinho só espera que fiquem algumas sobras para ele. Por isso, please, meus senhores, não comam tudo... Ou não comam tudo de uma só vez. Como fizeram das outras vezes.
António Barreto (figura pública):
”É o momento que os portugueses preferem viver, o sítio onde mais gostam de se encontrar. Em cima da hora, no último minuto, na véspera, à beira do abismo (...). É por isso que fazem tantas coisas mal feitas (...). Ainda por cima, têm o desplante de transformar esses imperdoáveis defeitos em virtude. A que chamam o génio português. É por essas e outras que nunca viverei em paz com o meu passaporte” (Retrato da Semana: À beira do abismo. Público, 23 de Novembro de 2003).
António Pedro Vasconcelos (figura pública):
(...) Portugal entrou em depressão a partir daí [do último Mundial Coreia-Japão] porque há uma grande relação entre o futebol e o ‘estado da nação’: o futebol é uma das poucas coisas em que os portugueses acreditam que são um bocadinho melhores do que no resto (...). O país não acredita na selecção. As pessoas estão já a fazer o luto de não ganhar o Europeu porque têm medo de acreditar (...). O clima do país é de depressão (...). Alastra o sentimento de que não somos bons em nada (Entrevista. Texto de Luís Miguel Viana. Pública, revista do Público, 23.11.2003).
PS - Não vale a pena fazer uma hiperligação ao texto do Público, porque este material é efémero e um dia destes a crónica do AB, mais a nossa, vai ingloriamente parar à ciberpubela (caixote do lixo do ciberesapço, em franglês do Minho).
Além disso, eles são figuras públicas, são uns crânios, são opinion-makers, têm provas dadas no seu campo profissional, falam de cátedra. Eles podem usar e abusar do argumento de autoridade. Ao longo da história, os intelectuais têm-no feito. Hoje andam trasvestidos de mediáticos. Têm um acesso privilegiado aos media. Por isso mesmo são intelectuais mediáticos. Dantes falavam em nome do povo, agora falam do povo. Falam, continuam a falar, de cátedra. O povo deixou de ser sujeito (activo), passou a ser objecto (passivo). De crónica, de sebenta, de análise, de reportagem, de artigo de opinião, de cantoria.
É talvez por isso que a gente, quando pode, não poupa os intelectuais mediáticos. Não os poupa ao assobio e à pateada (da populaça). Se a gente não poupa o rei, também não poupa a rainha, o príncipe e por aí abaixo, até ao cão. Eles, os intelectuais mediáticos, estão lá no Olimpo. A apontar para a gente cá em baixo, no inferno. Com dedos inquisitoriais. Ora os portugas não gostam de ser apontados a dedo. Além disso, têm dor de corno. Os portugas são ingartos para com os seus intelectuais mediáticos. Mesmo quando estão na merda e quando são citados como os mais infelizes da Europa (diz o New Scientist que eu não li e ele, o cientista, lá sabe porquê: deve ser por causa do fado, especula o blogador), os portugas não mostram gratidão por quem lhes passa a mão pelo cachaço.
Estre paleio acaba por resumir o estranho e confuso requerimento apresentado pelo Zé Povinho ao blogue-fora-nada. Devo dizer que dá jeito ter à mão de semear uma figura como a do Zé Povinho. Por exemplo, para sentir po pulsar do coração de A Nação. O que é que o Zé Povimnho, a nós, intelectuais, mais blogadores ou mais mediáticos ?
A mensagem é simples como a personagem: Meus senhores, por favor, não batam mais no ceguinho! Um pouco menos de sadomasoquismo não vos fica mal. Pelo menos até 4ª feira, dia 26 de Novembro. Até ao anúncio (oficial) da candidatura vencedora da organização da Taça da América.
Se a gente valer mais, aos olhos-com-cifrões dos suíços, do que o real lóbi espanhol, o milionário lóbi francês ou o mafioso lóbi italiano, então estamos safos. Pelo menos até 2007. Com a primeira década no papo, não há século que nos meta medo. E com o século ganho, o resto do milénio é canja, é um ver-se-te-avias... O Zé Povinho só espera que fiquem algumas sobras para ele. Por isso, please, meus senhores, não comam tudo... Ou não comam tudo de uma só vez. Como fizeram das outras vezes.
António Barreto (figura pública):
”É o momento que os portugueses preferem viver, o sítio onde mais gostam de se encontrar. Em cima da hora, no último minuto, na véspera, à beira do abismo (...). É por isso que fazem tantas coisas mal feitas (...). Ainda por cima, têm o desplante de transformar esses imperdoáveis defeitos em virtude. A que chamam o génio português. É por essas e outras que nunca viverei em paz com o meu passaporte” (Retrato da Semana: À beira do abismo. Público, 23 de Novembro de 2003).
António Pedro Vasconcelos (figura pública):
(...) Portugal entrou em depressão a partir daí [do último Mundial Coreia-Japão] porque há uma grande relação entre o futebol e o ‘estado da nação’: o futebol é uma das poucas coisas em que os portugueses acreditam que são um bocadinho melhores do que no resto (...). O país não acredita na selecção. As pessoas estão já a fazer o luto de não ganhar o Europeu porque têm medo de acreditar (...). O clima do país é de depressão (...). Alastra o sentimento de que não somos bons em nada (Entrevista. Texto de Luís Miguel Viana. Pública, revista do Público, 23.11.2003).
PS - Não vale a pena fazer uma hiperligação ao texto do Público, porque este material é efémero e um dia destes a crónica do AB, mais a nossa, vai ingloriamente parar à ciberpubela (caixote do lixo do ciberesapço, em franglês do Minho).
23 novembro 2003
Humor com humor se paga - XIV: O homem e a mulher biónicos
Um homem e uma mulher tinham acabado de se conhecer na noite anterior. Num congresso. Daqueles em que se fala de prospectiva, do futuro radioso da humanidade e sobretudo de negócios. Estão agora num quarto de hotel. Na cama. Fumam um cigarro, depois de terem feito amor (aquia a Margarida Pinbto Rebelo, seria muito mais erótico-satírica do que eu, escrevendo: "depois de terem dado uma queca"). Conversa banal sobre o corpo de cada um.
Ele – Belas mamas... E ainda bem firmes, para quem já passou dos 40...
Ela – Obrigado, mas ainda não cheguei aos entas. O segredo do peito ? 200 ml de silicone em cada uma.
Ele - Viva a ciência, viva a biomedicina!
Ela – Mas também gosto desse teu sorriso... És charmoso.
Ele – Uma boca novinha em folha. Dentes implantados. Uma fortuna.
Ela – Então viva a odontologia!
Ele – E os teus cabelos ? São naturais ?
Ela – Tudo implantes. Mas do melhor material.
Ele - Mas olha que eu não fico atrás de ti...
Ela – Sim, sim.. Impressionante a tua ferramenta, não verga... Qual é o segredo ? Viagra ? Ou coisa ainda melhor ?
Ele – Prótese. Está sempre direita...
Ela - (Ligeiramente perturbada, com o que acaba de ouvir...) E eu a pensar que continuavas excitado por minha causa...
Ele – E estou... Mas olha-me só esse traseiro!...
Ela - Silicone... Apalpa aqui na barriga da perna.
Ele – Mas isso foi uma cirurgia plástica completa!...
Ela - Foi muito mais do que isso. Até mudei de sexo. O meu nome era António...
______
Obrigado à Sandra D. por esta história que me enviou e que circula na Net noutra versão... Dei-lhe o toque de fino recorte literário que elas, a Sandra e a história, mereciam. L.G.
Ele – Belas mamas... E ainda bem firmes, para quem já passou dos 40...
Ela – Obrigado, mas ainda não cheguei aos entas. O segredo do peito ? 200 ml de silicone em cada uma.
Ele - Viva a ciência, viva a biomedicina!
Ela – Mas também gosto desse teu sorriso... És charmoso.
Ele – Uma boca novinha em folha. Dentes implantados. Uma fortuna.
Ela – Então viva a odontologia!
Ele – E os teus cabelos ? São naturais ?
Ela – Tudo implantes. Mas do melhor material.
Ele - Mas olha que eu não fico atrás de ti...
Ela – Sim, sim.. Impressionante a tua ferramenta, não verga... Qual é o segredo ? Viagra ? Ou coisa ainda melhor ?
Ele – Prótese. Está sempre direita...
Ela - (Ligeiramente perturbada, com o que acaba de ouvir...) E eu a pensar que continuavas excitado por minha causa...
Ele – E estou... Mas olha-me só esse traseiro!...
Ela - Silicone... Apalpa aqui na barriga da perna.
Ele – Mas isso foi uma cirurgia plástica completa!...
Ela - Foi muito mais do que isso. Até mudei de sexo. O meu nome era António...
______
Obrigado à Sandra D. por esta história que me enviou e que circula na Net noutra versão... Dei-lhe o toque de fino recorte literário que elas, a Sandra e a história, mereciam. L.G.
Humor com humor se paga - XIV: O homem e a mulher biónicos
Um homem e uma mulher tinham acabado de se conhecer na noite anterior. Num congresso. Daqueles em que se fala de prospectiva, do futuro radioso da humanidade e sobretudo de negócios. Estão agora num quarto de hotel. Na cama. Fumam um cigarro, depois de terem feito amor (aquia a Margarida Pinbto Rebelo, seria muito mais erótico-satírica do que eu, escrevendo: "depois de terem dado uma queca"). Conversa banal sobre o corpo de cada um.
Ele – Belas mamas... E ainda bem firmes, para quem já passou dos 40...
Ela – Obrigado, mas ainda não cheguei aos entas. O segredo do peito ? 200 ml de silicone em cada uma.
Ele - Viva a ciência, viva a biomedicina!
Ela – Mas também gosto desse teu sorriso... És charmoso.
Ele – Uma boca novinha em folha. Dentes implantados. Uma fortuna.
Ela – Então viva a odontologia!
Ele – E os teus cabelos ? São naturais ?
Ela – Tudo implantes. Mas do melhor material.
Ele - Mas olha que eu não fico atrás de ti...
Ela – Sim, sim.. Impressionante a tua ferramenta, não verga... Qual é o segredo ? Viagra ? Ou coisa ainda melhor ?
Ele – Prótese. Está sempre direita...
Ela - (Ligeiramente perturbada, com o que acaba de ouvir...) E eu a pensar que continuavas excitado por minha causa...
Ele – E estou... Mas olha-me só esse traseiro!...
Ela - Silicone... Apalpa aqui na barriga da perna.
Ele – Mas isso foi uma cirurgia plástica completa!...
Ela - Foi muito mais do que isso. Até mudei de sexo. O meu nome era António...
______
Obrigado à Sandra D. por esta história que me enviou e que circula na Net noutra versão... Dei-lhe o toque de fino recorte literário que elas, a Sandra e a história, mereciam. L.G.
Ele – Belas mamas... E ainda bem firmes, para quem já passou dos 40...
Ela – Obrigado, mas ainda não cheguei aos entas. O segredo do peito ? 200 ml de silicone em cada uma.
Ele - Viva a ciência, viva a biomedicina!
Ela – Mas também gosto desse teu sorriso... És charmoso.
Ele – Uma boca novinha em folha. Dentes implantados. Uma fortuna.
Ela – Então viva a odontologia!
Ele – E os teus cabelos ? São naturais ?
Ela – Tudo implantes. Mas do melhor material.
Ele - Mas olha que eu não fico atrás de ti...
Ela – Sim, sim.. Impressionante a tua ferramenta, não verga... Qual é o segredo ? Viagra ? Ou coisa ainda melhor ?
Ele – Prótese. Está sempre direita...
Ela - (Ligeiramente perturbada, com o que acaba de ouvir...) E eu a pensar que continuavas excitado por minha causa...
Ele – E estou... Mas olha-me só esse traseiro!...
Ela - Silicone... Apalpa aqui na barriga da perna.
Ele – Mas isso foi uma cirurgia plástica completa!...
Ela - Foi muito mais do que isso. Até mudei de sexo. O meu nome era António...
______
Obrigado à Sandra D. por esta história que me enviou e que circula na Net noutra versão... Dei-lhe o toque de fino recorte literário que elas, a Sandra e a história, mereciam. L.G.
Socio(b)logia I - A empresa como pai-patrão
Os trabalhadores portugueses deixam a cidadania à porta das fábricas e dos escritórios. Deixam, pelo menos, a cabeça ou uma parte do corpo ou um pedaço da alma... Empregadores e gestores não acham que seja importante a cidadania, a cabeça e outras partes do corpo e da alma dos seus colaboradores. O que interessa é que não faltem, estejam a horas e fiquem quietinhos, a um canto, a trabalhar.
Na década de 1990, os trabalhadores portugueses estavam pior colocados que a generalidade da população trabalhadora da União Europeia em matéria de oportunidades de consulta e participação. De acordo com o Segundo Inquérito Europeu sobre Condições de Trabalho, levado a cabo pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, Portugal era, em 1995, o país dos Quinze onde, por exemplo, (i) era menos provável um trabalhador ser consultado em relação às mudanças ocorridas a nível da organização do trabalho e/ou das condições de trabalho; (ii) ou ter uma conversa franca com o seu chefe directo relativamente à avaliação do seu desempenho. O contraste com a Finlândia, por exemplo, não deixava de ser deveras elucidativo: havia itens em que a diferença entre Portugal e a Finlândia era de 45 ou mais pontos percentuais.
O peso esmagador das microempresas e das empresas de pequena dimensão na estrutura do nosso tecido empresarial, a sua natureza familiar e a sua cultura autoritário-paternalista, bem como a baixa escolaridade do pessoal dirigente e dos quadros superiores (menos de oito anos de escolaridade, em média, segundo o Inquérito Nacional de Saúde 1998/99) não chegam para explicar o nosso défice de participação organizacional e de cidadania empresarial. As empresas infantilizam os seus colaboradores. O empregador ainda é, em Portugal, um pai-patrão. Às vezes até um pai-patrão tirânico que devora os seus filhos.
Mesmo nas maiores e melhores empresas, há uma cultura de gestão que está longe de ser favorável à participação do pessoal. O retrato-robô do nosso gestor de topo não deixa de ser curioso, quando traçado pelos seus congéneres estrangeiros (n=130), a trabalhar e a residir em Portugal, os quais representariam cerca de 17.5% da população de referência estimada.
De facto, na opinião dos gestores de topo, estrangeiros, a residir em Portugal, os nossos executivos (i) são individualistas na sua maneira de pensar (54%); (ii) tendem a não acatar as decisões tomadas nas reuniões com os colaboradores (54%); (iii) fomentam a cultura do presentismo (56%); (iv) não sabem trabalhar de maneira metódica (58%); (v) usam e abusam dos títulos académicos (60%); (vi) são muito formais (70%); (vii) não fazem uma gestão eficiente do tempo (73%); (viii) adoptam um estilo de gestão autocrático (78%); e, por fim, (ix) deixam tudo para o último minuto (82%) (Ad Capital International Search, Portugal; Cranfield University School of Management, UK, 2002). Reparem que estamos a falar dos gestores das nossas maiores e melhores empresas, um clube de executivos selecto, restrito, bem pago.
Quanto a mim há várias explicações, as quais seria fastidioso desenvolver aqui e agora. Em sociobloguês, diria apenas que Portugal (i) não tem uma tradição de ensino (nem muito menos escolas de excelência) na área da gestão; (ii) além disso não conheceu, em devido tempo, o movimento de racionalização do trabalho que teve, historicamente, como referência os nomes de Taylor, Fayol e Ford; e, por fim, (iii) é frágil e imaturo o nosso sistema de relações colectivas de trabalho.
Na década de 1990, os trabalhadores portugueses estavam pior colocados que a generalidade da população trabalhadora da União Europeia em matéria de oportunidades de consulta e participação. De acordo com o Segundo Inquérito Europeu sobre Condições de Trabalho, levado a cabo pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, Portugal era, em 1995, o país dos Quinze onde, por exemplo, (i) era menos provável um trabalhador ser consultado em relação às mudanças ocorridas a nível da organização do trabalho e/ou das condições de trabalho; (ii) ou ter uma conversa franca com o seu chefe directo relativamente à avaliação do seu desempenho. O contraste com a Finlândia, por exemplo, não deixava de ser deveras elucidativo: havia itens em que a diferença entre Portugal e a Finlândia era de 45 ou mais pontos percentuais.
O peso esmagador das microempresas e das empresas de pequena dimensão na estrutura do nosso tecido empresarial, a sua natureza familiar e a sua cultura autoritário-paternalista, bem como a baixa escolaridade do pessoal dirigente e dos quadros superiores (menos de oito anos de escolaridade, em média, segundo o Inquérito Nacional de Saúde 1998/99) não chegam para explicar o nosso défice de participação organizacional e de cidadania empresarial. As empresas infantilizam os seus colaboradores. O empregador ainda é, em Portugal, um pai-patrão. Às vezes até um pai-patrão tirânico que devora os seus filhos.
Mesmo nas maiores e melhores empresas, há uma cultura de gestão que está longe de ser favorável à participação do pessoal. O retrato-robô do nosso gestor de topo não deixa de ser curioso, quando traçado pelos seus congéneres estrangeiros (n=130), a trabalhar e a residir em Portugal, os quais representariam cerca de 17.5% da população de referência estimada.
De facto, na opinião dos gestores de topo, estrangeiros, a residir em Portugal, os nossos executivos (i) são individualistas na sua maneira de pensar (54%); (ii) tendem a não acatar as decisões tomadas nas reuniões com os colaboradores (54%); (iii) fomentam a cultura do presentismo (56%); (iv) não sabem trabalhar de maneira metódica (58%); (v) usam e abusam dos títulos académicos (60%); (vi) são muito formais (70%); (vii) não fazem uma gestão eficiente do tempo (73%); (viii) adoptam um estilo de gestão autocrático (78%); e, por fim, (ix) deixam tudo para o último minuto (82%) (Ad Capital International Search, Portugal; Cranfield University School of Management, UK, 2002). Reparem que estamos a falar dos gestores das nossas maiores e melhores empresas, um clube de executivos selecto, restrito, bem pago.
Quanto a mim há várias explicações, as quais seria fastidioso desenvolver aqui e agora. Em sociobloguês, diria apenas que Portugal (i) não tem uma tradição de ensino (nem muito menos escolas de excelência) na área da gestão; (ii) além disso não conheceu, em devido tempo, o movimento de racionalização do trabalho que teve, historicamente, como referência os nomes de Taylor, Fayol e Ford; e, por fim, (iii) é frágil e imaturo o nosso sistema de relações colectivas de trabalho.
Socio(b)logia I - A empresa como pai-patrão
Os trabalhadores portugueses deixam a cidadania à porta das fábricas e dos escritórios. Deixam, pelo menos, a cabeça ou uma parte do corpo ou um pedaço da alma... Empregadores e gestores não acham que seja importante a cidadania, a cabeça e outras partes do corpo e da alma dos seus colaboradores. O que interessa é que não faltem, estejam a horas e fiquem quietinhos, a um canto, a trabalhar.
Na década de 1990, os trabalhadores portugueses estavam pior colocados que a generalidade da população trabalhadora da União Europeia em matéria de oportunidades de consulta e participação. De acordo com o Segundo Inquérito Europeu sobre Condições de Trabalho, levado a cabo pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, Portugal era, em 1995, o país dos Quinze onde, por exemplo, (i) era menos provável um trabalhador ser consultado em relação às mudanças ocorridas a nível da organização do trabalho e/ou das condições de trabalho; (ii) ou ter uma conversa franca com o seu chefe directo relativamente à avaliação do seu desempenho. O contraste com a Finlândia, por exemplo, não deixava de ser deveras elucidativo: havia itens em que a diferença entre Portugal e a Finlândia era de 45 ou mais pontos percentuais.
O peso esmagador das microempresas e das empresas de pequena dimensão na estrutura do nosso tecido empresarial, a sua natureza familiar e a sua cultura autoritário-paternalista, bem como a baixa escolaridade do pessoal dirigente e dos quadros superiores (menos de oito anos de escolaridade, em média, segundo o Inquérito Nacional de Saúde 1998/99) não chegam para explicar o nosso défice de participação organizacional e de cidadania empresarial. As empresas infantilizam os seus colaboradores. O empregador ainda é, em Portugal, um pai-patrão. Às vezes até um pai-patrão tirânico que devora os seus filhos.
Mesmo nas maiores e melhores empresas, há uma cultura de gestão que está longe de ser favorável à participação do pessoal. O retrato-robô do nosso gestor de topo não deixa de ser curioso, quando traçado pelos seus congéneres estrangeiros (n=130), a trabalhar e a residir em Portugal, os quais representariam cerca de 17.5% da população de referência estimada.
De facto, na opinião dos gestores de topo, estrangeiros, a residir em Portugal, os nossos executivos (i) são individualistas na sua maneira de pensar (54%); (ii) tendem a não acatar as decisões tomadas nas reuniões com os colaboradores (54%); (iii) fomentam a cultura do presentismo (56%); (iv) não sabem trabalhar de maneira metódica (58%); (v) usam e abusam dos títulos académicos (60%); (vi) são muito formais (70%); (vii) não fazem uma gestão eficiente do tempo (73%); (viii) adoptam um estilo de gestão autocrático (78%); e, por fim, (ix) deixam tudo para o último minuto (82%) (Ad Capital International Search, Portugal; Cranfield University School of Management, UK, 2002). Reparem que estamos a falar dos gestores das nossas maiores e melhores empresas, um clube de executivos selecto, restrito, bem pago.
Quanto a mim há várias explicações, as quais seria fastidioso desenvolver aqui e agora. Em sociobloguês, diria apenas que Portugal (i) não tem uma tradição de ensino (nem muito menos escolas de excelência) na área da gestão; (ii) além disso não conheceu, em devido tempo, o movimento de racionalização do trabalho que teve, historicamente, como referência os nomes de Taylor, Fayol e Ford; e, por fim, (iii) é frágil e imaturo o nosso sistema de relações colectivas de trabalho.
Na década de 1990, os trabalhadores portugueses estavam pior colocados que a generalidade da população trabalhadora da União Europeia em matéria de oportunidades de consulta e participação. De acordo com o Segundo Inquérito Europeu sobre Condições de Trabalho, levado a cabo pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, Portugal era, em 1995, o país dos Quinze onde, por exemplo, (i) era menos provável um trabalhador ser consultado em relação às mudanças ocorridas a nível da organização do trabalho e/ou das condições de trabalho; (ii) ou ter uma conversa franca com o seu chefe directo relativamente à avaliação do seu desempenho. O contraste com a Finlândia, por exemplo, não deixava de ser deveras elucidativo: havia itens em que a diferença entre Portugal e a Finlândia era de 45 ou mais pontos percentuais.
O peso esmagador das microempresas e das empresas de pequena dimensão na estrutura do nosso tecido empresarial, a sua natureza familiar e a sua cultura autoritário-paternalista, bem como a baixa escolaridade do pessoal dirigente e dos quadros superiores (menos de oito anos de escolaridade, em média, segundo o Inquérito Nacional de Saúde 1998/99) não chegam para explicar o nosso défice de participação organizacional e de cidadania empresarial. As empresas infantilizam os seus colaboradores. O empregador ainda é, em Portugal, um pai-patrão. Às vezes até um pai-patrão tirânico que devora os seus filhos.
Mesmo nas maiores e melhores empresas, há uma cultura de gestão que está longe de ser favorável à participação do pessoal. O retrato-robô do nosso gestor de topo não deixa de ser curioso, quando traçado pelos seus congéneres estrangeiros (n=130), a trabalhar e a residir em Portugal, os quais representariam cerca de 17.5% da população de referência estimada.
De facto, na opinião dos gestores de topo, estrangeiros, a residir em Portugal, os nossos executivos (i) são individualistas na sua maneira de pensar (54%); (ii) tendem a não acatar as decisões tomadas nas reuniões com os colaboradores (54%); (iii) fomentam a cultura do presentismo (56%); (iv) não sabem trabalhar de maneira metódica (58%); (v) usam e abusam dos títulos académicos (60%); (vi) são muito formais (70%); (vii) não fazem uma gestão eficiente do tempo (73%); (viii) adoptam um estilo de gestão autocrático (78%); e, por fim, (ix) deixam tudo para o último minuto (82%) (Ad Capital International Search, Portugal; Cranfield University School of Management, UK, 2002). Reparem que estamos a falar dos gestores das nossas maiores e melhores empresas, um clube de executivos selecto, restrito, bem pago.
Quanto a mim há várias explicações, as quais seria fastidioso desenvolver aqui e agora. Em sociobloguês, diria apenas que Portugal (i) não tem uma tradição de ensino (nem muito menos escolas de excelência) na área da gestão; (ii) além disso não conheceu, em devido tempo, o movimento de racionalização do trabalho que teve, historicamente, como referência os nomes de Taylor, Fayol e Ford; e, por fim, (iii) é frágil e imaturo o nosso sistema de relações colectivas de trabalho.
22 novembro 2003
(Ex)citações de cada dia - X: O modelo de gestão português
"Os gestores portugueses já afirmam que não basta a modernização tecnológica, mas que é indispensável a actuação no campo dos factores 'imateriais', revela este estudo [da consultora Active Management Group] (Catarina Nunes: Velho modelo impera. Expresso, 22.11.2003).
Ora bolas! E eu a pensar que tinha sido a tribo dos sociólogos do trabalho a pôr em evidência, há muitas luas atrás, isso mesmo, que um dos pontos fracos da nossa estrutura produtiva era a sobrevalorização do determinismo tecnológico no processo de modernização das empresas, o fetichismo tecnológico, a crença positivista no abre-te-sésamo da tecnologia pronta a servir, a redução do processo de inovação à introdução de novas tecnologias e a persistência de filosofias e práticas organizacionais fortemente enraizadas no modelo tradicional de empresa, práticas essas que ignoravam pura e simplesmente os factores sócio-organizacionais, leia-se "imateriais", como factores de produtividade, qualidade e competitividade!...
Os componentes materiais de trabalho, esses, a gente sabe facilmente identificar, inventariar, listar: (i) os locais ou instalações de trabalho; (ii) o ambiente físico de trabalho; (iii) a chave de parafusos, o martelo, o torno mecânico, o computador e todas as demais ferramentas, máquinas e materiais necesssários ao processo de produção, incluindo as matérias-primas; sem esquecer (iv) as substâncias e os agentes químicos, físicos e biológicos, (v) o layout de produção, a par da (vi) organização do trabalho e do tempo de trabalho.
Mais dificilmente objectiváveis são os elementos imateriais do trabalho, tais como: (i) cultura da empresa; (ii) clima organizacional;L (iii) liderança estratégica; (iv) estilos de gestão e chefia; (v) comunicação assertiva; (vi) dinâmica(s) de grupo; (vii) valores, representações simbólicas, identidades profissionais, etc. São afinal as pessoas, os individuos e os grupos de cuja interacção resultam as organizações. É o humanware, meu estúpido!
Daí a importância da formação em Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional na perspectiva da inovação e mudança: não se trata apenas de desenvolver competências técnicas mas também... humanas, relacionais e sociais!
Enfim, é preciso virem os estrangeiros de fora atirar-nos à cara coisas mais feias ou menos bonitas. Há tempos foram os tipos da Ad Capita International Search, depois os gajos do Relatório McKinsey (Portugal 2010: Acelerar o Crescimento da Produtividade)... agora são estes, da Active Management Group...
Não nos queixemos: felizmente nunca nos faltaram amigos da estranja para nos dar uma palavrinha de conforto, um conselho, uma pancadinha nas costas... Mas também a canelada ou outros golpes mais baixos... Que os amigos são mesmo para as ocasiões!
Ora bolas! E eu a pensar que tinha sido a tribo dos sociólogos do trabalho a pôr em evidência, há muitas luas atrás, isso mesmo, que um dos pontos fracos da nossa estrutura produtiva era a sobrevalorização do determinismo tecnológico no processo de modernização das empresas, o fetichismo tecnológico, a crença positivista no abre-te-sésamo da tecnologia pronta a servir, a redução do processo de inovação à introdução de novas tecnologias e a persistência de filosofias e práticas organizacionais fortemente enraizadas no modelo tradicional de empresa, práticas essas que ignoravam pura e simplesmente os factores sócio-organizacionais, leia-se "imateriais", como factores de produtividade, qualidade e competitividade!...
Os componentes materiais de trabalho, esses, a gente sabe facilmente identificar, inventariar, listar: (i) os locais ou instalações de trabalho; (ii) o ambiente físico de trabalho; (iii) a chave de parafusos, o martelo, o torno mecânico, o computador e todas as demais ferramentas, máquinas e materiais necesssários ao processo de produção, incluindo as matérias-primas; sem esquecer (iv) as substâncias e os agentes químicos, físicos e biológicos, (v) o layout de produção, a par da (vi) organização do trabalho e do tempo de trabalho.
Mais dificilmente objectiváveis são os elementos imateriais do trabalho, tais como: (i) cultura da empresa; (ii) clima organizacional;L (iii) liderança estratégica; (iv) estilos de gestão e chefia; (v) comunicação assertiva; (vi) dinâmica(s) de grupo; (vii) valores, representações simbólicas, identidades profissionais, etc. São afinal as pessoas, os individuos e os grupos de cuja interacção resultam as organizações. É o humanware, meu estúpido!
Daí a importância da formação em Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional na perspectiva da inovação e mudança: não se trata apenas de desenvolver competências técnicas mas também... humanas, relacionais e sociais!
Enfim, é preciso virem os estrangeiros de fora atirar-nos à cara coisas mais feias ou menos bonitas. Há tempos foram os tipos da Ad Capita International Search, depois os gajos do Relatório McKinsey (Portugal 2010: Acelerar o Crescimento da Produtividade)... agora são estes, da Active Management Group...
Não nos queixemos: felizmente nunca nos faltaram amigos da estranja para nos dar uma palavrinha de conforto, um conselho, uma pancadinha nas costas... Mas também a canelada ou outros golpes mais baixos... Que os amigos são mesmo para as ocasiões!
(Ex)citações de cada dia - X: O modelo de gestão português
"Os gestores portugueses já afirmam que não basta a modernização tecnológica, mas que é indispensável a actuação no campo dos factores 'imateriais', revela este estudo [da consultora Active Management Group] (Catarina Nunes: Velho modelo impera. Expresso, 22.11.2003).
Ora bolas! E eu a pensar que tinha sido a tribo dos sociólogos do trabalho a pôr em evidência, há muitas luas atrás, isso mesmo, que um dos pontos fracos da nossa estrutura produtiva era a sobrevalorização do determinismo tecnológico no processo de modernização das empresas, o fetichismo tecnológico, a crença positivista no abre-te-sésamo da tecnologia pronta a servir, a redução do processo de inovação à introdução de novas tecnologias e a persistência de filosofias e práticas organizacionais fortemente enraizadas no modelo tradicional de empresa, práticas essas que ignoravam pura e simplesmente os factores sócio-organizacionais, leia-se "imateriais", como factores de produtividade, qualidade e competitividade!...
Os componentes materiais de trabalho, esses, a gente sabe facilmente identificar, inventariar, listar: (i) os locais ou instalações de trabalho; (ii) o ambiente físico de trabalho; (iii) a chave de parafusos, o martelo, o torno mecânico, o computador e todas as demais ferramentas, máquinas e materiais necesssários ao processo de produção, incluindo as matérias-primas; sem esquecer (iv) as substâncias e os agentes químicos, físicos e biológicos, (v) o layout de produção, a par da (vi) organização do trabalho e do tempo de trabalho.
Mais dificilmente objectiváveis são os elementos imateriais do trabalho, tais como: (i) cultura da empresa; (ii) clima organizacional;L (iii) liderança estratégica; (iv) estilos de gestão e chefia; (v) comunicação assertiva; (vi) dinâmica(s) de grupo; (vii) valores, representações simbólicas, identidades profissionais, etc. São afinal as pessoas, os individuos e os grupos de cuja interacção resultam as organizações. É o humanware, meu estúpido!
Daí a importância da formação em Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional na perspectiva da inovação e mudança: não se trata apenas de desenvolver competências técnicas mas também... humanas, relacionais e sociais!
Enfim, é preciso virem os estrangeiros de fora atirar-nos à cara coisas mais feias ou menos bonitas. Há tempos foram os tipos da Ad Capita International Search, depois os gajos do Relatório McKinsey (Portugal 2010: Acelerar o Crescimento da Produtividade)... agora são estes, da Active Management Group...
Não nos queixemos: felizmente nunca nos faltaram amigos da estranja para nos dar uma palavrinha de conforto, um conselho, uma pancadinha nas costas... Mas também a canelada ou outros golpes mais baixos... Que os amigos são mesmo para as ocasiões!
Ora bolas! E eu a pensar que tinha sido a tribo dos sociólogos do trabalho a pôr em evidência, há muitas luas atrás, isso mesmo, que um dos pontos fracos da nossa estrutura produtiva era a sobrevalorização do determinismo tecnológico no processo de modernização das empresas, o fetichismo tecnológico, a crença positivista no abre-te-sésamo da tecnologia pronta a servir, a redução do processo de inovação à introdução de novas tecnologias e a persistência de filosofias e práticas organizacionais fortemente enraizadas no modelo tradicional de empresa, práticas essas que ignoravam pura e simplesmente os factores sócio-organizacionais, leia-se "imateriais", como factores de produtividade, qualidade e competitividade!...
Os componentes materiais de trabalho, esses, a gente sabe facilmente identificar, inventariar, listar: (i) os locais ou instalações de trabalho; (ii) o ambiente físico de trabalho; (iii) a chave de parafusos, o martelo, o torno mecânico, o computador e todas as demais ferramentas, máquinas e materiais necesssários ao processo de produção, incluindo as matérias-primas; sem esquecer (iv) as substâncias e os agentes químicos, físicos e biológicos, (v) o layout de produção, a par da (vi) organização do trabalho e do tempo de trabalho.
Mais dificilmente objectiváveis são os elementos imateriais do trabalho, tais como: (i) cultura da empresa; (ii) clima organizacional;L (iii) liderança estratégica; (iv) estilos de gestão e chefia; (v) comunicação assertiva; (vi) dinâmica(s) de grupo; (vii) valores, representações simbólicas, identidades profissionais, etc. São afinal as pessoas, os individuos e os grupos de cuja interacção resultam as organizações. É o humanware, meu estúpido!
Daí a importância da formação em Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional na perspectiva da inovação e mudança: não se trata apenas de desenvolver competências técnicas mas também... humanas, relacionais e sociais!
Enfim, é preciso virem os estrangeiros de fora atirar-nos à cara coisas mais feias ou menos bonitas. Há tempos foram os tipos da Ad Capita International Search, depois os gajos do Relatório McKinsey (Portugal 2010: Acelerar o Crescimento da Produtividade)... agora são estes, da Active Management Group...
Não nos queixemos: felizmente nunca nos faltaram amigos da estranja para nos dar uma palavrinha de conforto, um conselho, uma pancadinha nas costas... Mas também a canelada ou outros golpes mais baixos... Que os amigos são mesmo para as ocasiões!
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