08 fevereiro 2006

Guiné 63/74 - DV: O meu diário (José Teixeira, enfermeiro, CCAÇ 2381) (12): A morte do Cantiflas (Julho de 1969)

Guiné-Bissau > Empada > 2005 > Bajudas

© José Teixeira (2006)



XII Parte de O Meu Diário, de José Teixeira (1º cabo enfermeiro Teixeira, da CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70).


Empada, 5 de Julho de 1969

Empada parece ser o que os meus colegas diziam. A partir de l de Julho é a minha nova morada. A população é um misto de todas as raças onde predomina a Manjaca e a Bijagó. É trabalhadora e parece fiel. Recebe a tropa com muita simpatia e, pelo seu proceder, confirma mais ainda que a população da Guiné quer viver em paz no amanho das suas terras.

A região é bastante rica, tem muitas bolanhas e os africanos aproveitam para semear milho, mancarra, malagueta e batata doce. Também se dedicam à plantação de arroz na bolanha da Punderosa.

Porque o IN vem, destrói e mata, sinto que existe um ódio tremendo e uma insegurança na população, que no entanto se arrisca a trabalhar nas bolanhas para seu ganha pão.

Esta população, de raças diferentes da de Buba e Aldeia Formosa (Mandingas e Fulas), é muito mais trabalhadeira.

Não gosto da posição estratégica do Quartel, mas como já fizemos um grande desbaste na vegetação, eles não tem condições para se aproximarem muito. Há que estar atento e continuar a confiar. As instalações são boas, superiores às de qualquer quartel na Metróple. A alimentação, porque as refeições são bem feitas, pode-se dizer-se que são do melhor. Se assim continuar, teremos um fim de comissão em beleza.

A situação moral é caótica. O sexo avança em toda a linha. Quase todas as jovens lavadeiras se prostituem por dinheiro.

Guiné-Bissau > Empada > 2005> A antiga (e actual) rua principal de Empada

© José Teixeira (2006)



Buba, 10 de Julho de 1969

Em Buba novamente desde o dia sete, por um mês, segundo diz quem tem os livros, no entanto eu duvido um pouco. Recordo-me do ano passado, quando vim para este Sector, por um mês e ainda cá ando...

Presentemente Buba está calmo, já não mete, até certo ponto, o medo que metia nos tempos em que se andava a rasgar a nova estrada para Quebo (Aldeia Formosa). Mas é de temer , pois mesmo sem o terrror de há meses atrás, o trabalho ainda é muito, as saídas para o mato são constantes e o tempo não ajuda.

Tem chovido muito. Ainda ontem, fui impossibilitado de passar a noite emboscado pela chuva que caíu torrencialmente durante todo o dia. Saí de manhã cedo em patrulha de reconhecimento e ao fim da tarde estávamos ensopados de tal maneira que um colega caíu sem forças e cheio de frio e angustiado por o Comandante não autorizar o regresso a quartéis. Viemos traz-lo e fomos autorizados a ficar.

Não sei o tempo que vou estar por Buba. Parece que querem arranjar a velha estrada de Nhala e tenho medo de lá cair. As recordações que touxe de lá e de Samba-Sábali não foram as melhores e estrada está toda alagada pelas chuvas da época.

A estrada nova Buba/Aldeia Formosa (Quebo) está feita e pretende substituir a velha estrada de Nhala com as suas bolanhas lamacentas, mas ninguém se atreve a passar na dita, pois na primeira e única coluna que se fez, houve três terríveis emboscadas que provocaram três mortos e nove feridos.

Empada está a tornar-se uma zona perigosa. Desde que saí de lá já sofreram dois ataques cujos resultados desconheço. É certo que está lá pouca tropa. Talvez seja essa a razão que faz o turra. ir até lá chatear mas... qual será melhor ? Buba, um pouco calma, com muitas saídas, fraca comida, más instalações, ou Empada que tem melhores condições, com o terrorismo a aparecer ?!


Guiné-Bissau > Empada > 2005> A antiga casa do chefe de posto

© José Teixeira (2006)


Buba, 12 de Julho de 1969

Há qualquer coisa que me falta. Sinto isso mais forte em mim desde que vim de férias. Pego num livro, porque de momento sinto vontade de ler para em seguida o fechar e pensar em qualquer coisa. Procurei na leitura qualquer coisa que precisava e não encontrei.

Sinto-me vazio. Por vezes sonho acordado, imagino a felicidade. Quero mais, quero ir mais além. Creio ser esta a razão do meu vazio. A sede de ir mais longe abrasa-me.

Comecei a sentir medo. Tenho medo de tudo, da vida e da morte, da guerra e do ódio, tenho medo. Tenho medo de mim mesmo, da minha fraqueza. Sinto-me um pouco fraco espiritualmente, mesmo com tudo o que as férias me deram. As forças do lado oposto também são mais fortes.

Será o meu querer forte o suficiente para vencer ? Tenho medo...

... Depois de deixar a pena correr, sinto o mesmo vazio que me persegue, que me atormenta. Que quero eu afinal ? Ir mais além, dar mais, continuar firme na minha construção como HOMEM...

Empada voltou a ser atacada hoje, enquanto por Buba não se nota o mais pequeno sinal do IN, aliás parece-me que as acções do bandido diminuiram em toda a Guiné.

Buba, 18 de Julho de 1969

Para morrer basta estar vivo, não interessa o local ou meio. De paz ou de guerra. A morte aparece em qualquer sítio e a qualquer hora. O Cantinflas estava na guerra.. Caíu debaixo de fogo várias vezes, sofreu os efeitos de uma guerra traiçoeira, sem o mais pequeno ferimento, mas a morte espreitava-o impiedosamente e há dias, através de um choque eléctrico, veio ter com ele.

Mulher e uma filha, os pais e familiares, os amigos, todos o esperavam. Que choque sentirá aquela esposa ao receber a notícia que o marido morreu electrocutado ?! Aquela criança...os pais que o adoravam!...

Veio para os Maiorais [ CCAÇ 2381] em substituição do Alzira que se encontra na Metróple com uma perna artificial depois de pisar uma mina na estrada de Buba. Duas figuras típicas e muito queridas. O Alzira (cujo verdadeiro nome não sei) , um infeliz sem pais, que nos deliciava com os seus fados. O Cantinflas pela sua boa disposição permanente que deixava transparecer através de comiquices e lhe valeram o nome.

Empada voltou a ser atacada. Hoje emboscaram no Rio Grande duas Lanchas de Desembarque e o Barco Patrulha que transportavam uma Companhia para Gadamael. Creio que não houve problemas.

Buba, 22 de Julho de 1969

Domingo (20) saí para o mato pela tarde a patrulhar a estrada nova e emboscar o IN em seguida. De certeza que fomos seguidos pelo IN que nos deixou montar a emboscada e abriu fogo de seguida. A nossa reacção foi rápida e os indivíduos calaram-se. Uma granada caíu bem perto de mim mas não feriu, aliás, nenhum dos meus camaradas foi ferido pelo IN. Apenas o homem do morteiro 60 se feriu na mão com o morteiro.

Retirámos silenciosamente sem mais novidades e chegámos a Buba pelas 20 horas onde toda a gente esperava ordens para avançar em nosso auxílio. Este pequeno ataque não foi pera doce para mim. Quando notei que o camarada do morteiro estava ferido - tinha a mão rasgada por não ter utilizado o prato e o morteiro ao disparar enterrou-se na terra escorregando-lhe pela mão - , passei mensagem que não havia feridos graves e dispus-me a tratá-lo para evitar a hemorragia.

O Comandante, na sua pressa de se afastar da zona de perigo, mandou retirar e quando nos apercebemos estávamos a 300/400 metros dos companheiros de luta com o IN, na retaguarda que também não se tinha apercebido da situação. Iniciamos uma fuga a alta velocidade. Valeu-os o colega do ´lança-rockets que se apercebeu e fez passar algumas granadas por cima de nós obrigando o IN a manter-se em defesa.

Guiné 63/74 - DV: O meu diário (José Teixeira, enfermeiro, CCAÇ 2381) (12): A morte do Cantiflas (Julho de 1969)

Guiné-Bissau > Empada > 2005 > Bajudas

© José Teixeira (2006)



XII Parte de O Meu Diário, de José Teixeira (1º cabo enfermeiro Teixeira, da CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70).


Empada, 5 de Julho de 1969

Empada parece ser o que os meus colegas diziam. A partir de l de Julho é a minha nova morada. A população é um misto de todas as raças onde predomina a Manjaca e a Bijagó. É trabalhadora e parece fiel. Recebe a tropa com muita simpatia e, pelo seu proceder, confirma mais ainda que a população da Guiné quer viver em paz no amanho das suas terras.

A região é bastante rica, tem muitas bolanhas e os africanos aproveitam para semear milho, mancarra, malagueta e batata doce. Também se dedicam à plantação de arroz na bolanha da Punderosa.

Porque o IN vem, destrói e mata, sinto que existe um ódio tremendo e uma insegurança na população, que no entanto se arrisca a trabalhar nas bolanhas para seu ganha pão.

Esta população, de raças diferentes da de Buba e Aldeia Formosa (Mandingas e Fulas), é muito mais trabalhadeira.

Não gosto da posição estratégica do Quartel, mas como já fizemos um grande desbaste na vegetação, eles não tem condições para se aproximarem muito. Há que estar atento e continuar a confiar. As instalações são boas, superiores às de qualquer quartel na Metróple. A alimentação, porque as refeições são bem feitas, pode-se dizer-se que são do melhor. Se assim continuar, teremos um fim de comissão em beleza.

A situação moral é caótica. O sexo avança em toda a linha. Quase todas as jovens lavadeiras se prostituem por dinheiro.

Guiné-Bissau > Empada > 2005> A antiga (e actual) rua principal de Empada

© José Teixeira (2006)



Buba, 10 de Julho de 1969

Em Buba novamente desde o dia sete, por um mês, segundo diz quem tem os livros, no entanto eu duvido um pouco. Recordo-me do ano passado, quando vim para este Sector, por um mês e ainda cá ando...

Presentemente Buba está calmo, já não mete, até certo ponto, o medo que metia nos tempos em que se andava a rasgar a nova estrada para Quebo (Aldeia Formosa). Mas é de temer , pois mesmo sem o terrror de há meses atrás, o trabalho ainda é muito, as saídas para o mato são constantes e o tempo não ajuda.

Tem chovido muito. Ainda ontem, fui impossibilitado de passar a noite emboscado pela chuva que caíu torrencialmente durante todo o dia. Saí de manhã cedo em patrulha de reconhecimento e ao fim da tarde estávamos ensopados de tal maneira que um colega caíu sem forças e cheio de frio e angustiado por o Comandante não autorizar o regresso a quartéis. Viemos traz-lo e fomos autorizados a ficar.

Não sei o tempo que vou estar por Buba. Parece que querem arranjar a velha estrada de Nhala e tenho medo de lá cair. As recordações que touxe de lá e de Samba-Sábali não foram as melhores e estrada está toda alagada pelas chuvas da época.

A estrada nova Buba/Aldeia Formosa (Quebo) está feita e pretende substituir a velha estrada de Nhala com as suas bolanhas lamacentas, mas ninguém se atreve a passar na dita, pois na primeira e única coluna que se fez, houve três terríveis emboscadas que provocaram três mortos e nove feridos.

Empada está a tornar-se uma zona perigosa. Desde que saí de lá já sofreram dois ataques cujos resultados desconheço. É certo que está lá pouca tropa. Talvez seja essa a razão que faz o turra. ir até lá chatear mas... qual será melhor ? Buba, um pouco calma, com muitas saídas, fraca comida, más instalações, ou Empada que tem melhores condições, com o terrorismo a aparecer ?!


Guiné-Bissau > Empada > 2005> A antiga casa do chefe de posto

© José Teixeira (2006)


Buba, 12 de Julho de 1969

Há qualquer coisa que me falta. Sinto isso mais forte em mim desde que vim de férias. Pego num livro, porque de momento sinto vontade de ler para em seguida o fechar e pensar em qualquer coisa. Procurei na leitura qualquer coisa que precisava e não encontrei.

Sinto-me vazio. Por vezes sonho acordado, imagino a felicidade. Quero mais, quero ir mais além. Creio ser esta a razão do meu vazio. A sede de ir mais longe abrasa-me.

Comecei a sentir medo. Tenho medo de tudo, da vida e da morte, da guerra e do ódio, tenho medo. Tenho medo de mim mesmo, da minha fraqueza. Sinto-me um pouco fraco espiritualmente, mesmo com tudo o que as férias me deram. As forças do lado oposto também são mais fortes.

Será o meu querer forte o suficiente para vencer ? Tenho medo...

... Depois de deixar a pena correr, sinto o mesmo vazio que me persegue, que me atormenta. Que quero eu afinal ? Ir mais além, dar mais, continuar firme na minha construção como HOMEM...

Empada voltou a ser atacada hoje, enquanto por Buba não se nota o mais pequeno sinal do IN, aliás parece-me que as acções do bandido diminuiram em toda a Guiné.

Buba, 18 de Julho de 1969

Para morrer basta estar vivo, não interessa o local ou meio. De paz ou de guerra. A morte aparece em qualquer sítio e a qualquer hora. O Cantinflas estava na guerra.. Caíu debaixo de fogo várias vezes, sofreu os efeitos de uma guerra traiçoeira, sem o mais pequeno ferimento, mas a morte espreitava-o impiedosamente e há dias, através de um choque eléctrico, veio ter com ele.

Mulher e uma filha, os pais e familiares, os amigos, todos o esperavam. Que choque sentirá aquela esposa ao receber a notícia que o marido morreu electrocutado ?! Aquela criança...os pais que o adoravam!...

Veio para os Maiorais [ CCAÇ 2381] em substituição do Alzira que se encontra na Metróple com uma perna artificial depois de pisar uma mina na estrada de Buba. Duas figuras típicas e muito queridas. O Alzira (cujo verdadeiro nome não sei) , um infeliz sem pais, que nos deliciava com os seus fados. O Cantinflas pela sua boa disposição permanente que deixava transparecer através de comiquices e lhe valeram o nome.

Empada voltou a ser atacada. Hoje emboscaram no Rio Grande duas Lanchas de Desembarque e o Barco Patrulha que transportavam uma Companhia para Gadamael. Creio que não houve problemas.

Buba, 22 de Julho de 1969

Domingo (20) saí para o mato pela tarde a patrulhar a estrada nova e emboscar o IN em seguida. De certeza que fomos seguidos pelo IN que nos deixou montar a emboscada e abriu fogo de seguida. A nossa reacção foi rápida e os indivíduos calaram-se. Uma granada caíu bem perto de mim mas não feriu, aliás, nenhum dos meus camaradas foi ferido pelo IN. Apenas o homem do morteiro 60 se feriu na mão com o morteiro.

Retirámos silenciosamente sem mais novidades e chegámos a Buba pelas 20 horas onde toda a gente esperava ordens para avançar em nosso auxílio. Este pequeno ataque não foi pera doce para mim. Quando notei que o camarada do morteiro estava ferido - tinha a mão rasgada por não ter utilizado o prato e o morteiro ao disparar enterrou-se na terra escorregando-lhe pela mão - , passei mensagem que não havia feridos graves e dispus-me a tratá-lo para evitar a hemorragia.

O Comandante, na sua pressa de se afastar da zona de perigo, mandou retirar e quando nos apercebemos estávamos a 300/400 metros dos companheiros de luta com o IN, na retaguarda que também não se tinha apercebido da situação. Iniciamos uma fuga a alta velocidade. Valeu-os o colega do ´lança-rockets que se apercebeu e fez passar algumas granadas por cima de nós obrigando o IN a manter-se em defesa.

Guiné 63/74 - DIV: CCAÇ 2405 (Galomaro e Dulombi, 1968/70)

Mensagem do Victor David, ex-alf mil da CCAÇ 2405 (Galomaro e Dulombi, 1968/69) (1)

Camarada Luis Graça:

Tive um imenso prazer em conhecer-te e espero que me autorizes a entrar de quando em vez no Blogue.

Parabéns pela iniciativa e dentro em breve contactarei com camaradas da minha companhia – a dos baixinhos do Dulombi, a CCAÇ 2405, para que eles também possam dar a sua achega a tão excelente ideia (2).

Para já deixo-te as minhas coordenadas na Internet:

vdavid@iol.pt

vffdavid@hotmail.com

Um grande abraço e até breve
Victor Fernando Franco David

COIMBRA

_____

Nota de L.G.

(1) vd. post, do José Martins, de 6 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - D: Madina do Boé, 37 anos depois

(2) A CCAÇ 2405 participou, entre outras, na Op Mabecos Bravios (Fevereiro de 1969) e Op Lança Afiada (Março de 1969). Era a unidade de quadrícula de Galomaro (e Dulombi)(vd. carta de Duas Fontes).

Até Julho de 1969 Galamaro fazia parte do Sector L1 (BCAÇ 2852, Bambadinca). Em Agosto de 1969, a ZA (Zona de Acção) da CCAÇ 2405 passou a constituir o COP 7, criando-se em Outubro seguinte o Sector L5, sob a responsabilidadew do BCAÇ 2851 e formado pelas ZA das CCAÇ 2405 (Galomaro) e 2406 (Saltinho).

Guiné 63/74 - DIV: CCAÇ 2405 (Galomaro e Dulombi, 1968/70)

Mensagem do Victor David, ex-alf mil da CCAÇ 2405 (Galomaro e Dulombi, 1968/69) (1)

Camarada Luis Graça:

Tive um imenso prazer em conhecer-te e espero que me autorizes a entrar de quando em vez no Blogue.

Parabéns pela iniciativa e dentro em breve contactarei com camaradas da minha companhia – a dos baixinhos do Dulombi, a CCAÇ 2405, para que eles também possam dar a sua achega a tão excelente ideia (2).

Para já deixo-te as minhas coordenadas na Internet:

vdavid@iol.pt

vffdavid@hotmail.com

Um grande abraço e até breve
Victor Fernando Franco David

COIMBRA

_____

Nota de L.G.

(1) vd. post, do José Martins, de 6 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - D: Madina do Boé, 37 anos depois

(2) A CCAÇ 2405 participou, entre outras, na Op Mabecos Bravios (Fevereiro de 1969) e Op Lança Afiada (Março de 1969). Era a unidade de quadrícula de Galomaro (e Dulombi)(vd. carta de Duas Fontes).

Até Julho de 1969 Galamaro fazia parte do Sector L1 (BCAÇ 2852, Bambadinca). Em Agosto de 1969, a ZA (Zona de Acção) da CCAÇ 2405 passou a constituir o COP 7, criando-se em Outubro seguinte o Sector L5, sob a responsabilidadew do BCAÇ 2851 e formado pelas ZA das CCAÇ 2405 (Galomaro) e 2406 (Saltinho).

07 fevereiro 2006

Guiné 63/74 - DIII: O monumento da CART 2339 (Mansambo, 1968/69)

Estive hoje em Coimbra, nos Olivais, com o nosso camarada Carlos Marques dos Santos, ex-furriel miliciano atirador de artilharia, da CART 2339 (Mansambo, 1968/69), bem com o seu primo, o Vitor David, que foi alferes miliciano da CCAÇ 2405 (Galomaro, 1968/69).

Este último prometeu entrar para a nossa tertúlia e esclarecer alguns pontos (polémicos) da travessia do Corubal, no Cheche, que esteve na origem na tragédia do dia 6 de Fevereiro de 1969, já aqui ontem evocada. O Vitor não participou na Op Mabecos Bravios, ficou no aquartelamento com o seu grupo de combate, mas assistiu, com a angústia na alma, à recepção, na sala de cripto, das mensagens com a lista dos mortos...

Proporcinou-se estar com estes dois camaradas, que tiveram a gentileza de me ir buscar e levar ao comboio, estação de Coimbra-B (1). Almoçámos juntos, matámos saudades, juntos, dos tempos da Guiné e até mandámos vir rancho (!) para o almoço.

Prometi voltar aos Olivais onde, nos bons velhos tempos, os futricas impunham a lei aos estudantes, impedindo-os de ultrapassar o famoso paralelo 98... Por sorte o serviço (académico) que eu tinha a fazer era para aqueles lados, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Espero lá voltar mais vezes, até por que fiquei com enorme pena de poder visitar a belíssima igreja de Santo António dos Olivais. Tanto o Carlos como o Vitor são excelentes cicerones e têm o privilégio de continuar a viver no chão que nos viu nascer e criar.

E a propósito, tinha aqui,desde há uns tempos, material que o Carlos me tinha
enviado e que evoca a construção do momumento da CART 2339... É uma boa ocasião para inseri-lo no blogue.


Guiné > Mansambo > CART 2339 > 1968 > Aquartelamento de construção
© Carlos Marques dos Santos (2006)



Guiné > Mansambo > CART 2339 > 1968 > Monumento aos mortos da Companhia
© Carlos Marques dos Santos (2006)

Em lápide a meio do documento pode ler-se:

"Aos Vindouros: O aquartelamento de Mansambo foi construído pela CART 2339. Respeitá-o tal como é pois nas suas paredes há suor, lágrimas e um pouco do seu sangue. Inaugurado em 20 de Janeiro de 1969".





Guine > Mansambo > CART 2339 > 1969 > No dia (festivo) da inauguração do monumento. Cerimónia oficial. O Furriel Miliciano Marques dos Santos posa para a posteridade.

© Carlos Marques dos Santos (2006)

Guine > Mansambo > CART 2339 > 1969 > O monumento, no meio da parade. Ao fundo, a famosa árvore que sinalizava o aquartelamento, ao longe

© Carlos Marques dos Santos (2006)


Guine > Mansambo > CART 2339 > 1969 > No dia (festivo) da inauguração do monumento. O hastear da bandeira.

© Carlos Marques dos Santos (2006)


Guine > Mansambo > CART 2339 > 1969 > Dia de festa. O 3º Grupo de Combate, a que pertencia o Fur Mil Marques dos Santos, em estado de prontidão.

© Carlos Marques dos Santos (2006)


Guiné > Mansambo > CART 2339 > O monumento tal como foi deixado na altura do regresso da companhia à Metrópole, em Novembro de 1969: brazão da compnhia e a lista dos mortos. Ao fundo o abrigo do Furriel Miliciano Marques dos Santos.

© Carlos Marques dos Santos (2006)

Guiné- Bissau > Região Leste > Mansambo > 1996: Restos (calcinados) do monumento erigido pela CART 2339 ("Os Viriatos"), pertencente ao BCAÇ 2852 (1968/1970), quando o Humberto Reis por lá passou em 1996...

© Humberto Reis (2005)


_________________

(1) Uma sugestão: vd. post de L.G., no Blogue-Fora-Nada... e Vão Dois > 1 de Dezembro de 2005 > Blogantologia(s) II - (20) : O país que via passar os comboios

Guiné 63/74 - DIII: O monumento da CART 2339 (Mansambo, 1968/69)

Estive hoje em Coimbra, nos Olivais, com o nosso camarada Carlos Marques dos Santos, ex-furriel miliciano atirador de artilharia, da CART 2339 (Mansambo, 1968/69), bem com o seu primo, o Vitor David, que foi alferes miliciano da CCAÇ 2405 (Galomaro, 1968/69).

Este último prometeu entrar para a nossa tertúlia e esclarecer alguns pontos (polémicos) da travessia do Corubal, no Cheche, que esteve na origem na tragédia do dia 6 de Fevereiro de 1969, já aqui ontem evocada. O Vitor não participou na Op Mabecos Bravios, ficou no aquartelamento com o seu grupo de combate, mas assistiu, com a angústia na alma, à recepção, na sala de cripto, das mensagens com a lista dos mortos...

Proporcinou-se estar com estes dois camaradas, que tiveram a gentileza de me ir buscar e levar ao comboio, estação de Coimbra-B (1). Almoçámos juntos, matámos saudades, juntos, dos tempos da Guiné e até mandámos vir rancho (!) para o almoço.

Prometi voltar aos Olivais onde, nos bons velhos tempos, os futricas impunham a lei aos estudantes, impedindo-os de ultrapassar o famoso paralelo 98... Por sorte o serviço (académico) que eu tinha a fazer era para aqueles lados, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Espero lá voltar mais vezes, até por que fiquei com enorme pena de poder visitar a belíssima igreja de Santo António dos Olivais. Tanto o Carlos como o Vitor são excelentes cicerones e têm o privilégio de continuar a viver no chão que nos viu nascer e criar.

E a propósito, tinha aqui,desde há uns tempos, material que o Carlos me tinha
enviado e que evoca a construção do momumento da CART 2339... É uma boa ocasião para inseri-lo no blogue.


Guiné > Mansambo > CART 2339 > 1968 > Aquartelamento de construção
© Carlos Marques dos Santos (2006)



Guiné > Mansambo > CART 2339 > 1968 > Monumento aos mortos da Companhia
© Carlos Marques dos Santos (2006)

Em lápide a meio do documento pode ler-se:

"Aos Vindouros: O aquartelamento de Mansambo foi construído pela CART 2339. Respeitá-o tal como é pois nas suas paredes há suor, lágrimas e um pouco do seu sangue. Inaugurado em 20 de Janeiro de 1969".





Guine > Mansambo > CART 2339 > 1969 > No dia (festivo) da inauguração do monumento. Cerimónia oficial. O Furriel Miliciano Marques dos Santos posa para a posteridade.

© Carlos Marques dos Santos (2006)

Guine > Mansambo > CART 2339 > 1969 > O monumento, no meio da parade. Ao fundo, a famosa árvore que sinalizava o aquartelamento, ao longe

© Carlos Marques dos Santos (2006)


Guine > Mansambo > CART 2339 > 1969 > No dia (festivo) da inauguração do monumento. O hastear da bandeira.

© Carlos Marques dos Santos (2006)


Guine > Mansambo > CART 2339 > 1969 > Dia de festa. O 3º Grupo de Combate, a que pertencia o Fur Mil Marques dos Santos, em estado de prontidão.

© Carlos Marques dos Santos (2006)


Guiné > Mansambo > CART 2339 > O monumento tal como foi deixado na altura do regresso da companhia à Metrópole, em Novembro de 1969: brazão da compnhia e a lista dos mortos. Ao fundo o abrigo do Furriel Miliciano Marques dos Santos.

© Carlos Marques dos Santos (2006)

Guiné- Bissau > Região Leste > Mansambo > 1996: Restos (calcinados) do monumento erigido pela CART 2339 ("Os Viriatos"), pertencente ao BCAÇ 2852 (1968/1970), quando o Humberto Reis por lá passou em 1996...

© Humberto Reis (2005)


_________________

(1) Uma sugestão: vd. post de L.G., no Blogue-Fora-Nada... e Vão Dois > 1 de Dezembro de 2005 > Blogantologia(s) II - (20) : O país que via passar os comboios

06 fevereiro 2006

Guiné 63/74 - DII: O meu diário (José Teixeira, enfermeiro, CCAÇ 2381) (11): Desenfiado, em férias na Metrópole (Maio/Junho de 1969)

Guiné > Ingoré > CCAÇ 2381 > 1968 > O 1º cabo Teixeira era muito mais do que um simples enfermeiro, era um verdadeiro animador sociocultural... Aqui, ainda no início da sua comissão, com duas crianças vestidas com a farda da Mocidade Portuguesa.

© José Teixeira (2006)


Continuação da publicação de O Meu Diário, de José Teixeira (1º cabo enfermeiro Teixeira, da CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70) (1)



Bissau, 19 de Junho de 1969

Regressei a Bissau depois de um mês de férias na Metrópole onde pude participar no casamento do meu irmão Joaquim.

A minha [licença] de férias foi cheia de aventura. O Comandante não assinou o Passaporte, pelo que não podia ir, apesar de ter a viagem comprada. Mandei um rádio para Bissau a anular a viagem e entretanto o Comandante foi para uma Operação.

Como tinha a papelada toda pronta apresentei-a ao Capitão mais antigo que ficara a exercer o Comando, e que era um bolas, estava ali de castigo. Este assinou e logo enviei novo rádio a Bissau a reservar a viagem, só que a avioneta do correio não veio no dia habitual e o risco de perder o avião e o dinheiro da viagem era grande.


Guiné > Empada > CCAÇ 2381 > 1969 > O 1º cabo enfermeiro Teixeira, para além da sua intensa actividade operacional, estava sempre disponível para os outros e arranjava maneira de se divertir e divertir os seus camaradas. Aqui, caricaturando o festival da Eurovisão.

© José Teixeira (2006)


Entretanto aparecem dois bombardeiros no ar e o lugar do atirador vago. Ao pressentir que iam aterrar, fardei-me, peguei na mala e dirigi-me à pista com intenções de pedir ao Comandante da Esquadrilha para me levar, só que vejo sair do outro Bombardeiro nada menos que o meu Comandante que regressava da Operação. Olhou para mim, muito espantado, e regressámos ao quartel na mesma viatura, isto porque o meu Passaporte perdera de imediato o valor, e anulei novamente a viagem. No entanto pedi ao Alferes Barbosa para o guardar.

Nessa noite veio a Buba uma lancha trazer uma peça necessária para uma máquina, um caterpillar, que estava parado por ter pisado uma mina e era utilizado na construção da estrada para Aldeia Formosa.

Guiné > Empada > CCAÇ 2381 > 1969 > O 1º cabo enfermeiro Teixeira tinha, além disso, um trato fácil e afável com a população local. Aqui vemo-lo "muçulmano por um dia", ou melhor, vestido à maneira tradicional da população islamizada... © José Teixeira (2006)


Alguém me veio avisar e eu rompi a barreira, fui ter com o Barbosa que estava a jogar cartas com o Comandante, fiz-lhe sinal para vir cá fora, pedi-lhe o Passaporte falso e, à revelia do Comandante, fui para a Praia. Um colega pegou em mim e atirou-me para dentro da lancha e lá fui eu rumo a Bissau.

No dia seguinte de manhã cheguei a Bissau, corri à Agência, consegui ainda reservar a viagem e esperei 24 horas pela partida para Lisboa via Ilha do Sal.

____________

(1) Demos início à publicação de O Meu Diário, em 1 de Janeiro de 2006. Recorde-se o percurso do nosso amigo e camarada de tertúlia nas terras da Guiné:

"Fui enfermeiro de campanha na CCAÇ 2381. Fui para a Guiné em fins de Abril de 1968 e regressei em Maio de 1970.

"Estacionei cerca de 3 meses em Ingoré, no Norte, onde a companhia fez o seu treino operacional.

"Seguimos depois para Buba [, na região de Quínara, no sul] e fixámo-nos em Quebo (Aldeia Formosa), [no final de Julho de 1968].

"Aí a CCAÇ 2381 teve como missão fazer escoltas de segurança às colunas logísticas de abastecimento entre Aldeia Formosa/Buba e Aldeia Formosa/Gandembel, ao mesmo tempo que garantia a autodefesa de Aldeia Formosa, Mampatá e Chamarra.

"Regressámos a Buba, em Janeiro de 1969, para servirmos de guarda às equipas de Engenharia que construiram a estrada Buba/Aldeia Formosa.

"Face ao desgaste físico/emocional fomos enviados, a partir de 1969, para Empada onde vivemos os últimos meses de Comissão".

Guiné 63/74 - DII: O meu diário (José Teixeira, enfermeiro, CCAÇ 2381) (11): Desenfiado, em férias na Metrópole (Maio/Junho de 1969)

Guiné > Ingoré > CCAÇ 2381 > 1968 > O 1º cabo Teixeira era muito mais do que um simples enfermeiro, era um verdadeiro animador sociocultural... Aqui, ainda no início da sua comissão, com duas crianças vestidas com a farda da Mocidade Portuguesa.

© José Teixeira (2006)


Continuação da publicação de O Meu Diário, de José Teixeira (1º cabo enfermeiro Teixeira, da CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70) (1)



Bissau, 19 de Junho de 1969

Regressei a Bissau depois de um mês de férias na Metrópole onde pude participar no casamento do meu irmão Joaquim.

A minha [licença] de férias foi cheia de aventura. O Comandante não assinou o Passaporte, pelo que não podia ir, apesar de ter a viagem comprada. Mandei um rádio para Bissau a anular a viagem e entretanto o Comandante foi para uma Operação.

Como tinha a papelada toda pronta apresentei-a ao Capitão mais antigo que ficara a exercer o Comando, e que era um bolas, estava ali de castigo. Este assinou e logo enviei novo rádio a Bissau a reservar a viagem, só que a avioneta do correio não veio no dia habitual e o risco de perder o avião e o dinheiro da viagem era grande.


Guiné > Empada > CCAÇ 2381 > 1969 > O 1º cabo enfermeiro Teixeira, para além da sua intensa actividade operacional, estava sempre disponível para os outros e arranjava maneira de se divertir e divertir os seus camaradas. Aqui, caricaturando o festival da Eurovisão.

© José Teixeira (2006)


Entretanto aparecem dois bombardeiros no ar e o lugar do atirador vago. Ao pressentir que iam aterrar, fardei-me, peguei na mala e dirigi-me à pista com intenções de pedir ao Comandante da Esquadrilha para me levar, só que vejo sair do outro Bombardeiro nada menos que o meu Comandante que regressava da Operação. Olhou para mim, muito espantado, e regressámos ao quartel na mesma viatura, isto porque o meu Passaporte perdera de imediato o valor, e anulei novamente a viagem. No entanto pedi ao Alferes Barbosa para o guardar.

Nessa noite veio a Buba uma lancha trazer uma peça necessária para uma máquina, um caterpillar, que estava parado por ter pisado uma mina e era utilizado na construção da estrada para Aldeia Formosa.

Guiné > Empada > CCAÇ 2381 > 1969 > O 1º cabo enfermeiro Teixeira tinha, além disso, um trato fácil e afável com a população local. Aqui vemo-lo "muçulmano por um dia", ou melhor, vestido à maneira tradicional da população islamizada... © José Teixeira (2006)


Alguém me veio avisar e eu rompi a barreira, fui ter com o Barbosa que estava a jogar cartas com o Comandante, fiz-lhe sinal para vir cá fora, pedi-lhe o Passaporte falso e, à revelia do Comandante, fui para a Praia. Um colega pegou em mim e atirou-me para dentro da lancha e lá fui eu rumo a Bissau.

No dia seguinte de manhã cheguei a Bissau, corri à Agência, consegui ainda reservar a viagem e esperei 24 horas pela partida para Lisboa via Ilha do Sal.

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(1) Demos início à publicação de O Meu Diário, em 1 de Janeiro de 2006. Recorde-se o percurso do nosso amigo e camarada de tertúlia nas terras da Guiné:

"Fui enfermeiro de campanha na CCAÇ 2381. Fui para a Guiné em fins de Abril de 1968 e regressei em Maio de 1970.

"Estacionei cerca de 3 meses em Ingoré, no Norte, onde a companhia fez o seu treino operacional.

"Seguimos depois para Buba [, na região de Quínara, no sul] e fixámo-nos em Quebo (Aldeia Formosa), [no final de Julho de 1968].

"Aí a CCAÇ 2381 teve como missão fazer escoltas de segurança às colunas logísticas de abastecimento entre Aldeia Formosa/Buba e Aldeia Formosa/Gandembel, ao mesmo tempo que garantia a autodefesa de Aldeia Formosa, Mampatá e Chamarra.

"Regressámos a Buba, em Janeiro de 1969, para servirmos de guarda às equipas de Engenharia que construiram a estrada Buba/Aldeia Formosa.

"Face ao desgaste físico/emocional fomos enviados, a partir de 1969, para Empada onde vivemos os últimos meses de Comissão".

Guiné 63/74- DI: O rali Porto-Bissau (2): ajudar os guineenses... a estudar

Matosinhos > Guifões > Um apelo solidário: "Vamos ajudar a Guiné... a estudar. Contribua com material escolar e roupa de verão"... © Albano M. Costa (2006)


1. Texto do Albano Costa (Guifões):

A solidariedade para com os países de língua portugueses e, neste caso a Guiné, está patente neste cartaz. Estando eu a falar com o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Guifões, concelho de Matosinhos, sobre a viagem que se vai realizar à Guiné-Bissau no próximo dia 5 de Abril, logo se fez um movimento como a foto ilustra.

Eu bem te dizia, meu caro L.G., que isto já nunca mais pára, estes jovens estão todos entusiasmados, agora vamos imaginar, eles descobrirem a Guiné, não saíam mais de lá.

Um abraço , Albano Costa

2. Comentário de L.G.:

Albano e restantes amigos e camaradas da Guiné:

Solidariedade é uma palavra bonita. Temos que a traduzir em boas acções. Temos que lhe dar asas para voar. E pernas para andar. E mãos e cabeça para se tornar efectiva. Ora as boas acções, no meu entender, não são mais do que ir ao encontro das necessidades e expectativas dos nossos irmãos da Guiné-Bissau.

Há uma segunda independência a conquistar pelos guineenses, essa talvez até bem mais difícil do que a primeira, pela qual combateram contra os tugas... Enquanto houver um guineense com fome, sem casa, sem educação, sem bianda, sem paz, sem segurança, sem liberdade, sem saúde nem cuidados de saúde, sem futuro, o sonho de Amílcar Cabral ainda está muito longe de se realizar (1)...

Guiné > Rio Geba (largo) > 1970 > Vista aérea... "Esta é a nossa Pátria amada, /Sol, suor e o verde e mar,/ Séculos de dor e esperança!"...

© Humberto Reis(2006)



Achei bonito o gesto do Albano e do presidente da Junta de Freguesia de Guifões. Que podemos fazer pelo povo da Guiné-Bissau, nós, tertulianos, neste dia, 6 de Fevereiro de 2006, em que ainda estamos de luto pelos 47 camaradas que perderam a sua vida em Cheche, na travessia do Rio Corubal, há 37 anos atrás ? Dar sentido ao nosso luto, mas também dar esperança àqueles, homens, mulheres e crianças, que no dia 24 de Setembro de 1973, nas colinas do Boé, acreditavam estar a fazer história, proclamando a independência de um país novo (e lusófono!)...

Até ao dia 5 de Abril, em que parte o nosso rali Porto-Bissau, hão-de por certo surgir mais algumas ideias para ajudar os nossos amigos e irmãos guineenses a ganhar a difícil guerra do futuro. Que passará sempre pela educação e pela saúde. Por isso, "ajudar a Guiné... a estudar" parece-me uma palavra de ordem mobilizadora.

______

Nota de L.G.:

(1) Esta é a Nossa Pátria Bem Amada (hino nacional da República da Guiné-Bissau)

Esta é a nossa Pátria amada,
Sol, suor e o verde e mar,
Séculos de dor e esperança!
Esta é a terra dos nossos avós!
Fruto das nossas mãos,
Da flôr do nosso sangue:
Esta é a nossa pátria amada

Refrão

Viva a pátria gloriosa!
Floriu nos céus a bandeira da luta.
Avante, contra o jugo estrangeiro!
Nós vamos construir
Na pátria imortal
A paz e o progresso!
(repete as três linhas anteriores)
Paz e o progresso!

Ramos do mesmo tronco,
Olhos na mesma luz:
Esta é a força da nossa união!
Cantem o mar e a terra,
A madrugada e o sol
Que a nossa luta fecundou.

Guiné 63/74- DI: O rali Porto-Bissau (2): ajudar os guineenses... a estudar

Matosinhos > Guifões > Um apelo solidário: "Vamos ajudar a Guiné... a estudar. Contribua com material escolar e roupa de verão"... © Albano M. Costa (2006)


1. Texto do Albano Costa (Guifões):

A solidariedade para com os países de língua portugueses e, neste caso a Guiné, está patente neste cartaz. Estando eu a falar com o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Guifões, concelho de Matosinhos, sobre a viagem que se vai realizar à Guiné-Bissau no próximo dia 5 de Abril, logo se fez um movimento como a foto ilustra.

Eu bem te dizia, meu caro L.G., que isto já nunca mais pára, estes jovens estão todos entusiasmados, agora vamos imaginar, eles descobrirem a Guiné, não saíam mais de lá.

Um abraço , Albano Costa

2. Comentário de L.G.:

Albano e restantes amigos e camaradas da Guiné:

Solidariedade é uma palavra bonita. Temos que a traduzir em boas acções. Temos que lhe dar asas para voar. E pernas para andar. E mãos e cabeça para se tornar efectiva. Ora as boas acções, no meu entender, não são mais do que ir ao encontro das necessidades e expectativas dos nossos irmãos da Guiné-Bissau.

Há uma segunda independência a conquistar pelos guineenses, essa talvez até bem mais difícil do que a primeira, pela qual combateram contra os tugas... Enquanto houver um guineense com fome, sem casa, sem educação, sem bianda, sem paz, sem segurança, sem liberdade, sem saúde nem cuidados de saúde, sem futuro, o sonho de Amílcar Cabral ainda está muito longe de se realizar (1)...

Guiné > Rio Geba (largo) > 1970 > Vista aérea... "Esta é a nossa Pátria amada, /Sol, suor e o verde e mar,/ Séculos de dor e esperança!"...

© Humberto Reis(2006)



Achei bonito o gesto do Albano e do presidente da Junta de Freguesia de Guifões. Que podemos fazer pelo povo da Guiné-Bissau, nós, tertulianos, neste dia, 6 de Fevereiro de 2006, em que ainda estamos de luto pelos 47 camaradas que perderam a sua vida em Cheche, na travessia do Rio Corubal, há 37 anos atrás ? Dar sentido ao nosso luto, mas também dar esperança àqueles, homens, mulheres e crianças, que no dia 24 de Setembro de 1973, nas colinas do Boé, acreditavam estar a fazer história, proclamando a independência de um país novo (e lusófono!)...

Até ao dia 5 de Abril, em que parte o nosso rali Porto-Bissau, hão-de por certo surgir mais algumas ideias para ajudar os nossos amigos e irmãos guineenses a ganhar a difícil guerra do futuro. Que passará sempre pela educação e pela saúde. Por isso, "ajudar a Guiné... a estudar" parece-me uma palavra de ordem mobilizadora.

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Nota de L.G.:

(1) Esta é a Nossa Pátria Bem Amada (hino nacional da República da Guiné-Bissau)

Esta é a nossa Pátria amada,
Sol, suor e o verde e mar,
Séculos de dor e esperança!
Esta é a terra dos nossos avós!
Fruto das nossas mãos,
Da flôr do nosso sangue:
Esta é a nossa pátria amada

Refrão

Viva a pátria gloriosa!
Floriu nos céus a bandeira da luta.
Avante, contra o jugo estrangeiro!
Nós vamos construir
Na pátria imortal
A paz e o progresso!
(repete as três linhas anteriores)
Paz e o progresso!

Ramos do mesmo tronco,
Olhos na mesma luz:
Esta é a força da nossa união!
Cantem o mar e a terra,
A madrugada e o sol
Que a nossa luta fecundou.

Guiné 63/74 - D: Madina do Boé, 37 anos depois

Post nº 500 (D)

Guiné-Bissau > Madina do Boé > 1998 > Diz o Albano que vai procurar nos seus arquivos a foto, "para oferecer ao Mário Dias", da "placa que existe em Madina de Boé sobre o Domingos Ramos" (morto em 1966). O Domingos Ramos é uma herói da guerra de libertação. O Albano regressou à Guiné-Bissau em Novembro de 2000. Foi aqui que o PAIGC declarou a independência da Guiné-Bissau em 1973. Embora esta zona seja pouco habitada, o Xico Allen (ou os seus companheiros) encontrou e fotografou população civil quando lá esteve em 1998, com o Camilo, o algarvio, e outros camaradas (Neste momento o Camilo vai a caminho da Guiné-Bissau, por via terrestre, na sua expedição 2006: ontem ouvi uma entrevista dele na Antena 1 e vi uma reportagem na SIC sobre o assunto. O Camilo citou expressamente o Xitole como um dos sítios aonde tenciona levar material escolar) . Na época o grupo de portugueses que se deslocou ao Boé, partiu de Quebo (Aldeia Formosa), tomando uma picada existente sempre junto à fronteira com a Guiné- Conacri até Madina de Boé. No regresso vieram por Cheche onde atravessaram o Rio Corubal e seguiram Gabu.



Guiné-Bissau> Picada de Cheche - Gabu > 1998 > Restos de viaturas das NT abandonadas... © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006)


Faz hoje 37 anos que a Op Mabecos Bravios (destinada a cobrir a retirada das forças estacionadas em Madina do Boé) teve um desfecho trágico para 47 camaradas nossos, da CCAÇ 2405 (Galomaro) e da CCAÇ 1790 (Madina do Boé). Na história do BCAÇ 2852 (Bambadinca,19768/70), lê-se resumida e cruamente, no final:

"Na Op Mabecos Bravios, que durou 6 dias, interveio [o BCAÇ 2852] com a CCAÇ 2405 que constituiu o Dest F como força de segurança para a travessia do Rio Corubal (Cheche) de forças de Madina do Boé. Devido ao afundamento da jangada em que se fazia a travessia do último contingente militar foram dados como desaparecidos 17 militares desta Companhia".

Em Fevereiro de 1969, a CCAÇ 2405 estava sediada em Galomaro, com um pelotão em Samba Juli, outro em Dulombi e um terceiro em Samba Cumbera. Voltamos a transcrever o post de 2 de Agosto de 2005, com o relatório da Op Mabecos Bravios, o que se justifica não só pela efeméride (o 37º aniversário desse dia trágico de 6 de Fevereiro de 1969) como também por atingirmos o post nº 500 (CDC) e ainda devido ao facto de, no post original, haver alguns erros e omissões que se aproveita a ocasião para corrigir.

É também um pretexto para a nossa tertúlia prestar a sua sentida homenagem aos camaradas desaparecidos para sempre nas águas do temível Rio Corubal, quer os da CCAÇ 2405 quer os da unidade de quadrícula de Madina do Boé, a CCAÇ 1790 (2).

A evocação desse dia negro na história da guerra colonial da Guiné e a homenagem aos nossos mortos já aqui foram feitas, recentemente, pelo José Martins (ex-furriel miliciano de transmissões da CCAÇ 5, Canjadude, 1967/69: vd. post de 4 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - CDXCV: Madina do Boé: 37º aniversário do desastre de Cheche (José Martins).

Associam-se ainda à esta singela homenagem os nossos camaradas Francisco Allen e Albano Costa (este último acaba de mandar uma série de fotografias tiradas pelo Xico Allen, quando este esteve em Cheche e Madina do Boé, em 2003, creio eu: ou foi em 1998 ? ou em 20005 ?) (1),além do Humberto Reis (que me facilitou uma cópia mais legível da história do BCAÇ 2852). Aos três o meu/nosso muito obrigado.


Extractos de: Guiné 68-70. Bambadinca: Batalhão de Caçadores nº 2852. Documento policopiado. 30 de Abril de 1970. c. 200 pp. Classificação: Reservado. Cap. II. 36-38.

Op Mabecos Bravios (omiti os nºs mecanográficos dos nossos camaradas e fiz alguns correcções de erros óbvios como Cajadude, em vez de Canjadude)

Iniciada a Op Mabecos Bravios, em 1 [de Fevereiro de 1969], com a duração de 8 dias, para retirar as nossas tropas de Madina do Boé. Entre vários destacamentos, tomou parte no Dest F a CCAÇ 2405.

Desenrolar da acção:

O Destacamento F com o efectivo de 112 homens (4 oficiais, 10 sargentos e 98 praças - estão incluídos 1 secção de sapadores e 8 condutores auto), saiu de Galmaro em 1 de Fevereiro de 1969, pelas 9.30h, e chegou a Nova Lamego por volta das 13.00h do mesmo dia, sem qualquer novidade.

Guiné-Bissau> Picada de Cheche-Gabu > 1998 >. Trinta anos depois ainda continuam vísiveis os sinais das emboscadas e das minas... © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006)


Aqui fizeram-se os preparativos finais da organização da coluna que partiu às 5.30h do dia 2 [D]. Abre [o autor do relatório] um parêntesis para discordar do pormenor da organização da coluna: os meus condutores e mecânicos tiveram que conduzir e dar assistência técnica a viaturas que não lhe pertenciam e das quais desconheciam as mazelas. Daqui resultaram perdas de tempo inúteis e uma tremenda confusão resultante do facto de os atiradores terem guardado parte dos seus haveres e utensílios militares em viaturas que supunham pertencer às unidades e que, sem que se saiba porquê, foram trabalhar para unidades diferentes.

A coluna saiu de Nova Lamego para Canjadude com o pessoal totalmente embarcado e atingiu-se esta povoação por volta das 9.00h sem qualquer problema. A partir de Canjadude a coluna progrediu com guardas de flancos tendo o Dest F colaborado na guarda da rectaguarda da coluna fazendo uma progressão apeada que não estava prevista.

Atingiu-se o Cheche [entre Canjadude e Madina do Boé] por volta das 17.00h (sempre com uma cobertura aérea excelente). Imediatamente os Dest D e F fizeram a transposição do [Rio] Corubal e foram ocupar as posições estratégicas previstas. Já escurecia e o Dest D levava 1 minuto de avanço sobre o Dest F. Subitamente o 1º Pel[otão] revelou achar estranho algo que se passava à nossa direita, parecendo-lhes ter visto elementos estranhos. Por outro lado o guia assegurou tratar-se de turras pelo que a Companhia tomou posições de combate, lançando-se ao solo e imobilizando-se. Seguiram-se dois disparos rápidos de morteiro (os clarões foram facilmente visíveis quando as granadas saíram à boca da arma). Foram tiros curtos na direcção sudoeste, e os rebentamentos deram-se próximo do local que o Dest F iria ocupar daí a momentos.

O IN não voltou a manifestar-se mas obrigou-nos a uma vigilância nocturna permanente e a uma mudança de posição por volta das 23.00h. Às 20.00h ouviram-se na direcção oeste dois tiros que me pareceram de arma nossa, fazendo fogo de reconhecimento. Pelas 5.30h [do dia 3, D + 1] mandou-se um Pelotão a Cheche buscar um Pelotão do Dest E que fazia guarda imediata às viaturas e que eu devia levar até Madina.

Pelas 6.30h dirigi-me à zona do Dest E onde se organizou a coluna com o Dest F à frente e uma guarda de flanco avançada e o Dest D atrás igualmente com guarda de flanco. Iniciei o movimento guiado com carta e bússola porque a marcha foi feita a cerca de 200 metros (mínimo) da estrada. O meu objectivo era surpreender o IN pela rectaguarda tanto mais que os aviões me anunciaram haver possibilidade de sermos emboscados.

Cerca [ das 10.00h ] o Dest F sofreu um violento ataque de abelhas e teve que recuar cerca de um quilómetro para se reorganizar de novo. Um soldado, em consequência, ficou imediatamente fora de acção. Foi pedida a respectiva evacuação bem como a de outro soldado que apresentava sintomas de insolação. As evacuações fizeram-se para Nova Lamego dos 1ºs cabos (…) Carlos G. Machado, (…) Agostinho R. Sousa, e dos soldados (…) José A. M. S. Ferreira, (…) Manuel N. Parracho, (…) Benjamim D. Lopes, (…) Fernando A. Tavares, (…) Cândido F. S. Abreu, (…) SAntónio S. Moreira e, para Bissau, O 1º CABO (…) Adérito S. Loureiro. O héli desceu mais tarde para reabastecer o pessoal de água.


Guiné-Bissau> Rio Corubal > Cheche > 1998 > Praia fluvial com rampa de acesso. Foto tirada a meio do rio, na viagem de Quebo (Aldeia Formosa) - Madina do Boé - Cheche- Gabu (Nova Lamego) .... © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006)


Reiniciada a marcha, sofremos segundo ataque de abelhas que inutilizaram mais uma praça para quem teve de ser pedida mova evacuação. Entretanto, eram 14.30h, e mais 2 soldados, esgotada a sua provisão de água, apresentavam sintomas de insolação. Foram evacuados conjuntamente com 2 praças do Dest D que apresentavam sintomas semelhantes (vómitos, intensa palidez, olhos dilatados, respiração frenética).

O Dest D passou para a frente e reinicou-se a marcha, sempre fora da estrada até à recta que leva a Madina. Nada mais se passou além do sofrimento intenso das tropas por via do calor. O Det D foi reabastecido de água. Atingimos Madina por volta das 19.00h desligados do Dest D que prosseguiu a sua marcha quando F teve que parar para reajustar o dispositivo e tratar os mais debilitados (4 praças e 1 furriel).



Guiné-Bissau> Madina do Boé > 1998 > A famosa fonte da Colina do Boé, com ornamentação de azulejo português, pintado à mão, de 1945. Parece haver vestígios de impacto de balas de armas automáticas. É um sítio onde se concentra muita população da actual Madina.

© Francisco Allen / Albano M. Costa (2006)

Houve descanso em Madina e tomou-se uma refeição quente. No dia 4 (D + 2) o Dest F dirigiu-se para [... Cumbema ?, ilegível] ocupando a posição 3 que atingiu sem dificuldade por volta das 11.00h. Alternadamente ocupou-se as posições 3 e 4 de acordo com o plano.

Em D + 3 [5 de Fevereiro de 1969] por volta das 7.30h recebemos ordens do PCV [Posto de Comando Volante] para a abandonar a nossa posição e seguir ao encontro da coluna. Uma hora depois atingimos o campo de aviação de Madina onde fomos reabastecidos de água e r/c [rações de combate].

Pelas 9.00h a coluna pôs-se em movimento e meia hora depois 4 carros da rectaguarda tiveram um acidente. Não obstante, a coluna prosseguiu e o pessoal do Dest F mais os mecânicos resolveram a dificuldade. Entretanto, o final da coluna pôs-se em movimento acelerado para apanhar as viaturas da frente e deixaram a guarda da rectaguarda isolada no mato, num momento particularmente difícil em que precisávamos evacuar 2 soldados vencidos pelo esgotamento físico e nervoso (2 noites seguidas sem dormir, ataque de abelhas em D +1, intenso calor).


Guiné-Bissau> Picada Madina do Boé- Cheche - Gabu > 1998 > Fantasmas da guerra colonial que, de tempos a tempos, perturbam a paisagem e o viajante... Mais uma viatura dos tugas abandanada à beira da picada... © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006)


O Comandante da coluna ordenou que se fizesse a evacuação e o reabastecimento de água. Feitos estes, iniciou-se a marcha e abreve trecho tomámos contacto com a coluna e tudo correu normalmente até ao Cheche. A cobertura aérea pareceu-me impecável. Próximo de Cheche recebi ordens para ocupar a posição que ocupara que tivera em D / D+1 porque o Exmo. Comandante da Operação entendeu dever poupar alguns quilómetros ao Dest F e D, bastante atingidos pela dureza dos respectivos percursos. Essa foi a razão porque não transpus o [Rio] Corubal em D + 3 [ 5 de Fevereiro] só o vindo a fazer em D + 4 [6 de Fevereiro] por volta das 9.00h.

O IN continua sem se manifestar (ou sem se poder manifestar). Durante a transposição do Corubal a jangada em que seguiam 4 Gr Comb [da CCAÇ 2405 e da CCAÇ 1790], respectivos comandos e tripulação afundou-se espectacularmente acerca de um terço da largura do rio, provocando o desaparecimento de 17 militares do Dest F e grandes quantidades de material perdido.

Guiné-Bissau> Picada Cheche-Gabu > 1998 > Trágicas memórias da guerra... © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006)


Por voltas das 10.00h de D+ 4 [6 de Fevereiro] saímos de Cheche para Cajadude [vd. mapa local de Cheche] que atingimos por volta das 16.30h com o pessoal deste Dest embarcado. Descansou-se e em D + 5 [7 de Fevereiro] às primeiras horas a coluna pôs-se em movimento para Nova Lamego que foi atingida por volta das 11.00h. Às 12.00h as tropas ouviram uma mensagem do Exmo. Comandante-Chefe que se deslocou propositadamente para a fazer.

Permaneci em Nova Lamego para organizar a coluna do dia seguinte. Às primeiras horas de D + 6 [8 de Fevereiro] iniciei o movimento para Galomaro onde cheguei cerca das 10.30h.

___________

(1) Mensagem do Albano:

Caro amigo Luís Graça: Envio sete fotos sobre Madina de Boé, a picada onde foram destruídas várias viaturas durante a guerra colonial, a fonte da Colina de Medina e a população civil de Madina.

Luís, vou procurar nos meus arquivos para ofereceres essa imagem ao Mário Dias de uma placa que existe em Madina de Boé sobre o Domingos Ramos.

Estas fotos são do arquivo do Francisco Allen (ainda hoje estive com ele), fica contente em saber que são úteis, as fotos.

Um abraço, Albano Costa

(2) Sobre a CCAÇ 1790 (que teve 30 desaparecidos em Cheche), vd. post de 17 de Jukho de 2005 > Guiné 69/71 - CIX: Antologia (7): Os bravos de Madina do Boé (CCAÇ 1790)

" (...) Há cerca de três anos, a SIC passou um documentário sobre a guerra colonial. Nesse documentário, que relata um dos episódios mais tristes e violentos da guerra em África, participaram, entre outros antigos combatentes, Gustavo Pimenta, o tenente-coronel José Aparício, seu antigo comandante, e vários oficiais dos exércitos português e guineense.

"O filme conta a história da operação militar da retirada da Companhia 1790 do aquartelamento de Madina do Boé, durante a qual morreram 46 militares, 15 dos quais pertencentes ao pelotão comandado pelo ex-alferes miliciano Gustavo Pimenta. A tragédia, de incomensuráveis proporções, ocorreu quando a jangada que ligava as duas margens do rio Corubal, para o transporte dos homens e das viaturas, se virou inexplicavelmente. Muitos salvaram-se, muitos morreram. Vinham de Madina – essa região vasta e despovoada no leste do território, junto à fronteira com a República da Guiné-Conacri – onde a companhia de caçadores, de que fazia parte Gustavo Pimenta, estivera estacionada durante treze meses. E em treze meses, não contando com o número de ataques da forças do PAIGC de duração inferior a dez minutos, que em muitos casos só serviam para causar desestabilização e afectar psicologicamente os militares, o quartel foi bombardeado por 243 vezes" (...).

Guiné 63/74 - D: Madina do Boé, 37 anos depois

Post nº 500 (D)

Guiné-Bissau > Madina do Boé > 1998 > Diz o Albano que vai procurar nos seus arquivos a foto, "para oferecer ao Mário Dias", da "placa que existe em Madina de Boé sobre o Domingos Ramos" (morto em 1966). O Domingos Ramos é uma herói da guerra de libertação. O Albano regressou à Guiné-Bissau em Novembro de 2000. Foi aqui que o PAIGC declarou a independência da Guiné-Bissau em 1973. Embora esta zona seja pouco habitada, o Xico Allen (ou os seus companheiros) encontrou e fotografou população civil quando lá esteve em 1998, com o Camilo, o algarvio, e outros camaradas (Neste momento o Camilo vai a caminho da Guiné-Bissau, por via terrestre, na sua expedição 2006: ontem ouvi uma entrevista dele na Antena 1 e vi uma reportagem na SIC sobre o assunto. O Camilo citou expressamente o Xitole como um dos sítios aonde tenciona levar material escolar) . Na época o grupo de portugueses que se deslocou ao Boé, partiu de Quebo (Aldeia Formosa), tomando uma picada existente sempre junto à fronteira com a Guiné- Conacri até Madina de Boé. No regresso vieram por Cheche onde atravessaram o Rio Corubal e seguiram Gabu.



Guiné-Bissau> Picada de Cheche - Gabu > 1998 > Restos de viaturas das NT abandonadas... © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006)


Faz hoje 37 anos que a Op Mabecos Bravios (destinada a cobrir a retirada das forças estacionadas em Madina do Boé) teve um desfecho trágico para 47 camaradas nossos, da CCAÇ 2405 (Galomaro) e da CCAÇ 1790 (Madina do Boé). Na história do BCAÇ 2852 (Bambadinca,19768/70), lê-se resumida e cruamente, no final:

"Na Op Mabecos Bravios, que durou 6 dias, interveio [o BCAÇ 2852] com a CCAÇ 2405 que constituiu o Dest F como força de segurança para a travessia do Rio Corubal (Cheche) de forças de Madina do Boé. Devido ao afundamento da jangada em que se fazia a travessia do último contingente militar foram dados como desaparecidos 17 militares desta Companhia".

Em Fevereiro de 1969, a CCAÇ 2405 estava sediada em Galomaro, com um pelotão em Samba Juli, outro em Dulombi e um terceiro em Samba Cumbera. Voltamos a transcrever o post de 2 de Agosto de 2005, com o relatório da Op Mabecos Bravios, o que se justifica não só pela efeméride (o 37º aniversário desse dia trágico de 6 de Fevereiro de 1969) como também por atingirmos o post nº 500 (CDC) e ainda devido ao facto de, no post original, haver alguns erros e omissões que se aproveita a ocasião para corrigir.

É também um pretexto para a nossa tertúlia prestar a sua sentida homenagem aos camaradas desaparecidos para sempre nas águas do temível Rio Corubal, quer os da CCAÇ 2405 quer os da unidade de quadrícula de Madina do Boé, a CCAÇ 1790 (2).

A evocação desse dia negro na história da guerra colonial da Guiné e a homenagem aos nossos mortos já aqui foram feitas, recentemente, pelo José Martins (ex-furriel miliciano de transmissões da CCAÇ 5, Canjadude, 1967/69: vd. post de 4 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - CDXCV: Madina do Boé: 37º aniversário do desastre de Cheche (José Martins).

Associam-se ainda à esta singela homenagem os nossos camaradas Francisco Allen e Albano Costa (este último acaba de mandar uma série de fotografias tiradas pelo Xico Allen, quando este esteve em Cheche e Madina do Boé, em 2003, creio eu: ou foi em 1998 ? ou em 20005 ?) (1),além do Humberto Reis (que me facilitou uma cópia mais legível da história do BCAÇ 2852). Aos três o meu/nosso muito obrigado.


Extractos de: Guiné 68-70. Bambadinca: Batalhão de Caçadores nº 2852. Documento policopiado. 30 de Abril de 1970. c. 200 pp. Classificação: Reservado. Cap. II. 36-38.

Op Mabecos Bravios (omiti os nºs mecanográficos dos nossos camaradas e fiz alguns correcções de erros óbvios como Cajadude, em vez de Canjadude)

Iniciada a Op Mabecos Bravios, em 1 [de Fevereiro de 1969], com a duração de 8 dias, para retirar as nossas tropas de Madina do Boé. Entre vários destacamentos, tomou parte no Dest F a CCAÇ 2405.

Desenrolar da acção:

O Destacamento F com o efectivo de 112 homens (4 oficiais, 10 sargentos e 98 praças - estão incluídos 1 secção de sapadores e 8 condutores auto), saiu de Galmaro em 1 de Fevereiro de 1969, pelas 9.30h, e chegou a Nova Lamego por volta das 13.00h do mesmo dia, sem qualquer novidade.

Guiné-Bissau> Picada de Cheche-Gabu > 1998 >. Trinta anos depois ainda continuam vísiveis os sinais das emboscadas e das minas... © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006)


Aqui fizeram-se os preparativos finais da organização da coluna que partiu às 5.30h do dia 2 [D]. Abre [o autor do relatório] um parêntesis para discordar do pormenor da organização da coluna: os meus condutores e mecânicos tiveram que conduzir e dar assistência técnica a viaturas que não lhe pertenciam e das quais desconheciam as mazelas. Daqui resultaram perdas de tempo inúteis e uma tremenda confusão resultante do facto de os atiradores terem guardado parte dos seus haveres e utensílios militares em viaturas que supunham pertencer às unidades e que, sem que se saiba porquê, foram trabalhar para unidades diferentes.

A coluna saiu de Nova Lamego para Canjadude com o pessoal totalmente embarcado e atingiu-se esta povoação por volta das 9.00h sem qualquer problema. A partir de Canjadude a coluna progrediu com guardas de flancos tendo o Dest F colaborado na guarda da rectaguarda da coluna fazendo uma progressão apeada que não estava prevista.

Atingiu-se o Cheche [entre Canjadude e Madina do Boé] por volta das 17.00h (sempre com uma cobertura aérea excelente). Imediatamente os Dest D e F fizeram a transposição do [Rio] Corubal e foram ocupar as posições estratégicas previstas. Já escurecia e o Dest D levava 1 minuto de avanço sobre o Dest F. Subitamente o 1º Pel[otão] revelou achar estranho algo que se passava à nossa direita, parecendo-lhes ter visto elementos estranhos. Por outro lado o guia assegurou tratar-se de turras pelo que a Companhia tomou posições de combate, lançando-se ao solo e imobilizando-se. Seguiram-se dois disparos rápidos de morteiro (os clarões foram facilmente visíveis quando as granadas saíram à boca da arma). Foram tiros curtos na direcção sudoeste, e os rebentamentos deram-se próximo do local que o Dest F iria ocupar daí a momentos.

O IN não voltou a manifestar-se mas obrigou-nos a uma vigilância nocturna permanente e a uma mudança de posição por volta das 23.00h. Às 20.00h ouviram-se na direcção oeste dois tiros que me pareceram de arma nossa, fazendo fogo de reconhecimento. Pelas 5.30h [do dia 3, D + 1] mandou-se um Pelotão a Cheche buscar um Pelotão do Dest E que fazia guarda imediata às viaturas e que eu devia levar até Madina.

Pelas 6.30h dirigi-me à zona do Dest E onde se organizou a coluna com o Dest F à frente e uma guarda de flanco avançada e o Dest D atrás igualmente com guarda de flanco. Iniciei o movimento guiado com carta e bússola porque a marcha foi feita a cerca de 200 metros (mínimo) da estrada. O meu objectivo era surpreender o IN pela rectaguarda tanto mais que os aviões me anunciaram haver possibilidade de sermos emboscados.

Cerca [ das 10.00h ] o Dest F sofreu um violento ataque de abelhas e teve que recuar cerca de um quilómetro para se reorganizar de novo. Um soldado, em consequência, ficou imediatamente fora de acção. Foi pedida a respectiva evacuação bem como a de outro soldado que apresentava sintomas de insolação. As evacuações fizeram-se para Nova Lamego dos 1ºs cabos (…) Carlos G. Machado, (…) Agostinho R. Sousa, e dos soldados (…) José A. M. S. Ferreira, (…) Manuel N. Parracho, (…) Benjamim D. Lopes, (…) Fernando A. Tavares, (…) Cândido F. S. Abreu, (…) SAntónio S. Moreira e, para Bissau, O 1º CABO (…) Adérito S. Loureiro. O héli desceu mais tarde para reabastecer o pessoal de água.


Guiné-Bissau> Rio Corubal > Cheche > 1998 > Praia fluvial com rampa de acesso. Foto tirada a meio do rio, na viagem de Quebo (Aldeia Formosa) - Madina do Boé - Cheche- Gabu (Nova Lamego) .... © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006)


Reiniciada a marcha, sofremos segundo ataque de abelhas que inutilizaram mais uma praça para quem teve de ser pedida mova evacuação. Entretanto, eram 14.30h, e mais 2 soldados, esgotada a sua provisão de água, apresentavam sintomas de insolação. Foram evacuados conjuntamente com 2 praças do Dest D que apresentavam sintomas semelhantes (vómitos, intensa palidez, olhos dilatados, respiração frenética).

O Dest D passou para a frente e reinicou-se a marcha, sempre fora da estrada até à recta que leva a Madina. Nada mais se passou além do sofrimento intenso das tropas por via do calor. O Det D foi reabastecido de água. Atingimos Madina por volta das 19.00h desligados do Dest D que prosseguiu a sua marcha quando F teve que parar para reajustar o dispositivo e tratar os mais debilitados (4 praças e 1 furriel).



Guiné-Bissau> Madina do Boé > 1998 > A famosa fonte da Colina do Boé, com ornamentação de azulejo português, pintado à mão, de 1945. Parece haver vestígios de impacto de balas de armas automáticas. É um sítio onde se concentra muita população da actual Madina.

© Francisco Allen / Albano M. Costa (2006)

Houve descanso em Madina e tomou-se uma refeição quente. No dia 4 (D + 2) o Dest F dirigiu-se para [... Cumbema ?, ilegível] ocupando a posição 3 que atingiu sem dificuldade por volta das 11.00h. Alternadamente ocupou-se as posições 3 e 4 de acordo com o plano.

Em D + 3 [5 de Fevereiro de 1969] por volta das 7.30h recebemos ordens do PCV [Posto de Comando Volante] para a abandonar a nossa posição e seguir ao encontro da coluna. Uma hora depois atingimos o campo de aviação de Madina onde fomos reabastecidos de água e r/c [rações de combate].

Pelas 9.00h a coluna pôs-se em movimento e meia hora depois 4 carros da rectaguarda tiveram um acidente. Não obstante, a coluna prosseguiu e o pessoal do Dest F mais os mecânicos resolveram a dificuldade. Entretanto, o final da coluna pôs-se em movimento acelerado para apanhar as viaturas da frente e deixaram a guarda da rectaguarda isolada no mato, num momento particularmente difícil em que precisávamos evacuar 2 soldados vencidos pelo esgotamento físico e nervoso (2 noites seguidas sem dormir, ataque de abelhas em D +1, intenso calor).


Guiné-Bissau> Picada Madina do Boé- Cheche - Gabu > 1998 > Fantasmas da guerra colonial que, de tempos a tempos, perturbam a paisagem e o viajante... Mais uma viatura dos tugas abandanada à beira da picada... © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006)


O Comandante da coluna ordenou que se fizesse a evacuação e o reabastecimento de água. Feitos estes, iniciou-se a marcha e abreve trecho tomámos contacto com a coluna e tudo correu normalmente até ao Cheche. A cobertura aérea pareceu-me impecável. Próximo de Cheche recebi ordens para ocupar a posição que ocupara que tivera em D / D+1 porque o Exmo. Comandante da Operação entendeu dever poupar alguns quilómetros ao Dest F e D, bastante atingidos pela dureza dos respectivos percursos. Essa foi a razão porque não transpus o [Rio] Corubal em D + 3 [ 5 de Fevereiro] só o vindo a fazer em D + 4 [6 de Fevereiro] por volta das 9.00h.

O IN continua sem se manifestar (ou sem se poder manifestar). Durante a transposição do Corubal a jangada em que seguiam 4 Gr Comb [da CCAÇ 2405 e da CCAÇ 1790], respectivos comandos e tripulação afundou-se espectacularmente acerca de um terço da largura do rio, provocando o desaparecimento de 17 militares do Dest F e grandes quantidades de material perdido.

Guiné-Bissau> Picada Cheche-Gabu > 1998 > Trágicas memórias da guerra... © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006)


Por voltas das 10.00h de D+ 4 [6 de Fevereiro] saímos de Cheche para Cajadude [vd. mapa local de Cheche] que atingimos por volta das 16.30h com o pessoal deste Dest embarcado. Descansou-se e em D + 5 [7 de Fevereiro] às primeiras horas a coluna pôs-se em movimento para Nova Lamego que foi atingida por volta das 11.00h. Às 12.00h as tropas ouviram uma mensagem do Exmo. Comandante-Chefe que se deslocou propositadamente para a fazer.

Permaneci em Nova Lamego para organizar a coluna do dia seguinte. Às primeiras horas de D + 6 [8 de Fevereiro] iniciei o movimento para Galomaro onde cheguei cerca das 10.30h.

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(1) Mensagem do Albano:

Caro amigo Luís Graça: Envio sete fotos sobre Madina de Boé, a picada onde foram destruídas várias viaturas durante a guerra colonial, a fonte da Colina de Medina e a população civil de Madina.

Luís, vou procurar nos meus arquivos para ofereceres essa imagem ao Mário Dias de uma placa que existe em Madina de Boé sobre o Domingos Ramos.

Estas fotos são do arquivo do Francisco Allen (ainda hoje estive com ele), fica contente em saber que são úteis, as fotos.

Um abraço, Albano Costa

(2) Sobre a CCAÇ 1790 (que teve 30 desaparecidos em Cheche), vd. post de 17 de Jukho de 2005 > Guiné 69/71 - CIX: Antologia (7): Os bravos de Madina do Boé (CCAÇ 1790)

" (...) Há cerca de três anos, a SIC passou um documentário sobre a guerra colonial. Nesse documentário, que relata um dos episódios mais tristes e violentos da guerra em África, participaram, entre outros antigos combatentes, Gustavo Pimenta, o tenente-coronel José Aparício, seu antigo comandante, e vários oficiais dos exércitos português e guineense.

"O filme conta a história da operação militar da retirada da Companhia 1790 do aquartelamento de Madina do Boé, durante a qual morreram 46 militares, 15 dos quais pertencentes ao pelotão comandado pelo ex-alferes miliciano Gustavo Pimenta. A tragédia, de incomensuráveis proporções, ocorreu quando a jangada que ligava as duas margens do rio Corubal, para o transporte dos homens e das viaturas, se virou inexplicavelmente. Muitos salvaram-se, muitos morreram. Vinham de Madina – essa região vasta e despovoada no leste do território, junto à fronteira com a República da Guiné-Conacri – onde a companhia de caçadores, de que fazia parte Gustavo Pimenta, estivera estacionada durante treze meses. E em treze meses, não contando com o número de ataques da forças do PAIGC de duração inferior a dez minutos, que em muitos casos só serviam para causar desestabilização e afectar psicologicamente os militares, o quartel foi bombardeado por 243 vezes" (...).