07 março 2006

Guiné 63/74 - DCXII: Assalto ao destacamento IN de Seco Braima, na margem direita do Rio Corubal (Janeiro de 1970, CCAÇ 12, CAÇ 2404, CART 2413)

Post nº 612 (DCXII)

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Subsector do Xitole > 1970 > Forças da CCAÇ 12 (na foto, o 2º Grupo de Combate, dos furriéis milicianos Humberto Reis e Tony Levezinho) atravessando uma bolanha, a caminho da península de Galo Corubal-Satecuta, na margem direita do Rio Corubal. O Humberto vem atrás dos homens da bazuca e do lança-rockets (igual à dos páras). E, mais atrás, os 1ºs cabos (metropolitanos) Alves e Branco. Participei na operação, abaixo relatada, integrado desta vez no 4º Gr Combate. Como me dizia amavelmente o meu capitão Brito - era um gentleman! - , eu era o peão de nicas, o tapa-buracas, o suplente, o que substituía os camaradas furriéis doentes, convalescentes, desenfiados ou em férias... Não sei por que carga de água é que os psicotécnicos (ou os pides...) disseram que eu era bom para apontador de armas pesadas de infantaria. Como a CCAÇ 12 era uma companhia de intervenção, não tendo armas pesadas, eu tornei-me um polivalente, um pau para toda a obra ... (LG)


Arquivo pessoal de Humberto Reis (ex-furriel miliciano de operações especiais, CCAÇ 12, Bambadinca, 1969/71). © Humberto Reis (2006).



Extractos de:

História da CCAÇ. 12: Guiné 1969/71. Bambadinca: Companhia de Caçadores 12. 1971. Capítulo II. 22-23. (Documento policopiado, elaborado pelo ex-furriel mil Henriques, com a colaboração e a cumplicidade de muita gente, a começar pelo sargento Piça, mandado classificar como reservado pelo comandante da unidade e distribuído, à sua revelia, aos quadros metropolitanos, na véspera da sua rendição individual, em finais de Fevereiro e princípios de Março de 1971... Não creio que tenha sido nenhum crime de lesa-pátria...) (LG).

(7) Janeiro de 1970: 3 assaltos a objectivos IN

Durante o período de Janeiro a Abril de 1970, coincidindo com a época seca, a CCAÇ 12 desenvolveria uma intensa actividade operacional ofensiva, realizando 7 operações a nível de Batalhão (das quais 6 com contacto), 3 operações a nível de Companhia (uma com contacto e as outras com vestígios do IN) e ainda 10 acções, além da actividade de rotina.

(7.1) Op Navalha Polida: assalto imediato ao destacamento IN de Seco Braima

Em 2, às 5h00, dava-se início à Op Navalha Polida para uma batida à região de Galo Corubal-Satecuta-Seco Braima, e em que participaram 3 Gr Comb da CCAÇ 12 (Dest A), além de forças da CCÇ 2404 (Dest B) e CART 2413 (Dest C), [estas duas últimas sediadas, respectivamente, em Mansambo e Xitole].

Sabia-se, em consequência da Op Lança Afiada (1), que o IN ocupava a península de Galo Corubal-Satecuta (2) cujas bolanhas eram cultivadas por uma numerosa população de balantas e beafadas.

Mais recentemente um RVIS efectuado pela Força Aérea e uma emboscada que 1 Gr Comb da CART 2413 sofreu entre o Xitole e a Ponte dos Fulas, viriam confirmar a existência de 1 bigrupo naquela área.

A missão das NT era bater a península de Galo Corubal-Satecuta-Seco Braima, procurando aniquilar os elementos IN armados, aprisionar a população e destruir todos os meios de vida.

Desenrolar da acção:

Os 3 Destacamentos encontraram-se por volta das 9h00 perto da ponte sobre o Rio Jagarajá, na estrada Mansambo-Xitole, tendo iniciadoimediatamente a progressão a corta-mato em direcção ao objectivo.

Pelas 17h00 atingiram o local de pernoita, tendo-se emboscado junto a um antigo trilho que conduzia a Galo Corubal. A instalação foi feita de forma a conseguir-se apoio mútuo entre os Dest e a neutralizar uma eventual acção de surpresa do IN.

No dia seguinte, às 3h30, os Dest B e C iniciaram o movimento em direcção a Satecuta. E uma hora mais tarde o Dest A começou a deslocar-se para a região de Seco Braima (3), tendo ouvido por volta das 7h00 ruídos do pilão e vozes humanas.

Dirigindo-se imediatamente nessa direcção, o Dest A [CCAÇ 12] teve de cambar um curso de água, utilizando uma ponte submersível feita de troncos de cibe, deixando então de ouvir as vozes por se encontrar numa baixa.

Entretanto, o 4º Gr Comb ficava emboscado junto ao ponto de cambança. Continuada a progressão ao longo da margem, ouviram-se de novo vozes. Feita a aproximação de maneira cautelosa, verificou-se que havia ali um destacamento avançado do IN que deveria constituir o dispositivo de segurança próxima da tabanca de Seco Braima.

Como era impossível qualquer manobra de envolvimento sem ser detectado, devido ao capim e à vegetação arbustiva, o Comandante do Dest A deu ordem para que os homens da frente fizessem um assalto imediato. O acampamento foi atacado à granada de mão, tendo-se ouvido gritos lancinantes de dor.

Apesar de surpreendido, o IN reagiu rapidamente com armas automáticas, ao mesmo tempo que retirava, levando dois corpos de arrasto (no terreno havia sinais de arrastamento de 2 corpos através do capim e vestígios de sangue).

Concentrando o fogo na direcção da retirada do IN, os 2 Gr Comb (1º e 2º ) do Dest A tomaram o acampamento que era constituído por 5 casas de mato. Feita a batida a zona, encontrou-se o seguinte material:

5 granadas de RPG-2,
1 carregador de Metralhadora Ligeira Degtyarev,
2 lâminas 18 cartuchos,
além de vários utensílios e um balaio cheio de arroz.

Entretanto, já os Dest B e C tinham atingido o acampamento de Satecuta, de resto abandonado. Porém, devido aos rebentamentos que se ouviam da direcção de Seco Braima, alguns elementos IN, de passagem em Satecuta, foram alertados e na fuga seriam interceptados pelo Dest C [CART 2413] que abriu fogo sobre eles. 0 IN reagiu da vários pontos da mata. Na perseguição as NT fizeram um prisioneiro que ficara para trás, ferido.

Quase simultaneamente os 2 Gr Comb do Dest A em Seco Braima começariam a ser flagelados com canhão s/r e mort 82, instalados na margem esquerda do Rio Corubal, em frente de Ponta Jai. Foi entretanto pedido apoio aéreo e dada ordem de retirada pelo PCV. Enquanto os bombardeiros T 6 martelavam as posições do IN, as NT retiraram mas ordenadamente.

Os 3 Dest encontraram-se na estrada por volta das 13h00, tendo o Dest C seguido para o Xitole e os Dest B e A para Mansambo em coluna apeada (até à Ponte dos Fulas e ponte do Rio Bissari, respectivamente).

Em resultado da acção das NT, o IN teve 2 mortos prováveis e vários feridos confirmados, além dum capturado (4).

O IN manifestar-se ainda nos subsectores de Xitole Mansambo:

(i) a 19 (montando 2 minas A/P, na estrada, das quais uma foi accionada por uma viatura, com rebentamento de pneu, e a outra detectada e levantada, verificando-se pela sua análise que estava completamente nova);

(ii) a 20 (fazendo um pequeno grupo vindo do sul queimadas na região de Moricanhe);

(iii) e a 21 (flagelando de sudoeste o aquartelamento de Mansambo durante meia-hora, com Mort 82, lança-rockets e armas automáticas, sem consequências).

__________

Notas de L.G.

(1) Vd. posts de:

15 de Outubro de 2005 > Guiné 63/74 - CCXLIII:Op Lança Afiada (1969): (i) À procura do hospital dos cubanos na mata do Fiofioli

9 de Novembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCLXXXI: Op Lança Afiada (1969) : (ii) Pior do que o IN, só a sede e as abelhas

9 de Novembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCLXXXIII: Op Lança Afiada (1969): (iii) O 'tigre de papel' da mata do Fiofioli

14 de Novembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCLXXXIX: Op Lança Afiada (IV): O soldado Spínola na margem direita do Rio Corubal

(2) Na margem direita do Rio Corubal, entre os Rios Bissari e Pulom. Vd. mapa do Xime

(3) Também conhecido por Darsalame, junto ao Rio Pulom, e antes de Satecuta .Vd. mapa do Xime

(4) Informação complementar, fornecida pela história do BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70): Esta operação envolveu 3 grupos de combate da CAÇ 12, mais 2 da CART 2413 (Xitole) e 3 da CCAǪ 2404 (Mansambo).

O acampamento de Satecuta tinha vestígios recentes, tendo sido abandonado há cerca de uma semana.

O prisioneiro, de nome Jomel Nanquitande, foi deixado para trás pelos seus companheiros, que no entanto recuperaram a sua arma. O seu ferimento não era grave, aos olhos de um tuga. Após uma semana de recuperação e de interrogatórios, o Jomel seria obrigado pelas NT a participar como guia para um assalto de mão ao acampamento IN de Ponta Varela que conhecia bem [, a sudoeste do Xime, na direcção de Madina Colhido]: Op Borboleta Destemida (CCAÇ 12, a 4 GR Comb + CART 2520, a 2 Gr Comb, 13 de Janeiro de 1970).

Devido ao muito cansaço dos Destamentos A e B, "alguns homens tiveram que ser recolhidos em viaturas no Rio Bissari".

Guiné 63/74 - DCXII: Assalto ao destacamento IN de Seco Braima, na margem direita do Rio Corubal (Janeiro de 1970, CCAÇ 12, CAÇ 2404, CART 2413)

Post nº 612 (DCXII)

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Subsector do Xitole > 1970 > Forças da CCAÇ 12 (na foto, o 2º Grupo de Combate, dos furriéis milicianos Humberto Reis e Tony Levezinho) atravessando uma bolanha, a caminho da península de Galo Corubal-Satecuta, na margem direita do Rio Corubal. O Humberto vem atrás dos homens da bazuca e do lança-rockets (igual à dos páras). E, mais atrás, os 1ºs cabos (metropolitanos) Alves e Branco. Participei na operação, abaixo relatada, integrado desta vez no 4º Gr Combate. Como me dizia amavelmente o meu capitão Brito - era um gentleman! - , eu era o peão de nicas, o tapa-buracas, o suplente, o que substituía os camaradas furriéis doentes, convalescentes, desenfiados ou em férias... Não sei por que carga de água é que os psicotécnicos (ou os pides...) disseram que eu era bom para apontador de armas pesadas de infantaria. Como a CCAÇ 12 era uma companhia de intervenção, não tendo armas pesadas, eu tornei-me um polivalente, um pau para toda a obra ... (LG)


Arquivo pessoal de Humberto Reis (ex-furriel miliciano de operações especiais, CCAÇ 12, Bambadinca, 1969/71). © Humberto Reis (2006).



Extractos de:

História da CCAÇ. 12: Guiné 1969/71. Bambadinca: Companhia de Caçadores 12. 1971. Capítulo II. 22-23. (Documento policopiado, elaborado pelo ex-furriel mil Henriques, com a colaboração e a cumplicidade de muita gente, a começar pelo sargento Piça, mandado classificar como reservado pelo comandante da unidade e distribuído, à sua revelia, aos quadros metropolitanos, na véspera da sua rendição individual, em finais de Fevereiro e princípios de Março de 1971... Não creio que tenha sido nenhum crime de lesa-pátria...) (LG).

(7) Janeiro de 1970: 3 assaltos a objectivos IN

Durante o período de Janeiro a Abril de 1970, coincidindo com a época seca, a CCAÇ 12 desenvolveria uma intensa actividade operacional ofensiva, realizando 7 operações a nível de Batalhão (das quais 6 com contacto), 3 operações a nível de Companhia (uma com contacto e as outras com vestígios do IN) e ainda 10 acções, além da actividade de rotina.

(7.1) Op Navalha Polida: assalto imediato ao destacamento IN de Seco Braima

Em 2, às 5h00, dava-se início à Op Navalha Polida para uma batida à região de Galo Corubal-Satecuta-Seco Braima, e em que participaram 3 Gr Comb da CCAÇ 12 (Dest A), além de forças da CCÇ 2404 (Dest B) e CART 2413 (Dest C), [estas duas últimas sediadas, respectivamente, em Mansambo e Xitole].

Sabia-se, em consequência da Op Lança Afiada (1), que o IN ocupava a península de Galo Corubal-Satecuta (2) cujas bolanhas eram cultivadas por uma numerosa população de balantas e beafadas.

Mais recentemente um RVIS efectuado pela Força Aérea e uma emboscada que 1 Gr Comb da CART 2413 sofreu entre o Xitole e a Ponte dos Fulas, viriam confirmar a existência de 1 bigrupo naquela área.

A missão das NT era bater a península de Galo Corubal-Satecuta-Seco Braima, procurando aniquilar os elementos IN armados, aprisionar a população e destruir todos os meios de vida.

Desenrolar da acção:

Os 3 Destacamentos encontraram-se por volta das 9h00 perto da ponte sobre o Rio Jagarajá, na estrada Mansambo-Xitole, tendo iniciadoimediatamente a progressão a corta-mato em direcção ao objectivo.

Pelas 17h00 atingiram o local de pernoita, tendo-se emboscado junto a um antigo trilho que conduzia a Galo Corubal. A instalação foi feita de forma a conseguir-se apoio mútuo entre os Dest e a neutralizar uma eventual acção de surpresa do IN.

No dia seguinte, às 3h30, os Dest B e C iniciaram o movimento em direcção a Satecuta. E uma hora mais tarde o Dest A começou a deslocar-se para a região de Seco Braima (3), tendo ouvido por volta das 7h00 ruídos do pilão e vozes humanas.

Dirigindo-se imediatamente nessa direcção, o Dest A [CCAÇ 12] teve de cambar um curso de água, utilizando uma ponte submersível feita de troncos de cibe, deixando então de ouvir as vozes por se encontrar numa baixa.

Entretanto, o 4º Gr Comb ficava emboscado junto ao ponto de cambança. Continuada a progressão ao longo da margem, ouviram-se de novo vozes. Feita a aproximação de maneira cautelosa, verificou-se que havia ali um destacamento avançado do IN que deveria constituir o dispositivo de segurança próxima da tabanca de Seco Braima.

Como era impossível qualquer manobra de envolvimento sem ser detectado, devido ao capim e à vegetação arbustiva, o Comandante do Dest A deu ordem para que os homens da frente fizessem um assalto imediato. O acampamento foi atacado à granada de mão, tendo-se ouvido gritos lancinantes de dor.

Apesar de surpreendido, o IN reagiu rapidamente com armas automáticas, ao mesmo tempo que retirava, levando dois corpos de arrasto (no terreno havia sinais de arrastamento de 2 corpos através do capim e vestígios de sangue).

Concentrando o fogo na direcção da retirada do IN, os 2 Gr Comb (1º e 2º ) do Dest A tomaram o acampamento que era constituído por 5 casas de mato. Feita a batida a zona, encontrou-se o seguinte material:

5 granadas de RPG-2,
1 carregador de Metralhadora Ligeira Degtyarev,
2 lâminas 18 cartuchos,
além de vários utensílios e um balaio cheio de arroz.

Entretanto, já os Dest B e C tinham atingido o acampamento de Satecuta, de resto abandonado. Porém, devido aos rebentamentos que se ouviam da direcção de Seco Braima, alguns elementos IN, de passagem em Satecuta, foram alertados e na fuga seriam interceptados pelo Dest C [CART 2413] que abriu fogo sobre eles. 0 IN reagiu da vários pontos da mata. Na perseguição as NT fizeram um prisioneiro que ficara para trás, ferido.

Quase simultaneamente os 2 Gr Comb do Dest A em Seco Braima começariam a ser flagelados com canhão s/r e mort 82, instalados na margem esquerda do Rio Corubal, em frente de Ponta Jai. Foi entretanto pedido apoio aéreo e dada ordem de retirada pelo PCV. Enquanto os bombardeiros T 6 martelavam as posições do IN, as NT retiraram mas ordenadamente.

Os 3 Dest encontraram-se na estrada por volta das 13h00, tendo o Dest C seguido para o Xitole e os Dest B e A para Mansambo em coluna apeada (até à Ponte dos Fulas e ponte do Rio Bissari, respectivamente).

Em resultado da acção das NT, o IN teve 2 mortos prováveis e vários feridos confirmados, além dum capturado (4).

O IN manifestar-se ainda nos subsectores de Xitole Mansambo:

(i) a 19 (montando 2 minas A/P, na estrada, das quais uma foi accionada por uma viatura, com rebentamento de pneu, e a outra detectada e levantada, verificando-se pela sua análise que estava completamente nova);

(ii) a 20 (fazendo um pequeno grupo vindo do sul queimadas na região de Moricanhe);

(iii) e a 21 (flagelando de sudoeste o aquartelamento de Mansambo durante meia-hora, com Mort 82, lança-rockets e armas automáticas, sem consequências).

__________

Notas de L.G.

(1) Vd. posts de:

15 de Outubro de 2005 > Guiné 63/74 - CCXLIII:Op Lança Afiada (1969): (i) À procura do hospital dos cubanos na mata do Fiofioli

9 de Novembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCLXXXI: Op Lança Afiada (1969) : (ii) Pior do que o IN, só a sede e as abelhas

9 de Novembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCLXXXIII: Op Lança Afiada (1969): (iii) O 'tigre de papel' da mata do Fiofioli

14 de Novembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCLXXXIX: Op Lança Afiada (IV): O soldado Spínola na margem direita do Rio Corubal

(2) Na margem direita do Rio Corubal, entre os Rios Bissari e Pulom. Vd. mapa do Xime

(3) Também conhecido por Darsalame, junto ao Rio Pulom, e antes de Satecuta .Vd. mapa do Xime

(4) Informação complementar, fornecida pela história do BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70): Esta operação envolveu 3 grupos de combate da CAÇ 12, mais 2 da CART 2413 (Xitole) e 3 da CCAǪ 2404 (Mansambo).

O acampamento de Satecuta tinha vestígios recentes, tendo sido abandonado há cerca de uma semana.

O prisioneiro, de nome Jomel Nanquitande, foi deixado para trás pelos seus companheiros, que no entanto recuperaram a sua arma. O seu ferimento não era grave, aos olhos de um tuga. Após uma semana de recuperação e de interrogatórios, o Jomel seria obrigado pelas NT a participar como guia para um assalto de mão ao acampamento IN de Ponta Varela que conhecia bem [, a sudoeste do Xime, na direcção de Madina Colhido]: Op Borboleta Destemida (CCAÇ 12, a 4 GR Comb + CART 2520, a 2 Gr Comb, 13 de Janeiro de 1970).

Devido ao muito cansaço dos Destamentos A e B, "alguns homens tiveram que ser recolhidos em viaturas no Rio Bissari".

06 março 2006

Guiné 63/74 - DCXI: A viúva do régulo Sambel de Contabane: um símbolo (Zé Teixeira)

Guiné-Bissau > Saltinho > 2005 > A mulher do régulo local. A que está a ordenhar a vaca é casada com o régulo de Sinchã Sambel, antigo milícia, filho do antigo régulo de Contabane.

© José Teixeira (2005)


Luís, saúde, paz e felicidade:

Muito feliz a tua ideia de colocares a foto da mulher do Régulo Sambel de Contabane (1) como referência, no excelente trabalho da Zélia sobre as Mulheres-Coragem.

De facto, esta mulher e seu marido muito sofreram com a guerra. A tabanca de Contabane foi atacada e incendiada em 24 de Junho de 1968, ficando destruída ao ponto de o pelotão da CCAÇ 2382 que lá se encontrava, ter regressado a Aldeia Formosa com a roupa que trazia no corpo. Tudo o resto foi queimado.

Seu filho, o actual Régulo de Sinchã Sambel, era à data soldado da milícia em Mampatá Forea, onde eu fui parar dias depois deste acontecimento. Este soldado da milícia é actualmente o Régulo de Sinchã Sambel, junto a Saltinho. Tive o prazer de conviver com a esposa deste em 2005. Ainda se recordava de mim, quando estive em Mampatá: era uma bajuda bem bonita.

Partilho inteiramente com as ideias da Zélia. Esposas e mães que por cá ficaram, basta olhar para as nossas mães. Quanto sofreram ! E as mães de lá, que firmavam na Tabanca. Seus filhos na tropa, na milícia, suas crianças na Tabanca, elas mesmas a sofrerem os ataques, tal como nós. Quantas casas incendiadas ou destruidas ! Quantas viram seus filhos, grandes e pequenos, morrerem com uma bala ou estilhaço assassino !

E as que estavam do outro lado ?!... E as que serviam de transportadoras de equipamento de guerra, as que trabalhavam clandestinamente nas bolanhas para que os combatentes tivessem que comer ?!... As suas crianças, como reagiam quando nós aparecíamos com a G3 em rajada a varrer ?!...
- Ou matas ou morres ! - diziam-te. Tantos inocentes de ambas as bandas, meu Deus ! Dois casos, apenas para reflectir.

Guiné > Mampatá > 1968> O 1º cabo enfermeiro Teixeira com a sua Maimuna.

© José Teixeira (2005)



A minha Maimuna (bebé que me acompanhava em Mampatá Forea, sentada no meu ombro -vd. O Meu Diário)(2): um dia depois do almoço, levei-a para o meu abrigo para tentar que dormisse um pouco, mas chorou tanto que a levei à mãe e perguntei o que se passava, pois nunca chorava e ... Disse-me a Ansaro (mãe):
- Se queres que ela durma, deita-te e põe a menina atrás de ti que ela adormece logo. - E assim aconteceu, muito agarradinha a mim, para meu espanto. Porquê ?

A mãe à noite quando ia dormir amarrava a Maimuna às costas tal como durante o dia a carregava, para que no caso de haver ataque, ao fugir, levasse a criança com ela.

Em Buba, uma mãe habitualmente dormia com a sua bebé amarrada às costas pelas mesmas razões. Num período em que estivemos cerca de um mês sem ataques à povoação - apenas atacavam as colunas e as equipas de construção da estrada de Buba para Aldeia Formosa -, fomos atacados às cinco da manhã.

Essa mãe, que descansada, não amarrou a si a criança, fugiu para o abrigo e na precipitação deixou a criança na Morança. Reagiu e voltou atrás para recuperar a bebé. Uma granada de morteiro caíu em cima da casa e atingiu a mãe com vários estilhaços, impedindo-a de entrar e recuperar a bebé. A Morança ardeu e a criança ficou carbonizada. A mãe, tratei-a eu dos ferimentos fisicos e chorei com ela a perda da sua bebé. Ainda hoje parece que sinto os seus gritos de desespero e a sua vontade de morrer.

Em sua memória fiz um poema. Foi a forma de extravazar a dor que senti.

Uma granada,
Vinda não sei de onde,
Lançada não sei por quem,
Rebentou...
E aquela criança,
Que brincava além...
A morte a levou...
Na areia brincava...
E sua mãe,
Que seus paninhos lavava,
Estremeceu.
Num triste pressentimento
Seu olhar volveu...
Um grito ! ( desmaiou)
No preciso momento
Em que seu filho morreu...

Zé Teixeira

_____________

Notas de L.G.

(1) Contabane: ficava na estrada entre o Saltinho e Quebo (Aldeia Formosa)

(2) Vd. post de 31 de Dezembro de 2005 > Guiné 63/74 - CDVI: Maimuna, uma história de amor (José Teixeira)

Guiné 63/74 - DCXI: A viúva do régulo Sambel de Contabane: um símbolo (Zé Teixeira)

Guiné-Bissau > Saltinho > 2005 > A mulher do régulo local. A que está a ordenhar a vaca é casada com o régulo de Sinchã Sambel, antigo milícia, filho do antigo régulo de Contabane.

© José Teixeira (2005)


Luís, saúde, paz e felicidade:

Muito feliz a tua ideia de colocares a foto da mulher do Régulo Sambel de Contabane (1) como referência, no excelente trabalho da Zélia sobre as Mulheres-Coragem.

De facto, esta mulher e seu marido muito sofreram com a guerra. A tabanca de Contabane foi atacada e incendiada em 24 de Junho de 1968, ficando destruída ao ponto de o pelotão da CCAÇ 2382 que lá se encontrava, ter regressado a Aldeia Formosa com a roupa que trazia no corpo. Tudo o resto foi queimado.

Seu filho, o actual Régulo de Sinchã Sambel, era à data soldado da milícia em Mampatá Forea, onde eu fui parar dias depois deste acontecimento. Este soldado da milícia é actualmente o Régulo de Sinchã Sambel, junto a Saltinho. Tive o prazer de conviver com a esposa deste em 2005. Ainda se recordava de mim, quando estive em Mampatá: era uma bajuda bem bonita.

Partilho inteiramente com as ideias da Zélia. Esposas e mães que por cá ficaram, basta olhar para as nossas mães. Quanto sofreram ! E as mães de lá, que firmavam na Tabanca. Seus filhos na tropa, na milícia, suas crianças na Tabanca, elas mesmas a sofrerem os ataques, tal como nós. Quantas casas incendiadas ou destruidas ! Quantas viram seus filhos, grandes e pequenos, morrerem com uma bala ou estilhaço assassino !

E as que estavam do outro lado ?!... E as que serviam de transportadoras de equipamento de guerra, as que trabalhavam clandestinamente nas bolanhas para que os combatentes tivessem que comer ?!... As suas crianças, como reagiam quando nós aparecíamos com a G3 em rajada a varrer ?!...
- Ou matas ou morres ! - diziam-te. Tantos inocentes de ambas as bandas, meu Deus ! Dois casos, apenas para reflectir.

Guiné > Mampatá > 1968> O 1º cabo enfermeiro Teixeira com a sua Maimuna.

© José Teixeira (2005)



A minha Maimuna (bebé que me acompanhava em Mampatá Forea, sentada no meu ombro -vd. O Meu Diário)(2): um dia depois do almoço, levei-a para o meu abrigo para tentar que dormisse um pouco, mas chorou tanto que a levei à mãe e perguntei o que se passava, pois nunca chorava e ... Disse-me a Ansaro (mãe):
- Se queres que ela durma, deita-te e põe a menina atrás de ti que ela adormece logo. - E assim aconteceu, muito agarradinha a mim, para meu espanto. Porquê ?

A mãe à noite quando ia dormir amarrava a Maimuna às costas tal como durante o dia a carregava, para que no caso de haver ataque, ao fugir, levasse a criança com ela.

Em Buba, uma mãe habitualmente dormia com a sua bebé amarrada às costas pelas mesmas razões. Num período em que estivemos cerca de um mês sem ataques à povoação - apenas atacavam as colunas e as equipas de construção da estrada de Buba para Aldeia Formosa -, fomos atacados às cinco da manhã.

Essa mãe, que descansada, não amarrou a si a criança, fugiu para o abrigo e na precipitação deixou a criança na Morança. Reagiu e voltou atrás para recuperar a bebé. Uma granada de morteiro caíu em cima da casa e atingiu a mãe com vários estilhaços, impedindo-a de entrar e recuperar a bebé. A Morança ardeu e a criança ficou carbonizada. A mãe, tratei-a eu dos ferimentos fisicos e chorei com ela a perda da sua bebé. Ainda hoje parece que sinto os seus gritos de desespero e a sua vontade de morrer.

Em sua memória fiz um poema. Foi a forma de extravazar a dor que senti.

Uma granada,
Vinda não sei de onde,
Lançada não sei por quem,
Rebentou...
E aquela criança,
Que brincava além...
A morte a levou...
Na areia brincava...
E sua mãe,
Que seus paninhos lavava,
Estremeceu.
Num triste pressentimento
Seu olhar volveu...
Um grito ! ( desmaiou)
No preciso momento
Em que seu filho morreu...

Zé Teixeira

_____________

Notas de L.G.

(1) Contabane: ficava na estrada entre o Saltinho e Quebo (Aldeia Formosa)

(2) Vd. post de 31 de Dezembro de 2005 > Guiné 63/74 - CDVI: Maimuna, uma história de amor (José Teixeira)

Guiné 63/74 - DCX: A última parte do diário do Zé Teixeira

Guiné > Uma propaganda pérfida e cínica, a do regime de Salazar-Caetano, que criou nas populaçõe africanas a falsa (e trágica) ilusão de que eram portuguesas, tão portuguesas como os minhotos ou os alentejanos; por outro lado, minimizou e desprezou os combatentes do PAIGC, reduzindo-os ao estatuto de pobres mercenários, por conta de interesses estrangeiros, a quem se podia estender facilmente uma nota de 1000 pesos em troca da sua rendição e da entrega da sua arma... (LG)

© José Teixeira (2005)

Guiné > Material (muito pobre e tosco...) de propaganda das NT recolhido pelo ex- 1º cabo enfermeiro Teixeira (CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70).

Fica-se na dúvida sobre o público-alvo: os pobres soldados e quadros milicianos a quem era preciso incutir e reforçar permanentemente a ideia de que, na Guiné, era a Pátria que estava em perigo; ou os guineenses, que nem sequer sabiam onde ficava Lisboa e quem era o homem grande de Lisboa... (LG)

© José Teixeira (2005)


1. Texto do Zé Teixeira:

Olá, Luís: Estive sem computador uns dias, pelo que só agora voltei ao blogue e. . . não me queria sentir a estrela da companhia, mas da maneira como me pintas, até pareço ser. Olha que não era bem assim, apesar de já nessa altura sentir que todo o homem é meu irmão , mesmo os que estavam da outra banda da barricada.

Pedes-me para continuar a escrever coisas da minha memória... Ainda tenho uma pequena parte do Diário que não te enviei. A parte que falta é muito voltada para mim mesmo na sua maior parte, pois caminhava para o fim da comissão e tinha de me readaptar ao Zé Teixeira do antes da guerra. Claro que esta parte não vou pôr em comum. Mesmo assim parece-me que ainda tenho alguma coisa para reflectir com os tertulianos e a dar a conhecer mais algumas aventuras.

Brevemente enviarei a última parte.

Há naturalmente outras estórias para contar, mas face ao desenvolvimento do Blogue e sobretudo os últimos artigos que colocaste, parece-me que por muitas coisas que tenha para contar, ficarei sempre muito longe das estórias que os camaradas têm para pôr em comum. São estórias verdadeiras que se ouvia contar em surdina, mas que agora contadas pelos próprios até me arrepiam.

Curvo-me respeitosamente perante tantos mártires da Pátria, que morreram porque os senhores da nossa terra não eram dignos de ser portugueses, quanto mais líderes deste País de brandos costumes.

Foram cerca de 10.000 os jovens, em Angola, Moçambique e Guiné, que foram enviados para a morte, os quais já foram esquecidos. Mas também os que se entregaram a esse projecto, as milícias locais e a população ultramarina, aliciados pela máquina da propaganda segundo a qual eram portugueses... Quantos desses não faleceram durante a guerra ?!.... Mas também os outros, filhos valorosos da Guiné, que se bateram contra nós, com bravura, e que morreram. Estes, sim, por uma causa naturalmente justa.

Um fraternal abraço
do Zé Teixeira

Guiné 63/74 - DCX: A última parte do diário do Zé Teixeira

Guiné > Uma propaganda pérfida e cínica, a do regime de Salazar-Caetano, que criou nas populaçõe africanas a falsa (e trágica) ilusão de que eram portuguesas, tão portuguesas como os minhotos ou os alentejanos; por outro lado, minimizou e desprezou os combatentes do PAIGC, reduzindo-os ao estatuto de pobres mercenários, por conta de interesses estrangeiros, a quem se podia estender facilmente uma nota de 1000 pesos em troca da sua rendição e da entrega da sua arma... (LG)

© José Teixeira (2005)

Guiné > Material (muito pobre e tosco...) de propaganda das NT recolhido pelo ex- 1º cabo enfermeiro Teixeira (CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70).

Fica-se na dúvida sobre o público-alvo: os pobres soldados e quadros milicianos a quem era preciso incutir e reforçar permanentemente a ideia de que, na Guiné, era a Pátria que estava em perigo; ou os guineenses, que nem sequer sabiam onde ficava Lisboa e quem era o homem grande de Lisboa... (LG)

© José Teixeira (2005)


1. Texto do Zé Teixeira:

Olá, Luís: Estive sem computador uns dias, pelo que só agora voltei ao blogue e. . . não me queria sentir a estrela da companhia, mas da maneira como me pintas, até pareço ser. Olha que não era bem assim, apesar de já nessa altura sentir que todo o homem é meu irmão , mesmo os que estavam da outra banda da barricada.

Pedes-me para continuar a escrever coisas da minha memória... Ainda tenho uma pequena parte do Diário que não te enviei. A parte que falta é muito voltada para mim mesmo na sua maior parte, pois caminhava para o fim da comissão e tinha de me readaptar ao Zé Teixeira do antes da guerra. Claro que esta parte não vou pôr em comum. Mesmo assim parece-me que ainda tenho alguma coisa para reflectir com os tertulianos e a dar a conhecer mais algumas aventuras.

Brevemente enviarei a última parte.

Há naturalmente outras estórias para contar, mas face ao desenvolvimento do Blogue e sobretudo os últimos artigos que colocaste, parece-me que por muitas coisas que tenha para contar, ficarei sempre muito longe das estórias que os camaradas têm para pôr em comum. São estórias verdadeiras que se ouvia contar em surdina, mas que agora contadas pelos próprios até me arrepiam.

Curvo-me respeitosamente perante tantos mártires da Pátria, que morreram porque os senhores da nossa terra não eram dignos de ser portugueses, quanto mais líderes deste País de brandos costumes.

Foram cerca de 10.000 os jovens, em Angola, Moçambique e Guiné, que foram enviados para a morte, os quais já foram esquecidos. Mas também os que se entregaram a esse projecto, as milícias locais e a população ultramarina, aliciados pela máquina da propaganda segundo a qual eram portugueses... Quantos desses não faleceram durante a guerra ?!.... Mas também os outros, filhos valorosos da Guiné, que se bateram contra nós, com bravura, e que morreram. Estes, sim, por uma causa naturalmente justa.

Um fraternal abraço
do Zé Teixeira

Guiné 63/74 - DCIX: Salazar Saliú Queta, degolado pelos homens do PAIGC em Canjadude (José Martins)

Uma fotografia recentíssima do José Martins (ex-furriel miliciano de transmissões, da CCA 5, Canjadude, 1968/70), "tirada no meu lugar de meditação e recordação". © José Martins (2006)

1. Texto do José Martins (CCAÇ 5, Canjadude, 1968/70):

Caro João e, por extensão, caro Luís:

Estive a ler os últimos momentos passados em Canjadude.

Voltei a visitar aqueles lugares e é curioso que, após mais de trinta anos a seguir ao meu regresso, pela primeira vez não estive lá sozinho. Passados estes anos ao folhear o álbum de fotografias, cuja capa foi feita com o tecido do meu camuflado, foi folheado e comentado com a minha mulher a meu lado.

Pelo relato da última noite, calculo que a entrega do destacamento aos novos inquilinos não foi muito pacífica.

Em conversa com alguém que esteve lá contigo nos últimos dias - creio que o Capitão Miliciano Silva de Mendonça, de que já te enviei o contacto -, sei que pagaram aos africanos seis meses de pré e, como se o contrato de trabalho de muitos anos e muita lealdade tivesse terminado, disseram-lhes, em nome de quem nunca os conheceu e viveu junto deles, vão à vossa vida.

Também em conversa tida com o Capitão Figueiredo Barros, soube que o Salazar Saliú Queta, Soldado Africano da Psico-social, foi sumariamente executado, por degolação, assim que o PAIGC tomou conta do aquartelamento. Este relato foi feito pelo Fernando Saliu Queta, filho do nosso nharo.

Foi assim que se passou? Gostava de saber, já que estou a tentar escrever uma pequena resenha sobre a CCAÇ 5, além de pretender agregar alguns elementos para constituir a história da unidade com o maior número de factos possível.

Mudando de assunto.

Asim que me for possível, tentarei pôr em comum algumas fotos que retratam os mesmos locais das tuas fotos, mas quatro anos antes: o posto de rádio, o Aeroporto da Portela de Canjadude, o Clube Militar, a Parada do Aquartelamento, etc.

Espero também que alguns dos camaradas espalhados por este canteiro junto ao mar, que conheça Gatos Pretos, os encaminhem para este convívio, para que possamos trocar experiências e recordações e, quem sabe, promover um encontro (...).

Um forte abraço

José Martins


2. Resposta do João Carvalho (ex-furriel enfermeiro da CCAÇ 5, Canjadude, 1973/74)

Olá:

Agradeço o email. Não sei como mas passou-me completamente ao lado, na lista que me tinhas enviado do pessoal que esteve em Canjadude, o nome do meu ex-capitão Mendonça. Recordo-me muitíssimo bem dele. Lembro-me que ainda fui uma ou duas vezes a casa dele, mas depois perdi o contacto. Em algumas das fotos por mim enviadas, aparece o camarada Mendonça. Se falares com ele, pede-lhe o email, para juntar à tua lista, e para que eu também o possa contactar. Há por vezes promenores dos quais eu já não me lembro muito bem, e assim pode-se confirmar alguns factos, para repor a verdade.

Em relação ao Salazar (não o que caiu da bendita cadeira), o professor de Canjadude, desconhecia o facto da sua morte. Tenho imensa pena. Apesar de eu pessoalmente não simpatizar muito com ele, acho que não merecia uma morte dessas. A maldita guerra e os ajustes de contas, têm sido uma vergonha da sociedade ao longo dos milénios. Quem diria que no fim do século XX e princípio do XXI ainda se fazem coisas [dessas]...

Enquanto nós estivemos em Canjadude não tive conhecimento de nenhum acto semelhante a este que aconteceu ao Salazar. Devem ter esperado pela nossa saída.

Sabes, estes emails e o blogue do Luís têm mexido comigo. (Provavelmente com os camaradas acontece o mesmo). Parece-me um pouco, a terapia do stress pós-traumático. (Nem sempre é fácil...).

Um grande abraço
João Carvalho

Guiné 63/74 - DCIX: Salazar Saliú Queta, degolado pelos homens do PAIGC em Canjadude (José Martins)

Uma fotografia recentíssima do José Martins (ex-furriel miliciano de transmissões, da CCA 5, Canjadude, 1968/70), "tirada no meu lugar de meditação e recordação". © José Martins (2006)

1. Texto do José Martins (CCAÇ 5, Canjadude, 1968/70):

Caro João e, por extensão, caro Luís:

Estive a ler os últimos momentos passados em Canjadude.

Voltei a visitar aqueles lugares e é curioso que, após mais de trinta anos a seguir ao meu regresso, pela primeira vez não estive lá sozinho. Passados estes anos ao folhear o álbum de fotografias, cuja capa foi feita com o tecido do meu camuflado, foi folheado e comentado com a minha mulher a meu lado.

Pelo relato da última noite, calculo que a entrega do destacamento aos novos inquilinos não foi muito pacífica.

Em conversa com alguém que esteve lá contigo nos últimos dias - creio que o Capitão Miliciano Silva de Mendonça, de que já te enviei o contacto -, sei que pagaram aos africanos seis meses de pré e, como se o contrato de trabalho de muitos anos e muita lealdade tivesse terminado, disseram-lhes, em nome de quem nunca os conheceu e viveu junto deles, vão à vossa vida.

Também em conversa tida com o Capitão Figueiredo Barros, soube que o Salazar Saliú Queta, Soldado Africano da Psico-social, foi sumariamente executado, por degolação, assim que o PAIGC tomou conta do aquartelamento. Este relato foi feito pelo Fernando Saliu Queta, filho do nosso nharo.

Foi assim que se passou? Gostava de saber, já que estou a tentar escrever uma pequena resenha sobre a CCAÇ 5, além de pretender agregar alguns elementos para constituir a história da unidade com o maior número de factos possível.

Mudando de assunto.

Asim que me for possível, tentarei pôr em comum algumas fotos que retratam os mesmos locais das tuas fotos, mas quatro anos antes: o posto de rádio, o Aeroporto da Portela de Canjadude, o Clube Militar, a Parada do Aquartelamento, etc.

Espero também que alguns dos camaradas espalhados por este canteiro junto ao mar, que conheça Gatos Pretos, os encaminhem para este convívio, para que possamos trocar experiências e recordações e, quem sabe, promover um encontro (...).

Um forte abraço

José Martins


2. Resposta do João Carvalho (ex-furriel enfermeiro da CCAÇ 5, Canjadude, 1973/74)

Olá:

Agradeço o email. Não sei como mas passou-me completamente ao lado, na lista que me tinhas enviado do pessoal que esteve em Canjadude, o nome do meu ex-capitão Mendonça. Recordo-me muitíssimo bem dele. Lembro-me que ainda fui uma ou duas vezes a casa dele, mas depois perdi o contacto. Em algumas das fotos por mim enviadas, aparece o camarada Mendonça. Se falares com ele, pede-lhe o email, para juntar à tua lista, e para que eu também o possa contactar. Há por vezes promenores dos quais eu já não me lembro muito bem, e assim pode-se confirmar alguns factos, para repor a verdade.

Em relação ao Salazar (não o que caiu da bendita cadeira), o professor de Canjadude, desconhecia o facto da sua morte. Tenho imensa pena. Apesar de eu pessoalmente não simpatizar muito com ele, acho que não merecia uma morte dessas. A maldita guerra e os ajustes de contas, têm sido uma vergonha da sociedade ao longo dos milénios. Quem diria que no fim do século XX e princípio do XXI ainda se fazem coisas [dessas]...

Enquanto nós estivemos em Canjadude não tive conhecimento de nenhum acto semelhante a este que aconteceu ao Salazar. Devem ter esperado pela nossa saída.

Sabes, estes emails e o blogue do Luís têm mexido comigo. (Provavelmente com os camaradas acontece o mesmo). Parece-me um pouco, a terapia do stress pós-traumático. (Nem sempre é fácil...).

Um grande abraço
João Carvalho

05 março 2006

Guiné 63/74 - DCVIII: Mulheres e mães-coragem (Zélia Neno)

Guiné-Bissau > Saltinho > 2005 > Viúva de Chambel, régulo de Cantabane. Na pessoa desta mulher guineense, fica aqui uma singela homenagem da nossa tertúlia a todas as mulheres, mães, namoradas, esposas, amantes ou companheiras de todos os combatentes da guerra colonial ou da guerra de libertação (como queiram), de 1963 a 1974... (LG)

© José Teixeira (2006)

Texto da Zélia Neno:

Uma vez mais aqui estou, tentando não fugir ao tema generalista do blogue, vou falar de pessoas que também viveram o drama da Guerra Colonial mas tão pouco têm sido focadas em qualquer texto ou livro ao longo do tempo, e porque se está a aproximar o dia 8 de Março que, não sendo o da Mãe, é O DIA DA MULHER.

Porquê? Porque as mulheres que viveram esse período da Guerra Colonial não devem ser esquecidas. Algumas, militares, normalmente enfermeiras paraquedistas, que à época tiveram de ultrapassar certos tabus para seguir essa carreira de resignação (à família e ao meio que lhes era querido), de coragem e amor ao próximo, contribuindo para que muitos feridos sentissem seu sofrimento amenizado ou até conseguissem sobreviver, as quais bem merecem ser lembradas e reconhecidas.

As outras quem eram? - Simplesmente MULHERES. Algumas já esposas, que sofreram nessa qualidada, mas a minha singela e mais profunda homenagem é para todas aquelas Mães que deste lado do Oceano ficavam a orar a Deus e Nossa Senhora para que os filhos regressassem sãos e salvos, o que infelizmente nem sempre aconteceu, e mães houve que por lá tiveram mais do que um filho em simultâneo.

Hoje, como mãe, atrevo-me a perguntar: quem terá sofrido mais? Os filhos lutando naquela guerra, ou suas mães que, a tão longa distância, nada sabiam deles durante semanas e semanas, casos houve de meses e anos (caso dos aprisionados), alimentadas pela Esperança que as fazia aguardar ansiosamente notícias suas ou contando cada dia que ainda faltava para abraçar os seus queridos meninos?

Quantas noites elas não conseguiram dormir ? Quantas lágrimas, algumas de sangue, lhes marcaram os rostos? Será que “as mães desta guerra” também não sofreram ou sofrem (as que ainda vivem) de stress pós-traumático ou de qualquer outra doença mental, provocada por essa situação? Sofrimento num coração de mãe deixa marcas irreparáveis!

Ao percorrer algumas daquelas picadas, onde ainda se vê marcas das minas anticarro que ali deflagraram, decerto causando muito sofrimento, não consegui evitar que as lágrimas me corressem pela cara, nem sequer imaginar qual inferno eu teria vivido se tivesse sido uma dessas mães. Elas tinham “fibra”, eu não (ou penso que não).

Mãe é Mãe, foi e é no seu ventre que se forma (claro, com a ajuda de um pai) e se desenvolve aquele pequenino ser, que desde logo se torna tão importante em nossa vida mais até do que o ar que necessitamos para viver e que, quando crescidos e chegada a ocasião que pensamos ser a oportuna, embora a evolução do tempo nos induza às vezes a errar, temos que fazer como a águia, quando ainda no ninho seus filhotes já estão crescidos e aptos para voar, no mais supremo acto de amor, lhes dá o derradeiro empurrão para que descubram suas asas e aprendam a fazer uso delas, sempre sob a sua protecção, vivendo assim o privilégio de terem nascido.

Esta oportunidade nem sequer foi dada às mães dos ex-combatentes, pois foram obrigadas a vê-los partir, tão jovens ainda, com regresso incerto, ficando sem poder dar um carinho, uma palavra de conforto ou sua protecção quando eles mais precisavam, nem tão pouco saber da sua vivência diária, o que acontecia só quando algum aerograma chegava e casos houve em que nessa ocasião quem o escrevera já não se encontrava no mundo dos vivos.

Não posso nem devo esquecer todas as outras mulheres de raça negra, espalhadas pelas ex-colónias, pois também elas sofreram, como mães de combatentes, quer seus filhos se enquadrassem, como milícias, nas nossas fileiras quer nas do inimigo.

Como viviam em pleno cenário de guerra, mesmo sendo população civil, sofreram as dores físicas de ferimentos e amputações, viram suas crianças chorar e gemer pelo medo ou pela dor e até morrerem em seus braços sem nada poderem fazer para as salvar, pois em situações de ataques, o que viam elas em seu redor? Sofrimento e Destruição!

Estas são as MULHERES E MÃES-CORAGEM do meu país de então, Continental e Ultramarino, e é para elas esta minha homenagem escrita, póstuma para muitas delas mas não em vão.
Zélia Neno


N.B.- Perdoem-me se com estas palavras feri a sensibilidade de alguém, cuja mãe somente esteja viva em seu coração.

Guiné 63/74 - DCVIII: Mulheres e mães-coragem (Zélia Neno)

Guiné-Bissau > Saltinho > 2005 > Viúva de Chambel, régulo de Cantabane. Na pessoa desta mulher guineense, fica aqui uma singela homenagem da nossa tertúlia a todas as mulheres, mães, namoradas, esposas, amantes ou companheiras de todos os combatentes da guerra colonial ou da guerra de libertação (como queiram), de 1963 a 1974... (LG)

© José Teixeira (2006)

Texto da Zélia Neno:

Uma vez mais aqui estou, tentando não fugir ao tema generalista do blogue, vou falar de pessoas que também viveram o drama da Guerra Colonial mas tão pouco têm sido focadas em qualquer texto ou livro ao longo do tempo, e porque se está a aproximar o dia 8 de Março que, não sendo o da Mãe, é O DIA DA MULHER.

Porquê? Porque as mulheres que viveram esse período da Guerra Colonial não devem ser esquecidas. Algumas, militares, normalmente enfermeiras paraquedistas, que à época tiveram de ultrapassar certos tabus para seguir essa carreira de resignação (à família e ao meio que lhes era querido), de coragem e amor ao próximo, contribuindo para que muitos feridos sentissem seu sofrimento amenizado ou até conseguissem sobreviver, as quais bem merecem ser lembradas e reconhecidas.

As outras quem eram? - Simplesmente MULHERES. Algumas já esposas, que sofreram nessa qualidada, mas a minha singela e mais profunda homenagem é para todas aquelas Mães que deste lado do Oceano ficavam a orar a Deus e Nossa Senhora para que os filhos regressassem sãos e salvos, o que infelizmente nem sempre aconteceu, e mães houve que por lá tiveram mais do que um filho em simultâneo.

Hoje, como mãe, atrevo-me a perguntar: quem terá sofrido mais? Os filhos lutando naquela guerra, ou suas mães que, a tão longa distância, nada sabiam deles durante semanas e semanas, casos houve de meses e anos (caso dos aprisionados), alimentadas pela Esperança que as fazia aguardar ansiosamente notícias suas ou contando cada dia que ainda faltava para abraçar os seus queridos meninos?

Quantas noites elas não conseguiram dormir ? Quantas lágrimas, algumas de sangue, lhes marcaram os rostos? Será que “as mães desta guerra” também não sofreram ou sofrem (as que ainda vivem) de stress pós-traumático ou de qualquer outra doença mental, provocada por essa situação? Sofrimento num coração de mãe deixa marcas irreparáveis!

Ao percorrer algumas daquelas picadas, onde ainda se vê marcas das minas anticarro que ali deflagraram, decerto causando muito sofrimento, não consegui evitar que as lágrimas me corressem pela cara, nem sequer imaginar qual inferno eu teria vivido se tivesse sido uma dessas mães. Elas tinham “fibra”, eu não (ou penso que não).

Mãe é Mãe, foi e é no seu ventre que se forma (claro, com a ajuda de um pai) e se desenvolve aquele pequenino ser, que desde logo se torna tão importante em nossa vida mais até do que o ar que necessitamos para viver e que, quando crescidos e chegada a ocasião que pensamos ser a oportuna, embora a evolução do tempo nos induza às vezes a errar, temos que fazer como a águia, quando ainda no ninho seus filhotes já estão crescidos e aptos para voar, no mais supremo acto de amor, lhes dá o derradeiro empurrão para que descubram suas asas e aprendam a fazer uso delas, sempre sob a sua protecção, vivendo assim o privilégio de terem nascido.

Esta oportunidade nem sequer foi dada às mães dos ex-combatentes, pois foram obrigadas a vê-los partir, tão jovens ainda, com regresso incerto, ficando sem poder dar um carinho, uma palavra de conforto ou sua protecção quando eles mais precisavam, nem tão pouco saber da sua vivência diária, o que acontecia só quando algum aerograma chegava e casos houve em que nessa ocasião quem o escrevera já não se encontrava no mundo dos vivos.

Não posso nem devo esquecer todas as outras mulheres de raça negra, espalhadas pelas ex-colónias, pois também elas sofreram, como mães de combatentes, quer seus filhos se enquadrassem, como milícias, nas nossas fileiras quer nas do inimigo.

Como viviam em pleno cenário de guerra, mesmo sendo população civil, sofreram as dores físicas de ferimentos e amputações, viram suas crianças chorar e gemer pelo medo ou pela dor e até morrerem em seus braços sem nada poderem fazer para as salvar, pois em situações de ataques, o que viam elas em seu redor? Sofrimento e Destruição!

Estas são as MULHERES E MÃES-CORAGEM do meu país de então, Continental e Ultramarino, e é para elas esta minha homenagem escrita, póstuma para muitas delas mas não em vão.
Zélia Neno


N.B.- Perdoem-me se com estas palavras feri a sensibilidade de alguém, cuja mãe somente esteja viva em seu coração.

Guiné 63/74 - DCVII: A pensão do Seni Candé

1. Mensagem do Hugo Moura Ferreira, de 24 de Fevereiro de 2006

Meus amigos:

Tal como lhes tinha dito que ia fazer, visitei o Arquivo Geral do Exército, tentando encontrar algo relacionado com o Seni Candé, ou mesmo o seu processo individual.

Como eles ali não têm nada digitalizado, por enquanto no que se refere às PU (Províncias Ultramarinas), não foi possível pesquisar nada. Muito menos quanto à hipótese de ele ter adquirido aqui outros nomes por erro de registo.

Assim ali o que me disseram foi para que tentasse saber os nomes do pai e da mãe, já que com a data de nascimento apenas (10 de Fevereiro de 1947) não seria também possível.

Assim, para dar continuidade ao que me propus fazer queria pedir a ajuda, caso seja possivel, do Jorge Neto que talvez localmente consiga obter essa informação.

Ficarei a aguardar qualquer notícia para poder dar continuidade, embora nos pareça difícil alterar a situação.

No meu caso, só no FIM de todas as tentativas é que as classificarei de infrutíferas ou não. Mas até lá...um abraço.

Moura Ferreira


2. Resposta anterior do Jorge Neto, de 10 de Fevereiro de 2006: Caros tertulianos,

Pelas informações que consegui apurar não podemos fazer muito pelo Seni Candé (2), pelo menos para já. Parece que em 1982 o governo português passou para o governo guineense a responsabilidade do pagamento das pensões de reforma, invalidez, etc., dos antigos combatentes que haviam lutado no lado luso. Como devem imaginar, depois de 1982 nunca mais ninguém recebeu nada. Em troca, Portugal perdoou a dívida à Guiné-Bissau.

Assim sendo, actualmente a responsabilidade pelo pagamento das pensões a estes homens é do Estado guineense. Ao longo do fim-de-semana irei ainda estabelecer mais um contacto para averiguar tudo isto.

Só a título de curiosidade!... O homem faz anos hoje. Estive a ouvir as gravações outra vez e apercebi-me que nasceu a 10/02/47.

Um bom fim-de-semana,

JN (Africanidades)

__________

(1) Vd. posts de:

8 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - DVI: As (des)venturas de Seni Candé (Jorge Neto)

10 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - DXVI: O Seni Candé da minha CCAÇ 6 (Moura Ferreira)

(2) Vd. post de 9 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - DX: O abandono do Seni Candé (Zé Neto)

Guiné 63/74 - DCVII: A pensão do Seni Candé

1. Mensagem do Hugo Moura Ferreira, de 24 de Fevereiro de 2006

Meus amigos:

Tal como lhes tinha dito que ia fazer, visitei o Arquivo Geral do Exército, tentando encontrar algo relacionado com o Seni Candé, ou mesmo o seu processo individual.

Como eles ali não têm nada digitalizado, por enquanto no que se refere às PU (Províncias Ultramarinas), não foi possível pesquisar nada. Muito menos quanto à hipótese de ele ter adquirido aqui outros nomes por erro de registo.

Assim ali o que me disseram foi para que tentasse saber os nomes do pai e da mãe, já que com a data de nascimento apenas (10 de Fevereiro de 1947) não seria também possível.

Assim, para dar continuidade ao que me propus fazer queria pedir a ajuda, caso seja possivel, do Jorge Neto que talvez localmente consiga obter essa informação.

Ficarei a aguardar qualquer notícia para poder dar continuidade, embora nos pareça difícil alterar a situação.

No meu caso, só no FIM de todas as tentativas é que as classificarei de infrutíferas ou não. Mas até lá...um abraço.

Moura Ferreira


2. Resposta anterior do Jorge Neto, de 10 de Fevereiro de 2006: Caros tertulianos,

Pelas informações que consegui apurar não podemos fazer muito pelo Seni Candé (2), pelo menos para já. Parece que em 1982 o governo português passou para o governo guineense a responsabilidade do pagamento das pensões de reforma, invalidez, etc., dos antigos combatentes que haviam lutado no lado luso. Como devem imaginar, depois de 1982 nunca mais ninguém recebeu nada. Em troca, Portugal perdoou a dívida à Guiné-Bissau.

Assim sendo, actualmente a responsabilidade pelo pagamento das pensões a estes homens é do Estado guineense. Ao longo do fim-de-semana irei ainda estabelecer mais um contacto para averiguar tudo isto.

Só a título de curiosidade!... O homem faz anos hoje. Estive a ouvir as gravações outra vez e apercebi-me que nasceu a 10/02/47.

Um bom fim-de-semana,

JN (Africanidades)

__________

(1) Vd. posts de:

8 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - DVI: As (des)venturas de Seni Candé (Jorge Neto)

10 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - DXVI: O Seni Candé da minha CCAÇ 6 (Moura Ferreira)

(2) Vd. post de 9 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - DX: O abandono do Seni Candé (Zé Neto)

Guiné 63/74 - DCVI: A dolce vita de Canjadude, até ao dia 27 de Abril de 1973 (João Carvalho)


Guiné > Zona leste > Algures > 1973 > Uma Daimler, avariada, é levada em cima de uma GMC... Sítio ? Talvez Bambadinca, talvez Bafatá, junto ao Rio Geba... quando o João Carvalho veio de férias à metrópole... © João Carvalho (2006).


Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > 1973 > O Bar da CCAÇ 5, onde se fizeram muitos terrafianços. © João Carvalho (2006).

Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > 1973 > O sentido de humor dos tugas da CCAÇ 5: Placa, em pedra, que sinaliza o "Aeroporto da Portela de Canjadude", com data de 2-11-68, e que tem a assinatura da CCAÇ 5 / CART 2338. © João Carvalho (2006)



Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > 1973 > Posto de rádio da CCAÇ 5
"onde eu, ilegalmente, muitas vezes passei umas boas horas a jogar King" (JC) © João Carvalho (2006).



Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > 1973 > Um furriel miliciano enfermeiro... em serviço no posto de rádio. © João Carvalho (2006).



Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > 1973 > O João Carvalho deve ter batido umas boas sonecas neste cadeirão, no posto de rádio... © João Carvalho (2006)

Olá Luís

Venho complementar a informação descrita no aerograma sobre o ataque a Canjadude em 27 de Abril de 1973, com mísseis terra-terra Katyusha (1).

1 - A razão da existência de um Unimog estacionado (contra a qual eu choquei) num local em que não era habitual haver viaturas foi a seguinte:

Tinha sido enviado para Canjadude um grupo de milícia africana para uma operação. Qual a finalidade ou objectivo dessa operação, eu desconheço. Sei é que esse grupo foi transportado desde Nova Lamego até Canjadude no referido Mercedes Unimog.

2 - Depois do ataque, constou que os mísseis não teriam sido levados para aquela zona, com a finalidade de serem lançados sobre Canjadude, mas sim sobre Nova Lamego e que o que originou a alteração dos alvos teria sido o PAIGC ter detectado (ou ter sido perseguido por) o grupo de milícias.

Não sei se esta versão corresponderá à realidade, nem se alguém terá dados para confirmá-la ou desmenti-la. O que me leva a supor que haja pelo menos um mínimo de verdade nisto, é que em todo o tempo que estive em Canjadude,esta foi a única vez que um grupo exterior à companhia CCAÇ 5 passou por lá para uma operação.

Observações pessoais:

Será que haveria informações que o PAIGC iria atacar Nova Lamego? Terá sido por isso que foi enviado um grupo de milícias para tentar que isso não acontecesse ? É evidente que atacar com mísseis Nova Lamego ou Canjadude, o impacto político-militar seria muito diferente:
- Manga de ronco!!! - diríamos nós, na época. Ou melhor: já não me lembro bem se a expressão utilizada era esta para grande façanha).


Anexo duas fotos a cores, mais algumas, a preto e branco, que ilustram a calmaria - direi mais, a dolce vita ! - em que se vivia em Canjadude, antes do famoso ataque com foguetões:

(i) Uma tirada quando vim de férias à Metrópole: uma Daimler, avariada, em cima de um GMC, talvez em Bambadinca... (a memória é fraca, se alguém me confirmar, eu agradeço!).

(ii) O nosso bar em Canjadude, vendo-se um dos bancos em que eu estava sentado quando se ouviu o lançamento dos mísseis terra-terra Katyusha. Neste bar foram feitos muitos terrafianços. (Não sei se a expressão era utilizada também nas outras companhias para designar farras com muita, muita, bebida).

Abraços para ti e para todos os tertulianos

João Carvalho

__________

Nota de L.G.:

(1) Vd post de 5 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - CDXCIX: O ataque de foguetões a Canjadude, em Abril de 1973 (João Carvalho)

Guiné 63/74 - DCVI: A dolce vita de Canjadude, até ao dia 27 de Abril de 1973 (João Carvalho)


Guiné > Zona leste > Algures > 1973 > Uma Daimler, avariada, é levada em cima de uma GMC... Sítio ? Talvez Bambadinca, talvez Bafatá, junto ao Rio Geba... quando o João Carvalho veio de férias à metrópole... © João Carvalho (2006).


Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > 1973 > O Bar da CCAÇ 5, onde se fizeram muitos terrafianços. © João Carvalho (2006).

Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > 1973 > O sentido de humor dos tugas da CCAÇ 5: Placa, em pedra, que sinaliza o "Aeroporto da Portela de Canjadude", com data de 2-11-68, e que tem a assinatura da CCAÇ 5 / CART 2338. © João Carvalho (2006)



Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > 1973 > Posto de rádio da CCAÇ 5
"onde eu, ilegalmente, muitas vezes passei umas boas horas a jogar King" (JC) © João Carvalho (2006).



Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > 1973 > Um furriel miliciano enfermeiro... em serviço no posto de rádio. © João Carvalho (2006).



Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > 1973 > O João Carvalho deve ter batido umas boas sonecas neste cadeirão, no posto de rádio... © João Carvalho (2006)

Olá Luís

Venho complementar a informação descrita no aerograma sobre o ataque a Canjadude em 27 de Abril de 1973, com mísseis terra-terra Katyusha (1).

1 - A razão da existência de um Unimog estacionado (contra a qual eu choquei) num local em que não era habitual haver viaturas foi a seguinte:

Tinha sido enviado para Canjadude um grupo de milícia africana para uma operação. Qual a finalidade ou objectivo dessa operação, eu desconheço. Sei é que esse grupo foi transportado desde Nova Lamego até Canjadude no referido Mercedes Unimog.

2 - Depois do ataque, constou que os mísseis não teriam sido levados para aquela zona, com a finalidade de serem lançados sobre Canjadude, mas sim sobre Nova Lamego e que o que originou a alteração dos alvos teria sido o PAIGC ter detectado (ou ter sido perseguido por) o grupo de milícias.

Não sei se esta versão corresponderá à realidade, nem se alguém terá dados para confirmá-la ou desmenti-la. O que me leva a supor que haja pelo menos um mínimo de verdade nisto, é que em todo o tempo que estive em Canjadude,esta foi a única vez que um grupo exterior à companhia CCAÇ 5 passou por lá para uma operação.

Observações pessoais:

Será que haveria informações que o PAIGC iria atacar Nova Lamego? Terá sido por isso que foi enviado um grupo de milícias para tentar que isso não acontecesse ? É evidente que atacar com mísseis Nova Lamego ou Canjadude, o impacto político-militar seria muito diferente:
- Manga de ronco!!! - diríamos nós, na época. Ou melhor: já não me lembro bem se a expressão utilizada era esta para grande façanha).


Anexo duas fotos a cores, mais algumas, a preto e branco, que ilustram a calmaria - direi mais, a dolce vita ! - em que se vivia em Canjadude, antes do famoso ataque com foguetões:

(i) Uma tirada quando vim de férias à Metrópole: uma Daimler, avariada, em cima de um GMC, talvez em Bambadinca... (a memória é fraca, se alguém me confirmar, eu agradeço!).

(ii) O nosso bar em Canjadude, vendo-se um dos bancos em que eu estava sentado quando se ouviu o lançamento dos mísseis terra-terra Katyusha. Neste bar foram feitos muitos terrafianços. (Não sei se a expressão era utilizada também nas outras companhias para designar farras com muita, muita, bebida).

Abraços para ti e para todos os tertulianos

João Carvalho

__________

Nota de L.G.:

(1) Vd post de 5 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - CDXCIX: O ataque de foguetões a Canjadude, em Abril de 1973 (João Carvalho)

04 março 2006

Guiné 63/74 - DCV: A última noite em Canjadude (CCAÇ 5) (João Carvalho)

Guiné > Região do Gabu > Canjadude > CCAÇ 5 > 1974 > A azáfama dos últimos dias ...© João Carvalho (2006)

Guiné > Bissau > 1974 > A peluda à vista para os tugas da CCAÇ 5... © João Carvalho (2006)

Olá, Luís:

A fotos que se publicam,em anexo, mostram: a primeira, os preparativos para a saída definitiva das NT de Canjadude, após a independência; a segunda, a chegada a Bissau, ao QG, para em seguida apanharmos o avião de volta à Metropole.

Relacionado com a retirada das NT de Canjadude, vou contar-te mais um dos episódios por que passei nesses lugares longínquos, mas que não nos saiem da memória.



A última noite em Canjadude


Finalmente chegou o dia! Pegar nos trapos e deixar Canjadude para regressar à metrópole. Peluda!!! Aquele regresso tão ansiosamente esperado!!!

Carregam-se as Berliet Tramagal e os Mercedes Unimog, com tudo o que era possível lá encaixar: caixotes com armamento, malas, etc, etc. A azáfama é grande, pois a quantidade de tralha para trazer é enorme e o dia é curto.

Com o aproximar do fim do dia, constatando-se que era quase impossível carregar tudo, foi decidido que partiria nesse dia uma coluna em direcção a Nova Lamego e que no dia seguinte algumas viaturas voltariam a Canjadude para transportar o resto, assim como um mini grupo das NT que ainda ficavam uma noite a tomar conta do resto dos pertences. Fui incluído nos que ficavam.

Depois de assistir à partida da coluna, dirigi-me para o abrigo, para me deitar um bocado, pois carregar viaturas deixa-nos um pouco cansados.

Como o abrigo já tinha diversas camas sem ocupação, pois os camaradas já tinham partido, as camas vagas foram ocupadas pelas tropas do PAIGC (ex-IN).

Nessa altura começaram os problemas. Um dos nossos camaradas furriéis do mini grupo (não me lembro qual) quis tirar o seu armário (caixote), para ir dar a um dos nossos soldados africanos que vivia na tabanca e a quem já o tinha prometido há muito.

Um dos soldados do PAIGC começou a refilar, porque aquilo agora era deles e que dalí não saia nada. A situação começou a ficar um bocado esquisita, se assim se pode dizer. Os ex-IN, deitados, com garrafas de cerveja (manga delas) e Kalashnikov na mão, não davam bom agouro àquela noite.

Saímos do abrigo e fizemos uma mini-reunião. A partida era complicada. Ainda havia bastante tralha para carregar e a única viatura existente era uma Berliet que tinha um buraco enorme no radiador.

A probabilidade de chegar a Nova Lamego durante a noite e com uma viatura naquele estado, era bastante remota. A alternativa era ficar e esperar que nada de grave acontecesse.

Foi decidido partir. Mesmo com a grande probabilidade de passar a noite no meio da picada, era mais seguro do que ficar.

Carregámos a Berliet de tal forma que, lá em cima da tralha, quase era necessário fazer equilibrio para não vir parar ao meio do chão. O nosso camarada mecânico resolveu improvisar (como bom português) e deitou no radiador água e cimento (sim, cimento em pó!).

Finalmente partimos. Pelo caminho, andando muito devagar devido à carga instável, fomos sempre deitando água (a pouca que conseguimos transportar) no radiador da bendita Berliet.

Já perto do final da picada, relativamente próximo da estrada alcatroada, fomos encontrar, para nosso espanto, parte das viaturas que tinham saído, ainda durante o dia, de Canjadude (Avarias também acontecem às máquinas que parecem estar em bom estado).

O mini grupo chegou ainda nessa noite a Nova Lamego, enquanto as viaturas que avariaram na picada, tiveram de esperar pelo dia seguinte para serem rebocadas.

Estas nossas estadias por aquela maravilhosa África foram cheias de pequenos episódios bons e maus, mas que nos marcaram, não há dúvida nenhuma.

João Carvalho

Guiné 63/74 - DCV: A última noite em Canjadude (CCAÇ 5) (João Carvalho)

Guiné > Região do Gabu > Canjadude > CCAÇ 5 > 1974 > A azáfama dos últimos dias ...© João Carvalho (2006)

Guiné > Bissau > 1974 > A peluda à vista para os tugas da CCAÇ 5... © João Carvalho (2006)

Olá, Luís:

A fotos que se publicam,em anexo, mostram: a primeira, os preparativos para a saída definitiva das NT de Canjadude, após a independência; a segunda, a chegada a Bissau, ao QG, para em seguida apanharmos o avião de volta à Metropole.

Relacionado com a retirada das NT de Canjadude, vou contar-te mais um dos episódios por que passei nesses lugares longínquos, mas que não nos saiem da memória.



A última noite em Canjadude


Finalmente chegou o dia! Pegar nos trapos e deixar Canjadude para regressar à metrópole. Peluda!!! Aquele regresso tão ansiosamente esperado!!!

Carregam-se as Berliet Tramagal e os Mercedes Unimog, com tudo o que era possível lá encaixar: caixotes com armamento, malas, etc, etc. A azáfama é grande, pois a quantidade de tralha para trazer é enorme e o dia é curto.

Com o aproximar do fim do dia, constatando-se que era quase impossível carregar tudo, foi decidido que partiria nesse dia uma coluna em direcção a Nova Lamego e que no dia seguinte algumas viaturas voltariam a Canjadude para transportar o resto, assim como um mini grupo das NT que ainda ficavam uma noite a tomar conta do resto dos pertences. Fui incluído nos que ficavam.

Depois de assistir à partida da coluna, dirigi-me para o abrigo, para me deitar um bocado, pois carregar viaturas deixa-nos um pouco cansados.

Como o abrigo já tinha diversas camas sem ocupação, pois os camaradas já tinham partido, as camas vagas foram ocupadas pelas tropas do PAIGC (ex-IN).

Nessa altura começaram os problemas. Um dos nossos camaradas furriéis do mini grupo (não me lembro qual) quis tirar o seu armário (caixote), para ir dar a um dos nossos soldados africanos que vivia na tabanca e a quem já o tinha prometido há muito.

Um dos soldados do PAIGC começou a refilar, porque aquilo agora era deles e que dalí não saia nada. A situação começou a ficar um bocado esquisita, se assim se pode dizer. Os ex-IN, deitados, com garrafas de cerveja (manga delas) e Kalashnikov na mão, não davam bom agouro àquela noite.

Saímos do abrigo e fizemos uma mini-reunião. A partida era complicada. Ainda havia bastante tralha para carregar e a única viatura existente era uma Berliet que tinha um buraco enorme no radiador.

A probabilidade de chegar a Nova Lamego durante a noite e com uma viatura naquele estado, era bastante remota. A alternativa era ficar e esperar que nada de grave acontecesse.

Foi decidido partir. Mesmo com a grande probabilidade de passar a noite no meio da picada, era mais seguro do que ficar.

Carregámos a Berliet de tal forma que, lá em cima da tralha, quase era necessário fazer equilibrio para não vir parar ao meio do chão. O nosso camarada mecânico resolveu improvisar (como bom português) e deitou no radiador água e cimento (sim, cimento em pó!).

Finalmente partimos. Pelo caminho, andando muito devagar devido à carga instável, fomos sempre deitando água (a pouca que conseguimos transportar) no radiador da bendita Berliet.

Já perto do final da picada, relativamente próximo da estrada alcatroada, fomos encontrar, para nosso espanto, parte das viaturas que tinham saído, ainda durante o dia, de Canjadude (Avarias também acontecem às máquinas que parecem estar em bom estado).

O mini grupo chegou ainda nessa noite a Nova Lamego, enquanto as viaturas que avariaram na picada, tiveram de esperar pelo dia seguinte para serem rebocadas.

Estas nossas estadias por aquela maravilhosa África foram cheias de pequenos episódios bons e maus, mas que nos marcaram, não há dúvida nenhuma.

João Carvalho

Guiné 63/74 - DCIV: Os últimos dias de Canjadude (fotos de João Carvalho)

Olá, Luís!

Se não me pedes para parar, não sei onde vais arranjar espaço para guardar tantas fotos.

Envio-te mais umas fotos, com as respectivas legendas, todas relacionadas com a partida em definitivo de Canjadude (1).

Um abraço

João Carvalho (ex-furriel mil enfermeiro, CCaç 5 - Os Gatos Pretos, Canjadude, 1973/74)




Guiné > Região do Gabu > Canjadude > CCAÇ 5 > 1974 > Queima da papelada existente que não podia ser trazida e que não devia cair nas mãos do ex-IN, na altura da entrega do aquartelamento aos novos senhores da Guiné (JC).

Comentário de LG: Presumo que tenham sido dias de sentimentos contraditórios, de alívio e de tristeza... Para os africanos, para os verdadeiros gatos pretos, dias de tensão e de apreensão... Ou não ? Para os tugas, por sua vez, terão sido dias de descompressão, cantarolando o Hino da Velhice (2)...


© João Carvalho (2006)

Guiné > Região do Gabu > Canjadude > CCAÇ 5 > 1974 > Penso que esta foto se refere à entrega da farda e armamento, por parte dos nossos soldadoa africanos. Não me lembro se também tinha a ver com o receber o último pré (JC).

Comentário de LG: O que terão pensado os teus gatos pretos, agora abandonados pelos tugas ? Como terão vivido os dias que antecederam a chegada dos guerrilheiros do PAIGC, seus inimigos de muitos anos ? © João Carvalho (2006)


Guiné > Região do Gabu > Canjadude > CCAÇ 5 > 1974 > O pessoal da tabanca teve autorização para ficar com os bidões vazios. Foi uma verdadeira corrida para ver quem conseguia ficar com eles (JC).

Comentário de LG: Fracos despojos de guerra...

© João Carvalho (2006)

________

Notas de L.G.

(1) Vd. post de 23 de Janeiro de 2006 > Guiné 63/74 - CDLXXIV: O nosso fotógrafo em Canjadude (CCAÇ 5, 1973/74)

Guiné > Canjadude > 1974 > O PAIGC toma posse do antigo aquartelamento da CCAÇ 5 e hasteia a bandeira da nova República da Guiné-Bissau, na presença da população local (fula) e dos poucos brancos, fardados, da CCAÇ 5 ...

Fonte: João Carvalho / Wikipédia > Guerra do Ultramar (2006)

(2) Vd. post de 28 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - DXCIII: Cancioneiro de Canjadude (CCAÇ 5, Gatos Pretos)

Hino da Velhice

Ai....
Tirem-me daqui,
Mandem-me p'ra Metrópole,
Que eu estou a ficar maluco, maluco, maluco,
Quero ir daqui embora!...

Já lá vem o meu periquito
A saltar na bolanha,
Quando for daqui para fora
Nunca mais ninguém me apanha.

Quero ir embarcar...
E à Metrópole voltar...

Refrão

Despedidas eu vou fazer
E a arma entregar.
Depois então vou receber
A guia p'ra marchar.

Quero ir embarcar...
E à Metrópole voltar...

Guiné 63/74 - DCIV: Os últimos dias de Canjadude (fotos de João Carvalho)

Olá, Luís!

Se não me pedes para parar, não sei onde vais arranjar espaço para guardar tantas fotos.

Envio-te mais umas fotos, com as respectivas legendas, todas relacionadas com a partida em definitivo de Canjadude (1).

Um abraço

João Carvalho (ex-furriel mil enfermeiro, CCaç 5 - Os Gatos Pretos, Canjadude, 1973/74)




Guiné > Região do Gabu > Canjadude > CCAÇ 5 > 1974 > Queima da papelada existente que não podia ser trazida e que não devia cair nas mãos do ex-IN, na altura da entrega do aquartelamento aos novos senhores da Guiné (JC).

Comentário de LG: Presumo que tenham sido dias de sentimentos contraditórios, de alívio e de tristeza... Para os africanos, para os verdadeiros gatos pretos, dias de tensão e de apreensão... Ou não ? Para os tugas, por sua vez, terão sido dias de descompressão, cantarolando o Hino da Velhice (2)...


© João Carvalho (2006)

Guiné > Região do Gabu > Canjadude > CCAÇ 5 > 1974 > Penso que esta foto se refere à entrega da farda e armamento, por parte dos nossos soldadoa africanos. Não me lembro se também tinha a ver com o receber o último pré (JC).

Comentário de LG: O que terão pensado os teus gatos pretos, agora abandonados pelos tugas ? Como terão vivido os dias que antecederam a chegada dos guerrilheiros do PAIGC, seus inimigos de muitos anos ? © João Carvalho (2006)


Guiné > Região do Gabu > Canjadude > CCAÇ 5 > 1974 > O pessoal da tabanca teve autorização para ficar com os bidões vazios. Foi uma verdadeira corrida para ver quem conseguia ficar com eles (JC).

Comentário de LG: Fracos despojos de guerra...

© João Carvalho (2006)

________

Notas de L.G.

(1) Vd. post de 23 de Janeiro de 2006 > Guiné 63/74 - CDLXXIV: O nosso fotógrafo em Canjadude (CCAÇ 5, 1973/74)

Guiné > Canjadude > 1974 > O PAIGC toma posse do antigo aquartelamento da CCAÇ 5 e hasteia a bandeira da nova República da Guiné-Bissau, na presença da população local (fula) e dos poucos brancos, fardados, da CCAÇ 5 ...

Fonte: João Carvalho / Wikipédia > Guerra do Ultramar (2006)

(2) Vd. post de 28 de Fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - DXCIII: Cancioneiro de Canjadude (CCAÇ 5, Gatos Pretos)

Hino da Velhice

Ai....
Tirem-me daqui,
Mandem-me p'ra Metrópole,
Que eu estou a ficar maluco, maluco, maluco,
Quero ir daqui embora!...

Já lá vem o meu periquito
A saltar na bolanha,
Quando for daqui para fora
Nunca mais ninguém me apanha.

Quero ir embarcar...
E à Metrópole voltar...

Refrão

Despedidas eu vou fazer
E a arma entregar.
Depois então vou receber
A guia p'ra marchar.

Quero ir embarcar...
E à Metrópole voltar...

03 março 2006

Guiné 63/74 - DCIII: Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640 (Manuel Mata) (2)

Aqui vai o resto das fotos enviadas pelo Manuel Mata, ex-1º cabo apontador de Carros de Combate M 47, do Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640 (Bafatá, 1969/71)(1). II Parte da história desta unidade.




Guiné > Zona Leste > Bafatá > Sede do Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640. Na foto, o nosso camarada de pé, em cima de uma viatura Auto-Metralhadora Daimler. Ao fundo, o famoso cartaz, visível dos ares: "Aqui mora a cavalaria!"...

© Manuel Mata (2006)



Guiné > Zona Leste > Bafatá > Uma AM Fox, em reparação na oficina do Esquadrão... Este tipo de viaturas blindadas adaptava-se mal às difíceis condições do terreno na Guiné... Não me lembro de ter visto muitas a andar pelos seus próprios meios nos sítios por onde andei... Imagino a trabalheira que terá sido trazê-las até aqui" ... (LG)

© Manuel Mata (2006)


Guiné > Zona Leste > Bafatá > Duas viaturas White estacionadads junto à catedral da cidade... Nunca as vi integradas em colunas logísticas lá para os meus lados (Sector L1, triângulo Xime - Bambadinca - Xitole). Nas nossas picadas, em tempo de chuva, afundar-se-iam inevitavelmente... Nas ruas (alcatroadas) de Bafatá não se portavam mal... Mesmo assim, eram capazes de meter algum respeito aos atrevidos guerrilheiros do PAIGC que nos emboscavam e faziam a vida negra (LG)

© Manuel Mata (2006)

Guiné > Zona Leste > Bafatá > Viatura White com a sua guarnição completa... Uma recordação para a posteridade... Espero que haja mais camaradas, de preferência da arma de cavalaria, que completem estas lacónicas e mal alinhavadas legendas... (LG)


© Manuel Mata (2006)

_____________

(1) Vd post de 2 de Março de 2006 > Guiné 63/74 - DXCVII: Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640 (Bafatá, 1969/71) (Manuel Mata) (1)

Guiné 63/74 - DCIII: Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640 (Manuel Mata) (2)

Aqui vai o resto das fotos enviadas pelo Manuel Mata, ex-1º cabo apontador de Carros de Combate M 47, do Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640 (Bafatá, 1969/71)(1). II Parte da história desta unidade.




Guiné > Zona Leste > Bafatá > Sede do Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640. Na foto, o nosso camarada de pé, em cima de uma viatura Auto-Metralhadora Daimler. Ao fundo, o famoso cartaz, visível dos ares: "Aqui mora a cavalaria!"...

© Manuel Mata (2006)



Guiné > Zona Leste > Bafatá > Uma AM Fox, em reparação na oficina do Esquadrão... Este tipo de viaturas blindadas adaptava-se mal às difíceis condições do terreno na Guiné... Não me lembro de ter visto muitas a andar pelos seus próprios meios nos sítios por onde andei... Imagino a trabalheira que terá sido trazê-las até aqui" ... (LG)

© Manuel Mata (2006)


Guiné > Zona Leste > Bafatá > Duas viaturas White estacionadads junto à catedral da cidade... Nunca as vi integradas em colunas logísticas lá para os meus lados (Sector L1, triângulo Xime - Bambadinca - Xitole). Nas nossas picadas, em tempo de chuva, afundar-se-iam inevitavelmente... Nas ruas (alcatroadas) de Bafatá não se portavam mal... Mesmo assim, eram capazes de meter algum respeito aos atrevidos guerrilheiros do PAIGC que nos emboscavam e faziam a vida negra (LG)

© Manuel Mata (2006)

Guiné > Zona Leste > Bafatá > Viatura White com a sua guarnição completa... Uma recordação para a posteridade... Espero que haja mais camaradas, de preferência da arma de cavalaria, que completem estas lacónicas e mal alinhavadas legendas... (LG)


© Manuel Mata (2006)

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(1) Vd post de 2 de Março de 2006 > Guiné 63/74 - DXCVII: Esquadrão de Reconhecimento Fox 2640 (Bafatá, 1969/71) (Manuel Mata) (1)

Guiné 63/74 - DCII: Horácio Ramos, presente!! (BCAV 2867, Tite, 1979/70)

1. Texto do João Martins:

Caros Camaradas:

Estive há poucas horas a falar com o Fernando Fraquito que me confirmou que o pai pertenceu ao BCAV 2867. Prometi emviar-lhe novos elementos, que seguem em anexo.

Resta agora que alguém que tenha conhecido o Horácio, que entre em contacto com o Fernando, para ele obter aquilo porque anseia.

Creio que, quando houver um encontro desta unidade, ele vai estar na fila de frente.

Um forte abraço

José Martins

2. Mensagem do Fernando Fraquito:

Olá, bom dia, Sr. José Martins:

Quero agradecer do fundo do coração toda a ajuda que me tem prestado, toda a simpatia e disponibilidade.

Na caderneta militar do meu pai está, de facto, indicação de que pertenceu à CCS Batalhão de Cavalaria 2867.

Dados completos:

Nome: Horácio Martinho Ramos

Natural de Colos, concelho de Odemira

Nº Militar: 075576/68

Gostaria muito de encontrar antigos camaradas do meu pai na Guiné e participar num encontro/almoço se possível, ficaria muito honrado e grato, é como o cumprir de uma ultima missão pelo meu pai.

Os meus maiores cumprimentos

Fernando Manuel Ramos Martinho Fraquito

__________________________

BATALHÃO DE CAVALARIA 2867

Unidade Mobilizadora > Regimento de Cavalaria 3, em Estremoz

Comandante > TCor Cav José Luís Trinité Rosa
2º Comandante > Maj Cav Francisco José Martins Ferreira
O Inf Op/Adj > Maj Cav Carlos Dias Antunes
Comandantes CCS > Cap Mil Art Carlos Pedro da Fonseca e Silva / Cap Mil Art Mário Pais Mexia Leitão

Divisa >"SOMOS COMO SOMOS"

Partida em 23 de Fevereiro de 1969; desembarque em 1 de Março de 1969; e regresso em 23 de Dezembro de 1970.

Em 3 de Março de 1969 assumiu a responsabilidade do Sector S1, com sede em Tite, abrangendo os subsectores de Tite, Nova Sintra, Jabadá e Fulacunda, mantendo as suas subunidades enquadradas no seu dispositivo.

Desenvolveu actividade operacional de patrulhamento, reconhecimento, batidas, emboscadas e controlo de itinerários, coordenando as suas subunidades em várias operações em que se destacam: ARMAS LEAIS, GERÊS, 3ª ESTOCADA, 4ª BATALHA, 6º DESFORÇO, ANDAR LIGEIRO e GRANDE RODA.

Do material que capturou, destaca-se: 4 metralhadoras ligeiras, 6 pistolas-metralhadoras, 12 espingardas e 5 lança-granadas foguete.

Companhia de Cavalaria 2482

Comandante > Cap Cav > Henrique de Carvalho Morais

Assumiu o subsector de Tite em 2 de Março de 1969

Foi transferida para Fulacunda em 30 de Junho de 1969.

Foi rendida em 14 de Dezembro de 1970, recolhendo a Bissau para regresso à Metrópole

Companhia de Cavalaria 2483

Comandantes > Cap Cav Joaquim Manuel Correia Bernardo / Cap Mil Art João José Pires de Almeida Loureiro / Cap Mil Art Ricardo José Prego Gamado

Assumiu o subsector de Nova Sintra em 31 de Maio de 1969, destacando um pelotão para S. João.

Foi transferida para Tite em 23 de Setembro de 1970 com função de intervenção e quadrícula. Foi rendida em 14 de Dezembro de 1970, recolhendo a Bissau para regresso à Metrópole.

Companhia de Cavalaria 2484

Comandante > Cap Cav José Guilherme Paixão Ferreira Durão

Assumiu o subsector de Jabadá em 4 de Março de 1969.

Destacou, entre 3 de Novembro de 1969 e 9 de Novembro de 1969, três pelotões para Tite. Foi rendida em 9 de Dezembro de 1970, recolhendo a Bissau para regresso à Metrópole.

Fontes:

História da Unidade – Arquivo Histórico Militar (Caixa 126 – 2ª divisão – 4ª Secção)

© Resenha Histórico-Militar das Campanhas de Africa (1961-1974). 7º Volume/Tomo II – Fichas das Unidades – Guiné. Condensação de José Martins – Março 2006

Guiné 63/74 - DCII: Horácio Ramos, presente!! (BCAV 2867, Tite, 1979/70)

1. Texto do João Martins:

Caros Camaradas:

Estive há poucas horas a falar com o Fernando Fraquito que me confirmou que o pai pertenceu ao BCAV 2867. Prometi emviar-lhe novos elementos, que seguem em anexo.

Resta agora que alguém que tenha conhecido o Horácio, que entre em contacto com o Fernando, para ele obter aquilo porque anseia.

Creio que, quando houver um encontro desta unidade, ele vai estar na fila de frente.

Um forte abraço

José Martins

2. Mensagem do Fernando Fraquito:

Olá, bom dia, Sr. José Martins:

Quero agradecer do fundo do coração toda a ajuda que me tem prestado, toda a simpatia e disponibilidade.

Na caderneta militar do meu pai está, de facto, indicação de que pertenceu à CCS Batalhão de Cavalaria 2867.

Dados completos:

Nome: Horácio Martinho Ramos

Natural de Colos, concelho de Odemira

Nº Militar: 075576/68

Gostaria muito de encontrar antigos camaradas do meu pai na Guiné e participar num encontro/almoço se possível, ficaria muito honrado e grato, é como o cumprir de uma ultima missão pelo meu pai.

Os meus maiores cumprimentos

Fernando Manuel Ramos Martinho Fraquito

__________________________

BATALHÃO DE CAVALARIA 2867

Unidade Mobilizadora > Regimento de Cavalaria 3, em Estremoz

Comandante > TCor Cav José Luís Trinité Rosa
2º Comandante > Maj Cav Francisco José Martins Ferreira
O Inf Op/Adj > Maj Cav Carlos Dias Antunes
Comandantes CCS > Cap Mil Art Carlos Pedro da Fonseca e Silva / Cap Mil Art Mário Pais Mexia Leitão

Divisa >"SOMOS COMO SOMOS"

Partida em 23 de Fevereiro de 1969; desembarque em 1 de Março de 1969; e regresso em 23 de Dezembro de 1970.

Em 3 de Março de 1969 assumiu a responsabilidade do Sector S1, com sede em Tite, abrangendo os subsectores de Tite, Nova Sintra, Jabadá e Fulacunda, mantendo as suas subunidades enquadradas no seu dispositivo.

Desenvolveu actividade operacional de patrulhamento, reconhecimento, batidas, emboscadas e controlo de itinerários, coordenando as suas subunidades em várias operações em que se destacam: ARMAS LEAIS, GERÊS, 3ª ESTOCADA, 4ª BATALHA, 6º DESFORÇO, ANDAR LIGEIRO e GRANDE RODA.

Do material que capturou, destaca-se: 4 metralhadoras ligeiras, 6 pistolas-metralhadoras, 12 espingardas e 5 lança-granadas foguete.

Companhia de Cavalaria 2482

Comandante > Cap Cav > Henrique de Carvalho Morais

Assumiu o subsector de Tite em 2 de Março de 1969

Foi transferida para Fulacunda em 30 de Junho de 1969.

Foi rendida em 14 de Dezembro de 1970, recolhendo a Bissau para regresso à Metrópole

Companhia de Cavalaria 2483

Comandantes > Cap Cav Joaquim Manuel Correia Bernardo / Cap Mil Art João José Pires de Almeida Loureiro / Cap Mil Art Ricardo José Prego Gamado

Assumiu o subsector de Nova Sintra em 31 de Maio de 1969, destacando um pelotão para S. João.

Foi transferida para Tite em 23 de Setembro de 1970 com função de intervenção e quadrícula. Foi rendida em 14 de Dezembro de 1970, recolhendo a Bissau para regresso à Metrópole.

Companhia de Cavalaria 2484

Comandante > Cap Cav José Guilherme Paixão Ferreira Durão

Assumiu o subsector de Jabadá em 4 de Março de 1969.

Destacou, entre 3 de Novembro de 1969 e 9 de Novembro de 1969, três pelotões para Tite. Foi rendida em 9 de Dezembro de 1970, recolhendo a Bissau para regresso à Metrópole.

Fontes:

História da Unidade – Arquivo Histórico Militar (Caixa 126 – 2ª divisão – 4ª Secção)

© Resenha Histórico-Militar das Campanhas de Africa (1961-1974). 7º Volume/Tomo II – Fichas das Unidades – Guiné. Condensação de José Martins – Março 2006