1. Não me venham acusar de falta de pudor, ao abrir à curiosidade da blogosfera o álbum de fotografias dos meus amigos. São alunos e professores do 1º Curso de Pós-Graduação em Administração de Serviços de Saúde, organizado conjuntamente pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa (Portugal), a Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto e o Ministério da Saúde de Angola (MINSA), com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (Portugal).
2. O curso, que teve início em Setembro de 2003 e deverá terminar (a parte lectiva, com um total de 630 horas) no final de 2004, é destinado a directores de hospitais angolanos, centrais e provinciais (directores gerais e directores clínicos). O curso está organizado por blocos e módulos (3 x 7 = 21 x 30 horas). Cada módulo, de 30 horas, funciona de 2ª feira à sexta, das 8 horas às 14 horas. A parte lectiva é dada nas instalações do Instituto Superior de Enfermagem (ISE), que pertence à Universidade Agostinho Neto.
3. As fotografias agora disponibilizadas respeitam aos módulos I (Investigação em Serviços de Saúde) e II (Gestão de Recursos Humanos III), do Bloco III, que tiveram lugar entre 20 de Setembro e 1 de Outubro de 2004. As pessoas fotografadas autorizaram a divulgação da sua imagem e do seu nome neste álbum, num gesto de amizade para comigo que muito me sensibliza, mas que é recíproca.
Ao fim de um ano de os conhecer e trabalhar com eles (em quatro módulos semanais diferentes), só posso dizer que eles (na generalidade, médicos) são pessoas excepcionais e alunos dedicados, além de angolanos patriotas: amam a sua pátria e querem arrancar o seu povo da lista dos mais desfavorecidos do mundo face à saúde e aos cuidados de saúde... Por tudo isso, eu tenho a obrigação de divulgar as fotos dos nossos encontros.
blogue-fora-nada. homo socius ergo blogus [sum]. homem social logo blogador. em sociobloguês nos entendemos. o port(ug)al dos (por)tugas. a prova dos blogue-fora-nada. a guerra colonial. a guiné. do chacheu ao boe. de bissau a bambadinca. os cacimbados. o geba. o corubal. os rios. o macaréu da nossa revolta. o humor nosso de cada dia nos dai hoje.lá vamos blogando e rindo. e venham mais cinco (camaradas). e vieram tantos que isto se transformou numa caserna. a maior caserna virtual da Net!
25 outubro 2004
20 outubro 2004
(Ex)citações de cada dia - XII: Deus não é republicano nem democrata
1. Há uma petição a correr na América e na Net, que eu também subscrevo, sem reservas: Deus não toma partido nos assuntos terrenos, não é de esquerda ou de direita, não é republicano ou monárquico, não é cristão nem muçulmano, não é americano nem europeu...
Deus, ou o deus que nós, homens, criámos, só pode ser suprapartidário, estar acima das nossas pequenas tricas, conflitos, paixões, sacanices, preconceitos, afectos, opções, sentimentos, ideias e até provérbios... Mesmo quando eu digo "Deus escreve direito por linhas tortas", eu não posso estar a insinuar que Deus gosta mais dos dextros do que dos canhotos... Pois aí estou a matar Deus ou a própria ideia de Deus, estou a cometer um deicídio...
Na América, "God is Not a Republican or a Democrat!": é o título da petição mais popular dos últimos dias, veiculada pelo The Petition Site, uma iniciativa levada a cabo pelo Portal Care2.com (2,5 milhões de membros).
É bom que se saiba, sobretudo em altura de campanha eleitoral para a tão ambicionada Casa Branca, que Deus não dá orientações de voto, contrariamente ao que pregam os papas e as papisas da Direita Religiosa: "Leaders of the Religious Right mistakenly claim that God has taken a side in this election, and that Christians should only vote for George W. Bush".
Os autores da petição acham, e só posso estar de acordo com eles, que "claims of divine appointment for the President, uncritical affirmation of his policies, and assertions that all Christians must vote for his re-election constitute bad theology and dangerous religion". É, de facto, má teologia e pior religião pôr os votos de todos os cristãos no cesto do Bush.
2. Em suma, são os valores, estúpido, são os valores que devem ditar o teu sentido de voto:
"We believe that sincere Christians and other people of faith can choose to vote for President Bush or Senator Kerry - for reasons deeply rooted in their faith.
"We believe all candidates should be examined by measuring their policies against the complete range of Christian ethics and values.
"We will measure the candidates by whether they enhance human life, human dignity, and human rights; whether they strengthen family life and protect children; whether they promote racial reconciliation and support gender equality; whether they serve peace and social justice; and whether they advance the common good rather than only individual, national, and special interests".
E mais, não deves ser votante de uma única causa... "We are not single-issue voters". E há tantas questões em aberto, tantas questões pendentes para as quais é preciso encontrar uma resposta urgente e justa: a pobreza, o perdão da dívida dos países mais pobres, o ambiente, a guerra e a paz, a verdade, os direitos humanos, a resposta ao terrorismo, a vida humana, o aborto, a pena capital, a eutanásia, o HIV/ Sida, etc. ... tudo isto mexe com valores, logo são questões éticas (e religiosas)...
"We believe that poverty - caring for the poor and vulnerable - is a religious issue. Do the candidates' budget and tax policies reward the rich or show compassion for poor families? Do their foreign policies include fair trade and debt cancellation for the poorest countries? (Matthew 25:35-40, Isaiah 10:1-2)".
"We believe that the environment - caring for God's earth - is a religious issue. Do the candidates' policies protect the creation or serve corporate interests that damage it? (Genesis 2:15, Psalm 24:1)".
"We believe that war - and our call to be peacemakers - is a religious issue. Do the candidates' policies pursue "wars of choice" or respect international law and cooperation in responding to real global threats? (Matthew 5:9)".
"We believe that truth-telling is a religious issue. Do the candidates tell the truth in justifying war and in other foreign and domestic policies? (John 8:32)".
"We believe that human rights - respecting the image of God in every person - is a religious issue. How do the candidates propose to change the attitudes and policies that led to the abuse and torture of Iraqi prisoners? (Genesis 1:27)".
"We believe that our response to terrorism is a religious issue. Do the candidates adopt the dangerous language of righteous empire in the war on terrorism and confuse the roles of God, church, and nation? Do the candidates see evil only in our enemies but never in our own policies? (Matthew 6:33, Proverbs 8:12-13 )".
"We believe that a consistent ethic of human life is a religious issue. Do the candidates' positions on abortion, capital punishment, euthanasia, weapons of mass destruction, HIV/AIDS-and other pandemics-and genocide around the world obey the biblical injunction to choose life? (Deuteronomy 30:19)".
Deus não tomou partido sobre estas questões, mas os seus clérigos, os que usam o seu nome em vão, os que falam abusivamente em seu nome, os fundamentalistas de todas as religiões, a começar pelos fundamentalistas cristãos:
"We also admonish both parties and candidates to avoid the exploitation of religion or our congregations for partisan political purposes.
"By signing this statement, we call Christians and other people of faith to a more thoughtful involvement in this election, rather than claiming God's endorsement of any candidate.
"This is the meaning of responsible Christian citizenship"...
Gosto desta última frase, faz sentido, é lapidar, tem pica: pode ser-se cristão e exercer uma cidadania cristã... responsável. Eu, que não sou cristão, às vezes incomodo-me por certos cristãos puxarem a manta do céu toda para o seu lado...
A verdade é que eu até agora nunca tinha realizado quanto os Génesis ou Mateus eram tão decisivos para o sucesso de uma campanha eleitoral como na grande democracia americana... God Bless America!
Deus, ou o deus que nós, homens, criámos, só pode ser suprapartidário, estar acima das nossas pequenas tricas, conflitos, paixões, sacanices, preconceitos, afectos, opções, sentimentos, ideias e até provérbios... Mesmo quando eu digo "Deus escreve direito por linhas tortas", eu não posso estar a insinuar que Deus gosta mais dos dextros do que dos canhotos... Pois aí estou a matar Deus ou a própria ideia de Deus, estou a cometer um deicídio...
Na América, "God is Not a Republican or a Democrat!": é o título da petição mais popular dos últimos dias, veiculada pelo The Petition Site, uma iniciativa levada a cabo pelo Portal Care2.com (2,5 milhões de membros).
É bom que se saiba, sobretudo em altura de campanha eleitoral para a tão ambicionada Casa Branca, que Deus não dá orientações de voto, contrariamente ao que pregam os papas e as papisas da Direita Religiosa: "Leaders of the Religious Right mistakenly claim that God has taken a side in this election, and that Christians should only vote for George W. Bush".
Os autores da petição acham, e só posso estar de acordo com eles, que "claims of divine appointment for the President, uncritical affirmation of his policies, and assertions that all Christians must vote for his re-election constitute bad theology and dangerous religion". É, de facto, má teologia e pior religião pôr os votos de todos os cristãos no cesto do Bush.
2. Em suma, são os valores, estúpido, são os valores que devem ditar o teu sentido de voto:
"We believe that sincere Christians and other people of faith can choose to vote for President Bush or Senator Kerry - for reasons deeply rooted in their faith.
"We believe all candidates should be examined by measuring their policies against the complete range of Christian ethics and values.
"We will measure the candidates by whether they enhance human life, human dignity, and human rights; whether they strengthen family life and protect children; whether they promote racial reconciliation and support gender equality; whether they serve peace and social justice; and whether they advance the common good rather than only individual, national, and special interests".
E mais, não deves ser votante de uma única causa... "We are not single-issue voters". E há tantas questões em aberto, tantas questões pendentes para as quais é preciso encontrar uma resposta urgente e justa: a pobreza, o perdão da dívida dos países mais pobres, o ambiente, a guerra e a paz, a verdade, os direitos humanos, a resposta ao terrorismo, a vida humana, o aborto, a pena capital, a eutanásia, o HIV/ Sida, etc. ... tudo isto mexe com valores, logo são questões éticas (e religiosas)...
"We believe that poverty - caring for the poor and vulnerable - is a religious issue. Do the candidates' budget and tax policies reward the rich or show compassion for poor families? Do their foreign policies include fair trade and debt cancellation for the poorest countries? (Matthew 25:35-40, Isaiah 10:1-2)".
"We believe that the environment - caring for God's earth - is a religious issue. Do the candidates' policies protect the creation or serve corporate interests that damage it? (Genesis 2:15, Psalm 24:1)".
"We believe that war - and our call to be peacemakers - is a religious issue. Do the candidates' policies pursue "wars of choice" or respect international law and cooperation in responding to real global threats? (Matthew 5:9)".
"We believe that truth-telling is a religious issue. Do the candidates tell the truth in justifying war and in other foreign and domestic policies? (John 8:32)".
"We believe that human rights - respecting the image of God in every person - is a religious issue. How do the candidates propose to change the attitudes and policies that led to the abuse and torture of Iraqi prisoners? (Genesis 1:27)".
"We believe that our response to terrorism is a religious issue. Do the candidates adopt the dangerous language of righteous empire in the war on terrorism and confuse the roles of God, church, and nation? Do the candidates see evil only in our enemies but never in our own policies? (Matthew 6:33, Proverbs 8:12-13 )".
"We believe that a consistent ethic of human life is a religious issue. Do the candidates' positions on abortion, capital punishment, euthanasia, weapons of mass destruction, HIV/AIDS-and other pandemics-and genocide around the world obey the biblical injunction to choose life? (Deuteronomy 30:19)".
Deus não tomou partido sobre estas questões, mas os seus clérigos, os que usam o seu nome em vão, os que falam abusivamente em seu nome, os fundamentalistas de todas as religiões, a começar pelos fundamentalistas cristãos:
"We also admonish both parties and candidates to avoid the exploitation of religion or our congregations for partisan political purposes.
"By signing this statement, we call Christians and other people of faith to a more thoughtful involvement in this election, rather than claiming God's endorsement of any candidate.
"This is the meaning of responsible Christian citizenship"...
Gosto desta última frase, faz sentido, é lapidar, tem pica: pode ser-se cristão e exercer uma cidadania cristã... responsável. Eu, que não sou cristão, às vezes incomodo-me por certos cristãos puxarem a manta do céu toda para o seu lado...
A verdade é que eu até agora nunca tinha realizado quanto os Génesis ou Mateus eram tão decisivos para o sucesso de uma campanha eleitoral como na grande democracia americana... God Bless America!
(Ex)citações de cada dia - XII: Deus não é republicano nem democrata
1. Há uma petição a correr na América e na Net, que eu também subscrevo, sem reservas: Deus não toma partido nos assuntos terrenos, não é de esquerda ou de direita, não é republicano ou monárquico, não é cristão nem muçulmano, não é americano nem europeu...
Deus, ou o deus que nós, homens, criámos, só pode ser suprapartidário, estar acima das nossas pequenas tricas, conflitos, paixões, sacanices, preconceitos, afectos, opções, sentimentos, ideias e até provérbios... Mesmo quando eu digo "Deus escreve direito por linhas tortas", eu não posso estar a insinuar que Deus gosta mais dos dextros do que dos canhotos... Pois aí estou a matar Deus ou a própria ideia de Deus, estou a cometer um deicídio...
Na América, "God is Not a Republican or a Democrat!": é o título da petição mais popular dos últimos dias, veiculada pelo The Petition Site, uma iniciativa levada a cabo pelo Portal Care2.com (2,5 milhões de membros).
É bom que se saiba, sobretudo em altura de campanha eleitoral para a tão ambicionada Casa Branca, que Deus não dá orientações de voto, contrariamente ao que pregam os papas e as papisas da Direita Religiosa: "Leaders of the Religious Right mistakenly claim that God has taken a side in this election, and that Christians should only vote for George W. Bush".
Os autores da petição acham, e só posso estar de acordo com eles, que "claims of divine appointment for the President, uncritical affirmation of his policies, and assertions that all Christians must vote for his re-election constitute bad theology and dangerous religion". É, de facto, má teologia e pior religião pôr os votos de todos os cristãos no cesto do Bush.
2. Em suma, são os valores, estúpido, são os valores que devem ditar o teu sentido de voto:
"We believe that sincere Christians and other people of faith can choose to vote for President Bush or Senator Kerry - for reasons deeply rooted in their faith.
"We believe all candidates should be examined by measuring their policies against the complete range of Christian ethics and values.
"We will measure the candidates by whether they enhance human life, human dignity, and human rights; whether they strengthen family life and protect children; whether they promote racial reconciliation and support gender equality; whether they serve peace and social justice; and whether they advance the common good rather than only individual, national, and special interests".
E mais, não deves ser votante de uma única causa... "We are not single-issue voters". E há tantas questões em aberto, tantas questões pendentes para as quais é preciso encontrar uma resposta urgente e justa: a pobreza, o perdão da dívida dos países mais pobres, o ambiente, a guerra e a paz, a verdade, os direitos humanos, a resposta ao terrorismo, a vida humana, o aborto, a pena capital, a eutanásia, o HIV/ Sida, etc. ... tudo isto mexe com valores, logo são questões éticas (e religiosas)...
"We believe that poverty - caring for the poor and vulnerable - is a religious issue. Do the candidates' budget and tax policies reward the rich or show compassion for poor families? Do their foreign policies include fair trade and debt cancellation for the poorest countries? (Matthew 25:35-40, Isaiah 10:1-2)".
"We believe that the environment - caring for God's earth - is a religious issue. Do the candidates' policies protect the creation or serve corporate interests that damage it? (Genesis 2:15, Psalm 24:1)".
"We believe that war - and our call to be peacemakers - is a religious issue. Do the candidates' policies pursue "wars of choice" or respect international law and cooperation in responding to real global threats? (Matthew 5:9)".
"We believe that truth-telling is a religious issue. Do the candidates tell the truth in justifying war and in other foreign and domestic policies? (John 8:32)".
"We believe that human rights - respecting the image of God in every person - is a religious issue. How do the candidates propose to change the attitudes and policies that led to the abuse and torture of Iraqi prisoners? (Genesis 1:27)".
"We believe that our response to terrorism is a religious issue. Do the candidates adopt the dangerous language of righteous empire in the war on terrorism and confuse the roles of God, church, and nation? Do the candidates see evil only in our enemies but never in our own policies? (Matthew 6:33, Proverbs 8:12-13 )".
"We believe that a consistent ethic of human life is a religious issue. Do the candidates' positions on abortion, capital punishment, euthanasia, weapons of mass destruction, HIV/AIDS-and other pandemics-and genocide around the world obey the biblical injunction to choose life? (Deuteronomy 30:19)".
Deus não tomou partido sobre estas questões, mas os seus clérigos, os que usam o seu nome em vão, os que falam abusivamente em seu nome, os fundamentalistas de todas as religiões, a começar pelos fundamentalistas cristãos:
"We also admonish both parties and candidates to avoid the exploitation of religion or our congregations for partisan political purposes.
"By signing this statement, we call Christians and other people of faith to a more thoughtful involvement in this election, rather than claiming God's endorsement of any candidate.
"This is the meaning of responsible Christian citizenship"...
Gosto desta última frase, faz sentido, é lapidar, tem pica: pode ser-se cristão e exercer uma cidadania cristã... responsável. Eu, que não sou cristão, às vezes incomodo-me por certos cristãos puxarem a manta do céu toda para o seu lado...
A verdade é que eu até agora nunca tinha realizado quanto os Génesis ou Mateus eram tão decisivos para o sucesso de uma campanha eleitoral como na grande democracia americana... God Bless America!
Deus, ou o deus que nós, homens, criámos, só pode ser suprapartidário, estar acima das nossas pequenas tricas, conflitos, paixões, sacanices, preconceitos, afectos, opções, sentimentos, ideias e até provérbios... Mesmo quando eu digo "Deus escreve direito por linhas tortas", eu não posso estar a insinuar que Deus gosta mais dos dextros do que dos canhotos... Pois aí estou a matar Deus ou a própria ideia de Deus, estou a cometer um deicídio...
Na América, "God is Not a Republican or a Democrat!": é o título da petição mais popular dos últimos dias, veiculada pelo The Petition Site, uma iniciativa levada a cabo pelo Portal Care2.com (2,5 milhões de membros).
É bom que se saiba, sobretudo em altura de campanha eleitoral para a tão ambicionada Casa Branca, que Deus não dá orientações de voto, contrariamente ao que pregam os papas e as papisas da Direita Religiosa: "Leaders of the Religious Right mistakenly claim that God has taken a side in this election, and that Christians should only vote for George W. Bush".
Os autores da petição acham, e só posso estar de acordo com eles, que "claims of divine appointment for the President, uncritical affirmation of his policies, and assertions that all Christians must vote for his re-election constitute bad theology and dangerous religion". É, de facto, má teologia e pior religião pôr os votos de todos os cristãos no cesto do Bush.
2. Em suma, são os valores, estúpido, são os valores que devem ditar o teu sentido de voto:
"We believe that sincere Christians and other people of faith can choose to vote for President Bush or Senator Kerry - for reasons deeply rooted in their faith.
"We believe all candidates should be examined by measuring their policies against the complete range of Christian ethics and values.
"We will measure the candidates by whether they enhance human life, human dignity, and human rights; whether they strengthen family life and protect children; whether they promote racial reconciliation and support gender equality; whether they serve peace and social justice; and whether they advance the common good rather than only individual, national, and special interests".
E mais, não deves ser votante de uma única causa... "We are not single-issue voters". E há tantas questões em aberto, tantas questões pendentes para as quais é preciso encontrar uma resposta urgente e justa: a pobreza, o perdão da dívida dos países mais pobres, o ambiente, a guerra e a paz, a verdade, os direitos humanos, a resposta ao terrorismo, a vida humana, o aborto, a pena capital, a eutanásia, o HIV/ Sida, etc. ... tudo isto mexe com valores, logo são questões éticas (e religiosas)...
"We believe that poverty - caring for the poor and vulnerable - is a religious issue. Do the candidates' budget and tax policies reward the rich or show compassion for poor families? Do their foreign policies include fair trade and debt cancellation for the poorest countries? (Matthew 25:35-40, Isaiah 10:1-2)".
"We believe that the environment - caring for God's earth - is a religious issue. Do the candidates' policies protect the creation or serve corporate interests that damage it? (Genesis 2:15, Psalm 24:1)".
"We believe that war - and our call to be peacemakers - is a religious issue. Do the candidates' policies pursue "wars of choice" or respect international law and cooperation in responding to real global threats? (Matthew 5:9)".
"We believe that truth-telling is a religious issue. Do the candidates tell the truth in justifying war and in other foreign and domestic policies? (John 8:32)".
"We believe that human rights - respecting the image of God in every person - is a religious issue. How do the candidates propose to change the attitudes and policies that led to the abuse and torture of Iraqi prisoners? (Genesis 1:27)".
"We believe that our response to terrorism is a religious issue. Do the candidates adopt the dangerous language of righteous empire in the war on terrorism and confuse the roles of God, church, and nation? Do the candidates see evil only in our enemies but never in our own policies? (Matthew 6:33, Proverbs 8:12-13 )".
"We believe that a consistent ethic of human life is a religious issue. Do the candidates' positions on abortion, capital punishment, euthanasia, weapons of mass destruction, HIV/AIDS-and other pandemics-and genocide around the world obey the biblical injunction to choose life? (Deuteronomy 30:19)".
Deus não tomou partido sobre estas questões, mas os seus clérigos, os que usam o seu nome em vão, os que falam abusivamente em seu nome, os fundamentalistas de todas as religiões, a começar pelos fundamentalistas cristãos:
"We also admonish both parties and candidates to avoid the exploitation of religion or our congregations for partisan political purposes.
"By signing this statement, we call Christians and other people of faith to a more thoughtful involvement in this election, rather than claiming God's endorsement of any candidate.
"This is the meaning of responsible Christian citizenship"...
Gosto desta última frase, faz sentido, é lapidar, tem pica: pode ser-se cristão e exercer uma cidadania cristã... responsável. Eu, que não sou cristão, às vezes incomodo-me por certos cristãos puxarem a manta do céu toda para o seu lado...
A verdade é que eu até agora nunca tinha realizado quanto os Génesis ou Mateus eram tão decisivos para o sucesso de uma campanha eleitoral como na grande democracia americana... God Bless America!
17 outubro 2004
Portugas que merecem os nossos assobios - V: O presidente da Câmara Municipal de Pombal
1. Esta história é triste e não honra o poder autárquico, não honra a democracia portuguesa. Sabemos que o poder, todo o poder, corrompe; e que, se não houver liberdade de opinião e de expressão, o poder pode tornar-se discriccionário, arbitrário, até mesmo despótico e totalitário... E então acontecem casos como este, agora denunciado pela própria vítima, o cidadão Orlando Cardoso, que criou e alimentou um blogue, ao que parece incómodo para muita gente, lá na sua terra, em Pombal.
Esta história, triste e exemplar ao mesmo tempo, circula por e-mail entre os cibernautas. Não ouvi as duas partes, como mandam as regras mais elementares da investigação da verdade e da justiça. Mas eu aqui não sou jornalista, muito menos juiz. Para prevenir a falsa notícia e a falsa identidade, limitei-me a apurar que a história foi previamente confirmada pelo próprio e que o e-mail é autêntico. De qualquer modo, em caso de dúvida, eu tenho por princípio dar razão à vítima, ao cidadão indefeso, ao réu.
2. Para o Orlando Cardoso, cidadão, e bloguista, que eu não conheço pessoalmente, vão as minhas palmas e a minha solidariedade; para o seu censor e o seu carrasco, o presidente da Câmara Municipal de Pombal, que eu também não conheço, vão os meus assobios. Aqui fica o relato, aqui fica, no mínimo, a suspeita das ligações perigosas entre os políticos e as empresas, as autarquias e os empregadores, e sobretudo uma lição sobre como é difícil exercer o poder autárquico em democracia... Não é para todos: só pode ser para os melhores, só deveria ser para os melhores...
Eu sei que isto é a "petite histoire" mas a história com H grande da nossa democracia pós-25 de Abril também vai ser feita com estes casos da pequena história. Que infelizmente não são pontuais: o peso do caciquismo local ainda é muito forte por essas terras do Portugal mais profundo (e do menos profundo)...
3. Três recomendações à cibernavegação na blogosfera lusófona: (i) Façam vocês, cibernautas, os juízos de valor que entenderem no grande espaço de liberdade que (ainda) é a Net; (ii) tenham cuidado com o que escrevem nos blogues; (iii) o bloguista também se dve reger por príncipios éticos na produção e divulgação dos seus "posts"; e sobretudo (iv) não amem em demasia a vossa terra que ela pode tornar-se a vossa madrasta, qual Jocasta dotada de "vagina dentata"...
O pobre Marquês de Pombal, se fosse vivo, ou se pudesse voltar à terra, depois de ter caído em desgraça, teria seguramente muito que ensinar aos nossos autarcas, e sobretudo ao nosso homem de Pombal...
__________________
Exmo. Sr. ou Sra.:
Vem isto a propósito do caso Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.
Nasci e tenho vivido num pequeno concelho (Pombal) do Litoral-Centro (Distrito de Leiria). Não milito em nenhum grupo partidário. Sou um simples cidadão nascido seis anos antes do 25 de Abril de 1974.
E como cidadão, ingénuo a pensar que haveria liberdade de expressão e de opinião, criei em Julho passado um "blog" na Internet que pretendia ser um espaço de reflexão e de debate de ideias, com críticas construtivas, sobre o que está a acontecer na minha Terra. Nomeadamente sobre a actividade da respectiva Câmara Municipal e outras instituições. Esse "blog" num espaço de dois meses registou mais de 6.700 visitas, tendo sido comentado em grande número por outros cidadãos/munícipes.
A respectiva autarquia, presidida pelo social-democrata Eng. Narciso Mota, nunca usou o princípio do contraditório. Apesar de reconhecer que alguns dos temas abordados tinham a sua veracidade, alterou alguns procedimentos, dando razão ao que por lá se escrevia.
Reconhecendo que o "blog" era incómodo para o Poder (leia-se, Câmara Municipal), o senhor presidente entendeu que a melhor forma de usar o "contraditório" era acabar com o mesmo. Vai daí, entrou em contacto com a direcção/administração da empresa onde eu trabalhava e denunciou a sua existência, fazendo ver que o "blog" era "gerido" em horas de expediente.
A direcção da empresa de imediato, e justificando que aquela situação lesava a relação institucional com a Câmara Municipal, até porque necessitava desta para legalizar algumas situações pendentes, despediu-me.
Isto, não argumentando com falta de profissionalismo ou de produtividade. Mas sim, porque o senhor presidente da Câmara assim os contactou para o efeito. Esclareci a situação e comprometi-me a eliminar de imediato o "blog", o que foi feito e aceite. Precisamente um mês depois, e pelo meio alguns encontros realizados entre o presidente da Câmara e a direcção/administração da empresa, fui novamente confrontado com o despedimento. E perante duas opções: instauração de processo disciplinar ou demissão voluntária, optei pela segunda.
Ou seja, a intervenção do senhor presidente da Câmara Municipal de Pombal neste processo é um facto. Tanto o é que um dos seus vereadores afirmou perante algumas pessoas "já acabámos com o blog".
Esta situação é notoriamente idêntica à que aconteceu com o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Na sua proporção, obviamente. Mas, com um senão... o meu futuro. Estou desempregado, com duas crianças de 20 meses para criar, casa e carro para pagar. E esposa também desempregada.
E tanto mais que, ainda há dias, ouvi da boca de um eventual empregador: "reconheço que és a pessoa indicada para o meu projecto, mas quando o senhor presidente da Câmara soubesse, caía o Carmo e a Trindade. E eu não quero ter problemas com esse senhor".
É triste que 30 anos depois de uma revolução, ainda haja quem de uma forma nojenta e vergonhosa censure as vozes discordantes para que estas não expressem livremente as suas opiniões.
Com os melhores cumprimentos
Atentamente
Orlando Manuel S. Cardoso
________________________________
Rua Paul Harris, nº 13 - 1º Esq
3100-502 Pombal
Telef.: 236213594 - 936354363
E-mail: orlando.cardoso@zmail.pt
Esta história, triste e exemplar ao mesmo tempo, circula por e-mail entre os cibernautas. Não ouvi as duas partes, como mandam as regras mais elementares da investigação da verdade e da justiça. Mas eu aqui não sou jornalista, muito menos juiz. Para prevenir a falsa notícia e a falsa identidade, limitei-me a apurar que a história foi previamente confirmada pelo próprio e que o e-mail é autêntico. De qualquer modo, em caso de dúvida, eu tenho por princípio dar razão à vítima, ao cidadão indefeso, ao réu.
2. Para o Orlando Cardoso, cidadão, e bloguista, que eu não conheço pessoalmente, vão as minhas palmas e a minha solidariedade; para o seu censor e o seu carrasco, o presidente da Câmara Municipal de Pombal, que eu também não conheço, vão os meus assobios. Aqui fica o relato, aqui fica, no mínimo, a suspeita das ligações perigosas entre os políticos e as empresas, as autarquias e os empregadores, e sobretudo uma lição sobre como é difícil exercer o poder autárquico em democracia... Não é para todos: só pode ser para os melhores, só deveria ser para os melhores...
Eu sei que isto é a "petite histoire" mas a história com H grande da nossa democracia pós-25 de Abril também vai ser feita com estes casos da pequena história. Que infelizmente não são pontuais: o peso do caciquismo local ainda é muito forte por essas terras do Portugal mais profundo (e do menos profundo)...
3. Três recomendações à cibernavegação na blogosfera lusófona: (i) Façam vocês, cibernautas, os juízos de valor que entenderem no grande espaço de liberdade que (ainda) é a Net; (ii) tenham cuidado com o que escrevem nos blogues; (iii) o bloguista também se dve reger por príncipios éticos na produção e divulgação dos seus "posts"; e sobretudo (iv) não amem em demasia a vossa terra que ela pode tornar-se a vossa madrasta, qual Jocasta dotada de "vagina dentata"...
O pobre Marquês de Pombal, se fosse vivo, ou se pudesse voltar à terra, depois de ter caído em desgraça, teria seguramente muito que ensinar aos nossos autarcas, e sobretudo ao nosso homem de Pombal...
__________________
Exmo. Sr. ou Sra.:
Vem isto a propósito do caso Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.
Nasci e tenho vivido num pequeno concelho (Pombal) do Litoral-Centro (Distrito de Leiria). Não milito em nenhum grupo partidário. Sou um simples cidadão nascido seis anos antes do 25 de Abril de 1974.
E como cidadão, ingénuo a pensar que haveria liberdade de expressão e de opinião, criei em Julho passado um "blog" na Internet que pretendia ser um espaço de reflexão e de debate de ideias, com críticas construtivas, sobre o que está a acontecer na minha Terra. Nomeadamente sobre a actividade da respectiva Câmara Municipal e outras instituições. Esse "blog" num espaço de dois meses registou mais de 6.700 visitas, tendo sido comentado em grande número por outros cidadãos/munícipes.
A respectiva autarquia, presidida pelo social-democrata Eng. Narciso Mota, nunca usou o princípio do contraditório. Apesar de reconhecer que alguns dos temas abordados tinham a sua veracidade, alterou alguns procedimentos, dando razão ao que por lá se escrevia.
Reconhecendo que o "blog" era incómodo para o Poder (leia-se, Câmara Municipal), o senhor presidente entendeu que a melhor forma de usar o "contraditório" era acabar com o mesmo. Vai daí, entrou em contacto com a direcção/administração da empresa onde eu trabalhava e denunciou a sua existência, fazendo ver que o "blog" era "gerido" em horas de expediente.
A direcção da empresa de imediato, e justificando que aquela situação lesava a relação institucional com a Câmara Municipal, até porque necessitava desta para legalizar algumas situações pendentes, despediu-me.
Isto, não argumentando com falta de profissionalismo ou de produtividade. Mas sim, porque o senhor presidente da Câmara assim os contactou para o efeito. Esclareci a situação e comprometi-me a eliminar de imediato o "blog", o que foi feito e aceite. Precisamente um mês depois, e pelo meio alguns encontros realizados entre o presidente da Câmara e a direcção/administração da empresa, fui novamente confrontado com o despedimento. E perante duas opções: instauração de processo disciplinar ou demissão voluntária, optei pela segunda.
Ou seja, a intervenção do senhor presidente da Câmara Municipal de Pombal neste processo é um facto. Tanto o é que um dos seus vereadores afirmou perante algumas pessoas "já acabámos com o blog".
Esta situação é notoriamente idêntica à que aconteceu com o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Na sua proporção, obviamente. Mas, com um senão... o meu futuro. Estou desempregado, com duas crianças de 20 meses para criar, casa e carro para pagar. E esposa também desempregada.
E tanto mais que, ainda há dias, ouvi da boca de um eventual empregador: "reconheço que és a pessoa indicada para o meu projecto, mas quando o senhor presidente da Câmara soubesse, caía o Carmo e a Trindade. E eu não quero ter problemas com esse senhor".
É triste que 30 anos depois de uma revolução, ainda haja quem de uma forma nojenta e vergonhosa censure as vozes discordantes para que estas não expressem livremente as suas opiniões.
Com os melhores cumprimentos
Atentamente
Orlando Manuel S. Cardoso
________________________________
Rua Paul Harris, nº 13 - 1º Esq
3100-502 Pombal
Telef.: 236213594 - 936354363
E-mail: orlando.cardoso@zmail.pt
Portugas que merecem os nossos assobios - V: O presidente da Câmara Municipal de Pombal
1. Esta história é triste e não honra o poder autárquico, não honra a democracia portuguesa. Sabemos que o poder, todo o poder, corrompe; e que, se não houver liberdade de opinião e de expressão, o poder pode tornar-se discriccionário, arbitrário, até mesmo despótico e totalitário... E então acontecem casos como este, agora denunciado pela própria vítima, o cidadão Orlando Cardoso, que criou e alimentou um blogue, ao que parece incómodo para muita gente, lá na sua terra, em Pombal.
Esta história, triste e exemplar ao mesmo tempo, circula por e-mail entre os cibernautas. Não ouvi as duas partes, como mandam as regras mais elementares da investigação da verdade e da justiça. Mas eu aqui não sou jornalista, muito menos juiz. Para prevenir a falsa notícia e a falsa identidade, limitei-me a apurar que a história foi previamente confirmada pelo próprio e que o e-mail é autêntico. De qualquer modo, em caso de dúvida, eu tenho por princípio dar razão à vítima, ao cidadão indefeso, ao réu.
2. Para o Orlando Cardoso, cidadão, e bloguista, que eu não conheço pessoalmente, vão as minhas palmas e a minha solidariedade; para o seu censor e o seu carrasco, o presidente da Câmara Municipal de Pombal, que eu também não conheço, vão os meus assobios. Aqui fica o relato, aqui fica, no mínimo, a suspeita das ligações perigosas entre os políticos e as empresas, as autarquias e os empregadores, e sobretudo uma lição sobre como é difícil exercer o poder autárquico em democracia... Não é para todos: só pode ser para os melhores, só deveria ser para os melhores...
Eu sei que isto é a "petite histoire" mas a história com H grande da nossa democracia pós-25 de Abril também vai ser feita com estes casos da pequena história. Que infelizmente não são pontuais: o peso do caciquismo local ainda é muito forte por essas terras do Portugal mais profundo (e do menos profundo)...
3. Três recomendações à cibernavegação na blogosfera lusófona: (i) Façam vocês, cibernautas, os juízos de valor que entenderem no grande espaço de liberdade que (ainda) é a Net; (ii) tenham cuidado com o que escrevem nos blogues; (iii) o bloguista também se dve reger por príncipios éticos na produção e divulgação dos seus "posts"; e sobretudo (iv) não amem em demasia a vossa terra que ela pode tornar-se a vossa madrasta, qual Jocasta dotada de "vagina dentata"...
O pobre Marquês de Pombal, se fosse vivo, ou se pudesse voltar à terra, depois de ter caído em desgraça, teria seguramente muito que ensinar aos nossos autarcas, e sobretudo ao nosso homem de Pombal...
__________________
Exmo. Sr. ou Sra.:
Vem isto a propósito do caso Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.
Nasci e tenho vivido num pequeno concelho (Pombal) do Litoral-Centro (Distrito de Leiria). Não milito em nenhum grupo partidário. Sou um simples cidadão nascido seis anos antes do 25 de Abril de 1974.
E como cidadão, ingénuo a pensar que haveria liberdade de expressão e de opinião, criei em Julho passado um "blog" na Internet que pretendia ser um espaço de reflexão e de debate de ideias, com críticas construtivas, sobre o que está a acontecer na minha Terra. Nomeadamente sobre a actividade da respectiva Câmara Municipal e outras instituições. Esse "blog" num espaço de dois meses registou mais de 6.700 visitas, tendo sido comentado em grande número por outros cidadãos/munícipes.
A respectiva autarquia, presidida pelo social-democrata Eng. Narciso Mota, nunca usou o princípio do contraditório. Apesar de reconhecer que alguns dos temas abordados tinham a sua veracidade, alterou alguns procedimentos, dando razão ao que por lá se escrevia.
Reconhecendo que o "blog" era incómodo para o Poder (leia-se, Câmara Municipal), o senhor presidente entendeu que a melhor forma de usar o "contraditório" era acabar com o mesmo. Vai daí, entrou em contacto com a direcção/administração da empresa onde eu trabalhava e denunciou a sua existência, fazendo ver que o "blog" era "gerido" em horas de expediente.
A direcção da empresa de imediato, e justificando que aquela situação lesava a relação institucional com a Câmara Municipal, até porque necessitava desta para legalizar algumas situações pendentes, despediu-me.
Isto, não argumentando com falta de profissionalismo ou de produtividade. Mas sim, porque o senhor presidente da Câmara assim os contactou para o efeito. Esclareci a situação e comprometi-me a eliminar de imediato o "blog", o que foi feito e aceite. Precisamente um mês depois, e pelo meio alguns encontros realizados entre o presidente da Câmara e a direcção/administração da empresa, fui novamente confrontado com o despedimento. E perante duas opções: instauração de processo disciplinar ou demissão voluntária, optei pela segunda.
Ou seja, a intervenção do senhor presidente da Câmara Municipal de Pombal neste processo é um facto. Tanto o é que um dos seus vereadores afirmou perante algumas pessoas "já acabámos com o blog".
Esta situação é notoriamente idêntica à que aconteceu com o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Na sua proporção, obviamente. Mas, com um senão... o meu futuro. Estou desempregado, com duas crianças de 20 meses para criar, casa e carro para pagar. E esposa também desempregada.
E tanto mais que, ainda há dias, ouvi da boca de um eventual empregador: "reconheço que és a pessoa indicada para o meu projecto, mas quando o senhor presidente da Câmara soubesse, caía o Carmo e a Trindade. E eu não quero ter problemas com esse senhor".
É triste que 30 anos depois de uma revolução, ainda haja quem de uma forma nojenta e vergonhosa censure as vozes discordantes para que estas não expressem livremente as suas opiniões.
Com os melhores cumprimentos
Atentamente
Orlando Manuel S. Cardoso
________________________________
Rua Paul Harris, nº 13 - 1º Esq
3100-502 Pombal
Telef.: 236213594 - 936354363
E-mail: orlando.cardoso@zmail.pt
Esta história, triste e exemplar ao mesmo tempo, circula por e-mail entre os cibernautas. Não ouvi as duas partes, como mandam as regras mais elementares da investigação da verdade e da justiça. Mas eu aqui não sou jornalista, muito menos juiz. Para prevenir a falsa notícia e a falsa identidade, limitei-me a apurar que a história foi previamente confirmada pelo próprio e que o e-mail é autêntico. De qualquer modo, em caso de dúvida, eu tenho por princípio dar razão à vítima, ao cidadão indefeso, ao réu.
2. Para o Orlando Cardoso, cidadão, e bloguista, que eu não conheço pessoalmente, vão as minhas palmas e a minha solidariedade; para o seu censor e o seu carrasco, o presidente da Câmara Municipal de Pombal, que eu também não conheço, vão os meus assobios. Aqui fica o relato, aqui fica, no mínimo, a suspeita das ligações perigosas entre os políticos e as empresas, as autarquias e os empregadores, e sobretudo uma lição sobre como é difícil exercer o poder autárquico em democracia... Não é para todos: só pode ser para os melhores, só deveria ser para os melhores...
Eu sei que isto é a "petite histoire" mas a história com H grande da nossa democracia pós-25 de Abril também vai ser feita com estes casos da pequena história. Que infelizmente não são pontuais: o peso do caciquismo local ainda é muito forte por essas terras do Portugal mais profundo (e do menos profundo)...
3. Três recomendações à cibernavegação na blogosfera lusófona: (i) Façam vocês, cibernautas, os juízos de valor que entenderem no grande espaço de liberdade que (ainda) é a Net; (ii) tenham cuidado com o que escrevem nos blogues; (iii) o bloguista também se dve reger por príncipios éticos na produção e divulgação dos seus "posts"; e sobretudo (iv) não amem em demasia a vossa terra que ela pode tornar-se a vossa madrasta, qual Jocasta dotada de "vagina dentata"...
O pobre Marquês de Pombal, se fosse vivo, ou se pudesse voltar à terra, depois de ter caído em desgraça, teria seguramente muito que ensinar aos nossos autarcas, e sobretudo ao nosso homem de Pombal...
__________________
Exmo. Sr. ou Sra.:
Vem isto a propósito do caso Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.
Nasci e tenho vivido num pequeno concelho (Pombal) do Litoral-Centro (Distrito de Leiria). Não milito em nenhum grupo partidário. Sou um simples cidadão nascido seis anos antes do 25 de Abril de 1974.
E como cidadão, ingénuo a pensar que haveria liberdade de expressão e de opinião, criei em Julho passado um "blog" na Internet que pretendia ser um espaço de reflexão e de debate de ideias, com críticas construtivas, sobre o que está a acontecer na minha Terra. Nomeadamente sobre a actividade da respectiva Câmara Municipal e outras instituições. Esse "blog" num espaço de dois meses registou mais de 6.700 visitas, tendo sido comentado em grande número por outros cidadãos/munícipes.
A respectiva autarquia, presidida pelo social-democrata Eng. Narciso Mota, nunca usou o princípio do contraditório. Apesar de reconhecer que alguns dos temas abordados tinham a sua veracidade, alterou alguns procedimentos, dando razão ao que por lá se escrevia.
Reconhecendo que o "blog" era incómodo para o Poder (leia-se, Câmara Municipal), o senhor presidente entendeu que a melhor forma de usar o "contraditório" era acabar com o mesmo. Vai daí, entrou em contacto com a direcção/administração da empresa onde eu trabalhava e denunciou a sua existência, fazendo ver que o "blog" era "gerido" em horas de expediente.
A direcção da empresa de imediato, e justificando que aquela situação lesava a relação institucional com a Câmara Municipal, até porque necessitava desta para legalizar algumas situações pendentes, despediu-me.
Isto, não argumentando com falta de profissionalismo ou de produtividade. Mas sim, porque o senhor presidente da Câmara assim os contactou para o efeito. Esclareci a situação e comprometi-me a eliminar de imediato o "blog", o que foi feito e aceite. Precisamente um mês depois, e pelo meio alguns encontros realizados entre o presidente da Câmara e a direcção/administração da empresa, fui novamente confrontado com o despedimento. E perante duas opções: instauração de processo disciplinar ou demissão voluntária, optei pela segunda.
Ou seja, a intervenção do senhor presidente da Câmara Municipal de Pombal neste processo é um facto. Tanto o é que um dos seus vereadores afirmou perante algumas pessoas "já acabámos com o blog".
Esta situação é notoriamente idêntica à que aconteceu com o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Na sua proporção, obviamente. Mas, com um senão... o meu futuro. Estou desempregado, com duas crianças de 20 meses para criar, casa e carro para pagar. E esposa também desempregada.
E tanto mais que, ainda há dias, ouvi da boca de um eventual empregador: "reconheço que és a pessoa indicada para o meu projecto, mas quando o senhor presidente da Câmara soubesse, caía o Carmo e a Trindade. E eu não quero ter problemas com esse senhor".
É triste que 30 anos depois de uma revolução, ainda haja quem de uma forma nojenta e vergonhosa censure as vozes discordantes para que estas não expressem livremente as suas opiniões.
Com os melhores cumprimentos
Atentamente
Orlando Manuel S. Cardoso
________________________________
Rua Paul Harris, nº 13 - 1º Esq
3100-502 Pombal
Telef.: 236213594 - 936354363
E-mail: orlando.cardoso@zmail.pt
11 outubro 2004
BlogAngola - I: O meu álbum de fotografias de Luanda
Car@s ciberamig@s (avilos ou cambas, na fala de Angola):
Ficam convidad@s para visitar os meus mais recentes álbuns de fotografia sobre Angola. Na volta, espero que me façam chegar críticas, sugestões e comentários.O meu propósito é sobretudo (in)formativo. Este é um olhar possível, o meu olhar, sobre Angola, e mais concretamente Luanda e os seus arredores, que eu conheci pela primeira vez em Setembro de 2003.
É trabalho de um turista acidental, modesto, despretensioso, feito mais com o coração do que com a razão, que tem por objectivo dar a conhecer melhor a Angola e os angolanos de hoje… É um trabalho generoso e solidário, mas que não deixa de ser crítico... É também uma pequena homenagem aos meus amigos angolanos.
O álbum está alojado no Portal Care2.com. Está divido em sete áeras temáticas:
Angola > Paisagens / Landscapes
Angola > Saúde / Public Health
Angola > Trabalho / Work
Angola > Luanda > Cidade / City
Angola > Luanda > Soleme Hospedaria / Guest House
Angola > Luanda > Musseques / Urban Slums
Angola > Os meus amigos / My friends
Aqui fica uma pequena amostra. Até à data, tenho nos vários álbuns temáticos mais de duas centena de fotografias disponíveis para visualização. Foram tiradas em Canon Dgital IXUS 430 e depois editadas, estando legendadas em português (ou melhor, sociologuês) e em inglês...
1. Angola > Paisagens / Landscapes:
Portuguese version / Versão em português:
Angola: Um imenso parto com dor, um grande país lusófono, um grande povo irmão, uma grande nação africana em construção, uma mãe natureza generosa... Espero que o povo angolano rapidamente encontre os caminhos da verdadeira independência,da verdadeira liberdade e da verdadeira paz, que não volte a ter mais nenhuma madrasta (nem nenhum padastro), que recupere a sua identidade, que tenha orgulho em si próprio e que seja um exemplo para todos os outros povos de África e para o resto do mundo, incluindo nós, os tugas. Este álbum é também uma pequena homenagem aos angolanos que aamm a sua terra. Como diz Hondjaki, no seu romance "Quantas madrugadas tem a noite" (Luanda: Nzila, 2004.184); " vamos só, malembemente - faz conta somos os cágados e as lesmas - enfrentar o nosso dia-a-dia: se essa é a terra que nascemos com ela, vamos afzer mais como então...?".
English version / Versão em inglês:
Angola: It has been a childbirth with pain, but it is today a great Portuguese-speaking country, a brother country.. It is also a great African nation under construction, a generous mother nature... I wait that the Angolan people quickly finds the main path for the true independence, the true freedom and the true peace... Angola needs to rediscover and claim its roots, its identity, its pride and its self-esteem in order to become an example to all the world, including the Portuguese guys. This photo album is also a small but friendly homage to the Angolan people, including the novelist Hondjaki whose last novel I have enjoyed very much.

Legenda: A liberdade só pode ser livre. Aves exercendo o direito à liberdade.
Angola, Luanda, algures numa das praias atlânticas da península do Mussulo. 26 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
2. Angola - Saúde / Public Health:
Portuguese version / Versão em português:
O futuro de Angola não são (só...) as suas riquezas naturais (o petróleo, os diamantes e outros recursos minerais), são sobretudo as suas crianças... O seu futuro vai depender do investimento que for feito na saúde e na educação dos seus filhos... Há grandes desafios que se põem à saúde pública em Angola: (i) a luta contra a malária, a tuberculose, a Sida, a mortalidade infantil...; (ii) a reorganização e modernização do Serviço Nacional de Saúde; (iii) a melhoria das competências em gestão dos responsáveis dos serviços públicos de saúde; etc.
English version / Versão em inglês:
The future of Angola is not only its natural wealth (the mineral oil, the diamonds and the other underground resources), it is mainly its children... Its future depends on the health and education investments... Public health is facing great challenges but also opportunities: (i) the fight against the malaria, the tuberculosis, the AIDS/HIV, infantile mortality...; (ii) the reorganization and modernization of the National Health Service; (iii) the improvement in management knowledge and skills concerning the medical doctors and other health professionals in charge of hospitals and health centres.

Legenda: O futuro de Angola são as suas crianças... Criança que vai para a escola. Luanda, Maianga, Hospedaria Soleme. 30 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
3. Angola - Luanda - Cidade:
Portuguese verson / Versão em português:
Veja (ou reveja) Luanda, de mente aberta, sem estereótipos, sem preconceitos, sem ressentimentos... O património cultural, as ruas, o quotidiano, o trabalho, as gentes, a gente boa e corajosa que lá vive... Veja o mapa da cidade em: http://www.gindungo-online.freehomepage.com/tourist_attractions.htm
English version:
Be a open-minded guy and see (or see again) Luanda without stereotypes and prejudices: its cultural heritage, the streets, the work, the everyday life, the nice and brave people who is living there... Please look at the city map on: http://www.gindungo-online.freehomepage.com/tourist_attractions.htm
Legenda: Vendedeiras nas imediações do hospital Maria Pia/Josina Machel. Luanda, Maianga. 22 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
4. Angola - Luanda - Musseques / Urban Slums:
Portuguese version / Versão em português:
Luanda, o grande musseque... Uma cidade de 3 e meio a 4 milhões de habitantes, na sua maior parte deslocados e desenraízados devido a décadas de guerra... 40 km de comprido por 20 de largo, diz-me o meu taxista, usando o olhómetro e a sua experiência de kaluanda que conhece Seca e Meca... Em kimbundu, musseque quer dizer 'terreno ou local arenoso'...
English version / Versão em inglês: Luanda, the big slum... People living here are over 3 or 4 million, the great majority of them having been dislocated by a long and cruel war... In Kimbundu, 'musseque' (slum) means 'built with sand'...

Legenda: A Odebrecht em acção... Estrada do sul, ao longo do Musseque da Samba, à saída de Luanda. Inúmeros casas do bairro foram ou estão a ser demolidas por causa do alargamento da estrada e das obras de saneamento. A Odebrecht Angola Lda emprega quadros brasileiros e operários angolanos. Disseram-me que os salários médios dos angolanos não devem ultrapassar os 100 a 120 dólares/mês. 20 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
5. Angola - Luanda - Soleme Guest House:
Portuguese version / Versão portuguesa:
Soleme, hospedaria, pensão, 'guest house'... Chamem-lhe o que quiserem. Aqui sinto-me em casa. Provalmente o sítio mais cosmopolita e, ao mesmo tempo,amigável de Luanda... A minha chapelada à Lady Eugénia e às demais meninas Leal Monteiro: Paulina, Rita, Antónia, Magui... E aos cavalheiros: o Jaime, o embaixador Norberto...
English version: Soleme is a good place to stay in Luanda: located at the Maianga quarter, it is close to Josina Machel Hospital, the President's Palace and the Angolan Parliament. It belongs to the Portuguese-origin family Leal Monteiro. I wish a long life to Mrs. Maria Eulalia Augusta, the 97 year old matriarch of this nice family. She had eight children, two sons and six daughters. Her husband, Jaime, would celebrated 100 years if alive today. Many thanks to Gena, Paulina, Rita, Jaime, Norberto (the embassador), Antónia (Viteix's widow) and the nice and gentle people I have met there, including a lot of world citizens.

Legenda: Hospedaria Soleme: Fachada Principal. Luanda, Maianga. 19 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
6. Angola - Trabalho / Work:
Portuguese version / Versão em português:
O trabalho não é pera doce em Angola, ou pelo menos em Luanda, cidade de formiguinhas... Do segurança ao padeiro, do condutor de candongueiro à quitandeira, trabalha-se no duro, muitas horas, para no fim levar para a casa umas escassas centenas de kwanzas...
English version / Versão em inglês: In Luanda one works very hard. These photos ilustrate people's struggle for life, from the crazy, collective taxi drivers to the thousands of 'zungueiros', men and specially women who make their living selling goods on the streets. The price of one piece of bread is equivalent to one litre of oil, twenty kwanzas.

Legenda: "Não há vagas, obrigado". Estaleiro de construção. Futura sede do Centro Nacional de Informação sobre o Sida. Luanda, Maianga. 21 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
Ficam convidad@s para visitar os meus mais recentes álbuns de fotografia sobre Angola. Na volta, espero que me façam chegar críticas, sugestões e comentários.O meu propósito é sobretudo (in)formativo. Este é um olhar possível, o meu olhar, sobre Angola, e mais concretamente Luanda e os seus arredores, que eu conheci pela primeira vez em Setembro de 2003.
É trabalho de um turista acidental, modesto, despretensioso, feito mais com o coração do que com a razão, que tem por objectivo dar a conhecer melhor a Angola e os angolanos de hoje… É um trabalho generoso e solidário, mas que não deixa de ser crítico... É também uma pequena homenagem aos meus amigos angolanos.
O álbum está alojado no Portal Care2.com. Está divido em sete áeras temáticas:
Angola > Paisagens / Landscapes
Angola > Saúde / Public Health
Angola > Trabalho / Work
Angola > Luanda > Cidade / City
Angola > Luanda > Soleme Hospedaria / Guest House
Angola > Luanda > Musseques / Urban Slums
Angola > Os meus amigos / My friends
Aqui fica uma pequena amostra. Até à data, tenho nos vários álbuns temáticos mais de duas centena de fotografias disponíveis para visualização. Foram tiradas em Canon Dgital IXUS 430 e depois editadas, estando legendadas em português (ou melhor, sociologuês) e em inglês...
1. Angola > Paisagens / Landscapes:
Portuguese version / Versão em português:
Angola: Um imenso parto com dor, um grande país lusófono, um grande povo irmão, uma grande nação africana em construção, uma mãe natureza generosa... Espero que o povo angolano rapidamente encontre os caminhos da verdadeira independência,da verdadeira liberdade e da verdadeira paz, que não volte a ter mais nenhuma madrasta (nem nenhum padastro), que recupere a sua identidade, que tenha orgulho em si próprio e que seja um exemplo para todos os outros povos de África e para o resto do mundo, incluindo nós, os tugas. Este álbum é também uma pequena homenagem aos angolanos que aamm a sua terra. Como diz Hondjaki, no seu romance "Quantas madrugadas tem a noite" (Luanda: Nzila, 2004.184); " vamos só, malembemente - faz conta somos os cágados e as lesmas - enfrentar o nosso dia-a-dia: se essa é a terra que nascemos com ela, vamos afzer mais como então...?".
English version / Versão em inglês:
Angola: It has been a childbirth with pain, but it is today a great Portuguese-speaking country, a brother country.. It is also a great African nation under construction, a generous mother nature... I wait that the Angolan people quickly finds the main path for the true independence, the true freedom and the true peace... Angola needs to rediscover and claim its roots, its identity, its pride and its self-esteem in order to become an example to all the world, including the Portuguese guys. This photo album is also a small but friendly homage to the Angolan people, including the novelist Hondjaki whose last novel I have enjoyed very much.
Legenda: A liberdade só pode ser livre. Aves exercendo o direito à liberdade.
Angola, Luanda, algures numa das praias atlânticas da península do Mussulo. 26 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
2. Angola - Saúde / Public Health:
Portuguese version / Versão em português:
O futuro de Angola não são (só...) as suas riquezas naturais (o petróleo, os diamantes e outros recursos minerais), são sobretudo as suas crianças... O seu futuro vai depender do investimento que for feito na saúde e na educação dos seus filhos... Há grandes desafios que se põem à saúde pública em Angola: (i) a luta contra a malária, a tuberculose, a Sida, a mortalidade infantil...; (ii) a reorganização e modernização do Serviço Nacional de Saúde; (iii) a melhoria das competências em gestão dos responsáveis dos serviços públicos de saúde; etc.
English version / Versão em inglês:
The future of Angola is not only its natural wealth (the mineral oil, the diamonds and the other underground resources), it is mainly its children... Its future depends on the health and education investments... Public health is facing great challenges but also opportunities: (i) the fight against the malaria, the tuberculosis, the AIDS/HIV, infantile mortality...; (ii) the reorganization and modernization of the National Health Service; (iii) the improvement in management knowledge and skills concerning the medical doctors and other health professionals in charge of hospitals and health centres.
Legenda: O futuro de Angola são as suas crianças... Criança que vai para a escola. Luanda, Maianga, Hospedaria Soleme. 30 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
3. Angola - Luanda - Cidade:
Portuguese verson / Versão em português:
Veja (ou reveja) Luanda, de mente aberta, sem estereótipos, sem preconceitos, sem ressentimentos... O património cultural, as ruas, o quotidiano, o trabalho, as gentes, a gente boa e corajosa que lá vive... Veja o mapa da cidade em: http://www.gindungo-online.freehomepage.com/tourist_attractions.htm
English version:
Be a open-minded guy and see (or see again) Luanda without stereotypes and prejudices: its cultural heritage, the streets, the work, the everyday life, the nice and brave people who is living there... Please look at the city map on: http://www.gindungo-online.freehomepage.com/tourist_attractions.htm
Legenda: Vendedeiras nas imediações do hospital Maria Pia/Josina Machel. Luanda, Maianga. 22 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
4. Angola - Luanda - Musseques / Urban Slums:
Portuguese version / Versão em português:
Luanda, o grande musseque... Uma cidade de 3 e meio a 4 milhões de habitantes, na sua maior parte deslocados e desenraízados devido a décadas de guerra... 40 km de comprido por 20 de largo, diz-me o meu taxista, usando o olhómetro e a sua experiência de kaluanda que conhece Seca e Meca... Em kimbundu, musseque quer dizer 'terreno ou local arenoso'...
English version / Versão em inglês: Luanda, the big slum... People living here are over 3 or 4 million, the great majority of them having been dislocated by a long and cruel war... In Kimbundu, 'musseque' (slum) means 'built with sand'...
Legenda: A Odebrecht em acção... Estrada do sul, ao longo do Musseque da Samba, à saída de Luanda. Inúmeros casas do bairro foram ou estão a ser demolidas por causa do alargamento da estrada e das obras de saneamento. A Odebrecht Angola Lda emprega quadros brasileiros e operários angolanos. Disseram-me que os salários médios dos angolanos não devem ultrapassar os 100 a 120 dólares/mês. 20 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
5. Angola - Luanda - Soleme Guest House:
Portuguese version / Versão portuguesa:
Soleme, hospedaria, pensão, 'guest house'... Chamem-lhe o que quiserem. Aqui sinto-me em casa. Provalmente o sítio mais cosmopolita e, ao mesmo tempo,amigável de Luanda... A minha chapelada à Lady Eugénia e às demais meninas Leal Monteiro: Paulina, Rita, Antónia, Magui... E aos cavalheiros: o Jaime, o embaixador Norberto...
English version: Soleme is a good place to stay in Luanda: located at the Maianga quarter, it is close to Josina Machel Hospital, the President's Palace and the Angolan Parliament. It belongs to the Portuguese-origin family Leal Monteiro. I wish a long life to Mrs. Maria Eulalia Augusta, the 97 year old matriarch of this nice family. She had eight children, two sons and six daughters. Her husband, Jaime, would celebrated 100 years if alive today. Many thanks to Gena, Paulina, Rita, Jaime, Norberto (the embassador), Antónia (Viteix's widow) and the nice and gentle people I have met there, including a lot of world citizens.
Legenda: Hospedaria Soleme: Fachada Principal. Luanda, Maianga. 19 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
6. Angola - Trabalho / Work:
Portuguese version / Versão em português:
O trabalho não é pera doce em Angola, ou pelo menos em Luanda, cidade de formiguinhas... Do segurança ao padeiro, do condutor de candongueiro à quitandeira, trabalha-se no duro, muitas horas, para no fim levar para a casa umas escassas centenas de kwanzas...
English version / Versão em inglês: In Luanda one works very hard. These photos ilustrate people's struggle for life, from the crazy, collective taxi drivers to the thousands of 'zungueiros', men and specially women who make their living selling goods on the streets. The price of one piece of bread is equivalent to one litre of oil, twenty kwanzas.
Legenda: "Não há vagas, obrigado". Estaleiro de construção. Futura sede do Centro Nacional de Informação sobre o Sida. Luanda, Maianga. 21 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
BlogAngola - I: O meu álbum de fotografias de Luanda
Car@s ciberamig@s (avilos ou cambas, na fala de Angola):
Ficam convidad@s para visitar os meus mais recentes álbuns de fotografia sobre Angola. Na volta, espero que me façam chegar críticas, sugestões e comentários.O meu propósito é sobretudo (in)formativo. Este é um olhar possível, o meu olhar, sobre Angola, e mais concretamente Luanda e os seus arredores, que eu conheci pela primeira vez em Setembro de 2003.
É trabalho de um turista acidental, modesto, despretensioso, feito mais com o coração do que com a razão, que tem por objectivo dar a conhecer melhor a Angola e os angolanos de hoje… É um trabalho generoso e solidário, mas que não deixa de ser crítico... É também uma pequena homenagem aos meus amigos angolanos.
O álbum está alojado no Portal Care2.com. Está divido em sete áeras temáticas:
Angola > Paisagens / Landscapes
Angola > Saúde / Public Health
Angola > Trabalho / Work
Angola > Luanda > Cidade / City
Angola > Luanda > Soleme Hospedaria / Guest House
Angola > Luanda > Musseques / Urban Slums
Angola > Os meus amigos / My friends
Aqui fica uma pequena amostra. Até à data, tenho nos vários álbuns temáticos mais de duas centena de fotografias disponíveis para visualização. Foram tiradas em Canon Dgital IXUS 430 e depois editadas, estando legendadas em português (ou melhor, sociologuês) e em inglês...
1. Angola > Paisagens / Landscapes:
Portuguese version / Versão em português:
Angola: Um imenso parto com dor, um grande país lusófono, um grande povo irmão, uma grande nação africana em construção, uma mãe natureza generosa... Espero que o povo angolano rapidamente encontre os caminhos da verdadeira independência,da verdadeira liberdade e da verdadeira paz, que não volte a ter mais nenhuma madrasta (nem nenhum padastro), que recupere a sua identidade, que tenha orgulho em si próprio e que seja um exemplo para todos os outros povos de África e para o resto do mundo, incluindo nós, os tugas. Este álbum é também uma pequena homenagem aos angolanos que aamm a sua terra. Como diz Hondjaki, no seu romance "Quantas madrugadas tem a noite" (Luanda: Nzila, 2004.184); " vamos só, malembemente - faz conta somos os cágados e as lesmas - enfrentar o nosso dia-a-dia: se essa é a terra que nascemos com ela, vamos afzer mais como então...?".
English version / Versão em inglês:
Angola: It has been a childbirth with pain, but it is today a great Portuguese-speaking country, a brother country.. It is also a great African nation under construction, a generous mother nature... I wait that the Angolan people quickly finds the main path for the true independence, the true freedom and the true peace... Angola needs to rediscover and claim its roots, its identity, its pride and its self-esteem in order to become an example to all the world, including the Portuguese guys. This photo album is also a small but friendly homage to the Angolan people, including the novelist Hondjaki whose last novel I have enjoyed very much.

Legenda: A liberdade só pode ser livre. Aves exercendo o direito à liberdade.
Angola, Luanda, algures numa das praias atlânticas da península do Mussulo. 26 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
2. Angola - Saúde / Public Health:
Portuguese version / Versão em português:
O futuro de Angola não são (só...) as suas riquezas naturais (o petróleo, os diamantes e outros recursos minerais), são sobretudo as suas crianças... O seu futuro vai depender do investimento que for feito na saúde e na educação dos seus filhos... Há grandes desafios que se põem à saúde pública em Angola: (i) a luta contra a malária, a tuberculose, a Sida, a mortalidade infantil...; (ii) a reorganização e modernização do Serviço Nacional de Saúde; (iii) a melhoria das competências em gestão dos responsáveis dos serviços públicos de saúde; etc.
English version / Versão em inglês:
The future of Angola is not only its natural wealth (the mineral oil, the diamonds and the other underground resources), it is mainly its children... Its future depends on the health and education investments... Public health is facing great challenges but also opportunities: (i) the fight against the malaria, the tuberculosis, the AIDS/HIV, infantile mortality...; (ii) the reorganization and modernization of the National Health Service; (iii) the improvement in management knowledge and skills concerning the medical doctors and other health professionals in charge of hospitals and health centres.

Legenda: O futuro de Angola são as suas crianças... Criança que vai para a escola. Luanda, Maianga, Hospedaria Soleme. 30 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
3. Angola - Luanda - Cidade:
Portuguese verson / Versão em português:
Veja (ou reveja) Luanda, de mente aberta, sem estereótipos, sem preconceitos, sem ressentimentos... O património cultural, as ruas, o quotidiano, o trabalho, as gentes, a gente boa e corajosa que lá vive... Veja o mapa da cidade em: http://www.gindungo-online.freehomepage.com/tourist_attractions.htm
English version:
Be a open-minded guy and see (or see again) Luanda without stereotypes and prejudices: its cultural heritage, the streets, the work, the everyday life, the nice and brave people who is living there... Please look at the city map on: http://www.gindungo-online.freehomepage.com/tourist_attractions.htm
Legenda: Vendedeiras nas imediações do hospital Maria Pia/Josina Machel. Luanda, Maianga. 22 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
4. Angola - Luanda - Musseques / Urban Slums:
Portuguese version / Versão em português:
Luanda, o grande musseque... Uma cidade de 3 e meio a 4 milhões de habitantes, na sua maior parte deslocados e desenraízados devido a décadas de guerra... 40 km de comprido por 20 de largo, diz-me o meu taxista, usando o olhómetro e a sua experiência de kaluanda que conhece Seca e Meca... Em kimbundu, musseque quer dizer 'terreno ou local arenoso'...
English version / Versão em inglês: Luanda, the big slum... People living here are over 3 or 4 million, the great majority of them having been dislocated by a long and cruel war... In Kimbundu, 'musseque' (slum) means 'built with sand'...

Legenda: A Odebrecht em acção... Estrada do sul, ao longo do Musseque da Samba, à saída de Luanda. Inúmeros casas do bairro foram ou estão a ser demolidas por causa do alargamento da estrada e das obras de saneamento. A Odebrecht Angola Lda emprega quadros brasileiros e operários angolanos. Disseram-me que os salários médios dos angolanos não devem ultrapassar os 100 a 120 dólares/mês. 20 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
5. Angola - Luanda - Soleme Guest House:
Portuguese version / Versão portuguesa:
Soleme, hospedaria, pensão, 'guest house'... Chamem-lhe o que quiserem. Aqui sinto-me em casa. Provalmente o sítio mais cosmopolita e, ao mesmo tempo,amigável de Luanda... A minha chapelada à Lady Eugénia e às demais meninas Leal Monteiro: Paulina, Rita, Antónia, Magui... E aos cavalheiros: o Jaime, o embaixador Norberto...
English version: Soleme is a good place to stay in Luanda: located at the Maianga quarter, it is close to Josina Machel Hospital, the President's Palace and the Angolan Parliament. It belongs to the Portuguese-origin family Leal Monteiro. I wish a long life to Mrs. Maria Eulalia Augusta, the 97 year old matriarch of this nice family. She had eight children, two sons and six daughters. Her husband, Jaime, would celebrated 100 years if alive today. Many thanks to Gena, Paulina, Rita, Jaime, Norberto (the embassador), Antónia (Viteix's widow) and the nice and gentle people I have met there, including a lot of world citizens.

Legenda: Hospedaria Soleme: Fachada Principal. Luanda, Maianga. 19 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
6. Angola - Trabalho / Work:
Portuguese version / Versão em português:
O trabalho não é pera doce em Angola, ou pelo menos em Luanda, cidade de formiguinhas... Do segurança ao padeiro, do condutor de candongueiro à quitandeira, trabalha-se no duro, muitas horas, para no fim levar para a casa umas escassas centenas de kwanzas...
English version / Versão em inglês: In Luanda one works very hard. These photos ilustrate people's struggle for life, from the crazy, collective taxi drivers to the thousands of 'zungueiros', men and specially women who make their living selling goods on the streets. The price of one piece of bread is equivalent to one litre of oil, twenty kwanzas.

Legenda: "Não há vagas, obrigado". Estaleiro de construção. Futura sede do Centro Nacional de Informação sobre o Sida. Luanda, Maianga. 21 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
Ficam convidad@s para visitar os meus mais recentes álbuns de fotografia sobre Angola. Na volta, espero que me façam chegar críticas, sugestões e comentários.O meu propósito é sobretudo (in)formativo. Este é um olhar possível, o meu olhar, sobre Angola, e mais concretamente Luanda e os seus arredores, que eu conheci pela primeira vez em Setembro de 2003.
É trabalho de um turista acidental, modesto, despretensioso, feito mais com o coração do que com a razão, que tem por objectivo dar a conhecer melhor a Angola e os angolanos de hoje… É um trabalho generoso e solidário, mas que não deixa de ser crítico... É também uma pequena homenagem aos meus amigos angolanos.
O álbum está alojado no Portal Care2.com. Está divido em sete áeras temáticas:
Angola > Paisagens / Landscapes
Angola > Saúde / Public Health
Angola > Trabalho / Work
Angola > Luanda > Cidade / City
Angola > Luanda > Soleme Hospedaria / Guest House
Angola > Luanda > Musseques / Urban Slums
Angola > Os meus amigos / My friends
Aqui fica uma pequena amostra. Até à data, tenho nos vários álbuns temáticos mais de duas centena de fotografias disponíveis para visualização. Foram tiradas em Canon Dgital IXUS 430 e depois editadas, estando legendadas em português (ou melhor, sociologuês) e em inglês...
1. Angola > Paisagens / Landscapes:
Portuguese version / Versão em português:
Angola: Um imenso parto com dor, um grande país lusófono, um grande povo irmão, uma grande nação africana em construção, uma mãe natureza generosa... Espero que o povo angolano rapidamente encontre os caminhos da verdadeira independência,da verdadeira liberdade e da verdadeira paz, que não volte a ter mais nenhuma madrasta (nem nenhum padastro), que recupere a sua identidade, que tenha orgulho em si próprio e que seja um exemplo para todos os outros povos de África e para o resto do mundo, incluindo nós, os tugas. Este álbum é também uma pequena homenagem aos angolanos que aamm a sua terra. Como diz Hondjaki, no seu romance "Quantas madrugadas tem a noite" (Luanda: Nzila, 2004.184); " vamos só, malembemente - faz conta somos os cágados e as lesmas - enfrentar o nosso dia-a-dia: se essa é a terra que nascemos com ela, vamos afzer mais como então...?".
English version / Versão em inglês:
Angola: It has been a childbirth with pain, but it is today a great Portuguese-speaking country, a brother country.. It is also a great African nation under construction, a generous mother nature... I wait that the Angolan people quickly finds the main path for the true independence, the true freedom and the true peace... Angola needs to rediscover and claim its roots, its identity, its pride and its self-esteem in order to become an example to all the world, including the Portuguese guys. This photo album is also a small but friendly homage to the Angolan people, including the novelist Hondjaki whose last novel I have enjoyed very much.
Legenda: A liberdade só pode ser livre. Aves exercendo o direito à liberdade.
Angola, Luanda, algures numa das praias atlânticas da península do Mussulo. 26 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
2. Angola - Saúde / Public Health:
Portuguese version / Versão em português:
O futuro de Angola não são (só...) as suas riquezas naturais (o petróleo, os diamantes e outros recursos minerais), são sobretudo as suas crianças... O seu futuro vai depender do investimento que for feito na saúde e na educação dos seus filhos... Há grandes desafios que se põem à saúde pública em Angola: (i) a luta contra a malária, a tuberculose, a Sida, a mortalidade infantil...; (ii) a reorganização e modernização do Serviço Nacional de Saúde; (iii) a melhoria das competências em gestão dos responsáveis dos serviços públicos de saúde; etc.
English version / Versão em inglês:
The future of Angola is not only its natural wealth (the mineral oil, the diamonds and the other underground resources), it is mainly its children... Its future depends on the health and education investments... Public health is facing great challenges but also opportunities: (i) the fight against the malaria, the tuberculosis, the AIDS/HIV, infantile mortality...; (ii) the reorganization and modernization of the National Health Service; (iii) the improvement in management knowledge and skills concerning the medical doctors and other health professionals in charge of hospitals and health centres.
Legenda: O futuro de Angola são as suas crianças... Criança que vai para a escola. Luanda, Maianga, Hospedaria Soleme. 30 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
3. Angola - Luanda - Cidade:
Portuguese verson / Versão em português:
Veja (ou reveja) Luanda, de mente aberta, sem estereótipos, sem preconceitos, sem ressentimentos... O património cultural, as ruas, o quotidiano, o trabalho, as gentes, a gente boa e corajosa que lá vive... Veja o mapa da cidade em: http://www.gindungo-online.freehomepage.com/tourist_attractions.htm
English version:
Be a open-minded guy and see (or see again) Luanda without stereotypes and prejudices: its cultural heritage, the streets, the work, the everyday life, the nice and brave people who is living there... Please look at the city map on: http://www.gindungo-online.freehomepage.com/tourist_attractions.htm
Legenda: Vendedeiras nas imediações do hospital Maria Pia/Josina Machel. Luanda, Maianga. 22 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
4. Angola - Luanda - Musseques / Urban Slums:
Portuguese version / Versão em português:
Luanda, o grande musseque... Uma cidade de 3 e meio a 4 milhões de habitantes, na sua maior parte deslocados e desenraízados devido a décadas de guerra... 40 km de comprido por 20 de largo, diz-me o meu taxista, usando o olhómetro e a sua experiência de kaluanda que conhece Seca e Meca... Em kimbundu, musseque quer dizer 'terreno ou local arenoso'...
English version / Versão em inglês: Luanda, the big slum... People living here are over 3 or 4 million, the great majority of them having been dislocated by a long and cruel war... In Kimbundu, 'musseque' (slum) means 'built with sand'...
Legenda: A Odebrecht em acção... Estrada do sul, ao longo do Musseque da Samba, à saída de Luanda. Inúmeros casas do bairro foram ou estão a ser demolidas por causa do alargamento da estrada e das obras de saneamento. A Odebrecht Angola Lda emprega quadros brasileiros e operários angolanos. Disseram-me que os salários médios dos angolanos não devem ultrapassar os 100 a 120 dólares/mês. 20 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
5. Angola - Luanda - Soleme Guest House:
Portuguese version / Versão portuguesa:
Soleme, hospedaria, pensão, 'guest house'... Chamem-lhe o que quiserem. Aqui sinto-me em casa. Provalmente o sítio mais cosmopolita e, ao mesmo tempo,amigável de Luanda... A minha chapelada à Lady Eugénia e às demais meninas Leal Monteiro: Paulina, Rita, Antónia, Magui... E aos cavalheiros: o Jaime, o embaixador Norberto...
English version: Soleme is a good place to stay in Luanda: located at the Maianga quarter, it is close to Josina Machel Hospital, the President's Palace and the Angolan Parliament. It belongs to the Portuguese-origin family Leal Monteiro. I wish a long life to Mrs. Maria Eulalia Augusta, the 97 year old matriarch of this nice family. She had eight children, two sons and six daughters. Her husband, Jaime, would celebrated 100 years if alive today. Many thanks to Gena, Paulina, Rita, Jaime, Norberto (the embassador), Antónia (Viteix's widow) and the nice and gentle people I have met there, including a lot of world citizens.
Legenda: Hospedaria Soleme: Fachada Principal. Luanda, Maianga. 19 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
6. Angola - Trabalho / Work:
Portuguese version / Versão em português:
O trabalho não é pera doce em Angola, ou pelo menos em Luanda, cidade de formiguinhas... Do segurança ao padeiro, do condutor de candongueiro à quitandeira, trabalha-se no duro, muitas horas, para no fim levar para a casa umas escassas centenas de kwanzas...
English version / Versão em inglês: In Luanda one works very hard. These photos ilustrate people's struggle for life, from the crazy, collective taxi drivers to the thousands of 'zungueiros', men and specially women who make their living selling goods on the streets. The price of one piece of bread is equivalent to one litre of oil, twenty kwanzas.
Legenda: "Não há vagas, obrigado". Estaleiro de construção. Futura sede do Centro Nacional de Informação sobre o Sida. Luanda, Maianga. 21 de Setembro de 2004. © Luís Graça (2004)
09 outubro 2004
Portugas que merecem os nossos assobios - IV: O camartelo da Câmara Municipal de Lisboa
1. Estão a destruir o Convento dos Inglesinhos, no Bairro Alto. Recebi um alerta através da minha caixa de correio. Ontem, sexta-feira, dia 8 de Outubro, pelas 22 hoars, estava convocada uma vigília na Travessa dos Inglesinhos,para protestar contra mais um crime de lesa-património que está a ser alvo a nossa cidade, a nossa capital...
2. Aqui fica o texto que recebi ontem, com pedido de ampla divulgação:
"O Bairro Alto está a ser vítima de mais um abuso por parte da Câmara Municipal! Depois da demolição de um quarteirão antigo entre a Rua da Rosa e Rua do Trombeta para a construção de um Condomínio Privado, é tempo de proceder a mais uma destruição: Desta vez o ataque é ao CONVENTO DOS INGLESINHOS!
"A sua descaracterização já está em curso, É URGENTE TRAVÁ-LA ! Património inalienável deste Bairro, cuja construção é do século XVII, portador de uma enorme riqueza, desde os seus muros ao seu jardim de árvores centenárias, enquadrando a magnificência da Igreja de São Pedro e São Paulo e os seus preciosos salões, a sua cozinha e as suas celas, culminando com o Observatório dos seus terraços de onde se pode contemplar a cidade de Lisboa, de nascente a poente, de norte a sul!
"Monumento magnífico implantado em espaço desafogado na mais alta vertente deste Bairro Alto de construção densa e carente de espaços livres, vendido e deixado ao abandono e à especulação imobiliária pela Santa Casa da Misericórdia, a sua existência é vital para o equilíbrio ecológico do Bairro e da Cidade e como tal deve ser recuperado PARA USO E FRUIÇÃO DE TODOS OS CIDADÃOS !
"O Grupo Amorim aproveitou-se do desprezo da Câmara pelo património
colectivo e quer transformar o CONVENTO DOS INGLESINHOS num Condomínio
de Apartamentos de Luxo. VERGONHA: O IPPAR TAMBÉM APROVOU !!!
"Os moradores do Bairro Alto recusam a desfiguração sistemática do seu
Bairro e apelam à presença de todos numa vigília de protesto. VAMOS TRAVAR ESTE 'NEGÓCIO' CONTRA O BAIRRO ALTO !"
3. Ouvi também ecos na imprensa sobre o que se está a passar, bem como da mobilização de moradores do Bairro Alto, incluindo personalidades com relevo na nossa sociedade e na nossa cultura, como por exemplo o cineasta José Fonseca e Costa.
A mim também muito me indigna o que se está a passar. Espero, ao menos, que os 'habitués' do Bairro Alto, e muito em particular os nossos jovens, tenham sensibilidade e coragem para se baterem contra mais esta desavergonhada tentativa de destruição daquele emblemático sítio da nossa Lisboa... A autorização é da Câmara Municipal, o parecer favorável terá sido dado pelo IPPAR, o abandono é imputável à Santa Casa da Misericórida de Lisboa e o crime está a ser praticado por uma empresa do Grupo Amorim...
Pessoalmente, e é o mínimo que posso fazer, mando daqui uma monumental assobiadela em quatro direcções: (i) o camartelo camarário de Lisboa; (ii) o IPPAR; (iii) a Misericórdia de Lisboa; (iv) o Grupo Amorim... Para que, desta vez (ou a partir de agora), a culpa não morra mais solteira...
2. Aqui fica o texto que recebi ontem, com pedido de ampla divulgação:
"O Bairro Alto está a ser vítima de mais um abuso por parte da Câmara Municipal! Depois da demolição de um quarteirão antigo entre a Rua da Rosa e Rua do Trombeta para a construção de um Condomínio Privado, é tempo de proceder a mais uma destruição: Desta vez o ataque é ao CONVENTO DOS INGLESINHOS!
"A sua descaracterização já está em curso, É URGENTE TRAVÁ-LA ! Património inalienável deste Bairro, cuja construção é do século XVII, portador de uma enorme riqueza, desde os seus muros ao seu jardim de árvores centenárias, enquadrando a magnificência da Igreja de São Pedro e São Paulo e os seus preciosos salões, a sua cozinha e as suas celas, culminando com o Observatório dos seus terraços de onde se pode contemplar a cidade de Lisboa, de nascente a poente, de norte a sul!
"Monumento magnífico implantado em espaço desafogado na mais alta vertente deste Bairro Alto de construção densa e carente de espaços livres, vendido e deixado ao abandono e à especulação imobiliária pela Santa Casa da Misericórdia, a sua existência é vital para o equilíbrio ecológico do Bairro e da Cidade e como tal deve ser recuperado PARA USO E FRUIÇÃO DE TODOS OS CIDADÃOS !
"O Grupo Amorim aproveitou-se do desprezo da Câmara pelo património
colectivo e quer transformar o CONVENTO DOS INGLESINHOS num Condomínio
de Apartamentos de Luxo. VERGONHA: O IPPAR TAMBÉM APROVOU !!!
"Os moradores do Bairro Alto recusam a desfiguração sistemática do seu
Bairro e apelam à presença de todos numa vigília de protesto. VAMOS TRAVAR ESTE 'NEGÓCIO' CONTRA O BAIRRO ALTO !"
3. Ouvi também ecos na imprensa sobre o que se está a passar, bem como da mobilização de moradores do Bairro Alto, incluindo personalidades com relevo na nossa sociedade e na nossa cultura, como por exemplo o cineasta José Fonseca e Costa.
A mim também muito me indigna o que se está a passar. Espero, ao menos, que os 'habitués' do Bairro Alto, e muito em particular os nossos jovens, tenham sensibilidade e coragem para se baterem contra mais esta desavergonhada tentativa de destruição daquele emblemático sítio da nossa Lisboa... A autorização é da Câmara Municipal, o parecer favorável terá sido dado pelo IPPAR, o abandono é imputável à Santa Casa da Misericórida de Lisboa e o crime está a ser praticado por uma empresa do Grupo Amorim...
Pessoalmente, e é o mínimo que posso fazer, mando daqui uma monumental assobiadela em quatro direcções: (i) o camartelo camarário de Lisboa; (ii) o IPPAR; (iii) a Misericórdia de Lisboa; (iv) o Grupo Amorim... Para que, desta vez (ou a partir de agora), a culpa não morra mais solteira...
Portugas que merecem os nossos assobios - IV: O camartelo da Câmara Municipal de Lisboa
1. Estão a destruir o Convento dos Inglesinhos, no Bairro Alto. Recebi um alerta através da minha caixa de correio. Ontem, sexta-feira, dia 8 de Outubro, pelas 22 hoars, estava convocada uma vigília na Travessa dos Inglesinhos,para protestar contra mais um crime de lesa-património que está a ser alvo a nossa cidade, a nossa capital...
2. Aqui fica o texto que recebi ontem, com pedido de ampla divulgação:
"O Bairro Alto está a ser vítima de mais um abuso por parte da Câmara Municipal! Depois da demolição de um quarteirão antigo entre a Rua da Rosa e Rua do Trombeta para a construção de um Condomínio Privado, é tempo de proceder a mais uma destruição: Desta vez o ataque é ao CONVENTO DOS INGLESINHOS!
"A sua descaracterização já está em curso, É URGENTE TRAVÁ-LA ! Património inalienável deste Bairro, cuja construção é do século XVII, portador de uma enorme riqueza, desde os seus muros ao seu jardim de árvores centenárias, enquadrando a magnificência da Igreja de São Pedro e São Paulo e os seus preciosos salões, a sua cozinha e as suas celas, culminando com o Observatório dos seus terraços de onde se pode contemplar a cidade de Lisboa, de nascente a poente, de norte a sul!
"Monumento magnífico implantado em espaço desafogado na mais alta vertente deste Bairro Alto de construção densa e carente de espaços livres, vendido e deixado ao abandono e à especulação imobiliária pela Santa Casa da Misericórdia, a sua existência é vital para o equilíbrio ecológico do Bairro e da Cidade e como tal deve ser recuperado PARA USO E FRUIÇÃO DE TODOS OS CIDADÃOS !
"O Grupo Amorim aproveitou-se do desprezo da Câmara pelo património
colectivo e quer transformar o CONVENTO DOS INGLESINHOS num Condomínio
de Apartamentos de Luxo. VERGONHA: O IPPAR TAMBÉM APROVOU !!!
"Os moradores do Bairro Alto recusam a desfiguração sistemática do seu
Bairro e apelam à presença de todos numa vigília de protesto. VAMOS TRAVAR ESTE 'NEGÓCIO' CONTRA O BAIRRO ALTO !"
3. Ouvi também ecos na imprensa sobre o que se está a passar, bem como da mobilização de moradores do Bairro Alto, incluindo personalidades com relevo na nossa sociedade e na nossa cultura, como por exemplo o cineasta José Fonseca e Costa.
A mim também muito me indigna o que se está a passar. Espero, ao menos, que os 'habitués' do Bairro Alto, e muito em particular os nossos jovens, tenham sensibilidade e coragem para se baterem contra mais esta desavergonhada tentativa de destruição daquele emblemático sítio da nossa Lisboa... A autorização é da Câmara Municipal, o parecer favorável terá sido dado pelo IPPAR, o abandono é imputável à Santa Casa da Misericórida de Lisboa e o crime está a ser praticado por uma empresa do Grupo Amorim...
Pessoalmente, e é o mínimo que posso fazer, mando daqui uma monumental assobiadela em quatro direcções: (i) o camartelo camarário de Lisboa; (ii) o IPPAR; (iii) a Misericórdia de Lisboa; (iv) o Grupo Amorim... Para que, desta vez (ou a partir de agora), a culpa não morra mais solteira...
2. Aqui fica o texto que recebi ontem, com pedido de ampla divulgação:
"O Bairro Alto está a ser vítima de mais um abuso por parte da Câmara Municipal! Depois da demolição de um quarteirão antigo entre a Rua da Rosa e Rua do Trombeta para a construção de um Condomínio Privado, é tempo de proceder a mais uma destruição: Desta vez o ataque é ao CONVENTO DOS INGLESINHOS!
"A sua descaracterização já está em curso, É URGENTE TRAVÁ-LA ! Património inalienável deste Bairro, cuja construção é do século XVII, portador de uma enorme riqueza, desde os seus muros ao seu jardim de árvores centenárias, enquadrando a magnificência da Igreja de São Pedro e São Paulo e os seus preciosos salões, a sua cozinha e as suas celas, culminando com o Observatório dos seus terraços de onde se pode contemplar a cidade de Lisboa, de nascente a poente, de norte a sul!
"Monumento magnífico implantado em espaço desafogado na mais alta vertente deste Bairro Alto de construção densa e carente de espaços livres, vendido e deixado ao abandono e à especulação imobiliária pela Santa Casa da Misericórdia, a sua existência é vital para o equilíbrio ecológico do Bairro e da Cidade e como tal deve ser recuperado PARA USO E FRUIÇÃO DE TODOS OS CIDADÃOS !
"O Grupo Amorim aproveitou-se do desprezo da Câmara pelo património
colectivo e quer transformar o CONVENTO DOS INGLESINHOS num Condomínio
de Apartamentos de Luxo. VERGONHA: O IPPAR TAMBÉM APROVOU !!!
"Os moradores do Bairro Alto recusam a desfiguração sistemática do seu
Bairro e apelam à presença de todos numa vigília de protesto. VAMOS TRAVAR ESTE 'NEGÓCIO' CONTRA O BAIRRO ALTO !"
3. Ouvi também ecos na imprensa sobre o que se está a passar, bem como da mobilização de moradores do Bairro Alto, incluindo personalidades com relevo na nossa sociedade e na nossa cultura, como por exemplo o cineasta José Fonseca e Costa.
A mim também muito me indigna o que se está a passar. Espero, ao menos, que os 'habitués' do Bairro Alto, e muito em particular os nossos jovens, tenham sensibilidade e coragem para se baterem contra mais esta desavergonhada tentativa de destruição daquele emblemático sítio da nossa Lisboa... A autorização é da Câmara Municipal, o parecer favorável terá sido dado pelo IPPAR, o abandono é imputável à Santa Casa da Misericórida de Lisboa e o crime está a ser praticado por uma empresa do Grupo Amorim...
Pessoalmente, e é o mínimo que posso fazer, mando daqui uma monumental assobiadela em quatro direcções: (i) o camartelo camarário de Lisboa; (ii) o IPPAR; (iii) a Misericórdia de Lisboa; (iv) o Grupo Amorim... Para que, desta vez (ou a partir de agora), a culpa não morra mais solteira...
07 outubro 2004
Blogantologia(s) - XIX - Ondjaki ou a 'maka' da existência
Ponham olho neste puto: Ondjaki, pseudónimo literário de Ndalu de Almeida, escritor angolano, 27 anos, licenciado em sociologia. Um talentoso contador de estórias. Um recriador da língua portuguesa, na esteira de Mia Couto. Último romance: "Quantas madrugadas tem a noite" (Luanda: Nzila, 2004; Lisboa: Caminho, 2004). Uma descida ao inferno do quotidiano de Luanda. Empolgante. Lido em 'in loco', entre duas 'ngalas' ou 'birras' (garrafas de cerveja), tem outro fascínio. Porque a "morte morrida" é de pessoa, e a "morte matada" é de cão...
Porque a maka da existência, em Angola, é que se pode morrer e sobreviver, morrer e nascer de novo, podes ter morrido e ter sobrado um pouco de ti... Como insinua o narrador, na primeira pessoa do singular, no final do seu longo solilóquio nocturno: "Sobrei, muadiê? A verdade só: sobrei ou morri mesmo tudo ?".
Indispensável é o recurso ao glossário que vem apenso ao romance, para entender o calão dos caluandas (naturais de Luanda) e das outras desvairadas gentes que lá foram arribar. Não apenas o calão mas também outros termos falados pelas gentes de Luanda, como o kimbundu. Aqui fica uma pequena amostra de entre cerca de 200 termos, e que de algum modo sugerem a atmosfera da história (ou das muitas estórias que se podem contar numa noite):
Avilo, broda, camba, (amigo, companheiro)
Bazeza, djedjedje, matumbo (idiota, boçal)
Bofa, ngaia (bofetada)
Bufunda, cumbú, dodó, guitos (dinheiro, dólar), no caso de dodó)
Bumbar (trabalhar)
Campar, cubar (dormir, mas também morrer, no caso de campar)
Candengue, muadiê, mona (garoto, moço, rapaz)
Capurroto, kimbombo, maluvo (bebida alcoólica)
Dreda (que está na moda, babalado)
Éme (MPLA)
Fobado (faminto)
Janguê (órgão sexual masculino)
Kabomba, ninja (polícia, sendo ninja a polícia de choque)
Kêta (música)
Kijila, maka, malamba (problema)
Kilunza, makarov (pistola)
Kimba (velório)
Mboa, quitía (rapariga, moça, dama)
Mbumbu (negro)
Mô (meu)
Monandengue, ndengue, piô (criança, miúdo)
Muangolê (natural de Angola)
Muata (chefe)
Mujimbo (boatao)
Nguendeiro (grande farrista, frequentador de festas)
Nzambi (Deus)
Paiar (lixar, taramar alguém)
Pitar (comer)
Píter (comida, pitéu)
Quarra (prostituta)
Ruca (carro)
Salo (trabalho)
Sekulu, dikota, kota (mais velho)
Tibaria (bebedeira)
Tuga (português)
Tuji (merda)
Uáine (vinho)
Vuzar (ter relaçõe sexuais)
Xaxeiro (engatão, conquistador)
Xuxuta (órgão sexual feminino)
Zaicô (zairota)
Porque a maka da existência, em Angola, é que se pode morrer e sobreviver, morrer e nascer de novo, podes ter morrido e ter sobrado um pouco de ti... Como insinua o narrador, na primeira pessoa do singular, no final do seu longo solilóquio nocturno: "Sobrei, muadiê? A verdade só: sobrei ou morri mesmo tudo ?".
Indispensável é o recurso ao glossário que vem apenso ao romance, para entender o calão dos caluandas (naturais de Luanda) e das outras desvairadas gentes que lá foram arribar. Não apenas o calão mas também outros termos falados pelas gentes de Luanda, como o kimbundu. Aqui fica uma pequena amostra de entre cerca de 200 termos, e que de algum modo sugerem a atmosfera da história (ou das muitas estórias que se podem contar numa noite):
Avilo, broda, camba, (amigo, companheiro)
Bazeza, djedjedje, matumbo (idiota, boçal)
Bofa, ngaia (bofetada)
Bufunda, cumbú, dodó, guitos (dinheiro, dólar), no caso de dodó)
Bumbar (trabalhar)
Campar, cubar (dormir, mas também morrer, no caso de campar)
Candengue, muadiê, mona (garoto, moço, rapaz)
Capurroto, kimbombo, maluvo (bebida alcoólica)
Dreda (que está na moda, babalado)
Éme (MPLA)
Fobado (faminto)
Janguê (órgão sexual masculino)
Kabomba, ninja (polícia, sendo ninja a polícia de choque)
Kêta (música)
Kijila, maka, malamba (problema)
Kilunza, makarov (pistola)
Kimba (velório)
Mboa, quitía (rapariga, moça, dama)
Mbumbu (negro)
Mô (meu)
Monandengue, ndengue, piô (criança, miúdo)
Muangolê (natural de Angola)
Muata (chefe)
Mujimbo (boatao)
Nguendeiro (grande farrista, frequentador de festas)
Nzambi (Deus)
Paiar (lixar, taramar alguém)
Pitar (comer)
Píter (comida, pitéu)
Quarra (prostituta)
Ruca (carro)
Salo (trabalho)
Sekulu, dikota, kota (mais velho)
Tibaria (bebedeira)
Tuga (português)
Tuji (merda)
Uáine (vinho)
Vuzar (ter relaçõe sexuais)
Xaxeiro (engatão, conquistador)
Xuxuta (órgão sexual feminino)
Zaicô (zairota)
Blogantologia(s) - XIX - Ondjaki ou a 'maka' da existência
Ponham olho neste puto: Ondjaki, pseudónimo literário de Ndalu de Almeida, escritor angolano, 27 anos, licenciado em sociologia. Um talentoso contador de estórias. Um recriador da língua portuguesa, na esteira de Mia Couto. Último romance: "Quantas madrugadas tem a noite" (Luanda: Nzila, 2004; Lisboa: Caminho, 2004). Uma descida ao inferno do quotidiano de Luanda. Empolgante. Lido em 'in loco', entre duas 'ngalas' ou 'birras' (garrafas de cerveja), tem outro fascínio. Porque a "morte morrida" é de pessoa, e a "morte matada" é de cão...
Porque a maka da existência, em Angola, é que se pode morrer e sobreviver, morrer e nascer de novo, podes ter morrido e ter sobrado um pouco de ti... Como insinua o narrador, na primeira pessoa do singular, no final do seu longo solilóquio nocturno: "Sobrei, muadiê? A verdade só: sobrei ou morri mesmo tudo ?".
Indispensável é o recurso ao glossário que vem apenso ao romance, para entender o calão dos caluandas (naturais de Luanda) e das outras desvairadas gentes que lá foram arribar. Não apenas o calão mas também outros termos falados pelas gentes de Luanda, como o kimbundu. Aqui fica uma pequena amostra de entre cerca de 200 termos, e que de algum modo sugerem a atmosfera da história (ou das muitas estórias que se podem contar numa noite):
Avilo, broda, camba, (amigo, companheiro)
Bazeza, djedjedje, matumbo (idiota, boçal)
Bofa, ngaia (bofetada)
Bufunda, cumbú, dodó, guitos (dinheiro, dólar), no caso de dodó)
Bumbar (trabalhar)
Campar, cubar (dormir, mas também morrer, no caso de campar)
Candengue, muadiê, mona (garoto, moço, rapaz)
Capurroto, kimbombo, maluvo (bebida alcoólica)
Dreda (que está na moda, babalado)
Éme (MPLA)
Fobado (faminto)
Janguê (órgão sexual masculino)
Kabomba, ninja (polícia, sendo ninja a polícia de choque)
Kêta (música)
Kijila, maka, malamba (problema)
Kilunza, makarov (pistola)
Kimba (velório)
Mboa, quitía (rapariga, moça, dama)
Mbumbu (negro)
Mô (meu)
Monandengue, ndengue, piô (criança, miúdo)
Muangolê (natural de Angola)
Muata (chefe)
Mujimbo (boatao)
Nguendeiro (grande farrista, frequentador de festas)
Nzambi (Deus)
Paiar (lixar, taramar alguém)
Pitar (comer)
Píter (comida, pitéu)
Quarra (prostituta)
Ruca (carro)
Salo (trabalho)
Sekulu, dikota, kota (mais velho)
Tibaria (bebedeira)
Tuga (português)
Tuji (merda)
Uáine (vinho)
Vuzar (ter relaçõe sexuais)
Xaxeiro (engatão, conquistador)
Xuxuta (órgão sexual feminino)
Zaicô (zairota)
Porque a maka da existência, em Angola, é que se pode morrer e sobreviver, morrer e nascer de novo, podes ter morrido e ter sobrado um pouco de ti... Como insinua o narrador, na primeira pessoa do singular, no final do seu longo solilóquio nocturno: "Sobrei, muadiê? A verdade só: sobrei ou morri mesmo tudo ?".
Indispensável é o recurso ao glossário que vem apenso ao romance, para entender o calão dos caluandas (naturais de Luanda) e das outras desvairadas gentes que lá foram arribar. Não apenas o calão mas também outros termos falados pelas gentes de Luanda, como o kimbundu. Aqui fica uma pequena amostra de entre cerca de 200 termos, e que de algum modo sugerem a atmosfera da história (ou das muitas estórias que se podem contar numa noite):
Avilo, broda, camba, (amigo, companheiro)
Bazeza, djedjedje, matumbo (idiota, boçal)
Bofa, ngaia (bofetada)
Bufunda, cumbú, dodó, guitos (dinheiro, dólar), no caso de dodó)
Bumbar (trabalhar)
Campar, cubar (dormir, mas também morrer, no caso de campar)
Candengue, muadiê, mona (garoto, moço, rapaz)
Capurroto, kimbombo, maluvo (bebida alcoólica)
Dreda (que está na moda, babalado)
Éme (MPLA)
Fobado (faminto)
Janguê (órgão sexual masculino)
Kabomba, ninja (polícia, sendo ninja a polícia de choque)
Kêta (música)
Kijila, maka, malamba (problema)
Kilunza, makarov (pistola)
Kimba (velório)
Mboa, quitía (rapariga, moça, dama)
Mbumbu (negro)
Mô (meu)
Monandengue, ndengue, piô (criança, miúdo)
Muangolê (natural de Angola)
Muata (chefe)
Mujimbo (boatao)
Nguendeiro (grande farrista, frequentador de festas)
Nzambi (Deus)
Paiar (lixar, taramar alguém)
Pitar (comer)
Píter (comida, pitéu)
Quarra (prostituta)
Ruca (carro)
Salo (trabalho)
Sekulu, dikota, kota (mais velho)
Tibaria (bebedeira)
Tuga (português)
Tuji (merda)
Uáine (vinho)
Vuzar (ter relaçõe sexuais)
Xaxeiro (engatão, conquistador)
Xuxuta (órgão sexual feminino)
Zaicô (zairota)
15 setembro 2004
Portugas que merecem as nossas palmas - XII: O presidente da Assembleia da República
O motivo é simples mas pode parecer insólito: O presidente da Assembleia da República é o anfitrião de uma exposição sobre os "Dinossauros da Lourinhã", a inaugurar hoje na casa da nossa democracia.
A organização coube ao GEAL - Museu da Lourinhã, ao qual me prendem laços afectivos e funcionais: mais do que o cargo (quase honorífico) que lá desempenho (como presidente da assembleia geral), o que me leva a deslocar-me até lá e a aceitar o convite para estar presentar, às 17h., na inauguração da exposição, é o poder prestar a minha homenagem ao trabalho de um pequeno grupo de gente generosa e competente (o Horácio, a Isabel, o Octávio, o Simão, o Rui, o Nuno, o Dário, a Marta, o Teles Antunes...), com o apoio da Câmara Municipal da Lourinhã, que quer mostrar aos deputados da nação e aos demais visitantes o que de melhor se faz em paleontologia em Portugal e o que se pode e deve fazer para motivar os jovens para a aventura da ciência, para o desafio da cultura, para a necessidade do estudo, para a defesa do património e do ambiente...
Houve já quem brincasse com a situação, parodiando o tema e dizendo que os verdadeiros dinossauros, os dinossauros excelentíssimos, já lá estão... Parece é que os nossos humoristas de serviço não ainda perceberam o significado que esta exposição tem, ao abrir também as portas da Assembleia da República à sociedade civil, aos cidadãos, à crianças e aos jovens e a coisas tão sérias e tão importantes como a paleontologia dos dinossauros... De qualquer modo, o humor é sempre saudável e, neste caso, está a conribuir também para divulgar o projecto (que é do GEAL, da Lourinhã, do Oeste, do País...) da criação de um futuro Parque Jurássico.
A referida exposição até patente ao público até 15 de Outubro próximo, no horário das 10 às 18h. A entrada é livre. O jornal "Público" consagrou hoje uma página inteira a esta exposição e aos vencedores do 4º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros, organizada pelo GEAL.
Ao GEAL e à Assembleia da República, a minha chapelada!
A organização coube ao GEAL - Museu da Lourinhã, ao qual me prendem laços afectivos e funcionais: mais do que o cargo (quase honorífico) que lá desempenho (como presidente da assembleia geral), o que me leva a deslocar-me até lá e a aceitar o convite para estar presentar, às 17h., na inauguração da exposição, é o poder prestar a minha homenagem ao trabalho de um pequeno grupo de gente generosa e competente (o Horácio, a Isabel, o Octávio, o Simão, o Rui, o Nuno, o Dário, a Marta, o Teles Antunes...), com o apoio da Câmara Municipal da Lourinhã, que quer mostrar aos deputados da nação e aos demais visitantes o que de melhor se faz em paleontologia em Portugal e o que se pode e deve fazer para motivar os jovens para a aventura da ciência, para o desafio da cultura, para a necessidade do estudo, para a defesa do património e do ambiente...
Houve já quem brincasse com a situação, parodiando o tema e dizendo que os verdadeiros dinossauros, os dinossauros excelentíssimos, já lá estão... Parece é que os nossos humoristas de serviço não ainda perceberam o significado que esta exposição tem, ao abrir também as portas da Assembleia da República à sociedade civil, aos cidadãos, à crianças e aos jovens e a coisas tão sérias e tão importantes como a paleontologia dos dinossauros... De qualquer modo, o humor é sempre saudável e, neste caso, está a conribuir também para divulgar o projecto (que é do GEAL, da Lourinhã, do Oeste, do País...) da criação de um futuro Parque Jurássico.
A referida exposição até patente ao público até 15 de Outubro próximo, no horário das 10 às 18h. A entrada é livre. O jornal "Público" consagrou hoje uma página inteira a esta exposição e aos vencedores do 4º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros, organizada pelo GEAL.
Ao GEAL e à Assembleia da República, a minha chapelada!
Portugas que merecem as nossas palmas - XII: O presidente da Assembleia da República
O motivo é simples mas pode parecer insólito: O presidente da Assembleia da República é o anfitrião de uma exposição sobre os "Dinossauros da Lourinhã", a inaugurar hoje na casa da nossa democracia.
A organização coube ao GEAL - Museu da Lourinhã, ao qual me prendem laços afectivos e funcionais: mais do que o cargo (quase honorífico) que lá desempenho (como presidente da assembleia geral), o que me leva a deslocar-me até lá e a aceitar o convite para estar presentar, às 17h., na inauguração da exposição, é o poder prestar a minha homenagem ao trabalho de um pequeno grupo de gente generosa e competente (o Horácio, a Isabel, o Octávio, o Simão, o Rui, o Nuno, o Dário, a Marta, o Teles Antunes...), com o apoio da Câmara Municipal da Lourinhã, que quer mostrar aos deputados da nação e aos demais visitantes o que de melhor se faz em paleontologia em Portugal e o que se pode e deve fazer para motivar os jovens para a aventura da ciência, para o desafio da cultura, para a necessidade do estudo, para a defesa do património e do ambiente...
Houve já quem brincasse com a situação, parodiando o tema e dizendo que os verdadeiros dinossauros, os dinossauros excelentíssimos, já lá estão... Parece é que os nossos humoristas de serviço não ainda perceberam o significado que esta exposição tem, ao abrir também as portas da Assembleia da República à sociedade civil, aos cidadãos, à crianças e aos jovens e a coisas tão sérias e tão importantes como a paleontologia dos dinossauros... De qualquer modo, o humor é sempre saudável e, neste caso, está a conribuir também para divulgar o projecto (que é do GEAL, da Lourinhã, do Oeste, do País...) da criação de um futuro Parque Jurássico.
A referida exposição até patente ao público até 15 de Outubro próximo, no horário das 10 às 18h. A entrada é livre. O jornal "Público" consagrou hoje uma página inteira a esta exposição e aos vencedores do 4º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros, organizada pelo GEAL.
Ao GEAL e à Assembleia da República, a minha chapelada!
A organização coube ao GEAL - Museu da Lourinhã, ao qual me prendem laços afectivos e funcionais: mais do que o cargo (quase honorífico) que lá desempenho (como presidente da assembleia geral), o que me leva a deslocar-me até lá e a aceitar o convite para estar presentar, às 17h., na inauguração da exposição, é o poder prestar a minha homenagem ao trabalho de um pequeno grupo de gente generosa e competente (o Horácio, a Isabel, o Octávio, o Simão, o Rui, o Nuno, o Dário, a Marta, o Teles Antunes...), com o apoio da Câmara Municipal da Lourinhã, que quer mostrar aos deputados da nação e aos demais visitantes o que de melhor se faz em paleontologia em Portugal e o que se pode e deve fazer para motivar os jovens para a aventura da ciência, para o desafio da cultura, para a necessidade do estudo, para a defesa do património e do ambiente...
Houve já quem brincasse com a situação, parodiando o tema e dizendo que os verdadeiros dinossauros, os dinossauros excelentíssimos, já lá estão... Parece é que os nossos humoristas de serviço não ainda perceberam o significado que esta exposição tem, ao abrir também as portas da Assembleia da República à sociedade civil, aos cidadãos, à crianças e aos jovens e a coisas tão sérias e tão importantes como a paleontologia dos dinossauros... De qualquer modo, o humor é sempre saudável e, neste caso, está a conribuir também para divulgar o projecto (que é do GEAL, da Lourinhã, do Oeste, do País...) da criação de um futuro Parque Jurássico.
A referida exposição até patente ao público até 15 de Outubro próximo, no horário das 10 às 18h. A entrada é livre. O jornal "Público" consagrou hoje uma página inteira a esta exposição e aos vencedores do 4º Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros, organizada pelo GEAL.
Ao GEAL e à Assembleia da República, a minha chapelada!
14 setembro 2004
Blogantologia(s) - XVIII: Quando os ventos sopram em Assuão é verão
Egipto, 22-29 de Agosto de 2004
Portugal, verão 2004
Quando os ventos sopram em Assuão é verão
O verão é fértil,
O verão é fútil,
O verão é fértil em coisas fúteis.
O verão é fértil
No Vale do Nilo.
E fútil
Em Abu Simbel.
É no Verão
Que se come melancia
Ao quilo.
Enquanto amadurecem as tâmaras
Vende-se a cultura a granel
Em folhas de falso papiro:
- Welcome, sejam bem vindos a Assuão!
Senhores do norte,
Em Agosto resiste-se melhor à melancolia
Do entardecer
Em África,
Bem como ao medo das escuras câmaras
Da morte,
Na linha do horizonte,
Abaixo do Trópico de Câncer.
Em Abu Simbel,
O verão é ostentação.
Eu prefiro
Os ostraca
Onde o operário
De Deir el-Medina
Falava da sua condição
De produtor, de artesão,
De construtor de túmulos,
De guardador de segredos,
De malandro e de grevista,
De salteador e de ladrão,
De violador de medos
E de barqueiro de Queronte.
Eu sempre achei que esta estação
Não rimava com poesia.
Mas eu não sou o Ramsés Segundo
Nem conheço o caminho irreversível
Para a imortalidade.
Aqui o verão é fértil
Em coisas fúteis
Como o escriba acocorado
Perante o espectáculo risível
Do mundo globalizado.
Na terra prometida do pão e do mel
Tenham cuidado, meus senhores,
Com os vegetais,
Bebam águas minerais,
Levem dimicina e ultralevure
Por causa dos desarranjos intestinais.
- E o vírus do Nilo ? É mortal ?
- Descanse, minha senhora,
Que o barco tem escolta policial.
Na Ilha Elefantina
Não há manicure,
Há apenas pessoas inúteis
Que adoram subir aos píncaros do verão.
De camelo.
- Sobretudo não tome uísque
Com gelo,
Pode ler-se numa tabuleta
À beira do lago Nasser.
- Meus senhores, estamos em África,
'Be careful'.
Aqui o verão é, por excelência,
O paraíso com o ocre
Como pano de fundo.
O verão é uma casa de adobe
E uma esteira no chão
E os altos muros do deserto
Estrangulando o fio de água da vida.
- Ah, o nascer e o pôr do sol,
Não esquecer de desfrutar
O deus-sol.
Porque o verão no Egipto
É a rosa do mundo.
O misticismo. A demência.
Os calores de Santa Teresa d’Ávila
Em trabalho de múltiplos orgasmos.
No Vale dos Reis.
E das Rainhas.
E dos Nobres.
Esqueçam, por favor,
A mastabas dos pobres:
- Não vêm nos roteiros turísticos!
O verão é o sexo distendido.
O músculo relaxado.
A alma em carne viva.
A praia. O creme Nívea.
O postal ilustrado.
A alegre promiscuidade
Dos cinco sentidos.
O Cairo em três dimensões.
O meu gin tónico com limão.
A carne em decomposição.
O desastre humanitário.
Mais ao fundo a Núbia, o Sudão.
Os dóceis núbios.
As volúpteis núbias.
A tragédia de Darfur.
A louca montanha russa.
O bazar.
A dança do ventre
Dançada por travestis, canastrões.
A mesquita de alabastro.
O mítico mar vermelho.
A Sagrada Família.
Jesus, Maria e José.
O burrinho puxando a nora.
A felicidade a preço de saldo.
O exotismo com molho de bechamel.
O oásis no deserto.
Todos os estereótipos do mundo.
- Tirem uma fotografia digital.
Da varanda do hotel Marriott.
Gostaria de apresentar uma reclamação,
Por escrito, ao senhor vizir:
- Eu estive em Abu Simbel
E experimentei as dificuldades
Da comunicação humana.
O verão é o Vale do Nilo
Um gigantesco falo
Que penetra, fundo,
A terra árida e seca
Da Mãe África.
Gretada, a terra, a carne.
- White women, carne branca.
I Egiptian man, fertility man.
Portugal ? Good, Luís Figo.
Do alto da mesquita de Najaf,
Mais acima no mapa do corpo humano,
Diz o guia, o nosso guia,
Com o coração sangrando
De dor
Pelos seus irmãos,
Xiitas, sunitas, ismaelistas;
Ou do alto das pirâmides de Sakara
Há um imã que te notifica
Por carta registada com aviso de recepção:
- Que a vida eterna te chama
E exige a mortificação, a mumificação.
Recebi hoje correio de Lisboa
Onde a fertilidade da futilidade
É agora um problema de saúde pública.
Um osso duro
De roer.
Tão duro como o granito de Assuão
Donde sopra o vento que modela
O rosto das esfinges.
De Lisboa ao Cairo
Ergo o templo do futuro
Com paragem técnica em Luxor
Para consultar os arquitectos da eternidade.
A antiga Tebas, a cidade das cem portas,
É hoje um pequeno burgo.
E o meu guia, egípcio, brasileiro,
Diz que tem o coração a sangrar.
Marcos chora pelos seus irmãos
De Najaf, no Iraque,
E confidencia:
- Eu nunca poderia trabalhar
Para os meus inimigos e vizinhos de Israel.
Por muito dinheiro que me pagassem.
Tenham santa paciência.
Os pobres. Os diabos.
Os pobres diabos.
Os santos. Os turistas.
Os contribuintes.
Os camponeses.
Os escribas.
Os romancistas policiais.
Os arqueólogos.
Os caçadores de tesouros.
As esposas dos ricos homens de negócios das arábias.
Os sacerdotes do templo de Kom-Omb
Que eram carecas.
- E sobretudo os pobres.
Porque deles será o reino da terra.
Pobre planeta, sem rei nem roque.
E com tantos súbditos.
Por favor ponham a escrita em dia.
Pesem a alma.
Meçam as bolsas.
Leiam o Livro dos Mortos
Ou A Morte no Nilo,
Que o barco vai zarpar.
- Um oiro um oiro, amigo.
Para o Habibo.
E para o camelo do Habibo.
Óscar, de seu nome.
E o Estado garante
Que não pode ser,
Que não pode mais no futuro
Garantir que é Estado.
E muito menos Estado-Providência.
E pagar o leitinho às criancinhas.
E o funeral aos velhinhos.
E a múmia do faraó.
Deixem isso às madraças
E à caridade em tempo de Ramadão.
Resta-nos a Alta Autoridade do Nilo
Que regula os influxos
E os defluxos dos deuses.
E a exploração do trabalho infantil
Nas escolas-fábricas de tapeçarias
Em Memphis.
Na verdade,
O verão é apenas uma estação.
De comboio.
Do comboio de via estreita
Que vai do nascer ao morrer.
Ou quem diz estação
Diz cais. De chegar. De apodrecer.
Como esta falua do Nilo à beira Tejo
Que é o rio que passa à minha porta.
Sexta-feira, treze
De Agosto.
Dia de azar,
Quer queiram, quer não.
A indústria do lazer, aposto,
Vai ser o principal foco de infecção
Neste pico de verão.
Tenham cuidado com o cão
E com a maldição
Do Faraó Tutankamon.
Morreu a indústria dos metais pesados,
Viva a indústria do lazer.
Leve. Ecológica. De terceira vaga.
Com homologação.
Com certificação.
Com acreditação.
Com exemplos de boas práticas.
Com análises de custo/benefício.
Graças ao lóbi da qualidade
O mundo vai bem melhor.
Que a vida é dura.
E o que a gente faz para ganhá-la.
Como o búfalo que pasta
Nas margens do Nilo.
Como qualquer búfalo domesticado
Depois de trabalhar o dia inteiro
Para o seu suserano,
O camponês egípcio.
Que por sua vez alimenta
O Faraó e as suas esposas e concubinas,
O seu exército, a sua polícia núbia
E a legião de escribas
Que têm o monopólio da escrita.
E do saber.
Hoje as partes pudendas,
A zona púbica,
A coisa pia
Do Portugal contemporâneo
Vai ser matéria de alto relevo
Na televisão.
Diz o Eça, o escriba acocorado,
Em missão de reportagem
Na inauguração do Canal do Suez.
Já não temos rei.
Nem o tique aristocrático
Do beija-mão.
Nem o Conde de Burnay
Nem faraó. Nem deuses. Agora é
A república quem mais ordena.
Senão popular, pelo menos populista.
A coisa pia mais fino
No Portugal pequenino
Mas democrático.
Imagino.
Sem imagem nem voz.
Porque estou em férias
Num cruzeiro do Nilo.
A observar o elegante voo da garça.
- Onde estará o pelicano ?
E a cegonha preta ?
E os filhos ilegítimos do povo ?
No barco não apanho
A RTP, felizmente de todos nós.
Nem sei se o Porto perdeu na supertaça
E o Obikwelo ganhou
A medalha de prata dos 100 metros
Nas Olimpíadas de Atenas.
- Turco, grego, tunisino ?
Espanhol, italiano, palestino ?
- Não, português !
- Ah!, Portugal, Luís Figo! Compra, amigo.
- Quanto, quanto ? Dez nove oito sete seis cinco.
Quatro três dois, um!
- É só um oiro, amigo.
Que o Habibo tem fome mais o camelo.
Maria do Patrocínio
Minha avó materna.
Lembrei-me de ti, Tia Patxina.
Patxina, de alcunha,
Uma alcunha tão terna.
Nunca foste rainha,
Nunca te chamariam Hatshepstut,
Nem te construiriam o templo
Mais belo do mundo
Na aldeia do Nadrupe.
Morreste cega,
Sem hieroglifos gravados na estela,
Tia Patxina,
Apalpando os netos
O cabelo a cara.
E não te mumificaram
Nem muito menos te operaram
Que no teu tempo
As obras de misericórdia
Eram sete espirituais
E sete corporais.
Como no Egipto dos faraós.
Como as pragas do Egipto.
Como nesta triste aldeia núbia
Que é uma espécie de reserva dos índios
Cá do sítio.
Com crocodilos de plástico
E pretos garanhões de olhos verdes.
E onde há uma velhota
Cega como tu, minha avó,
Que vende bugigangas pró turista.
De Assuão a Luxor
Eu gostaria de ter escrito
Um poema sobre os meus estados de alma.
Tão contraditórios que se anulam.
A verdade é que encontrei aqui
Um povo afável.
Mas que me adianta o pedigree
E os cinco milénios de civilização
E o templo de Edfu
Se nada nudou na minha condição
De burro carrejão ?
Sopra o vento dessecante.
Estou em Assuão.
Nos píncaros do verão.
Portugal, verão 2004
Quando os ventos sopram em Assuão é verão
O verão é fértil,
O verão é fútil,
O verão é fértil em coisas fúteis.
O verão é fértil
No Vale do Nilo.
E fútil
Em Abu Simbel.
É no Verão
Que se come melancia
Ao quilo.
Enquanto amadurecem as tâmaras
Vende-se a cultura a granel
Em folhas de falso papiro:
- Welcome, sejam bem vindos a Assuão!
Senhores do norte,
Em Agosto resiste-se melhor à melancolia
Do entardecer
Em África,
Bem como ao medo das escuras câmaras
Da morte,
Na linha do horizonte,
Abaixo do Trópico de Câncer.
Em Abu Simbel,
O verão é ostentação.
Eu prefiro
Os ostraca
Onde o operário
De Deir el-Medina
Falava da sua condição
De produtor, de artesão,
De construtor de túmulos,
De guardador de segredos,
De malandro e de grevista,
De salteador e de ladrão,
De violador de medos
E de barqueiro de Queronte.
Eu sempre achei que esta estação
Não rimava com poesia.
Mas eu não sou o Ramsés Segundo
Nem conheço o caminho irreversível
Para a imortalidade.
Aqui o verão é fértil
Em coisas fúteis
Como o escriba acocorado
Perante o espectáculo risível
Do mundo globalizado.
Na terra prometida do pão e do mel
Tenham cuidado, meus senhores,
Com os vegetais,
Bebam águas minerais,
Levem dimicina e ultralevure
Por causa dos desarranjos intestinais.
- E o vírus do Nilo ? É mortal ?
- Descanse, minha senhora,
Que o barco tem escolta policial.
Na Ilha Elefantina
Não há manicure,
Há apenas pessoas inúteis
Que adoram subir aos píncaros do verão.
De camelo.
- Sobretudo não tome uísque
Com gelo,
Pode ler-se numa tabuleta
À beira do lago Nasser.
- Meus senhores, estamos em África,
'Be careful'.
Aqui o verão é, por excelência,
O paraíso com o ocre
Como pano de fundo.
O verão é uma casa de adobe
E uma esteira no chão
E os altos muros do deserto
Estrangulando o fio de água da vida.
- Ah, o nascer e o pôr do sol,
Não esquecer de desfrutar
O deus-sol.
Porque o verão no Egipto
É a rosa do mundo.
O misticismo. A demência.
Os calores de Santa Teresa d’Ávila
Em trabalho de múltiplos orgasmos.
No Vale dos Reis.
E das Rainhas.
E dos Nobres.
Esqueçam, por favor,
A mastabas dos pobres:
- Não vêm nos roteiros turísticos!
O verão é o sexo distendido.
O músculo relaxado.
A alma em carne viva.
A praia. O creme Nívea.
O postal ilustrado.
A alegre promiscuidade
Dos cinco sentidos.
O Cairo em três dimensões.
O meu gin tónico com limão.
A carne em decomposição.
O desastre humanitário.
Mais ao fundo a Núbia, o Sudão.
Os dóceis núbios.
As volúpteis núbias.
A tragédia de Darfur.
A louca montanha russa.
O bazar.
A dança do ventre
Dançada por travestis, canastrões.
A mesquita de alabastro.
O mítico mar vermelho.
A Sagrada Família.
Jesus, Maria e José.
O burrinho puxando a nora.
A felicidade a preço de saldo.
O exotismo com molho de bechamel.
O oásis no deserto.
Todos os estereótipos do mundo.
- Tirem uma fotografia digital.
Da varanda do hotel Marriott.
Gostaria de apresentar uma reclamação,
Por escrito, ao senhor vizir:
- Eu estive em Abu Simbel
E experimentei as dificuldades
Da comunicação humana.
O verão é o Vale do Nilo
Um gigantesco falo
Que penetra, fundo,
A terra árida e seca
Da Mãe África.
Gretada, a terra, a carne.
- White women, carne branca.
I Egiptian man, fertility man.
Portugal ? Good, Luís Figo.
Do alto da mesquita de Najaf,
Mais acima no mapa do corpo humano,
Diz o guia, o nosso guia,
Com o coração sangrando
De dor
Pelos seus irmãos,
Xiitas, sunitas, ismaelistas;
Ou do alto das pirâmides de Sakara
Há um imã que te notifica
Por carta registada com aviso de recepção:
- Que a vida eterna te chama
E exige a mortificação, a mumificação.
Recebi hoje correio de Lisboa
Onde a fertilidade da futilidade
É agora um problema de saúde pública.
Um osso duro
De roer.
Tão duro como o granito de Assuão
Donde sopra o vento que modela
O rosto das esfinges.
De Lisboa ao Cairo
Ergo o templo do futuro
Com paragem técnica em Luxor
Para consultar os arquitectos da eternidade.
A antiga Tebas, a cidade das cem portas,
É hoje um pequeno burgo.
E o meu guia, egípcio, brasileiro,
Diz que tem o coração a sangrar.
Marcos chora pelos seus irmãos
De Najaf, no Iraque,
E confidencia:
- Eu nunca poderia trabalhar
Para os meus inimigos e vizinhos de Israel.
Por muito dinheiro que me pagassem.
Tenham santa paciência.
Os pobres. Os diabos.
Os pobres diabos.
Os santos. Os turistas.
Os contribuintes.
Os camponeses.
Os escribas.
Os romancistas policiais.
Os arqueólogos.
Os caçadores de tesouros.
As esposas dos ricos homens de negócios das arábias.
Os sacerdotes do templo de Kom-Omb
Que eram carecas.
- E sobretudo os pobres.
Porque deles será o reino da terra.
Pobre planeta, sem rei nem roque.
E com tantos súbditos.
Por favor ponham a escrita em dia.
Pesem a alma.
Meçam as bolsas.
Leiam o Livro dos Mortos
Ou A Morte no Nilo,
Que o barco vai zarpar.
- Um oiro um oiro, amigo.
Para o Habibo.
E para o camelo do Habibo.
Óscar, de seu nome.
E o Estado garante
Que não pode ser,
Que não pode mais no futuro
Garantir que é Estado.
E muito menos Estado-Providência.
E pagar o leitinho às criancinhas.
E o funeral aos velhinhos.
E a múmia do faraó.
Deixem isso às madraças
E à caridade em tempo de Ramadão.
Resta-nos a Alta Autoridade do Nilo
Que regula os influxos
E os defluxos dos deuses.
E a exploração do trabalho infantil
Nas escolas-fábricas de tapeçarias
Em Memphis.
Na verdade,
O verão é apenas uma estação.
De comboio.
Do comboio de via estreita
Que vai do nascer ao morrer.
Ou quem diz estação
Diz cais. De chegar. De apodrecer.
Como esta falua do Nilo à beira Tejo
Que é o rio que passa à minha porta.
Sexta-feira, treze
De Agosto.
Dia de azar,
Quer queiram, quer não.
A indústria do lazer, aposto,
Vai ser o principal foco de infecção
Neste pico de verão.
Tenham cuidado com o cão
E com a maldição
Do Faraó Tutankamon.
Morreu a indústria dos metais pesados,
Viva a indústria do lazer.
Leve. Ecológica. De terceira vaga.
Com homologação.
Com certificação.
Com acreditação.
Com exemplos de boas práticas.
Com análises de custo/benefício.
Graças ao lóbi da qualidade
O mundo vai bem melhor.
Que a vida é dura.
E o que a gente faz para ganhá-la.
Como o búfalo que pasta
Nas margens do Nilo.
Como qualquer búfalo domesticado
Depois de trabalhar o dia inteiro
Para o seu suserano,
O camponês egípcio.
Que por sua vez alimenta
O Faraó e as suas esposas e concubinas,
O seu exército, a sua polícia núbia
E a legião de escribas
Que têm o monopólio da escrita.
E do saber.
Hoje as partes pudendas,
A zona púbica,
A coisa pia
Do Portugal contemporâneo
Vai ser matéria de alto relevo
Na televisão.
Diz o Eça, o escriba acocorado,
Em missão de reportagem
Na inauguração do Canal do Suez.
Já não temos rei.
Nem o tique aristocrático
Do beija-mão.
Nem o Conde de Burnay
Nem faraó. Nem deuses. Agora é
A república quem mais ordena.
Senão popular, pelo menos populista.
A coisa pia mais fino
No Portugal pequenino
Mas democrático.
Imagino.
Sem imagem nem voz.
Porque estou em férias
Num cruzeiro do Nilo.
A observar o elegante voo da garça.
- Onde estará o pelicano ?
E a cegonha preta ?
E os filhos ilegítimos do povo ?
No barco não apanho
A RTP, felizmente de todos nós.
Nem sei se o Porto perdeu na supertaça
E o Obikwelo ganhou
A medalha de prata dos 100 metros
Nas Olimpíadas de Atenas.
- Turco, grego, tunisino ?
Espanhol, italiano, palestino ?
- Não, português !
- Ah!, Portugal, Luís Figo! Compra, amigo.
- Quanto, quanto ? Dez nove oito sete seis cinco.
Quatro três dois, um!
- É só um oiro, amigo.
Que o Habibo tem fome mais o camelo.
Maria do Patrocínio
Minha avó materna.
Lembrei-me de ti, Tia Patxina.
Patxina, de alcunha,
Uma alcunha tão terna.
Nunca foste rainha,
Nunca te chamariam Hatshepstut,
Nem te construiriam o templo
Mais belo do mundo
Na aldeia do Nadrupe.
Morreste cega,
Sem hieroglifos gravados na estela,
Tia Patxina,
Apalpando os netos
O cabelo a cara.
E não te mumificaram
Nem muito menos te operaram
Que no teu tempo
As obras de misericórdia
Eram sete espirituais
E sete corporais.
Como no Egipto dos faraós.
Como as pragas do Egipto.
Como nesta triste aldeia núbia
Que é uma espécie de reserva dos índios
Cá do sítio.
Com crocodilos de plástico
E pretos garanhões de olhos verdes.
E onde há uma velhota
Cega como tu, minha avó,
Que vende bugigangas pró turista.
De Assuão a Luxor
Eu gostaria de ter escrito
Um poema sobre os meus estados de alma.
Tão contraditórios que se anulam.
A verdade é que encontrei aqui
Um povo afável.
Mas que me adianta o pedigree
E os cinco milénios de civilização
E o templo de Edfu
Se nada nudou na minha condição
De burro carrejão ?
Sopra o vento dessecante.
Estou em Assuão.
Nos píncaros do verão.
Blogantologia(s) - XVIII: Quando os ventos sopram em Assuão é verão
Egipto, 22-29 de Agosto de 2004
Portugal, verão 2004
Quando os ventos sopram em Assuão é verão
O verão é fértil,
O verão é fútil,
O verão é fértil em coisas fúteis.
O verão é fértil
No Vale do Nilo.
E fútil
Em Abu Simbel.
É no Verão
Que se come melancia
Ao quilo.
Enquanto amadurecem as tâmaras
Vende-se a cultura a granel
Em folhas de falso papiro:
- Welcome, sejam bem vindos a Assuão!
Senhores do norte,
Em Agosto resiste-se melhor à melancolia
Do entardecer
Em África,
Bem como ao medo das escuras câmaras
Da morte,
Na linha do horizonte,
Abaixo do Trópico de Câncer.
Em Abu Simbel,
O verão é ostentação.
Eu prefiro
Os ostraca
Onde o operário
De Deir el-Medina
Falava da sua condição
De produtor, de artesão,
De construtor de túmulos,
De guardador de segredos,
De malandro e de grevista,
De salteador e de ladrão,
De violador de medos
E de barqueiro de Queronte.
Eu sempre achei que esta estação
Não rimava com poesia.
Mas eu não sou o Ramsés Segundo
Nem conheço o caminho irreversível
Para a imortalidade.
Aqui o verão é fértil
Em coisas fúteis
Como o escriba acocorado
Perante o espectáculo risível
Do mundo globalizado.
Na terra prometida do pão e do mel
Tenham cuidado, meus senhores,
Com os vegetais,
Bebam águas minerais,
Levem dimicina e ultralevure
Por causa dos desarranjos intestinais.
- E o vírus do Nilo ? É mortal ?
- Descanse, minha senhora,
Que o barco tem escolta policial.
Na Ilha Elefantina
Não há manicure,
Há apenas pessoas inúteis
Que adoram subir aos píncaros do verão.
De camelo.
- Sobretudo não tome uísque
Com gelo,
Pode ler-se numa tabuleta
À beira do lago Nasser.
- Meus senhores, estamos em África,
'Be careful'.
Aqui o verão é, por excelência,
O paraíso com o ocre
Como pano de fundo.
O verão é uma casa de adobe
E uma esteira no chão
E os altos muros do deserto
Estrangulando o fio de água da vida.
- Ah, o nascer e o pôr do sol,
Não esquecer de desfrutar
O deus-sol.
Porque o verão no Egipto
É a rosa do mundo.
O misticismo. A demência.
Os calores de Santa Teresa d’Ávila
Em trabalho de múltiplos orgasmos.
No Vale dos Reis.
E das Rainhas.
E dos Nobres.
Esqueçam, por favor,
A mastabas dos pobres:
- Não vêm nos roteiros turísticos!
O verão é o sexo distendido.
O músculo relaxado.
A alma em carne viva.
A praia. O creme Nívea.
O postal ilustrado.
A alegre promiscuidade
Dos cinco sentidos.
O Cairo em três dimensões.
O meu gin tónico com limão.
A carne em decomposição.
O desastre humanitário.
Mais ao fundo a Núbia, o Sudão.
Os dóceis núbios.
As volúpteis núbias.
A tragédia de Darfur.
A louca montanha russa.
O bazar.
A dança do ventre
Dançada por travestis, canastrões.
A mesquita de alabastro.
O mítico mar vermelho.
A Sagrada Família.
Jesus, Maria e José.
O burrinho puxando a nora.
A felicidade a preço de saldo.
O exotismo com molho de bechamel.
O oásis no deserto.
Todos os estereótipos do mundo.
- Tirem uma fotografia digital.
Da varanda do hotel Marriott.
Gostaria de apresentar uma reclamação,
Por escrito, ao senhor vizir:
- Eu estive em Abu Simbel
E experimentei as dificuldades
Da comunicação humana.
O verão é o Vale do Nilo
Um gigantesco falo
Que penetra, fundo,
A terra árida e seca
Da Mãe África.
Gretada, a terra, a carne.
- White women, carne branca.
I Egiptian man, fertility man.
Portugal ? Good, Luís Figo.
Do alto da mesquita de Najaf,
Mais acima no mapa do corpo humano,
Diz o guia, o nosso guia,
Com o coração sangrando
De dor
Pelos seus irmãos,
Xiitas, sunitas, ismaelistas;
Ou do alto das pirâmides de Sakara
Há um imã que te notifica
Por carta registada com aviso de recepção:
- Que a vida eterna te chama
E exige a mortificação, a mumificação.
Recebi hoje correio de Lisboa
Onde a fertilidade da futilidade
É agora um problema de saúde pública.
Um osso duro
De roer.
Tão duro como o granito de Assuão
Donde sopra o vento que modela
O rosto das esfinges.
De Lisboa ao Cairo
Ergo o templo do futuro
Com paragem técnica em Luxor
Para consultar os arquitectos da eternidade.
A antiga Tebas, a cidade das cem portas,
É hoje um pequeno burgo.
E o meu guia, egípcio, brasileiro,
Diz que tem o coração a sangrar.
Marcos chora pelos seus irmãos
De Najaf, no Iraque,
E confidencia:
- Eu nunca poderia trabalhar
Para os meus inimigos e vizinhos de Israel.
Por muito dinheiro que me pagassem.
Tenham santa paciência.
Os pobres. Os diabos.
Os pobres diabos.
Os santos. Os turistas.
Os contribuintes.
Os camponeses.
Os escribas.
Os romancistas policiais.
Os arqueólogos.
Os caçadores de tesouros.
As esposas dos ricos homens de negócios das arábias.
Os sacerdotes do templo de Kom-Omb
Que eram carecas.
- E sobretudo os pobres.
Porque deles será o reino da terra.
Pobre planeta, sem rei nem roque.
E com tantos súbditos.
Por favor ponham a escrita em dia.
Pesem a alma.
Meçam as bolsas.
Leiam o Livro dos Mortos
Ou A Morte no Nilo,
Que o barco vai zarpar.
- Um oiro um oiro, amigo.
Para o Habibo.
E para o camelo do Habibo.
Óscar, de seu nome.
E o Estado garante
Que não pode ser,
Que não pode mais no futuro
Garantir que é Estado.
E muito menos Estado-Providência.
E pagar o leitinho às criancinhas.
E o funeral aos velhinhos.
E a múmia do faraó.
Deixem isso às madraças
E à caridade em tempo de Ramadão.
Resta-nos a Alta Autoridade do Nilo
Que regula os influxos
E os defluxos dos deuses.
E a exploração do trabalho infantil
Nas escolas-fábricas de tapeçarias
Em Memphis.
Na verdade,
O verão é apenas uma estação.
De comboio.
Do comboio de via estreita
Que vai do nascer ao morrer.
Ou quem diz estação
Diz cais. De chegar. De apodrecer.
Como esta falua do Nilo à beira Tejo
Que é o rio que passa à minha porta.
Sexta-feira, treze
De Agosto.
Dia de azar,
Quer queiram, quer não.
A indústria do lazer, aposto,
Vai ser o principal foco de infecção
Neste pico de verão.
Tenham cuidado com o cão
E com a maldição
Do Faraó Tutankamon.
Morreu a indústria dos metais pesados,
Viva a indústria do lazer.
Leve. Ecológica. De terceira vaga.
Com homologação.
Com certificação.
Com acreditação.
Com exemplos de boas práticas.
Com análises de custo/benefício.
Graças ao lóbi da qualidade
O mundo vai bem melhor.
Que a vida é dura.
E o que a gente faz para ganhá-la.
Como o búfalo que pasta
Nas margens do Nilo.
Como qualquer búfalo domesticado
Depois de trabalhar o dia inteiro
Para o seu suserano,
O camponês egípcio.
Que por sua vez alimenta
O Faraó e as suas esposas e concubinas,
O seu exército, a sua polícia núbia
E a legião de escribas
Que têm o monopólio da escrita.
E do saber.
Hoje as partes pudendas,
A zona púbica,
A coisa pia
Do Portugal contemporâneo
Vai ser matéria de alto relevo
Na televisão.
Diz o Eça, o escriba acocorado,
Em missão de reportagem
Na inauguração do Canal do Suez.
Já não temos rei.
Nem o tique aristocrático
Do beija-mão.
Nem o Conde de Burnay
Nem faraó. Nem deuses. Agora é
A república quem mais ordena.
Senão popular, pelo menos populista.
A coisa pia mais fino
No Portugal pequenino
Mas democrático.
Imagino.
Sem imagem nem voz.
Porque estou em férias
Num cruzeiro do Nilo.
A observar o elegante voo da garça.
- Onde estará o pelicano ?
E a cegonha preta ?
E os filhos ilegítimos do povo ?
No barco não apanho
A RTP, felizmente de todos nós.
Nem sei se o Porto perdeu na supertaça
E o Obikwelo ganhou
A medalha de prata dos 100 metros
Nas Olimpíadas de Atenas.
- Turco, grego, tunisino ?
Espanhol, italiano, palestino ?
- Não, português !
- Ah!, Portugal, Luís Figo! Compra, amigo.
- Quanto, quanto ? Dez nove oito sete seis cinco.
Quatro três dois, um!
- É só um oiro, amigo.
Que o Habibo tem fome mais o camelo.
Maria do Patrocínio
Minha avó materna.
Lembrei-me de ti, Tia Patxina.
Patxina, de alcunha,
Uma alcunha tão terna.
Nunca foste rainha,
Nunca te chamariam Hatshepstut,
Nem te construiriam o templo
Mais belo do mundo
Na aldeia do Nadrupe.
Morreste cega,
Sem hieroglifos gravados na estela,
Tia Patxina,
Apalpando os netos
O cabelo a cara.
E não te mumificaram
Nem muito menos te operaram
Que no teu tempo
As obras de misericórdia
Eram sete espirituais
E sete corporais.
Como no Egipto dos faraós.
Como as pragas do Egipto.
Como nesta triste aldeia núbia
Que é uma espécie de reserva dos índios
Cá do sítio.
Com crocodilos de plástico
E pretos garanhões de olhos verdes.
E onde há uma velhota
Cega como tu, minha avó,
Que vende bugigangas pró turista.
De Assuão a Luxor
Eu gostaria de ter escrito
Um poema sobre os meus estados de alma.
Tão contraditórios que se anulam.
A verdade é que encontrei aqui
Um povo afável.
Mas que me adianta o pedigree
E os cinco milénios de civilização
E o templo de Edfu
Se nada nudou na minha condição
De burro carrejão ?
Sopra o vento dessecante.
Estou em Assuão.
Nos píncaros do verão.
Portugal, verão 2004
Quando os ventos sopram em Assuão é verão
O verão é fértil,
O verão é fútil,
O verão é fértil em coisas fúteis.
O verão é fértil
No Vale do Nilo.
E fútil
Em Abu Simbel.
É no Verão
Que se come melancia
Ao quilo.
Enquanto amadurecem as tâmaras
Vende-se a cultura a granel
Em folhas de falso papiro:
- Welcome, sejam bem vindos a Assuão!
Senhores do norte,
Em Agosto resiste-se melhor à melancolia
Do entardecer
Em África,
Bem como ao medo das escuras câmaras
Da morte,
Na linha do horizonte,
Abaixo do Trópico de Câncer.
Em Abu Simbel,
O verão é ostentação.
Eu prefiro
Os ostraca
Onde o operário
De Deir el-Medina
Falava da sua condição
De produtor, de artesão,
De construtor de túmulos,
De guardador de segredos,
De malandro e de grevista,
De salteador e de ladrão,
De violador de medos
E de barqueiro de Queronte.
Eu sempre achei que esta estação
Não rimava com poesia.
Mas eu não sou o Ramsés Segundo
Nem conheço o caminho irreversível
Para a imortalidade.
Aqui o verão é fértil
Em coisas fúteis
Como o escriba acocorado
Perante o espectáculo risível
Do mundo globalizado.
Na terra prometida do pão e do mel
Tenham cuidado, meus senhores,
Com os vegetais,
Bebam águas minerais,
Levem dimicina e ultralevure
Por causa dos desarranjos intestinais.
- E o vírus do Nilo ? É mortal ?
- Descanse, minha senhora,
Que o barco tem escolta policial.
Na Ilha Elefantina
Não há manicure,
Há apenas pessoas inúteis
Que adoram subir aos píncaros do verão.
De camelo.
- Sobretudo não tome uísque
Com gelo,
Pode ler-se numa tabuleta
À beira do lago Nasser.
- Meus senhores, estamos em África,
'Be careful'.
Aqui o verão é, por excelência,
O paraíso com o ocre
Como pano de fundo.
O verão é uma casa de adobe
E uma esteira no chão
E os altos muros do deserto
Estrangulando o fio de água da vida.
- Ah, o nascer e o pôr do sol,
Não esquecer de desfrutar
O deus-sol.
Porque o verão no Egipto
É a rosa do mundo.
O misticismo. A demência.
Os calores de Santa Teresa d’Ávila
Em trabalho de múltiplos orgasmos.
No Vale dos Reis.
E das Rainhas.
E dos Nobres.
Esqueçam, por favor,
A mastabas dos pobres:
- Não vêm nos roteiros turísticos!
O verão é o sexo distendido.
O músculo relaxado.
A alma em carne viva.
A praia. O creme Nívea.
O postal ilustrado.
A alegre promiscuidade
Dos cinco sentidos.
O Cairo em três dimensões.
O meu gin tónico com limão.
A carne em decomposição.
O desastre humanitário.
Mais ao fundo a Núbia, o Sudão.
Os dóceis núbios.
As volúpteis núbias.
A tragédia de Darfur.
A louca montanha russa.
O bazar.
A dança do ventre
Dançada por travestis, canastrões.
A mesquita de alabastro.
O mítico mar vermelho.
A Sagrada Família.
Jesus, Maria e José.
O burrinho puxando a nora.
A felicidade a preço de saldo.
O exotismo com molho de bechamel.
O oásis no deserto.
Todos os estereótipos do mundo.
- Tirem uma fotografia digital.
Da varanda do hotel Marriott.
Gostaria de apresentar uma reclamação,
Por escrito, ao senhor vizir:
- Eu estive em Abu Simbel
E experimentei as dificuldades
Da comunicação humana.
O verão é o Vale do Nilo
Um gigantesco falo
Que penetra, fundo,
A terra árida e seca
Da Mãe África.
Gretada, a terra, a carne.
- White women, carne branca.
I Egiptian man, fertility man.
Portugal ? Good, Luís Figo.
Do alto da mesquita de Najaf,
Mais acima no mapa do corpo humano,
Diz o guia, o nosso guia,
Com o coração sangrando
De dor
Pelos seus irmãos,
Xiitas, sunitas, ismaelistas;
Ou do alto das pirâmides de Sakara
Há um imã que te notifica
Por carta registada com aviso de recepção:
- Que a vida eterna te chama
E exige a mortificação, a mumificação.
Recebi hoje correio de Lisboa
Onde a fertilidade da futilidade
É agora um problema de saúde pública.
Um osso duro
De roer.
Tão duro como o granito de Assuão
Donde sopra o vento que modela
O rosto das esfinges.
De Lisboa ao Cairo
Ergo o templo do futuro
Com paragem técnica em Luxor
Para consultar os arquitectos da eternidade.
A antiga Tebas, a cidade das cem portas,
É hoje um pequeno burgo.
E o meu guia, egípcio, brasileiro,
Diz que tem o coração a sangrar.
Marcos chora pelos seus irmãos
De Najaf, no Iraque,
E confidencia:
- Eu nunca poderia trabalhar
Para os meus inimigos e vizinhos de Israel.
Por muito dinheiro que me pagassem.
Tenham santa paciência.
Os pobres. Os diabos.
Os pobres diabos.
Os santos. Os turistas.
Os contribuintes.
Os camponeses.
Os escribas.
Os romancistas policiais.
Os arqueólogos.
Os caçadores de tesouros.
As esposas dos ricos homens de negócios das arábias.
Os sacerdotes do templo de Kom-Omb
Que eram carecas.
- E sobretudo os pobres.
Porque deles será o reino da terra.
Pobre planeta, sem rei nem roque.
E com tantos súbditos.
Por favor ponham a escrita em dia.
Pesem a alma.
Meçam as bolsas.
Leiam o Livro dos Mortos
Ou A Morte no Nilo,
Que o barco vai zarpar.
- Um oiro um oiro, amigo.
Para o Habibo.
E para o camelo do Habibo.
Óscar, de seu nome.
E o Estado garante
Que não pode ser,
Que não pode mais no futuro
Garantir que é Estado.
E muito menos Estado-Providência.
E pagar o leitinho às criancinhas.
E o funeral aos velhinhos.
E a múmia do faraó.
Deixem isso às madraças
E à caridade em tempo de Ramadão.
Resta-nos a Alta Autoridade do Nilo
Que regula os influxos
E os defluxos dos deuses.
E a exploração do trabalho infantil
Nas escolas-fábricas de tapeçarias
Em Memphis.
Na verdade,
O verão é apenas uma estação.
De comboio.
Do comboio de via estreita
Que vai do nascer ao morrer.
Ou quem diz estação
Diz cais. De chegar. De apodrecer.
Como esta falua do Nilo à beira Tejo
Que é o rio que passa à minha porta.
Sexta-feira, treze
De Agosto.
Dia de azar,
Quer queiram, quer não.
A indústria do lazer, aposto,
Vai ser o principal foco de infecção
Neste pico de verão.
Tenham cuidado com o cão
E com a maldição
Do Faraó Tutankamon.
Morreu a indústria dos metais pesados,
Viva a indústria do lazer.
Leve. Ecológica. De terceira vaga.
Com homologação.
Com certificação.
Com acreditação.
Com exemplos de boas práticas.
Com análises de custo/benefício.
Graças ao lóbi da qualidade
O mundo vai bem melhor.
Que a vida é dura.
E o que a gente faz para ganhá-la.
Como o búfalo que pasta
Nas margens do Nilo.
Como qualquer búfalo domesticado
Depois de trabalhar o dia inteiro
Para o seu suserano,
O camponês egípcio.
Que por sua vez alimenta
O Faraó e as suas esposas e concubinas,
O seu exército, a sua polícia núbia
E a legião de escribas
Que têm o monopólio da escrita.
E do saber.
Hoje as partes pudendas,
A zona púbica,
A coisa pia
Do Portugal contemporâneo
Vai ser matéria de alto relevo
Na televisão.
Diz o Eça, o escriba acocorado,
Em missão de reportagem
Na inauguração do Canal do Suez.
Já não temos rei.
Nem o tique aristocrático
Do beija-mão.
Nem o Conde de Burnay
Nem faraó. Nem deuses. Agora é
A república quem mais ordena.
Senão popular, pelo menos populista.
A coisa pia mais fino
No Portugal pequenino
Mas democrático.
Imagino.
Sem imagem nem voz.
Porque estou em férias
Num cruzeiro do Nilo.
A observar o elegante voo da garça.
- Onde estará o pelicano ?
E a cegonha preta ?
E os filhos ilegítimos do povo ?
No barco não apanho
A RTP, felizmente de todos nós.
Nem sei se o Porto perdeu na supertaça
E o Obikwelo ganhou
A medalha de prata dos 100 metros
Nas Olimpíadas de Atenas.
- Turco, grego, tunisino ?
Espanhol, italiano, palestino ?
- Não, português !
- Ah!, Portugal, Luís Figo! Compra, amigo.
- Quanto, quanto ? Dez nove oito sete seis cinco.
Quatro três dois, um!
- É só um oiro, amigo.
Que o Habibo tem fome mais o camelo.
Maria do Patrocínio
Minha avó materna.
Lembrei-me de ti, Tia Patxina.
Patxina, de alcunha,
Uma alcunha tão terna.
Nunca foste rainha,
Nunca te chamariam Hatshepstut,
Nem te construiriam o templo
Mais belo do mundo
Na aldeia do Nadrupe.
Morreste cega,
Sem hieroglifos gravados na estela,
Tia Patxina,
Apalpando os netos
O cabelo a cara.
E não te mumificaram
Nem muito menos te operaram
Que no teu tempo
As obras de misericórdia
Eram sete espirituais
E sete corporais.
Como no Egipto dos faraós.
Como as pragas do Egipto.
Como nesta triste aldeia núbia
Que é uma espécie de reserva dos índios
Cá do sítio.
Com crocodilos de plástico
E pretos garanhões de olhos verdes.
E onde há uma velhota
Cega como tu, minha avó,
Que vende bugigangas pró turista.
De Assuão a Luxor
Eu gostaria de ter escrito
Um poema sobre os meus estados de alma.
Tão contraditórios que se anulam.
A verdade é que encontrei aqui
Um povo afável.
Mas que me adianta o pedigree
E os cinco milénios de civilização
E o templo de Edfu
Se nada nudou na minha condição
De burro carrejão ?
Sopra o vento dessecante.
Estou em Assuão.
Nos píncaros do verão.
11 setembro 2004
Car@s ciberamig@s - V: De luto, pelo portal Terràvista
1. Em 23 de Junho de 1999 criei, no portal Terràvista, a minha página pessoal, subordinada ao tópico Saúde e Trabalho (http://www.terravista.pt/meco/5531). Devo confessar que acabei por ter um certo orgulho, uma pontinha de orgulho, neste cantinho, lusófono, do ciberespaço.
Recorde-se que o portal tinha sido lançado dois anos antes e que, de então para cá, se haviam criado dezenas de milhares de páginas nas mais desvairadas "praias" onde se falava português, desde Portugal (vg. Meco) ao Brasil (vg.,Praia Brava) e de Cabo Verde (vg., Baía das Gatas)a Angola (vg., Mussulo).
Até à data a minha página teve mais de 40 mil visitantes, o que não é nada mau.
Entretanto, o Terràvista mudou de mãos e perdeu o acento grave (Terravista), sinal quiça dos movos tempos globalizadores e padronizadores. Mas o mais grave não foi isso: Há dias fui/fomos surpreendido(s)pelo seguinte aviso no Portal Terravista: "Dada a antiguidade dos sistemas de alojamento de páginas pessoais disponibilizados pelo Terravista.pt, a Administração do Terravista.pt decidiu dar por terminada a disponibilização do serviço de páginas pessoais (www.terravista.pt/praia/número e 7mares.terravista.pt)". Convenhamos que é uma justificação pouco ou nada convincente. Era preferível não serem cínicos e correrem connosco como hóspedes indesejáveis...
Acrescentava-se a seguir: "No sentido de permitir a todos os utilizadores recuperar as suas páginas e conteúdos, o Terravista.pt criou um sistema simples e rápido: basta colocar o endereço da sua página e um endereço de correio electrónico (válido) e todos os ficheiros correspondentes que estejam alojados nos nossos servidores ser-lhe-ão devolvidos". Enfim: era o mínimo que se podia esperar do senhorio...
Em resumo: o actual dono do portal (a empresa T-online)vai pôr fim ao serviço de alojamento de páginas pessoais no dia 20 de Setembro próximo. Muitos cibernautas como eu fomos surpreendidos por esta ordem de despejo, em plenas férias, ao ler um artigo no jornal "Público", no suplemento "Computadores (6 de Setembro de 2004).
2. A primeira reacção é de revolta e de desalento. Senti-me como um náufrago, destroçado e despejado pela borda fora. Mas a seguir recompus-me e tratei de procurar outro porto de abrigo. De qualquer modo, os economistas já me tinham vindo a avisar, ao longo de todos estes anos, que, no planeta azul, nesta terra que é nossa (mas é sobretudo mais de alguns), "não há almoços de borla".
Segundo o "Público" nos lembra, "o Terràvista foi, de início, um projecto estatal, que (...) acabou por ser vendido à operadora de telecomunicações Jazztel - para vir a ser mais tarde adquirido pela Ya.com".
E davam-se mais pormenores: "O projecto foi idealizado no seio da iniciativa Mosaico - A Cultura Portuguesa na Sociedade da Informação, do Ministério da Cultura, e lançado a 23 de Março de 1997, visando facultar a milhares de cidadãos o alojamento gratuito de conteúdos e a criação de uma vasta comunidade virtual de língua portuguesa, fomentando a produção de conteúdos nacionais para a rede das redes".
A vida deste portal foi, desde o início, atribulada: por exemplo, em Julho de 1998, na sequência de uma notícia que denunciava a persistência de páginas pornográficas, o senhor ministro da Cultura de então, Manuel Maria Carrilho, decidiu encerrar o portal, no meio de um coro de protestos de que ainda hoje há ecos na Net.
Uma semana depois, era "constituída uma associação com o mesmo nome, para a qual foram transferidos os activos e a marca Terràvista - uma solução arranjada para afastar o Ministério da Cultura da responsabilidade dos conteúdos alojados no projecto Terràvista". Nem o Estado nem o ministério da cultura nem muito menos o filósoo Manuel Maia Carrilho têm vocação para gestores. A solução encontrada não era menos desastrada: amanhem-se para aí...
Não admira, por isso, que a Associação Terràvista seja obrigado a vender o portal, apesar da sua popularidade tanto no Velho como no Novo Mundo lusófono, alegando "dificuldades financeiras com os custos de manutenção da sua infra-estrutura" na ausência ou impossibilidade de uma exploração comercial do Terràvista (continuo a citar o artigo do "Público" de 6 de Setembro último).
A venda é feita em Fevereiro de 2000 à Jazztel Internet Factory, do grupo de telecomunicações Jazztel, que a integra "na Ya.com, a sua divisão para a Internet". Dá-se então início a "uma mudança de identidade do projecto, transformando-o num portal com conteúdos próprios mas mantendo as comunidades de cibernautas e o serviço de alojamento gratuito".
Mal passados seis meses, logo em Setembro de 2000, as páginas pessoais alojadas no Terràvista passaram a ter "banners" publicitários. A marujada (como o pessoal era carinhosamente tratado nos primórdios) foi confrontada com a política do facto consumado, tendo sido avisada com apenas dois dias de antecedência (!). Mas quem mandava já falava noutra língua, a castelhana... A polémica rebentou mais uma vez mas de pouco valeram os (fracos) protestos dos marujos.
Dois anos depois, em Setembro de 2002, o Terràvista muda novamente de mãos, "quando a Jazztel anunciou a venda da Ya.com Internet Factory - que integrava os portais português Terràvista e o espanhol Ya.com - por 414,3 milhões de euros à T-online, uma empresa fornecedora de acesso à Internet, subsidiária da operadora alemã Deutsche Telekom". Não sei se foi ou não um mau negócio, mas tenho que reconhecer que era uma pipa de massa.
Foi nessa altura que o Terràvista perdeu o acento grave no primeiro "a"... Um pequeno detalhe que não deixava de ser simbólico... Entretanto, em 20 de Setembro de 2004 (mais uma vez no mês de Setembro, de má memória!) lá irão matar e enterrar o Terràvista. O grande perdedor é seguramente a língua portuguesa e a comunidade lusófona.
3.O que me apetece dizer, em sinal de luto e de protesto, é apenas o seguinte: O projecto original do Terràvista morreu, viva o Terràvista! E vivam todos os cibernautas lusófonos que puseram a sua criatividade em marcha!
De qualquer ao último e aos anteriores senhorios deste espaço no ciberespaço, eu tenho que endereçar os meus agradecimentos. Afinal, sou um cavalheiro civilizado, atento e obrigado. Só tenho pena é que muitas e belíssimas páginas em português se percam, nomeadamente por falta de alternativas de alojamento (gratuito). Estou a pensar nos nossos companheiros lusófonos de países com menos recursos que o nosso em matéria de novas tecnologias da informação, de Cabo verde a Timor, de São Tomé Príncipe ao Brasil...
Pela minha parte, estou grato ao Terràvista por estes cinco anos de utilização de um serviço de que não fui o único beneficiário e que, na prática, não era inteiramente gartuita. É bom recordar que desde há quatro anos a minha página exibia "banners" publicitários, devidamente seleccionados em função da sua temática principal (a saúde e a segurança do trabalho)e do seu público-alvo. De qualquer modo, foi graças ao projecto Terràvista que eu me atrevi a fazer a minha primeira página na Net. Isso não posso negar nem esquecer.
Na hora da despedida, o meu muito obrigado vai sobretudo para os ciberamigos (e foram bastantes) que ganhei. Vou/vamos continuar noutro cantinho do ciberespaço, agora cada vez mais globalizado...
Para os que quiserem continuar a visitar-me, aqui fica o novo endereço da minha página a partir de 10 de Setembro de 2004:
http://www.ensp.unl.pt/luis.graca
É caso para dizer que, a partir de agora, não preciso de atravessar a rua e ser atropelado: fico em casa, o mesmo é dizer que a minha página pessoal está alojada no sítio da instituição onde trabalho, a Escola Nacional de Saúde PÚblica, da Universidade Nova de Lisboa.
Recorde-se que o portal tinha sido lançado dois anos antes e que, de então para cá, se haviam criado dezenas de milhares de páginas nas mais desvairadas "praias" onde se falava português, desde Portugal (vg. Meco) ao Brasil (vg.,Praia Brava) e de Cabo Verde (vg., Baía das Gatas)a Angola (vg., Mussulo).
Até à data a minha página teve mais de 40 mil visitantes, o que não é nada mau.
Entretanto, o Terràvista mudou de mãos e perdeu o acento grave (Terravista), sinal quiça dos movos tempos globalizadores e padronizadores. Mas o mais grave não foi isso: Há dias fui/fomos surpreendido(s)pelo seguinte aviso no Portal Terravista: "Dada a antiguidade dos sistemas de alojamento de páginas pessoais disponibilizados pelo Terravista.pt, a Administração do Terravista.pt decidiu dar por terminada a disponibilização do serviço de páginas pessoais (www.terravista.pt/praia/número e 7mares.terravista.pt)". Convenhamos que é uma justificação pouco ou nada convincente. Era preferível não serem cínicos e correrem connosco como hóspedes indesejáveis...
Acrescentava-se a seguir: "No sentido de permitir a todos os utilizadores recuperar as suas páginas e conteúdos, o Terravista.pt criou um sistema simples e rápido: basta colocar o endereço da sua página e um endereço de correio electrónico (válido) e todos os ficheiros correspondentes que estejam alojados nos nossos servidores ser-lhe-ão devolvidos". Enfim: era o mínimo que se podia esperar do senhorio...
Em resumo: o actual dono do portal (a empresa T-online)vai pôr fim ao serviço de alojamento de páginas pessoais no dia 20 de Setembro próximo. Muitos cibernautas como eu fomos surpreendidos por esta ordem de despejo, em plenas férias, ao ler um artigo no jornal "Público", no suplemento "Computadores (6 de Setembro de 2004).
2. A primeira reacção é de revolta e de desalento. Senti-me como um náufrago, destroçado e despejado pela borda fora. Mas a seguir recompus-me e tratei de procurar outro porto de abrigo. De qualquer modo, os economistas já me tinham vindo a avisar, ao longo de todos estes anos, que, no planeta azul, nesta terra que é nossa (mas é sobretudo mais de alguns), "não há almoços de borla".
Segundo o "Público" nos lembra, "o Terràvista foi, de início, um projecto estatal, que (...) acabou por ser vendido à operadora de telecomunicações Jazztel - para vir a ser mais tarde adquirido pela Ya.com".
E davam-se mais pormenores: "O projecto foi idealizado no seio da iniciativa Mosaico - A Cultura Portuguesa na Sociedade da Informação, do Ministério da Cultura, e lançado a 23 de Março de 1997, visando facultar a milhares de cidadãos o alojamento gratuito de conteúdos e a criação de uma vasta comunidade virtual de língua portuguesa, fomentando a produção de conteúdos nacionais para a rede das redes".
A vida deste portal foi, desde o início, atribulada: por exemplo, em Julho de 1998, na sequência de uma notícia que denunciava a persistência de páginas pornográficas, o senhor ministro da Cultura de então, Manuel Maria Carrilho, decidiu encerrar o portal, no meio de um coro de protestos de que ainda hoje há ecos na Net.
Uma semana depois, era "constituída uma associação com o mesmo nome, para a qual foram transferidos os activos e a marca Terràvista - uma solução arranjada para afastar o Ministério da Cultura da responsabilidade dos conteúdos alojados no projecto Terràvista". Nem o Estado nem o ministério da cultura nem muito menos o filósoo Manuel Maia Carrilho têm vocação para gestores. A solução encontrada não era menos desastrada: amanhem-se para aí...
Não admira, por isso, que a Associação Terràvista seja obrigado a vender o portal, apesar da sua popularidade tanto no Velho como no Novo Mundo lusófono, alegando "dificuldades financeiras com os custos de manutenção da sua infra-estrutura" na ausência ou impossibilidade de uma exploração comercial do Terràvista (continuo a citar o artigo do "Público" de 6 de Setembro último).
A venda é feita em Fevereiro de 2000 à Jazztel Internet Factory, do grupo de telecomunicações Jazztel, que a integra "na Ya.com, a sua divisão para a Internet". Dá-se então início a "uma mudança de identidade do projecto, transformando-o num portal com conteúdos próprios mas mantendo as comunidades de cibernautas e o serviço de alojamento gratuito".
Mal passados seis meses, logo em Setembro de 2000, as páginas pessoais alojadas no Terràvista passaram a ter "banners" publicitários. A marujada (como o pessoal era carinhosamente tratado nos primórdios) foi confrontada com a política do facto consumado, tendo sido avisada com apenas dois dias de antecedência (!). Mas quem mandava já falava noutra língua, a castelhana... A polémica rebentou mais uma vez mas de pouco valeram os (fracos) protestos dos marujos.
Dois anos depois, em Setembro de 2002, o Terràvista muda novamente de mãos, "quando a Jazztel anunciou a venda da Ya.com Internet Factory - que integrava os portais português Terràvista e o espanhol Ya.com - por 414,3 milhões de euros à T-online, uma empresa fornecedora de acesso à Internet, subsidiária da operadora alemã Deutsche Telekom". Não sei se foi ou não um mau negócio, mas tenho que reconhecer que era uma pipa de massa.
Foi nessa altura que o Terràvista perdeu o acento grave no primeiro "a"... Um pequeno detalhe que não deixava de ser simbólico... Entretanto, em 20 de Setembro de 2004 (mais uma vez no mês de Setembro, de má memória!) lá irão matar e enterrar o Terràvista. O grande perdedor é seguramente a língua portuguesa e a comunidade lusófona.
3.O que me apetece dizer, em sinal de luto e de protesto, é apenas o seguinte: O projecto original do Terràvista morreu, viva o Terràvista! E vivam todos os cibernautas lusófonos que puseram a sua criatividade em marcha!
De qualquer ao último e aos anteriores senhorios deste espaço no ciberespaço, eu tenho que endereçar os meus agradecimentos. Afinal, sou um cavalheiro civilizado, atento e obrigado. Só tenho pena é que muitas e belíssimas páginas em português se percam, nomeadamente por falta de alternativas de alojamento (gratuito). Estou a pensar nos nossos companheiros lusófonos de países com menos recursos que o nosso em matéria de novas tecnologias da informação, de Cabo verde a Timor, de São Tomé Príncipe ao Brasil...
Pela minha parte, estou grato ao Terràvista por estes cinco anos de utilização de um serviço de que não fui o único beneficiário e que, na prática, não era inteiramente gartuita. É bom recordar que desde há quatro anos a minha página exibia "banners" publicitários, devidamente seleccionados em função da sua temática principal (a saúde e a segurança do trabalho)e do seu público-alvo. De qualquer modo, foi graças ao projecto Terràvista que eu me atrevi a fazer a minha primeira página na Net. Isso não posso negar nem esquecer.
Na hora da despedida, o meu muito obrigado vai sobretudo para os ciberamigos (e foram bastantes) que ganhei. Vou/vamos continuar noutro cantinho do ciberespaço, agora cada vez mais globalizado...
Para os que quiserem continuar a visitar-me, aqui fica o novo endereço da minha página a partir de 10 de Setembro de 2004:
http://www.ensp.unl.pt/luis.graca
É caso para dizer que, a partir de agora, não preciso de atravessar a rua e ser atropelado: fico em casa, o mesmo é dizer que a minha página pessoal está alojada no sítio da instituição onde trabalho, a Escola Nacional de Saúde PÚblica, da Universidade Nova de Lisboa.
Car@s ciberamig@s - V: De luto, pelo portal Terràvista
1. Em 23 de Junho de 1999 criei, no portal Terràvista, a minha página pessoal, subordinada ao tópico Saúde e Trabalho (http://www.terravista.pt/meco/5531). Devo confessar que acabei por ter um certo orgulho, uma pontinha de orgulho, neste cantinho, lusófono, do ciberespaço.
Recorde-se que o portal tinha sido lançado dois anos antes e que, de então para cá, se haviam criado dezenas de milhares de páginas nas mais desvairadas "praias" onde se falava português, desde Portugal (vg. Meco) ao Brasil (vg.,Praia Brava) e de Cabo Verde (vg., Baía das Gatas)a Angola (vg., Mussulo).
Até à data a minha página teve mais de 40 mil visitantes, o que não é nada mau.
Entretanto, o Terràvista mudou de mãos e perdeu o acento grave (Terravista), sinal quiça dos movos tempos globalizadores e padronizadores. Mas o mais grave não foi isso: Há dias fui/fomos surpreendido(s)pelo seguinte aviso no Portal Terravista: "Dada a antiguidade dos sistemas de alojamento de páginas pessoais disponibilizados pelo Terravista.pt, a Administração do Terravista.pt decidiu dar por terminada a disponibilização do serviço de páginas pessoais (www.terravista.pt/praia/número e 7mares.terravista.pt)". Convenhamos que é uma justificação pouco ou nada convincente. Era preferível não serem cínicos e correrem connosco como hóspedes indesejáveis...
Acrescentava-se a seguir: "No sentido de permitir a todos os utilizadores recuperar as suas páginas e conteúdos, o Terravista.pt criou um sistema simples e rápido: basta colocar o endereço da sua página e um endereço de correio electrónico (válido) e todos os ficheiros correspondentes que estejam alojados nos nossos servidores ser-lhe-ão devolvidos". Enfim: era o mínimo que se podia esperar do senhorio...
Em resumo: o actual dono do portal (a empresa T-online)vai pôr fim ao serviço de alojamento de páginas pessoais no dia 20 de Setembro próximo. Muitos cibernautas como eu fomos surpreendidos por esta ordem de despejo, em plenas férias, ao ler um artigo no jornal "Público", no suplemento "Computadores (6 de Setembro de 2004).
2. A primeira reacção é de revolta e de desalento. Senti-me como um náufrago, destroçado e despejado pela borda fora. Mas a seguir recompus-me e tratei de procurar outro porto de abrigo. De qualquer modo, os economistas já me tinham vindo a avisar, ao longo de todos estes anos, que, no planeta azul, nesta terra que é nossa (mas é sobretudo mais de alguns), "não há almoços de borla".
Segundo o "Público" nos lembra, "o Terràvista foi, de início, um projecto estatal, que (...) acabou por ser vendido à operadora de telecomunicações Jazztel - para vir a ser mais tarde adquirido pela Ya.com".
E davam-se mais pormenores: "O projecto foi idealizado no seio da iniciativa Mosaico - A Cultura Portuguesa na Sociedade da Informação, do Ministério da Cultura, e lançado a 23 de Março de 1997, visando facultar a milhares de cidadãos o alojamento gratuito de conteúdos e a criação de uma vasta comunidade virtual de língua portuguesa, fomentando a produção de conteúdos nacionais para a rede das redes".
A vida deste portal foi, desde o início, atribulada: por exemplo, em Julho de 1998, na sequência de uma notícia que denunciava a persistência de páginas pornográficas, o senhor ministro da Cultura de então, Manuel Maria Carrilho, decidiu encerrar o portal, no meio de um coro de protestos de que ainda hoje há ecos na Net.
Uma semana depois, era "constituída uma associação com o mesmo nome, para a qual foram transferidos os activos e a marca Terràvista - uma solução arranjada para afastar o Ministério da Cultura da responsabilidade dos conteúdos alojados no projecto Terràvista". Nem o Estado nem o ministério da cultura nem muito menos o filósoo Manuel Maia Carrilho têm vocação para gestores. A solução encontrada não era menos desastrada: amanhem-se para aí...
Não admira, por isso, que a Associação Terràvista seja obrigado a vender o portal, apesar da sua popularidade tanto no Velho como no Novo Mundo lusófono, alegando "dificuldades financeiras com os custos de manutenção da sua infra-estrutura" na ausência ou impossibilidade de uma exploração comercial do Terràvista (continuo a citar o artigo do "Público" de 6 de Setembro último).
A venda é feita em Fevereiro de 2000 à Jazztel Internet Factory, do grupo de telecomunicações Jazztel, que a integra "na Ya.com, a sua divisão para a Internet". Dá-se então início a "uma mudança de identidade do projecto, transformando-o num portal com conteúdos próprios mas mantendo as comunidades de cibernautas e o serviço de alojamento gratuito".
Mal passados seis meses, logo em Setembro de 2000, as páginas pessoais alojadas no Terràvista passaram a ter "banners" publicitários. A marujada (como o pessoal era carinhosamente tratado nos primórdios) foi confrontada com a política do facto consumado, tendo sido avisada com apenas dois dias de antecedência (!). Mas quem mandava já falava noutra língua, a castelhana... A polémica rebentou mais uma vez mas de pouco valeram os (fracos) protestos dos marujos.
Dois anos depois, em Setembro de 2002, o Terràvista muda novamente de mãos, "quando a Jazztel anunciou a venda da Ya.com Internet Factory - que integrava os portais português Terràvista e o espanhol Ya.com - por 414,3 milhões de euros à T-online, uma empresa fornecedora de acesso à Internet, subsidiária da operadora alemã Deutsche Telekom". Não sei se foi ou não um mau negócio, mas tenho que reconhecer que era uma pipa de massa.
Foi nessa altura que o Terràvista perdeu o acento grave no primeiro "a"... Um pequeno detalhe que não deixava de ser simbólico... Entretanto, em 20 de Setembro de 2004 (mais uma vez no mês de Setembro, de má memória!) lá irão matar e enterrar o Terràvista. O grande perdedor é seguramente a língua portuguesa e a comunidade lusófona.
3.O que me apetece dizer, em sinal de luto e de protesto, é apenas o seguinte: O projecto original do Terràvista morreu, viva o Terràvista! E vivam todos os cibernautas lusófonos que puseram a sua criatividade em marcha!
De qualquer ao último e aos anteriores senhorios deste espaço no ciberespaço, eu tenho que endereçar os meus agradecimentos. Afinal, sou um cavalheiro civilizado, atento e obrigado. Só tenho pena é que muitas e belíssimas páginas em português se percam, nomeadamente por falta de alternativas de alojamento (gratuito). Estou a pensar nos nossos companheiros lusófonos de países com menos recursos que o nosso em matéria de novas tecnologias da informação, de Cabo verde a Timor, de São Tomé Príncipe ao Brasil...
Pela minha parte, estou grato ao Terràvista por estes cinco anos de utilização de um serviço de que não fui o único beneficiário e que, na prática, não era inteiramente gartuita. É bom recordar que desde há quatro anos a minha página exibia "banners" publicitários, devidamente seleccionados em função da sua temática principal (a saúde e a segurança do trabalho)e do seu público-alvo. De qualquer modo, foi graças ao projecto Terràvista que eu me atrevi a fazer a minha primeira página na Net. Isso não posso negar nem esquecer.
Na hora da despedida, o meu muito obrigado vai sobretudo para os ciberamigos (e foram bastantes) que ganhei. Vou/vamos continuar noutro cantinho do ciberespaço, agora cada vez mais globalizado...
Para os que quiserem continuar a visitar-me, aqui fica o novo endereço da minha página a partir de 10 de Setembro de 2004:
http://www.ensp.unl.pt/luis.graca
É caso para dizer que, a partir de agora, não preciso de atravessar a rua e ser atropelado: fico em casa, o mesmo é dizer que a minha página pessoal está alojada no sítio da instituição onde trabalho, a Escola Nacional de Saúde PÚblica, da Universidade Nova de Lisboa.
Recorde-se que o portal tinha sido lançado dois anos antes e que, de então para cá, se haviam criado dezenas de milhares de páginas nas mais desvairadas "praias" onde se falava português, desde Portugal (vg. Meco) ao Brasil (vg.,Praia Brava) e de Cabo Verde (vg., Baía das Gatas)a Angola (vg., Mussulo).
Até à data a minha página teve mais de 40 mil visitantes, o que não é nada mau.
Entretanto, o Terràvista mudou de mãos e perdeu o acento grave (Terravista), sinal quiça dos movos tempos globalizadores e padronizadores. Mas o mais grave não foi isso: Há dias fui/fomos surpreendido(s)pelo seguinte aviso no Portal Terravista: "Dada a antiguidade dos sistemas de alojamento de páginas pessoais disponibilizados pelo Terravista.pt, a Administração do Terravista.pt decidiu dar por terminada a disponibilização do serviço de páginas pessoais (www.terravista.pt/praia/número e 7mares.terravista.pt)". Convenhamos que é uma justificação pouco ou nada convincente. Era preferível não serem cínicos e correrem connosco como hóspedes indesejáveis...
Acrescentava-se a seguir: "No sentido de permitir a todos os utilizadores recuperar as suas páginas e conteúdos, o Terravista.pt criou um sistema simples e rápido: basta colocar o endereço da sua página e um endereço de correio electrónico (válido) e todos os ficheiros correspondentes que estejam alojados nos nossos servidores ser-lhe-ão devolvidos". Enfim: era o mínimo que se podia esperar do senhorio...
Em resumo: o actual dono do portal (a empresa T-online)vai pôr fim ao serviço de alojamento de páginas pessoais no dia 20 de Setembro próximo. Muitos cibernautas como eu fomos surpreendidos por esta ordem de despejo, em plenas férias, ao ler um artigo no jornal "Público", no suplemento "Computadores (6 de Setembro de 2004).
2. A primeira reacção é de revolta e de desalento. Senti-me como um náufrago, destroçado e despejado pela borda fora. Mas a seguir recompus-me e tratei de procurar outro porto de abrigo. De qualquer modo, os economistas já me tinham vindo a avisar, ao longo de todos estes anos, que, no planeta azul, nesta terra que é nossa (mas é sobretudo mais de alguns), "não há almoços de borla".
Segundo o "Público" nos lembra, "o Terràvista foi, de início, um projecto estatal, que (...) acabou por ser vendido à operadora de telecomunicações Jazztel - para vir a ser mais tarde adquirido pela Ya.com".
E davam-se mais pormenores: "O projecto foi idealizado no seio da iniciativa Mosaico - A Cultura Portuguesa na Sociedade da Informação, do Ministério da Cultura, e lançado a 23 de Março de 1997, visando facultar a milhares de cidadãos o alojamento gratuito de conteúdos e a criação de uma vasta comunidade virtual de língua portuguesa, fomentando a produção de conteúdos nacionais para a rede das redes".
A vida deste portal foi, desde o início, atribulada: por exemplo, em Julho de 1998, na sequência de uma notícia que denunciava a persistência de páginas pornográficas, o senhor ministro da Cultura de então, Manuel Maria Carrilho, decidiu encerrar o portal, no meio de um coro de protestos de que ainda hoje há ecos na Net.
Uma semana depois, era "constituída uma associação com o mesmo nome, para a qual foram transferidos os activos e a marca Terràvista - uma solução arranjada para afastar o Ministério da Cultura da responsabilidade dos conteúdos alojados no projecto Terràvista". Nem o Estado nem o ministério da cultura nem muito menos o filósoo Manuel Maia Carrilho têm vocação para gestores. A solução encontrada não era menos desastrada: amanhem-se para aí...
Não admira, por isso, que a Associação Terràvista seja obrigado a vender o portal, apesar da sua popularidade tanto no Velho como no Novo Mundo lusófono, alegando "dificuldades financeiras com os custos de manutenção da sua infra-estrutura" na ausência ou impossibilidade de uma exploração comercial do Terràvista (continuo a citar o artigo do "Público" de 6 de Setembro último).
A venda é feita em Fevereiro de 2000 à Jazztel Internet Factory, do grupo de telecomunicações Jazztel, que a integra "na Ya.com, a sua divisão para a Internet". Dá-se então início a "uma mudança de identidade do projecto, transformando-o num portal com conteúdos próprios mas mantendo as comunidades de cibernautas e o serviço de alojamento gratuito".
Mal passados seis meses, logo em Setembro de 2000, as páginas pessoais alojadas no Terràvista passaram a ter "banners" publicitários. A marujada (como o pessoal era carinhosamente tratado nos primórdios) foi confrontada com a política do facto consumado, tendo sido avisada com apenas dois dias de antecedência (!). Mas quem mandava já falava noutra língua, a castelhana... A polémica rebentou mais uma vez mas de pouco valeram os (fracos) protestos dos marujos.
Dois anos depois, em Setembro de 2002, o Terràvista muda novamente de mãos, "quando a Jazztel anunciou a venda da Ya.com Internet Factory - que integrava os portais português Terràvista e o espanhol Ya.com - por 414,3 milhões de euros à T-online, uma empresa fornecedora de acesso à Internet, subsidiária da operadora alemã Deutsche Telekom". Não sei se foi ou não um mau negócio, mas tenho que reconhecer que era uma pipa de massa.
Foi nessa altura que o Terràvista perdeu o acento grave no primeiro "a"... Um pequeno detalhe que não deixava de ser simbólico... Entretanto, em 20 de Setembro de 2004 (mais uma vez no mês de Setembro, de má memória!) lá irão matar e enterrar o Terràvista. O grande perdedor é seguramente a língua portuguesa e a comunidade lusófona.
3.O que me apetece dizer, em sinal de luto e de protesto, é apenas o seguinte: O projecto original do Terràvista morreu, viva o Terràvista! E vivam todos os cibernautas lusófonos que puseram a sua criatividade em marcha!
De qualquer ao último e aos anteriores senhorios deste espaço no ciberespaço, eu tenho que endereçar os meus agradecimentos. Afinal, sou um cavalheiro civilizado, atento e obrigado. Só tenho pena é que muitas e belíssimas páginas em português se percam, nomeadamente por falta de alternativas de alojamento (gratuito). Estou a pensar nos nossos companheiros lusófonos de países com menos recursos que o nosso em matéria de novas tecnologias da informação, de Cabo verde a Timor, de São Tomé Príncipe ao Brasil...
Pela minha parte, estou grato ao Terràvista por estes cinco anos de utilização de um serviço de que não fui o único beneficiário e que, na prática, não era inteiramente gartuita. É bom recordar que desde há quatro anos a minha página exibia "banners" publicitários, devidamente seleccionados em função da sua temática principal (a saúde e a segurança do trabalho)e do seu público-alvo. De qualquer modo, foi graças ao projecto Terràvista que eu me atrevi a fazer a minha primeira página na Net. Isso não posso negar nem esquecer.
Na hora da despedida, o meu muito obrigado vai sobretudo para os ciberamigos (e foram bastantes) que ganhei. Vou/vamos continuar noutro cantinho do ciberespaço, agora cada vez mais globalizado...
Para os que quiserem continuar a visitar-me, aqui fica o novo endereço da minha página a partir de 10 de Setembro de 2004:
http://www.ensp.unl.pt/luis.graca
É caso para dizer que, a partir de agora, não preciso de atravessar a rua e ser atropelado: fico em casa, o mesmo é dizer que a minha página pessoal está alojada no sítio da instituição onde trabalho, a Escola Nacional de Saúde PÚblica, da Universidade Nova de Lisboa.
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