28 dezembro 2005

Guiné 63/74 - CCCXCIX: Mansambo, um sítio que não vinha no mapa (1): a água da vida

Guiné > Zona leste > Mansambo > 1968 > Para além dos abrigos subterrâneos à prova de morteiro e de bazuca (pelo menos), e das demais infraestrutuars indispensáveis à vida de uma companhia de quadrícula (refeitório, depósito de géneros, paiol, secretaria, campo de futebol, etc.), a água era talvez o bem mais precioso... Água, água!, diziam eles...

© Carlos Marques Santos (2005)




Temos mais um tertuliano, na recta final do ano de 2005: é o Marques dos Santos, de Coimbra, ex-furriel miliciano da CART 2339 (Mansambo, 1968/70) , afecta ao BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70). Esta undiade foi rendida pela CART 2714 (1970/72).

Aqui vão as duas primeiras mensagem dele (enviadas em 26 e 28 de Dezembro de 2005):

Companheiro(s):

(i) Alertado por um mail do Ernesto Ribeiro, explorei o vosso blogue e, em anexo, envio cinco fotos do construção de raiz do quartel Mansambo, incluindo o poço e os chuveiros, em estreia (naquela altura) absoluta (1).

Anteriormente, um pelotão em linha, pronto a disparar, tinha que fazer segurança para o banho na célebre nascente (?) depois de ter havido uma emboscada, com atiradores do PAIGC na copa das árvores, emboscada essa que provocou graves danos na Companhia (2).

(ii) Por mero acaso descobri nas minhas navegações na Internet um site que referia Mansambo. Ao explorá-lo encontrei dois nomes: Ernesto Ribeiro e António Santos Almeida (CART 2339).

Por mail, entrei em contacto com o Almeida e descobri que ele iria à Guiné em Março próximo. Manifestei o desejo de ir também e logo a seguir um telefonema de quem há cerca de 35 anos não tinha notícias, apesar de termos desde há dez anos encontros anuais da nossa unidade. Este ano vai ser no Gerês, em Maio, o nosso encontro.

Este mail serve-me de primeiro contacto.Ao mesmo tempo, e vendo fotos de Mansambo, quero contribuir para a memória colectiva, enviando algumas das que possuo. Em anexos vou mandar umas tantas.

Um abraço de Marques dos Santos
(ex-furriel miliciano da CART 2339, hoje professor de Educação Física do Ensimno Secundário, aposentado, vivendo em Coimbra)


Guiné > Zona leste > Mansambo (3)> 1968 >

Depois da água para beber, o bem a seguir mais precioso era o duche... Quem não se podia dar ao luxo de tomar um duche, como este aqui documentado na foto, tomava uma banho à fula... com água recolhida das chuvas, em bidões!

© Carlos Marques Santos (2005)



___

Notas de L.G.:

(1) A água (doce, potável ou não) era um dos bens mais preciosos, não só para as NT como para o PAIGC e para a população guineense. A água era duramente disputada por ambos os contendores. Naslguns sítios havia um acordo de cavaleiros, tácito; noutras, imoeraca a lei da guerra... Aconteceu em Mansambo: as NT foram emboscadas junto à nascente que abastecia o quartel em construção... Mansambo não existia no mapa, mas a sua importância era estratrégica ficando a meio dos trinta e tal quilómetros que separavam Bambadinca e o Xitole. O quartel foi construído de raíz pela CART 2339, com quem a CCAÇ 12 ainda colaborou durante meio ano (até Dezembro de 1969) em operações e colunas logísticas...

(2) Vd. na página sobre Mansambo fotos da famigerada nascente que havia nas imediações do aquartelamentoonde e onde tanto as NT como o PAIGC se abasteciam de água. Foi local de emboscadas e de mortes. Nessas fotos, pode-se ver o soldado condutor auto Manuel G. Ferreira, da CART 3494, do BART 3873, Jan. 1972 / Abr. 1974).

(3) No nosso tempo costumava-se dizer que Mansambo era um sítio que não vinha no mapa. Não tinha qualquer importância administrativa, por comparação com Bambadinca, a norte, e o Xitole, a sul. O quartel foi implantado na mata, desbastada: era um campo de futebol ou pouco mais, constituído por abrigos subterrâneos, construções de superfície abarracadas e arame farpado a toda a volta... No mapa do Xime, dos Serviços Cartográficos do Exército, anterior à guerra, havia uma minúscula tabanca, com duas moranças...

Guiné 63/74 - CCCXCIX: Mansambo, um sítio que não vinha no mapa (1): a água da vida

Guiné > Zona leste > Mansambo > 1968 > Para além dos abrigos subterrâneos à prova de morteiro e de bazuca (pelo menos), e das demais infraestrutuars indispensáveis à vida de uma companhia de quadrícula (refeitório, depósito de géneros, paiol, secretaria, campo de futebol, etc.), a água era talvez o bem mais precioso... Água, água!, diziam eles...

© Carlos Marques Santos (2005)




Temos mais um tertuliano, na recta final do ano de 2005: é o Marques dos Santos, de Coimbra, ex-furriel miliciano da CART 2339 (Mansambo, 1968/70) , afecta ao BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70). Esta undiade foi rendida pela CART 2714 (1970/72).

Aqui vão as duas primeiras mensagem dele (enviadas em 26 e 28 de Dezembro de 2005):

Companheiro(s):

(i) Alertado por um mail do Ernesto Ribeiro, explorei o vosso blogue e, em anexo, envio cinco fotos do construção de raiz do quartel Mansambo, incluindo o poço e os chuveiros, em estreia (naquela altura) absoluta (1).

Anteriormente, um pelotão em linha, pronto a disparar, tinha que fazer segurança para o banho na célebre nascente (?) depois de ter havido uma emboscada, com atiradores do PAIGC na copa das árvores, emboscada essa que provocou graves danos na Companhia (2).

(ii) Por mero acaso descobri nas minhas navegações na Internet um site que referia Mansambo. Ao explorá-lo encontrei dois nomes: Ernesto Ribeiro e António Santos Almeida (CART 2339).

Por mail, entrei em contacto com o Almeida e descobri que ele iria à Guiné em Março próximo. Manifestei o desejo de ir também e logo a seguir um telefonema de quem há cerca de 35 anos não tinha notícias, apesar de termos desde há dez anos encontros anuais da nossa unidade. Este ano vai ser no Gerês, em Maio, o nosso encontro.

Este mail serve-me de primeiro contacto.Ao mesmo tempo, e vendo fotos de Mansambo, quero contribuir para a memória colectiva, enviando algumas das que possuo. Em anexos vou mandar umas tantas.

Um abraço de Marques dos Santos
(ex-furriel miliciano da CART 2339, hoje professor de Educação Física do Ensimno Secundário, aposentado, vivendo em Coimbra)


Guiné > Zona leste > Mansambo (3)> 1968 >

Depois da água para beber, o bem a seguir mais precioso era o duche... Quem não se podia dar ao luxo de tomar um duche, como este aqui documentado na foto, tomava uma banho à fula... com água recolhida das chuvas, em bidões!

© Carlos Marques Santos (2005)



___

Notas de L.G.:

(1) A água (doce, potável ou não) era um dos bens mais preciosos, não só para as NT como para o PAIGC e para a população guineense. A água era duramente disputada por ambos os contendores. Naslguns sítios havia um acordo de cavaleiros, tácito; noutras, imoeraca a lei da guerra... Aconteceu em Mansambo: as NT foram emboscadas junto à nascente que abastecia o quartel em construção... Mansambo não existia no mapa, mas a sua importância era estratrégica ficando a meio dos trinta e tal quilómetros que separavam Bambadinca e o Xitole. O quartel foi construído de raíz pela CART 2339, com quem a CCAÇ 12 ainda colaborou durante meio ano (até Dezembro de 1969) em operações e colunas logísticas...

(2) Vd. na página sobre Mansambo fotos da famigerada nascente que havia nas imediações do aquartelamentoonde e onde tanto as NT como o PAIGC se abasteciam de água. Foi local de emboscadas e de mortes. Nessas fotos, pode-se ver o soldado condutor auto Manuel G. Ferreira, da CART 3494, do BART 3873, Jan. 1972 / Abr. 1974).

(3) No nosso tempo costumava-se dizer que Mansambo era um sítio que não vinha no mapa. Não tinha qualquer importância administrativa, por comparação com Bambadinca, a norte, e o Xitole, a sul. O quartel foi implantado na mata, desbastada: era um campo de futebol ou pouco mais, constituído por abrigos subterrâneos, construções de superfície abarracadas e arame farpado a toda a volta... No mapa do Xime, dos Serviços Cartográficos do Exército, anterior à guerra, havia uma minúscula tabanca, com duas moranças...

Guiné 63/74 - CCCXCVIII: 'turras brancos' em Bissaque, uma ficcção cabraliana

Em 1952, terminado o curso de engenheiro agrónomo em Lisboa, Amílcar Cabral regressa à sua terra, contratado pelos Serviços Agrícolas e Florestais da Guiné Portuguesa, trabalhando nomeadamente em Fá Mandinga e em Pessubé, em Bissau (onde dirige uma exploração agrícola, a famosa Granja de Pessube: vd. mapa da cidade de Bissau).

Em 1969/71, outro Cabral passaria por Fá (Mandinga): era Alferes Miliciano do Exército Colonial Português, poeta e grande admirador da beleza feminina africana... Fá também foi centro de instrução da 1ª Companhia de Comandos Africanos.


Em 18 de Dezembro de 1969, o Alferes Cabral, à frente do seu Pel Caç Nat 63, vai, de noite, em socorro de Bissaque, atacada por um "turras brancos"... Trinta e cinco anos depois, em primeira mão, neste blogue, faz-se história: o próprio Cabral vem revelar que essa dos brancos em Bissaque foi uma "ficção cabraliana"... Esses delíros eram frequentes enre os soldados portugueses: recordo-me de um dos nossos básicos (da CCAÇ 12) que um dia terá visto elefantes junto ao arame farpado do quratel de Bambadinca!

© Jorge Cabral (2005)



1. Em Dezembro de 1969 a disposição das NT no Sector L1 da Zona Leste (Bambadinca) era a seguinte:

BCAÇ 2852 > Bambadinca
(1) CSS do BBCAÇ 2852 > Bambadinca

(2) CART 2520 (-) > Xime
(21) Um pelotão > Enxalé

(3) CCAÇ 2404 (-) > Mansambo
(31) Uma pelotão (-) > Candamã
(32) Uma secção > Afiá

(4) CART 2413 (-) > Xitole
(41) Um pelotão > Ponte dos Fulas

(5) Pel Caç Nat 52 > Bambadinca
(6) Pel Caç Nat 54 > Missirá
(7) Pel Caç Nat 63 > Fá

(8) Pel Autometralhadoras DAIMLER 2046 > Bambadinca
(9) Pel Mort 2106 (-) > Bambadinca. Com um esquadrão (-) em cada um dos seguintes aquartelamentos ou destacamentos: Xime, Mansambo, Xitole, Enxalé, Fá, Missirá
(10) 20º Pel BAC 1 > Xime

(11) CCAÇ 12 (-) > Bambadinca
(111) Uma secção > Sansacuta

(12) Pelotões de milícias nas seguintes localidades: Missirá (201), Finete (202), Madina Bonco (241), Amedalai (203), Taibatá (242) e Dembataco (242).


2. Na História do BCAÇ 2852, Capítulo II, página 123, pode ler-se:

“Em 18 [de Dezembro de 1969 ], pelas 00h01 horas, um “Grupo IN, estimado em cerca de 20 elementos com alguns brancos (negrito meu), assaltou com armas ligeiras e granadas de mão, durante 20 minutos, a tabanca de Bissaque (Bambadinca 8 C 6), roubando uma vaca, um porco, várias galinhas e diversos objectos de uso pessoal, causando um ferido ligeiro à população que reagiu à catana e pelo fogo, o único elemento armado. O IN sofreu um ferido motivado por catanadas, deixando poças de sangue, retirando e cambando o Rio Geba na Região (Bambadinca 3 I 7-65). As NT estavam emboscadas em (Bambadinc 5 I l-98), alertadas e passando obrigatoriamente pelo quartel de Fá [Madinga], fizeram fogo de morteiro sobre a última cambança (Bambadinca 5 I 9-24) reconhecendo o trilho IN de retirada até ao Rio Geba”.

O comandante da força que estava emboscada (o Alf Mil Cabral, do Pel Caç Nat 63) e que fez depois o reconhecimento - ainda nessa mesma noite - da acção do IN em Bissaque, deixou transparecer há dias, aqui neste blogue (1), que a notícia de brancos, integrando o grupo IN que terá assaltado Bissaque, foi tão exagerada… quanto a notícia da morte de Mark Twain comentada pelo próprio.

Em Dezembro de 1969, o Alf Mil Cabral comandava o destacamento de Fá Mandinga, guarnecido pelo PEL CAÇ NAT 63. Aqui vemo-lo, em traje de combate, devidamente protegido, contra as balas do IN, pelo mezinhos mandingas

© Jorge Cabral (2005)


O Jorge Cabral terá querido assustar o valoroso tenente-coronel e os magníficos majores de Bambadinca ao dar a notícia (fantasiosa) dos brancos em Bissaque. Nunca ninguém viu ou apanhou brancos no Sector L1, integrados na guerrilha do PAIGC.

Era uma ficção que já vinha da Operação Lança Afiada (Março de 1969) (2): os homens do BCAÇ 2852 ficaram muito frustrados quando entraram no Fiofioli e não encontraram nem enfermeiras nem médicos cubanos!

O Jorge Cabral era o único, de nós, que muito provavelmente se divertia com a guerra, “avacalhando” o sistema, fazendo “non sense” e produzindo inventonas como esta. "Ficções cabralianas", como ele próprio as define... A verdade é que os brancos de Bissaque, tal como os cubanos do Fiofioli, ficaram registados nos livros da tropa, o mesmo é dizer, no Arquivo Histórico-Militar...

Bissaque era uma aldeia balanta, em pleno chão fula (Zona Leste), situada no Geba Estreito, nas proximidades de Ponta Amaro, na margem esquerda, a norte de Fá Mandinga, a menos de cinco quilómetros em linha recta (pelo mapa). Pela carta (de 1955) era uma tabanca dispersa com meia dúzia de moranças. Não me lembro de lá ter passado, mas é bem possível que sim, numa qualquer acção de patrulhamento. De qualquer modo, Bissaque fazia parte do importante núcleo de população balanta do Sector L1, considerado sob duplo controlo, a par de Nhabijões, Mero e Santa Helena (3).

A população destas tabancas ribeirinhas, localizadas ao longo do Geba Estreito, hostilizava-nos ou, pelo menos, colaborava com o PAIGC, até por razões de parentesco e de etnia. Contrariamente às tabancas fulas, as tabancas balantas não estavam em autodefesa nem tinham milícias. Lembro-me de estar destacado em Nhabijões, já depois do seu reordenamento, e ser alertado, à noite, para a presença de guerrilheiros. Entravam e saíam com relativa facilidade no reordenamento, nas nossas barbas, quase descaradamente. Em contrapartida, nunca nos atacaram, por muito provavelmente recearem as nossas represálias sobre a população balanta. Limitaram-se, um dia, a 13 de Janeiro de 1971, a montar duas minas anticarro, à saída do reordenamento, na estrada de Nhabijões-Bambadinca,que nos custaram 2 mortos e vários feridos graves (entre eles, o Alf Mil Sapador Luís Moreira e o Fur Mil Atirador de Infantaria Joaquim Fernandes, membros da nossa tertúlia) (4).

Não sei, de resto, o que nos poderia acontecer se um dia a “esquadra de polícia” do Reordenamento de Nhabijões fosse atacada, à noite, de surpresa… Até Julho de 1970, o destacamento de Nhabijões era guarnecido por forças da CCAÇ 12… A partir daí foi constituído um pelotão permanente da CCS do BART 2917, enquadrado por graduados da CCAÇ 12. Os homens da CCS não tinham qualquer experiência de combate… No essencial, era um “pelotão de básicos” que seria rapidamente destroçado se algum dia o PAIGC nos atacasse…

A menos que se tratasse de um pequeno grupo de ladrões de gado, de etnia balanta (o que era vulgar acontecer, no Sector L1, mesmo em plena guerra...) ou de um pequeno grupo de guerrilha esfomeado e fora do controlo do seu comissário político, não vejo qual o interesse do PAIGC em amedrontar a pacata e colaborante população de Bissaque. Par mais à meia noite e para roubar apenas um vaca, um porco e algumas galinhas. Em suma, esta história parece-me estar mal contada, como muitas outras relatadas pelas NT...

Três dias depois, a 21, às 5h30 da manhã, os Pel Caç Nat 53 e 64, reforçados com duas secções de milícia, efectuaram uma operação de dois dias para detecção de vestígios do IN na região de Missirá, Finete, Chicri, Mato Cão, Finete. Não houve contacto nem vestígios (Op Espada Gaulesa). O Mato Cão era um dos pontos sensíveis do Geba Estreito donde a guerrilha costumava desencadear acções de barragem à navegação. Era uma zona intensamente patrulhada pela CCAÇ 12. Depois do regresso a casa dos quadros metropolitanos da CCAÇ 12 (Março de 1971), foi instalado um destacamento no Mato Cão (A informação é do Jorge Cabral que lá ficou na região por mais uns meses).

As forças do PAIGC que actuavam nesta região eram provenientes da base de Madina/Belel, no regulado do Cuor. Ataques e flagelações aos destacamentos de Missirá, Finete e Enxalé eram frequentes, obrigando ao reforço temporário de alguns deles (como era sobretudo o caso de Missirá).

Já em 28 de Setembro de 1969, há o registo, na história do BCAÇ 2852, de uma incursão de um grupo IN, armado, na povocação de Nhabijões Bedinca:

“Em 28, pelas 1h30, um grupo IN estimado em 50 elementos, armados de PM [ Pistolas Metralhadoras] e de espingardas [ automáticas ?] assaltaram a tabanca de Nhabijões Bedinca (Bambadinca 4 A – 3), agredindo à coronhada alguns africanos e roubando arroz, milho, uma vaca e um porco e diversos agasalhos. Retiraram para Norte, cambando o Rio Geba em canoas para a bolanha de São Belchior (Bambadinca 1 F 3 ?)”.

Alguns dias depois, a 3 de Outubro, pelas 14h00, muito provavelmente o mesmo grupo IN flagelou a embarcação Gouveia XVI da margem direita do Rio Geba, na região de São Belchior, “causando 1 morto, 4 feridos graves e 6 feridos ligeiros à população”… A embarcação, da Casa Gouveia, transportava apenas “carga civil” e dirigia-se, segundo presumo, de Bafatá para Bissau.
De qualquer modo nesse mês de Dezembro de 1969, há o registo de mais duas acções intimidatórias deste tipo, atribuídos pelo comando de Bambadinca à guerrilha do PAIGC:

“Em 10 de Dezembro, pelas 1h45, um grupo IN estimado em 6/8 elementos roubou 2 vacas na tabanca de Canchicamo (Bambadinca 8 A 8 ?) incendiando a morança do dono daquelas e tendo morrido uma criança e um nativo quando reagia ao IN com um pau. O IN atravessou o Rio Geba (Bambadinca 5I2) a nado, retirando pelo mesmo local. As NT, alertadas por elementos da população, imediatamente se deslocaram à tabanca de Canchicamo tendo detectado o trilho IN e tendo encontrado uma GMO [granada de mão ofensiva] (5).

“A 16, pelas 21h30, um grupo IN não estimado assaltou as moranças da tabanca de Nhabijões Bedinca roubando 2 vacas, um porco e tendo agredido o dono daquelas à coronhada e ocasionando nestes ferimentos. O IN cambou o Rio Geba na região (Bambadinca 1 I 5- 52)”.

Como se pode avaliar pela magnífica carta de Bambadinca, as povoações ribeirinhas ao longo do Geba Estreita eram de difícil (para não dizer impossível) controlo por parte das NT.

Ainda, nesse mês e ano, nas vésperas de Natal, a 24, dois Gr Comb da CCAç 12, “em cooperação com a autoridade administrativa de Bambadinca levam a cabo uma rusga, com cerco, à tabanca de Mero”. Na história desta unidade (Cap. II, pág. 20) diz-se que “apesar de alguns indícios suspeitos, não foram detectados elementos IN”; por outro lado, “para efeitos de controlo populacional, completou-se e actualizou-se o recenseamento dos habitantes de Mero (Acção Guilhotina)”.

Luís Graça
__________

(1) Vd. post de 21 de Dezembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCCXCIII: Bendito Cabral, entre as mandingas de Fá e as balantas de Bissaque:

"Porque estamos no Natal, recordas o teu de 69 e um ataque a Bissaque. Eu passei o meu em Fá, e dias antes, noite dentro, quando já o comemorava por antecipação, acorri a defender a Tabanca de Bissaque, guiado pelo Marinho. Este era um velho, seco e pequenino, guardião das instalações de Fá, desde os anos 50. Embora existisse uma estrada para Bissaque, o Marinho conduziu-nos por uma interminável bolanha, após a qual lá chegámos, obviamente muito depois do "inimigo" ter retirado. O ataque referido nos documentos oficiais, não passou de uma breve flagelação. Fui eu que relatei a ocorrência, e porque quem conta um conto... acrescentei- lhe alguns pormenores (essa da intervenção de brancos deve ter sido ficção cabraliana), para assustar o Comandante de Bambadinca!"

(2) Vd post de 15 de Outubro de 2005 > Guiné 63/74 - CCXLIII:Op Lança Afiada (1969): (i) À procura do hospital dos cubanos na mata do Fiofioli

(3) Vd mapa de Bambadinca

(4) Vd. posts de:

21 de Setembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCII: O reordenamento de Nhabijões (1969/70)

23 de Setembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCV: 1 morto e 6 feridos graves aos 20 meses (CCAÇ 12, Janeiro de 1971)

2 de Dezembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCCXXIX: E de súbito uma explosão (Luís Graça)

(5) Na brochura sobre a história do BCAÇ 2852, a grafia é Canxicamo. A mim parece-me que a grafia correcta é Canchicamo, de acordo com o mapa de Bambadinca, dos Serviços Cartográficos do Exército (1955). Canchicamo ficava a norte de Bissaque, junto a Ponta Amado numas curvas (caprichosas) desse mítico rio que era, para nós, o Geba (ou Xainga).

Guiné 63/74 - CCCXCVIII: 'turras brancos' em Bissaque, uma ficcção cabraliana

Em 1952, terminado o curso de engenheiro agrónomo em Lisboa, Amílcar Cabral regressa à sua terra, contratado pelos Serviços Agrícolas e Florestais da Guiné Portuguesa, trabalhando nomeadamente em Fá Mandinga e em Pessubé, em Bissau (onde dirige uma exploração agrícola, a famosa Granja de Pessube: vd. mapa da cidade de Bissau).

Em 1969/71, outro Cabral passaria por Fá (Mandinga): era Alferes Miliciano do Exército Colonial Português, poeta e grande admirador da beleza feminina africana... Fá também foi centro de instrução da 1ª Companhia de Comandos Africanos.


Em 18 de Dezembro de 1969, o Alferes Cabral, à frente do seu Pel Caç Nat 63, vai, de noite, em socorro de Bissaque, atacada por um "turras brancos"... Trinta e cinco anos depois, em primeira mão, neste blogue, faz-se história: o próprio Cabral vem revelar que essa dos brancos em Bissaque foi uma "ficção cabraliana"... Esses delíros eram frequentes enre os soldados portugueses: recordo-me de um dos nossos básicos (da CCAÇ 12) que um dia terá visto elefantes junto ao arame farpado do quratel de Bambadinca!

© Jorge Cabral (2005)



1. Em Dezembro de 1969 a disposição das NT no Sector L1 da Zona Leste (Bambadinca) era a seguinte:

BCAÇ 2852 > Bambadinca
(1) CSS do BBCAÇ 2852 > Bambadinca

(2) CART 2520 (-) > Xime
(21) Um pelotão > Enxalé

(3) CCAÇ 2404 (-) > Mansambo
(31) Uma pelotão (-) > Candamã
(32) Uma secção > Afiá

(4) CART 2413 (-) > Xitole
(41) Um pelotão > Ponte dos Fulas

(5) Pel Caç Nat 52 > Bambadinca
(6) Pel Caç Nat 54 > Missirá
(7) Pel Caç Nat 63 > Fá

(8) Pel Autometralhadoras DAIMLER 2046 > Bambadinca
(9) Pel Mort 2106 (-) > Bambadinca. Com um esquadrão (-) em cada um dos seguintes aquartelamentos ou destacamentos: Xime, Mansambo, Xitole, Enxalé, Fá, Missirá
(10) 20º Pel BAC 1 > Xime

(11) CCAÇ 12 (-) > Bambadinca
(111) Uma secção > Sansacuta

(12) Pelotões de milícias nas seguintes localidades: Missirá (201), Finete (202), Madina Bonco (241), Amedalai (203), Taibatá (242) e Dembataco (242).


2. Na História do BCAÇ 2852, Capítulo II, página 123, pode ler-se:

“Em 18 [de Dezembro de 1969 ], pelas 00h01 horas, um “Grupo IN, estimado em cerca de 20 elementos com alguns brancos (negrito meu), assaltou com armas ligeiras e granadas de mão, durante 20 minutos, a tabanca de Bissaque (Bambadinca 8 C 6), roubando uma vaca, um porco, várias galinhas e diversos objectos de uso pessoal, causando um ferido ligeiro à população que reagiu à catana e pelo fogo, o único elemento armado. O IN sofreu um ferido motivado por catanadas, deixando poças de sangue, retirando e cambando o Rio Geba na Região (Bambadinca 3 I 7-65). As NT estavam emboscadas em (Bambadinc 5 I l-98), alertadas e passando obrigatoriamente pelo quartel de Fá [Madinga], fizeram fogo de morteiro sobre a última cambança (Bambadinca 5 I 9-24) reconhecendo o trilho IN de retirada até ao Rio Geba”.

O comandante da força que estava emboscada (o Alf Mil Cabral, do Pel Caç Nat 63) e que fez depois o reconhecimento - ainda nessa mesma noite - da acção do IN em Bissaque, deixou transparecer há dias, aqui neste blogue (1), que a notícia de brancos, integrando o grupo IN que terá assaltado Bissaque, foi tão exagerada… quanto a notícia da morte de Mark Twain comentada pelo próprio.

Em Dezembro de 1969, o Alf Mil Cabral comandava o destacamento de Fá Mandinga, guarnecido pelo PEL CAÇ NAT 63. Aqui vemo-lo, em traje de combate, devidamente protegido, contra as balas do IN, pelo mezinhos mandingas

© Jorge Cabral (2005)


O Jorge Cabral terá querido assustar o valoroso tenente-coronel e os magníficos majores de Bambadinca ao dar a notícia (fantasiosa) dos brancos em Bissaque. Nunca ninguém viu ou apanhou brancos no Sector L1, integrados na guerrilha do PAIGC.

Era uma ficção que já vinha da Operação Lança Afiada (Março de 1969) (2): os homens do BCAÇ 2852 ficaram muito frustrados quando entraram no Fiofioli e não encontraram nem enfermeiras nem médicos cubanos!

O Jorge Cabral era o único, de nós, que muito provavelmente se divertia com a guerra, “avacalhando” o sistema, fazendo “non sense” e produzindo inventonas como esta. "Ficções cabralianas", como ele próprio as define... A verdade é que os brancos de Bissaque, tal como os cubanos do Fiofioli, ficaram registados nos livros da tropa, o mesmo é dizer, no Arquivo Histórico-Militar...

Bissaque era uma aldeia balanta, em pleno chão fula (Zona Leste), situada no Geba Estreito, nas proximidades de Ponta Amaro, na margem esquerda, a norte de Fá Mandinga, a menos de cinco quilómetros em linha recta (pelo mapa). Pela carta (de 1955) era uma tabanca dispersa com meia dúzia de moranças. Não me lembro de lá ter passado, mas é bem possível que sim, numa qualquer acção de patrulhamento. De qualquer modo, Bissaque fazia parte do importante núcleo de população balanta do Sector L1, considerado sob duplo controlo, a par de Nhabijões, Mero e Santa Helena (3).

A população destas tabancas ribeirinhas, localizadas ao longo do Geba Estreito, hostilizava-nos ou, pelo menos, colaborava com o PAIGC, até por razões de parentesco e de etnia. Contrariamente às tabancas fulas, as tabancas balantas não estavam em autodefesa nem tinham milícias. Lembro-me de estar destacado em Nhabijões, já depois do seu reordenamento, e ser alertado, à noite, para a presença de guerrilheiros. Entravam e saíam com relativa facilidade no reordenamento, nas nossas barbas, quase descaradamente. Em contrapartida, nunca nos atacaram, por muito provavelmente recearem as nossas represálias sobre a população balanta. Limitaram-se, um dia, a 13 de Janeiro de 1971, a montar duas minas anticarro, à saída do reordenamento, na estrada de Nhabijões-Bambadinca,que nos custaram 2 mortos e vários feridos graves (entre eles, o Alf Mil Sapador Luís Moreira e o Fur Mil Atirador de Infantaria Joaquim Fernandes, membros da nossa tertúlia) (4).

Não sei, de resto, o que nos poderia acontecer se um dia a “esquadra de polícia” do Reordenamento de Nhabijões fosse atacada, à noite, de surpresa… Até Julho de 1970, o destacamento de Nhabijões era guarnecido por forças da CCAÇ 12… A partir daí foi constituído um pelotão permanente da CCS do BART 2917, enquadrado por graduados da CCAÇ 12. Os homens da CCS não tinham qualquer experiência de combate… No essencial, era um “pelotão de básicos” que seria rapidamente destroçado se algum dia o PAIGC nos atacasse…

A menos que se tratasse de um pequeno grupo de ladrões de gado, de etnia balanta (o que era vulgar acontecer, no Sector L1, mesmo em plena guerra...) ou de um pequeno grupo de guerrilha esfomeado e fora do controlo do seu comissário político, não vejo qual o interesse do PAIGC em amedrontar a pacata e colaborante população de Bissaque. Par mais à meia noite e para roubar apenas um vaca, um porco e algumas galinhas. Em suma, esta história parece-me estar mal contada, como muitas outras relatadas pelas NT...

Três dias depois, a 21, às 5h30 da manhã, os Pel Caç Nat 53 e 64, reforçados com duas secções de milícia, efectuaram uma operação de dois dias para detecção de vestígios do IN na região de Missirá, Finete, Chicri, Mato Cão, Finete. Não houve contacto nem vestígios (Op Espada Gaulesa). O Mato Cão era um dos pontos sensíveis do Geba Estreito donde a guerrilha costumava desencadear acções de barragem à navegação. Era uma zona intensamente patrulhada pela CCAÇ 12. Depois do regresso a casa dos quadros metropolitanos da CCAÇ 12 (Março de 1971), foi instalado um destacamento no Mato Cão (A informação é do Jorge Cabral que lá ficou na região por mais uns meses).

As forças do PAIGC que actuavam nesta região eram provenientes da base de Madina/Belel, no regulado do Cuor. Ataques e flagelações aos destacamentos de Missirá, Finete e Enxalé eram frequentes, obrigando ao reforço temporário de alguns deles (como era sobretudo o caso de Missirá).

Já em 28 de Setembro de 1969, há o registo, na história do BCAÇ 2852, de uma incursão de um grupo IN, armado, na povocação de Nhabijões Bedinca:

“Em 28, pelas 1h30, um grupo IN estimado em 50 elementos, armados de PM [ Pistolas Metralhadoras] e de espingardas [ automáticas ?] assaltaram a tabanca de Nhabijões Bedinca (Bambadinca 4 A – 3), agredindo à coronhada alguns africanos e roubando arroz, milho, uma vaca e um porco e diversos agasalhos. Retiraram para Norte, cambando o Rio Geba em canoas para a bolanha de São Belchior (Bambadinca 1 F 3 ?)”.

Alguns dias depois, a 3 de Outubro, pelas 14h00, muito provavelmente o mesmo grupo IN flagelou a embarcação Gouveia XVI da margem direita do Rio Geba, na região de São Belchior, “causando 1 morto, 4 feridos graves e 6 feridos ligeiros à população”… A embarcação, da Casa Gouveia, transportava apenas “carga civil” e dirigia-se, segundo presumo, de Bafatá para Bissau.
De qualquer modo nesse mês de Dezembro de 1969, há o registo de mais duas acções intimidatórias deste tipo, atribuídos pelo comando de Bambadinca à guerrilha do PAIGC:

“Em 10 de Dezembro, pelas 1h45, um grupo IN estimado em 6/8 elementos roubou 2 vacas na tabanca de Canchicamo (Bambadinca 8 A 8 ?) incendiando a morança do dono daquelas e tendo morrido uma criança e um nativo quando reagia ao IN com um pau. O IN atravessou o Rio Geba (Bambadinca 5I2) a nado, retirando pelo mesmo local. As NT, alertadas por elementos da população, imediatamente se deslocaram à tabanca de Canchicamo tendo detectado o trilho IN e tendo encontrado uma GMO [granada de mão ofensiva] (5).

“A 16, pelas 21h30, um grupo IN não estimado assaltou as moranças da tabanca de Nhabijões Bedinca roubando 2 vacas, um porco e tendo agredido o dono daquelas à coronhada e ocasionando nestes ferimentos. O IN cambou o Rio Geba na região (Bambadinca 1 I 5- 52)”.

Como se pode avaliar pela magnífica carta de Bambadinca, as povoações ribeirinhas ao longo do Geba Estreita eram de difícil (para não dizer impossível) controlo por parte das NT.

Ainda, nesse mês e ano, nas vésperas de Natal, a 24, dois Gr Comb da CCAç 12, “em cooperação com a autoridade administrativa de Bambadinca levam a cabo uma rusga, com cerco, à tabanca de Mero”. Na história desta unidade (Cap. II, pág. 20) diz-se que “apesar de alguns indícios suspeitos, não foram detectados elementos IN”; por outro lado, “para efeitos de controlo populacional, completou-se e actualizou-se o recenseamento dos habitantes de Mero (Acção Guilhotina)”.

Luís Graça
__________

(1) Vd. post de 21 de Dezembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCCXCIII: Bendito Cabral, entre as mandingas de Fá e as balantas de Bissaque:

"Porque estamos no Natal, recordas o teu de 69 e um ataque a Bissaque. Eu passei o meu em Fá, e dias antes, noite dentro, quando já o comemorava por antecipação, acorri a defender a Tabanca de Bissaque, guiado pelo Marinho. Este era um velho, seco e pequenino, guardião das instalações de Fá, desde os anos 50. Embora existisse uma estrada para Bissaque, o Marinho conduziu-nos por uma interminável bolanha, após a qual lá chegámos, obviamente muito depois do "inimigo" ter retirado. O ataque referido nos documentos oficiais, não passou de uma breve flagelação. Fui eu que relatei a ocorrência, e porque quem conta um conto... acrescentei- lhe alguns pormenores (essa da intervenção de brancos deve ter sido ficção cabraliana), para assustar o Comandante de Bambadinca!"

(2) Vd post de 15 de Outubro de 2005 > Guiné 63/74 - CCXLIII:Op Lança Afiada (1969): (i) À procura do hospital dos cubanos na mata do Fiofioli

(3) Vd mapa de Bambadinca

(4) Vd. posts de:

21 de Setembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCII: O reordenamento de Nhabijões (1969/70)

23 de Setembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCV: 1 morto e 6 feridos graves aos 20 meses (CCAÇ 12, Janeiro de 1971)

2 de Dezembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCCXXIX: E de súbito uma explosão (Luís Graça)

(5) Na brochura sobre a história do BCAÇ 2852, a grafia é Canxicamo. A mim parece-me que a grafia correcta é Canchicamo, de acordo com o mapa de Bambadinca, dos Serviços Cartográficos do Exército (1955). Canchicamo ficava a norte de Bissaque, junto a Ponta Amado numas curvas (caprichosas) desse mítico rio que era, para nós, o Geba (ou Xainga).

Guiné 63/74 - CCCXCVII: 'Bom festa pa tudo djinti': Natal 2005

Em resposta à mensagem natalícia do Mário Dias, em crioulo [vd. post de 18 do corrente > Guiné 63/74 - CCCLXXXVI: ´'Bom festa pa tudo dgenti' ou o Natal de Bissau de 52 (Mário Dias)], começam a aparecer mais tertulianos, mostrando os seus talentos linguísticos e poéticos. Este post vai estar aberto até ao Natal, para que possamos uns e outros "partir mantenhas":


21. Joaquim Fernandes (ex-furriel miliciano da CCAÇ 12, Bambadinca, 1969/71):

Caro Amigo e Camarada Henriques:

Tem sido com bastante emoção e até com algum saudosismo que venho acompanhando toda esta corrente tertuliana, que saúdo com muito carinho.

Apesar de não ter participado activamente, não deixo de me sentir bem perto de todos vós.

Nesta Quadra Natalícia, quero deixar os meus votos de Boas festas e o meu obrigado por ter o privilégio por me considerarem vosso amigo.

Bem Hajam
Joaquim Fernandes
(27.12.2005, 9:50)

A caminho da Guiné > A bordo do Niassa > Maio de 1969: Quadros metropolitanos da CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12), na viagem de Lisboa-Bissau (24 a 29 de Maio de 1969).

Da esquerda para a direita: 2º sargento Videira, furriéis milicianos Branquinho, Levezinho, Reis, Fernandes, Henriques e Almeida (este último já falecido).


© Luís Graça (2005)


20. Ernesto Ribeiro:

Agradeço e retribuo o Votos de Boas Festas.

Mais, aproveito para incentivar a continuação do magnífico trabalho que tem prestado a toda a Guiné e em especial aos saudosistas que se sentem impotentes para fazer algo de melhor, como é o meu caso.
Bom 2006 para todos

Ernesto Ribeiro
CART 2339 / Viriatos

(23.12.2005, 10:35)

19. Afonso M.F. Sousa (Mensagem natalícia enviada, com música, em 22 de Dezembro de 2005, pelas 21:15, a todos os tertulianos):





18. Sousa de Castro (Tomem nota do seu novo endereço de e-mail):

Luís, agora que chegou a ADSL à minha tabanca, torna-se muito mais fácil aceder a todo Blogue e não só. Como sabes no sistema de ligação pelo telefone era impossível abrir alguns trabalhos devido ao tempo que demorava.

Tenho devorado toda a documentação. Consegui transpor para o papel e a cores num formato acima do A3 os mapas do Humberto relacionados com o Xime e só agora percebo o quanto estávamos perto dos nossos amigos, Ponte Varela, Ponta do Inglês, Poidon e ali no meio Gampará na confluência do Rio Corubal com o Rio Geba. Tanta vez que demos apoio de fogo a Gampará com Obus 10.5. Por falar em Gampará, ainda não apareceu ninguém dessa zona.

Devo dizer que da tua parte tens feito um excelente trabalho. Excepcional!... É caso para dizer:
Eu, António Manuel Sousa de Castro, ex-1º cabo radiotelegrafista, da CART 3494, louvo o ex-Furriel Luís Graça pela determinação, competência, dedicação, moderação e camaradagem, e pelo empenho dedicado ao manter actualizado o único blogue que referente à Guerra Colonial na Guiné, com um futuro encontro a realizar em 2006, em data a designar pela tertúlia. Determino e mando publicar.

Uma vez mais, Bom Natal

Sousa de Castro

"Este foi o Natal de 1972 em Bambadinca. Eu já não estava só". [O Castro é o primeiro do grupo, junto à parede]

© Sousa de Castro (2005)


17. José Teixeira:

Caro amigo Luís Graça

Deixa-me expressar-te a minha admiração pela ideia e sobretudo pelo trabalho que a ideia da Tertúlia te tem dado.

De facto para além de sermos cada vez mais, palavra puxa palavra, amigos encontram amigos e servem-se deste meio para comunicarem entre si.

O Bloguista trabalha, trabalha e trabalha a passar a palavra, a juntar fotografias ....Uf!, é um nunca mais acabar.

Parabéns e muito obrigado por me teres aceite na Tertúlia ou Tertolos pela Guiné.

Como sabes, estive lá em Abril passado. Tenho manga de histórias e de fotografias de Buba, Empada, Quebo, Saltinho, etc. Com tanto movimento no Blogue, vou tentar enviar aos poucos para não cansar muito.

Aliás tenho partes do meu Diário que terei muito gosto em pôr em comum, pois creio que com a tua atitude e boa vontade estamos a construir uma boa parte da verddadeira história da Guerra colonial na Guiné.

Acho que seria interessante pensarmos em tenta editar um livro com textos selecionados do Blogue. Não só faríamos história antes que outros se servissem do que escrevemos, como podíamos juntar algum capital que seria utilizado para ajudar os povos da Guiné que de algum modo ficaram no nosso coração.

Com este pequeno preâmbulo queria apenas desejar a ti e a toda a tua família mais aos que te são queridos, incluindo todos os bloguistas e sobretudo a todos os homens de boa vontade um Feliz Natal

José Teixeira
(22.12.2005, 9:27h)

16.

Daqui ex alfa lima foxtrote sierra alfa lima golfe alfa delta oscar

Quero desejar-vos a todos, CAMARADAS e AMIGOS DESTA TERTÚLIA, uma palavra de muita estima e consideração. Sobretudo, saudar-vos nesta quadra natalícia, eu e a minha mulher que me acompanha nestas lides pela Guiné - bem lá no centro do Hospital Simao Mendes - e dizer-vos que retomarei o meu contributo a partir do meu retorno a Bissau em 6 de Janeiro ( o Humberto que me desculpe, mas vim a 19 pois havia lá que fazer...acho que poderemos rever-nos nesse dia, contigo lá emboscado...vou gostar!). Retorno que pretende ligar o passado com o presente, falar do que vivi (vivemos) mas sempre pensando que o futuro tem que construir lá na Guiné como cá, de resto...

Obrigado a todos pelas vossas mensagens.

Paulo e Conceição
21.12.2005, 19:55h
O ex-Alf Mil Salgado, no Olossato, dando uma ajudinha ao serviço de saúde da CCAV 2712 (Olossato e Nhacra, 1970/72). Ontem como hoje, a mesma paixão pela área da saúde.

© Paulo Salgado (2005)


15. Daqui, o Castro (em resposta ao ranger):

Meu caro amigo, não adianta estar preocupado em falar destas coisas aos nossos filhos, falando por mim, embora, reconheçam que passámos por fases de sofrimento, mas, não passa disso, pelo menos no que toca aà minha pessoa. É por isso que este blogue é espectacular, aqui podemos dizer o que nos vai na alma, lermos as estórias de outros camaradas e assim ficamos mais aliviados. Vamos tentar passar um bom Natal e que o ano 2006 nos traga aquilo que mais desejamos. Bom Natal.

Sousa de Castro
21.12.2005, 19:00h


14. Boa noite, camaradas bloguistas,

Desculpem a minha ousadia, mas estou a acabar de ler os emails e vi que o “nosso” pessoal, a faltar oito dias, já está a ficar tocado pelo Natal.

Eu acho muito natural por várias questões que por vezes me atormentam (e, se calhar também a alguns de vós), por exemplo:

Como explicar aos nossos filhos e netos que já tivemos alguns Natais com outras famílias? E que essas famílias nos são tão queridas? E que essas famílias são na generalidade todos Homens/Irmãos lá, muito longe, no meio do mato em África?

Quantos de nós recordámos, recolhidos numa qualquer poltrona, esses Natais, e nos esforçámos por recordar, uma a uma, cada uma das caras desses nossos Irmãos, porque as nossas memórias já, mais ou menos gastas, s vão atraiçoando!

Será que conseguimos explicar por palavras a lágrima que nos rola pela face? E se arranjarmos coragem para narrarmos tais Ntais, valerá a pena? Será que eles compreenderão e/ou importarão com isso?

E, muito mais, mas... O que me irrita e desgosta é que os possa, de algum modo, levar a pensar que nós fomos uns "coitadinhos" ou uma geração de desgraçadinhos!

Eu penso que - excepto aqueles que fugiram, ou se safaram pelas famosas cunhas -, todos nós cumprimos, fosse em Bissau, fosse em Guileje ou Guidage. Uns com mais sorte, outros com muito menos! Uns com mais medos, outros com menos! Uns com mais coragem, outros com menos! Uns com o lápis, outros com a G3! Todos fomos importantes e camaradas... Estivemos lá e, mais ou menos bem... CUMPRIMOS!!!

Acabo, desejando-vos um Bom e Feliz Natal para todos vós!

Eduardo Ribeiro
O Pira de Mansoa (1)
(Mensagem de 21.12.2005, 00:54h)

(1) Vd. post de 22 de Novembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCCV: O 'malandro do Ribeiro' que arriou a nossa bandeira em Mansoa

Guidage!):

Estamos numa época que marca sempre as pessoas, pelo que eu queria desejar, a todos os camaradas da tertúlia assim como a todos os guineenses em geral, Festas Felizes. Gostava de deixar um poema para ser meditado:

"Ninguém na vida é maior
nem maior
nem mais pequeno,

Não há
nem menos
nem mais

Quando chegamos, nascemos
Quando partimos, morremos
Somos todos bem iguais»

Albano Costa
(20.12.2005, 14:11)

Guiné-Bissau > Guidage > Novembro de 2000 > "Por detrás de um fotógrafo há sempre um poeta" (LG)...

© Albano M. Costa (2004-05)

12. Esta é uma boa ocasião para fazer a chamada dos nossos tertulianos. Acaba justamente de chegar o Luís Moreira, ex-alferes miliciano sapador da CCS do BART 2917 (Bambadinca, 1970/71; e BENG, Bissau, 1971). Mandou-nos a todos um cartão bonito, com uma musiquinha dos Beatles: "Não queria deixar passar esta quadra sem desejar a todos um Feliz Natal e um Ano Novo com saúde e tão bom quanto possível" (20.12.2005, 21:15h).


Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Reordenamento de Nhabijões > 1970 > O Alf Mil Sap Moreira, junto a um GMC.


© Luís Moreia (2005)

Trágica ironia: o sapador seria vítima, passado pouco tempo, de uma mina anticarro num Unimog, a 13 de Janeiro de 1971, à saída de Nhabijões.





11. Do nosso tertuliano (e meu consultor militar) A. Marques Lopes (20.12.2005, 15:00h):

Caro Luís

Verifiquei que enviei esta mensagem para todos os tertulianos menos para ti. Mais uma vez problemas com esta macacada informática (o macaco ignorante sou eu...). Mas aqui vai também para ti:

Caros camaradas e maravilhosos amigos desta tertúlia das lembranças da Guiné, com a evidência de que a recordação e a saudade valem mais do que a já ausência das penas sofridas. Estas são para a história, o que ficou no coração e agradavelmente na lembrança são as pessoas de quem gostámos e aquelas paisagens tocantes que o excelente DVD do filho do Albano [o Hugo Costa] nos fizeram lembrar. O meu grande agradecimento por estas vivências que vocês todos me têm facultado.

Cá espero o Luís Graça [em Matosinhos], é bom conhecermo-nos pessoalmente. Nesta quadra não, evidentemente, mas penso que era bom que esta companhia fizesse um encontro lá mais para a frente. Proponho que o nosso comandante Luís começasse a gizar o plano.
Um grande abraço do
A. Marques Lopes


"Atravessar ou não atravessar a bolanha, eis a questão". O nosso camarada A. Marques Lopes numa titude shakespeariana...

Na altura era alferes miliciano atirador de infantaria na CART 1690, Guiné, Geba, 1968...

© A. Marques Lopes (2005.

Há ainda uma segunda mensagem do nosso coronel, que também não me chegou a tempo e horas:

Camaradas amigos:

Transmito-vos este pedido do Anizio Indami. Se alguém souber de um Furriel Santos ou de um Alferes Loureiro da Companhia 2584 que esteve em Có, sector de Bula, que dê notícias, ou para mim ou directamente para o Indami.

Além disso aí está o desejo do pai dele de se encontrar com qualquer ex-combatente que vá à Guiné, sintomático da amizade entre os dois povos, apesar de terem combatido em campos opostos. Sinal também de que não havia assim tantas razões para isso...

Peço-vos, meus amigos, que façam um esforço para atender a este pedido do pai do Indami.
Um abraço do
A. Marques Lopes


10. Do João Tunes (ex-alf mil de transmissões da CCS do BCAÇ 2884, Pelundo, 1969/70; transferido depois para o batalhão de Catió, por 'razões disciplinares' de que muito se orgulha):

Obrigado Luís, por, graças ao blogue, teres permitido mais este (re)encontro (a pouco e pouco, os ex-combatentes vêm cá "caindo"!). Bem hajas.

Abraço para ti e para todos os camaradas tertulianos. Aproveito para desejar a todos umas excelentes Festas.

João Tunes
(20.12.2005, 12:39h)

Guiné > Catió > Ilhéu Infanda > Maio de 1970 > O João Tunes é o que está junto ao rádio, do lado esquerdo, em trono nu e auscultadores nos ouvidos.

© João Tunes (2005)




Cópia de mendagem enviada por Júlio Rocha (19 de Dezembro de 2005, 23:40h)

Assunto: CCAÇ 2586/BCAÇ 2884 - Pelundo

Amigo Tunes:

Só há dias através dum camarada que esteve comigo em Tavira tomei conhecimento do site do Luis Graça e por muita satisfação encontrei-te no blogue.

Eu fiz parte da CCAÇ 25887 e estive no Pelundo até 02/07/70, dia em que tive o acidente quando me encontrava precisamente no teu quartel nessa noite, tendo de manhã sido evacuado para o hospital militar de Bissau e depois de ter estado internado e operado, vim evacuado para a metrópole em 21/07/70.

Era Furriel Miliciano do pelotão do Alferes Trindade.

Costumo ir aos almoços do Batalhão [2884], se bem que ao último não pude ir. Devemos ser vizinhos, pois moro na Cova da Piedade. Bom natal para ti e vai dando notícias. Um abraço,
Júlio Rocha.


9. Do Sousa de Castro, ex-1º cabo radiotelegrafista, da CART 3494 (1972/74), aquartelada no Xime (1972/73) e depois em Mansambo (1973/74), pertencente ao BART 3873 (1972/1974), com sede em Bambadinca.

Guiné > Xime > Natal 1972

© Sousa de Castro (2005)

Que esta nova companhia ("OS TERTULIANOS") tenham um bom Natal na companhia de todas as pessoas de quem mais gostamos.

Sousa de Castro
Mensagem de 19.12.2005, 20:00h


8. Do Pepito (Carlos Schwarz, AD - Acção para o Desenvolvimento, Bissau):

Caro Luís

Obrigado pelo grande presente de Natal (**). Delirei!

Um feliz Natal e um excelente Ano Novo para ti e para todos os tertulianos
pepito

(19.12.2005, 19:47h)

(**) O mapa (digitalizado) de Guileje

7. Ainda do David Guimarães (mensagem de 19 de Dezembro de 2005, às 16:00h):


"um bom Natal para todos. Aí está um bagabaga, paisagem da Guiné.

"Quem lá foi ultimamente encontrará (espero que ainda lá esteja...) este bababaga junto ao Restaurante Lusófono, perto do Aeroporto Osvaldo Vieira, em Bissalanca".


David J. Guimarães (2005)





6. O João Varanda, em mensagem datada já de 16 de Dezembro último, manda-nos "mais umas memórias do histórico da CCAÇ 2636, escritas com o respeito que na época vigorava entre nós na Guiné" (*). A aproveita o ensejo para nos desejar, a todos, "Feliz Natal e que o Ano Novo seja o melhor de sempre".

Assinado: Grande Amigo João Varanda

Guiné > Có > 1969/70 > João Varanda, em Có, vendo o horizonte de cima de uma bagabaga.

© João Varanda (2005)

__________

(*) Vd. post de 19 de Dezembro de 2005 >

Guiné 63/74 - CCCXC: CCAÇ 2636 (Bafatá, 1970/71) (6): Mimos do PAIGC em Mansomine

Guiné 63/74 - CCCLXXXIX: CCAÇ 2636 (Có, 1969/70) (5): Gastando o primeiro par de botas e as letras do alfabeto





5. Do Xitole, dos idos tempos de 1970/72, chegam-nos ecos (fraternos) de outros Natais:

UM MILITAR CHAMADO PAI NATAL

Belas palavras as que nos dirige Marques Lopes - nada melhor que agradecimento de facto pelo facto de estarmos juntos... e já somos alguns... Será este o melhor Natal que todos passamos na guerra - que a vivemos hoje e não há dúvidas sob Comando do Luís... Também dele fico à espera embora em tempos nos cruzássemos nos mesmos caminhos: a CCAÇ 12 e as célebres colunas ao Xitole e ao Saltinho; e eu tantas vezes a vê-los passar... Passaram-se 30 anos... e possivelmente só agora nos iremos conhecer [no Porto].

Ao Marques Lopes: Curioso, há tanto tempo que também já nos conhecemos... e quer o destino que ainda não nos encontrássemos... O Sousa e Castro e, enfim, tantos afinal que vivemos muitas vezes juntos, ou bem perto ... mas sempre a tempo de nos encontrarmos ou reencontarmo-nos....

Ainda bem que existe um Luís e bem hajas pelo bem que estás a fazer a todos, pelos vistos...

Agora somos muitos amigos que vamos viver um Natal juntos - aí sim, nessa tertúlia. Estamos juntos a viver os mesmos momentos...

Um Abraço e boas festas, hoje como que mais próximos dos natais que todos passamos naquelas terras quentes da Guiné. E foi a guerra que nos fez hoje tão unidos, o troar do canhão, o matraquear das metralhadoras e, enfim, a bazuca - não essa em que estão a pensar, mas a cervejinha, bem geliadinha, de calibre 60 (centilitros!)... Já bebia uma com vocês!

Feliz Natal

David J. Guimarães

(19 de Dezembro de 2005, 16h)

4. Lembram-se do nosso amigo, nascido no Xime, e que enquanto djubi viveu o drama da guerra no tempo em que por lá passaram a CART 2715 (1970/72), a CART 3494 (1972/73) e a CCAÇ 12 (1973/74). ? E que teve como professor primário no Posto Escolar Militar nº 14 um furriel miliciano enfermeiro, de nome José Luís Carvalhido da Ponte, natural de Viana do Castelo ? Coincidência feliz, um e outro, são membros desta tertúlia. Claroq eu estou a falar do ano amigo, guineense, mandinga, José C. Mussá Biai, o qual acaba de nos enviar (dia 19, às 11h) a seguinte mensagem:

Caro Dr Luís Graça

Costuma-se dizer "quem vive em Roma é Romano". E eu acrescento, quem tem amigos católicos é católico.

Desejo a si em particular, bem como a todos os tertulianos, um Bom Natal e um Ano Novo Feliz. Com muita saúde e boas surpresas.


José C. Mussá Biai

Engº Florestal
Instituto Geográfico Português (IGP)
Departamento de Conservação Cadastral (DCC)
Tel. 213819600 Ext. 310
Fax. 213819693


3. Mensagem, enviada na 2ª feira, 19, às 13:46, pelo nosso amigo e camarada, ex-fuzileiro, Jorge Santos:

"A todos os Tertulianos e suas Famílias, votos de Feliz Natal e de um Bom Ano de 2006".

2. Mensagem, enviada no domingo, 18 de Dezembro de 2005 , às 17:25, pelo José Teixeira (ex-1º Cabo Enfermeiro da CCAÇ 2381, Buba e Empada, 1968/70):

Tudo di bom pra bó eh tudo fa´milia que ó na tem. manga di bacalau bátáta e piru.

1. O Jorge Neto, nosso tertuliano, jornalista free-lancer, vizinho do Paulo e da Conceição Salgado no Bairro da Cooperação em Bissau e autor do blogue Africanidades, manda a todos os seus amigos e visitantes uma simpática mensagens de BOAS FESTAS, que a seguir se reproduz:

"Natal, tempo de retribuir com pequenos gestos a atenção e o carinho. As 39 fotos seguintes, umas já publicadas outras inéditas, são-vos dedicadas. A todos vós, sem excepção, que ao longo dos últimos tempos têm passado por este espaço. A todos vós que gostam da Guiné-Bissau, de África, desta terra e destas gentes... São também dedicadas à Cláudia, que me atura as insónias por conta deste vício. São, por fim, dedicadas a todos os amigos que aqui fiz e que me ensinaram a amar este chão. A todos muito obrigado. Já agora, obrigado também pelas mais de 83 mil visitas em 2005.

"AFRICANIDADES pára por uns tempos. Voltaremos em breve. Boas Festas".

O nosso Blogue-fora-nada retribui, na parte que lhe toca, a amizade e a simpatia do Jorge Neto e a melhor homenagem que lhe podemos prestar, a ele e ao seu blogue (que nos mantém criticamente informados e atentos ao que se passa em especial na Guiné-Bissau de hoje) é reproduzir, com a devida vénia, duas das suas fotos que elegemos como emblemáticas.

Guiné-Bissau > 2005 > Sem legenda [Que podia sem qualquer coisa: "O futuro da Guiné-Bissau é ainda frágil e a estrada é longa e dura para a geração dos djubis que brincam, já não não com mortíferas armas, mas com os seus carrinhos de lata" ]


© Jorge Neto > Africanidades (2005)


Guiné- Bissau > 2005 > Sem legenda [Que podia ser qualquer coisa como: "Os guineenses precisam, como pão para a boca, de um Estado e de um sentido de Estado por parte das suas elites que, desde a independência, têm canibalizado o Estado e se têm autodestruído"]

© Jorge Neto > Africanidades (2005)






Guiné 63/74 - CCCXCVII: 'Bom festa pa tudo djinti': Natal 2005

Em resposta à mensagem natalícia do Mário Dias, em crioulo [vd. post de 18 do corrente > Guiné 63/74 - CCCLXXXVI: ´'Bom festa pa tudo dgenti' ou o Natal de Bissau de 52 (Mário Dias)], começam a aparecer mais tertulianos, mostrando os seus talentos linguísticos e poéticos. Este post vai estar aberto até ao Natal, para que possamos uns e outros "partir mantenhas":


21. Joaquim Fernandes (ex-furriel miliciano da CCAÇ 12, Bambadinca, 1969/71):

Caro Amigo e Camarada Henriques:

Tem sido com bastante emoção e até com algum saudosismo que venho acompanhando toda esta corrente tertuliana, que saúdo com muito carinho.

Apesar de não ter participado activamente, não deixo de me sentir bem perto de todos vós.

Nesta Quadra Natalícia, quero deixar os meus votos de Boas festas e o meu obrigado por ter o privilégio por me considerarem vosso amigo.

Bem Hajam
Joaquim Fernandes
(27.12.2005, 9:50)

A caminho da Guiné > A bordo do Niassa > Maio de 1969: Quadros metropolitanos da CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12), na viagem de Lisboa-Bissau (24 a 29 de Maio de 1969).

Da esquerda para a direita: 2º sargento Videira, furriéis milicianos Branquinho, Levezinho, Reis, Fernandes, Henriques e Almeida (este último já falecido).


© Luís Graça (2005)


20. Ernesto Ribeiro:

Agradeço e retribuo o Votos de Boas Festas.

Mais, aproveito para incentivar a continuação do magnífico trabalho que tem prestado a toda a Guiné e em especial aos saudosistas que se sentem impotentes para fazer algo de melhor, como é o meu caso.
Bom 2006 para todos

Ernesto Ribeiro
CART 2339 / Viriatos

(23.12.2005, 10:35)

19. Afonso M.F. Sousa (Mensagem natalícia enviada, com música, em 22 de Dezembro de 2005, pelas 21:15, a todos os tertulianos):





18. Sousa de Castro (Tomem nota do seu novo endereço de e-mail):

Luís, agora que chegou a ADSL à minha tabanca, torna-se muito mais fácil aceder a todo Blogue e não só. Como sabes no sistema de ligação pelo telefone era impossível abrir alguns trabalhos devido ao tempo que demorava.

Tenho devorado toda a documentação. Consegui transpor para o papel e a cores num formato acima do A3 os mapas do Humberto relacionados com o Xime e só agora percebo o quanto estávamos perto dos nossos amigos, Ponte Varela, Ponta do Inglês, Poidon e ali no meio Gampará na confluência do Rio Corubal com o Rio Geba. Tanta vez que demos apoio de fogo a Gampará com Obus 10.5. Por falar em Gampará, ainda não apareceu ninguém dessa zona.

Devo dizer que da tua parte tens feito um excelente trabalho. Excepcional!... É caso para dizer:
Eu, António Manuel Sousa de Castro, ex-1º cabo radiotelegrafista, da CART 3494, louvo o ex-Furriel Luís Graça pela determinação, competência, dedicação, moderação e camaradagem, e pelo empenho dedicado ao manter actualizado o único blogue que referente à Guerra Colonial na Guiné, com um futuro encontro a realizar em 2006, em data a designar pela tertúlia. Determino e mando publicar.

Uma vez mais, Bom Natal

Sousa de Castro

"Este foi o Natal de 1972 em Bambadinca. Eu já não estava só". [O Castro é o primeiro do grupo, junto à parede]

© Sousa de Castro (2005)


17. José Teixeira:

Caro amigo Luís Graça

Deixa-me expressar-te a minha admiração pela ideia e sobretudo pelo trabalho que a ideia da Tertúlia te tem dado.

De facto para além de sermos cada vez mais, palavra puxa palavra, amigos encontram amigos e servem-se deste meio para comunicarem entre si.

O Bloguista trabalha, trabalha e trabalha a passar a palavra, a juntar fotografias ....Uf!, é um nunca mais acabar.

Parabéns e muito obrigado por me teres aceite na Tertúlia ou Tertolos pela Guiné.

Como sabes, estive lá em Abril passado. Tenho manga de histórias e de fotografias de Buba, Empada, Quebo, Saltinho, etc. Com tanto movimento no Blogue, vou tentar enviar aos poucos para não cansar muito.

Aliás tenho partes do meu Diário que terei muito gosto em pôr em comum, pois creio que com a tua atitude e boa vontade estamos a construir uma boa parte da verddadeira história da Guerra colonial na Guiné.

Acho que seria interessante pensarmos em tenta editar um livro com textos selecionados do Blogue. Não só faríamos história antes que outros se servissem do que escrevemos, como podíamos juntar algum capital que seria utilizado para ajudar os povos da Guiné que de algum modo ficaram no nosso coração.

Com este pequeno preâmbulo queria apenas desejar a ti e a toda a tua família mais aos que te são queridos, incluindo todos os bloguistas e sobretudo a todos os homens de boa vontade um Feliz Natal

José Teixeira
(22.12.2005, 9:27h)

16.

Daqui ex alfa lima foxtrote sierra alfa lima golfe alfa delta oscar

Quero desejar-vos a todos, CAMARADAS e AMIGOS DESTA TERTÚLIA, uma palavra de muita estima e consideração. Sobretudo, saudar-vos nesta quadra natalícia, eu e a minha mulher que me acompanha nestas lides pela Guiné - bem lá no centro do Hospital Simao Mendes - e dizer-vos que retomarei o meu contributo a partir do meu retorno a Bissau em 6 de Janeiro ( o Humberto que me desculpe, mas vim a 19 pois havia lá que fazer...acho que poderemos rever-nos nesse dia, contigo lá emboscado...vou gostar!). Retorno que pretende ligar o passado com o presente, falar do que vivi (vivemos) mas sempre pensando que o futuro tem que construir lá na Guiné como cá, de resto...

Obrigado a todos pelas vossas mensagens.

Paulo e Conceição
21.12.2005, 19:55h
O ex-Alf Mil Salgado, no Olossato, dando uma ajudinha ao serviço de saúde da CCAV 2712 (Olossato e Nhacra, 1970/72). Ontem como hoje, a mesma paixão pela área da saúde.

© Paulo Salgado (2005)


15. Daqui, o Castro (em resposta ao ranger):

Meu caro amigo, não adianta estar preocupado em falar destas coisas aos nossos filhos, falando por mim, embora, reconheçam que passámos por fases de sofrimento, mas, não passa disso, pelo menos no que toca aà minha pessoa. É por isso que este blogue é espectacular, aqui podemos dizer o que nos vai na alma, lermos as estórias de outros camaradas e assim ficamos mais aliviados. Vamos tentar passar um bom Natal e que o ano 2006 nos traga aquilo que mais desejamos. Bom Natal.

Sousa de Castro
21.12.2005, 19:00h


14. Boa noite, camaradas bloguistas,

Desculpem a minha ousadia, mas estou a acabar de ler os emails e vi que o “nosso” pessoal, a faltar oito dias, já está a ficar tocado pelo Natal.

Eu acho muito natural por várias questões que por vezes me atormentam (e, se calhar também a alguns de vós), por exemplo:

Como explicar aos nossos filhos e netos que já tivemos alguns Natais com outras famílias? E que essas famílias nos são tão queridas? E que essas famílias são na generalidade todos Homens/Irmãos lá, muito longe, no meio do mato em África?

Quantos de nós recordámos, recolhidos numa qualquer poltrona, esses Natais, e nos esforçámos por recordar, uma a uma, cada uma das caras desses nossos Irmãos, porque as nossas memórias já, mais ou menos gastas, s vão atraiçoando!

Será que conseguimos explicar por palavras a lágrima que nos rola pela face? E se arranjarmos coragem para narrarmos tais Ntais, valerá a pena? Será que eles compreenderão e/ou importarão com isso?

E, muito mais, mas... O que me irrita e desgosta é que os possa, de algum modo, levar a pensar que nós fomos uns "coitadinhos" ou uma geração de desgraçadinhos!

Eu penso que - excepto aqueles que fugiram, ou se safaram pelas famosas cunhas -, todos nós cumprimos, fosse em Bissau, fosse em Guileje ou Guidage. Uns com mais sorte, outros com muito menos! Uns com mais medos, outros com menos! Uns com mais coragem, outros com menos! Uns com o lápis, outros com a G3! Todos fomos importantes e camaradas... Estivemos lá e, mais ou menos bem... CUMPRIMOS!!!

Acabo, desejando-vos um Bom e Feliz Natal para todos vós!

Eduardo Ribeiro
O Pira de Mansoa (1)
(Mensagem de 21.12.2005, 00:54h)

(1) Vd. post de 22 de Novembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCCV: O 'malandro do Ribeiro' que arriou a nossa bandeira em Mansoa

Guidage!):

Estamos numa época que marca sempre as pessoas, pelo que eu queria desejar, a todos os camaradas da tertúlia assim como a todos os guineenses em geral, Festas Felizes. Gostava de deixar um poema para ser meditado:

"Ninguém na vida é maior
nem maior
nem mais pequeno,

Não há
nem menos
nem mais

Quando chegamos, nascemos
Quando partimos, morremos
Somos todos bem iguais»

Albano Costa
(20.12.2005, 14:11)

Guiné-Bissau > Guidage > Novembro de 2000 > "Por detrás de um fotógrafo há sempre um poeta" (LG)...

© Albano M. Costa (2004-05)

12. Esta é uma boa ocasião para fazer a chamada dos nossos tertulianos. Acaba justamente de chegar o Luís Moreira, ex-alferes miliciano sapador da CCS do BART 2917 (Bambadinca, 1970/71; e BENG, Bissau, 1971). Mandou-nos a todos um cartão bonito, com uma musiquinha dos Beatles: "Não queria deixar passar esta quadra sem desejar a todos um Feliz Natal e um Ano Novo com saúde e tão bom quanto possível" (20.12.2005, 21:15h).


Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Reordenamento de Nhabijões > 1970 > O Alf Mil Sap Moreira, junto a um GMC.


© Luís Moreia (2005)

Trágica ironia: o sapador seria vítima, passado pouco tempo, de uma mina anticarro num Unimog, a 13 de Janeiro de 1971, à saída de Nhabijões.





11. Do nosso tertuliano (e meu consultor militar) A. Marques Lopes (20.12.2005, 15:00h):

Caro Luís

Verifiquei que enviei esta mensagem para todos os tertulianos menos para ti. Mais uma vez problemas com esta macacada informática (o macaco ignorante sou eu...). Mas aqui vai também para ti:

Caros camaradas e maravilhosos amigos desta tertúlia das lembranças da Guiné, com a evidência de que a recordação e a saudade valem mais do que a já ausência das penas sofridas. Estas são para a história, o que ficou no coração e agradavelmente na lembrança são as pessoas de quem gostámos e aquelas paisagens tocantes que o excelente DVD do filho do Albano [o Hugo Costa] nos fizeram lembrar. O meu grande agradecimento por estas vivências que vocês todos me têm facultado.

Cá espero o Luís Graça [em Matosinhos], é bom conhecermo-nos pessoalmente. Nesta quadra não, evidentemente, mas penso que era bom que esta companhia fizesse um encontro lá mais para a frente. Proponho que o nosso comandante Luís começasse a gizar o plano.
Um grande abraço do
A. Marques Lopes


"Atravessar ou não atravessar a bolanha, eis a questão". O nosso camarada A. Marques Lopes numa titude shakespeariana...

Na altura era alferes miliciano atirador de infantaria na CART 1690, Guiné, Geba, 1968...

© A. Marques Lopes (2005.

Há ainda uma segunda mensagem do nosso coronel, que também não me chegou a tempo e horas:

Camaradas amigos:

Transmito-vos este pedido do Anizio Indami. Se alguém souber de um Furriel Santos ou de um Alferes Loureiro da Companhia 2584 que esteve em Có, sector de Bula, que dê notícias, ou para mim ou directamente para o Indami.

Além disso aí está o desejo do pai dele de se encontrar com qualquer ex-combatente que vá à Guiné, sintomático da amizade entre os dois povos, apesar de terem combatido em campos opostos. Sinal também de que não havia assim tantas razões para isso...

Peço-vos, meus amigos, que façam um esforço para atender a este pedido do pai do Indami.
Um abraço do
A. Marques Lopes


10. Do João Tunes (ex-alf mil de transmissões da CCS do BCAÇ 2884, Pelundo, 1969/70; transferido depois para o batalhão de Catió, por 'razões disciplinares' de que muito se orgulha):

Obrigado Luís, por, graças ao blogue, teres permitido mais este (re)encontro (a pouco e pouco, os ex-combatentes vêm cá "caindo"!). Bem hajas.

Abraço para ti e para todos os camaradas tertulianos. Aproveito para desejar a todos umas excelentes Festas.

João Tunes
(20.12.2005, 12:39h)

Guiné > Catió > Ilhéu Infanda > Maio de 1970 > O João Tunes é o que está junto ao rádio, do lado esquerdo, em trono nu e auscultadores nos ouvidos.

© João Tunes (2005)




Cópia de mendagem enviada por Júlio Rocha (19 de Dezembro de 2005, 23:40h)

Assunto: CCAÇ 2586/BCAÇ 2884 - Pelundo

Amigo Tunes:

Só há dias através dum camarada que esteve comigo em Tavira tomei conhecimento do site do Luis Graça e por muita satisfação encontrei-te no blogue.

Eu fiz parte da CCAÇ 25887 e estive no Pelundo até 02/07/70, dia em que tive o acidente quando me encontrava precisamente no teu quartel nessa noite, tendo de manhã sido evacuado para o hospital militar de Bissau e depois de ter estado internado e operado, vim evacuado para a metrópole em 21/07/70.

Era Furriel Miliciano do pelotão do Alferes Trindade.

Costumo ir aos almoços do Batalhão [2884], se bem que ao último não pude ir. Devemos ser vizinhos, pois moro na Cova da Piedade. Bom natal para ti e vai dando notícias. Um abraço,
Júlio Rocha.


9. Do Sousa de Castro, ex-1º cabo radiotelegrafista, da CART 3494 (1972/74), aquartelada no Xime (1972/73) e depois em Mansambo (1973/74), pertencente ao BART 3873 (1972/1974), com sede em Bambadinca.

Guiné > Xime > Natal 1972

© Sousa de Castro (2005)

Que esta nova companhia ("OS TERTULIANOS") tenham um bom Natal na companhia de todas as pessoas de quem mais gostamos.

Sousa de Castro
Mensagem de 19.12.2005, 20:00h


8. Do Pepito (Carlos Schwarz, AD - Acção para o Desenvolvimento, Bissau):

Caro Luís

Obrigado pelo grande presente de Natal (**). Delirei!

Um feliz Natal e um excelente Ano Novo para ti e para todos os tertulianos
pepito

(19.12.2005, 19:47h)

(**) O mapa (digitalizado) de Guileje

7. Ainda do David Guimarães (mensagem de 19 de Dezembro de 2005, às 16:00h):


"um bom Natal para todos. Aí está um bagabaga, paisagem da Guiné.

"Quem lá foi ultimamente encontrará (espero que ainda lá esteja...) este bababaga junto ao Restaurante Lusófono, perto do Aeroporto Osvaldo Vieira, em Bissalanca".


David J. Guimarães (2005)





6. O João Varanda, em mensagem datada já de 16 de Dezembro último, manda-nos "mais umas memórias do histórico da CCAÇ 2636, escritas com o respeito que na época vigorava entre nós na Guiné" (*). A aproveita o ensejo para nos desejar, a todos, "Feliz Natal e que o Ano Novo seja o melhor de sempre".

Assinado: Grande Amigo João Varanda

Guiné > Có > 1969/70 > João Varanda, em Có, vendo o horizonte de cima de uma bagabaga.

© João Varanda (2005)

__________

(*) Vd. post de 19 de Dezembro de 2005 >

Guiné 63/74 - CCCXC: CCAÇ 2636 (Bafatá, 1970/71) (6): Mimos do PAIGC em Mansomine

Guiné 63/74 - CCCLXXXIX: CCAÇ 2636 (Có, 1969/70) (5): Gastando o primeiro par de botas e as letras do alfabeto





5. Do Xitole, dos idos tempos de 1970/72, chegam-nos ecos (fraternos) de outros Natais:

UM MILITAR CHAMADO PAI NATAL

Belas palavras as que nos dirige Marques Lopes - nada melhor que agradecimento de facto pelo facto de estarmos juntos... e já somos alguns... Será este o melhor Natal que todos passamos na guerra - que a vivemos hoje e não há dúvidas sob Comando do Luís... Também dele fico à espera embora em tempos nos cruzássemos nos mesmos caminhos: a CCAÇ 12 e as célebres colunas ao Xitole e ao Saltinho; e eu tantas vezes a vê-los passar... Passaram-se 30 anos... e possivelmente só agora nos iremos conhecer [no Porto].

Ao Marques Lopes: Curioso, há tanto tempo que também já nos conhecemos... e quer o destino que ainda não nos encontrássemos... O Sousa e Castro e, enfim, tantos afinal que vivemos muitas vezes juntos, ou bem perto ... mas sempre a tempo de nos encontrarmos ou reencontarmo-nos....

Ainda bem que existe um Luís e bem hajas pelo bem que estás a fazer a todos, pelos vistos...

Agora somos muitos amigos que vamos viver um Natal juntos - aí sim, nessa tertúlia. Estamos juntos a viver os mesmos momentos...

Um Abraço e boas festas, hoje como que mais próximos dos natais que todos passamos naquelas terras quentes da Guiné. E foi a guerra que nos fez hoje tão unidos, o troar do canhão, o matraquear das metralhadoras e, enfim, a bazuca - não essa em que estão a pensar, mas a cervejinha, bem geliadinha, de calibre 60 (centilitros!)... Já bebia uma com vocês!

Feliz Natal

David J. Guimarães

(19 de Dezembro de 2005, 16h)

4. Lembram-se do nosso amigo, nascido no Xime, e que enquanto djubi viveu o drama da guerra no tempo em que por lá passaram a CART 2715 (1970/72), a CART 3494 (1972/73) e a CCAÇ 12 (1973/74). ? E que teve como professor primário no Posto Escolar Militar nº 14 um furriel miliciano enfermeiro, de nome José Luís Carvalhido da Ponte, natural de Viana do Castelo ? Coincidência feliz, um e outro, são membros desta tertúlia. Claroq eu estou a falar do ano amigo, guineense, mandinga, José C. Mussá Biai, o qual acaba de nos enviar (dia 19, às 11h) a seguinte mensagem:

Caro Dr Luís Graça

Costuma-se dizer "quem vive em Roma é Romano". E eu acrescento, quem tem amigos católicos é católico.

Desejo a si em particular, bem como a todos os tertulianos, um Bom Natal e um Ano Novo Feliz. Com muita saúde e boas surpresas.


José C. Mussá Biai

Engº Florestal
Instituto Geográfico Português (IGP)
Departamento de Conservação Cadastral (DCC)
Tel. 213819600 Ext. 310
Fax. 213819693


3. Mensagem, enviada na 2ª feira, 19, às 13:46, pelo nosso amigo e camarada, ex-fuzileiro, Jorge Santos:

"A todos os Tertulianos e suas Famílias, votos de Feliz Natal e de um Bom Ano de 2006".

2. Mensagem, enviada no domingo, 18 de Dezembro de 2005 , às 17:25, pelo José Teixeira (ex-1º Cabo Enfermeiro da CCAÇ 2381, Buba e Empada, 1968/70):

Tudo di bom pra bó eh tudo fa´milia que ó na tem. manga di bacalau bátáta e piru.

1. O Jorge Neto, nosso tertuliano, jornalista free-lancer, vizinho do Paulo e da Conceição Salgado no Bairro da Cooperação em Bissau e autor do blogue Africanidades, manda a todos os seus amigos e visitantes uma simpática mensagens de BOAS FESTAS, que a seguir se reproduz:

"Natal, tempo de retribuir com pequenos gestos a atenção e o carinho. As 39 fotos seguintes, umas já publicadas outras inéditas, são-vos dedicadas. A todos vós, sem excepção, que ao longo dos últimos tempos têm passado por este espaço. A todos vós que gostam da Guiné-Bissau, de África, desta terra e destas gentes... São também dedicadas à Cláudia, que me atura as insónias por conta deste vício. São, por fim, dedicadas a todos os amigos que aqui fiz e que me ensinaram a amar este chão. A todos muito obrigado. Já agora, obrigado também pelas mais de 83 mil visitas em 2005.

"AFRICANIDADES pára por uns tempos. Voltaremos em breve. Boas Festas".

O nosso Blogue-fora-nada retribui, na parte que lhe toca, a amizade e a simpatia do Jorge Neto e a melhor homenagem que lhe podemos prestar, a ele e ao seu blogue (que nos mantém criticamente informados e atentos ao que se passa em especial na Guiné-Bissau de hoje) é reproduzir, com a devida vénia, duas das suas fotos que elegemos como emblemáticas.

Guiné-Bissau > 2005 > Sem legenda [Que podia sem qualquer coisa: "O futuro da Guiné-Bissau é ainda frágil e a estrada é longa e dura para a geração dos djubis que brincam, já não não com mortíferas armas, mas com os seus carrinhos de lata" ]


© Jorge Neto > Africanidades (2005)


Guiné- Bissau > 2005 > Sem legenda [Que podia ser qualquer coisa como: "Os guineenses precisam, como pão para a boca, de um Estado e de um sentido de Estado por parte das suas elites que, desde a independência, têm canibalizado o Estado e se têm autodestruído"]

© Jorge Neto > Africanidades (2005)






22 dezembro 2005

Guiné 63/74 - CCCXCVI: Bissau: recordações de infância

1. Temos mais um tertuliano, mas desta vez com um estatuto até agora original: é filho de um militar de carreira que esteve na Guiné entre 1966 e 1968. Seu nome: João Brito e Sá. Presumo que viva na região do Porto, a deduzir do número de telefone que enviou. Há dias mandou-te um pequeno texto das suas recordações de Bissau, com um pequena introdutória:

"Peço-lhe que antes de introduzir este texto no site, o leia. A Guiné-Bissau é um tema extremamente delicado e, por tal, deverá ser tratado com delicadeza.

"O meu Pai nunca me falou da guerra... Comentou apenas uma vez que lhe fazía impressão ouvir um helicópetro. Justificou-se recordando os mortos e feridos que eram evacuados... Remeti-me ao silêncio: a guerra deve ser uma coisa horrível, pensei...

2. Perguntei a seguir ao João:

"Queres fazer parte da nossa tertúlia e receber os e-mails ? É isso ? Se sim, terei muito gosto em publicar o teu post... Já agora, não queres dar pistas sobre o teu passado na Guiné ? Em que região esteve o teu pai, em que época ?... Tens fotos desse tempo ?

"Como já vistes, somos plurais no blogue: a única coisa que prezamos é a verdade dos factos, e o respeito uns pelos outros. Ah, também nos tratamos por tu.. Um abraço. Luís"

3. Resposta do novo tertuliano:

"Ok, Luis podes publicar. Não sei se o meu Pai terá fotos da época, vou-lhe perguntar. Ele era, na altura, Capitão de Artilharia (do quadro) da CCAÇ 762, entre 66 e 68. Penso que foi substituir uma outra companhia em Bijene e Barro. Terei que confirmar alguns pormenores.

"Da Guiné só me lembro do que está escrito no post...eu era muito pequeno.

Um abraço, João.

Muito mais há para dizer!

Um abraço, um Santo Natal e um Feliz Ano Novo



4. Texto do João

Guiné-Bissau

Foi divertido...no pátio de nossa casa eu e o meu irmão mais velho, o Lourenço, competíamos acerca dos sapos....não era uma corrida ou um concurso de saltos. A nossa disputa prendia-se só com a quantidade, com o número de animais que o nosso corpo podería albergar...nos ombros, na cabeça, no pescoço, nos braços... Eram dezenas, se calhar centenas, de sapos gordos e escuros que colocávamos cuidadosamente em cima de nós... Imagino que o objectivo fosse colocar o maior número possível. Ainda hoje me pergunto porque é que eles não fugiam.

Ao lado de nossa casa haviam umas ervas...por hipótese, algum tipo de gramínea de folhas longas e lanceoladas, que escondiam muitos, muitos gafanhotos... Lembro-me particularmente de um, com barriga encarnada e asas verdes que dentro da cozinha saltou para o meu irmão, provocando-lhe uma reacção intempestiva e energicamente oposta à minha brincadeira. Retorqui prontamente:
- És um maricas, um nojentinho...e eu juntei em cima de mim mais sapos do que tu.

Havia ainda a Estrela, uma cadela Boxer, que não me lembro se se babava... Mas admito que essa desagradável secreção canina me incomodasse menos na altura do que hoje, já que deveria ter 4 anos de idade...Nesta idade nada nos incomodava, nem fome, nem sede, nem frio.

Não me lembro de mais nada... Nem mesmo que regressei à Metrópole com a minha Mãe e restantes irmãos, três, e que o Lourenço, o mais velho, lá ficou lá mais um ano com o meu Pai acompanhando-o ao serviço da Pátria, defendendo aquele território, contra vis agressões externas, que outrora fora Portugal, com a mesma convicção com que eu hoje defendo a minha casa, a minha belguita e a minha Família. Era esse o sentimento. O mais natural, o mais lógico...nada de novo, portanto.

(in "O Lzec contado ao mosquitto")


_____

PS - O João Brito e Sá terá sido mordido, aos 4 anos, pelo "bichinho de África". Quase quarenta anos depois, vemo-lo a organizar uma expedição a São Tomé e Princípe, com partida de Gaia, em veículo-todo-o-terreno. Veja-se a sua página Latitude Zero. Em Setembro de 2005, decorreu o LZEC 2005:

"O Latitude Zero – Equatorial Challenge (LZEC), sendo um evento desportivo, inédito – neste formato - em qualquer país, membro da CPLP, tem como objectivos divulgar as enormes potencialidades turísticas de São Tomé e Príncipe (STP)"...

O João é capaz de querer organizar uma coisa parecida na Guíné-Bissau...Aliás, no meu e-mail que me mandou, disse: "Estive toda a tarde a ver o seu site. Entre muitas outras perguntas que lhe farei e para as quais gostaría de obter algumas respostas, a primeira é: como fazer para adquirir as cartas militares da Guiné-Bissau, tanto em papel como em formato digital?".

Na altuta, expliquei-lhe o que devia fazer:

"João: Obrigado por ter visitado a(s) nossa(s) página(s) e o nosso bnlogue. Sobre a pergunta que nos faz, o melhor é ler a legenda que acompanha os nossos mapas. Está lá tudo explicado. Mas pode também contactar o elemento da nossa equipa que adquiriu e digitalizou estas cartas: o Engº Humberto Reis. O seu endereço de e-mail está disponível. Veja a nossa lista de membros da tertúlia.

"O João fica, desde já, convidado a fazer parte da nossa tertúlia, se assim o desejar. Temos contactos com a Guiné-Bissau, incluindo apoio logístico… As regras são simples: (i) como antigos camaradas de guerra (ou amigos da Guiné-Bissau), todos nos tratamos por tu; (ii) os novos aderentes terão de contar uma estória, um pequeno episódio, identificarem-se, mandarem duas fotos (uma antiga e uma mais recente).

"Parabéns pelo seu sítio e pela sua acção na promoção da língua portuguesa e dos países lusófonos, com destaque para São Tomé e Príncipe. Como vê, no seu tempo de djubi, as nossas expedições eram outras… As nossas e as do seu pai".