06 fevereiro 2005

(Ex)citações de cada dia - XVI: O português, estúpido!

1. Contra a depressão nacional que alguns senhores nos querem obrigar a comprar… E contra a nossa (e dos nossos políticos) distracção em relação às mudanças que se estão a operar no tabuleiro do xadrez mundial… É estranho não ter ouvido até agora, na pré-campanha eleitoral, uma única palavra sobre a importância estratégica da nossa língua na era da globalização… Importância para nós, portugueses e europeus, mas também para os angolanos, os brasileiros e oos demais lusófonos…

Há dias, na passado dia 3 de Fevereiro, o grande intelectual francês Alain Minc diz ao "Público" em entrevista que merece ser lida, relida e discutida:

"A derradeira forma de identidade num mundo globalizado é a língua - o último território, que já não é geográfico". A língua é uam vantagem comparativa. E dá o exemplod a Espanha:

" (...) A Espanha beneficia de uma dádiva da Providência que se chama Hispanidade. Os espanhóis sabem que, para além do seu papel na Europa, são o centro de uma comunidade de mais de 400 milhões de pessoas que vivem nas Américas e que falam castelhano, entre as quais 50 milhões de cidadãos dos EUA. E que isto é uma oportunidade, uma responsabilidade e um horizonte".

Isso nós não temos, muito menos os italianos ou os franceses. " (...) A Espanha sabe que é uma grande potência mundial. Penso que eles sabem serão a única potência europeia com a qual, em dez ou vinte anos, os EUA terão uma ligação específica. Deixará de ser o Reino Unido. Isso dá-lhes um sentimento de poder e de confiança muito particular".

Não estamos suficientemente atentos ao (nem queremos entender o) que se passa nos EUA do neoconservador Bush: "Hoje, assistimos à emergência das elites asiáticas - os chineses americanos que substituem os WASP ("white anglo-saxon people") e os indianos que substituirão os judeus... Mas, além disso, há a questão hispânica. Haverá 70 a 80 milhões de cidadãos norte-americanos que falarão espanhol e inglês. (...) E isso dá aos espanhóis uma oportunidade extraordinária".

Visto de Paris, Portugal é já ou pode dir a ser a ser "a embaixada do Brasil na Europa"... Nada mau!... Com o Basil temos de certa medida "a mesma oportunidade" que os espanhóis... "O problema é que Portugal parece pequeno no interior do mundo lusófono enquanto a Espanha é rica e grande no interior do mundo hispânico". Mas Alain Minc insiste: assumam esse papel de embaixada do Brasil na Europa, é um papel importante, não p subestimem!

2. Sobre o Portugal de hoje, Alain Minc disse duas coisas deliciosas e elegantes:

A primeira, sobre Santana Lopes e o populismo de direita: "O vosso primeiro-ministro gostaria de ser Berlusconi mas não tem nem os instrumentos, nem o talento, nem o "savoir-faire". Se um Berlusconi bem sucedido é, já de si, perturbador para um velho democrata, um Berlusconi que falha é ainda mais perturbador. Embora tenha a vantagem de ser passageiro".

A segunda, sobre a cíclica crise de confiança ou a depressão nacional que atinge os portugueses: "É comum a um outro país, a Itália, e por razões bastante parecidas. Portugal vive numa espécie de "depressão pós-parto". O esforço que fizeram para estar no "coração" da Europa, para entrar no euro, foi formidável. Semelhante ao que os italianos fizeram. Agora, que "deram à luz", entraram em depressão. Mas quem haveria de pensar há quinze anos que Portugal estaria hoje no primeiro círculo europeu? Vocês nem sequer se dão conta do que conseguiram".

(Ex)citações de cada dia - XVI: O português, estúpido!

1. Contra a depressão nacional que alguns senhores nos querem obrigar a comprar… E contra a nossa (e dos nossos políticos) distracção em relação às mudanças que se estão a operar no tabuleiro do xadrez mundial… É estranho não ter ouvido até agora, na pré-campanha eleitoral, uma única palavra sobre a importância estratégica da nossa língua na era da globalização… Importância para nós, portugueses e europeus, mas também para os angolanos, os brasileiros e oos demais lusófonos…

Há dias, na passado dia 3 de Fevereiro, o grande intelectual francês Alain Minc diz ao "Público" em entrevista que merece ser lida, relida e discutida:

"A derradeira forma de identidade num mundo globalizado é a língua - o último território, que já não é geográfico". A língua é uam vantagem comparativa. E dá o exemplod a Espanha:

" (...) A Espanha beneficia de uma dádiva da Providência que se chama Hispanidade. Os espanhóis sabem que, para além do seu papel na Europa, são o centro de uma comunidade de mais de 400 milhões de pessoas que vivem nas Américas e que falam castelhano, entre as quais 50 milhões de cidadãos dos EUA. E que isto é uma oportunidade, uma responsabilidade e um horizonte".

Isso nós não temos, muito menos os italianos ou os franceses. " (...) A Espanha sabe que é uma grande potência mundial. Penso que eles sabem serão a única potência europeia com a qual, em dez ou vinte anos, os EUA terão uma ligação específica. Deixará de ser o Reino Unido. Isso dá-lhes um sentimento de poder e de confiança muito particular".

Não estamos suficientemente atentos ao (nem queremos entender o) que se passa nos EUA do neoconservador Bush: "Hoje, assistimos à emergência das elites asiáticas - os chineses americanos que substituem os WASP ("white anglo-saxon people") e os indianos que substituirão os judeus... Mas, além disso, há a questão hispânica. Haverá 70 a 80 milhões de cidadãos norte-americanos que falarão espanhol e inglês. (...) E isso dá aos espanhóis uma oportunidade extraordinária".

Visto de Paris, Portugal é já ou pode dir a ser a ser "a embaixada do Brasil na Europa"... Nada mau!... Com o Basil temos de certa medida "a mesma oportunidade" que os espanhóis... "O problema é que Portugal parece pequeno no interior do mundo lusófono enquanto a Espanha é rica e grande no interior do mundo hispânico". Mas Alain Minc insiste: assumam esse papel de embaixada do Brasil na Europa, é um papel importante, não p subestimem!

2. Sobre o Portugal de hoje, Alain Minc disse duas coisas deliciosas e elegantes:

A primeira, sobre Santana Lopes e o populismo de direita: "O vosso primeiro-ministro gostaria de ser Berlusconi mas não tem nem os instrumentos, nem o talento, nem o "savoir-faire". Se um Berlusconi bem sucedido é, já de si, perturbador para um velho democrata, um Berlusconi que falha é ainda mais perturbador. Embora tenha a vantagem de ser passageiro".

A segunda, sobre a cíclica crise de confiança ou a depressão nacional que atinge os portugueses: "É comum a um outro país, a Itália, e por razões bastante parecidas. Portugal vive numa espécie de "depressão pós-parto". O esforço que fizeram para estar no "coração" da Europa, para entrar no euro, foi formidável. Semelhante ao que os italianos fizeram. Agora, que "deram à luz", entraram em depressão. Mas quem haveria de pensar há quinze anos que Portugal estaria hoje no primeiro círculo europeu? Vocês nem sequer se dão conta do que conseguiram".

03 fevereiro 2005

Portugas que merecem os nossos assobios - VI: O Estado de Portas & Félix

1. Recebi, há dias, com data de Dezembro de 2004, um ofício, em papel timbrado de um obscuro Departamento de Apoio aos Antigos Combatentes, Apartado 24 048, 1250-997 Lisboa, assinado pelo Ministro de Estado e da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Paulo Portas, e pelo Ministro das Finanças e da Administração Pública, António Bagão Félix. Passo a transcrever, na totalidade, o seu conteúdo, com comentários meus dentro de parêntesis rectos, e mantendo os negritos do original:



"Dezembro de 2004. Caro Antigo Combatente [que sou eu, membro da Companhia de Caçadores Africanos CCAÇ 12, em serviço na Guiné entre meados de 1969 e o 1º trimestre de 1971]:



"Está concluído o processo respeitante ao requerimento apresentado por V. Exª ao abrigo da Lei 9/2002, de 11 de Fevereiro [ Regime jurídico dos períodos de prestação de serviço militar de ex-combatentes, para efeitos de aposentação e reforma ].



"Este é o primeiro grande esforço do Estado para reconhecer os mais de 400.000 Antigos Combatentes que serviram a Pátria em condições especiais de dificuldade ou perigo.



"É com satisfação [sic] que informo [eu, quem ? O Estado ? O Estado representado por Portas & Félix ? O Ministro Portas ou o Ministro Félix ?] que lhe foi reconhecido, para efeitos de aposentação, o tempo de serviço militar prestado, incluindo o tempo de bonificação, que totaliza 4 anos e 6 meses. Este dado foi já transmitido à Caixa Geral de Aposentações.



"Saiba ainda que, quando se aposentar, tem direito a que lhe seja atribuído, todo os os anos:



" - O Complemento Especial de Pensão, calculado de acordo com a contagem do tempo de bonificação do serviço militar prestado. Este Complemento é transmissível integralmente ao cônjuge sobrevivo, pensionista de sobrevivência;



" - No caso de ter efectuado o pagamenmto de quotizações referente ao tempo de bonificação, receberá, também, um Acréscimo Vitalício de Pensão".



Assinaturas:



Ministro de Estado e da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Paulo Portas;

Ministro das Finanças e da Administração Pública, António Bagão Félix.





2. O ofício chegou-me, pelo correio, em vulgar envelope, não timbrado, com taxa paga, e com duas janelas, uma para o remetente (O supracitado Departmento, com o brazão nacional da República Portuguesa) e outra para o destinatário (O meu nome estava correcto, mas a morada apresentava erros, incluindo o código postal).



Fiquei logo com dúvidas sobre a autenticidade do documento. Não fazia a mínima ideia da existência deste Departamento e da respectiva tutela: Ministério da Defesa Nacional ? Ministério das Finanças ? O ofício nada me esclarecia. A única referência era o modelo de impresso que também não me foi de qualquer utilidade.



Acabei por ir à Net e e descobrir, no sítio do Ministério da Defesa Nacional, uma página dedicada ao momentoso problema dos "antigos combatentes".



Em resumo, este Departamento pertence à Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar do Ministério da Defesa Nacional, sita na Av. Ilha da Madeira nº 1, 1400-204 Lisboa.



Por outro lado, também não consegui associar, de imediato, os dois ministérios (não os dois ministros, que esses são publicamente reconhecidos como representando, neste Governo dito de gestão, um determinado partido político).



Recordo-me, isso sim, de ter entregue um requerimento, no último trimestre de 2002, na dita Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar, no Restelo, depois de estar numa enorme bicha que dava à volta à parada. Mas nunca mais pensei no assunto. Nem muito menos estava à espera desta resposta, quiçá tardia (dois anos!) mas sobretudo personalizada.



Devo confessar que, num lapso de segundo, me senti lisonjeado por, tendo sido objectivamente um servidor da Pátria em guerra (apesar da minha contestação da e resistência à dita guerra), ter tido uma espécie de tratamento VIP ou, pelo menos, a honra de receber um ofício com a assinatura de dois altos representantes do Estado Português.



Três micro-segundos depois comecei a ter dúvidas e a juntar as pontas: eu e mais 400 mil antigos camaradas de armas da "guerra do ultramar" estavam a receber um ofício, pelo correio, para nos informar (ou simplesmente reiterar) que o Estado é uma pessoa de bem, de bom nome, de boa fé e de boas contas, o mesmo é dizer que estava a cumprir a lei (o diposto na tal Lei nº 9/2002).



Admitindo que este singelo acto (praticado pelo dito Departamento, sito no Apartado não-sei-quantos) custa ao contribuinte 1 euro, o erário público gastou ou vai gastar, no mínimo, 400 mil euros com esta operação de... serviço público.



Operação de serviço público ? Ou antes de charme ? E por que não de propaganda eleitoral ? Pergunto, questiono, insinuo, mas não respondo de maneira assertiva... Levanto a questão só por que me pareceram desproporcionados os meios utilizados para me dizerem que eu, ex-combatente, tenho direito a um contagem adicional de tempo, de 4 anos e meio, para efeitos de aposentação, sendo eu subscritor da Caixa Geral de Aposentações.



Convenhamos que não é habitual o Estado responder, desta forma tão massiva e onerosa mas ao mesmo tempo tão efusiva e personalizada, aos requerimentos dos seus súbditos ou cidadãos. Direi mais, ideológica. Veja-se que a fraseologia é portiana: "Este é o primeiro grande esforço do Estado para reconhecer os mais de 400.000 Antigos Combatentes que serviram a Pátria (sic) em condições especiais de dificuldade ou perigo"...



Calma aí, senhor ministro: a tutela (a actual e as anteriores) das forças armadas não tem legitimidade, nem histórica nem democrática, para falar em nome dos tais 400 mil combatentes do ultramar... A minha Pátria de hoje não era mesma de 1969/71, ou melhor, não tinham qualquer legimitidade democrática os senhores da elite dirigente que falavam "em nome da Pátria" e "a bem da Nação" e me pediram, a mim e à minha geração, para morrer e para matar na Índia, na Guiné, em Angola ou em Moçambique...



É bom não esquecer que o supracitado diploma legal é da Assembleia da República, aprovado pelo respectivo presidente, António de Almeida Santos em 20/12/2001, promulgado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, em 25/01/2002, e referendado pelo Primeiro Ministro, António Guterres, em 31/01/2002. Se a memória me não falha, na sua origem está uma proposta de lei que foi, em devido tempo, apresentada pela bancada parlamentar de que Paulo Portas era o líder. Mas a partir do momento que a Lei entrou em vigor, deixou de ter "cor partidária", é apenas uma lei da República Portuguesa. O pale do Governo é pô-la em execução.



Não ponho em causa a legitimidade e a autenticidade dos proponentes deste projecto. E faço votos para que a condição socioeconómica de alguns dos meus antigos camaradas de armas, e sobretudo dos que passam hoje por maiores dificuldades, possa melhorar um pouco, na sequência da aplicação desta lei... Se o Estado quer "fazer justiça" aos seus "antigos combatentes", que o faça e que o faça com equidade...



Só estranho é que, na véspera de novas eleições para a Assembleia da República, dois ministros do mesmo partido, venham agora tentar "cobrar dividendos" aos beneficiários de uma lei da República... Voltámos ao tempo do "A bem da Nação" ou até de "L'État c'est Moi" ?



Se assim é, então este Estado, o do Paulo & Félix, não é seguramente o meu, aquele que eu gostaria (e me orgulharia) de ter ao serviço da minha Pátria, o Estado de todos os portugueses e de todas as portuguesas.



Se assim não é, a mim pareceu-me...

Portugas que merecem os nossos assobios - VI: O Estado de Portas & Félix

1. Recebi, há dias, com data de Dezembro de 2004, um ofício, em papel timbrado de um obscuro Departamento de Apoio aos Antigos Combatentes, Apartado 24 048, 1250-997 Lisboa, assinado pelo Ministro de Estado e da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Paulo Portas, e pelo Ministro das Finanças e da Administração Pública, António Bagão Félix. Passo a transcrever, na totalidade, o seu conteúdo, com comentários meus dentro de parêntesis rectos, e mantendo os negritos do original:

"Dezembro de 2004. Caro Antigo Combatente [que sou eu, membro da Companhia de Caçadores Africanos CCAÇ 12, em serviço na Guiné entre meados de 1969 e o 1º trimestre de 1971]:

"Está concluído o processo respeitante ao requerimento apresentado por V. Exª ao abrigo da Lei 9/2002, de 11 de Fevereiro [ Regime jurídico dos períodos de prestação de serviço militar de ex-combatentes, para efeitos de aposentação e reforma ].

"Este é o primeiro grande esforço do Estado para reconhecer os mais de 400.000 Antigos Combatentes que serviram a Pátria em condições especiais de dificuldade ou perigo.

"É com satisfação [sic] que informo [eu, quem ? O Estado ? O Estado representado por Portas & Félix ? O Ministro Portas ou o Ministro Félix ?] que lhe foi reconhecido, para efeitos de aposentação, o tempo de serviço militar prestado, incluindo o tempo de bonificação, que totaliza 4 anos e 6 meses. Este dado foi já transmitido à Caixa Geral de Aposentações.

"Saiba ainda que, quando se aposentar, tem direito a que lhe seja atribuído, todo os os anos:

" - O Complemento Especial de Pensão, calculado de acordo com a contagem do tempo de bonificação do serviço militar prestado. Este Complemento é transmissível integralmente ao cônjuge sobrevivo, pensionista de sobrevivência;

" - No caso de ter efectuado o pagamenmto de quotizações referente ao tempo de bonificação, receberá, também, um Acréscimo Vitalício de Pensão".

Assinaturas:

Ministro de Estado e da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Paulo Portas;
Ministro das Finanças e da Administração Pública, António Bagão Félix.


2. O ofício chegou-me, pelo correio, em vulgar envelope, não timbrado, com taxa paga, e com duas janelas, uma para o remetente (O supracitado Departmento, com o brazão nacional da República Portuguesa) e outra para o destinatário (O meu nome estava correcto, mas a morada apresentava erros, incluindo o código postal).

Fiquei logo com dúvidas sobre a autenticidade do documento. Não fazia a mínima ideia da existência deste Departamento e da respectiva tutela: Ministério da Defesa Nacional ? Ministério das Finanças ? O ofício nada me esclarecia. A única referência era o modelo de impresso que também não me foi de qualquer utilidade.

Acabei por ir à Net e e descobrir, no sítio do Ministério da Defesa Nacional, uma página dedicada ao momentoso problema dos "antigos combatentes".

Em resumo, este Departamento pertence à Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar do Ministério da Defesa Nacional, sita na Av. Ilha da Madeira nº 1, 1400-204 Lisboa.

Por outro lado, também não consegui associar, de imediato, os dois ministérios (não os dois ministros, que esses são publicamente reconhecidos como representando, neste Governo dito de gestão, um determinado partido político).

Recordo-me, isso sim, de ter entregue um requerimento, no último trimestre de 2002, na dita Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar, no Restelo, depois de estar numa enorme bicha que dava à volta à parada. Mas nunca mais pensei no assunto. Nem muito menos estava à espera desta resposta, quiçá tardia (dois anos!) mas sobretudo personalizada.

Devo confessar que, num lapso de segundo, me senti lisonjeado por, tendo sido objectivamente um servidor da Pátria em guerra (apesar da minha contestação da e resistência à dita guerra), ter tido uma espécie de tratamento VIP ou, pelo menos, a honra de receber um ofício com a assinatura de dois altos representantes do Estado Português.

Três micro-segundos depois comecei a ter dúvidas e a juntar as pontas: eu e mais 400 mil antigos camaradas de armas da "guerra do ultramar" estavam a receber um ofício, pelo correio, para nos informar (ou simplesmente reiterar) que o Estado é uma pessoa de bem, de bom nome, de boa fé e de boas contas, o mesmo é dizer que estava a cumprir a lei (o diposto na tal Lei nº 9/2002).

Admitindo que este singelo acto (praticado pelo dito Departamento, sito no Apartado não-sei-quantos) custa ao contribuinte 1 euro, o erário público gastou ou vai gastar, no mínimo, 400 mil euros com esta operação de... serviço público.

Operação de serviço público ? Ou antes de charme ? E por que não de propaganda eleitoral ? Pergunto, questiono, insinuo, mas não respondo de maneira assertiva... Levanto a questão só por que me pareceram desproporcionados os meios utilizados para me dizerem que eu, ex-combatente, tenho direito a um contagem adicional de tempo, de 4 anos e meio, para efeitos de aposentação, sendo eu subscritor da Caixa Geral de Aposentações.

Convenhamos que não é habitual o Estado responder, desta forma tão massiva e onerosa mas ao mesmo tempo tão efusiva e personalizada, aos requerimentos dos seus súbditos ou cidadãos. Direi mais, ideológica. Veja-se que a fraseologia é portiana: "Este é o primeiro grande esforço do Estado para reconhecer os mais de 400.000 Antigos Combatentes que serviram a Pátria (sic) em condições especiais de dificuldade ou perigo"...

Calma aí, senhor ministro: a tutela (a actual e as anteriores) das forças armadas não tem legitimidade, nem histórica nem democrática, para falar em nome dos tais 400 mil combatentes do ultramar... A minha Pátria de hoje não era mesma de 1969/71, ou melhor, não tinham qualquer legimitidade democrática os senhores da elite dirigente que falavam "em nome da Pátria" e "a bem da Nação" e me pediram, a mim e à minha geração, para morrer e para matar na Índia, na Guiné, em Angola ou em Moçambique...

É bom não esquecer que o supracitado diploma legal é da Assembleia da República, aprovado pelo respectivo presidente, António de Almeida Santos em 20/12/2001, promulgado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, em 25/01/2002, e referendado pelo Primeiro Ministro, António Guterres, em 31/01/2002. Se a memória me não falha, na sua origem está uma proposta de lei que foi, em devido tempo, apresentada pela bancada parlamentar de que Paulo Portas era o líder. Mas a partir do momento que a Lei entrou em vigor, deixou de ter "cor partidária", é apenas uma lei da República Portuguesa. O pale do Governo é pô-la em execução.

Não ponho em causa a legitimidade e a autenticidade dos proponentes deste projecto. E faço votos para que a condição socioeconómica de alguns dos meus antigos camaradas de armas, e sobretudo dos que passam hoje por maiores dificuldades, possa melhorar um pouco, na sequência da aplicação desta lei... Se o Estado quer "fazer justiça" aos seus "antigos combatentes", que o faça e que o faça com equidade...

Só estranho é que, na véspera de novas eleições para a Assembleia da República, dois ministros do mesmo partido, venham agora tentar "cobrar dividendos" aos beneficiários de uma lei da República... Voltámos ao tempo do "A bem da Nação" ou até de "L'État c'est Moi" ?

Se assim é, então este Estado, o do Paulo & Félix, não é seguramente o meu, aquele que eu gostaria (e me orgulharia) de ter ao serviço da minha Pátria, o Estado de todos os portugueses e de todas as portuguesas.

Se assim não é, a mim pareceu-me...

28 janeiro 2005

Blogarias V - Em Dezembro

Do meu baú das velharias:

em dezembro
não fazia frio
em dezembro
não fazia ainda neve
em dezembro era natal
e comiam-se rabanadas

em janeiro
cantavam-se as janeiras
e bebia-se o vinho novo

em dezembro
ainda não havia neve
pra cozer as pencas pró natal

não havia neve
à porta dos camponeses pobres do norte
nem as peugadas dos pés descalços
das criancinhas do augusto gil

batem leve levemente
como quem chama por mim...
ah onde está o tipicismo da miséria rural
que os escritores burgueses descobriram antes de nós
o camilo o eça o ramalho o aquilino

em dezembro
o pai natal já não descia pelo fumeiro
por entre os salpicões e os presuntos
vinha de peugeot pelas estradas de frança
e trazia tiparrillos pra malta fumar
à lareira

em dezembro
a maria do norte cortava erva pró gado
e cantava a plenos pulmões
uma canção do sul

candoz. natal de 1976

Blogarias V - Em Dezembro

Do meu baú das velharias:

em dezembro
não fazia frio
em dezembro
não fazia ainda neve
em dezembro era natal
e comiam-se rabanadas

em janeiro
cantavam-se as janeiras
e bebia-se o vinho novo

em dezembro
ainda não havia neve
pra cozer as pencas pró natal

não havia neve
à porta dos camponeses pobres do norte
nem as peugadas dos pés descalços
das criancinhas do augusto gil

batem leve levemente
como quem chama por mim...
ah onde está o tipicismo da miséria rural
que os escritores burgueses descobriram antes de nós
o camilo o eça o ramalho o aquilino

em dezembro
o pai natal já não descia pelo fumeiro
por entre os salpicões e os presuntos
vinha de peugeot pelas estradas de frança
e trazia tiparrillos pra malta fumar
à lareira

em dezembro
a maria do norte cortava erva pró gado
e cantava a plenos pulmões
uma canção do sul

candoz. natal de 1976

25 janeiro 2005

Portugal sacro-profano - XXII: O internacionalismo português

O mais internacionalista dos povos é, sem dúvida, o português. Se não vejamos esta lista com 20 argumentos a favor da tese do internacionalismo:



1. Quando um portuga apanha com um grande problema pela frente, diz logo que se vê grego para dar conta do recado.



2. Se a coisa é mesmo complicada de perceber, ele afirma que isso, para ele, é chinês, ao ponto de ficar com os olhos em bico.



3. Em Portugal quem trabalha no duro, de manhã à noite, é um mouro de trabalho. Mas também já foi um galego. Agora diz-se que é um ucraniano.



4. Pelo contrário, o portuga que não gosta de trabalhar, alega que o trabalho é bom para o preto.



5. Invenções, modernices, merdas que não interessam a ninguém como a ciência & a tecnologia, são chamadas de americanices.



6. Se um portuga é gabarolas, se gosta de armar ao pingarelho, é logo apelidado de amigo de espanholadas; se estudou numa universdiade estrangeira, é logo apelidado de estrangeirado.



7. Se ele faz um esforço de comunicação com os seus amigos e vizinhos espanhóis, riem-se do tipo por que não fala o espanhol de Cervantes mas sim um mísero portunhol (que é um novo dialecto ibérico).



8. Em Portugal uma pessoa também não pode viver com um mínimo de luxo, conforto e ostentação (Champagne, jaquinzinhos, Mercedes em 2ª mão, barraca no Algarve com piscina desmontável, férias na neve em Sierra Nevada...), sem que os invejosos dos vizinhos venham dizer que vive à grande e à francesa.



9. Se o gajo tem um pé de meia, é por que é agarrado ao dinheiro, logo tem uma costela de judeu.



10. Pelo contrário, se ele te faz uma sacanice ou te apunhala pelas costas, logo dirás que é um italiano mafioso.



11. Se faz algo para causar boa impressão aos outros, acusam-no de o fazer só para inglês ver.



12. Quando Portugal entrou para a União Europeia, em 1986, fez tudo para se tornar o bom aluno da Europa e, mais recentemente, até dispensou um primeiro-ministro em exercício para ocupar, em Bruxelas, o cargo de Presidente da Comissão Europeia; uma das razões para essa requisição do Zé é por que ele é reconhecidamente um poliglota (fala, além da língua materna, o inglês, o francês, o portunhol e o cherne).



13. No Algarve, o comum dos portugas adora (ou adorava, nos anos sessenta e setenta) ir até à Quarteira engatar bifas (inglesas e outras nórdicas, com ou sem sardas).



14. Entre tremoços, amendoins e bejecas, eles (os portugas, machos) adoram passar as férias a jogar à sueca.



15. Elas, as portugas fêmeas, pelo contrário, preferem gastar o subsídio de férias no Corte Inglês ou noutros estabelecimentos da estranja como a Zara.



16. Em África, nos PALOP que já fizeram parte do seu grande império colonial, o português (m/f) ainda é tratado carinhosamente pelo seu diminuitivo, tuga.



17. Os da Madeira chamam cubanos aos do Continente.



18. Quinhentos anos depois de Álvares Cabral ter aportado ao Novo Mundo, os portugueses estão a redescobrir o Brasil, a falar à moda de lá e a importar os seus indígenas.



19. Católico de baptismo, mas pouco cumpridor dos mandamentos, em matéria de fé o portuga tende a ser mais papista que o Papa.



20. Já quando os gajos (três gatos pingados, segundo creio) chegaram ao País do Sol Nascente, por volta de 1543, os japoneses chamaram-lhe os bárbaros do sul.

Portugal sacro-profano - XXII: O internacionalismo português

O mais internacionalista dos povos é, sem dúvida, o português. Se não vejamos esta lista com 20 argumentos a favor da tese do internacionalismo:

1. Quando um portuga apanha com um grande problema pela frente, diz logo que se vê grego para dar conta do recado.

2. Se a coisa é mesmo complicada de perceber, ele afirma que isso, para ele, é chinês, ao ponto de ficar com os olhos em bico.

3. Em Portugal quem trabalha no duro, de manhã à noite, é um mouro de trabalho. Mas também já foi um galego. Agora diz-se que é um ucraniano.

4. Pelo contrário, o portuga que não gosta de trabalhar, alega que o trabalho é bom para o preto.

5. Invenções, modernices, merdas que não interessam a ninguém como a ciência & a tecnologia, são chamadas de americanices.

6. Se um portuga é gabarolas, se gosta de armar ao pingarelho, é logo apelidado de amigo de espanholadas; se estudou numa universdiade estrangeira, é logo apelidado de estrangeirado.

7. Se ele faz um esforço de comunicação com os seus amigos e vizinhos espanhóis, riem-se do tipo por que não fala o espanhol de Cervantes mas sim um mísero portunhol (que é um novo dialecto ibérico).

8. Em Portugal uma pessoa também não pode viver com um mínimo de luxo, conforto e ostentação (Champagne, jaquinzinhos, Mercedes em 2ª mão, barraca no Algarve com piscina desmontável, férias na neve em Sierra Nevada...), sem que os invejosos dos vizinhos venham dizer que vive à grande e à francesa.

9. Se o gajo tem um pé de meia, é por que é agarrado ao dinheiro, logo tem uma costela de judeu.

10. Pelo contrário, se ele te faz uma sacanice ou te apunhala pelas costas, logo dirás que é um italiano mafioso.

11. Se faz algo para causar boa impressão aos outros, acusam-no de o fazer só para inglês ver.

12. Quando Portugal entrou para a União Europeia, em 1986, fez tudo para se tornar o bom aluno da Europa e, mais recentemente, até dispensou um primeiro-ministro em exercício para ocupar, em Bruxelas, o cargo de Presidente da Comissão Europeia; uma das razões para essa requisição do Zé é por que ele é reconhecidamente um poliglota (fala, além da língua materna, o inglês, o francês, o portunhol e o cherne).

13. No Algarve, o comum dos portugas adora (ou adorava, nos anos sessenta e setenta) ir até à Quarteira engatar bifas (inglesas e outras nórdicas, com ou sem sardas).

14. Entre tremoços, amendoins e bejecas, eles (os portugas, machos) adoram passar as férias a jogar à sueca.

15. Elas, as portugas fêmeas, pelo contrário, preferem gastar o subsídio de férias no Corte Inglês ou noutros estabelecimentos da estranja como a Zara.

16. Em África, nos PALOP que já fizeram parte do seu grande império colonial, o português (m/f) ainda é tratado carinhosamente pelo seu diminuitivo, tuga.

17. Os da Madeira chamam cubanos aos do Continente.

18. Quinhentos anos depois de Álvares Cabral ter aportado ao Novo Mundo, os portugueses estão a redescobrir o Brasil, a falar à moda de lá e a importar os seus indígenas.

19. Católico de baptismo, mas pouco cumpridor dos mandamentos, em matéria de fé o portuga tende a ser mais papista que o Papa.

20. Já quando os gajos (três gatos pingados, segundo creio) chegaram ao País do Sol Nascente, por volta de 1543, os japoneses chamaram-lhe os bárbaros do sul.

20 janeiro 2005

Car@s ciberamig@s - VIII: Comércio justo, consumo responsável, trabalho decente...

1. Há muitas formas de sermos solidári@s.



2. Espero que não levem a mal a minha sugestão de hoje (Acabei de enviar, para minha mailing list, cópia do post anterior sobre o comércio justo).



3. Não podemos deixar tudo à famosa mão invisível do mercado dos neoliberais.



4. Temos visto isso neste dias terríveis que, de uma maneira ou de outra, marcaram indelevelmente toda a humanidade (mesmo a mais empedernida).



5. Não podemos deixar tudo ao critério do aleatório, ao jogo da sorte e do azar: “Azar foi o da outra criança indonésia que, na manhã do tsunami, escolheu uma t-shirt do Snoopy em vez de uma da selecção portuguesa e que por isso agora não recebe ajuda especial”(Escreveu anteontem o ZDQ, no Gato Fedorento).



6. Contra a maré da neurastenia nacional (que corre o risco de se tornar crónica), contra a “não-inscrição” (como diz o Zé Gil), contra o nosso medo de existir, sobretudo contra a nossa incapacidade de expressão do ‘vivido’.





PS - A minha amiga Andreia (amiga virtual, que eu conheço há mais de cinco anos mas só do ciberespaço e que até já me entrevistou por e-mail quando estava no portal do Terravista!) faz-me agora um pequeno reparo: A Mercearia do Mundo (na Rua de S. José) já está aberta há algum tempo: "Afinal, foi lá que comprei a maioria dos presentes de Natal este último ano". Obrigado, Andreia, pelo estímulo e pela correcção.

Car@s ciberamig@s - VIII: Comércio justo, consumo responsável, trabalho decente...

1. Há muitas formas de sermos solidári@s.

2. Espero que não levem a mal a minha sugestão de hoje (Acabei de enviar, para minha mailing list, cópia do post anterior sobre o comércio justo).

3. Não podemos deixar tudo à famosa mão invisível do mercado dos neoliberais.

4. Temos visto isso neste dias terríveis que, de uma maneira ou de outra, marcaram indelevelmente toda a humanidade (mesmo a mais empedernida).

5. Não podemos deixar tudo ao critério do aleatório, ao jogo da sorte e do azar: “Azar foi o da outra criança indonésia que, na manhã do tsunami, escolheu uma t-shirt do Snoopy em vez de uma da selecção portuguesa e que por isso agora não recebe ajuda especial”(Escreveu anteontem o ZDQ, no Gato Fedorento).

6. Contra a maré da neurastenia nacional (que corre o risco de se tornar crónica), contra a “não-inscrição” (como diz o Zé Gil), contra o nosso medo de existir, sobretudo contra a nossa incapacidade de expressão do ‘vivido’.


PS - A minha amiga Andreia (amiga virtual, que eu conheço há mais de cinco anos mas só do ciberespaço e que até já me entrevistou por e-mail quando estava no portal do Terravista!) faz-me agora um pequeno reparo: A Mercearia do Mundo (na Rua de S. José) já está aberta há algum tempo: "Afinal, foi lá que comprei a maioria dos presentes de Natal este último ano". Obrigado, Andreia, pelo estímulo e pela correcção.

19 janeiro 2005

Blogantologia(s) - XXIII: O Comércio Justo

Andei por aí
À procura de lojas do Comércio Justo:
Queria comprar dez cêntimos de equidade;
Acabei por encontrar uma, a custo,
Já à saída da cidade.

Ao lado, havia um hipermercado,
Com a bandeira de Poprtugal;
E, mais à frente, uma Loja dos Trezentos;
E a seguir, uma outra, a do Chinês;
Pensei cá para mim:
- Eh!, já não vives na era de Quinhentos,
O mundo está mais global, mais plural,
E até mais louco, ó Português.

Entrei e ouvi estórias
De gente de mil e uma cores:
Sou uma pobre viúva da Índia
E faço bonecos de pano,
Comprem, comprem, meus senhores,
Ganham mais vocês num só dia
Do que eu em todo o ano.

Essa coisa da equidade
Que o senhor vem à procura
Eu não vendo nem nunca vi;
Não é por ter a pele escura
Mas a verdade, a verdade,
É que só conheço a ruindade
Da ilha do Haiti onde nasci.

Equidade não é justiça,
Mas igualdade de oportunidades:
O pensamento pode ser profundo,
Mas que me adianta, a mim,
Ser bonita e mestiça,
Sem direitos nem liberdades,
Neste sítio do fim do mundo.

E tu, estrangeiro,
Que me acusas de dumping social,
Por extrair o carvão da mina:
Silicótico, ex-mineiro,
Fiz a revolução cultural
E mudei p'ra mensageiro
Do Grande Negócio da China.

E tu, meu amigo,
Que és um consumidor responsável,
E vives na parte do planeta
Que é a mais habitável,
Põe sempre o olho na etiqueta,
Que o desenvolvimento sustentável
É a minha e a tua meta.

Sê solidário comigo
Que estou há dias sem vender,
E sem dinheiro para comer,
Compra-me esta estatueta,
Que o politicamente correcto
Não enche a barriga da gente;
Mas já sei o que me vás dizer,
Que se a peça é de pau preto,
É mau para a ambiente.
E se alimento pai e mãe,
Na Indonésia ou no Brasil,
Dizes-me que é crime também,
Por ser trabalho infantil.

Não sabes onde fica o Benim,
Mas podes ajudar-me
Ao meu povo, aos meus irmãos,
Não quero que tenhas pena de mim,
Basta ambos darmos as mãos.

A mão invísivel do mercado,
Diz o teu professor economista,
Há-de chegar a todo o lado,
Mais devagar ou mais depressa,
De avião, de carro ou a pé,
E poderá fazer-te até
Um pequeno capitalista.

Para resumir a lição,
Ouvida na loja do Comércio Justo,
Presta um pouco mais de atenção:
Tu és consumidor, solidário,
Eu sou produtor, acreditado,
Do Comércio Justo és partidário,
Só posso ficar-te muito obrigado.


Compra eco-justo, sê solidário. Age local, mas pensa global.
Para saberes mais, visita os sítios:

Fair Trade Federation (FTF)

"FTF directly links low-income producers with consumer markets and educates consumers about the importance of purchasing fairly traded products which support living wages and safe and healthy conditions for workers in the developing world".

Cores do Globo.

Comércio Justo e Solidário


Algumas lojas do comércio eco-justo e solidário:

Ecos do Sul - Loja do Mundo
Largo Cristóvão da Gama, nº 6 - A
Damaia de Baixo
2720 Amadora
Tel. 214767750
Fax 214741447

Mó de Vida, Cooperativa
Calçadinha da Horta, 19, Pragal
2800-564 Almada
Telef. 212720641
http://modevida.planetaclix.pt/

Mercearia do Mundo
Rua de São José nº 17
Lisboa

É a primeira loja de Comércio Justo que abriu abrir em Lisboa(e a décima em Portugal).

Outras organizações nacionais e postos de venda

PS - Mas o que é afinal o Comércio Justo ?

O Comércio Justo não é nenhuma panaceia universal: pode ser definido (i) como "uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar o seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentado"; procura, além disso, (ii) "criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos"; em suma, (iii) a sua missão é a de "promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização".


Princípios do Comércio Justo

O decálogo do Comércio Justo:

(i) o respeito e preocupação pelas pessoas e o meio ambiente;

(ii) existência de boas condições de trabalho e o pagamento de um preço justo aos produtores, que cubra os custos de produção, possibilite um rendimento digno, permita a protecção ambiental e garanta um mínimo de segurança económica;

(iii) a abertura e transparência da estrutura das organizações e de todos os aspectos da sua actividade;

(iv) a informação mútua entre todos os intervenientes na cadeia comercial sobre os produtos e os métodos de comercialização;

(v) o envolvimento dos produtores, voluntários e empregados nas tomadas de decisão que os afectam;

(vi) a protecção e a promoção dos direitos humanos, nomeadamente os das mulheres, das crianças e e dos povos indígenas;

(vii) a protecção do ambiente e a promoção de um desenvolvimento sustentável;

(viii) o estabelecimento de relações comerciais estáveis e de longo prazo;

(ix) a promoção de acções de informação, de educação e de sensibilização;

(x) a produção tão completa quanto possível dos produtos nos países de origem.

Fonte: Cores do Globo

Blogantologia(s) - XXIII: O Comércio Justo

Andei por aí
À procura de lojas do Comércio Justo:
Queria comprar dez cêntimos de equidade;
Acabei por encontrar uma, a custo,
Já à saída da cidade.

Ao lado, havia um hipermercado,
Com a bandeira de Poprtugal;
E, mais à frente, uma Loja dos Trezentos;
E a seguir, uma outra, a do Chinês;
Pensei cá para mim:
- Eh!, já não vives na era de Quinhentos,
O mundo está mais global, mais plural,
E até mais louco, ó Português.

Entrei e ouvi estórias
De gente de mil e uma cores:
Sou uma pobre viúva da Índia
E faço bonecos de pano,
Comprem, comprem, meus senhores,
Ganham mais vocês num só dia
Do que eu em todo o ano.

Essa coisa da equidade
Que o senhor vem à procura
Eu não vendo nem nunca vi;
Não é por ter a pele escura
Mas a verdade, a verdade,
É que só conheço a ruindade
Da ilha do Haiti onde nasci.

Equidade não é justiça,
Mas igualdade de oportunidades:
O pensamento pode ser profundo,
Mas que me adianta, a mim,
Ser bonita e mestiça,
Sem direitos nem liberdades,
Neste sítio do fim do mundo.

E tu, estrangeiro,
Que me acusas de dumping social,
Por extrair o carvão da mina:
Silicótico, ex-mineiro,
Fiz a revolução cultural
E mudei p'ra mensageiro
Do Grande Negócio da China.

E tu, meu amigo,
Que és um consumidor responsável,
E vives na parte do planeta
Que é a mais habitável,
Põe sempre o olho na etiqueta,
Que o desenvolvimento sustentável
É a minha e a tua meta.

Sê solidário comigo
Que estou há dias sem vender,
E sem dinheiro para comer,
Compra-me esta estatueta,
Que o politicamente correcto
Não enche a barriga da gente;
Mas já sei o que me vás dizer,
Que se a peça é de pau preto,
É mau para a ambiente.
E se alimento pai e mãe,
Na Indonésia ou no Brasil,
Dizes-me que é crime também,
Por ser trabalho infantil.

Não sabes onde fica o Benim,
Mas podes ajudar-me
Ao meu povo, aos meus irmãos,
Não quero que tenhas pena de mim,
Basta ambos darmos as mãos.

A mão invísivel do mercado,
Diz o teu professor economista,
Há-de chegar a todo o lado,
Mais devagar ou mais depressa,
De avião, de carro ou a pé,
E poderá fazer-te até
Um pequeno capitalista.

Para resumir a lição,
Ouvida na loja do Comércio Justo,
Presta um pouco mais de atenção:
Tu és consumidor, solidário,
Eu sou produtor, acreditado,
Do Comércio Justo és partidário,
Só posso ficar-te muito obrigado.


Compra eco-justo, sê solidário. Age local, mas pensa global.
Para saberes mais, visita os sítios:

Fair Trade Federation (FTF)

"FTF directly links low-income producers with consumer markets and educates consumers about the importance of purchasing fairly traded products which support living wages and safe and healthy conditions for workers in the developing world".

Cores do Globo.

Comércio Justo e Solidário


Algumas lojas do comércio eco-justo e solidário:

Ecos do Sul - Loja do Mundo
Largo Cristóvão da Gama, nº 6 - A
Damaia de Baixo
2720 Amadora
Tel. 214767750
Fax 214741447

Mó de Vida, Cooperativa
Calçadinha da Horta, 19, Pragal
2800-564 Almada
Telef. 212720641
http://modevida.planetaclix.pt/

Mercearia do Mundo
Rua de São José nº 17
Lisboa

É a primeira loja de Comércio Justo que abriu abrir em Lisboa(e a décima em Portugal).

Outras organizações nacionais e postos de venda

PS - Mas o que é afinal o Comércio Justo ?

O Comércio Justo não é nenhuma panaceia universal: pode ser definido (i) como "uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar o seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentado"; procura, além disso, (ii) "criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos"; em suma, (iii) a sua missão é a de "promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização".


Princípios do Comércio Justo

O decálogo do Comércio Justo:

(i) o respeito e preocupação pelas pessoas e o meio ambiente;

(ii) existência de boas condições de trabalho e o pagamento de um preço justo aos produtores, que cubra os custos de produção, possibilite um rendimento digno, permita a protecção ambiental e garanta um mínimo de segurança económica;

(iii) a abertura e transparência da estrutura das organizações e de todos os aspectos da sua actividade;

(iv) a informação mútua entre todos os intervenientes na cadeia comercial sobre os produtos e os métodos de comercialização;

(v) o envolvimento dos produtores, voluntários e empregados nas tomadas de decisão que os afectam;

(vi) a protecção e a promoção dos direitos humanos, nomeadamente os das mulheres, das crianças e e dos povos indígenas;

(vii) a protecção do ambiente e a promoção de um desenvolvimento sustentável;

(viii) o estabelecimento de relações comerciais estáveis e de longo prazo;

(ix) a promoção de acções de informação, de educação e de sensibilização;

(x) a produção tão completa quanto possível dos produtos nos países de origem.

Fonte: Cores do Globo

12 janeiro 2005

Humor com humor se paga - XXIX: Santanice, novo vocábulo do léxico português

O Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências bem como o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa acabam de produzir, em conjunto, um verbete sobre um novo vocábulo da língua portuguesa a figurar na próxima edição daquelas duas obras de referência. Podem tomar nota:

Santanice s.m. (c. 2000) 1. Comportamento de alguém que, por acto, acção ou omissão, acaba sempre por prejudicar outrem e ser também ele prejudicado com esse acto, acção ou omissão, sem ter disso consciência. 2. Forma de agir inopinada e irresponsável que prejudica toda a gente envolvida directa ou indirectamente na acção, sem que o autor tenha uma consciência (relativa ou absoluta) das consequências dessa acção < Tá bem, pronto, eu volto>. 3. Estupidez, parvoíce, inexperiência, calinada, irresponsabilidade, efeito negativo de algo dito ou feito por um inconsciente com poder e desplante para o fazer ou dizer. 4. Tendência para a vitimização. 5. Um misto de sacanice com trapalhada, ou de sacanagem com trapalhice < Fez-lhe uma santanice>. 6. Feitiço, mau olhado < Virou-se a santanice contra o santana (feiticeiro)>. Etim. Santana + ice.

Humor com humor se paga - XXIX: Santanice, novo vocábulo do léxico português

O Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências bem como o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa acabam de produzir, em conjunto, um verbete sobre um novo vocábulo da língua portuguesa a figurar na próxima edição daquelas duas obras de referência. Podem tomar nota:

Santanice s.m. (c. 2000) 1. Comportamento de alguém que, por acto, acção ou omissão, acaba sempre por prejudicar outrem e ser também ele prejudicado com esse acto, acção ou omissão, sem ter disso consciência. 2. Forma de agir inopinada e irresponsável que prejudica toda a gente envolvida directa ou indirectamente na acção, sem que o autor tenha uma consciência (relativa ou absoluta) das consequências dessa acção < Tá bem, pronto, eu volto>. 3. Estupidez, parvoíce, inexperiência, calinada, irresponsabilidade, efeito negativo de algo dito ou feito por um inconsciente com poder e desplante para o fazer ou dizer. 4. Tendência para a vitimização. 5. Um misto de sacanice com trapalhada, ou de sacanagem com trapalhice < Fez-lhe uma santanice>. 6. Feitiço, mau olhado < Virou-se a santanice contra o santana (feiticeiro)>. Etim. Santana + ice.

10 janeiro 2005

Car@s ciberamig@s - VII: Nem tudo o que luz (no ciberespaço) é ouro

1. Barretes na Net ? Há milhares, milhões. O último que apanhei foi o da Livraria Buccholz. Alguém andou a gozar comigo, a gozar connosco, lançando um falso alarme para uma situação de pré-falência de uma livraria que, para muitos de nós, é um ícone da cidade de Lisboa, e apelando à nossa ajuda...



Afinal, o gerente vem dizer que, de facto, há ou houve algumas dificuldades de tesouraria mas nada de tão dramático assim, a ponto de se falar em pré-falências ou mortes anunciadas... O homem até está a preparar-se, segundo a Lusa, para ficar com a posição dominante da empresa e fazer um bom negócio...



Pergunta minha, ingénua: Será que alguém anda a explorar a nossa boa-fé e o nosso sentido de solidariedade ? O e-mail anónoimo que por sí circulou foi excesso de zelo e/ou preocupação de um amigo e cliente da Buccholz ? Ou não se tratou antes de um golpe publicitário ? Fico na dúvida. E sobretudo fico de pé atrás.



De qualquer modo peço desculpa a quem chateei, entupindo a caixa do correio com uma mensagem que não corresponde, em grande parte, à verdade, ou que é alarmista.





2. Outro exemplo dos barretes na Net é uma "mensagem maravilhosa" atribuída a um tal George Carlin que circula por aí e que sensibilizou o meu filho que a recebeu ontem, por e-mail, de um colega de faculdade, segundo creio.



O autor, um comediante norte-americano dos anos 80, em fim de carreira e na sequência da morte recente da esposa, teria escrita esta peça inspiradíssima, tocante, cheia de espiritualidade, própria para ajudar a fazer o luto, consolar seres tristes e solitários, amparar gente pobre de espírito, enobrecer as almas misericordiosas...



Afinal, é tudo treta. O texto tem outra história e autor. Tive o cuidado de fazer uma elementar pesquisa na Net. Só no Google encontrei cerca de 30 mil referências à "wonderful message" do nosso viúvo e comediante George Carlin que, ao que parece, era um canastrão de um actor...



No sítio TruthOrFiction.com repõe-se a verdade. Aqui ficam as peças desta ficção para uso e apreciação dos leitores deste blogue. Este caso é, de resto, interessante para se perceber melhor como se produz e reproduz o rumor, o boato, na Net e fora dela: por exemplo, no nosso país, nos bastidores da política e da comunicação social, nas nossas empresas e demais organizações...



Para a próxima, car@s ciberamig@s, tenham mais cuidado com o que me/nos mandam para as caixas de correio... Façam a triagem do que recebem no vosso correio, não acreditem acéfala e piamente em tudo o que lêem e vêem, pesquisem outras fontes, pratiquem o "contraditório" (como está agora na moda dizer-se), e sobretudo não contribuam, por amor da vossa e nossa saúde mental para aumentar exponencialmente o lixo que circulo na Net!... Começo por criticar-me e penitenciar-me, a mim próprio, que às vezes sou ingénuo nestas coisas e caio na esparrela como um patinho. De facto, tenho de concluir que nem tudo o que luz (no ciberespaço) é ouro...

_________



The Paradox of Our Time > George Carlin's Tribute to His Late Wife >Fiction!





Summary of the eRumor



A message said to have come from George Carlin on the occasion of his wife's death and his commentary on the nation after the Attack on America on September 11, 2001. It has also circulated as having been written by a surviving student of the Columbine high school massacre in Colorado





The Truth



This has been circulating on the Internet for quite a while...long before September 11, and is not from George Carlin. Those who know George Carlin's views would immediately know that the comments in "The Paradox of Our Time" do not match those of Carlin.



On his website at www.georgecarlin.com he denies authorship and criticizes the piece. The rumor that these words were spoken on the occasion of the death of his wife are a recent addition to the eRumor, which began circulating about 1999.



There are many websites that quote from this now classic eRumor and identify it as having been written by Jeff Dickson in 1998. Thanks to a tip from one of our readers, we have found the original author, however. It is minister, author, and former pastor of Overlake Christian Church in Redmond, Washington.



In a response to an inquiry by TruthOrFiction.com, Dr. Moorehead said he wrote it in 1990. It was later published in 1995 in his book WORDS APTLY SPOKEN. (Our thanks to the Office of Communications of the Overlake Christian Church for his help on this story.)



Last updated 6/9/03



A real example of the eRumor as it has appeared on the Internet:



AFTER THE DEATH OF HIS WIFE!



GEORGE CARLIN POST 9-11 (His wife had recently died...)



Isn't it amazing that the George Carlin - gross and mouthy comedian of the 70's and 80's - could write something so very eloquent.... and so very appropriate post 9-11.



A wonderful Message by George Carlin:



The paradox of our time in history is that we have taller buildings but shorter tempers, wider freeways, but narrower viewpoints. We spend more, but have less; we buy more, but enjoy less. We have bigger houses and smaller families, more conveniences, but less time. We have more degrees but less sense, more knowledge, but less judgment, more experts, yet more problems, more medicine, but less wellness.



We drink too much, smoke too much, spend too recklessly, laugh too little, drive too fast, get too angry, stay up too late, get up too tired, read too little, watch TV too much, and pray too seldom. We have multiplied our possessions, but reduced our values. We talk too much, love too seldom, and hate too often.



We've learned how to make a living, but not a life. We've added years to life not life to years. We've been all the way to the moon and back, but have trouble crossing the street to meet a new neighbor. We conquered outer space but not inner space.



We've done larger things, but not better things. We've cleaned up the air, but polluted the soul. We've conquered the atom, but not our prejudice.



We write more, but learn less. We plan more, but accomplish less.



We've learned to rush, but not to wait. We build more computers to hold more information, to produce more copies than ever, but we communicate less and less.



These are the times of fast foods and slow digestion, big men and small character, steep profits and shallow relationships. These are the days of two incomes but more divorce, fancier houses, but broken homes.



These are days of quick trips, disposable diapers, throwaway morality, one night stands, overweight bodies, and pills that do everything from cheer, to quiet, to kill.



It is a time when there is much in the showroom window and nothing in the stockroom. A time when technology can bring this letter to you, and a time when you can choose either to share this insight, or to just hit delete.



Remember, spend some time with your loved ones, because they are not going to be around forever. Remember, say a kind word to someone who looks up to you in awe, because that little person soon will grow up and leave your side.



Remember to give a warm hug to the one next to you because that is the only treasure you can give with your heart and it doesn't cost a cent. Remember, to say "I love you" to your partner and your loved ones, but most of all mean it. A kiss and an embrace will mend hurt when it comes from deep inside of you. Remember to hold hands and cherish the moment for someday that person will not be there again. Give time to love, give time to speak and give time to share the precious thoughts in your mind.



(Com a devida cortesia: Fonte: TruthOrFiction.com > The paradox of our time) (2005.01.10)

Car@s ciberamig@s - VII: Nem tudo o que luz (no ciberespaço) é ouro

1. Barretes na Net ? Há milhares, milhões. O último que apanhei foi o da Livraria Buccholz. Alguém andou a gozar comigo, a gozar connosco, lançando um falso alarme para uma situação de pré-falência de uma livraria que, para muitos de nós, é um ícone da cidade de Lisboa, e apelando à nossa ajuda...

Afinal, o gerente vem dizer que, de facto, há ou houve algumas dificuldades de tesouraria mas nada de tão dramático assim, a ponto de se falar em pré-falências ou mortes anunciadas... O homem até está a preparar-se, segundo a Lusa, para ficar com a posição dominante da empresa e fazer um bom negócio...

Pergunta minha, ingénua: Será que alguém anda a explorar a nossa boa-fé e o nosso sentido de solidariedade ? O e-mail anónoimo que por sí circulou foi excesso de zelo e/ou preocupação de um amigo e cliente da Buccholz ? Ou não se tratou antes de um golpe publicitário ? Fico na dúvida. E sobretudo fico de pé atrás.

De qualquer modo peço desculpa a quem chateei, entupindo a caixa do correio com uma mensagem que não corresponde, em grande parte, à verdade, ou que é alarmista.


2. Outro exemplo dos barretes na Net é uma "mensagem maravilhosa" atribuída a um tal George Carlin que circula por aí e que sensibilizou o meu filho que a recebeu ontem, por e-mail, de um colega de faculdade, segundo creio.

O autor, um comediante norte-americano dos anos 80, em fim de carreira e na sequência da morte recente da esposa, teria escrita esta peça inspiradíssima, tocante, cheia de espiritualidade, própria para ajudar a fazer o luto, consolar seres tristes e solitários, amparar gente pobre de espírito, enobrecer as almas misericordiosas...

Afinal, é tudo treta. O texto tem outra história e autor. Tive o cuidado de fazer uma elementar pesquisa na Net. Só no Google encontrei cerca de 30 mil referências à "wonderful message" do nosso viúvo e comediante George Carlin que, ao que parece, era um canastrão de um actor...

No sítio TruthOrFiction.com repõe-se a verdade. Aqui ficam as peças desta ficção para uso e apreciação dos leitores deste blogue. Este caso é, de resto, interessante para se perceber melhor como se produz e reproduz o rumor, o boato, na Net e fora dela: por exemplo, no nosso país, nos bastidores da política e da comunicação social, nas nossas empresas e demais organizações...

Para a próxima, car@s ciberamig@s, tenham mais cuidado com o que me/nos mandam para as caixas de correio... Façam a triagem do que recebem no vosso correio, não acreditem acéfala e piamente em tudo o que lêem e vêem, pesquisem outras fontes, pratiquem o "contraditório" (como está agora na moda dizer-se), e sobretudo não contribuam, por amor da vossa e nossa saúde mental para aumentar exponencialmente o lixo que circulo na Net!... Começo por criticar-me e penitenciar-me, a mim próprio, que às vezes sou ingénuo nestas coisas e caio na esparrela como um patinho. De facto, tenho de concluir que nem tudo o que luz (no ciberespaço) é ouro...
_________

The Paradox of Our Time > George Carlin's Tribute to His Late Wife >Fiction!


Summary of the eRumor

A message said to have come from George Carlin on the occasion of his wife's death and his commentary on the nation after the Attack on America on September 11, 2001. It has also circulated as having been written by a surviving student of the Columbine high school massacre in Colorado


The Truth

This has been circulating on the Internet for quite a while...long before September 11, and is not from George Carlin. Those who know George Carlin's views would immediately know that the comments in "The Paradox of Our Time" do not match those of Carlin.

On his website at www.georgecarlin.com he denies authorship and criticizes the piece. The rumor that these words were spoken on the occasion of the death of his wife are a recent addition to the eRumor, which began circulating about 1999.

There are many websites that quote from this now classic eRumor and identify it as having been written by Jeff Dickson in 1998. Thanks to a tip from one of our readers, we have found the original author, however. It is minister, author, and former pastor of Overlake Christian Church in Redmond, Washington.

In a response to an inquiry by TruthOrFiction.com, Dr. Moorehead said he wrote it in 1990. It was later published in 1995 in his book WORDS APTLY SPOKEN. (Our thanks to the Office of Communications of the Overlake Christian Church for his help on this story.)

Last updated 6/9/03

A real example of the eRumor as it has appeared on the Internet:

AFTER THE DEATH OF HIS WIFE!

GEORGE CARLIN POST 9-11 (His wife had recently died...)

Isn't it amazing that the George Carlin - gross and mouthy comedian of the 70's and 80's - could write something so very eloquent.... and so very appropriate post 9-11.

A wonderful Message by George Carlin:

The paradox of our time in history is that we have taller buildings but shorter tempers, wider freeways, but narrower viewpoints. We spend more, but have less; we buy more, but enjoy less. We have bigger houses and smaller families, more conveniences, but less time. We have more degrees but less sense, more knowledge, but less judgment, more experts, yet more problems, more medicine, but less wellness.

We drink too much, smoke too much, spend too recklessly, laugh too little, drive too fast, get too angry, stay up too late, get up too tired, read too little, watch TV too much, and pray too seldom. We have multiplied our possessions, but reduced our values. We talk too much, love too seldom, and hate too often.

We've learned how to make a living, but not a life. We've added years to life not life to years. We've been all the way to the moon and back, but have trouble crossing the street to meet a new neighbor. We conquered outer space but not inner space.

We've done larger things, but not better things. We've cleaned up the air, but polluted the soul. We've conquered the atom, but not our prejudice.

We write more, but learn less. We plan more, but accomplish less.

We've learned to rush, but not to wait. We build more computers to hold more information, to produce more copies than ever, but we communicate less and less.

These are the times of fast foods and slow digestion, big men and small character, steep profits and shallow relationships. These are the days of two incomes but more divorce, fancier houses, but broken homes.

These are days of quick trips, disposable diapers, throwaway morality, one night stands, overweight bodies, and pills that do everything from cheer, to quiet, to kill.

It is a time when there is much in the showroom window and nothing in the stockroom. A time when technology can bring this letter to you, and a time when you can choose either to share this insight, or to just hit delete.

Remember, spend some time with your loved ones, because they are not going to be around forever. Remember, say a kind word to someone who looks up to you in awe, because that little person soon will grow up and leave your side.

Remember to give a warm hug to the one next to you because that is the only treasure you can give with your heart and it doesn't cost a cent. Remember, to say "I love you" to your partner and your loved ones, but most of all mean it. A kiss and an embrace will mend hurt when it comes from deep inside of you. Remember to hold hands and cherish the moment for someday that person will not be there again. Give time to love, give time to speak and give time to share the precious thoughts in your mind.

(Com a devida cortesia: Fonte: TruthOrFiction.com > The paradox of our time) (2005.01.10)

05 janeiro 2005

Car@s ciberamig@s - VI: Salvemos a Livraria Buchholz

Chegou-me, por e-mail, por mão amiga, este apelo. Num país em que o consumo cultural é baixo, o índice de iliteracia alto, e o número de hipermercados e centros comerciais por hectare avassalador, o fecho de uma livraria é sempre uma grande perda, a nível local, regional ou nacional.



Dizem-me que a Livraria Buchholz corre o risco de desaparecer. Não sei exactamente quais são as razões, mas julgo que sejam comerciais e económico-financeiras. Com a sua morte, a nossa cultura e a cidade de Lisboa ficariam mais pobres. Um pequeno gesto nosso, de todos nós que gostamos de livros, que compramos livros, que lemos livros, pode ajudar a salvar este espaço de convívio e de cultura que faz parte da memória e do património da cidade.



Como diz um outro amigo meu, adiro ao presente apelo na esperança de que a velha e prestigiada Buccholz - International Bookshop não venha a ser substituída por uma qualquer manjedoura da McDonald's ou por um qualquer franchising na área do pronto a despir.



L.G.





1. A Livraria Buchholz, lugar de referência do nosso (pequeno) universo cultural, encontra-se em situação de pré-falência.



Agradece-se a todos quantos a frequentaram que a voltem a visitar, de vez em quando.

Comprar um livro que não se encontra em mais lado nenhum pode, eventualmente, ajudar a reerguê-la.



Agradece-se que passem esta informação aos amigos e interessados.





2. A Livraria Buchholz é uma livraria com história. Foi fundada em 1943 pelo livreiro alemão Karl Buchholz, que deixou Berlim depois da sua galeria de arte e livraria terem sido destruídas pelos bombardeamentos.



A actividade de Buchholz era incompatível com o regime de Berlim, nomeadamente a venda de autores considerados proscritos, como Thomas Mann. No entanto, a relação de Buchholz com o regime era algo dúbia pois tanto compactuava em manobras de propaganda alemã como salvava da fogueira obras de Picasso e Braque, condenadas pela fúria nazi.



No início, a livraria estava situada em Lisboa na Avenida da Liberdade e só em 1965 se instalou na Rua Duque de Palmela. O interior foi projectado pelo próprio livreiro ao estilo das livrarias da sua terra natal. O espaço estende-se por três andares unidos por uma escada de caracol, com recantos e sofás que proporcionam uma intimidade dos leitores com os livros. A madeira das escadas, chão e estantes torna o espaço acolhedor e agradável.



Durante os anos 60, a tertúlia artística lisboeta - entre eles, Escada, Noronha da Costa, Eduardo Nery e Malangatana - passou pela cave da Buchholz que funcionou como galeria até 1974.



Hoje, a galeria continua a ser uma referência cultural com um público fiel que preza o espaço de convívio que a livraria sugere. A selecção dos títulos é vasta e inclui várias áreas: artes, ciência, humanidades, literatura portuguesa e estrangeira, livros técnicos e infantis. Na cave funciona uma secção de música clássica e etnográfica. Apesar de não ser especializada em nenhuma área, a secção dedicada à ciência política é frequentada por muitos políticos da nossa praça.



A Buchholz acolhe ainda eventos especiais como lançamentos de livros, sessões de leitura e o "Domingo Especial" que são os saldos anuais da livraria, uma vez por ano, no último domingo de Novembro. Na Buchholz on-line pode percorrer as estantes da livraria sem sair de casa e ainda encomendar livros nacionais e alguns estrangeiros.



Telefone: 213170580



Local: Lisboa, R. Duque de Palmela, 4



Horários: Segunda a sábado das 09h00 às 18h00 (encerra sábado às 13h).



Observações: Especialidades: livraria generalista.



Sítio oficial: http://www.buchholz.pt (em remodelação, nesta data).





Post-scriptum



Segundo notícia da Lusa, de hoje,ao fim da tarde, que acabo de receber por outra mão amiga, o novo director-geral da Livraria Buccholz, José Leal Loureiro, veio dizer que a livraria está a recuperar de uma "fase crítica" e veio promter uma livraria com capacidade de bem servir os clientes, dinamizada através de lançamentos e conferências: "A livraria teve um período de dificuldades, relacionado com a própria conjuntura do país, mas agora vai retomar os eventos que costuma acolher", assegurou à Lusa José Loureiro, que reagia a um e- mail enviado para a comunicação social a dar conta de uma alegada situação de pré-falência. "Pré-falência parece-me uma expressão demasiado violenta", comentou o responsável, acrescentando que a mensagem anónima terá sido remetida "por algum cliente bem intencionado, que julgou assim dar o seu melhor para ajudar a livraria".



O novo director-geral da Buchholz afirmou também que "a livraria encontra-se a preparar um reforço de capital, e está a tentar incrementar as vendas e reduzir alguns custos, com vista a voltar a funcionar em pleno". José Leal Loureiro declarou ainda à Lusa que "alguns importantes editores que tinham cessado os fornecimentos à livraria devido às dificuldades financeiras da Buchholz já os retomaram, caso da Difel/Gótica, Caminho, Europa-América ou Dinalivro".



Ainda segundo a notícia das Lusa, esta terça-feira foi enviada um e-mail anónimo a diversos órgãos de comunicação dizendo que a Buchholz estaria a um passo de falir e apelando aos leitores para que ajudassem à recuperação da livraria, conhecida por ter algumas edições raras e obras em língua estrangeira.



Conclusão: Os blogadores portugueses reagem rápído às notícias más, agoirentas ou ameaçadoras. E acima de tudo são generosos e solidários. Espero que esta história tenha um final feliz. L.G.



Car@s ciberamig@s - VI: Salvemos a Livraria Buchholz

Chegou-me, por e-mail, por mão amiga, este apelo. Num país em que o consumo cultural é baixo, o índice de iliteracia alto, e o número de hipermercados e centros comerciais por hectare avassalador, o fecho de uma livraria é sempre uma grande perda, a nível local, regional ou nacional.

Dizem-me que a Livraria Buchholz corre o risco de desaparecer. Não sei exactamente quais são as razões, mas julgo que sejam comerciais e económico-financeiras. Com a sua morte, a nossa cultura e a cidade de Lisboa ficariam mais pobres. Um pequeno gesto nosso, de todos nós que gostamos de livros, que compramos livros, que lemos livros, pode ajudar a salvar este espaço de convívio e de cultura que faz parte da memória e do património da cidade.

Como diz um outro amigo meu, adiro ao presente apelo na esperança de que a velha e prestigiada Buccholz - International Bookshop não venha a ser substituída por uma qualquer manjedoura da McDonald's ou por um qualquer franchising na área do pronto a despir.

L.G.


1. A Livraria Buchholz, lugar de referência do nosso (pequeno) universo cultural, encontra-se em situação de pré-falência.

Agradece-se a todos quantos a frequentaram que a voltem a visitar, de vez em quando.
Comprar um livro que não se encontra em mais lado nenhum pode, eventualmente, ajudar a reerguê-la.

Agradece-se que passem esta informação aos amigos e interessados.


2. A Livraria Buchholz é uma livraria com história. Foi fundada em 1943 pelo livreiro alemão Karl Buchholz, que deixou Berlim depois da sua galeria de arte e livraria terem sido destruídas pelos bombardeamentos.

A actividade de Buchholz era incompatível com o regime de Berlim, nomeadamente a venda de autores considerados proscritos, como Thomas Mann. No entanto, a relação de Buchholz com o regime era algo dúbia pois tanto compactuava em manobras de propaganda alemã como salvava da fogueira obras de Picasso e Braque, condenadas pela fúria nazi.

No início, a livraria estava situada em Lisboa na Avenida da Liberdade e só em 1965 se instalou na Rua Duque de Palmela. O interior foi projectado pelo próprio livreiro ao estilo das livrarias da sua terra natal. O espaço estende-se por três andares unidos por uma escada de caracol, com recantos e sofás que proporcionam uma intimidade dos leitores com os livros. A madeira das escadas, chão e estantes torna o espaço acolhedor e agradável.

Durante os anos 60, a tertúlia artística lisboeta - entre eles, Escada, Noronha da Costa, Eduardo Nery e Malangatana - passou pela cave da Buchholz que funcionou como galeria até 1974.

Hoje, a galeria continua a ser uma referência cultural com um público fiel que preza o espaço de convívio que a livraria sugere. A selecção dos títulos é vasta e inclui várias áreas: artes, ciência, humanidades, literatura portuguesa e estrangeira, livros técnicos e infantis. Na cave funciona uma secção de música clássica e etnográfica. Apesar de não ser especializada em nenhuma área, a secção dedicada à ciência política é frequentada por muitos políticos da nossa praça.

A Buchholz acolhe ainda eventos especiais como lançamentos de livros, sessões de leitura e o "Domingo Especial" que são os saldos anuais da livraria, uma vez por ano, no último domingo de Novembro. Na Buchholz on-line pode percorrer as estantes da livraria sem sair de casa e ainda encomendar livros nacionais e alguns estrangeiros.

Telefone: 213170580

Local: Lisboa, R. Duque de Palmela, 4

Horários: Segunda a sábado das 09h00 às 18h00 (encerra sábado às 13h).

Observações: Especialidades: livraria generalista.

Sítio oficial: http://www.buchholz.pt (em remodelação, nesta data).


Post-scriptum

Segundo notícia da Lusa, de hoje,ao fim da tarde, que acabo de receber por outra mão amiga, o novo director-geral da Livraria Buccholz, José Leal Loureiro, veio dizer que a livraria está a recuperar de uma "fase crítica" e veio promter uma livraria com capacidade de bem servir os clientes, dinamizada através de lançamentos e conferências: "A livraria teve um período de dificuldades, relacionado com a própria conjuntura do país, mas agora vai retomar os eventos que costuma acolher", assegurou à Lusa José Loureiro, que reagia a um e- mail enviado para a comunicação social a dar conta de uma alegada situação de pré-falência. "Pré-falência parece-me uma expressão demasiado violenta", comentou o responsável, acrescentando que a mensagem anónima terá sido remetida "por algum cliente bem intencionado, que julgou assim dar o seu melhor para ajudar a livraria".

O novo director-geral da Buchholz afirmou também que "a livraria encontra-se a preparar um reforço de capital, e está a tentar incrementar as vendas e reduzir alguns custos, com vista a voltar a funcionar em pleno". José Leal Loureiro declarou ainda à Lusa que "alguns importantes editores que tinham cessado os fornecimentos à livraria devido às dificuldades financeiras da Buchholz já os retomaram, caso da Difel/Gótica, Caminho, Europa-América ou Dinalivro".

Ainda segundo a notícia das Lusa, esta terça-feira foi enviada um e-mail anónimo a diversos órgãos de comunicação dizendo que a Buchholz estaria a um passo de falir e apelando aos leitores para que ajudassem à recuperação da livraria, conhecida por ter algumas edições raras e obras em língua estrangeira.

Conclusão: Os blogadores portugueses reagem rápído às notícias más, agoirentas ou ameaçadoras. E acima de tudo são generosos e solidários. Espero que esta história tenha um final feliz. L.G.

23 dezembro 2004

Blogantologia(s) - XXII: Saldo(s) para o ano de 2005

A todos os homens e mulheres (i) que cabem na minha lista de e-mails ou (ii) que a transbordam ou (iii) que circulam, a desoras e sem rumo, na blogosfera, (iv) quer façam ou não o favor de serem meus amigos: deixem-me desejar-vos o melhor da vida para o Novo Ano que, dizem, aí vem!!!



L.G.





Car@s amig@s planetári@s:



1. Eis-nos chegad@s

Ao fim do ano de dois mil e quatro,

E digo fim

Porque é já inverno

E faz frio

E porque acabei de arrancar

A última folha amarelada do calendário.

E digo fim para não praguejar

E para não ir parar com os quatro costados

Ao inferno.



Dizemos fim do ano

Por mera convenção ou conveniência.

Ou se calhar,

Por tristeza ou desfastio,

Cansaço, saturação, impaciência.

Depressão, dirá muita boa gente.

Ou só por que nos deu na real veneta;

Em suma, dizemos fim

Sem qualquer razão aparente.



Na prática não chegámos ao fim,

Não chegámos a parte nenhuma,

A pé, de carro, de barco ou de dromedário,

À boleia, a nado ou até de parapente,

Que o chegar é sempre a um algum sítio,

Lugar, porto, ilha, montanha de bruma,

País, continente, planeta,

Ou pico do Evereste.

E chegar ao fim

É sempre sinónimo de festa.



Não arribámos a nenhum porto

Ou outro ponto imaginário

Do globo terrestre;

Não fomos pioneiros,

Não descobrimos a misteriosa citânia

Da nossa proto-história lusitana

Nem sequer a porta do risonho futuro

Que há-de vir;

É tudo treta,

Não fomos os primeiros

Nem sequer os últimos

A cortar a meta;

Não fomos notícia,

Nem mesmo em Alcácer Quibir;

Não estávamos entre os anónimos mineiros

Soterrados na China e na Ucrânia;

Não houve festa, nem luto, nem bomba atómica,

Não houve alvoroço, nem foguetes,

Nem estátua equestre,

Nem sequer a banda trágico-cómica

Dos bombeiros voluntários

Do Emir Kusturica.

À nossa espera

Ou no nosso enterro.



Vendo bem,

Não fizemos nada de heróico,

Não salvámos a humanidade,

Não fizemos a guerra,

Não lutámos contra os canhões,

Não assinámos a paz,

Nem sequer levámos a carta a Garcia.

Enfim, não ganhámos nenhum prémio,

Nem sequer o Nobel, nem a lotaria,

Muito menos o Euromilhões;

Em resumo, dizem-nos que,

No ano da graça do senhor

De dois e mil e quatro,

Tu e eu, nós todos,

Nada temos de concreto

Para celebrar.



Mas chegados ao fim do ano,

É costume fazer-se o balanço,

Se não da viagem,

Pelo menos do deve-e-haver

Das nossas vidas,

Da carga preciosa que transportamos connosco,

Que é a vida e o dever de a viver.

Que é o fogo da vida

E a obrigação de o alimentarmos,

O pequeno milagre

Ou o simples facto

De estarmos vivos,

De ainda estarmos vivos

E de estarmos juntos.





2. Façamos, pois, o balanço,

Meus amigos,

O deve-e-haver deste ano

De dois mil e quatro,

Que se calhar foi um annus horribilis

Como os anteriores,

Para a maior parte dos homens e mulheres,

Noss@s vizinh@s planetári@s.

Que a vinte e três de dezembro,

O horóscopo da humanidade

Não está em condições de prever

Terramotos, catástrofes, pestes, tsunamis,

O cortejo dos horrores

Que costumam acompanhar os cavaleiros do Apocalipse.



Façamos o balanço das nossas vidas

Como pessoas, como grupos,

Como instituições, como países.

Siga-se, nesta matéria, a tradição,

Que a tradição ainda manda,

E com isso não vai grande mal ao mundo

(Se querem saber a minha opinião).





3. Como sempre, houve coisas boas

E coisas más

Ao longo do ano que agora finda.

Releguemos as más para os historiadores.

Ou para o nosso confessor, psiquiatra ou confidente.

Ou para o diário secreto de Narciso.

Em boa verdade, as coisas más vão ao fundo,

Não flutuam como os corpos,

São, por definição, para esquecer.

- Dorme, que foi um sonho mau!,

Diziam-te em criança.

Criança sem juízo,

Sem dente do siso.



Abramos, pois, os nossos corações

Para falar ou dar testemunho

Das coisas boas que nos aconteceram.

Que a hora é de desafivelar as máscaras

Dos actores que também somos.

Maus, canastrões,

Mas que importa, se o palco é tudo!



Falemos dos acontecimentos

De que fomos protagonistas.

Pequenos, sem dúvida,

À nossa escala, à escala humana,

Mas importantes,

Para nós, a nossa família, os nossos amigos,

As empresas ou organizações onde trabalhamos,

As pessoas que confiaram em nós,

Que apostaram e acreditaram em nós.



Falemos das situações de que fomos

Actores de verdade, actores de facto.

Independentemente do nosso papel,

E do tamanho do nosso papel.

Ou do número de graus de liberdade

A que temos direito

Ou que fazem parte do nosso contrato.

Que o importante foi ser actor

E não mero figurante.



Falemos dos projectos

De que fomos gestores

Ou simples trabalhadores

De equipa.

Falemos dos conhecimentos novos

Que tivemos o privilégio

De produzir, obter ou divulgar

Através do nosso trabalho, estudo ou formação.

Dos livros que lemos ou escrevemos

Ou que comprámos para ler mais tarde,

”Quando formos velhinh@s

E tivermos todo o tempo do mundo”

(Oh, doce ilusão!).



Não nos esqueçamos de evocar

As pessoas fantásticas que conhecemos.

Mas também os filmes de última hora

Que perdemos no trânsito da vida.

Ou as estórias que não ouvimos ou não lemos,

Por falta de paciência ou de audiência

Ou de simples lugar de estacionamento

No hall congestionado do planeta azul.



Falemos das oportunidades que tivemos

De fazer coisas novas,

Inovadoras, ou simplesmente úteis,

Para nós, para os outros, para o nosso país.

E que não desperdiçámos.

Ajudando o mundo a tornar-se

Mais amigável

Ou, pelo menos, mais habitável.



Falemos das pequenas coisas boas

Que nos aconteceram,

Não por mero acaso,

Mas porque as merecemos,

(Sem falsa modéstia!),

Porque lutámos por elas,

Porque outros nos ajudaram a conseguí-las

Porque juntos conseguimo-las.



Falemos ainda do nosso crescimento interior:

Se estamos mais sábios, mais atentos,

Mais conscientes da água que corre nos nossos rios

Ou do HIV/SIDA que nos está matando,

É porque crescemos por dentro.



Mas sejamos capazes também de falar

Das brincadeiras ou partidas

(Não das sacanices!)

Que fizemos uns aos outros.

Que o brincar não é proibido,

Ou não deveria sê-lo,

Que o brincar devia mesmo ser obrigatório

Na escolinha da vida

E nos locais de trabalho

Onde, já crescidos, a ganhamos.



Falemos dos e-mails que trocámos

E que encheram as nossas caixas de correio.

Das anedotas que contámos.

Até das de mau gosto,

Xenófobas, racistas e sexistas.



Falemos do pão, do queijo e do vinho

Que partilhámos com alguém,

Ao fim da tarde,

Não importa onde,

No Alentejo, em Angola, ou no Minho,

Em qualquer parte onde

Temos im amigo, um parceiro, um compincha.

Que o companheiro (do latim cum + pane) é

Justamente aquele que compartilha connosco

O pão e o vinho à mesma mesa.



Sim, falemos das emoções

Que pusemos em cima da mesa.

Ou da ausência delas.

Da paz que conseguimos, em certas ocasiões,

Estabelecer connosco e com os outros.

Sim, falemos da paz:

Nada como um minuto de paz

Ao fim do dia, no fim do ano.

Um minuto, uma hora,

Mesmo se o fim do ano é uma treta

Do calendário gregoriano.



Falemos, por isso, e já agora

D@s velh@s amig@s que voltámos a encontrar.

Em vaigem,

Num terminal de aeroporto,

Numa esquina de rua congestionada,

Num bar triste de uma cidade

Em que estávamos de passagem.



Falemos d@s nov@s amig@s que fizemos.

Sem esquecer @s querid@s amig@s

Que perdemos, assim sem mais nada,

Por razões de vida ou de morte,

Ou de que perdemos simplesmente o norte,

O telefone, o fax, o endereço, o e-mail, a morada.



4. É a pensar em vocês tod@s

Com quem trabalhei, interagi, vivi, falei,

Discuti, barafustei,

E, se calhar, até magoei e decepcionei,

Durante o ano de dois mil e quatro,

É a pensar em tod@s vós,

Que eu peço ao Pai Natal

(Que eu ainda acredito nele,

Seja isso idiota ou infantil,

Muito pouco ou nada racional!)

Para pôr no vosso sapatinho

Esta singela mensagem:

“Que a nossa amizade seja…

O saldo contabilístico, positivo,

Que transita para o ano de dois mil e cinco”.



Estou-vos obrigado,

A todos vós,

Pela parte de mérito que vos coube

Nas pequenas coisas boas

Que me aconteceram, nos aconteceram,

Em dois mil e quatro.

Resta-me pedir-vos, sensibilizado:

"A mim, desculpem-me lá qualquer coisinha!"...



L.G.



Lisboa, 23 de Dezembro de 2004

Blogantologia(s) - XXII: Saldo(s) para o ano de 2005

A todos os homens e mulheres (i) que cabem na minha lista de e-mails ou (ii) que a transbordam ou (iii) que circulam, a desoras e sem rumo, na blogosfera, (iv) quer façam ou não o favor de serem meus amigos: deixem-me desejar-vos o melhor da vida para o Novo Ano que, dizem, aí vem!!!

L.G.


Car@s amig@s planetári@s:

1. Eis-nos chegad@s
Ao fim do ano de dois mil e quatro,
E digo fim
Porque é já inverno
E faz frio
E porque acabei de arrancar
A última folha amarelada do calendário.
E digo fim para não praguejar
E para não ir parar com os quatro costados
Ao inferno.

Dizemos fim do ano
Por mera convenção ou conveniência.
Ou se calhar,
Por tristeza ou desfastio,
Cansaço, saturação, impaciência.
Depressão, dirá muita boa gente.
Ou só por que nos deu na real veneta;
Em suma, dizemos fim
Sem qualquer razão aparente.

Na prática não chegámos ao fim,
Não chegámos a parte nenhuma,
A pé, de carro, de barco ou de dromedário,
À boleia, a nado ou até de parapente,
Que o chegar é sempre a um algum sítio,
Lugar, porto, ilha, montanha de bruma,
País, continente, planeta,
Ou pico do Evereste.
E chegar ao fim
É sempre sinónimo de festa.

Não arribámos a nenhum porto
Ou outro ponto imaginário
Do globo terrestre;
Não fomos pioneiros,
Não descobrimos a misteriosa citânia
Da nossa proto-história lusitana
Nem sequer a porta do risonho futuro
Que há-de vir;
É tudo treta,
Não fomos os primeiros
Nem sequer os últimos
A cortar a meta;
Não fomos notícia,
Nem mesmo em Alcácer Quibir;
Não estávamos entre os anónimos mineiros
Soterrados na China e na Ucrânia;
Não houve festa, nem luto, nem bomba atómica,
Não houve alvoroço, nem foguetes,
Nem estátua equestre,
Nem sequer a banda trágico-cómica
Dos bombeiros voluntários
Do Emir Kusturica.
À nossa espera
Ou no nosso enterro.

Vendo bem,
Não fizemos nada de heróico,
Não salvámos a humanidade,
Não fizemos a guerra,
Não lutámos contra os canhões,
Não assinámos a paz,
Nem sequer levámos a carta a Garcia.
Enfim, não ganhámos nenhum prémio,
Nem sequer o Nobel, nem a lotaria,
Muito menos o Euromilhões;
Em resumo, dizem-nos que,
No ano da graça do senhor
De dois e mil e quatro,
Tu e eu, nós todos,
Nada temos de concreto
Para celebrar.

Mas chegados ao fim do ano,
É costume fazer-se o balanço,
Se não da viagem,
Pelo menos do deve-e-haver
Das nossas vidas,
Da carga preciosa que transportamos connosco,
Que é a vida e o dever de a viver.
Que é o fogo da vida
E a obrigação de o alimentarmos,
O pequeno milagre
Ou o simples facto
De estarmos vivos,
De ainda estarmos vivos
E de estarmos juntos.


2. Façamos, pois, o balanço,
Meus amigos,
O deve-e-haver deste ano
De dois mil e quatro,
Que se calhar foi um annus horribilis
Como os anteriores,
Para a maior parte dos homens e mulheres,
Noss@s vizinh@s planetári@s.
Que a vinte e três de dezembro,
O horóscopo da humanidade
Não está em condições de prever
Terramotos, catástrofes, pestes, tsunamis,
O cortejo dos horrores
Que costumam acompanhar os cavaleiros do Apocalipse.

Façamos o balanço das nossas vidas
Como pessoas, como grupos,
Como instituições, como países.
Siga-se, nesta matéria, a tradição,
Que a tradição ainda manda,
E com isso não vai grande mal ao mundo
(Se querem saber a minha opinião).


3. Como sempre, houve coisas boas
E coisas más
Ao longo do ano que agora finda.
Releguemos as más para os historiadores.
Ou para o nosso confessor, psiquiatra ou confidente.
Ou para o diário secreto de Narciso.
Em boa verdade, as coisas más vão ao fundo,
Não flutuam como os corpos,
São, por definição, para esquecer.
- Dorme, que foi um sonho mau!,
Diziam-te em criança.
Criança sem juízo,
Sem dente do siso.

Abramos, pois, os nossos corações
Para falar ou dar testemunho
Das coisas boas que nos aconteceram.
Que a hora é de desafivelar as máscaras
Dos actores que também somos.
Maus, canastrões,
Mas que importa, se o palco é tudo!

Falemos dos acontecimentos
De que fomos protagonistas.
Pequenos, sem dúvida,
À nossa escala, à escala humana,
Mas importantes,
Para nós, a nossa família, os nossos amigos,
As empresas ou organizações onde trabalhamos,
As pessoas que confiaram em nós,
Que apostaram e acreditaram em nós.

Falemos das situações de que fomos
Actores de verdade, actores de facto.
Independentemente do nosso papel,
E do tamanho do nosso papel.
Ou do número de graus de liberdade
A que temos direito
Ou que fazem parte do nosso contrato.
Que o importante foi ser actor
E não mero figurante.

Falemos dos projectos
De que fomos gestores
Ou simples trabalhadores
De equipa.
Falemos dos conhecimentos novos
Que tivemos o privilégio
De produzir, obter ou divulgar
Através do nosso trabalho, estudo ou formação.
Dos livros que lemos ou escrevemos
Ou que comprámos para ler mais tarde,
”Quando formos velhinh@s
E tivermos todo o tempo do mundo”
(Oh, doce ilusão!).

Não nos esqueçamos de evocar
As pessoas fantásticas que conhecemos.
Mas também os filmes de última hora
Que perdemos no trânsito da vida.
Ou as estórias que não ouvimos ou não lemos,
Por falta de paciência ou de audiência
Ou de simples lugar de estacionamento
No hall congestionado do planeta azul.

Falemos das oportunidades que tivemos
De fazer coisas novas,
Inovadoras, ou simplesmente úteis,
Para nós, para os outros, para o nosso país.
E que não desperdiçámos.
Ajudando o mundo a tornar-se
Mais amigável
Ou, pelo menos, mais habitável.

Falemos das pequenas coisas boas
Que nos aconteceram,
Não por mero acaso,
Mas porque as merecemos,
(Sem falsa modéstia!),
Porque lutámos por elas,
Porque outros nos ajudaram a conseguí-las
Porque juntos conseguimo-las.

Falemos ainda do nosso crescimento interior:
Se estamos mais sábios, mais atentos,
Mais conscientes da água que corre nos nossos rios
Ou do HIV/SIDA que nos está matando,
É porque crescemos por dentro.

Mas sejamos capazes também de falar
Das brincadeiras ou partidas
(Não das sacanices!)
Que fizemos uns aos outros.
Que o brincar não é proibido,
Ou não deveria sê-lo,
Que o brincar devia mesmo ser obrigatório
Na escolinha da vida
E nos locais de trabalho
Onde, já crescidos, a ganhamos.

Falemos dos e-mails que trocámos
E que encheram as nossas caixas de correio.
Das anedotas que contámos.
Até das de mau gosto,
Xenófobas, racistas e sexistas.

Falemos do pão, do queijo e do vinho
Que partilhámos com alguém,
Ao fim da tarde,
Não importa onde,
No Alentejo, em Angola, ou no Minho,
Em qualquer parte onde
Temos im amigo, um parceiro, um compincha.
Que o companheiro (do latim cum + pane) é
Justamente aquele que compartilha connosco
O pão e o vinho à mesma mesa.

Sim, falemos das emoções
Que pusemos em cima da mesa.
Ou da ausência delas.
Da paz que conseguimos, em certas ocasiões,
Estabelecer connosco e com os outros.
Sim, falemos da paz:
Nada como um minuto de paz
Ao fim do dia, no fim do ano.
Um minuto, uma hora,
Mesmo se o fim do ano é uma treta
Do calendário gregoriano.

Falemos, por isso, e já agora
D@s velh@s amig@s que voltámos a encontrar.
Em vaigem,
Num terminal de aeroporto,
Numa esquina de rua congestionada,
Num bar triste de uma cidade
Em que estávamos de passagem.

Falemos d@s nov@s amig@s que fizemos.
Sem esquecer @s querid@s amig@s
Que perdemos, assim sem mais nada,
Por razões de vida ou de morte,
Ou de que perdemos simplesmente o norte,
O telefone, o fax, o endereço, o e-mail, a morada.

4. É a pensar em vocês tod@s
Com quem trabalhei, interagi, vivi, falei,
Discuti, barafustei,
E, se calhar, até magoei e decepcionei,
Durante o ano de dois mil e quatro,
É a pensar em tod@s vós,
Que eu peço ao Pai Natal
(Que eu ainda acredito nele,
Seja isso idiota ou infantil,
Muito pouco ou nada racional!)
Para pôr no vosso sapatinho
Esta singela mensagem:
“Que a nossa amizade seja…
O saldo contabilístico, positivo,
Que transita para o ano de dois mil e cinco”.

Estou-vos obrigado,
A todos vós,
Pela parte de mérito que vos coube
Nas pequenas coisas boas
Que me aconteceram, nos aconteceram,
Em dois mil e quatro.
Resta-me pedir-vos, sensibilizado:
"A mim, desculpem-me lá qualquer coisinha!"...

L.G.

Lisboa, 23 de Dezembro de 2004