blogue-fora-nada. homo socius ergo blogus [sum]. homem social logo blogador. em sociobloguês nos entendemos. o port(ug)al dos (por)tugas. a prova dos blogue-fora-nada. a guerra colonial. a guiné. do chacheu ao boe. de bissau a bambadinca. os cacimbados. o geba. o corubal. os rios. o macaréu da nossa revolta. o humor nosso de cada dia nos dai hoje.lá vamos blogando e rindo. e venham mais cinco (camaradas). e vieram tantos que isto se transformou numa caserna. a maior caserna virtual da Net!
20 fevereiro 2005
Portugal sacro-profano - XXIII: Gostava de falar do meu país...
Parafraseando um dos nossos grandes "vencidos da vida" mas também um dos melhores de todos nós, o António Barreto (Público, de 20 de Fevereiro de 2005), "gostaria de falar do meu país, mas hoje não posso falar de política".
Portugal sacro-profano - XXIII: Gostava de falar do meu país...
Parafraseando um dos nossos grandes "vencidos da vida" mas também um dos melhores de todos nós, o António Barreto (Público, de 20 de Fevereiro de 2005), "gostaria de falar do meu país, mas hoje não posso falar de política".
15 fevereiro 2005
Saúde & Segurança do Trabalho - XVI: A tragicomédia da participação
1. Escreve a jornalista Mariana Oliveira, no destaque do "Público" sobre "riscos profissionais", na sua edição de domingo passado: "A participação dos trabalhadores na área de segurança, higiene e saúde no trabalho ainda é muito deficitária (sic). Desde 1991 que a lei prevê a possibilidade dos operários elegerem representantes que se pronunciem e proponham medidas para prevenir os riscos profissionais, mas os sindicatos estimam que em todo o universo empresarial português existam menos de 1800 elementos a exercer estas funções".
2. Para Joaquim Dionísio, responsável pelo gabinete de estudos da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), a questão tão falada da regulamentação da participação dos trabalhadores (que só se efectivou em 2004, mas que já estava prevista desde 1991), seria uma falsa questão. "A regulamentação não vai alterar nada. As eleições [ para os representantes dos trabalhadores para a área da saúde e segurança do trabalho, abreviadamenet S&ST ]já estavam a ser feitas ao abrigo da anterior legislação. O problema é que muitos sindicatos não consideram esta questão prioritária". Segundo este dirigente sindical, em 1750 representantes na área da saúde e segurança que deverão existir (segundo estimativas da CGTP), "mais de 1700 foram eleitos nas listas" desta Central Sindical.
3. os velhos fantasmas do passado vêm ao de cima. Ainda não os conseguimos exorcizar. Enquanto as centrais sindicais contam espingardas (em vez de apostarem forte na formação dos representantes dos trabalhadores para área da S&ST), o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), Francisco van Zeller, faz-se eco do velho receio dos empresários segundo o qual esta é mais uma potencialmente perigosa figura de agitador sindical: segundo a jornalista do "Público", o dirigente da CIP terá dito que a intervenção dos representantes dos trabalhadores se traduz, na prática, "em reivindicações cegas, só para complicar" (sic)a vida às empresas e aos empresários. E terá acrescentado, civilizadamente, que não tem nada contra o princípio: "A participação dos trabalhadores, sempre que razoável e responsável, não pode deixar de ser valorada positivamente".
4. Pessoalmente, acho que a afirmação da jornalista do "Pùblico" peca por efeito: dizer que a participação dos trabalhadores portugueses em matéria de saúde e segurança do trabalho é "deficitária" é um eufemismo. Neste como noutros domínios, temos que "pegar o boi pelos cornos" e acabar com os paninhos quentinhos: como diz o Joaquim Dionísio (e ele é insuspeito) os sindicatos (tanto os da UGT como os CGTP mais os restantes, incluindo os "não-alinhados") têm uma agenda com outros prioridades.
Por outro lado, as empresas, os empresa´rios e os gestores ainda não perceberam que é do seu interesse envolver os trabalhadores na identificação e resolução de problemas neste como nos restantes domínios que são cruciais para ganharmos as batalhas que faltam para ganhar a guerra do futuro.
Por seu turno, os médicos do trabalho, os engenheiros de segurança e os demais profissionais que trabalham nesta área anda distraídos (opu melhor: ocupados) a ganhar a sua vidinha e ainda não perceberam quão importante é a participação dos trabalhadores para o desenvolvimento (político, social, económico, técnico, científico, ético e profissional) deste domínio do conhecimento e da acção...
Já não falo dos restantes "stakeholders", a começar pelo Estado que, esse, faz o papel de triste figura nesta tragicomédia do cumprimento da legislação e regulamentação em matéria de S&ST... Quando o Estado não se comporta como pessoa de bem (não cumprindo, nomeadamente, as obrigações legais que impõe aos outros e a si próprio), não vale a pena gastar mais latim...
2. Para Joaquim Dionísio, responsável pelo gabinete de estudos da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), a questão tão falada da regulamentação da participação dos trabalhadores (que só se efectivou em 2004, mas que já estava prevista desde 1991), seria uma falsa questão. "A regulamentação não vai alterar nada. As eleições [ para os representantes dos trabalhadores para a área da saúde e segurança do trabalho, abreviadamenet S&ST ]já estavam a ser feitas ao abrigo da anterior legislação. O problema é que muitos sindicatos não consideram esta questão prioritária". Segundo este dirigente sindical, em 1750 representantes na área da saúde e segurança que deverão existir (segundo estimativas da CGTP), "mais de 1700 foram eleitos nas listas" desta Central Sindical.
3. os velhos fantasmas do passado vêm ao de cima. Ainda não os conseguimos exorcizar. Enquanto as centrais sindicais contam espingardas (em vez de apostarem forte na formação dos representantes dos trabalhadores para área da S&ST), o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), Francisco van Zeller, faz-se eco do velho receio dos empresários segundo o qual esta é mais uma potencialmente perigosa figura de agitador sindical: segundo a jornalista do "Público", o dirigente da CIP terá dito que a intervenção dos representantes dos trabalhadores se traduz, na prática, "em reivindicações cegas, só para complicar" (sic)a vida às empresas e aos empresários. E terá acrescentado, civilizadamente, que não tem nada contra o princípio: "A participação dos trabalhadores, sempre que razoável e responsável, não pode deixar de ser valorada positivamente".
4. Pessoalmente, acho que a afirmação da jornalista do "Pùblico" peca por efeito: dizer que a participação dos trabalhadores portugueses em matéria de saúde e segurança do trabalho é "deficitária" é um eufemismo. Neste como noutros domínios, temos que "pegar o boi pelos cornos" e acabar com os paninhos quentinhos: como diz o Joaquim Dionísio (e ele é insuspeito) os sindicatos (tanto os da UGT como os CGTP mais os restantes, incluindo os "não-alinhados") têm uma agenda com outros prioridades.
Por outro lado, as empresas, os empresa´rios e os gestores ainda não perceberam que é do seu interesse envolver os trabalhadores na identificação e resolução de problemas neste como nos restantes domínios que são cruciais para ganharmos as batalhas que faltam para ganhar a guerra do futuro.
Por seu turno, os médicos do trabalho, os engenheiros de segurança e os demais profissionais que trabalham nesta área anda distraídos (opu melhor: ocupados) a ganhar a sua vidinha e ainda não perceberam quão importante é a participação dos trabalhadores para o desenvolvimento (político, social, económico, técnico, científico, ético e profissional) deste domínio do conhecimento e da acção...
Já não falo dos restantes "stakeholders", a começar pelo Estado que, esse, faz o papel de triste figura nesta tragicomédia do cumprimento da legislação e regulamentação em matéria de S&ST... Quando o Estado não se comporta como pessoa de bem (não cumprindo, nomeadamente, as obrigações legais que impõe aos outros e a si próprio), não vale a pena gastar mais latim...
Saúde & Segurança do Trabalho - XVI: A tragicomédia da participação
1. Escreve a jornalista Mariana Oliveira, no destaque do "Público" sobre "riscos profissionais", na sua edição de domingo passado: "A participação dos trabalhadores na área de segurança, higiene e saúde no trabalho ainda é muito deficitária (sic). Desde 1991 que a lei prevê a possibilidade dos operários elegerem representantes que se pronunciem e proponham medidas para prevenir os riscos profissionais, mas os sindicatos estimam que em todo o universo empresarial português existam menos de 1800 elementos a exercer estas funções".
2. Para Joaquim Dionísio, responsável pelo gabinete de estudos da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), a questão tão falada da regulamentação da participação dos trabalhadores (que só se efectivou em 2004, mas que já estava prevista desde 1991), seria uma falsa questão. "A regulamentação não vai alterar nada. As eleições [ para os representantes dos trabalhadores para a área da saúde e segurança do trabalho, abreviadamenet S&ST ]já estavam a ser feitas ao abrigo da anterior legislação. O problema é que muitos sindicatos não consideram esta questão prioritária". Segundo este dirigente sindical, em 1750 representantes na área da saúde e segurança que deverão existir (segundo estimativas da CGTP), "mais de 1700 foram eleitos nas listas" desta Central Sindical.
3. os velhos fantasmas do passado vêm ao de cima. Ainda não os conseguimos exorcizar. Enquanto as centrais sindicais contam espingardas (em vez de apostarem forte na formação dos representantes dos trabalhadores para área da S&ST), o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), Francisco van Zeller, faz-se eco do velho receio dos empresários segundo o qual esta é mais uma potencialmente perigosa figura de agitador sindical: segundo a jornalista do "Público", o dirigente da CIP terá dito que a intervenção dos representantes dos trabalhadores se traduz, na prática, "em reivindicações cegas, só para complicar" (sic)a vida às empresas e aos empresários. E terá acrescentado, civilizadamente, que não tem nada contra o princípio: "A participação dos trabalhadores, sempre que razoável e responsável, não pode deixar de ser valorada positivamente".
4. Pessoalmente, acho que a afirmação da jornalista do "Pùblico" peca por efeito: dizer que a participação dos trabalhadores portugueses em matéria de saúde e segurança do trabalho é "deficitária" é um eufemismo. Neste como noutros domínios, temos que "pegar o boi pelos cornos" e acabar com os paninhos quentinhos: como diz o Joaquim Dionísio (e ele é insuspeito) os sindicatos (tanto os da UGT como os CGTP mais os restantes, incluindo os "não-alinhados") têm uma agenda com outros prioridades.
Por outro lado, as empresas, os empresa´rios e os gestores ainda não perceberam que é do seu interesse envolver os trabalhadores na identificação e resolução de problemas neste como nos restantes domínios que são cruciais para ganharmos as batalhas que faltam para ganhar a guerra do futuro.
Por seu turno, os médicos do trabalho, os engenheiros de segurança e os demais profissionais que trabalham nesta área anda distraídos (opu melhor: ocupados) a ganhar a sua vidinha e ainda não perceberam quão importante é a participação dos trabalhadores para o desenvolvimento (político, social, económico, técnico, científico, ético e profissional) deste domínio do conhecimento e da acção...
Já não falo dos restantes "stakeholders", a começar pelo Estado que, esse, faz o papel de triste figura nesta tragicomédia do cumprimento da legislação e regulamentação em matéria de S&ST... Quando o Estado não se comporta como pessoa de bem (não cumprindo, nomeadamente, as obrigações legais que impõe aos outros e a si próprio), não vale a pena gastar mais latim...
2. Para Joaquim Dionísio, responsável pelo gabinete de estudos da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), a questão tão falada da regulamentação da participação dos trabalhadores (que só se efectivou em 2004, mas que já estava prevista desde 1991), seria uma falsa questão. "A regulamentação não vai alterar nada. As eleições [ para os representantes dos trabalhadores para a área da saúde e segurança do trabalho, abreviadamenet S&ST ]já estavam a ser feitas ao abrigo da anterior legislação. O problema é que muitos sindicatos não consideram esta questão prioritária". Segundo este dirigente sindical, em 1750 representantes na área da saúde e segurança que deverão existir (segundo estimativas da CGTP), "mais de 1700 foram eleitos nas listas" desta Central Sindical.
3. os velhos fantasmas do passado vêm ao de cima. Ainda não os conseguimos exorcizar. Enquanto as centrais sindicais contam espingardas (em vez de apostarem forte na formação dos representantes dos trabalhadores para área da S&ST), o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), Francisco van Zeller, faz-se eco do velho receio dos empresários segundo o qual esta é mais uma potencialmente perigosa figura de agitador sindical: segundo a jornalista do "Público", o dirigente da CIP terá dito que a intervenção dos representantes dos trabalhadores se traduz, na prática, "em reivindicações cegas, só para complicar" (sic)a vida às empresas e aos empresários. E terá acrescentado, civilizadamente, que não tem nada contra o princípio: "A participação dos trabalhadores, sempre que razoável e responsável, não pode deixar de ser valorada positivamente".
4. Pessoalmente, acho que a afirmação da jornalista do "Pùblico" peca por efeito: dizer que a participação dos trabalhadores portugueses em matéria de saúde e segurança do trabalho é "deficitária" é um eufemismo. Neste como noutros domínios, temos que "pegar o boi pelos cornos" e acabar com os paninhos quentinhos: como diz o Joaquim Dionísio (e ele é insuspeito) os sindicatos (tanto os da UGT como os CGTP mais os restantes, incluindo os "não-alinhados") têm uma agenda com outros prioridades.
Por outro lado, as empresas, os empresa´rios e os gestores ainda não perceberam que é do seu interesse envolver os trabalhadores na identificação e resolução de problemas neste como nos restantes domínios que são cruciais para ganharmos as batalhas que faltam para ganhar a guerra do futuro.
Por seu turno, os médicos do trabalho, os engenheiros de segurança e os demais profissionais que trabalham nesta área anda distraídos (opu melhor: ocupados) a ganhar a sua vidinha e ainda não perceberam quão importante é a participação dos trabalhadores para o desenvolvimento (político, social, económico, técnico, científico, ético e profissional) deste domínio do conhecimento e da acção...
Já não falo dos restantes "stakeholders", a começar pelo Estado que, esse, faz o papel de triste figura nesta tragicomédia do cumprimento da legislação e regulamentação em matéria de S&ST... Quando o Estado não se comporta como pessoa de bem (não cumprindo, nomeadamente, as obrigações legais que impõe aos outros e a si próprio), não vale a pena gastar mais latim...
14 fevereiro 2005
Saúde & Segurança do Trabalho - XV: Uma gralha para a eternidade
1. O jornal "Público" de ontem, 13 de Fevereiro de 2005, dedicou três páginas, na secção "Destaque", ao problema dos "Riscos Profissionais"(pp. 2 a 4). O trabalho, excelente, é de dois jovens jornalistas da redacção do Porto, a Mariana Oliveira e Rafael Matos.
Noutra ocasião, terei oportunidade de comentar, com mais detalhe, esta peça jornalística. Por agora, queria só destacar uma frase do Rafael Matos, a propósito do aumento de 22%, em sete anos (1997-2004), do número de pensionistas de doenças profissionais. Diz ele algures (p. 4), que "já em 1994, na altura do lançamento do Livro Verde dos Serviços de Prevenção das Empresas (...) os custos totais (directos e indirectos) [dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais] eram estimados em 600 milhões de contos". Julgo que o jornalista se queria referir ao Livro Branco (lançado em 1999)e não ao Livro Verde (que também não é de 1994 mas de 1997).
2. Nunca soube como é que a Comissão do Livro Branco, editado pelo ex-IDICT, chegou a esta estimativa. Ou qual a sua fonte. Não vou aqui discutir se a estimativa está correcta ou não. Mas há cautelas téorico-metodológicas que andam, por vezes, arredadadas das preocupações dos sábios que fazem parte destas comissões dos livros verdes e dos livros brancos, mesmo quando a missão é patriótica e o trabalho gratuito.
Parece-me haver alguma ligeireza, em Portugal, quando as pessoas puxam por números para apoiar ou reforçar um ponto de vista. Salvo melhor opinião, isso aconteceu com Livro Branco dos Serviços de Prevenção das Empresas (publicado em 1999). É aí que vem a famosa estimativa dos 600 milhões de contos anuais, dez vezes mais do que os custos directos com a reparação, a cargo das companhias de seguros (para os acidentes de trabalho) e da Segurança Social (para as doenças profissionais) (Livro Branco, IDICT, 1999, p.33).
Em devido tempo e noutro lugar defendi que seria útil, interessante e até pedagógico que se mostrasse, por a mais b, quanto é o montante dos custos (directos e indirectos) dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais em Portugal. Esse trabalho de casa não foi feito. Por outro lado, e em assunto tão sério, a referida Comissão também revelou alguma ligeireza ao deixar passar a monumental gralha que torna inelegível, absurdo e inevitavelmente hilariante o quadro estatístico apresentado na página 29 do Livro Branco: Citando o Instituto de Seguros de Portugal, a Comissão do Livro Verde diz, preto no branco, que o custo dos acidentes de trabalho, em milhões de contos, foi de 40.700 em 1990, 49.500 em 1991, 56.600 em 1992, 57.500 em 1993, 66.400 em 1994 e de 59.400 em 1995... Felizmente que os encargos (directos) com a reparação dos acidentes não custam o dobro do nosso PIB!... Mas a arreliadora falta de uma vírgula nos números apresentados na quarta linha é isso que sugere: o número correcto é 40,7 milhões em 1990 (40 milhões e 700 mil contos) e assim sucessivamente.
Para qualquer estudante de economia ou de sociologia, familiarizado com as contas nacionais, o lapso é de imediato detectável (Será ?)...Mas não para o pobre do leitor comum que troca facilmente milhões por biliões...
3.É uma arreliadora gralha que manchou um pouco o trabalho (de resto, excelente) da Comissão do Livro Branco, e que já vinha da versão original publicada on-line na página do IDICT na Internet. Errar é humano e falar com números nem sempre é fácil. Mas o que é um facto é que a gralha ficou para a posteridade, em letra de forma.
Dir-me-ão que tudo isto não passa de petite histoire, tal como a famosa gaffe do Eng. António Guterres a respeito do nosso PIB. Concordo plenamente. Mas aconteceu e só é eventualmente explicável, neste como noutros casos, pela falta de tempo, pela falta de verba para pagar a revisão técnico ou científica dos documentos ou outras desculpas de mau pagador...
O problema é que os livros (verdes ou brancos) também servem de arma de arremesso. Para a História é de recordar que a comissão (ou o seu presidente) teve a percepção da oportunidade (política) em divulgar on line o documento, just in time e à revelia da sua tutela, o Secretário de Estado da Segurança Social e das Relações Laborais. O presidente da Comissão do Livro Branco tinha acabado de ser demitido do cargo de presidente do IDICT, por alegada perda de confiança política. Recorde-se que o seu superior hierárquico, o Secretário de Estado, tinha acabado de autorizar, por deferimento tácito, a credenciação da UCS-Unidade de Cuidados de Saúde, SA (ligada à TAP - Air Portugal), como empresa idónea para a prestação de serviços de saúde e segurança do trabalho. O pedido de credenciação da UCS encontrava-se no IDICT desde 1995, com mais umas quatro ou cinco centenas de outros.
Entretanto, o documento (Livro Branco dos Serviços de Prevenção das Empresas) saiu mais tarde, em Outubro de 1999, em letra de forma, em edição do IDICT. Faz hoje parte da série Estudos, já não incomoda ninguém mas, hélàs!, pode continuar a enganar muita boa gente. A versão em papel vem enriquecida com a indispensável errata. Curiosamente a gralha da página 29 escapou, mais uma vez, à lupa do anónimo revisor de texto. Gralhas que a pressa (?) tece...
Noutra ocasião, terei oportunidade de comentar, com mais detalhe, esta peça jornalística. Por agora, queria só destacar uma frase do Rafael Matos, a propósito do aumento de 22%, em sete anos (1997-2004), do número de pensionistas de doenças profissionais. Diz ele algures (p. 4), que "já em 1994, na altura do lançamento do Livro Verde dos Serviços de Prevenção das Empresas (...) os custos totais (directos e indirectos) [dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais] eram estimados em 600 milhões de contos". Julgo que o jornalista se queria referir ao Livro Branco (lançado em 1999)e não ao Livro Verde (que também não é de 1994 mas de 1997).
2. Nunca soube como é que a Comissão do Livro Branco, editado pelo ex-IDICT, chegou a esta estimativa. Ou qual a sua fonte. Não vou aqui discutir se a estimativa está correcta ou não. Mas há cautelas téorico-metodológicas que andam, por vezes, arredadadas das preocupações dos sábios que fazem parte destas comissões dos livros verdes e dos livros brancos, mesmo quando a missão é patriótica e o trabalho gratuito.
Parece-me haver alguma ligeireza, em Portugal, quando as pessoas puxam por números para apoiar ou reforçar um ponto de vista. Salvo melhor opinião, isso aconteceu com Livro Branco dos Serviços de Prevenção das Empresas (publicado em 1999). É aí que vem a famosa estimativa dos 600 milhões de contos anuais, dez vezes mais do que os custos directos com a reparação, a cargo das companhias de seguros (para os acidentes de trabalho) e da Segurança Social (para as doenças profissionais) (Livro Branco, IDICT, 1999, p.33).
Em devido tempo e noutro lugar defendi que seria útil, interessante e até pedagógico que se mostrasse, por a mais b, quanto é o montante dos custos (directos e indirectos) dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais em Portugal. Esse trabalho de casa não foi feito. Por outro lado, e em assunto tão sério, a referida Comissão também revelou alguma ligeireza ao deixar passar a monumental gralha que torna inelegível, absurdo e inevitavelmente hilariante o quadro estatístico apresentado na página 29 do Livro Branco: Citando o Instituto de Seguros de Portugal, a Comissão do Livro Verde diz, preto no branco, que o custo dos acidentes de trabalho, em milhões de contos, foi de 40.700 em 1990, 49.500 em 1991, 56.600 em 1992, 57.500 em 1993, 66.400 em 1994 e de 59.400 em 1995... Felizmente que os encargos (directos) com a reparação dos acidentes não custam o dobro do nosso PIB!... Mas a arreliadora falta de uma vírgula nos números apresentados na quarta linha é isso que sugere: o número correcto é 40,7 milhões em 1990 (40 milhões e 700 mil contos) e assim sucessivamente.
Para qualquer estudante de economia ou de sociologia, familiarizado com as contas nacionais, o lapso é de imediato detectável (Será ?)...Mas não para o pobre do leitor comum que troca facilmente milhões por biliões...
3.É uma arreliadora gralha que manchou um pouco o trabalho (de resto, excelente) da Comissão do Livro Branco, e que já vinha da versão original publicada on-line na página do IDICT na Internet. Errar é humano e falar com números nem sempre é fácil. Mas o que é um facto é que a gralha ficou para a posteridade, em letra de forma.
Dir-me-ão que tudo isto não passa de petite histoire, tal como a famosa gaffe do Eng. António Guterres a respeito do nosso PIB. Concordo plenamente. Mas aconteceu e só é eventualmente explicável, neste como noutros casos, pela falta de tempo, pela falta de verba para pagar a revisão técnico ou científica dos documentos ou outras desculpas de mau pagador...
O problema é que os livros (verdes ou brancos) também servem de arma de arremesso. Para a História é de recordar que a comissão (ou o seu presidente) teve a percepção da oportunidade (política) em divulgar on line o documento, just in time e à revelia da sua tutela, o Secretário de Estado da Segurança Social e das Relações Laborais. O presidente da Comissão do Livro Branco tinha acabado de ser demitido do cargo de presidente do IDICT, por alegada perda de confiança política. Recorde-se que o seu superior hierárquico, o Secretário de Estado, tinha acabado de autorizar, por deferimento tácito, a credenciação da UCS-Unidade de Cuidados de Saúde, SA (ligada à TAP - Air Portugal), como empresa idónea para a prestação de serviços de saúde e segurança do trabalho. O pedido de credenciação da UCS encontrava-se no IDICT desde 1995, com mais umas quatro ou cinco centenas de outros.
Entretanto, o documento (Livro Branco dos Serviços de Prevenção das Empresas) saiu mais tarde, em Outubro de 1999, em letra de forma, em edição do IDICT. Faz hoje parte da série Estudos, já não incomoda ninguém mas, hélàs!, pode continuar a enganar muita boa gente. A versão em papel vem enriquecida com a indispensável errata. Curiosamente a gralha da página 29 escapou, mais uma vez, à lupa do anónimo revisor de texto. Gralhas que a pressa (?) tece...
Saúde & Segurança do Trabalho - XV: Uma gralha para a eternidade
1. O jornal "Público" de ontem, 13 de Fevereiro de 2005, dedicou três páginas, na secção "Destaque", ao problema dos "Riscos Profissionais"(pp. 2 a 4). O trabalho, excelente, é de dois jovens jornalistas da redacção do Porto, a Mariana Oliveira e Rafael Matos.
Noutra ocasião, terei oportunidade de comentar, com mais detalhe, esta peça jornalística. Por agora, queria só destacar uma frase do Rafael Matos, a propósito do aumento de 22%, em sete anos (1997-2004), do número de pensionistas de doenças profissionais. Diz ele algures (p. 4), que "já em 1994, na altura do lançamento do Livro Verde dos Serviços de Prevenção das Empresas (...) os custos totais (directos e indirectos) [dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais] eram estimados em 600 milhões de contos". Julgo que o jornalista se queria referir ao Livro Branco (lançado em 1999)e não ao Livro Verde (que também não é de 1994 mas de 1997).
2. Nunca soube como é que a Comissão do Livro Branco, editado pelo ex-IDICT, chegou a esta estimativa. Ou qual a sua fonte. Não vou aqui discutir se a estimativa está correcta ou não. Mas há cautelas téorico-metodológicas que andam, por vezes, arredadadas das preocupações dos sábios que fazem parte destas comissões dos livros verdes e dos livros brancos, mesmo quando a missão é patriótica e o trabalho gratuito.
Parece-me haver alguma ligeireza, em Portugal, quando as pessoas puxam por números para apoiar ou reforçar um ponto de vista. Salvo melhor opinião, isso aconteceu com Livro Branco dos Serviços de Prevenção das Empresas (publicado em 1999). É aí que vem a famosa estimativa dos 600 milhões de contos anuais, dez vezes mais do que os custos directos com a reparação, a cargo das companhias de seguros (para os acidentes de trabalho) e da Segurança Social (para as doenças profissionais) (Livro Branco, IDICT, 1999, p.33).
Em devido tempo e noutro lugar defendi que seria útil, interessante e até pedagógico que se mostrasse, por a mais b, quanto é o montante dos custos (directos e indirectos) dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais em Portugal. Esse trabalho de casa não foi feito. Por outro lado, e em assunto tão sério, a referida Comissão também revelou alguma ligeireza ao deixar passar a monumental gralha que torna inelegível, absurdo e inevitavelmente hilariante o quadro estatístico apresentado na página 29 do Livro Branco: Citando o Instituto de Seguros de Portugal, a Comissão do Livro Verde diz, preto no branco, que o custo dos acidentes de trabalho, em milhões de contos, foi de 40.700 em 1990, 49.500 em 1991, 56.600 em 1992, 57.500 em 1993, 66.400 em 1994 e de 59.400 em 1995... Felizmente que os encargos (directos) com a reparação dos acidentes não custam o dobro do nosso PIB!... Mas a arreliadora falta de uma vírgula nos números apresentados na quarta linha é isso que sugere: o número correcto é 40,7 milhões em 1990 (40 milhões e 700 mil contos) e assim sucessivamente.
Para qualquer estudante de economia ou de sociologia, familiarizado com as contas nacionais, o lapso é de imediato detectável (Será ?)...Mas não para o pobre do leitor comum que troca facilmente milhões por biliões...
3.É uma arreliadora gralha que manchou um pouco o trabalho (de resto, excelente) da Comissão do Livro Branco, e que já vinha da versão original publicada on-line na página do IDICT na Internet. Errar é humano e falar com números nem sempre é fácil. Mas o que é um facto é que a gralha ficou para a posteridade, em letra de forma.
Dir-me-ão que tudo isto não passa de petite histoire, tal como a famosa gaffe do Eng. António Guterres a respeito do nosso PIB. Concordo plenamente. Mas aconteceu e só é eventualmente explicável, neste como noutros casos, pela falta de tempo, pela falta de verba para pagar a revisão técnico ou científica dos documentos ou outras desculpas de mau pagador...
O problema é que os livros (verdes ou brancos) também servem de arma de arremesso. Para a História é de recordar que a comissão (ou o seu presidente) teve a percepção da oportunidade (política) em divulgar on line o documento, just in time e à revelia da sua tutela, o Secretário de Estado da Segurança Social e das Relações Laborais. O presidente da Comissão do Livro Branco tinha acabado de ser demitido do cargo de presidente do IDICT, por alegada perda de confiança política. Recorde-se que o seu superior hierárquico, o Secretário de Estado, tinha acabado de autorizar, por deferimento tácito, a credenciação da UCS-Unidade de Cuidados de Saúde, SA (ligada à TAP - Air Portugal), como empresa idónea para a prestação de serviços de saúde e segurança do trabalho. O pedido de credenciação da UCS encontrava-se no IDICT desde 1995, com mais umas quatro ou cinco centenas de outros.
Entretanto, o documento (Livro Branco dos Serviços de Prevenção das Empresas) saiu mais tarde, em Outubro de 1999, em letra de forma, em edição do IDICT. Faz hoje parte da série Estudos, já não incomoda ninguém mas, hélàs!, pode continuar a enganar muita boa gente. A versão em papel vem enriquecida com a indispensável errata. Curiosamente a gralha da página 29 escapou, mais uma vez, à lupa do anónimo revisor de texto. Gralhas que a pressa (?) tece...
Noutra ocasião, terei oportunidade de comentar, com mais detalhe, esta peça jornalística. Por agora, queria só destacar uma frase do Rafael Matos, a propósito do aumento de 22%, em sete anos (1997-2004), do número de pensionistas de doenças profissionais. Diz ele algures (p. 4), que "já em 1994, na altura do lançamento do Livro Verde dos Serviços de Prevenção das Empresas (...) os custos totais (directos e indirectos) [dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais] eram estimados em 600 milhões de contos". Julgo que o jornalista se queria referir ao Livro Branco (lançado em 1999)e não ao Livro Verde (que também não é de 1994 mas de 1997).
2. Nunca soube como é que a Comissão do Livro Branco, editado pelo ex-IDICT, chegou a esta estimativa. Ou qual a sua fonte. Não vou aqui discutir se a estimativa está correcta ou não. Mas há cautelas téorico-metodológicas que andam, por vezes, arredadadas das preocupações dos sábios que fazem parte destas comissões dos livros verdes e dos livros brancos, mesmo quando a missão é patriótica e o trabalho gratuito.
Parece-me haver alguma ligeireza, em Portugal, quando as pessoas puxam por números para apoiar ou reforçar um ponto de vista. Salvo melhor opinião, isso aconteceu com Livro Branco dos Serviços de Prevenção das Empresas (publicado em 1999). É aí que vem a famosa estimativa dos 600 milhões de contos anuais, dez vezes mais do que os custos directos com a reparação, a cargo das companhias de seguros (para os acidentes de trabalho) e da Segurança Social (para as doenças profissionais) (Livro Branco, IDICT, 1999, p.33).
Em devido tempo e noutro lugar defendi que seria útil, interessante e até pedagógico que se mostrasse, por a mais b, quanto é o montante dos custos (directos e indirectos) dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais em Portugal. Esse trabalho de casa não foi feito. Por outro lado, e em assunto tão sério, a referida Comissão também revelou alguma ligeireza ao deixar passar a monumental gralha que torna inelegível, absurdo e inevitavelmente hilariante o quadro estatístico apresentado na página 29 do Livro Branco: Citando o Instituto de Seguros de Portugal, a Comissão do Livro Verde diz, preto no branco, que o custo dos acidentes de trabalho, em milhões de contos, foi de 40.700 em 1990, 49.500 em 1991, 56.600 em 1992, 57.500 em 1993, 66.400 em 1994 e de 59.400 em 1995... Felizmente que os encargos (directos) com a reparação dos acidentes não custam o dobro do nosso PIB!... Mas a arreliadora falta de uma vírgula nos números apresentados na quarta linha é isso que sugere: o número correcto é 40,7 milhões em 1990 (40 milhões e 700 mil contos) e assim sucessivamente.
Para qualquer estudante de economia ou de sociologia, familiarizado com as contas nacionais, o lapso é de imediato detectável (Será ?)...Mas não para o pobre do leitor comum que troca facilmente milhões por biliões...
3.É uma arreliadora gralha que manchou um pouco o trabalho (de resto, excelente) da Comissão do Livro Branco, e que já vinha da versão original publicada on-line na página do IDICT na Internet. Errar é humano e falar com números nem sempre é fácil. Mas o que é um facto é que a gralha ficou para a posteridade, em letra de forma.
Dir-me-ão que tudo isto não passa de petite histoire, tal como a famosa gaffe do Eng. António Guterres a respeito do nosso PIB. Concordo plenamente. Mas aconteceu e só é eventualmente explicável, neste como noutros casos, pela falta de tempo, pela falta de verba para pagar a revisão técnico ou científica dos documentos ou outras desculpas de mau pagador...
O problema é que os livros (verdes ou brancos) também servem de arma de arremesso. Para a História é de recordar que a comissão (ou o seu presidente) teve a percepção da oportunidade (política) em divulgar on line o documento, just in time e à revelia da sua tutela, o Secretário de Estado da Segurança Social e das Relações Laborais. O presidente da Comissão do Livro Branco tinha acabado de ser demitido do cargo de presidente do IDICT, por alegada perda de confiança política. Recorde-se que o seu superior hierárquico, o Secretário de Estado, tinha acabado de autorizar, por deferimento tácito, a credenciação da UCS-Unidade de Cuidados de Saúde, SA (ligada à TAP - Air Portugal), como empresa idónea para a prestação de serviços de saúde e segurança do trabalho. O pedido de credenciação da UCS encontrava-se no IDICT desde 1995, com mais umas quatro ou cinco centenas de outros.
Entretanto, o documento (Livro Branco dos Serviços de Prevenção das Empresas) saiu mais tarde, em Outubro de 1999, em letra de forma, em edição do IDICT. Faz hoje parte da série Estudos, já não incomoda ninguém mas, hélàs!, pode continuar a enganar muita boa gente. A versão em papel vem enriquecida com a indispensável errata. Curiosamente a gralha da página 29 escapou, mais uma vez, à lupa do anónimo revisor de texto. Gralhas que a pressa (?) tece...
13 fevereiro 2005
Socio(b)logia - XIII: O país-do-diz-que-disse
Não há pachorra
Abre-se a televisão
Ou sintoniza-se a rádio
E corre-se um sério risco
De ouvir a mesma notícia
Ad nauseam:
Alguém
(Um candidato a primeiro-ministro,
Um candidato a candidato,
Um amigo do candidato,
Um amigo do amigo do candidato,
O seu assessor de imagem,
O primo da terra,
A ex-amante...)
A dizer que não disse o que disse
Ou melhor: Não disse, meus senhores,
O que os jornais disseram
Que ele disse
Ou o que o jornalista achava
Que ele deveria dizer.
Este estilo comunicacional
Tem muitos cultores.
E ficou defintivamente consagrado
Com a seráfica Zezinha:
"Você sabe que eu sei
Que você sabe".
Há uma variante tropical
Deste estilo de não-assertividade
Inventada pelos portugas:
"Eu sei que você sabe
Que eu sei que você sabe
Que é difícil de dizer",
Diz a brasileira Maria Monte,
Na sua canção "Eu sei"...
No país-do-diz-que-disse
Impera a lei da fofoca,
Do boato pidesco,
Da intriga palaciana,
Das bruxas feias e más,
Dos meninos birrentos e queixinhas,
Dos santinhos de pau carunchoso,
Do título de caixa alta,
Da delacção inquisitorial,
Da saloiice do Zé Povinho.
Faz-se do boato notícia
Da insinuação verdade
E da anedota tese doutoral.
Não tenho pachorra.
Ponto final.
Abre-se a televisão
Ou sintoniza-se a rádio
E corre-se um sério risco
De ouvir a mesma notícia
Ad nauseam:
Alguém
(Um candidato a primeiro-ministro,
Um candidato a candidato,
Um amigo do candidato,
Um amigo do amigo do candidato,
O seu assessor de imagem,
O primo da terra,
A ex-amante...)
A dizer que não disse o que disse
Ou melhor: Não disse, meus senhores,
O que os jornais disseram
Que ele disse
Ou o que o jornalista achava
Que ele deveria dizer.
Este estilo comunicacional
Tem muitos cultores.
E ficou defintivamente consagrado
Com a seráfica Zezinha:
"Você sabe que eu sei
Que você sabe".
Há uma variante tropical
Deste estilo de não-assertividade
Inventada pelos portugas:
"Eu sei que você sabe
Que eu sei que você sabe
Que é difícil de dizer",
Diz a brasileira Maria Monte,
Na sua canção "Eu sei"...
No país-do-diz-que-disse
Impera a lei da fofoca,
Do boato pidesco,
Da intriga palaciana,
Das bruxas feias e más,
Dos meninos birrentos e queixinhas,
Dos santinhos de pau carunchoso,
Do título de caixa alta,
Da delacção inquisitorial,
Da saloiice do Zé Povinho.
Faz-se do boato notícia
Da insinuação verdade
E da anedota tese doutoral.
Não tenho pachorra.
Ponto final.
Socio(b)logia - XIII: O país-do-diz-que-disse
Não há pachorra
Abre-se a televisão
Ou sintoniza-se a rádio
E corre-se um sério risco
De ouvir a mesma notícia
Ad nauseam:
Alguém
(Um candidato a primeiro-ministro,
Um candidato a candidato,
Um amigo do candidato,
Um amigo do amigo do candidato,
O seu assessor de imagem,
O primo da terra,
A ex-amante...)
A dizer que não disse o que disse
Ou melhor: Não disse, meus senhores,
O que os jornais disseram
Que ele disse
Ou o que o jornalista achava
Que ele deveria dizer.
Este estilo comunicacional
Tem muitos cultores.
E ficou defintivamente consagrado
Com a seráfica Zezinha:
"Você sabe que eu sei
Que você sabe".
Há uma variante tropical
Deste estilo de não-assertividade
Inventada pelos portugas:
"Eu sei que você sabe
Que eu sei que você sabe
Que é difícil de dizer",
Diz a brasileira Maria Monte,
Na sua canção "Eu sei"...
No país-do-diz-que-disse
Impera a lei da fofoca,
Do boato pidesco,
Da intriga palaciana,
Das bruxas feias e más,
Dos meninos birrentos e queixinhas,
Dos santinhos de pau carunchoso,
Do título de caixa alta,
Da delacção inquisitorial,
Da saloiice do Zé Povinho.
Faz-se do boato notícia
Da insinuação verdade
E da anedota tese doutoral.
Não tenho pachorra.
Ponto final.
Abre-se a televisão
Ou sintoniza-se a rádio
E corre-se um sério risco
De ouvir a mesma notícia
Ad nauseam:
Alguém
(Um candidato a primeiro-ministro,
Um candidato a candidato,
Um amigo do candidato,
Um amigo do amigo do candidato,
O seu assessor de imagem,
O primo da terra,
A ex-amante...)
A dizer que não disse o que disse
Ou melhor: Não disse, meus senhores,
O que os jornais disseram
Que ele disse
Ou o que o jornalista achava
Que ele deveria dizer.
Este estilo comunicacional
Tem muitos cultores.
E ficou defintivamente consagrado
Com a seráfica Zezinha:
"Você sabe que eu sei
Que você sabe".
Há uma variante tropical
Deste estilo de não-assertividade
Inventada pelos portugas:
"Eu sei que você sabe
Que eu sei que você sabe
Que é difícil de dizer",
Diz a brasileira Maria Monte,
Na sua canção "Eu sei"...
No país-do-diz-que-disse
Impera a lei da fofoca,
Do boato pidesco,
Da intriga palaciana,
Das bruxas feias e más,
Dos meninos birrentos e queixinhas,
Dos santinhos de pau carunchoso,
Do título de caixa alta,
Da delacção inquisitorial,
Da saloiice do Zé Povinho.
Faz-se do boato notícia
Da insinuação verdade
E da anedota tese doutoral.
Não tenho pachorra.
Ponto final.
06 fevereiro 2005
(Ex)citações de cada dia - XVI: O português, estúpido!
1. Contra a depressão nacional que alguns senhores nos querem obrigar a comprar… E contra a nossa (e dos nossos políticos) distracção em relação às mudanças que se estão a operar no tabuleiro do xadrez mundial… É estranho não ter ouvido até agora, na pré-campanha eleitoral, uma única palavra sobre a importância estratégica da nossa língua na era da globalização… Importância para nós, portugueses e europeus, mas também para os angolanos, os brasileiros e oos demais lusófonos…
Há dias, na passado dia 3 de Fevereiro, o grande intelectual francês Alain Minc diz ao "Público" em entrevista que merece ser lida, relida e discutida:
"A derradeira forma de identidade num mundo globalizado é a língua - o último território, que já não é geográfico". A língua é uam vantagem comparativa. E dá o exemplod a Espanha:
" (...) A Espanha beneficia de uma dádiva da Providência que se chama Hispanidade. Os espanhóis sabem que, para além do seu papel na Europa, são o centro de uma comunidade de mais de 400 milhões de pessoas que vivem nas Américas e que falam castelhano, entre as quais 50 milhões de cidadãos dos EUA. E que isto é uma oportunidade, uma responsabilidade e um horizonte".
Isso nós não temos, muito menos os italianos ou os franceses. " (...) A Espanha sabe que é uma grande potência mundial. Penso que eles sabem serão a única potência europeia com a qual, em dez ou vinte anos, os EUA terão uma ligação específica. Deixará de ser o Reino Unido. Isso dá-lhes um sentimento de poder e de confiança muito particular".
Não estamos suficientemente atentos ao (nem queremos entender o) que se passa nos EUA do neoconservador Bush: "Hoje, assistimos à emergência das elites asiáticas - os chineses americanos que substituem os WASP ("white anglo-saxon people") e os indianos que substituirão os judeus... Mas, além disso, há a questão hispânica. Haverá 70 a 80 milhões de cidadãos norte-americanos que falarão espanhol e inglês. (...) E isso dá aos espanhóis uma oportunidade extraordinária".
Visto de Paris, Portugal é já ou pode dir a ser a ser "a embaixada do Brasil na Europa"... Nada mau!... Com o Basil temos de certa medida "a mesma oportunidade" que os espanhóis... "O problema é que Portugal parece pequeno no interior do mundo lusófono enquanto a Espanha é rica e grande no interior do mundo hispânico". Mas Alain Minc insiste: assumam esse papel de embaixada do Brasil na Europa, é um papel importante, não p subestimem!
2. Sobre o Portugal de hoje, Alain Minc disse duas coisas deliciosas e elegantes:
A primeira, sobre Santana Lopes e o populismo de direita: "O vosso primeiro-ministro gostaria de ser Berlusconi mas não tem nem os instrumentos, nem o talento, nem o "savoir-faire". Se um Berlusconi bem sucedido é, já de si, perturbador para um velho democrata, um Berlusconi que falha é ainda mais perturbador. Embora tenha a vantagem de ser passageiro".
A segunda, sobre a cíclica crise de confiança ou a depressão nacional que atinge os portugueses: "É comum a um outro país, a Itália, e por razões bastante parecidas. Portugal vive numa espécie de "depressão pós-parto". O esforço que fizeram para estar no "coração" da Europa, para entrar no euro, foi formidável. Semelhante ao que os italianos fizeram. Agora, que "deram à luz", entraram em depressão. Mas quem haveria de pensar há quinze anos que Portugal estaria hoje no primeiro círculo europeu? Vocês nem sequer se dão conta do que conseguiram".
Há dias, na passado dia 3 de Fevereiro, o grande intelectual francês Alain Minc diz ao "Público" em entrevista que merece ser lida, relida e discutida:
"A derradeira forma de identidade num mundo globalizado é a língua - o último território, que já não é geográfico". A língua é uam vantagem comparativa. E dá o exemplod a Espanha:
" (...) A Espanha beneficia de uma dádiva da Providência que se chama Hispanidade. Os espanhóis sabem que, para além do seu papel na Europa, são o centro de uma comunidade de mais de 400 milhões de pessoas que vivem nas Américas e que falam castelhano, entre as quais 50 milhões de cidadãos dos EUA. E que isto é uma oportunidade, uma responsabilidade e um horizonte".
Isso nós não temos, muito menos os italianos ou os franceses. " (...) A Espanha sabe que é uma grande potência mundial. Penso que eles sabem serão a única potência europeia com a qual, em dez ou vinte anos, os EUA terão uma ligação específica. Deixará de ser o Reino Unido. Isso dá-lhes um sentimento de poder e de confiança muito particular".
Não estamos suficientemente atentos ao (nem queremos entender o) que se passa nos EUA do neoconservador Bush: "Hoje, assistimos à emergência das elites asiáticas - os chineses americanos que substituem os WASP ("white anglo-saxon people") e os indianos que substituirão os judeus... Mas, além disso, há a questão hispânica. Haverá 70 a 80 milhões de cidadãos norte-americanos que falarão espanhol e inglês. (...) E isso dá aos espanhóis uma oportunidade extraordinária".
Visto de Paris, Portugal é já ou pode dir a ser a ser "a embaixada do Brasil na Europa"... Nada mau!... Com o Basil temos de certa medida "a mesma oportunidade" que os espanhóis... "O problema é que Portugal parece pequeno no interior do mundo lusófono enquanto a Espanha é rica e grande no interior do mundo hispânico". Mas Alain Minc insiste: assumam esse papel de embaixada do Brasil na Europa, é um papel importante, não p subestimem!
2. Sobre o Portugal de hoje, Alain Minc disse duas coisas deliciosas e elegantes:
A primeira, sobre Santana Lopes e o populismo de direita: "O vosso primeiro-ministro gostaria de ser Berlusconi mas não tem nem os instrumentos, nem o talento, nem o "savoir-faire". Se um Berlusconi bem sucedido é, já de si, perturbador para um velho democrata, um Berlusconi que falha é ainda mais perturbador. Embora tenha a vantagem de ser passageiro".
A segunda, sobre a cíclica crise de confiança ou a depressão nacional que atinge os portugueses: "É comum a um outro país, a Itália, e por razões bastante parecidas. Portugal vive numa espécie de "depressão pós-parto". O esforço que fizeram para estar no "coração" da Europa, para entrar no euro, foi formidável. Semelhante ao que os italianos fizeram. Agora, que "deram à luz", entraram em depressão. Mas quem haveria de pensar há quinze anos que Portugal estaria hoje no primeiro círculo europeu? Vocês nem sequer se dão conta do que conseguiram".
(Ex)citações de cada dia - XVI: O português, estúpido!
1. Contra a depressão nacional que alguns senhores nos querem obrigar a comprar… E contra a nossa (e dos nossos políticos) distracção em relação às mudanças que se estão a operar no tabuleiro do xadrez mundial… É estranho não ter ouvido até agora, na pré-campanha eleitoral, uma única palavra sobre a importância estratégica da nossa língua na era da globalização… Importância para nós, portugueses e europeus, mas também para os angolanos, os brasileiros e oos demais lusófonos…
Há dias, na passado dia 3 de Fevereiro, o grande intelectual francês Alain Minc diz ao "Público" em entrevista que merece ser lida, relida e discutida:
"A derradeira forma de identidade num mundo globalizado é a língua - o último território, que já não é geográfico". A língua é uam vantagem comparativa. E dá o exemplod a Espanha:
" (...) A Espanha beneficia de uma dádiva da Providência que se chama Hispanidade. Os espanhóis sabem que, para além do seu papel na Europa, são o centro de uma comunidade de mais de 400 milhões de pessoas que vivem nas Américas e que falam castelhano, entre as quais 50 milhões de cidadãos dos EUA. E que isto é uma oportunidade, uma responsabilidade e um horizonte".
Isso nós não temos, muito menos os italianos ou os franceses. " (...) A Espanha sabe que é uma grande potência mundial. Penso que eles sabem serão a única potência europeia com a qual, em dez ou vinte anos, os EUA terão uma ligação específica. Deixará de ser o Reino Unido. Isso dá-lhes um sentimento de poder e de confiança muito particular".
Não estamos suficientemente atentos ao (nem queremos entender o) que se passa nos EUA do neoconservador Bush: "Hoje, assistimos à emergência das elites asiáticas - os chineses americanos que substituem os WASP ("white anglo-saxon people") e os indianos que substituirão os judeus... Mas, além disso, há a questão hispânica. Haverá 70 a 80 milhões de cidadãos norte-americanos que falarão espanhol e inglês. (...) E isso dá aos espanhóis uma oportunidade extraordinária".
Visto de Paris, Portugal é já ou pode dir a ser a ser "a embaixada do Brasil na Europa"... Nada mau!... Com o Basil temos de certa medida "a mesma oportunidade" que os espanhóis... "O problema é que Portugal parece pequeno no interior do mundo lusófono enquanto a Espanha é rica e grande no interior do mundo hispânico". Mas Alain Minc insiste: assumam esse papel de embaixada do Brasil na Europa, é um papel importante, não p subestimem!
2. Sobre o Portugal de hoje, Alain Minc disse duas coisas deliciosas e elegantes:
A primeira, sobre Santana Lopes e o populismo de direita: "O vosso primeiro-ministro gostaria de ser Berlusconi mas não tem nem os instrumentos, nem o talento, nem o "savoir-faire". Se um Berlusconi bem sucedido é, já de si, perturbador para um velho democrata, um Berlusconi que falha é ainda mais perturbador. Embora tenha a vantagem de ser passageiro".
A segunda, sobre a cíclica crise de confiança ou a depressão nacional que atinge os portugueses: "É comum a um outro país, a Itália, e por razões bastante parecidas. Portugal vive numa espécie de "depressão pós-parto". O esforço que fizeram para estar no "coração" da Europa, para entrar no euro, foi formidável. Semelhante ao que os italianos fizeram. Agora, que "deram à luz", entraram em depressão. Mas quem haveria de pensar há quinze anos que Portugal estaria hoje no primeiro círculo europeu? Vocês nem sequer se dão conta do que conseguiram".
Há dias, na passado dia 3 de Fevereiro, o grande intelectual francês Alain Minc diz ao "Público" em entrevista que merece ser lida, relida e discutida:
"A derradeira forma de identidade num mundo globalizado é a língua - o último território, que já não é geográfico". A língua é uam vantagem comparativa. E dá o exemplod a Espanha:
" (...) A Espanha beneficia de uma dádiva da Providência que se chama Hispanidade. Os espanhóis sabem que, para além do seu papel na Europa, são o centro de uma comunidade de mais de 400 milhões de pessoas que vivem nas Américas e que falam castelhano, entre as quais 50 milhões de cidadãos dos EUA. E que isto é uma oportunidade, uma responsabilidade e um horizonte".
Isso nós não temos, muito menos os italianos ou os franceses. " (...) A Espanha sabe que é uma grande potência mundial. Penso que eles sabem serão a única potência europeia com a qual, em dez ou vinte anos, os EUA terão uma ligação específica. Deixará de ser o Reino Unido. Isso dá-lhes um sentimento de poder e de confiança muito particular".
Não estamos suficientemente atentos ao (nem queremos entender o) que se passa nos EUA do neoconservador Bush: "Hoje, assistimos à emergência das elites asiáticas - os chineses americanos que substituem os WASP ("white anglo-saxon people") e os indianos que substituirão os judeus... Mas, além disso, há a questão hispânica. Haverá 70 a 80 milhões de cidadãos norte-americanos que falarão espanhol e inglês. (...) E isso dá aos espanhóis uma oportunidade extraordinária".
Visto de Paris, Portugal é já ou pode dir a ser a ser "a embaixada do Brasil na Europa"... Nada mau!... Com o Basil temos de certa medida "a mesma oportunidade" que os espanhóis... "O problema é que Portugal parece pequeno no interior do mundo lusófono enquanto a Espanha é rica e grande no interior do mundo hispânico". Mas Alain Minc insiste: assumam esse papel de embaixada do Brasil na Europa, é um papel importante, não p subestimem!
2. Sobre o Portugal de hoje, Alain Minc disse duas coisas deliciosas e elegantes:
A primeira, sobre Santana Lopes e o populismo de direita: "O vosso primeiro-ministro gostaria de ser Berlusconi mas não tem nem os instrumentos, nem o talento, nem o "savoir-faire". Se um Berlusconi bem sucedido é, já de si, perturbador para um velho democrata, um Berlusconi que falha é ainda mais perturbador. Embora tenha a vantagem de ser passageiro".
A segunda, sobre a cíclica crise de confiança ou a depressão nacional que atinge os portugueses: "É comum a um outro país, a Itália, e por razões bastante parecidas. Portugal vive numa espécie de "depressão pós-parto". O esforço que fizeram para estar no "coração" da Europa, para entrar no euro, foi formidável. Semelhante ao que os italianos fizeram. Agora, que "deram à luz", entraram em depressão. Mas quem haveria de pensar há quinze anos que Portugal estaria hoje no primeiro círculo europeu? Vocês nem sequer se dão conta do que conseguiram".
03 fevereiro 2005
Portugas que merecem os nossos assobios - VI: O Estado de Portas & Félix
1. Recebi, há dias, com data de Dezembro de 2004, um ofício, em papel timbrado de um obscuro Departamento de Apoio aos Antigos Combatentes, Apartado 24 048, 1250-997 Lisboa, assinado pelo Ministro de Estado e da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Paulo Portas, e pelo Ministro das Finanças e da Administração Pública, António Bagão Félix. Passo a transcrever, na totalidade, o seu conteúdo, com comentários meus dentro de parêntesis rectos, e mantendo os negritos do original:
"Dezembro de 2004. Caro Antigo Combatente [que sou eu, membro da Companhia de Caçadores Africanos CCAÇ 12, em serviço na Guiné entre meados de 1969 e o 1º trimestre de 1971]:
"Está concluído o processo respeitante ao requerimento apresentado por V. Exª ao abrigo da Lei 9/2002, de 11 de Fevereiro [ Regime jurídico dos períodos de prestação de serviço militar de ex-combatentes, para efeitos de aposentação e reforma ].
"Este é o primeiro grande esforço do Estado para reconhecer os mais de 400.000 Antigos Combatentes que serviram a Pátria em condições especiais de dificuldade ou perigo.
"É com satisfação [sic] que informo [eu, quem ? O Estado ? O Estado representado por Portas & Félix ? O Ministro Portas ou o Ministro Félix ?] que lhe foi reconhecido, para efeitos de aposentação, o tempo de serviço militar prestado, incluindo o tempo de bonificação, que totaliza 4 anos e 6 meses. Este dado foi já transmitido à Caixa Geral de Aposentações.
"Saiba ainda que, quando se aposentar, tem direito a que lhe seja atribuído, todo os os anos:
" - O Complemento Especial de Pensão, calculado de acordo com a contagem do tempo de bonificação do serviço militar prestado. Este Complemento é transmissível integralmente ao cônjuge sobrevivo, pensionista de sobrevivência;
" - No caso de ter efectuado o pagamenmto de quotizações referente ao tempo de bonificação, receberá, também, um Acréscimo Vitalício de Pensão".
Assinaturas:
Ministro de Estado e da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Paulo Portas;
Ministro das Finanças e da Administração Pública, António Bagão Félix.
2. O ofício chegou-me, pelo correio, em vulgar envelope, não timbrado, com taxa paga, e com duas janelas, uma para o remetente (O supracitado Departmento, com o brazão nacional da República Portuguesa) e outra para o destinatário (O meu nome estava correcto, mas a morada apresentava erros, incluindo o código postal).
Fiquei logo com dúvidas sobre a autenticidade do documento. Não fazia a mínima ideia da existência deste Departamento e da respectiva tutela: Ministério da Defesa Nacional ? Ministério das Finanças ? O ofício nada me esclarecia. A única referência era o modelo de impresso que também não me foi de qualquer utilidade.
Acabei por ir à Net e e descobrir, no sítio do Ministério da Defesa Nacional, uma página dedicada ao momentoso problema dos "antigos combatentes".
Em resumo, este Departamento pertence à Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar do Ministério da Defesa Nacional, sita na Av. Ilha da Madeira nº 1, 1400-204 Lisboa.
Por outro lado, também não consegui associar, de imediato, os dois ministérios (não os dois ministros, que esses são publicamente reconhecidos como representando, neste Governo dito de gestão, um determinado partido político).
Recordo-me, isso sim, de ter entregue um requerimento, no último trimestre de 2002, na dita Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar, no Restelo, depois de estar numa enorme bicha que dava à volta à parada. Mas nunca mais pensei no assunto. Nem muito menos estava à espera desta resposta, quiçá tardia (dois anos!) mas sobretudo personalizada.
Devo confessar que, num lapso de segundo, me senti lisonjeado por, tendo sido objectivamente um servidor da Pátria em guerra (apesar da minha contestação da e resistência à dita guerra), ter tido uma espécie de tratamento VIP ou, pelo menos, a honra de receber um ofício com a assinatura de dois altos representantes do Estado Português.
Três micro-segundos depois comecei a ter dúvidas e a juntar as pontas: eu e mais 400 mil antigos camaradas de armas da "guerra do ultramar" estavam a receber um ofício, pelo correio, para nos informar (ou simplesmente reiterar) que o Estado é uma pessoa de bem, de bom nome, de boa fé e de boas contas, o mesmo é dizer que estava a cumprir a lei (o diposto na tal Lei nº 9/2002).
Admitindo que este singelo acto (praticado pelo dito Departamento, sito no Apartado não-sei-quantos) custa ao contribuinte 1 euro, o erário público gastou ou vai gastar, no mínimo, 400 mil euros com esta operação de... serviço público.
Operação de serviço público ? Ou antes de charme ? E por que não de propaganda eleitoral ? Pergunto, questiono, insinuo, mas não respondo de maneira assertiva... Levanto a questão só por que me pareceram desproporcionados os meios utilizados para me dizerem que eu, ex-combatente, tenho direito a um contagem adicional de tempo, de 4 anos e meio, para efeitos de aposentação, sendo eu subscritor da Caixa Geral de Aposentações.
Convenhamos que não é habitual o Estado responder, desta forma tão massiva e onerosa mas ao mesmo tempo tão efusiva e personalizada, aos requerimentos dos seus súbditos ou cidadãos. Direi mais, ideológica. Veja-se que a fraseologia é portiana: "Este é o primeiro grande esforço do Estado para reconhecer os mais de 400.000 Antigos Combatentes que serviram a Pátria (sic) em condições especiais de dificuldade ou perigo"...
Calma aí, senhor ministro: a tutela (a actual e as anteriores) das forças armadas não tem legitimidade, nem histórica nem democrática, para falar em nome dos tais 400 mil combatentes do ultramar... A minha Pátria de hoje não era mesma de 1969/71, ou melhor, não tinham qualquer legimitidade democrática os senhores da elite dirigente que falavam "em nome da Pátria" e "a bem da Nação" e me pediram, a mim e à minha geração, para morrer e para matar na Índia, na Guiné, em Angola ou em Moçambique...
É bom não esquecer que o supracitado diploma legal é da Assembleia da República, aprovado pelo respectivo presidente, António de Almeida Santos em 20/12/2001, promulgado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, em 25/01/2002, e referendado pelo Primeiro Ministro, António Guterres, em 31/01/2002. Se a memória me não falha, na sua origem está uma proposta de lei que foi, em devido tempo, apresentada pela bancada parlamentar de que Paulo Portas era o líder. Mas a partir do momento que a Lei entrou em vigor, deixou de ter "cor partidária", é apenas uma lei da República Portuguesa. O pale do Governo é pô-la em execução.
Não ponho em causa a legitimidade e a autenticidade dos proponentes deste projecto. E faço votos para que a condição socioeconómica de alguns dos meus antigos camaradas de armas, e sobretudo dos que passam hoje por maiores dificuldades, possa melhorar um pouco, na sequência da aplicação desta lei... Se o Estado quer "fazer justiça" aos seus "antigos combatentes", que o faça e que o faça com equidade...
Só estranho é que, na véspera de novas eleições para a Assembleia da República, dois ministros do mesmo partido, venham agora tentar "cobrar dividendos" aos beneficiários de uma lei da República... Voltámos ao tempo do "A bem da Nação" ou até de "L'État c'est Moi" ?
Se assim é, então este Estado, o do Paulo & Félix, não é seguramente o meu, aquele que eu gostaria (e me orgulharia) de ter ao serviço da minha Pátria, o Estado de todos os portugueses e de todas as portuguesas.
Se assim não é, a mim pareceu-me...
"Dezembro de 2004. Caro Antigo Combatente [que sou eu, membro da Companhia de Caçadores Africanos CCAÇ 12, em serviço na Guiné entre meados de 1969 e o 1º trimestre de 1971]:
"Está concluído o processo respeitante ao requerimento apresentado por V. Exª ao abrigo da Lei 9/2002, de 11 de Fevereiro [ Regime jurídico dos períodos de prestação de serviço militar de ex-combatentes, para efeitos de aposentação e reforma ].
"Este é o primeiro grande esforço do Estado para reconhecer os mais de 400.000 Antigos Combatentes que serviram a Pátria em condições especiais de dificuldade ou perigo.
"É com satisfação [sic] que informo [eu, quem ? O Estado ? O Estado representado por Portas & Félix ? O Ministro Portas ou o Ministro Félix ?] que lhe foi reconhecido, para efeitos de aposentação, o tempo de serviço militar prestado, incluindo o tempo de bonificação, que totaliza 4 anos e 6 meses. Este dado foi já transmitido à Caixa Geral de Aposentações.
"Saiba ainda que, quando se aposentar, tem direito a que lhe seja atribuído, todo os os anos:
" - O Complemento Especial de Pensão, calculado de acordo com a contagem do tempo de bonificação do serviço militar prestado. Este Complemento é transmissível integralmente ao cônjuge sobrevivo, pensionista de sobrevivência;
" - No caso de ter efectuado o pagamenmto de quotizações referente ao tempo de bonificação, receberá, também, um Acréscimo Vitalício de Pensão".
Assinaturas:
Ministro de Estado e da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Paulo Portas;
Ministro das Finanças e da Administração Pública, António Bagão Félix.
2. O ofício chegou-me, pelo correio, em vulgar envelope, não timbrado, com taxa paga, e com duas janelas, uma para o remetente (O supracitado Departmento, com o brazão nacional da República Portuguesa) e outra para o destinatário (O meu nome estava correcto, mas a morada apresentava erros, incluindo o código postal).
Fiquei logo com dúvidas sobre a autenticidade do documento. Não fazia a mínima ideia da existência deste Departamento e da respectiva tutela: Ministério da Defesa Nacional ? Ministério das Finanças ? O ofício nada me esclarecia. A única referência era o modelo de impresso que também não me foi de qualquer utilidade.
Acabei por ir à Net e e descobrir, no sítio do Ministério da Defesa Nacional, uma página dedicada ao momentoso problema dos "antigos combatentes".
Em resumo, este Departamento pertence à Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar do Ministério da Defesa Nacional, sita na Av. Ilha da Madeira nº 1, 1400-204 Lisboa.
Por outro lado, também não consegui associar, de imediato, os dois ministérios (não os dois ministros, que esses são publicamente reconhecidos como representando, neste Governo dito de gestão, um determinado partido político).
Recordo-me, isso sim, de ter entregue um requerimento, no último trimestre de 2002, na dita Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar, no Restelo, depois de estar numa enorme bicha que dava à volta à parada. Mas nunca mais pensei no assunto. Nem muito menos estava à espera desta resposta, quiçá tardia (dois anos!) mas sobretudo personalizada.
Devo confessar que, num lapso de segundo, me senti lisonjeado por, tendo sido objectivamente um servidor da Pátria em guerra (apesar da minha contestação da e resistência à dita guerra), ter tido uma espécie de tratamento VIP ou, pelo menos, a honra de receber um ofício com a assinatura de dois altos representantes do Estado Português.
Três micro-segundos depois comecei a ter dúvidas e a juntar as pontas: eu e mais 400 mil antigos camaradas de armas da "guerra do ultramar" estavam a receber um ofício, pelo correio, para nos informar (ou simplesmente reiterar) que o Estado é uma pessoa de bem, de bom nome, de boa fé e de boas contas, o mesmo é dizer que estava a cumprir a lei (o diposto na tal Lei nº 9/2002).
Admitindo que este singelo acto (praticado pelo dito Departamento, sito no Apartado não-sei-quantos) custa ao contribuinte 1 euro, o erário público gastou ou vai gastar, no mínimo, 400 mil euros com esta operação de... serviço público.
Operação de serviço público ? Ou antes de charme ? E por que não de propaganda eleitoral ? Pergunto, questiono, insinuo, mas não respondo de maneira assertiva... Levanto a questão só por que me pareceram desproporcionados os meios utilizados para me dizerem que eu, ex-combatente, tenho direito a um contagem adicional de tempo, de 4 anos e meio, para efeitos de aposentação, sendo eu subscritor da Caixa Geral de Aposentações.
Convenhamos que não é habitual o Estado responder, desta forma tão massiva e onerosa mas ao mesmo tempo tão efusiva e personalizada, aos requerimentos dos seus súbditos ou cidadãos. Direi mais, ideológica. Veja-se que a fraseologia é portiana: "Este é o primeiro grande esforço do Estado para reconhecer os mais de 400.000 Antigos Combatentes que serviram a Pátria (sic) em condições especiais de dificuldade ou perigo"...
Calma aí, senhor ministro: a tutela (a actual e as anteriores) das forças armadas não tem legitimidade, nem histórica nem democrática, para falar em nome dos tais 400 mil combatentes do ultramar... A minha Pátria de hoje não era mesma de 1969/71, ou melhor, não tinham qualquer legimitidade democrática os senhores da elite dirigente que falavam "em nome da Pátria" e "a bem da Nação" e me pediram, a mim e à minha geração, para morrer e para matar na Índia, na Guiné, em Angola ou em Moçambique...
É bom não esquecer que o supracitado diploma legal é da Assembleia da República, aprovado pelo respectivo presidente, António de Almeida Santos em 20/12/2001, promulgado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, em 25/01/2002, e referendado pelo Primeiro Ministro, António Guterres, em 31/01/2002. Se a memória me não falha, na sua origem está uma proposta de lei que foi, em devido tempo, apresentada pela bancada parlamentar de que Paulo Portas era o líder. Mas a partir do momento que a Lei entrou em vigor, deixou de ter "cor partidária", é apenas uma lei da República Portuguesa. O pale do Governo é pô-la em execução.
Não ponho em causa a legitimidade e a autenticidade dos proponentes deste projecto. E faço votos para que a condição socioeconómica de alguns dos meus antigos camaradas de armas, e sobretudo dos que passam hoje por maiores dificuldades, possa melhorar um pouco, na sequência da aplicação desta lei... Se o Estado quer "fazer justiça" aos seus "antigos combatentes", que o faça e que o faça com equidade...
Só estranho é que, na véspera de novas eleições para a Assembleia da República, dois ministros do mesmo partido, venham agora tentar "cobrar dividendos" aos beneficiários de uma lei da República... Voltámos ao tempo do "A bem da Nação" ou até de "L'État c'est Moi" ?
Se assim é, então este Estado, o do Paulo & Félix, não é seguramente o meu, aquele que eu gostaria (e me orgulharia) de ter ao serviço da minha Pátria, o Estado de todos os portugueses e de todas as portuguesas.
Se assim não é, a mim pareceu-me...
Portugas que merecem os nossos assobios - VI: O Estado de Portas & Félix
1. Recebi, há dias, com data de Dezembro de 2004, um ofício, em papel timbrado de um obscuro Departamento de Apoio aos Antigos Combatentes, Apartado 24 048, 1250-997 Lisboa, assinado pelo Ministro de Estado e da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Paulo Portas, e pelo Ministro das Finanças e da Administração Pública, António Bagão Félix. Passo a transcrever, na totalidade, o seu conteúdo, com comentários meus dentro de parêntesis rectos, e mantendo os negritos do original:
"Dezembro de 2004. Caro Antigo Combatente [que sou eu, membro da Companhia de Caçadores Africanos CCAÇ 12, em serviço na Guiné entre meados de 1969 e o 1º trimestre de 1971]:
"Está concluído o processo respeitante ao requerimento apresentado por V. Exª ao abrigo da Lei 9/2002, de 11 de Fevereiro [ Regime jurídico dos períodos de prestação de serviço militar de ex-combatentes, para efeitos de aposentação e reforma ].
"Este é o primeiro grande esforço do Estado para reconhecer os mais de 400.000 Antigos Combatentes que serviram a Pátria em condições especiais de dificuldade ou perigo.
"É com satisfação [sic] que informo [eu, quem ? O Estado ? O Estado representado por Portas & Félix ? O Ministro Portas ou o Ministro Félix ?] que lhe foi reconhecido, para efeitos de aposentação, o tempo de serviço militar prestado, incluindo o tempo de bonificação, que totaliza 4 anos e 6 meses. Este dado foi já transmitido à Caixa Geral de Aposentações.
"Saiba ainda que, quando se aposentar, tem direito a que lhe seja atribuído, todo os os anos:
" - O Complemento Especial de Pensão, calculado de acordo com a contagem do tempo de bonificação do serviço militar prestado. Este Complemento é transmissível integralmente ao cônjuge sobrevivo, pensionista de sobrevivência;
" - No caso de ter efectuado o pagamenmto de quotizações referente ao tempo de bonificação, receberá, também, um Acréscimo Vitalício de Pensão".
Assinaturas:
Ministro de Estado e da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Paulo Portas;
Ministro das Finanças e da Administração Pública, António Bagão Félix.
2. O ofício chegou-me, pelo correio, em vulgar envelope, não timbrado, com taxa paga, e com duas janelas, uma para o remetente (O supracitado Departmento, com o brazão nacional da República Portuguesa) e outra para o destinatário (O meu nome estava correcto, mas a morada apresentava erros, incluindo o código postal).
Fiquei logo com dúvidas sobre a autenticidade do documento. Não fazia a mínima ideia da existência deste Departamento e da respectiva tutela: Ministério da Defesa Nacional ? Ministério das Finanças ? O ofício nada me esclarecia. A única referência era o modelo de impresso que também não me foi de qualquer utilidade.
Acabei por ir à Net e e descobrir, no sítio do Ministério da Defesa Nacional, uma página dedicada ao momentoso problema dos "antigos combatentes".
Em resumo, este Departamento pertence à Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar do Ministério da Defesa Nacional, sita na Av. Ilha da Madeira nº 1, 1400-204 Lisboa.
Por outro lado, também não consegui associar, de imediato, os dois ministérios (não os dois ministros, que esses são publicamente reconhecidos como representando, neste Governo dito de gestão, um determinado partido político).
Recordo-me, isso sim, de ter entregue um requerimento, no último trimestre de 2002, na dita Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar, no Restelo, depois de estar numa enorme bicha que dava à volta à parada. Mas nunca mais pensei no assunto. Nem muito menos estava à espera desta resposta, quiçá tardia (dois anos!) mas sobretudo personalizada.
Devo confessar que, num lapso de segundo, me senti lisonjeado por, tendo sido objectivamente um servidor da Pátria em guerra (apesar da minha contestação da e resistência à dita guerra), ter tido uma espécie de tratamento VIP ou, pelo menos, a honra de receber um ofício com a assinatura de dois altos representantes do Estado Português.
Três micro-segundos depois comecei a ter dúvidas e a juntar as pontas: eu e mais 400 mil antigos camaradas de armas da "guerra do ultramar" estavam a receber um ofício, pelo correio, para nos informar (ou simplesmente reiterar) que o Estado é uma pessoa de bem, de bom nome, de boa fé e de boas contas, o mesmo é dizer que estava a cumprir a lei (o diposto na tal Lei nº 9/2002).
Admitindo que este singelo acto (praticado pelo dito Departamento, sito no Apartado não-sei-quantos) custa ao contribuinte 1 euro, o erário público gastou ou vai gastar, no mínimo, 400 mil euros com esta operação de... serviço público.
Operação de serviço público ? Ou antes de charme ? E por que não de propaganda eleitoral ? Pergunto, questiono, insinuo, mas não respondo de maneira assertiva... Levanto a questão só por que me pareceram desproporcionados os meios utilizados para me dizerem que eu, ex-combatente, tenho direito a um contagem adicional de tempo, de 4 anos e meio, para efeitos de aposentação, sendo eu subscritor da Caixa Geral de Aposentações.
Convenhamos que não é habitual o Estado responder, desta forma tão massiva e onerosa mas ao mesmo tempo tão efusiva e personalizada, aos requerimentos dos seus súbditos ou cidadãos. Direi mais, ideológica. Veja-se que a fraseologia é portiana: "Este é o primeiro grande esforço do Estado para reconhecer os mais de 400.000 Antigos Combatentes que serviram a Pátria (sic) em condições especiais de dificuldade ou perigo"...
Calma aí, senhor ministro: a tutela (a actual e as anteriores) das forças armadas não tem legitimidade, nem histórica nem democrática, para falar em nome dos tais 400 mil combatentes do ultramar... A minha Pátria de hoje não era mesma de 1969/71, ou melhor, não tinham qualquer legimitidade democrática os senhores da elite dirigente que falavam "em nome da Pátria" e "a bem da Nação" e me pediram, a mim e à minha geração, para morrer e para matar na Índia, na Guiné, em Angola ou em Moçambique...
É bom não esquecer que o supracitado diploma legal é da Assembleia da República, aprovado pelo respectivo presidente, António de Almeida Santos em 20/12/2001, promulgado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, em 25/01/2002, e referendado pelo Primeiro Ministro, António Guterres, em 31/01/2002. Se a memória me não falha, na sua origem está uma proposta de lei que foi, em devido tempo, apresentada pela bancada parlamentar de que Paulo Portas era o líder. Mas a partir do momento que a Lei entrou em vigor, deixou de ter "cor partidária", é apenas uma lei da República Portuguesa. O pale do Governo é pô-la em execução.
Não ponho em causa a legitimidade e a autenticidade dos proponentes deste projecto. E faço votos para que a condição socioeconómica de alguns dos meus antigos camaradas de armas, e sobretudo dos que passam hoje por maiores dificuldades, possa melhorar um pouco, na sequência da aplicação desta lei... Se o Estado quer "fazer justiça" aos seus "antigos combatentes", que o faça e que o faça com equidade...
Só estranho é que, na véspera de novas eleições para a Assembleia da República, dois ministros do mesmo partido, venham agora tentar "cobrar dividendos" aos beneficiários de uma lei da República... Voltámos ao tempo do "A bem da Nação" ou até de "L'État c'est Moi" ?
Se assim é, então este Estado, o do Paulo & Félix, não é seguramente o meu, aquele que eu gostaria (e me orgulharia) de ter ao serviço da minha Pátria, o Estado de todos os portugueses e de todas as portuguesas.
Se assim não é, a mim pareceu-me...
"Dezembro de 2004. Caro Antigo Combatente [que sou eu, membro da Companhia de Caçadores Africanos CCAÇ 12, em serviço na Guiné entre meados de 1969 e o 1º trimestre de 1971]:
"Está concluído o processo respeitante ao requerimento apresentado por V. Exª ao abrigo da Lei 9/2002, de 11 de Fevereiro [ Regime jurídico dos períodos de prestação de serviço militar de ex-combatentes, para efeitos de aposentação e reforma ].
"Este é o primeiro grande esforço do Estado para reconhecer os mais de 400.000 Antigos Combatentes que serviram a Pátria em condições especiais de dificuldade ou perigo.
"É com satisfação [sic] que informo [eu, quem ? O Estado ? O Estado representado por Portas & Félix ? O Ministro Portas ou o Ministro Félix ?] que lhe foi reconhecido, para efeitos de aposentação, o tempo de serviço militar prestado, incluindo o tempo de bonificação, que totaliza 4 anos e 6 meses. Este dado foi já transmitido à Caixa Geral de Aposentações.
"Saiba ainda que, quando se aposentar, tem direito a que lhe seja atribuído, todo os os anos:
" - O Complemento Especial de Pensão, calculado de acordo com a contagem do tempo de bonificação do serviço militar prestado. Este Complemento é transmissível integralmente ao cônjuge sobrevivo, pensionista de sobrevivência;
" - No caso de ter efectuado o pagamenmto de quotizações referente ao tempo de bonificação, receberá, também, um Acréscimo Vitalício de Pensão".
Assinaturas:
Ministro de Estado e da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Paulo Portas;
Ministro das Finanças e da Administração Pública, António Bagão Félix.
2. O ofício chegou-me, pelo correio, em vulgar envelope, não timbrado, com taxa paga, e com duas janelas, uma para o remetente (O supracitado Departmento, com o brazão nacional da República Portuguesa) e outra para o destinatário (O meu nome estava correcto, mas a morada apresentava erros, incluindo o código postal).
Fiquei logo com dúvidas sobre a autenticidade do documento. Não fazia a mínima ideia da existência deste Departamento e da respectiva tutela: Ministério da Defesa Nacional ? Ministério das Finanças ? O ofício nada me esclarecia. A única referência era o modelo de impresso que também não me foi de qualquer utilidade.
Acabei por ir à Net e e descobrir, no sítio do Ministério da Defesa Nacional, uma página dedicada ao momentoso problema dos "antigos combatentes".
Em resumo, este Departamento pertence à Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar do Ministério da Defesa Nacional, sita na Av. Ilha da Madeira nº 1, 1400-204 Lisboa.
Por outro lado, também não consegui associar, de imediato, os dois ministérios (não os dois ministros, que esses são publicamente reconhecidos como representando, neste Governo dito de gestão, um determinado partido político).
Recordo-me, isso sim, de ter entregue um requerimento, no último trimestre de 2002, na dita Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar, no Restelo, depois de estar numa enorme bicha que dava à volta à parada. Mas nunca mais pensei no assunto. Nem muito menos estava à espera desta resposta, quiçá tardia (dois anos!) mas sobretudo personalizada.
Devo confessar que, num lapso de segundo, me senti lisonjeado por, tendo sido objectivamente um servidor da Pátria em guerra (apesar da minha contestação da e resistência à dita guerra), ter tido uma espécie de tratamento VIP ou, pelo menos, a honra de receber um ofício com a assinatura de dois altos representantes do Estado Português.
Três micro-segundos depois comecei a ter dúvidas e a juntar as pontas: eu e mais 400 mil antigos camaradas de armas da "guerra do ultramar" estavam a receber um ofício, pelo correio, para nos informar (ou simplesmente reiterar) que o Estado é uma pessoa de bem, de bom nome, de boa fé e de boas contas, o mesmo é dizer que estava a cumprir a lei (o diposto na tal Lei nº 9/2002).
Admitindo que este singelo acto (praticado pelo dito Departamento, sito no Apartado não-sei-quantos) custa ao contribuinte 1 euro, o erário público gastou ou vai gastar, no mínimo, 400 mil euros com esta operação de... serviço público.
Operação de serviço público ? Ou antes de charme ? E por que não de propaganda eleitoral ? Pergunto, questiono, insinuo, mas não respondo de maneira assertiva... Levanto a questão só por que me pareceram desproporcionados os meios utilizados para me dizerem que eu, ex-combatente, tenho direito a um contagem adicional de tempo, de 4 anos e meio, para efeitos de aposentação, sendo eu subscritor da Caixa Geral de Aposentações.
Convenhamos que não é habitual o Estado responder, desta forma tão massiva e onerosa mas ao mesmo tempo tão efusiva e personalizada, aos requerimentos dos seus súbditos ou cidadãos. Direi mais, ideológica. Veja-se que a fraseologia é portiana: "Este é o primeiro grande esforço do Estado para reconhecer os mais de 400.000 Antigos Combatentes que serviram a Pátria (sic) em condições especiais de dificuldade ou perigo"...
Calma aí, senhor ministro: a tutela (a actual e as anteriores) das forças armadas não tem legitimidade, nem histórica nem democrática, para falar em nome dos tais 400 mil combatentes do ultramar... A minha Pátria de hoje não era mesma de 1969/71, ou melhor, não tinham qualquer legimitidade democrática os senhores da elite dirigente que falavam "em nome da Pátria" e "a bem da Nação" e me pediram, a mim e à minha geração, para morrer e para matar na Índia, na Guiné, em Angola ou em Moçambique...
É bom não esquecer que o supracitado diploma legal é da Assembleia da República, aprovado pelo respectivo presidente, António de Almeida Santos em 20/12/2001, promulgado pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, em 25/01/2002, e referendado pelo Primeiro Ministro, António Guterres, em 31/01/2002. Se a memória me não falha, na sua origem está uma proposta de lei que foi, em devido tempo, apresentada pela bancada parlamentar de que Paulo Portas era o líder. Mas a partir do momento que a Lei entrou em vigor, deixou de ter "cor partidária", é apenas uma lei da República Portuguesa. O pale do Governo é pô-la em execução.
Não ponho em causa a legitimidade e a autenticidade dos proponentes deste projecto. E faço votos para que a condição socioeconómica de alguns dos meus antigos camaradas de armas, e sobretudo dos que passam hoje por maiores dificuldades, possa melhorar um pouco, na sequência da aplicação desta lei... Se o Estado quer "fazer justiça" aos seus "antigos combatentes", que o faça e que o faça com equidade...
Só estranho é que, na véspera de novas eleições para a Assembleia da República, dois ministros do mesmo partido, venham agora tentar "cobrar dividendos" aos beneficiários de uma lei da República... Voltámos ao tempo do "A bem da Nação" ou até de "L'État c'est Moi" ?
Se assim é, então este Estado, o do Paulo & Félix, não é seguramente o meu, aquele que eu gostaria (e me orgulharia) de ter ao serviço da minha Pátria, o Estado de todos os portugueses e de todas as portuguesas.
Se assim não é, a mim pareceu-me...
28 janeiro 2005
Blogarias V - Em Dezembro
Do meu baú das velharias:
em dezembro
não fazia frio
em dezembro
não fazia ainda neve
em dezembro era natal
e comiam-se rabanadas
em janeiro
cantavam-se as janeiras
e bebia-se o vinho novo
em dezembro
ainda não havia neve
pra cozer as pencas pró natal
não havia neve
à porta dos camponeses pobres do norte
nem as peugadas dos pés descalços
das criancinhas do augusto gil
batem leve levemente
como quem chama por mim...
ah onde está o tipicismo da miséria rural
que os escritores burgueses descobriram antes de nós
o camilo o eça o ramalho o aquilino
em dezembro
o pai natal já não descia pelo fumeiro
por entre os salpicões e os presuntos
vinha de peugeot pelas estradas de frança
e trazia tiparrillos pra malta fumar
à lareira
em dezembro
a maria do norte cortava erva pró gado
e cantava a plenos pulmões
uma canção do sul
candoz. natal de 1976
em dezembro
não fazia frio
em dezembro
não fazia ainda neve
em dezembro era natal
e comiam-se rabanadas
em janeiro
cantavam-se as janeiras
e bebia-se o vinho novo
em dezembro
ainda não havia neve
pra cozer as pencas pró natal
não havia neve
à porta dos camponeses pobres do norte
nem as peugadas dos pés descalços
das criancinhas do augusto gil
batem leve levemente
como quem chama por mim...
ah onde está o tipicismo da miséria rural
que os escritores burgueses descobriram antes de nós
o camilo o eça o ramalho o aquilino
em dezembro
o pai natal já não descia pelo fumeiro
por entre os salpicões e os presuntos
vinha de peugeot pelas estradas de frança
e trazia tiparrillos pra malta fumar
à lareira
em dezembro
a maria do norte cortava erva pró gado
e cantava a plenos pulmões
uma canção do sul
candoz. natal de 1976
Blogarias V - Em Dezembro
Do meu baú das velharias:
em dezembro
não fazia frio
em dezembro
não fazia ainda neve
em dezembro era natal
e comiam-se rabanadas
em janeiro
cantavam-se as janeiras
e bebia-se o vinho novo
em dezembro
ainda não havia neve
pra cozer as pencas pró natal
não havia neve
à porta dos camponeses pobres do norte
nem as peugadas dos pés descalços
das criancinhas do augusto gil
batem leve levemente
como quem chama por mim...
ah onde está o tipicismo da miséria rural
que os escritores burgueses descobriram antes de nós
o camilo o eça o ramalho o aquilino
em dezembro
o pai natal já não descia pelo fumeiro
por entre os salpicões e os presuntos
vinha de peugeot pelas estradas de frança
e trazia tiparrillos pra malta fumar
à lareira
em dezembro
a maria do norte cortava erva pró gado
e cantava a plenos pulmões
uma canção do sul
candoz. natal de 1976
em dezembro
não fazia frio
em dezembro
não fazia ainda neve
em dezembro era natal
e comiam-se rabanadas
em janeiro
cantavam-se as janeiras
e bebia-se o vinho novo
em dezembro
ainda não havia neve
pra cozer as pencas pró natal
não havia neve
à porta dos camponeses pobres do norte
nem as peugadas dos pés descalços
das criancinhas do augusto gil
batem leve levemente
como quem chama por mim...
ah onde está o tipicismo da miséria rural
que os escritores burgueses descobriram antes de nós
o camilo o eça o ramalho o aquilino
em dezembro
o pai natal já não descia pelo fumeiro
por entre os salpicões e os presuntos
vinha de peugeot pelas estradas de frança
e trazia tiparrillos pra malta fumar
à lareira
em dezembro
a maria do norte cortava erva pró gado
e cantava a plenos pulmões
uma canção do sul
candoz. natal de 1976
25 janeiro 2005
Portugal sacro-profano - XXII: O internacionalismo português
O mais internacionalista dos povos é, sem dúvida, o português. Se não vejamos esta lista com 20 argumentos a favor da tese do internacionalismo:
1. Quando um portuga apanha com um grande problema pela frente, diz logo que se vê grego para dar conta do recado.
2. Se a coisa é mesmo complicada de perceber, ele afirma que isso, para ele, é chinês, ao ponto de ficar com os olhos em bico.
3. Em Portugal quem trabalha no duro, de manhã à noite, é um mouro de trabalho. Mas também já foi um galego. Agora diz-se que é um ucraniano.
4. Pelo contrário, o portuga que não gosta de trabalhar, alega que o trabalho é bom para o preto.
5. Invenções, modernices, merdas que não interessam a ninguém como a ciência & a tecnologia, são chamadas de americanices.
6. Se um portuga é gabarolas, se gosta de armar ao pingarelho, é logo apelidado de amigo de espanholadas; se estudou numa universdiade estrangeira, é logo apelidado de estrangeirado.
7. Se ele faz um esforço de comunicação com os seus amigos e vizinhos espanhóis, riem-se do tipo por que não fala o espanhol de Cervantes mas sim um mísero portunhol (que é um novo dialecto ibérico).
8. Em Portugal uma pessoa também não pode viver com um mínimo de luxo, conforto e ostentação (Champagne, jaquinzinhos, Mercedes em 2ª mão, barraca no Algarve com piscina desmontável, férias na neve em Sierra Nevada...), sem que os invejosos dos vizinhos venham dizer que vive à grande e à francesa.
9. Se o gajo tem um pé de meia, é por que é agarrado ao dinheiro, logo tem uma costela de judeu.
10. Pelo contrário, se ele te faz uma sacanice ou te apunhala pelas costas, logo dirás que é um italiano mafioso.
11. Se faz algo para causar boa impressão aos outros, acusam-no de o fazer só para inglês ver.
12. Quando Portugal entrou para a União Europeia, em 1986, fez tudo para se tornar o bom aluno da Europa e, mais recentemente, até dispensou um primeiro-ministro em exercício para ocupar, em Bruxelas, o cargo de Presidente da Comissão Europeia; uma das razões para essa requisição do Zé é por que ele é reconhecidamente um poliglota (fala, além da língua materna, o inglês, o francês, o portunhol e o cherne).
13. No Algarve, o comum dos portugas adora (ou adorava, nos anos sessenta e setenta) ir até à Quarteira engatar bifas (inglesas e outras nórdicas, com ou sem sardas).
14. Entre tremoços, amendoins e bejecas, eles (os portugas, machos) adoram passar as férias a jogar à sueca.
15. Elas, as portugas fêmeas, pelo contrário, preferem gastar o subsídio de férias no Corte Inglês ou noutros estabelecimentos da estranja como a Zara.
16. Em África, nos PALOP que já fizeram parte do seu grande império colonial, o português (m/f) ainda é tratado carinhosamente pelo seu diminuitivo, tuga.
17. Os da Madeira chamam cubanos aos do Continente.
18. Quinhentos anos depois de Álvares Cabral ter aportado ao Novo Mundo, os portugueses estão a redescobrir o Brasil, a falar à moda de lá e a importar os seus indígenas.
19. Católico de baptismo, mas pouco cumpridor dos mandamentos, em matéria de fé o portuga tende a ser mais papista que o Papa.
20. Já quando os gajos (três gatos pingados, segundo creio) chegaram ao País do Sol Nascente, por volta de 1543, os japoneses chamaram-lhe os bárbaros do sul.
1. Quando um portuga apanha com um grande problema pela frente, diz logo que se vê grego para dar conta do recado.
2. Se a coisa é mesmo complicada de perceber, ele afirma que isso, para ele, é chinês, ao ponto de ficar com os olhos em bico.
3. Em Portugal quem trabalha no duro, de manhã à noite, é um mouro de trabalho. Mas também já foi um galego. Agora diz-se que é um ucraniano.
4. Pelo contrário, o portuga que não gosta de trabalhar, alega que o trabalho é bom para o preto.
5. Invenções, modernices, merdas que não interessam a ninguém como a ciência & a tecnologia, são chamadas de americanices.
6. Se um portuga é gabarolas, se gosta de armar ao pingarelho, é logo apelidado de amigo de espanholadas; se estudou numa universdiade estrangeira, é logo apelidado de estrangeirado.
7. Se ele faz um esforço de comunicação com os seus amigos e vizinhos espanhóis, riem-se do tipo por que não fala o espanhol de Cervantes mas sim um mísero portunhol (que é um novo dialecto ibérico).
8. Em Portugal uma pessoa também não pode viver com um mínimo de luxo, conforto e ostentação (Champagne, jaquinzinhos, Mercedes em 2ª mão, barraca no Algarve com piscina desmontável, férias na neve em Sierra Nevada...), sem que os invejosos dos vizinhos venham dizer que vive à grande e à francesa.
9. Se o gajo tem um pé de meia, é por que é agarrado ao dinheiro, logo tem uma costela de judeu.
10. Pelo contrário, se ele te faz uma sacanice ou te apunhala pelas costas, logo dirás que é um italiano mafioso.
11. Se faz algo para causar boa impressão aos outros, acusam-no de o fazer só para inglês ver.
12. Quando Portugal entrou para a União Europeia, em 1986, fez tudo para se tornar o bom aluno da Europa e, mais recentemente, até dispensou um primeiro-ministro em exercício para ocupar, em Bruxelas, o cargo de Presidente da Comissão Europeia; uma das razões para essa requisição do Zé é por que ele é reconhecidamente um poliglota (fala, além da língua materna, o inglês, o francês, o portunhol e o cherne).
13. No Algarve, o comum dos portugas adora (ou adorava, nos anos sessenta e setenta) ir até à Quarteira engatar bifas (inglesas e outras nórdicas, com ou sem sardas).
14. Entre tremoços, amendoins e bejecas, eles (os portugas, machos) adoram passar as férias a jogar à sueca.
15. Elas, as portugas fêmeas, pelo contrário, preferem gastar o subsídio de férias no Corte Inglês ou noutros estabelecimentos da estranja como a Zara.
16. Em África, nos PALOP que já fizeram parte do seu grande império colonial, o português (m/f) ainda é tratado carinhosamente pelo seu diminuitivo, tuga.
17. Os da Madeira chamam cubanos aos do Continente.
18. Quinhentos anos depois de Álvares Cabral ter aportado ao Novo Mundo, os portugueses estão a redescobrir o Brasil, a falar à moda de lá e a importar os seus indígenas.
19. Católico de baptismo, mas pouco cumpridor dos mandamentos, em matéria de fé o portuga tende a ser mais papista que o Papa.
20. Já quando os gajos (três gatos pingados, segundo creio) chegaram ao País do Sol Nascente, por volta de 1543, os japoneses chamaram-lhe os bárbaros do sul.
Portugal sacro-profano - XXII: O internacionalismo português
O mais internacionalista dos povos é, sem dúvida, o português. Se não vejamos esta lista com 20 argumentos a favor da tese do internacionalismo:
1. Quando um portuga apanha com um grande problema pela frente, diz logo que se vê grego para dar conta do recado.
2. Se a coisa é mesmo complicada de perceber, ele afirma que isso, para ele, é chinês, ao ponto de ficar com os olhos em bico.
3. Em Portugal quem trabalha no duro, de manhã à noite, é um mouro de trabalho. Mas também já foi um galego. Agora diz-se que é um ucraniano.
4. Pelo contrário, o portuga que não gosta de trabalhar, alega que o trabalho é bom para o preto.
5. Invenções, modernices, merdas que não interessam a ninguém como a ciência & a tecnologia, são chamadas de americanices.
6. Se um portuga é gabarolas, se gosta de armar ao pingarelho, é logo apelidado de amigo de espanholadas; se estudou numa universdiade estrangeira, é logo apelidado de estrangeirado.
7. Se ele faz um esforço de comunicação com os seus amigos e vizinhos espanhóis, riem-se do tipo por que não fala o espanhol de Cervantes mas sim um mísero portunhol (que é um novo dialecto ibérico).
8. Em Portugal uma pessoa também não pode viver com um mínimo de luxo, conforto e ostentação (Champagne, jaquinzinhos, Mercedes em 2ª mão, barraca no Algarve com piscina desmontável, férias na neve em Sierra Nevada...), sem que os invejosos dos vizinhos venham dizer que vive à grande e à francesa.
9. Se o gajo tem um pé de meia, é por que é agarrado ao dinheiro, logo tem uma costela de judeu.
10. Pelo contrário, se ele te faz uma sacanice ou te apunhala pelas costas, logo dirás que é um italiano mafioso.
11. Se faz algo para causar boa impressão aos outros, acusam-no de o fazer só para inglês ver.
12. Quando Portugal entrou para a União Europeia, em 1986, fez tudo para se tornar o bom aluno da Europa e, mais recentemente, até dispensou um primeiro-ministro em exercício para ocupar, em Bruxelas, o cargo de Presidente da Comissão Europeia; uma das razões para essa requisição do Zé é por que ele é reconhecidamente um poliglota (fala, além da língua materna, o inglês, o francês, o portunhol e o cherne).
13. No Algarve, o comum dos portugas adora (ou adorava, nos anos sessenta e setenta) ir até à Quarteira engatar bifas (inglesas e outras nórdicas, com ou sem sardas).
14. Entre tremoços, amendoins e bejecas, eles (os portugas, machos) adoram passar as férias a jogar à sueca.
15. Elas, as portugas fêmeas, pelo contrário, preferem gastar o subsídio de férias no Corte Inglês ou noutros estabelecimentos da estranja como a Zara.
16. Em África, nos PALOP que já fizeram parte do seu grande império colonial, o português (m/f) ainda é tratado carinhosamente pelo seu diminuitivo, tuga.
17. Os da Madeira chamam cubanos aos do Continente.
18. Quinhentos anos depois de Álvares Cabral ter aportado ao Novo Mundo, os portugueses estão a redescobrir o Brasil, a falar à moda de lá e a importar os seus indígenas.
19. Católico de baptismo, mas pouco cumpridor dos mandamentos, em matéria de fé o portuga tende a ser mais papista que o Papa.
20. Já quando os gajos (três gatos pingados, segundo creio) chegaram ao País do Sol Nascente, por volta de 1543, os japoneses chamaram-lhe os bárbaros do sul.
1. Quando um portuga apanha com um grande problema pela frente, diz logo que se vê grego para dar conta do recado.
2. Se a coisa é mesmo complicada de perceber, ele afirma que isso, para ele, é chinês, ao ponto de ficar com os olhos em bico.
3. Em Portugal quem trabalha no duro, de manhã à noite, é um mouro de trabalho. Mas também já foi um galego. Agora diz-se que é um ucraniano.
4. Pelo contrário, o portuga que não gosta de trabalhar, alega que o trabalho é bom para o preto.
5. Invenções, modernices, merdas que não interessam a ninguém como a ciência & a tecnologia, são chamadas de americanices.
6. Se um portuga é gabarolas, se gosta de armar ao pingarelho, é logo apelidado de amigo de espanholadas; se estudou numa universdiade estrangeira, é logo apelidado de estrangeirado.
7. Se ele faz um esforço de comunicação com os seus amigos e vizinhos espanhóis, riem-se do tipo por que não fala o espanhol de Cervantes mas sim um mísero portunhol (que é um novo dialecto ibérico).
8. Em Portugal uma pessoa também não pode viver com um mínimo de luxo, conforto e ostentação (Champagne, jaquinzinhos, Mercedes em 2ª mão, barraca no Algarve com piscina desmontável, férias na neve em Sierra Nevada...), sem que os invejosos dos vizinhos venham dizer que vive à grande e à francesa.
9. Se o gajo tem um pé de meia, é por que é agarrado ao dinheiro, logo tem uma costela de judeu.
10. Pelo contrário, se ele te faz uma sacanice ou te apunhala pelas costas, logo dirás que é um italiano mafioso.
11. Se faz algo para causar boa impressão aos outros, acusam-no de o fazer só para inglês ver.
12. Quando Portugal entrou para a União Europeia, em 1986, fez tudo para se tornar o bom aluno da Europa e, mais recentemente, até dispensou um primeiro-ministro em exercício para ocupar, em Bruxelas, o cargo de Presidente da Comissão Europeia; uma das razões para essa requisição do Zé é por que ele é reconhecidamente um poliglota (fala, além da língua materna, o inglês, o francês, o portunhol e o cherne).
13. No Algarve, o comum dos portugas adora (ou adorava, nos anos sessenta e setenta) ir até à Quarteira engatar bifas (inglesas e outras nórdicas, com ou sem sardas).
14. Entre tremoços, amendoins e bejecas, eles (os portugas, machos) adoram passar as férias a jogar à sueca.
15. Elas, as portugas fêmeas, pelo contrário, preferem gastar o subsídio de férias no Corte Inglês ou noutros estabelecimentos da estranja como a Zara.
16. Em África, nos PALOP que já fizeram parte do seu grande império colonial, o português (m/f) ainda é tratado carinhosamente pelo seu diminuitivo, tuga.
17. Os da Madeira chamam cubanos aos do Continente.
18. Quinhentos anos depois de Álvares Cabral ter aportado ao Novo Mundo, os portugueses estão a redescobrir o Brasil, a falar à moda de lá e a importar os seus indígenas.
19. Católico de baptismo, mas pouco cumpridor dos mandamentos, em matéria de fé o portuga tende a ser mais papista que o Papa.
20. Já quando os gajos (três gatos pingados, segundo creio) chegaram ao País do Sol Nascente, por volta de 1543, os japoneses chamaram-lhe os bárbaros do sul.
20 janeiro 2005
Car@s ciberamig@s - VIII: Comércio justo, consumo responsável, trabalho decente...
1. Há muitas formas de sermos solidári@s.
2. Espero que não levem a mal a minha sugestão de hoje (Acabei de enviar, para minha mailing list, cópia do post anterior sobre o comércio justo).
3. Não podemos deixar tudo à famosa mão invisível do mercado dos neoliberais.
4. Temos visto isso neste dias terríveis que, de uma maneira ou de outra, marcaram indelevelmente toda a humanidade (mesmo a mais empedernida).
5. Não podemos deixar tudo ao critério do aleatório, ao jogo da sorte e do azar: “Azar foi o da outra criança indonésia que, na manhã do tsunami, escolheu uma t-shirt do Snoopy em vez de uma da selecção portuguesa e que por isso agora não recebe ajuda especial”(Escreveu anteontem o ZDQ, no Gato Fedorento).
6. Contra a maré da neurastenia nacional (que corre o risco de se tornar crónica), contra a “não-inscrição” (como diz o Zé Gil), contra o nosso medo de existir, sobretudo contra a nossa incapacidade de expressão do ‘vivido’.
PS - A minha amiga Andreia (amiga virtual, que eu conheço há mais de cinco anos mas só do ciberespaço e que até já me entrevistou por e-mail quando estava no portal do Terravista!) faz-me agora um pequeno reparo: A Mercearia do Mundo (na Rua de S. José) já está aberta há algum tempo: "Afinal, foi lá que comprei a maioria dos presentes de Natal este último ano". Obrigado, Andreia, pelo estímulo e pela correcção.
2. Espero que não levem a mal a minha sugestão de hoje (Acabei de enviar, para minha mailing list, cópia do post anterior sobre o comércio justo).
3. Não podemos deixar tudo à famosa mão invisível do mercado dos neoliberais.
4. Temos visto isso neste dias terríveis que, de uma maneira ou de outra, marcaram indelevelmente toda a humanidade (mesmo a mais empedernida).
5. Não podemos deixar tudo ao critério do aleatório, ao jogo da sorte e do azar: “Azar foi o da outra criança indonésia que, na manhã do tsunami, escolheu uma t-shirt do Snoopy em vez de uma da selecção portuguesa e que por isso agora não recebe ajuda especial”(Escreveu anteontem o ZDQ, no Gato Fedorento).
6. Contra a maré da neurastenia nacional (que corre o risco de se tornar crónica), contra a “não-inscrição” (como diz o Zé Gil), contra o nosso medo de existir, sobretudo contra a nossa incapacidade de expressão do ‘vivido’.
PS - A minha amiga Andreia (amiga virtual, que eu conheço há mais de cinco anos mas só do ciberespaço e que até já me entrevistou por e-mail quando estava no portal do Terravista!) faz-me agora um pequeno reparo: A Mercearia do Mundo (na Rua de S. José) já está aberta há algum tempo: "Afinal, foi lá que comprei a maioria dos presentes de Natal este último ano". Obrigado, Andreia, pelo estímulo e pela correcção.
Car@s ciberamig@s - VIII: Comércio justo, consumo responsável, trabalho decente...
1. Há muitas formas de sermos solidári@s.
2. Espero que não levem a mal a minha sugestão de hoje (Acabei de enviar, para minha mailing list, cópia do post anterior sobre o comércio justo).
3. Não podemos deixar tudo à famosa mão invisível do mercado dos neoliberais.
4. Temos visto isso neste dias terríveis que, de uma maneira ou de outra, marcaram indelevelmente toda a humanidade (mesmo a mais empedernida).
5. Não podemos deixar tudo ao critério do aleatório, ao jogo da sorte e do azar: “Azar foi o da outra criança indonésia que, na manhã do tsunami, escolheu uma t-shirt do Snoopy em vez de uma da selecção portuguesa e que por isso agora não recebe ajuda especial”(Escreveu anteontem o ZDQ, no Gato Fedorento).
6. Contra a maré da neurastenia nacional (que corre o risco de se tornar crónica), contra a “não-inscrição” (como diz o Zé Gil), contra o nosso medo de existir, sobretudo contra a nossa incapacidade de expressão do ‘vivido’.
PS - A minha amiga Andreia (amiga virtual, que eu conheço há mais de cinco anos mas só do ciberespaço e que até já me entrevistou por e-mail quando estava no portal do Terravista!) faz-me agora um pequeno reparo: A Mercearia do Mundo (na Rua de S. José) já está aberta há algum tempo: "Afinal, foi lá que comprei a maioria dos presentes de Natal este último ano". Obrigado, Andreia, pelo estímulo e pela correcção.
2. Espero que não levem a mal a minha sugestão de hoje (Acabei de enviar, para minha mailing list, cópia do post anterior sobre o comércio justo).
3. Não podemos deixar tudo à famosa mão invisível do mercado dos neoliberais.
4. Temos visto isso neste dias terríveis que, de uma maneira ou de outra, marcaram indelevelmente toda a humanidade (mesmo a mais empedernida).
5. Não podemos deixar tudo ao critério do aleatório, ao jogo da sorte e do azar: “Azar foi o da outra criança indonésia que, na manhã do tsunami, escolheu uma t-shirt do Snoopy em vez de uma da selecção portuguesa e que por isso agora não recebe ajuda especial”(Escreveu anteontem o ZDQ, no Gato Fedorento).
6. Contra a maré da neurastenia nacional (que corre o risco de se tornar crónica), contra a “não-inscrição” (como diz o Zé Gil), contra o nosso medo de existir, sobretudo contra a nossa incapacidade de expressão do ‘vivido’.
PS - A minha amiga Andreia (amiga virtual, que eu conheço há mais de cinco anos mas só do ciberespaço e que até já me entrevistou por e-mail quando estava no portal do Terravista!) faz-me agora um pequeno reparo: A Mercearia do Mundo (na Rua de S. José) já está aberta há algum tempo: "Afinal, foi lá que comprei a maioria dos presentes de Natal este último ano". Obrigado, Andreia, pelo estímulo e pela correcção.
19 janeiro 2005
Blogantologia(s) - XXIII: O Comércio Justo
Andei por aí
À procura de lojas do Comércio Justo:
Queria comprar dez cêntimos de equidade;
Acabei por encontrar uma, a custo,
Já à saída da cidade.
Ao lado, havia um hipermercado,
Com a bandeira de Poprtugal;
E, mais à frente, uma Loja dos Trezentos;
E a seguir, uma outra, a do Chinês;
Pensei cá para mim:
- Eh!, já não vives na era de Quinhentos,
O mundo está mais global, mais plural,
E até mais louco, ó Português.
Entrei e ouvi estórias
De gente de mil e uma cores:
Sou uma pobre viúva da Índia
E faço bonecos de pano,
Comprem, comprem, meus senhores,
Ganham mais vocês num só dia
Do que eu em todo o ano.
Essa coisa da equidade
Que o senhor vem à procura
Eu não vendo nem nunca vi;
Não é por ter a pele escura
Mas a verdade, a verdade,
É que só conheço a ruindade
Da ilha do Haiti onde nasci.
Equidade não é justiça,
Mas igualdade de oportunidades:
O pensamento pode ser profundo,
Mas que me adianta, a mim,
Ser bonita e mestiça,
Sem direitos nem liberdades,
Neste sítio do fim do mundo.
E tu, estrangeiro,
Que me acusas de dumping social,
Por extrair o carvão da mina:
Silicótico, ex-mineiro,
Fiz a revolução cultural
E mudei p'ra mensageiro
Do Grande Negócio da China.
E tu, meu amigo,
Que és um consumidor responsável,
E vives na parte do planeta
Que é a mais habitável,
Põe sempre o olho na etiqueta,
Que o desenvolvimento sustentável
É a minha e a tua meta.
Sê solidário comigo
Que estou há dias sem vender,
E sem dinheiro para comer,
Compra-me esta estatueta,
Que o politicamente correcto
Não enche a barriga da gente;
Mas já sei o que me vás dizer,
Que se a peça é de pau preto,
É mau para a ambiente.
E se alimento pai e mãe,
Na Indonésia ou no Brasil,
Dizes-me que é crime também,
Por ser trabalho infantil.
Não sabes onde fica o Benim,
Mas podes ajudar-me
Ao meu povo, aos meus irmãos,
Não quero que tenhas pena de mim,
Basta ambos darmos as mãos.
A mão invísivel do mercado,
Diz o teu professor economista,
Há-de chegar a todo o lado,
Mais devagar ou mais depressa,
De avião, de carro ou a pé,
E poderá fazer-te até
Um pequeno capitalista.
Para resumir a lição,
Ouvida na loja do Comércio Justo,
Presta um pouco mais de atenção:
Tu és consumidor, solidário,
Eu sou produtor, acreditado,
Do Comércio Justo és partidário,
Só posso ficar-te muito obrigado.
Compra eco-justo, sê solidário. Age local, mas pensa global.
Para saberes mais, visita os sítios:
Fair Trade Federation (FTF)
"FTF directly links low-income producers with consumer markets and educates consumers about the importance of purchasing fairly traded products which support living wages and safe and healthy conditions for workers in the developing world".
Cores do Globo.
Comércio Justo e Solidário
Algumas lojas do comércio eco-justo e solidário:
Ecos do Sul - Loja do Mundo
Largo Cristóvão da Gama, nº 6 - A
Damaia de Baixo
2720 Amadora
Tel. 214767750
Fax 214741447
Mó de Vida, Cooperativa
Calçadinha da Horta, 19, Pragal
2800-564 Almada
Telef. 212720641
http://modevida.planetaclix.pt/
Mercearia do Mundo
Rua de São José nº 17
Lisboa
É a primeira loja de Comércio Justo que abriu abrir em Lisboa(e a décima em Portugal).
Outras organizações nacionais e postos de venda
PS - Mas o que é afinal o Comércio Justo ?
O Comércio Justo não é nenhuma panaceia universal: pode ser definido (i) como "uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar o seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentado"; procura, além disso, (ii) "criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos"; em suma, (iii) a sua missão é a de "promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização".
Princípios do Comércio Justo
O decálogo do Comércio Justo:
(i) o respeito e preocupação pelas pessoas e o meio ambiente;
(ii) existência de boas condições de trabalho e o pagamento de um preço justo aos produtores, que cubra os custos de produção, possibilite um rendimento digno, permita a protecção ambiental e garanta um mínimo de segurança económica;
(iii) a abertura e transparência da estrutura das organizações e de todos os aspectos da sua actividade;
(iv) a informação mútua entre todos os intervenientes na cadeia comercial sobre os produtos e os métodos de comercialização;
(v) o envolvimento dos produtores, voluntários e empregados nas tomadas de decisão que os afectam;
(vi) a protecção e a promoção dos direitos humanos, nomeadamente os das mulheres, das crianças e e dos povos indígenas;
(vii) a protecção do ambiente e a promoção de um desenvolvimento sustentável;
(viii) o estabelecimento de relações comerciais estáveis e de longo prazo;
(ix) a promoção de acções de informação, de educação e de sensibilização;
(x) a produção tão completa quanto possível dos produtos nos países de origem.
Fonte: Cores do Globo
À procura de lojas do Comércio Justo:
Queria comprar dez cêntimos de equidade;
Acabei por encontrar uma, a custo,
Já à saída da cidade.
Ao lado, havia um hipermercado,
Com a bandeira de Poprtugal;
E, mais à frente, uma Loja dos Trezentos;
E a seguir, uma outra, a do Chinês;
Pensei cá para mim:
- Eh!, já não vives na era de Quinhentos,
O mundo está mais global, mais plural,
E até mais louco, ó Português.
Entrei e ouvi estórias
De gente de mil e uma cores:
Sou uma pobre viúva da Índia
E faço bonecos de pano,
Comprem, comprem, meus senhores,
Ganham mais vocês num só dia
Do que eu em todo o ano.
Essa coisa da equidade
Que o senhor vem à procura
Eu não vendo nem nunca vi;
Não é por ter a pele escura
Mas a verdade, a verdade,
É que só conheço a ruindade
Da ilha do Haiti onde nasci.
Equidade não é justiça,
Mas igualdade de oportunidades:
O pensamento pode ser profundo,
Mas que me adianta, a mim,
Ser bonita e mestiça,
Sem direitos nem liberdades,
Neste sítio do fim do mundo.
E tu, estrangeiro,
Que me acusas de dumping social,
Por extrair o carvão da mina:
Silicótico, ex-mineiro,
Fiz a revolução cultural
E mudei p'ra mensageiro
Do Grande Negócio da China.
E tu, meu amigo,
Que és um consumidor responsável,
E vives na parte do planeta
Que é a mais habitável,
Põe sempre o olho na etiqueta,
Que o desenvolvimento sustentável
É a minha e a tua meta.
Sê solidário comigo
Que estou há dias sem vender,
E sem dinheiro para comer,
Compra-me esta estatueta,
Que o politicamente correcto
Não enche a barriga da gente;
Mas já sei o que me vás dizer,
Que se a peça é de pau preto,
É mau para a ambiente.
E se alimento pai e mãe,
Na Indonésia ou no Brasil,
Dizes-me que é crime também,
Por ser trabalho infantil.
Não sabes onde fica o Benim,
Mas podes ajudar-me
Ao meu povo, aos meus irmãos,
Não quero que tenhas pena de mim,
Basta ambos darmos as mãos.
A mão invísivel do mercado,
Diz o teu professor economista,
Há-de chegar a todo o lado,
Mais devagar ou mais depressa,
De avião, de carro ou a pé,
E poderá fazer-te até
Um pequeno capitalista.
Para resumir a lição,
Ouvida na loja do Comércio Justo,
Presta um pouco mais de atenção:
Tu és consumidor, solidário,
Eu sou produtor, acreditado,
Do Comércio Justo és partidário,
Só posso ficar-te muito obrigado.
Compra eco-justo, sê solidário. Age local, mas pensa global.
Para saberes mais, visita os sítios:
Fair Trade Federation (FTF)
"FTF directly links low-income producers with consumer markets and educates consumers about the importance of purchasing fairly traded products which support living wages and safe and healthy conditions for workers in the developing world".
Cores do Globo.
Comércio Justo e Solidário
Algumas lojas do comércio eco-justo e solidário:
Ecos do Sul - Loja do Mundo
Largo Cristóvão da Gama, nº 6 - A
Damaia de Baixo
2720 Amadora
Tel. 214767750
Fax 214741447
Mó de Vida, Cooperativa
Calçadinha da Horta, 19, Pragal
2800-564 Almada
Telef. 212720641
http://modevida.planetaclix.pt/
Mercearia do Mundo
Rua de São José nº 17
Lisboa
É a primeira loja de Comércio Justo que abriu abrir em Lisboa(e a décima em Portugal).
Outras organizações nacionais e postos de venda
PS - Mas o que é afinal o Comércio Justo ?
O Comércio Justo não é nenhuma panaceia universal: pode ser definido (i) como "uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar o seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentado"; procura, além disso, (ii) "criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos"; em suma, (iii) a sua missão é a de "promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização".
Princípios do Comércio Justo
O decálogo do Comércio Justo:
(i) o respeito e preocupação pelas pessoas e o meio ambiente;
(ii) existência de boas condições de trabalho e o pagamento de um preço justo aos produtores, que cubra os custos de produção, possibilite um rendimento digno, permita a protecção ambiental e garanta um mínimo de segurança económica;
(iii) a abertura e transparência da estrutura das organizações e de todos os aspectos da sua actividade;
(iv) a informação mútua entre todos os intervenientes na cadeia comercial sobre os produtos e os métodos de comercialização;
(v) o envolvimento dos produtores, voluntários e empregados nas tomadas de decisão que os afectam;
(vi) a protecção e a promoção dos direitos humanos, nomeadamente os das mulheres, das crianças e e dos povos indígenas;
(vii) a protecção do ambiente e a promoção de um desenvolvimento sustentável;
(viii) o estabelecimento de relações comerciais estáveis e de longo prazo;
(ix) a promoção de acções de informação, de educação e de sensibilização;
(x) a produção tão completa quanto possível dos produtos nos países de origem.
Fonte: Cores do Globo
Blogantologia(s) - XXIII: O Comércio Justo
Andei por aí
À procura de lojas do Comércio Justo:
Queria comprar dez cêntimos de equidade;
Acabei por encontrar uma, a custo,
Já à saída da cidade.
Ao lado, havia um hipermercado,
Com a bandeira de Poprtugal;
E, mais à frente, uma Loja dos Trezentos;
E a seguir, uma outra, a do Chinês;
Pensei cá para mim:
- Eh!, já não vives na era de Quinhentos,
O mundo está mais global, mais plural,
E até mais louco, ó Português.
Entrei e ouvi estórias
De gente de mil e uma cores:
Sou uma pobre viúva da Índia
E faço bonecos de pano,
Comprem, comprem, meus senhores,
Ganham mais vocês num só dia
Do que eu em todo o ano.
Essa coisa da equidade
Que o senhor vem à procura
Eu não vendo nem nunca vi;
Não é por ter a pele escura
Mas a verdade, a verdade,
É que só conheço a ruindade
Da ilha do Haiti onde nasci.
Equidade não é justiça,
Mas igualdade de oportunidades:
O pensamento pode ser profundo,
Mas que me adianta, a mim,
Ser bonita e mestiça,
Sem direitos nem liberdades,
Neste sítio do fim do mundo.
E tu, estrangeiro,
Que me acusas de dumping social,
Por extrair o carvão da mina:
Silicótico, ex-mineiro,
Fiz a revolução cultural
E mudei p'ra mensageiro
Do Grande Negócio da China.
E tu, meu amigo,
Que és um consumidor responsável,
E vives na parte do planeta
Que é a mais habitável,
Põe sempre o olho na etiqueta,
Que o desenvolvimento sustentável
É a minha e a tua meta.
Sê solidário comigo
Que estou há dias sem vender,
E sem dinheiro para comer,
Compra-me esta estatueta,
Que o politicamente correcto
Não enche a barriga da gente;
Mas já sei o que me vás dizer,
Que se a peça é de pau preto,
É mau para a ambiente.
E se alimento pai e mãe,
Na Indonésia ou no Brasil,
Dizes-me que é crime também,
Por ser trabalho infantil.
Não sabes onde fica o Benim,
Mas podes ajudar-me
Ao meu povo, aos meus irmãos,
Não quero que tenhas pena de mim,
Basta ambos darmos as mãos.
A mão invísivel do mercado,
Diz o teu professor economista,
Há-de chegar a todo o lado,
Mais devagar ou mais depressa,
De avião, de carro ou a pé,
E poderá fazer-te até
Um pequeno capitalista.
Para resumir a lição,
Ouvida na loja do Comércio Justo,
Presta um pouco mais de atenção:
Tu és consumidor, solidário,
Eu sou produtor, acreditado,
Do Comércio Justo és partidário,
Só posso ficar-te muito obrigado.
Compra eco-justo, sê solidário. Age local, mas pensa global.
Para saberes mais, visita os sítios:
Fair Trade Federation (FTF)
"FTF directly links low-income producers with consumer markets and educates consumers about the importance of purchasing fairly traded products which support living wages and safe and healthy conditions for workers in the developing world".
Cores do Globo.
Comércio Justo e Solidário
Algumas lojas do comércio eco-justo e solidário:
Ecos do Sul - Loja do Mundo
Largo Cristóvão da Gama, nº 6 - A
Damaia de Baixo
2720 Amadora
Tel. 214767750
Fax 214741447
Mó de Vida, Cooperativa
Calçadinha da Horta, 19, Pragal
2800-564 Almada
Telef. 212720641
http://modevida.planetaclix.pt/
Mercearia do Mundo
Rua de São José nº 17
Lisboa
É a primeira loja de Comércio Justo que abriu abrir em Lisboa(e a décima em Portugal).
Outras organizações nacionais e postos de venda
PS - Mas o que é afinal o Comércio Justo ?
O Comércio Justo não é nenhuma panaceia universal: pode ser definido (i) como "uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar o seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentado"; procura, além disso, (ii) "criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos"; em suma, (iii) a sua missão é a de "promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização".
Princípios do Comércio Justo
O decálogo do Comércio Justo:
(i) o respeito e preocupação pelas pessoas e o meio ambiente;
(ii) existência de boas condições de trabalho e o pagamento de um preço justo aos produtores, que cubra os custos de produção, possibilite um rendimento digno, permita a protecção ambiental e garanta um mínimo de segurança económica;
(iii) a abertura e transparência da estrutura das organizações e de todos os aspectos da sua actividade;
(iv) a informação mútua entre todos os intervenientes na cadeia comercial sobre os produtos e os métodos de comercialização;
(v) o envolvimento dos produtores, voluntários e empregados nas tomadas de decisão que os afectam;
(vi) a protecção e a promoção dos direitos humanos, nomeadamente os das mulheres, das crianças e e dos povos indígenas;
(vii) a protecção do ambiente e a promoção de um desenvolvimento sustentável;
(viii) o estabelecimento de relações comerciais estáveis e de longo prazo;
(ix) a promoção de acções de informação, de educação e de sensibilização;
(x) a produção tão completa quanto possível dos produtos nos países de origem.
Fonte: Cores do Globo
À procura de lojas do Comércio Justo:
Queria comprar dez cêntimos de equidade;
Acabei por encontrar uma, a custo,
Já à saída da cidade.
Ao lado, havia um hipermercado,
Com a bandeira de Poprtugal;
E, mais à frente, uma Loja dos Trezentos;
E a seguir, uma outra, a do Chinês;
Pensei cá para mim:
- Eh!, já não vives na era de Quinhentos,
O mundo está mais global, mais plural,
E até mais louco, ó Português.
Entrei e ouvi estórias
De gente de mil e uma cores:
Sou uma pobre viúva da Índia
E faço bonecos de pano,
Comprem, comprem, meus senhores,
Ganham mais vocês num só dia
Do que eu em todo o ano.
Essa coisa da equidade
Que o senhor vem à procura
Eu não vendo nem nunca vi;
Não é por ter a pele escura
Mas a verdade, a verdade,
É que só conheço a ruindade
Da ilha do Haiti onde nasci.
Equidade não é justiça,
Mas igualdade de oportunidades:
O pensamento pode ser profundo,
Mas que me adianta, a mim,
Ser bonita e mestiça,
Sem direitos nem liberdades,
Neste sítio do fim do mundo.
E tu, estrangeiro,
Que me acusas de dumping social,
Por extrair o carvão da mina:
Silicótico, ex-mineiro,
Fiz a revolução cultural
E mudei p'ra mensageiro
Do Grande Negócio da China.
E tu, meu amigo,
Que és um consumidor responsável,
E vives na parte do planeta
Que é a mais habitável,
Põe sempre o olho na etiqueta,
Que o desenvolvimento sustentável
É a minha e a tua meta.
Sê solidário comigo
Que estou há dias sem vender,
E sem dinheiro para comer,
Compra-me esta estatueta,
Que o politicamente correcto
Não enche a barriga da gente;
Mas já sei o que me vás dizer,
Que se a peça é de pau preto,
É mau para a ambiente.
E se alimento pai e mãe,
Na Indonésia ou no Brasil,
Dizes-me que é crime também,
Por ser trabalho infantil.
Não sabes onde fica o Benim,
Mas podes ajudar-me
Ao meu povo, aos meus irmãos,
Não quero que tenhas pena de mim,
Basta ambos darmos as mãos.
A mão invísivel do mercado,
Diz o teu professor economista,
Há-de chegar a todo o lado,
Mais devagar ou mais depressa,
De avião, de carro ou a pé,
E poderá fazer-te até
Um pequeno capitalista.
Para resumir a lição,
Ouvida na loja do Comércio Justo,
Presta um pouco mais de atenção:
Tu és consumidor, solidário,
Eu sou produtor, acreditado,
Do Comércio Justo és partidário,
Só posso ficar-te muito obrigado.
Compra eco-justo, sê solidário. Age local, mas pensa global.
Para saberes mais, visita os sítios:
Fair Trade Federation (FTF)
"FTF directly links low-income producers with consumer markets and educates consumers about the importance of purchasing fairly traded products which support living wages and safe and healthy conditions for workers in the developing world".
Cores do Globo.
Comércio Justo e Solidário
Algumas lojas do comércio eco-justo e solidário:
Ecos do Sul - Loja do Mundo
Largo Cristóvão da Gama, nº 6 - A
Damaia de Baixo
2720 Amadora
Tel. 214767750
Fax 214741447
Mó de Vida, Cooperativa
Calçadinha da Horta, 19, Pragal
2800-564 Almada
Telef. 212720641
http://modevida.planetaclix.pt/
Mercearia do Mundo
Rua de São José nº 17
Lisboa
É a primeira loja de Comércio Justo que abriu abrir em Lisboa(e a décima em Portugal).
Outras organizações nacionais e postos de venda
PS - Mas o que é afinal o Comércio Justo ?
O Comércio Justo não é nenhuma panaceia universal: pode ser definido (i) como "uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar o seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentado"; procura, além disso, (ii) "criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos"; em suma, (iii) a sua missão é a de "promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização".
Princípios do Comércio Justo
O decálogo do Comércio Justo:
(i) o respeito e preocupação pelas pessoas e o meio ambiente;
(ii) existência de boas condições de trabalho e o pagamento de um preço justo aos produtores, que cubra os custos de produção, possibilite um rendimento digno, permita a protecção ambiental e garanta um mínimo de segurança económica;
(iii) a abertura e transparência da estrutura das organizações e de todos os aspectos da sua actividade;
(iv) a informação mútua entre todos os intervenientes na cadeia comercial sobre os produtos e os métodos de comercialização;
(v) o envolvimento dos produtores, voluntários e empregados nas tomadas de decisão que os afectam;
(vi) a protecção e a promoção dos direitos humanos, nomeadamente os das mulheres, das crianças e e dos povos indígenas;
(vii) a protecção do ambiente e a promoção de um desenvolvimento sustentável;
(viii) o estabelecimento de relações comerciais estáveis e de longo prazo;
(ix) a promoção de acções de informação, de educação e de sensibilização;
(x) a produção tão completa quanto possível dos produtos nos países de origem.
Fonte: Cores do Globo
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